Comenda Promotor Edson Machado homenageou membros e servidores que contribuíram para o fortalecimento da instituição A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) realizou, nesta sexta-feira (12), uma sessão solene em homenagem ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) e em reconhecimento à atuação de membros e servidores da instituição. A cerimônia foi marcada pela entrega da Comenda Promotor Edson Machado, criada em 2024 para valorizar profissionais que se destacam na defesa da ordem jurídica e dos interesses da sociedade. A solenidade foi presidida pelo deputado estadual Mazinho dos Anjos (MDB) e contou com a presença do presidente da Ales, Marcelo Santos (União), e do procurador-geral de Justiça, Francisco Martinez Berdeal. Em seu discurso, Mazinho destacou o papel do MPES como instituição essencial à democracia e ao fortalecimento do Estado de Direito. “O MPES tem se destacado por sua atuação moderna, eficiente e cada vez mais próxima da população. É uma instituição fundamental para a democracia, guardiã da ordem jurídica e dos interesses da sociedade”, afirmou o parlamentar, ressaltando ainda a independência da instituição e sua atuação em parceria com os Poderes e a sociedade civil. O procurador-geral de Justiça, Francisco Martinez Berdeal, homenageou os agraciados e destacou a dedicação de membros e servidores ao longo de décadas de atuação. “São profissionais que assumiram responsabilidades, enfrentaram decisões difíceis e dedicaram suas vidas à proteção de direitos e à promoção da justiça”, afirmou. A trajetória do promotor Edson Machado, que dá nome à comenda, foi lembrada em diversos discursos. Além de sua atuação no Ministério Público, Edson Machado também presidiu a Assembleia Legislativa e teve papel relevante no fortalecimento das instituições capixabas. A mesa da solenidade reuniu ainda familiares do homenageado, entre eles a esposa Eleonora Machado e a filha Nara Borgo, além da presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), desembargadora Janete Vargas Simões; representantes da Defensoria Pública, da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES), da Associação Espírito-Santense do Ministério Público (AESMP) e do próprio MPES. Em um dos momentos mais marcantes da sessão, a procuradora de Justiça Fabiana Fontanella, representando as homenageadas, destacou o protagonismo feminino no Ministério Público e relembrou pioneiras que abriram caminho para a participação das mulheres na instituição. Ela também citou a capixaba Ormy Vianna Baptista, reconhecida como a primeira mulher do Brasil a ser nomeada promotora de Justiça. Representando os homenageados, o procurador Sócrates de Souza ressaltou as transformações trazidas pela Constituição Federal de 1988 ao Ministério Público, ampliando sua atuação no combate ao crime organizado, na defesa do meio ambiente, no enfrentamento à improbidade administrativa e na garantia dos direitos constitucionais. Ao todo, procuradores, promotores e servidores foram homenageados durante a cerimônia, em reconhecimento aos serviços prestados ao Ministério Público capixaba e à sociedade. A solenidade reforçou o papel do MPES como uma das instituições essenciais para a defesa da democracia, da cidadania e dos direitos fundamentais.
Gastronomia: rodízio e drinks exclusivos colocam Outback no clima da Copa do Mundo
Campanha transforma restaurantes da marca em pontos de encontro para torcedores capixabas durante a temporada de jogos A Copa do Mundo ganhou um tempero especial no Outback Steakhouse. Com a campanha “É Clima de Outback”, a rede aposta em uma combinação de gastronomia, entretenimento e transmissão dos jogos para transformar seus restaurantes em pontos de encontro para os torcedores. Entre os destaques está o retorno do aguardado Rodízio Outback, disponível até o dia 26 de julho. A experiência oferece três horas de consumo à vontade de alguns dos itens mais famosos da marca, como as Ribs ao molho barbecue, Bloom Petals, Nachos e a nova Fries Campeã, coberta com fonduta de queijos e bacon. A edição deste ano traz ainda o Chicken Bola na Área, novidade criada especialmente para a campanha, com bites de frango desfiado e blend de queijos, além de três molhos exclusivos. Os clientes podem escolher entre duas modalidades: a versão não alcoólica, com refrigerantes e Iced Tea à vontade, por R$ 119,90, e a opção alcoólica, que inclui chopp servido em caneca congelada no sistema refil, por R$ 139,90. No Espírito Santo, a campanha está disponível nas unidades do Shopping Vitória, Shopping Vila Velha e Shopping Mestre Álvaro, na Serra. Em parceria com a CazéTV, o Outback exibirá durante seu horário de funcionamento todas as partidas, reforçando a proposta de ser um espaço de celebração e convivência durante os jogos. Drinks inspirados no clima da competição Para completar a experiência, a rede lançou bebidas temáticas inspiradas na atmosfera dos grandes eventos esportivos. Entre elas está o mocktail Pontapé Inicial (R$ 24,90), que combina limão, tangerina e bubbles de maçã verde. Já o Trio Goleada (R$ 44,90) foi criado para compartilhar e reúne três sabores diferentes: cítricos de limão e tangerina com bubbles de maçã verde, maracujá com mel e uma combinação de gengibre com espuma de melão. “Mais do que uma campanha promocional, ‘É Clima de Outback’ reforça a proposta da marca de transformar cada partida em uma oportunidade de encontro, celebração e conexão entre as pessoas, seja nos restaurantes ou dentro de casa. Queremos estar presentes nos momentos que reúnem amigos, famílias e torcedores em torno de experiências memoráveis”, afirma Claudia Vilhena, vice-presidente de Marketing e Vendas da Bold Hospitality Company. Experiência também chega ao delivery Para quem prefere acompanhar os jogos em casa, a rede lançou o Box Celebração em Casa, disponível no iFood, 99 e no aplicativo Meu Outback. O combo serve até quatro pessoas e reúne alguns dos itens mais tradicionais da marca, como Ribs nos molhos Barbecue e Billabong, Kookaburra Wings, Mini Burgers, Nachos, quesadillas e molhos especiais. Fotos: Divulgação Outback
Flexibilização trabalhista avança no Senado e mobiliza 3 mil entidades
PEC em tramitação no Senado propõe que trabalhadores possam optar por contratação baseada em horas efetivamente trabalhadas A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026, em tramitação no Senado Federal, vem mobilizando representantes do setor produtivo, juristas e entidades sindicais ao propor um novo modelo de contratação baseado nas horas efetivamente trabalhadas. De autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN) e de outros 36 parlamentares, a proposta surge em meio às discussões sobre mudanças nas relações de trabalho, logo após a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da PEC 221/2019, que reduz a jornada semanal para 40 horas e extingue a escala 6×1. A proposta ganhou reforço nesta semana com o lançamento de um manifesto assinado por cerca de 3 mil entidades empresariais, lideradas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelas confederações nacionais da Agricultura (CNA), do Comércio (CNC) e do Transporte (CNT), por meio do Movimento Pró-Brasil. O texto da PEC prevê que os trabalhadores possam escolher entre o modelo tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um regime flexível, no qual a remuneração seria proporcional às horas efetivamente trabalhadas. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também passariam a ser calculados proporcionalmente. Outro ponto que tem gerado debates é a prevalência do contrato individual sobre eventuais acordos coletivos. Para a advogada especialista em Direito do Trabalho Geiziane Cabral, do escritório Ferreira Borges Advogados, a discussão exige cautela para que a busca por maior flexibilidade não comprometa direitos fundamentais dos trabalhadores. “A proposta traz para o centro do debate uma demanda legítima do mercado por modelos mais flexíveis de contratação, especialmente diante das transformações tecnológicas e das novas formas de organização do trabalho. No entanto, é preciso avaliar com muito cuidado os impactos sociais dessa mudança. A liberdade contratual não pode significar fragilização de direitos fundamentais assegurados pela Constituição”, afirma. Segundo a especialista, um dos principais pontos de atenção é a possibilidade de remunerações inferiores ao salário mínimo, a depender da quantidade de horas contratadas e da capacidade de negociação entre empregador e empregado. “Embora a proposta seja apresentada como uma ampliação da autonomia do trabalhador, é necessário reconhecer que a relação entre empregado e empregador nem sempre ocorre em condições de igualdade de negociação. Em momentos de necessidade econômica, muitos trabalhadores podem aceitar condições menos favoráveis para garantir uma vaga no mercado, o que exige mecanismos de proteção e fiscalização adequados”, destaca. Geiziane ressalta ainda que o desafio do Legislativo será encontrar equilíbrio entre competitividade econômica e proteção social. “Qualquer mudança estrutural precisa ser debatida de forma ampla, considerando seus efeitos sobre renda, arrecadação previdenciária, consumo das famílias e segurança jurídica”, pontua. A advogada observa que modelos semelhantes já existem em outros países, mas costumam ser acompanhados por redes de proteção social e regras claras para evitar a precarização das relações de trabalho. “O Brasil vive outra realidade”, afirma. A PEC 12/2026 já foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde deverá ser debatida por parlamentares, representantes empresariais, sindicatos e especialistas. Enquanto apoiadores defendem que a medida amplia opções para trabalhadores e empresas, críticos alertam para possíveis impactos sobre a negociação coletiva e os direitos trabalhistas.
Produção industrial do ES completa 12 meses seguidos de crescimento acima de dois dígitos
Alta de 32,9% em abril foi a maior do país e teve como principal motor a indústria extrativa, segundo dados do IBGE compilados pelo Observatório Findes A indústria capixaba segue em ritmo acelerado e consolidou, em abril, um marco histórico: o Espírito Santo completou 12 meses consecutivos de crescimento industrial acima de dois dígitos. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e compilada pelo Observatório Findes, a produção industrial do Estado avançou 32,9% em relação a abril de 2025 — o maior crescimento do país no período e muito acima da média nacional, de 2,7%. Além do desempenho anual, a indústria capixaba registrou alta de 2,1% na passagem de março para abril, considerando os ajustes sazonais. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, o crescimento chegou a 25,3%, também o melhor resultado nacional. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a expansão foi de 21,9%, novamente liderando o ranking entre os estados pesquisados. Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, os números reforçam o papel estratégico da indústria no desenvolvimento econômico capixaba. “Completar 12 meses seguidos de alta em dois dígitos é um resultado muito expressivo, que demonstra a força da nossa indústria e sua relevância no cenário nacional”, afirma. Segundo ele, a manutenção desse ciclo exige investimentos em infraestrutura, inovação, qualificação profissional e melhoria do ambiente de negócios. A gerente executiva do Observatório Findes e economista-chefe da entidade, Marília Silva, destaca que o desempenho está fortemente ligado à expansão da atividade extrativa, especialmente da produção de petróleo, gás natural e minério de ferro pelotizado. “Esses segmentos possuem peso relevante na estrutura produtiva do Estado e ajudam a explicar por que o Espírito Santo vem apresentando resultados tão acima da média nacional”, analisa. Segundo o IBGE, a indústria extrativa capixaba cresceu 49,9% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção de petróleo no Estado alcançou 293,6 mil barris por dia no período, alta de 76,5% em relação a abril de 2025 e o maior volume desde 2019. A produção de gás natural também atingiu o maior patamar desde janeiro daquele ano, chegando a 8,1 milhões de metros cúbicos por dia, avanço de 106,1% na mesma comparação. De acordo com o gerente de Ambiente de Negócios do Observatório Findes, Nathan Diirr, o avanço foi impulsionado pela entrada em operação do campo de Wahoo, operado pela PRIO, e da FPSO Maria Quitéria, da Petrobras, ambos localizados no litoral sul capixaba. Em abril, Wahoo produziu 30,7 mil barris de petróleo por dia, enquanto a FPSO Maria Quitéria registrou produção de 76,2 mil barris diários de petróleo e 2,9 milhões de metros cúbicos de gás natural. A indústria de transformação também apresentou sinais de recuperação, com crescimento de 0,4% em abril, interrompendo dois meses consecutivos de retração. Entre os segmentos pesquisados pelo IBGE, a metalurgia avançou 3,0%, enquanto a fabricação de produtos de minerais não metálicos cresceu 2,5%. Em contrapartida, houve queda na produção de alimentos (-6,9%) e de celulose, papel e produtos de papel (-1,7%). O desempenho de abril consolidou o Espírito Santo na liderança nacional da produção industrial. Na comparação anual, o Estado ficou à frente de Rio de Janeiro (+10,1%), Goiás (+6,2%), Rio Grande do Sul (+5,3%) e Minas Gerais (+3,7%). Nos últimos 12 meses, enquanto a indústria capixaba acumulou alta de 21,9%, a indústria brasileira registrou crescimento de apenas 0,7%. Apesar do cenário positivo, especialistas alertam para desafios no horizonte. Juros elevados, inflação pressionada, tensões geopolíticas e a volatilidade dos preços do petróleo continuam exigindo cautela. Segundo Marília Silva, o desempenho da indústria capixaba demonstra resiliência, mas a sustentabilidade desse crescimento dependerá do fortalecimento da competitividade e da capacidade de adaptação às mudanças do ambiente econômico.
Semana terá chuva passageira e temperaturas amenas na Grande Vitória
Previsão indica pancadas isoladas no início da semana e tempo mais estável a partir de terça-feira, com máximas próximas de 30°C Os moradores da Grande Vitória devem enfrentar uma semana de variação de nuvens, pancadas rápidas de chuva e temperaturas amenas para esta época do ano. De acordo com previsões do Climatempo e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o tempo tende a ficar mais instável entre domingo (14) e segunda-feira (15), enquanto os dias seguintes devem ser marcados por maior presença do sol e redução das precipitações. Neste domingo, a previsão é de muitas nuvens e pancadas de chuva principalmente entre a tarde e a noite. As temperaturas na capital capixaba variam entre 22°C e 24°C. Já na segunda-feira (15), o cenário segue semelhante, com possibilidade de chuva rápida em diferentes períodos do dia e máxima em torno de 24°C. O aumento da umidade mantém a sensação térmica mais amena na região. A partir de terça-feira (16), o tempo começa a firmar. O sol volta a aparecer entre nuvens e a temperatura sobe, podendo alcançar 31°C na Grande Vitória. Na quarta-feira (17), a previsão é de tempo estável, sem expectativa de chuva significativa, com máximas próximas de 26°C. O restante da semana deve seguir com predomínio de nuvens e aberturas de sol, mas sem acumulados expressivos de chuva. As temperaturas permanecem agradáveis, oscilando entre mínimas de 22°C e máximas de 27°C, típicas do outono capixaba. Segundo o Inmet, sistemas de instabilidade atuam sobre parte da Região Sudeste, favorecendo episódios isolados de chuva ao longo dos próximos dias. Já o Climatempo aponta redução gradual da instabilidade após a passagem dessas áreas de umidade, permitindo o retorno do tempo mais firme na segunda metade da semana.
João Gualberto – “O tenente Evaristo”
O policial aposentado, jornalista e escritor José Barreto Mendonça escreveu um instigante livro chamado Quem matou Lacy Ribeiro?: crime de latrocínio ou de amor bandido?. O autor anuncia, na orelha do livro, que estava escrevendo um trabalho chamado A Saga do Tenente Evaristo, Capanga do Político Muniz Freire. Fiquei logo muito interessado no assunto, pois o político citado no título do trabalho foi o primeiro presidente eleito do Espírito Santo, em 1892. Depois, teve um segundo mandato como presidente e foi ainda senador da República. Foi nosso primeiro grande oligarca no regime republicano. Tenho estudado os coronéis ao longo das últimas décadas, sempre sob a perspectiva de seu papel no desenvolvimento do Estado e de suas qualidades cívicas. A proposta de Barreto é mostrar o lado mais violento dos coronéis, algo sobre o qual pouco se tem produzido em nosso Estado. Pouco sabemos sobre as muitas matanças, sobre as brigas que travavam e sobre as perversidades que mantinham com o homem da roça. Por isso, como pesquisador interessado nas particularidades do território cultural capixaba, fiquei muito instigado a conhecer melhor esse Tenente Evaristo, do qual nunca havia ouvido falar. Descobri que o Arquivo Público do Espírito Santo possui uma cópia xerox de um livro escrito em 1904 e que, segundo uma reportagem assinada pelo notável repórter policial Paulo Cesar Dutra, teria sido atirado ao fogo pelas famílias atingidas pelo relato. Nunca chegou às livrarias. O romance se passa no município de Rio Pardo, hoje Iúna, que era palco de crimes bárbaros, ocasionados por rixas de família. É uma leitura fascinante, cheia de detalhes das perversidades da autoridade constituída pelo poder público para colocar ordem naquele pedaço do território capixaba. Segundo Paulo Cesar Dutra, os personagens são reais, com os nomes falseados, embora o nome do então presidente do Estado, Muniz Freire, seja citado por um dos personagens. O livro foi escrito por Ângelo Guarinello, poeta, escritor e advogado paulista que morou no Espírito Santo, embora eu não tenha encontrado registro das razões pelas quais se mudou para cá. Foi para Curitiba em 1910, onde morreu em 1961, e é um dos fundadores da Academia Paranaense de Letras, da qual foi o primeiro ocupante da cadeira de número 40. Intelectual produtivo e respeitado, nunca mais se fez presente em nossas letras. O livro começa com uma matança ocorrida na zona rural, em 1900, por uma briga boba, decorrente do fato de o dono de um pequeno negócio ter se negado a fazer uma venda fiada. Isso evolui em grande proporção, acirrando inimizades já existentes, em uma localidade onde só o sangue lavava a honra. Como decorrência desse episódio, um grupo de 50 valentões invade a casa daquele que havia quebrado toda a venda do agora inimigo. Eles não o encontram em casa, mas aprisionam sua esposa e suas filhas e ficam dias seguidos violentando-as. Nesse mundo, não se matavam mulheres; elas eram surradas e abusadas da forma mais brutal. O governador Muniz Freire manda, então, o Tenente Evaristo para instalar a ordem no município de Rio Pardo, hoje Iúna, onde a violência só tendia a aumentar. Logo na chegada, ele atrai o inimigo do governo estadual para uma cilada, a fim de eliminar o pequeno exército de mais de 100 homens que o coronel e chefe político possuía. Aliás, nessa época, todo chefe político do interior possuía seu pequeno exército de capangas. Daí para frente, o que se vê está próximo da barbárie. Instalado no poder policial na sede da vila, o Tenente Evaristo espanca, tortura, mata e esquarteja quantos queira, por qualquer motivo. Caso uma pessoa não lhe cumprimentasse, ele passava fogo sem dó. O livro é de leitura eletrizante. O policial, sob as ordens de Muniz Freire no romance, aproxima-se de uma mulher casada e passa a viver com ela um romance tórrido, totalmente desmoralizante para o pobre marido que, com medo da violência de Evaristo, nada faz e não reage durante muito tempo. As circunstâncias desse amor maldito e suas consequências dão um tom todo especial ao livro. Retrato de uma época, o livro mostra a violência que cercava a cena política na Primeira República, não apenas entre os capixabas. Esse era o mundo do coronelismo: machista, violento, brutal. Ângelo Guarinello, desconhecido dos capixabas, é um escritor fundamental para a compreensão da cultura política capixaba, ou de uma fração importante do nosso território. Será muito importante que um dia consigamos reeditar essa obra fundamental para entender certos meandros de nossa vida política. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018.