No Dia Mundial do Veganismo, especialista explica como substituir alimentos de origem animal sem comprometer o equilíbrio nutricional
Celebrado neste domingo (1º), o Dia Mundial do Veganismo chama a atenção para os benefícios e os cuidados necessários na adoção de uma alimentação sem produtos de origem animal. Rica em vegetais, frutas, grãos e leguminosas, a dieta vegana pode contribuir para a saúde intestinal, o controle do colesterol e o equilíbrio metabólico. No entanto, a exclusão de carnes, ovos, leite e derivados exige planejamento para evitar deficiências nutricionais.
Segundo a endocrinologista e metabologista Gisele Lorenzoni, uma alimentação vegana bem estruturada pode aumentar o consumo de fibras, vitaminas, minerais e outros compostos benéficos ao organismo. A especialista ressalta, porém, que retirar alimentos de origem animal não significa, necessariamente, adotar uma dieta saudável. Os resultados dependem da qualidade e da variedade dos alimentos consumidos.
Entre os principais benefícios está o maior consumo de fibras, presentes em feijão, lentilha, grão-de-bico, aveia, frutas e cereais integrais. Esses alimentos favorecem o funcionamento intestinal, prolongam a sensação de saciedade e podem auxiliar no controle da glicemia e do colesterol. A substituição de carnes gordurosas por fontes vegetais de proteína também pode reduzir a ingestão de gorduras saturadas.
“Do ponto de vista metabólico, vale observar o que entra no lugar dos alimentos retirados. A substituição de carnes por feijões, lentilha, grão-de-bico, ervilha, soja e derivados permite manter fontes importantes de proteína e acrescenta fibras à alimentação. Por outro lado, trocar refeições completas por produtos ultraprocessados, ricos em sódio, açúcar ou gordura, pode comprometer os benefícios esperados”, explica Gisele.
Substituição da carne exige planejamento
Um dos principais cuidados envolve a reposição dos nutrientes encontrados nos alimentos de origem animal, especialmente proteínas, ferro, zinco e vitamina B12. Leguminosas, tofu, soja e seus derivados são alternativas para compor as refeições. A combinação de arroz com feijão, por exemplo, fornece aminoácidos essenciais e contribui para uma alimentação equilibrada.
O ferro também merece atenção, já que sua absorção a partir de alimentos vegetais costuma ser menor do que a do ferro presente nas carnes. Para melhorar o aproveitamento desse mineral, a orientação é combinar alimentos como feijão, lentilha e vegetais verde-escuros com fontes de vitamina C, como laranja, acerola, goiaba e pimentão.
A vitamina B12 é um dos nutrientes que exigem maior atenção. Essencial para a formação das células sanguíneas e o funcionamento do sistema nervoso, ela não é fornecida em quantidades confiáveis por alimentos vegetais não fortificados. Por isso, pessoas veganas precisam assegurar sua ingestão por meio de suplementação ou alimentos fortificados adequados, com orientação profissional. Cálcio, vitamina D, iodo, zinco e ômega-3 também devem ser considerados no planejamento alimentar.
“A vitamina B12 é um dos principais pontos de atenção na alimentação vegana. Não é seguro presumir que o organismo terá reservas suficientes apenas porque a pessoa se sente bem ou não apresenta sintomas. A necessidade de suplementação e de exames deve ser avaliada individualmente, assim como a adequação de outros nutrientes”, alerta a médica.
O acompanhamento profissional é especialmente importante durante a gestação, amamentação, infância e envelhecimento, além de situações envolvendo doenças crônicas ou necessidades nutricionais específicas. A endocrinologista também lembra que a dieta vegana não provoca emagrecimento automaticamente, já que o peso corporal depende de fatores como consumo calórico, atividade física, sono e condições de saúde.
“Uma alimentação baseada em vegetais pode ser compatível com a promoção da saúde, mas precisa ser planejada de acordo com as necessidades de cada pessoa. O objetivo não deve ser apenas retirar alimentos, e sim construir uma rotina alimentar variada, suficiente e sustentável a longo prazo”, conclui Gisele Lorenzoni.
