Dirigente afirma que partido vai se reorganizar no Estado e projeta eleger até três deputados estaduais em 2026 O Mobiliza — antigo Partido da Mobilização Nacional (PMN) — tem novo comando no Espírito Santo. O dirigente Edinho Maioli assumiu oficialmente a presidência estadual da sigla nesta quarta-feira (29), com a meta de fortalecer a legenda e ampliar sua presença política no Estado. Natural de Guarapari, Maioli é conhecido por sua atuação em organização partidária e campanhas eleitorais. Ele já passou por siglas como o PV e o Solidariedade, além de ter participado da estruturação do Podemos no Espírito Santo entre 2017 e 2022. Ao assumir a presidência, o dirigente afirmou que o Mobiliza pretende disputar as eleições de 2026 com chapas competitivas para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal. “Minha missão é entregar de dois a três deputados estaduais, além de montar a chapa de federal em 2026. Já temos algumas conversas avançadas e, em breve, iniciaremos as filiações. Estou bastante motivado”, declarou Edinho Maioli.
Especialista ensina estratégias mentais para um Enem mais leve e produtivo
Rotina equilibrada, sono de qualidade e autocuidado estão entre as principais recomendações Com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e de outros vestibulares, cresce a ansiedade entre os estudantes. O desafio, porém, vai além do conteúdo cobrado nas provas: envolve também o preparo emocional para lidar com a pressão, o cansaço e as expectativas. A professora Catiane Morales (foto), do curso de Psicologia da Estácio, explica que cuidar da mente é tão importante quanto revisar as matérias. “São exames extensos, com alto grau de exigência e que costumam representar um marco decisivo na trajetória de quem os realiza. Diante disso, é fundamental pensar em estratégias que tornem esse momento menos traumático, mais proveitoso e com melhores resultados”, afirma. Segundo a docente, provas de grande repercussão costumam gerar ansiedade, estresse e cobranças excessivas — fatores que podem comprometer o desempenho. “Reconhecer os próprios limites é uma das dicas mais importantes. Dedicar-se aos estudos com antecedência é essencial, mas também pode ser exaustivo. É importante valorizar o próprio esforço e respeitar os sinais de cansaço, intercalando os estudos com momentos de lazer e descanso. O cuidado deve ser para não inverter a lógica e acabar procrastinando, o que gera desespero na reta final”, orienta. Catiane ressalta que estabelecer uma rotina equilibrada é uma estratégia poderosa. “Crie um planner com horários dedicados ao estudo, às tarefas diárias, ao lazer e ao descanso. Tente seguir esse planejamento com disciplina, mas com realismo: metas inalcançáveis tendem a gerar frustração. Por isso, defina objetivos compatíveis com sua rotina e com o tempo que você leva para absorver os conteúdos”, recomenda. A especialista alerta ainda para o impacto do uso excessivo das redes sociais. “O consumo constante de conteúdos curtos treina o cérebro para períodos curtos de atenção, o que pode prejudicar o desempenho em provas longas como o Enem”, explica. Para ilustrar a importância de preparar a mente, a professora faz uma analogia: “O cérebro humano tem uma plasticidade admirável, ou seja, a capacidade de se adaptar e aprender. Pense nele como um músculo: se você não pratica musculação, suporta apenas cargas leves e sente dores após o esforço. O mesmo vale para a mente. Para enfrentar uma prova exigente, é preciso treinar a concentração e a leitura. Uma boa dica é incluir leituras prazerosas na rotina, transformando esse hábito em uma recompensa pelos momentos de estudo”, orienta. Outros fatores também são determinantes para o bom desempenho, como alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e boas horas de sono. “Dormir bem é parte essencial do processo de consolidação da memória e do aprendizado. Aposte no equilíbrio entre essas práticas. Chegar preparado, sem se submeter a altos níveis de estresse e cobrança, aumenta a confiança e reduz o risco de nervosismo extremo ou crises de ansiedade”, finaliza. Onde reforçar e treinar o conteúdo na reta final Para quem busca reforçar os estudos e revisar os conteúdos antes da prova, há diversas plataformas gratuitas disponíveis. O Enem Action oferece simulados, e-books, planos de estudo e avaliação de redação. Já o Prisma, iniciativa do Instituto Yduqs em parceria com a QConcursos, reúne aulas teóricas, questões práticas e análise de desempenho — com mais de 155 mil estudantes cadastrados. Outra opção é o Enem na MatérI.A., criado pela Estácio, que une o conhecimento de professores a recursos de inteligência artificial para transformar tendências das redes sociais em conteúdo educativo. O MEC Enem, lançado pelo Ministério da Educação, também oferece simulados, trilhas de estudo, correção automática de redações e um assistente virtual para acompanhar o desempenho dos estudantes. Serviço Enem Action: enemaction.com.br Prisma: institutoyduqs.com.br/prisma Enem na MatérI.A.: enemnamateria.com.br MEC Enem: app.mecenem.mec.gov.br/onBoarding
Espírito Santo lidera o crescimento nacional em restaurantes, lazer e serviços pessoais
Alta de 13,5% no acumulado até agosto é mais que o dobro da registrada por Santa Catarina, segundo o IBGE. Segmento inclui alimentação fora de casa, turismo interno, academias, salões de beleza e entretenimento O lazer, os cuidados pessoais e a alimentação fora de casa estão movimentando a economia capixaba. O Espírito Santo conquistou a liderança nacional no crescimento dos serviços voltados às famílias — que incluem restaurantes, hotéis, academias e atividades culturais — com alta de 13,5% no acumulado entre agosto de 2024 e agosto de 2025. O resultado é mais que o dobro do registrado por Santa Catarina (6,2%) e Paraná (5,1%), que aparecem logo atrás no ranking. O desempenho reflete o vigor do consumo presencial no Estado, impulsionado pela expansão do turismo interno, da gastronomia e de serviços ligados ao bem-estar e ao entretenimento. As análises são do Connect Fecomércio-ES, com base nos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “As atividades voltadas ao lazer, à alimentação fora de casa e aos cuidados pessoais estão sustentando o dinamismo da economia capixaba. O Espírito Santo vive um momento de consolidação do turismo interno e da valorização do consumo local, fatores que vêm fortalecendo o mercado de serviços”, explicou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES. Segundo Spalenza, o protagonismo capixaba nesse segmento é resultado de uma combinação de fatores sazonais e estruturais. “A retomada das atividades presenciais e o retorno de eventos, viagens e festividades impulsionaram o setor. Ao mesmo tempo, há uma mudança de comportamento: as famílias estão priorizando experiências, e isso se reflete diretamente na demanda por serviços de qualidade”, destacou. Os serviços voltados às famílias incluem alojamento e alimentação (como hotéis, pousadas, bares e restaurantes) e também outros voltados ao consumo final, como salões de beleza, academias, clínicas de estética, lavanderias, teatros, cinemas e parques. Trata-se de um segmento que responde rapidamente às variações de renda e mobilidade da população, sendo fortemente influenciado por férias, feriados e eventos culturais. De forma geral, o setor de serviços capixaba apresentou leve retração de 1,2% em agosto, em relação a julho, após cinco meses consecutivos de crescimento. O índice de volume de serviços ficou em 113,85 pontos, acima da média nacional (109,49). Apesar da queda pontual, o resultado não altera o cenário positivo de estabilização em patamar elevado, consolidado ao longo de 2025. “O recuo é um ajuste natural após meses de crescimento. O setor segue em um nível alto de atividade e mantém bases sólidas de consumo e investimento”, avaliou Spalenza. No acumulado do ano, o desempenho geral do setor de serviços no Espírito Santo está estável (0%). O comportamento reflete uma base comparativa elevada e a concentração do crescimento em nichos específicos, como o de serviços voltados às famílias e o de transportes e correios, que registrou alta de 3,1% e são mais sensíveis às variações da demanda. Mesmo diante dessa moderação, o Espírito Santo se mantém entre os estados com o setor de serviços mais dinâmico e competitivo do país. “O consumo presencial e o turismo continuam sendo os grandes motores da economia capixaba. Essa combinação cria oportunidades para atividades de maior valor agregado e impulsiona a geração de renda e empregos”, concluiu o coordenador. A pesquisa completa, com os dados detalhados, pode ser acessada no portal portaldocomercio-es.com.br. Sobre o Sistema Fecomércio-ES A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no Estado e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades, presença em todos os municípios capixabas e ações itinerantes e on-line, o sistema atua em parceria com 24 sindicatos empresariais, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico do Espírito Santo. O projeto Connect é uma iniciativa da Fecomércio-ES em parceria com a Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e da Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI).
Governo do Estado aciona plano de contingência após operação no Rio de Janeiro
O Governo do Espírito Santo colocou em prática o plano de contingência elaborado, de forma preventiva, para monitorar possíveis movimentações de integrantes de facções criminosas após a Operação Contenção, deflagrada pelas forças policiais do Rio de Janeiro. A medida, formulada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), foi apresentada nesta quinta-feira (30) pelo governador Renato Casagrande e pelo vice-governador Ricardo Ferraço, coordenador do Programa Estado Presente em Defesa da Vida. O objetivo é estabelecer um fluxo integrado de informações de inteligência entre agências federais e estaduais, a fim de identificar eventuais fugas para o Espírito Santo — tanto de criminosos que atuam no Rio quanto de indivíduos capixabas escondidos em território fluminense com intenção de retornar. “Estamos desde o ocorrido avaliando a repercussão e se é necessária alguma retenção. As nossas agências de inteligência estão integradas, tanto do Governo do Estado quanto do Governo Federal. Estamos acompanhando as divisas com a Polícia Rodoviária Federal. É bom destacar que, na verdade, as lideranças criminosas daqui estão migrando para o Rio de Janeiro, pois sabem que aqui são grandes as chances de serem presas. E já adianto: se tentarem voltar, serão alcançadas. O Espírito Santo está mostrando o jeito de fazer segurança pública que produz efeito para o cidadão, com inteligência e tecnologia, operações cirúrgicas, prisões de lideranças, além do trabalho social”, afirmou Casagrande. De acordo com os levantamentos das agências de inteligência, até o momento não há qualquer indicativo de migração de criminosos para o Espírito Santo após a operação realizada na terça-feira (28) nos Complexos do Alemão e da Penha. As rodovias que cortam os municípios de Presidente Kennedy, Mimoso do Sul, Apiacá, Bom Jesus do Norte, São José do Calçado e Guaçuí — que fazem divisa com o Rio de Janeiro — estão com o monitoramento reforçado, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal. “Assim que tomamos conhecimento da operação na cidade do Rio de Janeiro, nosso núcleo do Estado Presente está atento aos desdobramentos e mobilizado. A integração das forças de segurança permite recebermos informações precisas e estratégicas do que acontece lá para estruturarmos nossas ações aqui. Nosso plano de contingência já está em operação, tático e estratégico. A estrutura de segurança pública do nosso Estado está pronta. Bandidos fogem do Espírito Santo para buscar abrigo em outros estados porque sabem que aqui nossas polícias irão alcançá-los e prendê-los. Eles sabem bem dessa atuação efetiva das nossas forças”, destacou o vice-governador Ricardo Ferraço. O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, reforçou que o Espírito Santo é considerado um território hostil para criminosos e que não há, até o momento, qualquer tendência de migração para o Estado. “Aqui, os bandidos não se criam. Temos exemplos recentes de líderes de facções criminosas do Estado que resolveram voltar, por algum motivo, do Rio de Janeiro, e foram capturados. Marujo, irmãos Vera, Boca de Lata — alguns chefes que estavam há tempos escondidos no estado vizinho e, quando precisaram vir, em poucos dias estavam na cadeia. Nosso governador e vice-governador nos exigiram um monitoramento profundo para identificar se há qualquer possibilidade de vinda de bandidos para cá e, até o momento, não temos esse indicativo. Porém, caso ocorra, estaremos preparados”, afirmou Damasceno. Foto: Governo ES
O casal capixaba que transformou uma ideia nascida na pandemia em negócio de sucesso
Criada em março de 2021, em pleno auge da pandemia, a Fazza Calçados nasceu de um sonho que uniu coragem, propósito e sensibilidade. O casal Aline Sobrinho Felix e Thallys Vinycios Bonfim transformou o desafio do isolamento em uma oportunidade de construir uma marca com alma capixaba — hoje referência nacional em design, conforto e moda autoral. Com investimento inicial de cerca de R$ 100 mil, a empresa começou com apenas 10 modelos e um estoque reduzido. A ideia era simples, mas ousada: criar calçados que unissem estilo, conforto e significado. Em apenas quatro anos, o resultado surpreendeu — a Fazza cresceu mais de 1.400%, ampliando a produção, o portfólio e sua presença digital. Atualmente, a marca mantém dois estoques, um na loja física, em Vila Velha, e outro voltado ao e-commerce, que atende clientes em todo o Brasil e até no exterior. Já são mais de 120 modelos desenvolvidos, com fabricação em Minas Gerais e no Sul do país, regiões reconhecidas pela excelência artesanal na indústria calçadista. A empresa projeta encerrar 2025 com faturamento de R$ 5 milhões e planeja investir R$ 500 mil em 2026 em marketing e parcerias estratégicas. Entre novembro e dezembro, a expectativa é de crescimento de 30% nas vendas. “Crescemos em estrutura, mas mantemos o propósito: criar produtos com alma, que contem histórias e traduzam o lifestyle da mulher real. A qualidade é o que nos move — quanto mais crescemos, mais buscamos aprimorar”, afirma Aline Sobrinho Felix, sócia-fundadora da Fazza. “A Fazza nasceu em meio à incerteza, mas com muita determinação. Ver uma marca capixaba crescer e se destacar nacionalmente mostra que o Espírito Santo tem um potencial enorme para o empreendedorismo criativo”, complementa Thallys Vinycios Bonfim, também sócio-fundador. O caso da Fazza é um retrato da nova economia capixaba, impulsionada por empreendedores criativos e marcas que apostam em identidade, propósito e sustentabilidade. Em um mercado competitivo, a empresa mostra que é possível crescer de forma sólida e inspiradora — mantendo a essência e valorizando a produção local.
99% dos turistas recomendam o Espírito Santo como destino, aponta pesquisa
O Espírito Santo alcançou um dos maiores índices de aprovação turística do país. Segundo a Pesquisa de Identificação do Perfil do Turista no Inverno de 2025, realizada pela Secretaria de Turismo do Estado (Setur-ES), 99,3% dos visitantes afirmaram que recomendariam o estado a outras pessoas, e 92,4% disseram que a viagem atendeu ou superou suas expectativas. O estudo, analisado pelo Connect Fecomércio-ES, mostra que o turismo capixaba vive um momento de consolidação, impulsionado pela diversidade de experiências — das montanhas e praias à gastronomia e hospitalidade. O perfil do visitante é formado majoritariamente por pessoas com mais de 40 anos (53,7%), ensino superior completo (64,8%) e casadas (56,1%). A maioria viajou a lazer (81,4%), com média de permanência de 6,9 dias e gasto diário de R$ 260. Minas Gerais é o principal estado emissor de turistas (31,9%), seguido por Rio de Janeiro (9,8%) e São Paulo (8%). Os aspectos mais bem avaliados foram a gastronomia capixaba (94%), a segurança pública (90,6%), a hospitalidade (89,3%) e a limpeza urbana (85,6%). Para André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio da Fecomércio-ES, os dados reforçam a fidelização dos visitantes. “Quando o turista sai satisfeito e recomenda o estado, ele se torna um embaixador espontâneo da marca Espírito Santo”, destacou. Atividade turística no maior patamar desde 2014 De acordo com o Índice de Atividades Turísticas (Iatur), do IBGE, o Espírito Santo manteve em agosto o maior nível de atividade turística em 10 anos. O setor cresceu 4,6% em 2025, e a movimentação aérea somou mais de 1 milhão de passageiros entre janeiro e agosto, um aumento de 12,5% no período. O empresário Leomar Alberto Stange, do restaurante Ninho do Colibri, em Santa Teresa, confirma a expansão: “Antes o movimento se concentrava nos fins de semana; hoje recebemos visitantes o ano inteiro, inclusive durante a semana”, relatou. A pesquisa completa está disponível no site portaldocomercio-es.com.br. Foto: Envato
João Pedro Rodrigues Louzada – “Narrativas em guerra: a interface política por trás da megaoperação no Rio”
No Brasil, tudo assume caráter político. No que concerne à megaoperação conduzida pelo Estado do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), não poderia ser diferente. As mais de cem mortes, resultantes da ação policial, reacenderam a polarização discursiva que estrutura o debate público nacional: de um lado, a narrativa do heroísmo institucional na defesa da ordem; de outro, a denúncia de uma política de segurança fundada na necropolítica e na seletividade penal. O episódio reitera a dificuldade do país em articular um discurso racional sobre segurança pública, frequentemente capturado por paixões ideológicas e simplificações morais, cuja alavanca se apoia na inflamação dos conglomerados políticos adversários. Todavia, a análise desse fenômeno – triste e preocupante – exige ultrapassar as fronteiras do debate binário. A intervenção policial não emerge no vácuo: ela é consequência direta da expansão e da consolidação de estruturas criminosas complexas, como o Comando Vermelho, que há décadas operam como poderes paralelos em múltiplas regiões do Rio. A facção, detentora de uma lógica empresarial e territorial, sustenta-se sobre um tripé que combina economia ilícita, coerção armada e legitimação social. Seu enraizamento nas comunidades fluminenses não decorre apenas da força das armas, mas da substituição funcional do Estado em dimensões básicas da vida social – desde a oferta precária de segurança e assistência até a mediação de conflitos cotidianos. A omissão estatal crônica, que não se resume exclusivamente aos governos contemporâneos, associada a políticas públicas intermitentes e desarticuladas, permitiu que o crime organizado se institucionalizasse como uma espécie de poder de fato, corroendo a autoridade do Estado de Direito. O Comando Vermelho, longe de ser um conjunto difuso de criminosos, constitui uma organização de governança paralela, dotada de racionalidade administrativa, capacidade logística e controle comunicacional. Sua influência transcende o âmbito local e conecta-se a redes interestaduais e transnacionais do tráfico de drogas e armas, o que confere à crise fluminense um caráter de segurança nacional. Nesse cenário, o Estado é chamado a intervir em um território onde sua presença se faz quase exclusivamente pela força. A megaoperação, portanto, representa o sintoma de uma crise de governabilidade periférica, em que o monopólio da violência legítima é sistematicamente contestado. A resposta armada do poder público, embora tecnicamente legítima, revela o déficit estrutural de inteligência, planejamento e presença social continuada. Em vez de ser expressão de soberania, a operação massiva expõe a fragilidade de um Estado que perdeu a capacidade de mediar conflitos sem recorrer à letalidade. Ao mesmo tempo, não se pode incorrer no erro analítico de atribuir ao aparato policial a totalidade da culpa, tal qual eufemizar o crime sob narrativas que apelam às pautas ideológicas, culturais e/ou raciais. O enfrentamento à criminalidade organizada exige coerência sistêmica e articulação interinstitucional, já que a polícia, isoladamente, é apenas o instrumento final de uma cadeia decisória que envolve políticas sociais, urbanas e econômicas. Sua atuação, quando descolada de estratégias de longo prazo, tende a reproduzir o ciclo de violência que pretende conter. A crítica, portanto, deve alcançar não apenas o excesso da força policial, mas o déficit de Estado que a precede – do Estado do Rio de Janeiro e de todo Brasil. A ausência de políticas públicas eficazes, de educação de qualidade, de infraestrutura urbana e de oportunidades econômicas sustenta o caldo de cultura onde o crime floresce. O domínio do Comando Vermelho é, nesse sentido, tanto causa quanto consequência de uma falência administrativa crônica — um produto da omissão pública e da descontinuidade das políticas de segurança cidadã. O enfrentamento dessa realidade demanda mais do que operações espetaculares. Requer inteligência estratégica, integração federativa, investimento em prevenção e fortalecimento comunitário. É necessário reconstruir a presença estatal sob bases legítimas — não apenas por meio da coerção, mas pela oferta de direitos. Um Estado que apenas atira é um Estado que já perdeu a capacidade de governar. O Rio de Janeiro vive, assim, a materialização de um paradoxo, uma vez que combate o crime com a mesma lógica que o engendrou. Enquanto as políticas de segurança permanecerem subordinadas a cálculos eleitorais e ao fanatismo ideológico, a violência seguirá sendo o idioma político da exclusão. O desafio, portanto, não é apenas conter o avanço do tráfico, mas, em proporção semelhante, redefinir o papel do Estado na produção da ordem social, substituindo o ciclo da repressão pelo da reconstrução institucional. *João Pedro Rodrigues Louzada é estudante do 2° período do curso de Medicina na EMESCAM.
Nova diretriz nacional atualiza diagnóstico e tratamento do autismo com base em evidências científicas
A Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) divulgou uma nova diretriz com recomendações atualizadas para o diagnóstico e tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O documento, elaborado pelo Departamento Científico de Transtornos do Neurodesenvolvimento, reúne orientações práticas para profissionais da saúde e reforça a importância do cuidado multidisciplinar e do combate a terapias sem comprovação científica. Segundo a SBNI, o diagnóstico do autismo é essencialmente clínico, fundamentado na observação comportamental, entrevistas com os responsáveis e nos critérios do DSM-5. O texto também alerta que fatores como vulnerabilidade social e uso excessivo de telas podem simular sintomas do transtorno, exigindo atenção redobrada dos profissionais. A neuropsicopedagoga Pollyana Fiorotti ressalta sinais que devem servir de alerta para pais e educadores. “Dificuldade de interação social, pouco contato visual, dificuldade em compreender ironias ou piadas, apego incomum a objetos e resistência a mudanças de rotina são manifestações frequentes e que merecem investigação”, explica. Entre as abordagens recomendadas, a diretriz destaca a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e modelos naturalísticos de intervenção precoce, além de listar 28 práticas baseadas em evidências científicas, como a terapia cognitivo-comportamental e o treino de habilidades sociais. Por outro lado, o documento faz um alerta contra o uso de terapias sem respaldo científico, como células-tronco, ozonioterapia, quelantes, psicanálise, son-rise, uso de canabidiol e suplementação de ácido fólico sem indicação médica. Técnicas como estimulação craniana não invasiva, Floortime e equoterapia são citadas como promissoras, mas ainda carecem de estudos robustos para recomendação ampla. Para a médica neurocirurgiã pediátrica Larissa de Sousa, a atualização representa um avanço importante. “A nova diretriz padroniza condutas, fortalece o diagnóstico correto e, sobretudo, combate a desinformação sobre terapias sem evidência científica, que colocam em risco a saúde de crianças e adolescentes”, afirmou. O documento completo da SBNI está disponível para profissionais e instituições de saúde em todo o país.
Ferramenta on-line ajuda mulheres a identificar situações de violência e buscar apoio
Uma iniciativa simples, mas transformadora, tem ajudado mulheres a reconhecer sinais de relacionamentos abusivos e romper o silêncio. O teste on-line “Conta Comigo! Você não está sozinha”, desenvolvido pela Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres (Seppom), vem se consolidando como uma importante porta de entrada para o acolhimento e encaminhamento à rede de proteção. Por meio de um questionário virtual sigiloso, a ferramenta orienta as participantes sobre como identificar situações de violência e onde buscar ajuda. O teste pode ser respondido em poucos minutos, e as mulheres que optam por se identificar são contatadas pela equipe da Seppom para atendimento especializado e encaminhamento aos serviços de apoio. Criado durante o programa “Agosto Lilás”, o projeto permanece ativo e acessível a qualquer momento, por meio do link tinyurl.com/jd2dx4fv ou via QR code disponível em cartazes fixados em escolas, unidades de saúde e terminais de transporte público. Para a secretária Lilian Mota, o “Conta Comigo” representa um avanço no acolhimento de mulheres em situação de violência. “Com essa ferramenta, conseguimos ultrapassar barreiras e chegar até mulheres que, muitas vezes, não procuram a rede de proteção por medo ou falta de informação. É um instrumento que tem ajudado a salvar vidas e fortalecer o cuidado”, afirma. Mais do que um teste, o “Conta Comigo” é um convite à reflexão e ao acolhimento. A ferramenta mostra que nenhuma mulher está sozinha e que existe uma rede pronta para ouvir, proteger e apoiar.
Vila Velha promove mutirão para negociação de dívidas e oferta de empregos entre 5 e 7 de novembro
De 5 a 7 de novembro, a Prefeitura de Vila Velha realiza a segunda edição do Natal Azul, mutirão que reúne serviços de negociação de dívidas e um feirão de empregos. O atendimento acontecerá das 9h às 16h, na entrada do Acesso D do Boulevard Shopping, em Itaparica, por ordem de chegada — sem necessidade de inscrição prévia. A iniciativa, organizada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, tem como objetivo ajudar os cidadãos a sair do endividamento e iniciar 2026 com o “nome no azul”. Além das renegociações, quem estiver em busca de trabalho poderá participar de entrevistas de emprego e se cadastrar no Sine Vila Velha. Participam do mutirão bancos, instituições financeiras e concessionárias de serviços, como Banestes, Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Crefisa, Sicoob, Sicred, DaCasa, EDP, Cesan, Loga e Claro, além de órgãos como Procon Municipal, Procon Estadual, CDL Vila Velha, NossoCrédito e Vila do Empreendedor. O público também terá acesso a orientações de educação financeira, consultas ao SPC e Serasa, e parcelamentos de débitos de IPTU, MEI e Simples Nacional. Em parceria com o Programa de Eficiência Energética da EDP, será possível trocar até 10 lâmpadas antigas por novas com tecnologia LED, sem custo. Segundo o secretário Everaldo Colodetti, o evento reforça o caráter social e econômico da ação. “Queremos que os cidadãos de Vila Velha consigam firmar acordos, limpar o nome e, quem está desempregado, tenha a oportunidade de uma nova colocação no mercado formal”, afirmou. Para participar, basta levar documentos pessoais (RG, CPF ou CNH), comprovantes das dívidas e currículo atualizado. Serviço Evento: Natal Azul – Mutirão de Negociação de Dívidas e Feirão de Empregos Datas: 5, 6 e 7 de novembro Horário: 9h às 16h Local: Acesso D – Boulevard Shopping Vila Velha (Itaparica) Documentos: RG, CPF ou CNH, comprovantes das dívidas e currículo atualizado