O Ministério da Saúde promove, nesta sexta-feira (3), em Colatina, uma agenda de entregas e anúncios voltados ao fortalecimento da rede pública de saúde no Espírito Santo. A programação contará com a presença do assessor especial do Ministério da Saúde, Daniel Sucupira (foto), e inclui a entrega de cinco Unidades Odontológicas Móveis (UOMs), além da assinatura simbólica da ordem de serviço para a construção da Policlínica da Serra. Durante a cerimônia, também serão entregues 11 veículos destinados aos municípios capixabas atingidos pelo rompimento da barragem de Mariana, como parte das ações previstas no Novo Acordo do Rio Doce. Outros 11 veículos serão destinados a diferentes municípios do Estado para reforçar o transporte de insumos, equipamentos e equipes de saúde. A agenda contempla ainda a entrega de um conjunto de equipamentos para cirurgias gerais ao Hospital Roberto Arnizaut Silvares (HRAS), em São Mateus. O novo aparato tecnológico tem potencial para ampliar em mais de mil procedimentos cirúrgicos por ano, fortalecendo a capacidade de atendimento da unidade e beneficiando a população da região Norte do Espírito Santo. A iniciativa integra uma mobilização nacional do Ministério da Saúde para ampliar a infraestrutura e a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Ao longo da semana, a pasta realiza ações em diversos estados, com entrega de equipamentos, veículos, inauguração de unidades e emissão de ordens de serviço para novas obras previstas no Novo PAC Saúde. SERVIÇO Entregas do Ministério da Saúde em Colatina (ES) Data: sexta-feira, 3 de julho de 2026 Horário: 15h Local: Área Verde de Colatina – Avenida Senador Moacyr Dalla (Avenida Beira Rio), Colatina (ES).
Gabriel Luchini – “A física quântica e o direito de participar do futuro”
Vivemos em um mundo atravessado por telas. A atenção das pessoas é disputada por todo tipo de conteúdo e, não raramente, por desinformação. Nesse ambiente, a ciência nem sempre ganha o devido destaque e circulação, talvez por exigir elementos que nem sempre se ajustam bem à pressa e à lógica de entrega permanente das plataformas digitais. Quando a ciência surge apenas como um conjunto de fórmulas, nomes difíceis e conceitos sofisticados, ela fica distante das perguntas concretas que movem a curiosidade do público. Quando aparece excessivamente simplificada, perde aquilo que tem de mais importante: sua capacidade de explicar, de tensionar nossas certezas e de ampliar nossa compreensão do mundo. Entre esses dois extremos, há uma tarefa urgente: construir uma cultura científica pública, capaz de aproximar o conhecimento especializado das conversas cotidianas sem abrir mão do rigor. Não se trata de “traduzir” a ciência para uma linguagem mais simples, como se o público fosse incapaz de lidar com ideias complexas. Trata-se de criar caminhos para que essas ideias possam circular socialmente, informando, encantando e ajudando a sociedade a compreender melhor os desafios do presente e do futuro. A física quântica é um caso especialmente interessante. Poucas palavras científicas despertam tanto fascínio quanto “quântica”. O termo aparece associado a certo mistério, ao futuro, à tecnologia, à consciência, à inovação e, muitas vezes, a promessas vagas que pouco têm a ver com ciência. Justamente por isso, a palavra “quântica” exige cuidado. A física quântica é estranha, mas não é mágica. É contraintuitiva, mas é também uma das teorias mais rigorosas, precisas e bem testadas da ciência moderna. Quando o termo “quântico” passa a ser usado para legitimar qualquer afirmação, produto ou promessa, o resultado não é aproximação com a ciência, mas confusão. A divulgação científica tem, nesse ponto, uma tarefa delicada: preservar o fascínio, que é real, sem abrir mão da responsabilidade conceitual. Em outras palavras, transformar encantamento em compreensão. Durante boa parte do século XX, a física quântica foi decisiva para dar base à eletrônica moderna, que tornou possível boa parte da infraestrutura tecnológica da vida contemporânea. Antes de se tornar tecnologia, no entanto, tudo isso dependeu de avanços profundos em ciência fundamental. Hoje, algo semelhante parece estar em curso com o avanço das tecnologias quânticas: novos dispositivos baseados no controle fino da matéria e da luz. Ainda não sabemos exatamente quais serão todos os seus impactos, nem em que velocidade chegarão ao cotidiano. Mas já sabemos o suficiente para reconhecer que esse campo mobiliza interesses científicos, econômicos, educacionais e geopolíticos. Por isso, a discussão sobre física quântica não pode permanecer restrita aos laboratórios ou aos departamentos universitários. Ela precisa chegar também à escola, aos meios de comunicação, aos espaços culturais e às políticas de formação científica. No Espírito Santo, essa aproximação já encontra pontos de apoio importantes. A reativação recente da Secretaria Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência no Espírito Santo, a SBPC-ES, fortalece a articulação entre comunidade científica, educação básica, instituições públicas e sociedade. Ao lado disso, a instalação do IN-FOTON, ligado à pesquisa em fotônica e tecnologias portadoras de futuro, mostra que o estado também começa a se posicionar em agendas científicas e tecnológicas estratégicas. São iniciativas que podem ajudar a transformar a curiosidade pública pela ciência em formação, participação e desenvolvimento. A física moderna nos ensina, de forma preciosa, que a ciência não é apenas um conjunto de respostas prontas, mas uma maneira de formular perguntas, testar ideias, reconhecer limites e construir conhecimento coletivamente. Quando os estudos sobre elétrons, materiais e semicondutores avançaram, não se poderia imaginar plenamente a sociedade digital em que vivemos hoje. A ciência básica abriu caminhos que depois se transformaram em tecnologia, indústria, comunicação, trabalho, cultura e novas formas de organização social. Com as tecnologias quânticas, talvez estejamos diante de um processo comparável. Há sinais claros de que novos conhecimentos científicos podem reorganizar setores inteiros da vida social. Por isso, aproximar o público dos temas científicos não é apenas uma questão de curiosidade intelectual, mas uma necessidade democrática. Decisões sobre tecnologia, meio ambiente, saúde, inteligência artificial, energia, educação e inovação dependem cada vez mais de uma população capaz de compreender os debates científicos que moldam o presente e o futuro. Sem cultura científica, a sociedade fica mais vulnerável à desinformação, ao uso de termos científicos como estratégia de convencimento sem base real e à concentração das decisões nas mãos de poucos especialistas ou grupos econômicos. A revolução quântica, que já começou a reorganizar agendas científicas e tecnológicas no mundo, precisa ser também uma oportunidade para repensarmos a educação científica, a formação de professores, a comunicação pública da ciência e o lugar da escola na preparação para o futuro. Aproximar a ciência da sociedade é, no fundo, ampliar o direito de participar das grandes conversas que definirão esse futuro. Gabriel Luchini é doutor em Física pela Universidade de São Paulo e professor da Ufes
Especialista aponta cinco cuidados na hora de escolher um plano de saúde
O valor da mensalidade costuma ser um dos principais critérios considerados por quem pretende contratar um plano de saúde. No entanto, especialistas alertam que a escolha deve levar em conta uma série de outros fatores que podem impactar diretamente o acesso ao atendimento quando ele for necessário. A orientação ganha relevância diante da divulgação dos mais recentes indicadores de desempenho das operadoras pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que permitem aos consumidores consultar informações sobre a qualidade dos serviços prestados pelas empresas do setor. Para o advogado Eduardo Amorim, especialista em Direito Médico e presidente da Comissão de Direito Médico da OAB-ES, a análise deve ir além do custo do plano. “Muitas pessoas contratam um plano de saúde observando apenas o valor da mensalidade, mas é importante avaliar como a operadora atende seus beneficiários na prática. Quando surge a necessidade de um exame, uma internação ou um procedimento, fatores como qualidade do atendimento e capacidade de resposta fazem toda a diferença”, afirma. Entre os pontos que merecem atenção está o histórico de reclamações da operadora. Segundo o especialista, informações sobre o desempenho das empresas estão disponíveis ao público e podem ajudar o consumidor a entender como a operadora lida com demandas relacionadas a autorizações, cobertura e atendimento. Outro aspecto importante é a rede credenciada oferecida pelo plano. Hospitais, clínicas, laboratórios e profissionais de saúde disponíveis devem atender às necessidades do usuário e estar localizados em regiões de fácil acesso. Em alguns casos, planos com mensalidades mais baixas podem apresentar limitações na oferta de serviços. A estrutura de atendimento também deve ser analisada. Canais eficientes para esclarecimento de dúvidas, abertura de solicitações e resolução de problemas podem ser decisivos em situações que exigem rapidez e suporte adequado. Além disso, especialistas recomendam atenção às regras do contrato. Coberturas incluídas, prazos de carência, condições de utilização e eventuais restrições devem ser avaliados antes da assinatura. Eduardo Amorim destaca ainda a importância de observar a reputação da empresa e os indicadores divulgados pela ANS sobre o relacionamento com os clientes. “As listas de desempenho e de redução de reclamações ajudam o consumidor a fazer uma escolha mais consciente. Quanto mais informação estiver disponível, maiores são as condições de comparar as opções de forma objetiva”, explica. Para o especialista, a contratação de um plano de saúde deve ser encarada como uma decisão de longo prazo. “Quando o atendimento for necessário, não estará em jogo apenas um contrato, mas a segurança e a tranquilidade do paciente e de sua família”, conclui.
Ebony faz show gratuito em Vitória no lançamento do Festival Turmalina
Afronta, Caju, Maria Laurinda Adão e DJ Davs Carter estão na programação Uma das vozes mais potentes da nova geração da música brasileira está de malas prontas para o Espírito Santo. A rapper Ebony é a atração principal da primeira edição do Festival Turmalina, que acontece no dia 18 de julho, no Cais das Artes, em Vitória, a partir das 16h, e conta com a Vale como patrocinadora master. O evento é o primeiro festival de artes integradas no Espírito Santo voltado exclusivamente para o protagonismo e legado de mulheres negras na arte. Além de Ebony, a programação traz a rapper capixaba Afronta, Caju, a ancestralidade de Mestra Maria Laurinda Adão (Caxambu) e de Dona Isolina (Bate Flechas), além dos sets da DJ pernambucana Davs. Os ingressos gratuitos poderão ser retirados no site www.festivalturmalina.com a partir de três de julho. A entrada no evento será condicionada à doação de um pacote de absorventes higiênicos, que serão destinados a instituições parceiras no Espírito Santo. A iniciativa integra as ações do projeto para o enfrentamento da pobreza menstrual, um problema de saúde pública urgente no país. Segundo dados do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do UNICEF, 4 milhões de pessoas que menstruam sofrem com a falta de pelo menos um item básico nas escolas brasileiras, seja absorvente, sabonete ou até mesmo um banheiro com porta. A arrecadação no festival busca atuar diretamente na mitigação dessa realidade, levando mais dignidade e saúde à população vulnerável. Como o principal destaque da noite, Ebony desembarca na capital capixaba com a turnê KM2 (De Luxo). O espetáculo amplia o universo criativo do álbum que consolidou seu nome no topo da música urbana nacional — impulsionada por hits como “Extraordinária”, que já ultrapassa 30 milhões de plays, e sua recente participação no reality Nova Cena, da Netflix. A apresentação marca a primeira e única passagem da turnê pelo Espírito Santo antes do encerramento oficial da agenda em setembro, tornando o show uma oportunidade exclusiva para o público capixaba. Natural de Queimados, na Baixada Fluminense, a artista transformou suas vivências em narrativas que dialogam diretamente com uma geração de jovens mulheres negras brasileiras. Para a produtora executiva da etapa musical do festival, Elza Medeiros, o encontro simboliza um dos principais objetivos da iniciativa: promover diálogos entre tradição e contemporaneidade. “Quando colocamos essas artistas no mesmo palco, criamos oportunidades para que diferentes experiências e trajetórias se encontrem. O público terá acesso a referências diversas da cultura negra feminina, desde manifestações tradicionais até produções contemporâneas que dialogam com os desafios e as narrativas do presente. É um encontro que fortalece a memória, mas também aponta para o futuro”, destaca. As apresentações musicais abrem a programação do Festival Turmalina, um hub cultural que promoverá oficinas de afroempreendedorismo, produção executiva para projetos culturais e letramento racial, priorizando a participação de mulheres e a geração de oportunidades no setor cultural. Encerrando a programação, em outubro, será inaugurada uma exposição inédita no Museu Capixaba do Negro Verônica da Pas (Mucane), construída a partir de um edital nacional exclusivo para fotógrafas negras. O Festival Turmalina é produzido pela JUPTER Entretenimento em parceria com Luz del Fuego Produções e conta com patrocínio master da Vale, viabilizado por meio da Lei Rouanet. Cais das Artes O Cais das Artes é um complexo cultural do Governo do Estado do Espírito Santo, concebido como um equipamento público dedicado às artes, à cultura e ao convívio social. O espaço é um projeto da Secretaria da Cultura (Secult), em parceria com a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), responsável por sua gestão operacional. Projetado para receber uma programação diversificada, o Cais das Artes reúne áreas expositivas, espaços de formação, ambientes multiuso e salas de reunião, fortalecendo a presença da arte no cotidiano da população capixaba. Mais informações em www.caisdasartes.com.br.
Nova alça da 3ª Ponte terá duas faixas por sentido, ciclovia e passarela para pedestres
A ligação entre a Terceira Ponte e a Avenida Jair de Andrade, em Itapuã, vai ganhar uma nova configuração nos próximos anos. O projeto prevê a construção de uma avenida com cerca de dois quilômetros de extensão, duas faixas de rolamento em cada sentido, ciclovia em todo o percurso, passarela para pedestres, calçadas acessíveis e obras de urbanização. O investimento previsto é de R$ 130 milhões. A contratação da obra foi autorizada nesta quarta-feira (1º), durante solenidade realizada no Parque Urbano Duque de Caxias, no Centro de Vila Velha. A ordem de serviço foi assinada pelo governador Ricardo Ferraço e pelo prefeito Arnaldinho Borgo, marcando o início da etapa de contratação da intervenção, que será executada pelo Governo do Estado. Durante o evento, o secretário de Estado de Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno (foto acima), apresentou os principais detalhes técnicos do projeto, incluindo o traçado da nova avenida e as intervenções previstas para melhorar a mobilidade e a drenagem da região. A nova avenida fará a ligação direta entre a alça da Terceira Ponte e a Avenida Jair de Andrade, com o objetivo de melhorar a mobilidade na região central de Vila Velha e reduzir os congestionamentos nos acessos à Praia da Costa e a Itapuã. Além da ampliação da capacidade para veículos, o projeto prevê uma ciclovia ligando a Avenida Champagnat ao bairro Itapuã, acompanhando todo o novo corredor viário. Segundo o prefeito Arnaldinho Borgo, a intervenção vai além da mobilidade urbana “Essa obra representa desafogar o trânsito e também melhorar o escoamento das águas pluviais”, afirmou. Ele destacou que serão implantadas galerias de maior capacidade para acelerar o bombeamento da água até as estações existentes, reduzindo os alagamentos registrados na região. O projeto também prevê a construção de uma passarela para pedestres em frente ao Shopping Praia da Costa, permitindo a retirada do semáforo da Avenida Carioca e melhorando a fluidez do trânsito. Também serão implantados um sistema binário entre as ruas Bahia e Santa Catarina, novos pontos de ônibus, iluminação pública moderna e calçadas acessíveis. Para Arnaldinho, as intervenções criarão “mais uma entrada e mais uma saída da Praia da Costa”, além de ampliar a integração da malha cicloviária entre a Avenida Jair de Andrade, a alça da Terceira Ponte e a Avenida Champagnat. O governador Ricardo Ferraço, ao lado do ex-governador Renato Casagrande, comemoraram a assinatura da ordem de serviço e destacaram a parceria com o prefeito Arnaldinho A contratação será realizada por meio de licitação integrada, reunindo a elaboração dos projetos executivos e a execução da obra em um único contrato. O edital deverá ser lançado no segundo semestre deste ano, com previsão de início das obras em 2027 e conclusão em 2028. O prefeito afirmou ainda que o empreendimento é aguardado há mais de duas décadas e representa um dos principais investimentos em mobilidade urbana de Vila Velha nos últimos anos.
Flavia da Veiga – “A NR-01 não é o problema. É o diagnóstico”
Quando a NR-01 atualizou as obrigações das empresas para incluir riscos psicossociais, o debate se dividiu como sempre: de um lado, trabalhadores celebrando uma conquista; de outro, empresários preocupados com a exposição legal. Ambos têm razão parcial. E ambos estão olhando para a árvore sem ver a floresta. A floresta é muito maior do que uma norma regulamentadora. Em 2024, o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais, alta de 67% em relação ao ano anterior, o maior número da série histórica, segundo o Ministério da Previdência Social. A OMS estima que depressão e ansiedade custam à economia global US$ 1 trilhão por ano em produtividade. O Banco Mundial calcula que os prejuízos da saúde mental no Brasil equivalem a 4,7% do PIB, cerca de R$ 554 bilhões em 2024. O Gallup aponta que o desengajamento dos trabalhadores custou US$ 438 bilhões à economia mundial só em 2024. Isso não é estatística. É o retrato de uma crise civilizatória. É preciso ser preciso sobre um ponto que o debate frequentemente embaralha: saúde mental é, em sua essência, uma responsabilidade individual. Cada pessoa carrega sua história, sua biologia, seus vínculos, variáveis que nenhuma empresa criou e nenhuma política corporativa resolve sozinha. Mas a empresa pode ser corresponsável pelo adoecimento. E isso não é ideologia, é ciência. Ambientes com liderança abusiva, jornadas cronicamente exaustivas e ausência de reconhecimento ativam respostas de estresse crônico que, como demonstrou o neurocientista Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin, alteram estruturalmente a atividade cerebral. O problema não está só na cabeça das pessoas, está também nos ambientes que criamos para elas. A NR-01 reconhece exatamente isso. Ao pedir que empresas mapeiem riscos psicossociais, a norma não criminaliza o empresário, que, vale dizer, também adoece. Uma pesquisa de 2024 mostrou que 66% dos CEOs nos Estados Unidos atribuem a maior parte do seu estresse ao trabalho. O adoecimento organizacional não escolhe hierarquia. Mas responsabilizar exclusivamente as empresas é uma simplificação que não resolve o problema. As pessoas chegam ao trabalho carregando o peso de um sistema de saúde que não as alcança, de vínculos comunitários que se desfizeram, de uma infância que não as preparou para a autorregulação emocional. Nenhuma política de RH resolve o que a sociedade como um todo não enfrenta. É aqui que o exemplo de Dubai importa. Em 2016, os Emirados Árabes Unidos criaram o primeiro Ministério da Felicidade do mundo e lançaram um programa nacional com meta de elevar o índice de felicidade da população a 95%, reunindo deliberadamente governo, empresas, comunidades e indivíduos em torno de uma agenda comum. A grande decisão não foi a meta. Foi reconhecer que bem-estar é um projeto coletivo, que exige a corresponsabilidade de todos os setores da sociedade. O Brasil precisa de uma conversa assim. No campo corporativo, é preciso desmontar um equívoco: pressão e desafio não são opostos ao bem-estar. São ingredientes legítimos do trabalho. O que adoece não é a performance, é a performance sem suporte, sem sentido e sem humanidade. A pesquisadora Amy Edmondson, de Harvard, demonstrou que equipes em ambientes de segurança psicológica são mais inovadoras e produtivas. A Universidade de Oxford mostrou que trabalhadores mais felizes são, em média, 13% mais produtivos. Indivíduos mais fortes produzem organizações mais fortes, e isso é o que a ciência da felicidade corporativa, aplicada com rigor, oferece. A crise de saúde mental é o maior desafio de saúde pública do século XXI. Não será resolvida por uma norma, por uma empresa ou por uma consultoria. Será enfrentada quando cada setor — governo, empresas, sistema educacional, famílias e indivíduos — assumir a parte que lhe cabe. A NR-01 não é o problema. É um diagnóstico parcial de algo muito maior. E diagnósticos bem feitos são sempre o primeiro passo para a cura. *Flávia da Veiga é CEO e fundadora da BeHappier Consultoria