Iniciativa da Vports utiliza sistema de monitoramento portuário para prevenir colisões de embarcações com baleias jubarte no litoral capixaba
A Vports começou o ano com reconhecimento nacional na área de sustentabilidade. A empresa conquistou o 2º lugar no Prêmio ANTAQ 2025, na categoria Iniciativas Inovadoras, com um projeto de proteção às baleias desenvolvido em parceria com o Instituto Baleia Jubarte e a organização internacional Great Whale Conservancy, nos mares do Espírito Santo.
A iniciativa utiliza o VTMIS, sistema de monitoramento de tráfego marítimo considerado pioneiro e único no Brasil, para proteger as baleias jubarte que passam pela costa capixaba entre junho e novembro, período reprodutivo da espécie. Por meio de câmeras e sensores instalados na área de fundeio e no acesso aos portos da região metropolitana, as equipes conseguem orientar tripulações sobre a presença dos animais, reduzindo o risco de colisões.
Como parte do acordo de cooperação técnica entre as instituições, foi elaborado um manual de orientações para as embarcações que chegam aos portos durante a temporada das baleias. Entre as recomendações estão evitar a navegação noturna sempre que possível — quando os animais tendem a permanecer mais próximos da superfície —, garantir a máxima manobrabilidade das embarcações e reduzir a velocidade para menos de oito nós nas áreas próximas ao porto.
Para o diretor-presidente da Vports, Gustavo Serrão, o reconhecimento reforça a possibilidade de conciliar desenvolvimento e preservação ambiental. “A sustentabilidade está no centro das nossas decisões e isso nos capacita cada vez mais a crescer de forma competitiva, gerar valor para a sociedade e contribuir para um futuro mais sustentável”, afirmou.
Segundo a gerente de Sustentabilidade da Vports, Camilla Bridi, a parceria com as entidades ambientais permitiu trazer ao Brasil o conceito de “Whale Safe Ports” (Porto Amigo das Baleias) e implementar medidas de prevenção de colisões. As baleias também desempenham papel relevante na mitigação das mudanças climáticas, atuando como sumidouros de carbono e contribuindo para a fertilização dos oceanos por meio do chamado “whale pump”, processo que enriquece as águas superficiais com nutrientes e estimula o crescimento do fitoplâncton.
O diretor da Great Whale Conservancy, Michael Fishbach, destacou a importância da cooperação entre instituições. “Faz-se necessário, portanto, buscar a harmonização de procedimentos para reduzir ao máximo o risco de incidentes, o que só pode ser obtido com a cooperação e o envolvimento das empresas e autoridades portuárias pertinentes”, disse.
Atualmente, a população de baleias jubarte no Brasil é estimada em cerca de 40 mil animais, após décadas de recuperação desde o período de caça predatória, quando o número chegou a menos de mil indivíduos. A espécie pode atingir até 16 metros de comprimento e 40 toneladas. O litoral do Espírito Santo e da Bahia é considerado um dos principais berçários da espécie no Atlântico.
De acordo com Paulo Rodrigues, do Instituto Baleia Jubarte, o monitoramento científico é contínuo. “A gente faz o mapeamento das baleias. Vemos onde elas estão, qual o comportamento, a que distância estão da costa, tempo de avistamento e várias características biológicas delas, como a digital que tem na caudal dela. A gente identifica cada indivíduo, cada grupo e também o que eles estão fazendo aqui. A parceria com a Vports só vem agregar o nosso trabalho e ser um aliado a mais na proteção desses cetáceos”, explicou.
A 10ª edição do Prêmio ANTAQ, que teve como tema “Soluções para a Mudança do Clima”, reconhece estudos, projetos e boas práticas voltados à melhoria da prestação dos serviços de transportes aquaviários no país.

Participaram da cerimônia de premiação o diretor-presidente da Vports, Gustavo Serrão, a diretora Jurídica e Regulatória, Adriana Pessotti, a gerente de Sustentabilidade, Camilla Bridi, o coordenador de Meio Ambiente, Alan Ribeiro, o coordenador de VTMIS, Agostinho Sobral, além do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e do coordenador do Instituto Baleia Jubarte, Paulo Rodrigues.
