A procura por cirurgias plásticas após grandes perdas de peso tem crescido nos consultórios médicos. Seja depois de cirurgia bariátrica ou de processos intensos de emagrecimento, muitos pacientes buscam corrigir o excesso de pele e recuperar o contorno corporal. Esse tipo de procedimento, no entanto, exige critérios específicos e cuidados adicionais. De acordo com a cirurgiã plástica Patricia Lyra, um dos primeiros pontos a serem avaliados é a estabilidade do peso. “O ideal é que o paciente mantenha o peso estável por alguns meses antes de qualquer intervenção cirúrgica. Isso contribui para trazer resultados mais satisfatórios e seguros”, explica. Outro aspecto relevante é o estado geral de saúde. Após perdas significativas de peso, é comum que o paciente apresente deficiências nutricionais, o que pode comprometer a cicatrização e elevar o risco de complicações. “A cirurgia plástica nesse contexto não é apenas estética. Ela também tem caráter funcional, mas precisa ser feita no momento certo e com preparo adequado”, destaca. Entre os procedimentos mais procurados estão a retirada de excesso de pele do abdômen (abdominoplastia), além de intervenções em braços, coxas e mamas. Em alguns casos, é possível associar cirurgias, desde que respeitados os limites de segurança. A especialista também ressalta a importância do acompanhamento multidisciplinar. “Nutricionista, endocrinologista e psicólogo podem fazer parte desse processo. O cuidado com o paciente precisa ser integral”, afirma. Além das questões físicas, o impacto emocional deve ser considerado. Para muitos, a cirurgia representa a etapa final de uma longa transformação. “Existe uma expectativa muito grande, e é fundamental alinhar isso de forma realista. A cirurgia melhora o contorno corporal, mas não resolve todas as questões relacionadas à imagem”, pontua. Por isso, a avaliação individualizada é essencial. Cada caso deve ser analisado de forma única, levando em conta histórico clínico, qualidade da pele, quantidade de excesso cutâneo e expectativas do paciente. “Mais do que transformar o corpo, o objetivo é devolver qualidade de vida e bem-estar, com segurança”, conclui a cirurgiã.
Imposto de Renda 2026 – Preciso declarar herança e doações?
Advogado orienta sobre as operações patrimoniais Chegou a hora de declarar o Imposto de Renda. O prazo começou no dia 23 de março e segue até o dia 29 de maio. A Receita Federal estima receber 44 milhões de declarações este ano. Em meio a diversas regras sobre o recolhimento dos rendimentos e documentações,alguns contribuintes têm tido dúvidas quando o assunto é herança ou doações. Embora esse tipo de transferência patrimonial seja, em regra, isento de imposto de renda, erros no preenchimento ainda são uma das principais causas de retenção em malha fina. De acordo com o advogado especialista em Direito das Sucessões, Alexandre Dalla Bernardina, operações como partilha de bens, antecipação de herança e doações envolvem não apenas o correto preenchimento da declaração, mas também decisões estratégicas que podemgerar impactos tributários relevantes no futuro. “Existe um equívoco comum de que, por não gerarem imposto de renda, heranças e doações não precisam de atenção. Na prática, são justamente essas operações que mais exigem cuidado, porque a Receita Federal cruza dados e identifica facilmente inconsistências patrimoniais”, explica. Heranças: atenção ao valor de transferência No caso de heranças, não há incidência de imposto de renda, já que o tributo devido é o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), de competência estadual, pago no processo de inventário. “Ainda assim, os valores devem ser informados na fichade ‘Rendimentos Isentos e Não Tributáveis’, além da inclusão detalhada dos bens recebidos na ficha ‘Bens e Direitos”, afirma o advogado. Um dos pontos mais relevantes, segundo o especialista, é a definição do valor pelo qual os bens serão transferidos aos herdeiros. “No inventário, as partes devem declarar o valor dos bens para fins de incidência do ITCMD, devendo-se adotar o valor de mercado”, explica. “Essa declaração impacta diretamente a tributação em uma eventual venda dos bens”. Alexandre destaca, ainda, que a declaração do valor de mercado pode ser vantajosa. “No Estado do Espírito Santo, a alíquota do ITCMD é de 4%. A adoção do valor de mercado pode ser vantajosa, pois reduz a apuração de ganho de capital em eventual venda posterior,afastando a incidência do Imposto de Renda, cuja alíquota, em regra, é muito maior do que a do ITCMD”, esclarece. Bens no exterior e estruturas patrimoniais O cenário se torna ainda mais complexo quando envolve bens no exterior, participações societárias ou estruturas como holdings familiares. Segundo o advogado, o nível de transparência dessas operações aumentou. “Os bens no exterior, mesmo que imunes ao ITCMD estadual, devem ser declarados à Receita Federal, inclusive no caso de empresas offshore e trusts. Isso exige planejamento e acompanhamentotécnico”, explica. Risco de malha fina A principal causa de problemas com a Receita Federal, nesses casos, é a chamada incompatibilidade patrimonial — quando há aumento significativo de patrimônio sem a devida justificativa na declaração. “A Receita identifica rapidamente quando há evolução patrimonial sem origem declarada. Omissões, divergências de valores e falta de documentação podem ser encontradas”, alerta. Por isso, a recomendação é manter todos os documentos organizados: comprovantes de pagamento de ITCMD, escrituras e registros de avaliação de bens. Para o advogado, mais do que uma obrigação fiscal, a declaração de heranças e doações deve ser vista como partede um planejamento patrimonial mais amplo. “Em operações de maior valor, não se trata apenas de preencher a declaração, mas de tomar decisões estratégicas que podem gerar economia tributária e segurança jurídica no longo prazo”, conclui.
Turismo capixaba mantém alta e cresce pelo quinto mês seguido
Atividade avançou 6,1% em janeiro frente a 2025, impulsionada pelas férias, e alcançou o melhor resultado para o mês desde 2014 O turismo no Espírito Santo iniciou 2026 em ritmo de expansão e registrou crescimento de 6,1% no volume de atividades em janeiro, na comparação com o mesmo período de 2025. O desempenho coloca o estado na sexta posição entre as unidades da federação com maior avanço no período e representa o melhor resultado para o mês desde 2014. O resultado ganha ainda mais relevância ao considerar a base elevada de comparação: em janeiro de 2025, o setor já havia crescido 6,6% em relação a 2024. Com isso, no acumulado de dois anos, a atividade turística no estado apresenta expansão de 13%. Os dados são do Connect Fecomércio-ES, com base no Índice de Atividades Turísticas (Iatur), do IBGE. Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o desempenho confirma a consolidação do setor. “O turismo capixaba vem apresentando uma trajetória sólida de crescimento, especialmente em períodos estratégicos como o verão, quando há maior circulação de pessoas e aumento da demanda por serviços”, afirmou. O mês de janeiro concentra o auge da alta temporada, impulsionado pelas férias escolares e pelo maior fluxo de viagens. Esse movimento eleva a procura por hospedagem, alimentação e lazer. Ainda assim, trata-se de um período de forte concorrência entre destinos turísticos, com estados como Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco disputando visitantes. Mesmo nesse cenário, o Espírito Santo tem ampliado sua presença no mercado nacional, com destaque para o turismo de sol e praia. “O estado tem conseguido se posicionar de forma cada vez mais competitiva no cenário nacional, aproveitando suas vantagens naturais e estruturando melhor sua oferta turística”, destacou Spalenza. Ao longo de 2025, o setor manteve desempenho positivo na maior parte do ano. A exceção foi o inverno, entre junho e agosto, quando houve estabilidade ou leve retração na comparação com 2024. Nos demais meses, a atividade avançou, superando o ano anterior em nove dos 12 meses. Nos meses mais recentes, a expansão ganhou força. Desde setembro, o crescimento interanual permanece acima de 4%. No quarto trimestre de 2025, o avanço foi de 5,4% frente ao mesmo período do ano anterior. Em janeiro, o volume de atividades superou o registrado em 10 dos 12 meses de 2025, ficando abaixo apenas de outubro e dezembro. Mobilidade O aumento da atividade turística também se reflete na movimentação de passageiros. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), 151.441 pessoas desembarcaram no Aeroporto de Vitória em janeiro de 2026, alta de 17,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Desde julho do ano passado, os desembarques mensais superam a marca de 150 mil passageiros, nível inédito em relação a 2024. No transporte terrestre, os dados também apontam crescimento. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), 52.110 passageiros chegaram ao estado em veículos fretados em janeiro de 2026, aumento de 13,9% na comparação anual. O volume é o maior da série recente e supera todos os meses de 2025. Para Spalenza, os números reforçam o peso do turismo na economia capixaba. “O aumento no fluxo de visitantes, seja por via aérea ou terrestre, amplia o impacto econômico do setor e beneficia diretamente atividades como hospedagem, alimentação e lazer”, afirmou. Segundo ele, o desafio agora é manter o ritmo ao longo do ano. “O momento é favorável, mas exige planejamento para sustentar esse crescimento, especialmente em períodos de menor demanda, quando o turismo tende a desacelerar”, concluiu. Sobre o Sistema Fecomércio-ES A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 431.803 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no estado e pelo emprego de 663 mil pessoas. Com mais de 30 unidades e atuação em todos os municípios capixabas, a entidade representa 24 sindicatos empresariais e atua no desenvolvimento social e econômico do Espírito Santo. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI).
João Gualberto – “O Porto de Vitória”
Participo de um grupo de pesquisadores da área de história da Ufes, entre os quais se destacam as professoras Adriana Campos e Katia Motta, que está estudando os 190 anos da história da Assembleia Legislativa. Temos encontrado muito material importante sobre diversos aspectos da trajetória histórica de nosso desenvolvimento. Dentre esses temas, nos deparamos com as discussões internas naquela casa de leis sobre a enorme importância do Porto de Vitória no progresso capixaba, desde o fim do período imperial. É bem verdade que somos um porto natural utilizado em navegações, sobretudo de cabotagem, desde o período em que éramos colônia de Portugal. Entretanto, no seu formato original, ele era insuficiente para dar vazão à produção cafeeira que havia crescido muito, e aos desejos de um futuro mais rico o nosso estado, isso no final do século XIX. O jovem historiador Vinicius Borges me passou os documentos que mostram que os deputados da assembleia atuaram ativamente, desde os primeiros tempos, para que o Porto se transformasse na força que representa para o nosso estado. Antes mesmo que as obras que oremodelaram se iniciassem, em 1895, o então congresso legislativo aprovou dois projetos: um destinando recursos de um fundo especial e outro autorizando o presidente do estado a fazer um acordo com o governo federal, ambos visando os melhoramentos no porto. Aliás, saiu da assembleia um projeto chamado alevantamento provincial, conforme os estudos do professor Leandro Quintão, que desenhou o papel logístico do Espírito Santo na região sudeste, em especial em relação a Minas Gerais. Esse mesmo projeto pensou nossa rede de ferrovias e o nosso sistema portuário. Nada disso é obra do acaso. É, antes, prova da capacidade empreendedora de nossas elites, em especial de Muniz Freire, o estadista que operacionalizou tais ideias e projetos. Neste ano de 2026, fazem cento e vinte anos foram iniciadas grandes obras, para a época, na construção do Porto de Vitória, para equipá-lo a fim de ser o escoadouronatural da nossa maior riqueza: o café. Nosso e também do leste de Minas. No dia 28 de março de 1906, durante ogoverno do muitas vezes esquecido Henrique Coutinho, o governo federal autorizou que a Companhia do Porto de Vitória realizasse os melhoramentos necessários ao novo momento. Foi quando viramos a chave. As ferrovias tornariam viáveis, do ponto de vista do transporte, nossas operações portuárias. Era preciso trazer para a capital do Espírito Santo os recursos da área comercial que eram drenados pelo Rio de Janeiro: bancos, casas exportadoras, companhias de seguro e todo o aparato que para cá acabou vindo. Esse foi o grande projeto do Espírito Santo no início da república, nos fins do século XIX. Foi o nosso primeiro projeto de desenvolvimento baseado no café e na nossa vocação logística bem captada pelos deputados e peloentão presidente do estado. Aliás, nesse momento, a principal cidade capixaba não era a capital, e sim Cachoeiro de Itapemirim. As elites do sul do estado queriam levar o porto para a Barra do Itapemirim. Se tivessem conseguido, seria outra a história daquela região. Ouso afirmar que o que consolidou Vitória como a nossa capital foi a decisão de localizar aqui o porto do EspíritoSanto no início do século XX. Quando aquele projeto original ficou pronto nos anos 1940, já começamos a exportar o minério de ferro das Minas Gerais. O nosso interventor, João Punaro Bley, foi da primeira diretoria da recém constituída Companhia Vale do Rio Doce, com sede no capital da república, o Rio de Janeiro. Inicialmente, o cais de embarque ficava no centro de Vitória mesmo, quase em frente ao Palácio Anchieta. Depois, foi para os lados de Vila Velha e, finalmente, para Tubarão, consolidando a nossa vocação portuária e logística, base da nossa industrialização recente. Tudo, entretanto, começou com a ousadia dos capixabas que pensaram o Porto de Vitória e tudo aquilo que ele representa e representou para o desenvolvimento das terras capixabas. Quando o Espírito Santo se transformou no primeiro estado brasileiro que tem uma autoridade portuária privada, isso também não foi obra do acaso. Somos um estado que tem capital social, que soube aproveitar as oportunidades que foram surgindo, que foi crescendo junto com os novos movimentos impostos pelo tempo. O Porto de Vitória sempre esteve no epicentro de tudo isso. Por isso, os seus 106 anos devem ser saudados como a síntese de nosso progresso, como a vertente que deu certo de nossos projetos. Enfim, Vitória se consolidou como cidade e nossa capital graças a localização do Porto de Vitória e da rede logística e comercial que ele provocou. Mais tarde, na metade do século XX, sua expansão para o Tubarão criou as condições para a nossa industrialização, oferecendo mais uma razão para celebrarmos esses 120 anos de fundação do Porto de Vitória.