No artigo anterior, vimos que a forma da cidade não é resultado apenas de suas características físicas. Antes que um edifício apareça na paisagem, uma série de decisões já determinou aquilo que poderia ser construído naquele território. Planos Diretores, legislações urbanísticas, infraestrutura, investimentos e condições de mercado ajudam a estabelecer diferentes possibilidades de transformação. Existe, entretanto, uma segunda dimensão desse processo que merece atenção: depois que essas escolhas são realizadas, construímos também uma narrativa capaz de explicar aquilo que aconteceu. É nesse campo que algumas expressões bastante familiares começam a ganhar importância. Uma região se torna um “novo vetor de desenvolvimento”, determinado bairro “descobre sua vocação”, uma área passa por um processo de “revitalização” ou uma nova centralidade “surge” na cidade. No mercado imobiliário, novos empreendimentos frequentemente são apresentados como consequência de uma transformação que já estaria em curso; no discurso público, investimentos podem ser anunciados como respostas ao crescimento de determinada região; e, na imprensa, mudanças urbanas acabam resumidas pela constatação de que um bairro está crescendo ou se valorizando. Nenhuma dessas expressões é necessariamente incorreta. O que interessa é perceber a narrativa que, quando repetida, elas ajudam a construir. Quando dizemos que determinada região descobriu sua “vocação para verticalização”, por exemplo, a frase sugere a existência de uma característica que sempre esteve presente naquele território, esperando apenas o momento adequado para se manifestar. Entretanto, aquilo que chamamos de vocação pode ser resultado de uma combinação muito concreta de infraestrutura, localização, demanda, legislação, disponibilidade de terrenos e capacidade de investimento. A verticalização pode ser uma resposta coerente a essas condições, mas isso não significa que estivesse previamente inscrita no território. Entre dizer que uma região apresenta condições favoráveis para determinada transformação e afirmar que aquela transformação constitui sua vocação existe uma diferença pequena na linguagem, mas importante na maneira como compreendemos a cidade. Essa diferença se torna ainda mais evidente quando observamos a forma como utilizamos o verbo “crescer”. Um organismo cresce a partir de processos biológicos internos; uma cidade cresce porque determinadas condições materiais, econômicas, jurídicas e políticas tornam seu crescimento possível. Quando utilizamos a mesma estrutura narrativa para explicar os dois fenômenos, podemos acabar atribuindo às transformações urbanas uma inevitabilidade que elas não possuem. A verticalização passa de uma possibilidade de ocupação para uma etapa natural do desenvolvimento, enquanto a valorização de uma região deixa de ser relacionada às condições que contribuíram para produzi-la e passa a parecer consequência espontânea de sua própria evolução. Não se trata de questionar a legitimidade do desenvolvimento urbano ou de imaginar que toda transformação esconda algum interesse ilegítimo. Incorporadores procuram oportunidades de investimento, governos buscam direcionar o desenvolvimento, proprietários procuram utilizar seus imóveis e moradores desejam cidades capazes de oferecer melhores condições de vida. Esses interesses fazem parte da produção urbana e frequentemente podem convergir. O problema surge quando a narrativa sobre a transformação elimina justamente a existência dessas escolhas e passa a apresentar seu resultado como a única consequência possível das condições existentes. Talvez seja justamente nessa distância entre a transformação que observamos e os processos que conseguimos reconhecer que a alienação urbana se manifeste com maior clareza. Não como desconhecimento ou desinteresse pela cidade: podemos conhecer profundamente nossos bairros, acompanhar novos empreendimentos, perceber mudanças no comércio, discutir mobilidade e reconhecer rapidamente quais regiões estão se valorizando. A questão está em outra dimensão. Conhecemos cada vez melhor a cidade transformada, enquanto os processos sociais, econômicos e políticos que produzem essa transformação permanecem menos evidentes. Vemos com clareza o resultado, mas nem sempre reconhecemos a sucessão de escolhas que tornou aquele resultado possível. Essa distância altera também as perguntas que fazemos. Se uma região simplesmente possui “vocação” para determinada ocupação, resta descobrir como atender a essa vocação. Se determinado eixo é naturalmente o próximo vetor de crescimento, resta preparar a cidade para recebê-lo. Mas, se reconhecemos essas transformações como possibilidades construídas, outras perguntas aparecem: por que crescer nessa direção? Quais condições produziram essa oportunidade? Que infraestrutura tornou esse desenvolvimento possível? Quais alternativas existiam? E, principalmente, quem participou da definição dessas escolhas? Talvez a linguagem seja tão importante para compreender a cidade justamente porque ela não apenas descreve aquilo que vemos; ela organiza a maneira como interpretamos aquilo que vemos. Quando um processo urbano passa a ser percebido como natural, deixamos gradualmente de enxergá-lo como uma escolha. E, quando uma escolha deixa de ser reconhecida como escolha, também se torna mais difícil perceber que poderíamos participar dela. A questão que permanece, portanto, não é apenas quem produz a cidade ou como aprendemos a narrar suas transformações. Se reconhecemos que sua forma resulta de escolhas e que essas escolhas podem desaparecer por trás de uma aparente naturalidade, precisamos avançar para uma questão anterior à própria participação: todos possuem as mesmas condições para compreender aquilo que está sendo decidido? PARTE 3: SÉRIE: A CIDADE NÃO CRESCE SOZINHA
Prazo para adesão ao Simples Nacional é prorrogado até 15 de outubro
Micro e pequenas empresas terão mais 15 dias para solicitar ingresso ou retorno ao regime para 2027 Micro e pequenas empresas que pretendem optar pelo Simples Nacional em 2027 terão até 15 de outubro para fazer a solicitação. O prazo terminaria em 30 de setembro e foi prorrogado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). As opções passam a valer em 1º de janeiro de 2027. As empresas que tiverem débitos ou outras pendências que impeçam o ingresso no regime poderão regularizar a situação até 30 de outubro. Esse prazo vale independentemente da data em que o pedido de adesão foi feito. A adesão ao Simples Nacional é diferente da opção pelo recolhimento regular do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributos previstos na Reforma Tributária. Empresas que permanecerem no Simples e quiserem recolher o IBS e a CBS pelo regime regular também terão até 30 de outubro para fazer essa escolha. Segundo a assessora do Sebrae/ES, Adriana Rocha, o prazo ampliado permite que os pequenos negócios avaliem a situação tributária antes de tomar uma decisão. “Diante das transformações provocadas pela Reforma Tributária, a orientação é que os empresários não deixem a decisão para a última hora e busquem entender qual alternativa é mais adequada à realidade de cada negócio”, destacou. A consultora do Sebrae/ES Mabieli Seccon também recomenda que os empreendedores usem o período para analisar as opções. “Com a mudança na data o empresário ganhou mais tempo para avaliar o Simples Híbrido e se preparar para a Reforma Tributária. O prazo mudou, mas a importância da decisão não”, ressaltou. Fique atento às datas 15 de outubro de 2026: prazo final para solicitar ingresso ou retorno ao Simples Nacional em 2027. 30 de outubro de 2026: prazo para regularizar pendências que impeçam a entrada no regime. 30 de outubro de 2026: prazo para empresas do Simples optarem pelo recolhimento regular do IBS e da CBS. As opções passam a valer em 1º de janeiro de 2027.
Dia das Crianças terá shows e atividades infantis no Parque da Prainha
Vila Kids será realizado em 12 de outubro, com apresentações musicais, gastronomia e feira de artesanato O Parque da Prainha, em Vila Velha, receberá no dia 12 de outubro o Vila Kids, evento gratuito em comemoração ao Dia das Crianças. A programação será das 9h às 17h e incluirá atrações infantis, apresentações musicais, espaço gastronômico e feira de artesanato. A realização é da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Vila Velha. As atividades serão divididas em dois períodos. Pela manhã, das 9h às 12h, se apresentam Le Peppe Circus, Disquinho Voador e Regionalzinho da Nair. À tarde, das 13h às 17h, a programação terá Show da Luna, Le Peppe Circus e Turma Tube. O evento também contará com opções de comidas doces e salgadas e com a participação de artesãos locais. A feira reunirá peças de cerâmica, madeira e tecido, além de bijuterias. “O Vila Kids foi pensado para que as crianças e suas famílias possam ocupar o Parque da Prainha e aproveitar um dia de programação gratuita. Reunimos música, atividades, gastronomia e artesanato em uma programação que contempla diferentes idades e momentos ao longo do dia”, afirma o secretário de Cultura, Felipe Marques Fonseca. Serviço Vila Kids – Edição Dia das Crianças 2026 Data: 12 de outubro de 2026 Horário: das 9h às 17h Local: Parque da Prainha, Vila Velha
Hotel Senac Ilha do Boi promove aula-show e jantar inspirados em Picasso
Programação nos dias 14 e 15 de outubro une gastronomia espanhola, arte e celebração dos 80 anos do Sesc e do Senac O Hotel Senac Ilha do Boi preparou duas experiências que combinam gastronomia, cultura e arte. A programação, inspirada na exposição Picasso, a construção de um gênio, inclui uma aula-show gratuita no dia 14 e um jantar temático no dia 15 de outubro. A aula-show “Da Tela à Taça: Uma Noite com Pablo Picasso” começa às 18h30, no restaurante do hotel, e terá duas horas de duração. A atividade será conduzida pelo sommelier Franklin Bittencourt e pelos chefs Ádila Vitória e João Vieira, com demonstrações de técnicas culinárias e referências à gastronomia espanhola. O preparo de uma paella está entre os destaques. A participação é gratuita, mediante pré-inscrição e confirmação de disponibilidade. As vagas são limitadas. No dia seguinte, às 19h, o hotel recebe o jantar temático de cinco etapas, harmonizado e inspirado na culinária espanhola e no universo artístico de Picasso. A experiência será conduzida por Franklin Bittencourt, pelos chefs Ádila Vitória e João Vieira, pela sous-chef Mônica Gonçalves e pelos instrutores de Gastronomia Mariana Salim e Bruno Dede. O menu começa com um trio de tapas: tomate com alcaparras, carne cruda com anchovas e manchego e figo com mel. Na entrada, será servido crudo de robalo no ají, acompanhado de picles de cebola roxa, supreme de laranja e azeite de clorofila. Entre os pratos principais estão o pulpo alla galega, com tentáculos de polvo em molho romanesco, batatas mediterrâneas e salada de ervas frescas, e o rabo de toro prensado, acompanhado de purê de manchego, tempurá de agrião e picles de rabanete. A sobremesa será torrija de leche, conhecida como “rabanada espanhola”, com gelato de maçãs carameladas e crumble de amêndoas. A receita leva brioche frita embebida em creme aromatizado com canela, laranja, limão e açúcar. A programação integra as comemorações dos 80 anos do Sesc e do Senac. A proposta é reunir gastronomia, conhecimento e referências culturais em experiências abertas ao público. Serviço Aula-show “Da Tela à Taça: Uma Noite com Pablo Picasso” Data: 14 de outubro de 2026, quarta-feira, às 18h30 Local: Restaurante do Hotel Senac Ilha do Boi Duração: duas horas Participação gratuita, mediante pré-inscrição e confirmação de vaga Vagas limitadas Condução: sommelier Franklin Bittencourt e chefs Ádila Vitória e João Vieira Inscrições: Aula-Show Jantar “Da Tela à Taça: Uma Noite com Pablo Picasso” Data: 15 de outubro, às 19h Local: Restaurante do Hotel Senac Ilha do Boi Formato: jantar temático de cinco etapas harmonizado Valor: R$ 600 por pessoa Condução: sommelier Franklin Bittencourt, chefs Ádila Vitória e João Vieira, sous-chef Mônica Gonçalves e instrutores de Gastronomia Mariana Salim e Bruno Dede Reservas: WhatsApp (27) 99958-9406 | vendas@hotelilhadoboi.com.br