Seis mulheres foram eleitas para a legislatura 2027–2030. Três delas estreiam na Casa, que terá um quinto das vagas ocupadas por parlamentares; mandatos começam em 1º de fevereiro.
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) terá seis mulheres entre os 30 parlamentares da próxima legislatura. A bancada feminina, que hoje tem quatro deputadas, alcançará 20% das vagas e será a maior da história do Parlamento capixaba. O recorde anterior foi registrado em 2002, quando cinco mulheres foram eleitas.
Camila Valadão (Psol), Janete de Sá (PSB) e Raquel Lessa (PP) foram reeleitas. Com 61.501 votos, Camila obteve a maior votação entre os deputados estaduais eleitos. Assim como em 2022, ela voltou a ser a mulher mais votada da história da Ales.

“O número de mulheres eleitas para a Assembleia é um feito histórico! A Assembleia Legislativa existe há 190 anos e, até aqui, apenas 17 mulheres haviam sido eleitas. Pela primeira vez, uma mulher ocupa o posto de candidatura mais votada do Estado e também teremos uma presença feminina maior nesse espaço”, comemorou.
Camila afirmou que o avanço ainda precisa ser acompanhado de medidas para ampliar a presença das mulheres nos espaços de poder. “Tenho certeza de que, com a chegada dessas novas mulheres, teremos mais força para cobrar e construir direitos para as mulheres capixabas em diferentes áreas. Fico muito feliz com esse resultado e entendo que ele expressa a ruptura de um conjunto de barreiras e preconceitos que as mulheres ainda enfrentam na política. Sem dúvida, essa nova composição também vai provocar mudanças no Legislativo”, disse.
Janete de Sá também alcançou um marco: exercerá o sétimo mandato consecutivo na Assembleia, tornando-se a mulher com mais mandatos na história da Casa. Para a deputada, a confiança dos eleitores representa orgulho e responsabilidade.

“Ser a única mulher na história do nosso Estado a alcançar sete mandatos consecutivos mostra a força da nossa caminhada. Cada um desses 32.033 mil votos representa o reconhecimento de décadas de dedicação ao povo capixaba. Agradeço de coração a cada família, a cada apoiador que caminhou ao nosso lado. Seguirei na Assembleia com a mesma energia, coragem e firmeza para honrar essa história e defender os que mais precisam”, garantiu.
A deputada disse que pretende continuar trabalhando por áreas como saúde pública, direitos das mulheres e das famílias, servidores públicos, juventude, agricultura e proteção animal. “O nosso compromisso permanece inalterado: trabalhar incansavelmente pela saúde pública, pela defesa dos direitos das mulheres e das famílias, pela classe dos servidores públicos, pela juventude, pela agricultura do nosso interior e, com muito rigor, pela proteção e dignidade dos animais. Este novo mandato é do povo capixaba. Muito obrigada pelo carinho e pela confiança renovada”, ressaltou.
Raquel Lessa, que recebeu 29.583 votos, foi reeleita para o quarto mandato consecutivo. Ela destacou a proximidade com os eleitores durante a campanha e a prestação de contas do trabalho realizado.

“Fizemos uma campanha colorida, alegre, próxima das pessoas e, ao mesmo tempo, muito consciente do nosso papel como representantes dos interesses dos capixabas. Foi uma campanha de rua, de olho no olho, de abraço e de escuta. Tivemos a oportunidade de prestar contas dos nossos mandatos, mostrar resultados e dizer ao Espírito Santo que queremos continuar esse trabalho”, comentou.
A deputada também ressaltou a importância da participação feminina na política. “Aquilo que defendemos tantas vezes nas caminhadas acabou se refletindo no resultado das urnas. Éramos quatro mulheres e, na próxima legislatura, seremos seis. Isso me deixa muito feliz. Mais mulheres na política significam mais projetos pensados para nós, mais olhares, mais experiências e mais vozes ajudando a construir uma história verdadeiramente democrática e representativa”, completou.
Três estreantes
Karla Coser (PT), Açucena (PT) e Jeesala Coutinho (MDB) assumirão o primeiro mandato na Assembleia. Vereadora de Vitória em segundo mandato, Karla recebeu 51.306 votos. Ela é filha do deputado estadual João Coser (PT), eleito para a Câmara dos Deputados.

“Eu quero que o Espírito Santo tenha a nossa cara, a cara da mulher, da mãe solo, da trabalhadora, das pessoas negras, das pessoas LGBT+, a cara dos servidores públicos. Eu acredito que é possível fazer política de um jeito diferente e é por isso que eu entrei para a política institucional. Eu sigo acreditando nisso. Obrigada a cada uma das 51.306 pessoas que acreditam que o Espírito Santo tem que ser mais humano, sustentável e melhor para meninas e mulheres”, afirmou.
Açucena é vereadora de primeiro mandato em Cariacica. Ela lembrou que, embora as mulheres sejam maioria da população capixaba, ainda ocupam poucos espaços de decisão.

“Nós, mulheres, somos a maioria do nosso Estado. Usamos os serviços públicos, conhecemos a realidade da educação, da saúde, cuidamos das famílias e do trabalho doméstico. Ainda assim, nos espaços de decisão e poder, somos a grande minoria. Ampliar a bancada feminina na Assembleia, ainda que de forma sutil, é um sintoma da necessidade do povo e das mulheres capixabas se verem também representadas nesse espaço de poder”, frisou.
Jeesala Coutinho foi eleita com 26.734 votos e conquistou seu primeiro mandato eletivo. Filha do prefeito reeleito de Aracruz, Dr. Coutinho, ela já ocupou o cargo de secretária municipal de Gestão Estratégica. Para a futura deputada, uma bancada feminina maior pode contribuir para a discussão de políticas públicas voltadas às diferentes necessidades das mulheres.

“Acredito que a gente ter uma bancada feminina maior vai contribuir muito na discussão das políticas públicas importantes e das legislações como um todo. As leis que podem realmente dar suporte para essas mulheres que são tão guerreiras, como as mães solos, que a gente sabe que é uma realidade em nosso estado”, destacou.
Ela também defendeu que as políticas públicas considerem as diferentes realidades das mulheres. “Por exemplo, uma mulher mãe de um autista tem uma necessidade, aquela que sofre violência doméstica tem outra. A gente tem que entender que nenhuma política pública atende a todos os nichos. As políticas têm que ser diversificadas para poder chegar na ponta, vendo a dor de cada uma e como a gente pode avançar. Ser muito generalista acaba deixando alguém para trás. Então, a gente precisa ter esse olhar atento para as mais diversas necessidades das mulheres’, concluiu.
Mulheres são 53% do eleitorado
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres representam aproximadamente 53% do eleitorado do Espírito Santo, com 1.578.618 eleitoras. Essa proporção, porém, nem sempre se reflete na ocupação dos cargos públicos, como mostra o histórico da Assembleia Legislativa.
Antes da próxima legislatura, o maior número de mulheres eleitas para a Ales havia sido registrado em 2002, quando conquistaram cinco cadeiras Sueli Vidigal (PDT), Fátima Couzi (PPB), Mariazinha Vellozo Lucas (PSDB), Brice Bragato (PT) e Janete de Sá (PSB).
