O Espírito Santo manteve a liderança nacional no crescimento da produção industrial e registrou alta de 36,8% em novembro de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024. O resultado marca o sétimo mês consecutivo de expansão interanual com crescimento de dois dígitos.
Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (14) e compilada pelo Observatório Findes. Com esse desempenho, o Estado lidera o ranking nacional pelo quarto mês consecutivo no acumulado do ano, com crescimento de 10,8% entre janeiro e novembro de 2025, frente ao mesmo período de 2024.
O avanço da indústria capixaba ocorre mesmo em um cenário macroeconômico nacional e internacional mais adverso e é sustentado, principalmente, pela expansão da produção de petróleo, gás natural e minério de ferro pelotizado, que seguem como os principais vetores da atividade industrial no Estado.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona (foto acima), os números refletem um processo consistente de fortalecimento do setor ao longo de 2025. “Os dados mostram que não se trata de um movimento pontual, mas de um processo contínuo de fortalecimento da indústria do Espírito Santo. Mesmo em um ambiente econômico mais adverso, com juros elevados e desafios externos, o setor industrial capixaba vem apresentando resultados sólidos, ampliando produção, gerando empregos e reafirmando sua relevância para a economia do Estado e do país”, afirma.
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o Espírito Santo manteve a liderança nacional, com crescimento de 10,8%, desempenho superior à média brasileira no período, que ficou em 0,6%. O resultado também supera o de estados como Rio de Janeiro (4,6%), Santa Catarina (3,4%), Goiás (2,7%) e Rio Grande do Sul (2,2%).

Indústria extrativa cresce 59,8% em novembro
O principal destaque do desempenho industrial capixaba foi a indústria extrativa, que registrou crescimento de 59,8% em novembro de 2025, na comparação com novembro de 2024. No acumulado de janeiro a novembro, o segmento avançou 17,4%, resultados superiores às médias nacionais, que foram de -1,2% e 0,6%, respectivamente.
De acordo com a economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva, o resultado reflete a combinação entre aumento da capacidade produtiva e retomada operacional de ativos estratégicos do setor. “O desempenho da indústria extrativa capixaba está diretamente associado à forte expansão da produção de petróleo e gás natural no ambiente offshore, com destaque para a entrada em operação do navio-plataforma Maria Quitéria e a retomada do campo de Baleia Anã. Soma-se a isso a recuperação da produção de minério de ferro pelotizado, que também contribuiu de forma relevante para o resultado industrial do Estado”, explica.
Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que, em novembro, a produção de petróleo no Espírito Santo alcançou 225,3 mil barris por dia, crescimento de 132,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A produção de gás natural chegou a 6,2 milhões de metros cúbicos por dia, com avanço de 313,3% na comparação interanual.
A indústria de transformação também apresentou crescimento em novembro de 2025, com alta de 1,2% frente a novembro de 2024. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento da produção metalúrgica (7%), de produtos alimentícios (2,8%) e de minerais não metálicos (1,1%). O segmento de papel e celulose, por outro lado, registrou retração de 14,1%.
Perspectivas para 2026
Apesar do forte desempenho observado ao longo de 2025, o início de 2026 traz um cenário de maior cautela. A expectativa é de crescimento da atividade industrial, porém em ritmo mais moderado, acompanhando o cenário econômico nacional. Ainda assim, a indústria extrativa deve seguir como principal âncora do setor no Estado.
Entre os fatores que devem sustentar o desempenho industrial em 2026 estão a ampliação da produção do navio-plataforma Maria Quitéria até atingir sua capacidade máxima, o início da extração de petróleo no campo de Wahoo, a continuidade da retomada da Samarco — que em 2025 alcançou 60% da produção — e a possível abertura de um ciclo de redução da taxa Selic, atualmente em 15%.
Para o presidente da Findes, o desafio será ampliar os efeitos positivos do setor extrativo sobre os demais segmentos industriais. “A indústria extrativa tem sido o grande motor do crescimento do Espírito Santo. Nosso desafio agora é fazer com que esses bons resultados se espalhem para a indústria de transformação. Isso passa, necessariamente, pela redução do Custo Brasil, com menos burocracia, melhoria da infraestrutura e crédito mais acessível para viabilizar investimentos e garantir um crescimento mais equilibrado e sustentável nos próximos anos”, avalia.
