Com média de 8,6, instituição supera indicadores nacionais e conquista o terceiro lugar no ranking brasileiro de desempenho O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Espírito Santo (SENAI ES) alcançou a nota 8,6 na edição de 2026 do Sistema de Avaliação da Educação Profissional (SAEP), divulgada na última terça-feira (27). O resultado é o maior já registrado pela instituição no Indicador de Desempenho da Avaliação Profissional (IDAP) e supera a meta nacional de 7,9, além das médias do SENAI Brasil e da região Sudeste, ambas de 8,1. A avaliação reuniu estudantes concluintes dos cursos técnicos dos ciclos 2025-2 e 2026-1. No Espírito Santo, participaram 1.989 alunos das provas objetivas e 1.101 das avaliações práticas, distribuídos por oito unidades de ensino e 14 cursos técnicos. Com o desempenho, o SENAI ES conquistou a terceira colocação nacional, atrás apenas de Rondônia e Sergipe. Os resultados mostram uma evolução nos últimos três anos. Em 2024, o indicador capixaba foi de 7,6, subindo para 7,9 em 2025 e chegando a 8,6 neste ano. Nas provas objetivas, a instituição obteve média de 8,1, enquanto nas avaliações práticas a nota chegou a 9,0. Entre os estudantes avaliados, 86% atingiram os níveis adequado ou avançado nas provas objetivas. Nas avaliações práticas, esse percentual foi de aproximadamente 94%. O indicador mede tanto o domínio dos conhecimentos técnicos quanto a capacidade dos alunos de aplicar o aprendizado em situações relacionadas ao ambiente industrial. Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, o desempenho reflete a importância da qualificação profissional para o setor produtivo. “Preparar profissionais com conhecimento técnico e capacidade de aplicar o que aprendem é fundamental para fortalecer a competitividade das empresas e contribuir para o desenvolvimento econômico do Espírito Santo”, afirmou. O diretor regional do SENAI ES e superintendente do SESI ES, Geferson Santos, atribuiu o resultado ao trabalho integrado de gestores, professores e equipes pedagógicas. Segundo ele, a avaliação demonstra que os estudantes estão desenvolvendo competências necessárias para atender às demandas da indústria capixaba. Realizada nacionalmente pelo SENAI, a Avaliação de Desempenho de Estudantes (ADE) integra o SAEP, que está em sua 17ª edição. A metodologia combina provas teóricas, atividades práticas e questionários para medir a aprendizagem e identificar oportunidades de melhoria na formação técnica.
Novas regras do MEI para 2027 ampliam faturamento e permitem perdão de dívidas
Lei sancionada em outubro prevê aumento gradual do limite de receita, contratação de até dois funcionários e benefícios para microempreendedores individuais Os microempreendedores individuais (MEIs) terão novas regras a partir de 2027. Sancionada no último dia 21 de outubro, a Lei Complementar nº 238/2026 amplia o limite anual de faturamento, permite a contratação de até dois funcionários e estabelece o perdão de determinadas dívidas federais. As mudanças buscam facilitar a regularização e o crescimento dos pequenos negócios. Segundo a contadora e consultora tributária e de benefícios fiscais Emanueli Cristini, uma das principais alterações é o aumento do teto de faturamento, atualmente fixado em R$ 81 mil por ano. O limite passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028, permitindo que mais empreendedores permaneçam enquadrados na categoria. Outra medida importante é o perdão das dívidas federais relativas às contribuições previdenciárias do MEI, com vencimento até 13 de outubro de 2026. O benefício contempla débitos administrados pela Receita Federal e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), incluindo valores parcelados ou inscritos na Dívida Ativa da União. A extinção dos débitos está prevista para 1º de janeiro de 2027. A legislação também amplia de um para dois o número de funcionários que poderão ser contratados pelo MEI. Outras iniciativas anunciadas pelo Governo Federal incluem a simplificação da emissão de notas fiscais para pessoas físicas e a possibilidade de apoio financeiro de até R$ 5 mil, mediante seleção, com prioridade para mulheres e empreendedores de menor faturamento. O que muda com o perdão das dívidas Emanueli destaca que os microempreendedores precisam observar as condições estabelecidas para a concessão do benefício. Entre os principais esclarecimentos estão: O perdão abrange as contribuições previdenciárias federais do MEI vencidas até 13 de outubro de 2026, inclusive juros, multas e encargos relacionados. Os débitos poderão estar sob administração da Receita Federal ou da PGFN, inclusive inscritos na Dívida Ativa da União. Dívidas parceladas, negociadas ou em cobrança judicial também estão contempladas, desde que atendam aos requisitos legais. Os valores já pagos não serão devolvidos ou compensados. O perdão não inclui o ICMS, de competência estadual, nem o ISS, de competência municipal. Esses tributos continuarão sujeitos à cobrança. Os períodos de contribuição previdenciária perdoados não serão automaticamente computados para fins de aposentadoria, exigindo atenção do empreendedor ao histórico de recolhimentos. A declaração anual de faturamento continua obrigatória, mesmo para quem tiver dívidas perdoadas. Dívidas bancárias não estão incluídas no perdão tributário. Sua renegociação depende de iniciativas específicas. Para preservar o benefício, o empreendedor deverá observar as exigências de regularidade dos recolhimentos posteriores previstas na legislação. Nos casos de dívidas protestadas, poderão permanecer despesas cartorárias não abrangidas pela remissão dos débitos federais. A contadora ressalta ainda que a regularização das pendências tributárias exige atenção especial de quem pretende retornar ao Simples Nacional ou solicitar o reenquadramento como MEI em janeiro de 2027. Empreendedores atualmente enquadrados no Simples Nacional que atendam ao novo limite de faturamento e às demais condições legais poderão solicitar o retorno à categoria de microempreendedor individual. Entretanto, a existência de pendências fiscais e as exigências para adesão ao regime precisam ser avaliadas individualmente. Para Emanueli, o planejamento tributário será fundamental durante a transição. A orientação é que os empreendedores acompanhem a regulamentação das medidas, mantenham suas declarações atualizadas e verifiquem a situação de seus débitos antes de solicitar alterações no enquadramento da empresa.
Dieta vegana pode trazer benefícios à saúde, mas exige cuidados com a reposição de nutrientes
No Dia Mundial do Veganismo, especialista explica como substituir alimentos de origem animal sem comprometer o equilíbrio nutricional Celebrado neste domingo (1º), o Dia Mundial do Veganismo chama a atenção para os benefícios e os cuidados necessários na adoção de uma alimentação sem produtos de origem animal. Rica em vegetais, frutas, grãos e leguminosas, a dieta vegana pode contribuir para a saúde intestinal, o controle do colesterol e o equilíbrio metabólico. No entanto, a exclusão de carnes, ovos, leite e derivados exige planejamento para evitar deficiências nutricionais. Segundo a endocrinologista e metabologista Gisele Lorenzoni, uma alimentação vegana bem estruturada pode aumentar o consumo de fibras, vitaminas, minerais e outros compostos benéficos ao organismo. A especialista ressalta, porém, que retirar alimentos de origem animal não significa, necessariamente, adotar uma dieta saudável. Os resultados dependem da qualidade e da variedade dos alimentos consumidos. Entre os principais benefícios está o maior consumo de fibras, presentes em feijão, lentilha, grão-de-bico, aveia, frutas e cereais integrais. Esses alimentos favorecem o funcionamento intestinal, prolongam a sensação de saciedade e podem auxiliar no controle da glicemia e do colesterol. A substituição de carnes gordurosas por fontes vegetais de proteína também pode reduzir a ingestão de gorduras saturadas. “Do ponto de vista metabólico, vale observar o que entra no lugar dos alimentos retirados. A substituição de carnes por feijões, lentilha, grão-de-bico, ervilha, soja e derivados permite manter fontes importantes de proteína e acrescenta fibras à alimentação. Por outro lado, trocar refeições completas por produtos ultraprocessados, ricos em sódio, açúcar ou gordura, pode comprometer os benefícios esperados”, explica Gisele. Substituição da carne exige planejamento Um dos principais cuidados envolve a reposição dos nutrientes encontrados nos alimentos de origem animal, especialmente proteínas, ferro, zinco e vitamina B12. Leguminosas, tofu, soja e seus derivados são alternativas para compor as refeições. A combinação de arroz com feijão, por exemplo, fornece aminoácidos essenciais e contribui para uma alimentação equilibrada. O ferro também merece atenção, já que sua absorção a partir de alimentos vegetais costuma ser menor do que a do ferro presente nas carnes. Para melhorar o aproveitamento desse mineral, a orientação é combinar alimentos como feijão, lentilha e vegetais verde-escuros com fontes de vitamina C, como laranja, acerola, goiaba e pimentão. A vitamina B12 é um dos nutrientes que exigem maior atenção. Essencial para a formação das células sanguíneas e o funcionamento do sistema nervoso, ela não é fornecida em quantidades confiáveis por alimentos vegetais não fortificados. Por isso, pessoas veganas precisam assegurar sua ingestão por meio de suplementação ou alimentos fortificados adequados, com orientação profissional. Cálcio, vitamina D, iodo, zinco e ômega-3 também devem ser considerados no planejamento alimentar. “A vitamina B12 é um dos principais pontos de atenção na alimentação vegana. Não é seguro presumir que o organismo terá reservas suficientes apenas porque a pessoa se sente bem ou não apresenta sintomas. A necessidade de suplementação e de exames deve ser avaliada individualmente, assim como a adequação de outros nutrientes”, alerta a médica. O acompanhamento profissional é especialmente importante durante a gestação, amamentação, infância e envelhecimento, além de situações envolvendo doenças crônicas ou necessidades nutricionais específicas. A endocrinologista também lembra que a dieta vegana não provoca emagrecimento automaticamente, já que o peso corporal depende de fatores como consumo calórico, atividade física, sono e condições de saúde. “Uma alimentação baseada em vegetais pode ser compatível com a promoção da saúde, mas precisa ser planejada de acordo com as necessidades de cada pessoa. O objetivo não deve ser apenas retirar alimentos, e sim construir uma rotina alimentar variada, suficiente e sustentável a longo prazo”, conclui Gisele Lorenzoni.