As mulheres ocupam papel central na economia do Espírito Santo, especialmente nos setores de serviços e comércio. Juntas, essas duas áreas concentram 84,1% das mulheres inseridas no mercado de trabalho no estado, o que corresponde a 756.166 profissionais. Os dados fazem parte do relatório Retrato das Mulheres no Mercado de Trabalho no Espírito Santo, elaborado pelo Connect Fecomércio-ES.
O setor de serviços responde sozinho por 66,4% das mulheres ocupadas, com 597.010 trabalhadoras, enquanto o comércio reúne outras 159.156 profissionais, equivalentes a 17,7%. Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o levantamento evidencia a forte presença feminina no setor terciário da economia capixaba. “Os dados mostram que a empregabilidade feminina no Espírito Santo está fortemente ancorada no setor terciário, o que revela tanto a relevância econômica dessas atividades quanto um padrão estrutural de segmentação de gênero”, explicou.
Entre os setores econômicos, o de serviços é o único no estado em que as mulheres são maioria, representando 57,6% do total de ocupados. A presença feminina é ainda mais expressiva nas atividades ligadas à chamada economia do cuidado. No Espírito Santo, as mulheres representam 78,1% dos trabalhadores da educação, 73,5% da saúde humana e serviços sociais e 95,8% dos serviços domésticos. Juntas, essas áreas concentram metade das mulheres ocupadas no setor de serviços.
Em contraste, a participação feminina permanece menor em setores tradicionalmente masculinos. Na indústria, as mulheres representam 28,4% dos trabalhadores; na agropecuária, 23,6%; e na construção civil, apenas 4,2%. Juntas, essas atividades concentram somente 15,9% das mulheres ocupadas no estado. “Há uma sub-representação clara das mulheres em setores que, historicamente, oferecem maior estabilidade e melhores salários. Ampliar a presença feminina nesses segmentos é estratégico para reduzir desigualdades e promover maior diversidade produtiva”, afirmou Spalenza.
Apesar de apresentarem maior nível de escolaridade, as mulheres ainda enfrentam desigualdade salarial. No mercado formal capixaba, elas ocupam 40,1% dos empregos com carteira assinada, somando 365.415 postos de trabalho. A remuneração média feminina é de R$ 2.773, cerca de 23,8% inferior à dos homens, que recebem em média R$ 3.637. Entre trabalhadores com ensino superior completo, a diferença salarial chega a 41,4%. “A maior qualificação feminina não tem sido acompanhada de valorização proporcional. Isso evidencia padrões estruturais de desigualdade que ainda persistem”, observou o coordenador.
O levantamento também aponta a força do empreendedorismo feminino no estado. O Espírito Santo conta atualmente com 205.833 mulheres empreendedoras, sendo 28.856 empregadoras e 176.977 que trabalham por conta própria. Esse grupo representa 22,9% das mulheres ocupadas, embora elas ainda correspondam a apenas 28,8% dos empregadores e 34,2% dos trabalhadores autônomos.
Outro fator que impacta a participação feminina no mercado é a chamada dupla jornada. As mulheres capixabas dedicam, em média, 21,5 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados com pessoas — cerca de 9,6 horas a mais que os homens. Esse tempo adicional influencia diretamente a inserção no mercado, a progressão na carreira e até a saúde das trabalhadoras.
Mesmo com a taxa de desocupação no Espírito Santo atingindo 3,1% no segundo trimestre de 2025, a menor da série histórica, as mulheres ainda enfrentam maior desemprego: 4,2%, contra 2,3% entre os homens. Elas representam 58,5% das pessoas desocupadas no estado, o equivalente a cerca de 38 mil mulheres.
A análise foi elaborada com base em dados da PNAD Contínua (IBGE), da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE) e do Painel de Informações do Trabalho Doméstico, do Ministério do Trabalho e Emprego.
Análise dos municípios
A desigualdade de gênero também aparece quando se observam os empregos formais nos municípios capixabas. Entre as 78 cidades do estado, apenas Itapemirim (53,6%) e Alegre (50,2%) possuem maioria feminina entre os trabalhadores formais.
No recorte salarial, apenas dois municípios apresentam remuneração média feminina superior à masculina: Itapemirim, com diferença de 13,3%, e Santa Leopoldina, com 2,2%. Nos demais municípios capixabas, as mulheres recebem menos que os homens, mantendo a diferença média estadual de 23,8%.
A pesquisa completa está disponível no site portaldocomercio-es.com.br.
