Alta de 32,9% em abril foi a maior do país e teve como principal motor a indústria extrativa, segundo dados do IBGE compilados pelo Observatório Findes
A indústria capixaba segue em ritmo acelerado e consolidou, em abril, um marco histórico: o Espírito Santo completou 12 meses consecutivos de crescimento industrial acima de dois dígitos. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e compilada pelo Observatório Findes, a produção industrial do Estado avançou 32,9% em relação a abril de 2025 — o maior crescimento do país no período e muito acima da média nacional, de 2,7%.
Além do desempenho anual, a indústria capixaba registrou alta de 2,1% na passagem de março para abril, considerando os ajustes sazonais. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, o crescimento chegou a 25,3%, também o melhor resultado nacional. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a expansão foi de 21,9%, novamente liderando o ranking entre os estados pesquisados.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, os números reforçam o papel estratégico da indústria no desenvolvimento econômico capixaba. “Completar 12 meses seguidos de alta em dois dígitos é um resultado muito expressivo, que demonstra a força da nossa indústria e sua relevância no cenário nacional”, afirma. Segundo ele, a manutenção desse ciclo exige investimentos em infraestrutura, inovação, qualificação profissional e melhoria do ambiente de negócios.
A gerente executiva do Observatório Findes e economista-chefe da entidade, Marília Silva, destaca que o desempenho está fortemente ligado à expansão da atividade extrativa, especialmente da produção de petróleo, gás natural e minério de ferro pelotizado. “Esses segmentos possuem peso relevante na estrutura produtiva do Estado e ajudam a explicar por que o Espírito Santo vem apresentando resultados tão acima da média nacional”, analisa.
Segundo o IBGE, a indústria extrativa capixaba cresceu 49,9% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção de petróleo no Estado alcançou 293,6 mil barris por dia no período, alta de 76,5% em relação a abril de 2025 e o maior volume desde 2019. A produção de gás natural também atingiu o maior patamar desde janeiro daquele ano, chegando a 8,1 milhões de metros cúbicos por dia, avanço de 106,1% na mesma comparação.
De acordo com o gerente de Ambiente de Negócios do Observatório Findes, Nathan Diirr, o avanço foi impulsionado pela entrada em operação do campo de Wahoo, operado pela PRIO, e da FPSO Maria Quitéria, da Petrobras, ambos localizados no litoral sul capixaba. Em abril, Wahoo produziu 30,7 mil barris de petróleo por dia, enquanto a FPSO Maria Quitéria registrou produção de 76,2 mil barris diários de petróleo e 2,9 milhões de metros cúbicos de gás natural.
A indústria de transformação também apresentou sinais de recuperação, com crescimento de 0,4% em abril, interrompendo dois meses consecutivos de retração. Entre os segmentos pesquisados pelo IBGE, a metalurgia avançou 3,0%, enquanto a fabricação de produtos de minerais não metálicos cresceu 2,5%. Em contrapartida, houve queda na produção de alimentos (-6,9%) e de celulose, papel e produtos de papel (-1,7%).
O desempenho de abril consolidou o Espírito Santo na liderança nacional da produção industrial. Na comparação anual, o Estado ficou à frente de Rio de Janeiro (+10,1%), Goiás (+6,2%), Rio Grande do Sul (+5,3%) e Minas Gerais (+3,7%). Nos últimos 12 meses, enquanto a indústria capixaba acumulou alta de 21,9%, a indústria brasileira registrou crescimento de apenas 0,7%.
Apesar do cenário positivo, especialistas alertam para desafios no horizonte. Juros elevados, inflação pressionada, tensões geopolíticas e a volatilidade dos preços do petróleo continuam exigindo cautela. Segundo Marília Silva, o desempenho da indústria capixaba demonstra resiliência, mas a sustentabilidade desse crescimento dependerá do fortalecimento da competitividade e da capacidade de adaptação às mudanças do ambiente econômico.
