Sistema apresentado à Comissão de Meio Ambiente da Assembleia pode identificar despejo de esgoto no momento em que ocorre e reforçar o controle da balneabilidade no ES
Uma tecnologia desenvolvida no Espírito Santo pode mudar a forma como a qualidade das praias é monitorada — e ajudar a esclarecer episódios como a mancha escura registrada recentemente na Praia da Guarderia, em Vitória.
A solução foi apresentada nesta terça-feira (7), durante reunião da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa (foto), presidida pelo deputado estadual Fabrício Gandini. O colegiado conheceu um sistema de boias inteligentes capaz de monitorar, em tempo real, as condições da água do mar.
Desenvolvida pela empresa capixaba MessenOcean, a tecnologia funciona como um sensor permanente instalado no mar. A boia mede indicadores como oxigênio, temperatura, turbidez, pH, densidade e presença de matéria orgânica, com envio instantâneo de dados por satélite ou rede celular para plataformas digitais.
Na prática, o sistema permite identificar imediatamente se a água está própria ou imprópria para banho, sem a necessidade de aguardar dias por análises laboratoriais.

“Esse tipo de tecnologia faz toda a diferença. Permite avisar o capixaba em tempo real: hoje não está seguro entrar na água. Depois do que vimos na Guarderia, não dá mais para depender de informação atrasada”, afirmou Gandini.
“Esse tipo de tecnologia faz toda a diferença. Permite avisar o capixaba em tempo real: hoje não está seguro entrar na água. Depois do que vimos na Guarderia, não dá mais para depender de informação atrasada”, afirmou Gandini.
Segundo o sócio da empresa, Marcelo Toffoli, o sistema também contribui para identificar a origem da poluição. “Se houver despejo de esgoto, por exemplo, a mudança nos parâmetros aparece imediatamente. É possível relacionar causa e efeito”, explicou.
Ele destaca ainda que já existem sensores capazes de detectar coliformes fecais, o que amplia a precisão do monitoramento.
A tecnologia não substitui os métodos tradicionais exigidos por lei, mas atua como complemento, aumentando a confiabilidade das informações e permitindo respostas mais rápidas por parte das autoridades.
O tema ganhou relevância após a repercussão de imagens que mostraram uma mancha escura no mar da Guarderia. Apesar dos registros feitos por moradores, a praia chegou a ser classificada como própria para banho, o que levantou questionamentos sobre o modelo atual de monitoramento.
Para Gandini, o episódio evidenciou a necessidade de modernização do sistema.
“Não dá mais para trabalhar com um modelo em que a informação demora dias para sair. A água muda com chuva, maré, vento. A população precisa de informação atualizada e confiável”, afirmou.
Além do monitoramento em tempo real, a tecnologia permite a formação de um banco de dados histórico e, futuramente, pode possibilitar a previsão da qualidade da água com base em modelos de dispersão de poluentes.
O custo por unidade varia entre R$ 200 mil e R$ 500 mil, a depender dos sensores embarcados. Especialistas apontam que a instalação em pontos estratégicos da Baía de Vitória já seria suficiente para ampliar de forma significativa o controle da balneabilidade.
A expectativa é que a tecnologia avance para projetos-piloto no Espírito Santo, especialmente em áreas onde o problema se tornou mais evidente.
