Evento que celebra os 80 anos do CCCV reúne representantes nacionais e internacionais e inclui visitas aos portos de Vitória e Capuaba e às obras do Porto da Imetame, em Aracruz O caminho percorrido pelo café entre as lavouras capixabas e os mercados internacionais será um dos destaques do Vitória Coffee Summit 2026. O evento, que será realizado nos dias 20 e 21 de agosto, no Cais das Artes, em Vitória, em comemoração aos 80 anos do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), terá uma programação que vai além das conferências e levará participantes nacionais e internacionais para conhecer de perto a estrutura logística utilizada no escoamento da produção. O roteiro começa nesta quarta-feira (19), antes da abertura oficial do Summit, com uma navegação pelo canal de acesso ao Porto de Vitória e visita à Log-In TVV, no Porto de Capuaba. No sábado (22), após os dois dias de conferências, os participantes seguem para Aracruz, onde conhecerão as obras do Porto da Imetame HGT. A escolha dos portos para abrir e encerrar a programação reforça a importância da infraestrutura e da eficiência logística para a competitividade do café produzido e comercializado pelo Espírito Santo. Com programação internacional, conteúdo estratégico, networking e geração de negócios, o Vitória Coffee Summit pretende transformar a capital capixaba em um dos principais pontos de encontro da cafeicultura mundial. A proposta é reunir diferentes elos da cadeia para discutir conhecimento, inovação, sustentabilidade, comércio e cooperação em um setor estratégico para a economia do Espírito Santo e para o mercado global. A dimensão internacional do café capixaba pode ser observada nos números das exportações. Em julho de 2026, a Bélgica liderou os destinos do produto embarcado pelo Espírito Santo, com mais de 199 mil sacas, todas de conilon. Em seguida aparecem México, com mais de 84 mil sacas; Estados Unidos, com mais de 69 mil; Espanha, com quase 56 mil; Colômbia, com mais de 48 mil; Alemanha, com 40,8 mil; Índia, com 37,7 mil; Vietnã, com 31,7 mil; Indonésia, com mais de 31 mil; e Itália, com 27,8 mil sacas. O conilon predominou nos embarques para esses mercados, enquanto Estados Unidos e Indonésia também receberam café solúvel e arábica. Somados, os dez principais destinos responderam por 80,9% das exportações capixabas de café em julho. Os outros 30 países representaram 19,1%. No acumulado entre janeiro e julho de 2026, a Bélgica também aparece na liderança, com mais de 496 mil sacas, seguida pelo México, com 364 mil, e pela Colômbia, com 336 mil, principalmente de conilon. Estados Unidos, Espanha, Alemanha e Itália também estão entre os principais mercados, além de Argentina, Turquia e Reino Unido. Os dez maiores destinos concentraram 77,13% das exportações capixabas no período, enquanto outros 54 países responderam pelos 22,87% restantes. “Além de ser o maior produtor brasileiro de café conilon, o Estado possui uma vantagem logística estratégica: a proximidade entre as regiões produtoras e os portos de exportação. A expectativa é que essa condição atraia ainda mais a atenção do mercado global para o café capixaba”, afirma o presidente do CCCV, Fabrício Tristão. Mercado internacional mais exigente O Summit acontece em um momento de transformação do comércio internacional do café. Os compradores estão cada vez mais atentos à origem do produto, às práticas ambientais e sociais empregadas na produção e à capacidade dos fornecedores de assegurar qualidade e regularidade. Para o vice-presidente do CCCV, Jorge Nicchio, esse novo cenário já interfere diretamente na comercialização. “Mercado exigindo cafés produzidos nos três pilares do ESG, ambiental, social e governança. Produtores precisam se adequar. Boas práticas são fundamentais na comercialização do café”, destaca. Rastreabilidade, sustentabilidade, inovação e logística estarão, portanto, entre os principais assuntos do Vitória Coffee Summit. A intenção é aproximar produtores, cooperativas, exportadores, indústria, compradores e demais participantes da cadeia e colocar o Espírito Santo no centro de uma discussão que ultrapassa as fronteiras da produção. Responsável pela curadoria técnica do evento, Marcus Magalhães resume a proposta em três eixos: origem, mercado e futuro. Esses temas estarão conectados a questões como tecnologia, sustentabilidade, inovação, geopolítica e negócios. “O Vitória Coffee Summit vai transformar Vitória na capital do café”, afirma. Especialistas de vários países Durante os dois dias de conferência no Cais das Artes, especialistas e lideranças do setor participarão de palestras, painéis, workshops e experiências técnicas. O encontro também terá espaços destinados ao networking e à geração de negócios. O público inclui produtores rurais, exportadores, cooperativas, indústrias, traders, compradores internacionais, instituições financeiras, pesquisadores, torrefadores, consultores, lideranças empresariais e representantes de entidades públicas e privadas. Entre os temas previstos estão o panorama econômico e o mercado de café, o futuro do consumo, inovação na produção, logística global, geopolítica dos alimentos, mercado de café solúvel, cafés especiais, inteligência artificial aplicada ao agronegócio, regulação internacional e as novas relações entre grandes países produtores e consumidores. Um dos painéis reunirá representantes de Brasil, Vietnã e Colômbia para discutir o cenário dos três gigantes da produção mundial. Também haverá debates com representantes dos Estados Unidos e especialistas sobre o novo equilíbrio do comércio global de café. 80 anos do CCCV O Vitória Coffee Summit marca as comemorações dos 80 anos do Centro do Comércio de Café de Vitória. Fundado em 1947, o CCCV é uma associação privada, sem fins lucrativos, que reúne e representa exportadores, comerciantes, cooperativas e indústrias de café solúvel. A entidade atua como órgão consultivo do Governo do Espírito Santo em temas relacionados ao café, é reconhecida como de utilidade pública pelo Município de Vitória e exerce a função de agência certificadora da Organização Internacional do Café no Estado. O CCCV também atua nas áreas de qualidade, sustentabilidade, logística, regulamentação, tributação, análise de mercado e promoção de debates técnicos. Ao celebrar oito décadas de atuação, a entidade pretende reforçar o papel histórico do Espírito Santo no comércio internacional e, ao mesmo tempo, discutir os desafios dos próximos anos. A programação envolvendo os portos traduz parte dessa proposta: a competitividade do café depende não apenas da produção nas lavouras, mas também de qualidade, rastreabilidade, inovação
Justiça bloqueia bens de ex-presidente da Apex e aponta transferências de R$ 5 milhões
Decisão cita “rombo bilionário” na contabilidade do grupo, determina quebra do sigilo bancário de Fernando Cinelli e impõe novas medidas de controle às empresas A Justiça do Espírito Santo determinou nesta terça-feira (18) a indisponibilidade de todos os bens de Fernando Antonio Kulnig Cinelli, ex-presidente da Apex Partners, além da quebra de seu sigilo bancário. A medida foi tomada pelo juiz Marcos Pereira Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, após pedido apresentado pela Apex Partners Gestão de Ativos e pela ABM Partnership Investimentos e Participações. Na decisão, o magistrado afirma que, nesta fase preliminar do processo, os documentos apresentados demonstram transferências de valores das contas da ABM Partnership para a conta bancária pessoal de Cinelli, que somariam aproximadamente R$ 5 milhões. Segundo o juiz, não foi identificada, até o momento, “razão jurídica apta a justificá-las”. O magistrado também registra que os autos evidenciam a existência de um “rombo bilionário” na contabilidade das empresas requerentes. Ao conceder a tutela de urgência, Marcos Pereira Sanches considerou haver risco de dissipação patrimonial em prejuízo dos credores. Por isso, determinou a indisponibilidade de todos os bens de Cinelli por meio dos sistemas Sisbajud, CNIB e Renajud, que permitem alcançar ativos financeiros, imóveis e veículos, além de autorizar a quebra do sigilo bancário do ex-presidente. Em comunicado divulgado após a decisão, a Apex informou que sua apuração interna preliminar identificou outras movimentações que, somadas, superariam R$ 23 milhões e teriam como destino contas de titularidade de Cinelli. Esse montante não é citado na decisão judicial desta terça-feira e, segundo a própria companhia, ainda está sob análise e poderá ser atualizado com o avanço da auditoria independente. A empresa afirma ainda que, nas verificações realizadas até agora, não identificou relação entre essas transferências e recursos diretamente aportados por investidores em projetos imobiliários. A decisão vai além do bloqueio patrimonial do ex-presidente. O juiz determinou que as empresas entreguem, em até 72 horas, as informações e documentos solicitados pela auxiliar do Juízo e estabeleceu uma série de obrigações destinadas a preservar documentos, ativos e informações financeiras. Entre elas está a determinação para que a auditoria individualize eventuais irregularidades, responsáveis, beneficiários, valores e danos. Caso sejam encontrados indícios concretos de crimes, o material deverá ser encaminhado ao Ministério Público e à autoridade policial competentes. As empresas também ficam impedidas de realizar, sem autorização, operações extraordinárias envolvendo ativos não circulantes e participações societárias, além de distribuir lucros ou dividendos e promover determinadas retiradas patrimoniais em favor de controladores, sócios ou administradores. A decisão, por outro lado, preserva a continuidade dos pagamentos ordinários a empregados, colaboradores e profissionais que efetivamente prestem serviços às empresas. Outro ponto determinado pela Justiça é o envio de ofícios ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Superintendência de Seguros Privados (Susep). Os órgãos terão dez dias para informar ao Juízo sobre autorizações, registros, credenciamentos, atividades sujeitas a supervisão, procedimentos administrativos relevantes e eventuais patrimônios ou recursos de terceiros submetidos a regras especiais. O processo reúne 178 empresas requerentes, conforme registrado na decisão. A decisão é de caráter cautelar e foi tomada em análise preliminar, sem julgamento definitivo sobre eventuais responsabilidades de Cinelli. O processo tramita sob o número 5036987-68.2026.8.08.0024 e não está em segredo de Justiça. Defesa Em nota a imprensa, a defesa de Cinelli afirmou que “o empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade”.