Tecnologia utilizada por atletas busca atuar sobre o relógio biológico e aumentar temporariamente o estado de alerta, mas não significa melhora automática do desempenho
Um acessório diferente usado por Arrascaeta antes de uma partida do Campeonato Brasileiro chamou a atenção dos torcedores e viralizou nas redes sociais. O jogador apareceu utilizando óculos que emitem luz verde, tecnologia adotada por alguns atletas de alto rendimento com o objetivo de estimular o organismo antes das competições.
Mas o que a luz verde faz? Segundo o oftalmologista Cesar Ronaldo Filho, do Hospital de Olhos Vitória (HOV), dispositivos desse tipo trabalham com a exposição controlada à luz e podem atuar sobre mecanismos relacionados ao relógio biológico. A retina possui células que detectam a presença de luz e enviam informações para regiões do cérebro responsáveis pela regulação dos períodos de sono e vigília.
“Quando utilizamos uma luz com características específicas, é possível estimular esse sistema e aumentar temporariamente o estado de alerta”, explica o médico. Isso não significa, entretanto, que os óculos façam uma pessoa correr mais, ter melhores reflexos ou apresentar automaticamente um desempenho esportivo superior.
A chamada fototerapia já é empregada na medicina em situações específicas, como distúrbios do ritmo circadiano, adaptação ao fuso horário e alguns problemas relacionados ao sono. No esporte, a lógica é utilizar a exposição à luz como uma das ferramentas para preparar o organismo para determinada atividade e horário.
Apesar da comparação que surgiu nas redes sociais, a exposição promovida por esses dispositivos é diferente daquela provocada pelo uso prolongado de celulares, computadores e tablets. Nos equipamentos de fototerapia, a emissão ocorre de maneira controlada, por determinado período e com um objetivo específico. Já o excesso de telas à noite pode manter o cérebro em estado de alerta e prejudicar o processo natural de preparação para o sono.
O uso também não é indicado indiscriminadamente. Pessoas com doenças da retina, fotossensibilidade ou histórico de enxaqueca desencadeada pela luz, entre outras condições, devem procurar avaliação profissional antes de recorrer a dispositivos de fototerapia. Para o oftalmologista, tecnologias desse tipo podem funcionar como ferramentas complementares, mas não substituem sono adequado, alimentação equilibrada, exposição à luz natural e acompanhamento regular da saúde ocular.
Foto: reprodução TV Globo
