Por que a dengue pode se agravar justamente quando o paciente acha que está melhor?

Infectologista explica como a dengue evolui no organismo e alerta para sintomas que exigem atendimento médico imediato

A dengue não tem hora para aparecer. A doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti pode surgir em qualquer época do ano e variar de quadros leves até formas graves que, se não tratadas corretamente, podem levar ao óbito. Por isso, conhecer a evolução da doença e saber identificar os sinais de alerta é fundamental para evitar complicações.

De acordo com a infectologista Martina Zanotti, do Hospital Vitória Apart, a dengue costuma evoluir em três fases: febril, crítica e de recuperação. Entender cada etapa ajuda a identificar quando o quadro exige maior atenção.

Fase febril: início da doença

A primeira etapa da dengue é conhecida como fase febril e costuma durar entre dois e sete dias. “É a fase inicial, marcada por febre alta, dor de cabeça, dor muscular, dor atrás dos olhos, náuseas, vômitos, diarréia e manchas vermelhas na pele. A maioria dos pacientes se recupera neste estágio, sem maiores complicações”, explica Martina.

Fase crítica: quando o risco aumenta

Em alguns pacientes, a doença evolui para a chamada fase crítica, período em que o risco de agravamento é maior. “Esse é o momento de maior atenção, pois ocorre justamente quando a febre começa a melhorar, entre o quarto e o sétimo dia. É nessa etapa que a doença pode se agravar e precisamos estar atentos aos sinais de alarme: dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura ou desmaios, redução da urina, sonolência excessiva, confusão mental ou sangramentos. Esses sintomas exigem atendimento médico imediato”, alerta a especialista.

Fase de recuperação

Nos pacientes que passaram pela fase crítica, a recuperação geralmente começa a partir do sétimo dia do início dos sintomas. “Há melhora progressiva do quadro, embora alguns sintomas, como fraqueza, possam permanecer por mais tempo. Em casos com complicações, como hepatite pelo vírus da dengue, a recuperação pode ser mais lenta”, explica a infectologista.

Segunda infecção pode ser mais grave

A infectologista também alerta que uma segunda infecção por dengue pode ser mais grave. Isso ocorre porque existem quatro sorotipos do vírus, e novas infecções tendem a provocar quadros mais severos. “O maior perigo da dengue é uma segunda ou terceira infecção, que pode evoluir de forma mais grave”, afirma.

Para reduzir riscos, a hidratação é essencial durante a doença. “O vírus provoca uma distribuição inadequada dos líquidos no corpo, favorecendo a desidratação, que pode agravar o quadro”, explica.

A médica do Hospital Vitória Apart também reforça a importância da vacinação. “A vacina é extremamente segura e eficaz contra a doença. A maior vantagem é a prevenção das formas graves, hospitalização e morte por dengue. A pessoa vacinada pode pegar a doença, mas terá uma probabilidade muito menor de adoecer gravemente”, conclui.

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Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

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