Após enfrentar um tumor no cérebro há sete anos, Maria Clara Carvalho Putinati, 26, tornou-se voluntária da Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil (Acacci) e hoje retribui o apoio que recebeu durante um dos momentos mais difíceis de sua vida “O câncer foi descoberto após algumas dificuldades escolares pois eu não conseguia escrever. Após consulta com um neurologista descobrimos o tumor, e com a cirurgia e exame de biopsia foi confirmado o câncer”, conta. Ela conta que a maior dificuldade foi o diagnóstico. “Tivemos dificuldade em descobrir. Tive total apoio da Acacci e hoje sou voluntária na instituição desde 2019”, diz. Celebrado em 19 de julho, o ‘Dia Nacional da Caridade’ reforça a importância da solidariedade como instrumento de transformação social. Mais do que doações financeiras, a data destaca gestos capazes de mudar trajetórias, como o acolhimento, a escuta, o voluntariado e o apoio a pessoas que enfrentam situações de vulnerabilidade. Na Acacci, em Vitória, a solidariedade faz parte da rotina de crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer e de suas famílias. A instituição oferece hospedagem, alimentação, assistência social, atendimento psicológico e diversos outros serviços que ajudam a reduzir os impactos provocados pela doença. Uma dessas histórias é de Luzinete Cardoso Neres da Silva (foto), mãe da Anna Julia (Foto abaixo), 14 anos, paciente oncológica. A filha foi diagnosticada com câncer em 2020 e desde então, já passou por quatro cirurgias, e atualmente é cadeirante e está se reabilitando. Moradora de Conceição da Barra, a Acacci é sua rede de apoio. “Aqui é a nossa rede de apoio, na qual a gente é abraçada, acolhida, até melhor do que estarmos em casa, porque aqui a gente tem um momento para descansar dos trajetos de hospitais. E o que mais me surpreendeu aqui é que a gente se torna uma família. Conhecemos as mães, as crianças de outros estados, um abraçando o outro, apoiando a causa do outro, então isso ajuda muito, aumenta mais a nossa fé, na esperança da cura. Sou muito grata pela Acacci, pelo carinho, os profissionais em geral”, explica Luzinete. Juscileia da Hora Silva que mora em Linhares e tem uma filha com câncer reforça que o acolhimento, afeto, carinho da instituição fazem a diferença durante o tratamento: “O que mais me surpreendeu é o carinho de todos sem exceção, só tenho a agradecer, gratidão sempre”, diz. Para a superintendente executiva da Acacci, Luciene Sales Sena, a caridade ganha significado quando promove dignidade e esperança. “A solidariedade transforma vidas porque ela chega aonde muitas vezes o tratamento médico sozinho não consegue. Acolher uma família, oferecer segurança, escuta e apoio durante um momento tão delicado faz toda a diferença. O Dia Nacional da Caridade nos lembra que cada gesto de amor ao próximo pode mudar uma história inteira”, afirma. Segundo Luciene, histórias como a de Maria Clara que se tornou voluntária mostram que a solidariedade tem um efeito multiplicador. “Quando uma família que foi acolhida escolhe permanece conosco para acolher outras pessoas, temos a maior prova de que a caridade transforma não apenas quem recebe ajuda, mas também quem decide estender a mão ao próximo”, destaca. Resultados de 2025 Em 2025, a Acacci realizou 30.296 atendimentos, beneficiando 380 pessoas, entre 177 crianças e adolescentes em tratamento oncológico e 203 acompanhantes. Ao longo do ano, a instituição promoveu 23.726 ações de suporte logístico, 3.521 atendimentos de suporte socioeconômico e 3.049 atendimentos multidisciplinares, oferecendo acolhimento que vai muito além do tratamento médico. Atualmente, a rede de solidariedade da instituição conta ainda com 182 voluntários cadastrados, que ajudam a transformar a rotina das famílias atendidas. Café com Resultados No próximo dia 23 de julho, às 08h30 a Acacci realiza o evento “Café com Resultados” onde apresentará os resultados do trabalho do primeiro semestre deste ano, prestando contas aos associados e chamando a sociedade a continuar contribuindo para este trabalho que garante mais qualidade de vida às crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer.
Alimentação saudável pode proteger o cérebro e ajudar a reduzir o risco de demência, apontam estudos
Consumo frequente de bebidas açucaradas está associado ao declínio cognitivo, enquanto uma dieta equilibrada pode contribuir para a saúde cerebral ao longo da vida Aquele refrigerante no almoço, o suco industrializado da tarde ou o energético para enfrentar a rotina podem representar muito mais do que um hábito alimentar. Estudos científicos recentes indicam que o consumo frequente de bebidas açucaradas pode estar relacionado ao aumento do risco de declínio cognitivo e demência, especialmente em pessoas que já apresentam fatores de risco para doenças como o Alzheimer. As pesquisas mostram que padrões alimentares saudáveis, com baixo potencial inflamatório e ricos em alimentos naturais, podem exercer um efeito protetor sobre o cérebro, contribuindo para preservar as funções cognitivas durante o envelhecimento, inclusive entre pessoas que já possuem alterações biológicas associadas ao desenvolvimento da demência. Um dos estudos, publicado na revista científica The Journal of Nutrition, Health & Aging, acompanhou mais de 118 mil adultos durante aproximadamente 13 anos por meio do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados de saúde do mundo. Os pesquisadores observaram que pessoas que consumiam mais de um copo de bebidas açucaradas por dia apresentavam maior risco de desenvolver demência. Em contrapartida, o consumo regular de café e chá esteve associado a um risco menor da doença. Segundo a geriatra Fernanda Sperandio, da MedSênior, embora esse tipo de pesquisa não permita estabelecer uma relação direta de causa e efeito, a repetição dos mesmos resultados em diferentes estudos merece atenção. “Quando observamos esse padrão alimentar associado ao aumento do risco de demência em grandes populações, principalmente entre pessoas com histórico familiar ou outros fatores de risco, é um sinal importante de alerta”, afirma. Quem apresenta maior risco? A idade continua sendo o principal fator de risco para o desenvolvimento de demências, sobretudo após os 65 anos. No entanto, pessoas com histórico familiar de Alzheimer, hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol elevado, doenças cardiovasculares, sedentarismo, tabagismo, perda auditiva não tratada e baixa escolaridade também apresentam maior probabilidade de desenvolver algum tipo de demência ao longo da vida. De acordo com a especialista, o problema vai além do excesso de açúcar ou do ganho de peso. “O consumo frequente dessas bebidas favorece alterações metabólicas, como resistência à insulina, obesidade e diabetes, além de contribuir para um estado inflamatório crônico e aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Todos esses fatores estão relacionados ao maior risco de declínio cognitivo e demência”, explica. Os mecanismos que ligam alimentação e saúde cerebral ainda são estudados, mas pesquisas apontam que alterações metabólicas, inflamação crônica, estresse oxidativo e prejuízos à saúde vascular podem acelerar o envelhecimento do cérebro e comprometer as funções cognitivas. Entre os idosos, o cenário preocupa ainda mais. Segundo Fernanda Sperandio, o cérebro envelhecido torna-se mais vulnerável às alterações metabólicas e vasculares, e uma alimentação rica em açúcar, ultraprocessados e gorduras de baixa qualidade agrava esse processo. Pesquisa brasileira reforça os resultados Os achados internacionais também encontram respaldo no Brasil. Dados do estudo ELSA-Brasil, considerado a maior pesquisa sobre saúde de adultos da América Latina, apontam que uma maior participação de alimentos ultraprocessados na dieta está associada a um declínio cognitivo mais acelerado ao longo do tempo. Embora nenhum alimento, isoladamente, seja responsável pelo desenvolvimento do Alzheimer, especialistas destacam que manter hábitos alimentares saudáveis ao longo da vida é uma das principais estratégias para reduzir o risco de comprometimento cognitivo. O que evitar e o que incluir no cardápio Para a nutricionista Giselli Prucoli, o primeiro passo é deixar de considerar bebidas açucaradas como parte da rotina. “Refrigerantes, sucos industrializados, energéticos, chás prontos, refrescos em pó e bebidas adoçadas não devem ser vistos como formas de hidratação. A água deve ser a principal bebida do dia a dia”, orienta. Ela recomenda que esses produtos sejam consumidos apenas ocasionalmente, principalmente por pessoas com maior risco para demência, diabetes, doenças cardiovasculares ou obesidade. Outro cuidado importante é observar os rótulos dos alimentos. Segundo a nutricionista, a nova rotulagem brasileira, que identifica produtos com alto teor de açúcar adicionado por meio do símbolo da lupa, facilita a escolha de opções mais saudáveis. Dieta neuroprotetora Uma alimentação considerada benéfica para o cérebro deve priorizar alimentos naturais e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha e cereais integrais, além de incluir gorduras saudáveis presentes no azeite de oliva extravirgem, castanhas, nozes, amêndoas e peixes ricos em ômega-3, como sardinha e salmão. Também fazem parte desse padrão alimentar proteínas magras, ovos, aves sem pele, laticínios com menor teor de gordura e carnes magras. Por outro lado, a recomendação é reduzir ao máximo o consumo de alimentos ultraprocessados, refrigerantes — inclusive os sem açúcar —, sucos adoçados, bolachas recheadas, salgadinhos, embutidos, sobremesas industrializadas, cereais açucarados, frituras frequentes, gorduras trans e excesso de açúcar. Além disso, alimentos ricos em antioxidantes, compostos bioativos e especiarias como cúrcuma, gengibre e ervas aromáticas ajudam a reduzir processos inflamatórios e favorecem a manutenção da saúde cerebral ao longo dos anos.
Aprovado projeto de Jack Rocha prevê até R$ 15 bi para combater a violência contra mulheres
A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei Complementar (PLP) 41, de autoria da deputada federal Jack Rocha (PT-ES), que cria o Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres. A proposta estabelece uma política permanente de financiamento para ações de prevenção, proteção e enfrentamento da violência de gênero, com previsão de destinar R$ 1,5 bilhão por ano durante uma década, totalizando até R$ 15 bilhões. O texto foi aprovado por 470 votos favoráveis e apenas um contrário e segue agora para análise do Senado Federal. O projeto busca fortalecer a rede de atendimento às vítimas em todo o país, permitindo que estados e municípios ampliem ou implantem serviços como casas de acolhimento, centros especializados, delegacias da mulher, atendimento psicológico, assistência social, orientação jurídica, equipes multidisciplinares e programas de capacitação para profissionais das áreas de saúde, segurança pública e assistência social. Também estão previstas campanhas permanentes de prevenção à violência contra mulheres e meninas. A proposta ainda prevê uma atuação integrada entre União, estados e municípios, consolidando o Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres e garantindo recursos permanentes para a execução das políticas públicas, independentemente das mudanças de governo. Para a autora da proposta, a aprovação representa um avanço no fortalecimento da rede de proteção às mulheres. “Durante muitos anos aprovamos leis importantes, mas muitas delas esbarraram na falta de recursos para chegar à ponta. A mulher denunciava e não encontrava atendimento. Procurava acolhimento e não havia estrutura. Esse projeto muda essa realidade porque garante que o Estado tenha condições de proteger quem mais precisa”, afirmou Jack Rocha. A deputada destacou ainda que a iniciativa transforma o enfrentamento à violência contra as mulheres em uma política permanente de Estado. “Não estamos falando apenas de orçamento. Estamos falando da vida de meninas e mulheres. Cada recurso investido significa mais prevenção, mais acolhimento, mais proteção e mais chances de interromper um ciclo de violência antes que ele termine em feminicídio”, declarou. Segundo Jack Rocha, o objetivo é reduzir as desigualdades no acesso aos serviços de proteção, especialmente em municípios onde a estrutura de atendimento ainda é limitada. “Queremos que uma mulher do interior tenha o mesmo direito à proteção que uma mulher da capital. Que ela encontre uma equipe preparada, tenha acesso ao atendimento psicológico, assistência social, orientação jurídica e, quando necessário, um local seguro para reconstruir sua vida. Nenhuma mulher pode ficar desprotegida por causa do lugar onde mora”, afirmou. A parlamentar também ressaltou o trabalho conjunto que possibilitou a aprovação do projeto e destacou a atuação da relatora da matéria, deputada federal Jandira Feghali. “Essa vitória foi construída com diálogo, compromisso e pela união da Bancada Feminina, da relatora Jandira Feghali e de parlamentares que compreenderam que proteger a vida das mulheres está acima de qualquer diferença política”, disse. Após a aprovação na Câmara, o Projeto de Lei Complementar 41 será analisado pelo Senado Federal. Caso seja aprovado sem alterações, seguirá para sanção presidencial.