O aplicativo de troca de mensagens WhatsApp anunciou no último dia 11 que irá disponibilizar, nos próximos meses, uma funcionalidade que permitirá que pais e responsáveis gerenciem a conta dos filhos menores de 13 anos. De acordo com publicação no site da Agência Brasil, a Meta – empresa que controla o aplicativo – comunicou que pais, mães ou responsáveis poderão usar a nova funcionalidade para decidir quais contatos conseguirão mandar mensagens para a conta, e de quais grupos a criança ou o adolescente poderá participar. Além disso, eles poderão analisar pedidos de contato de números desconhecidos e gerenciar as configurações de privacidade da conta. “O controle parental e as configurações são controlados por um PIN dos pais no dispositivo gerenciado. Apenas pais, mães ou responsáveis podem acessar e modificar as configurações de privacidade, o que permite personalizar a experiência de acordo com as preferências da família”, disse a Meta, em comunicado. Segundo a empresa, o conteúdo das conversas continuará privado e protegido com criptografia de ponta a ponta, de modo que nem os pais nem a própria plataforma conseguirão ter acesso. De acordo com o WhatsApp, as contas gerenciadas serão lançadas aos poucos e poderão não estar disponíveis em todas as regiões. Para a advogada especialista em Direito da Família, Bruna Aquino, a iniciativa acompanha uma preocupação crescente com a segurança digital que envolve crianças e também adolescentes. “Hoje, o celular e os aplicativos de mensagens já fazem parte do cotidiano das famílias, inclusive de crianças e adolescentes. Sob a perspectiva jurídica, os pais não possuem apenas o direito, mas também o dever de acompanhar e orientar a vida digital dos filhos menores, justamente para garantir sua proteção e segurança no ambiente virtual”, explica. De acordo com a especialista, a crescente incidência de conflitos familiares envolvendo o ambiente digital evidencia a importância de mecanismos que reforcem a supervisão responsável por parte dos adultos. Assim, esse avanço representa um passo relevante para a proteção de crianças e adolescentes, afirma a especialista. Estatuto da Criança e do Adolescente O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que é responsabilidade da família assegurar a proteção integral de crianças e adolescentes, o que inclui a prevenção de riscos e exposição a situações prejudiciais também no ambiente virtual. “Quando os pais monitoram o uso de aplicativos por filhos menores, não estão invadindo a privacidade, mas exercendo uma atribuição inerente ao poder familiar e ao dever jurídico de proteção e cuidado. A supervisão é uma forma de proteção, especialmente porque o ambiente digital pode expor crianças e adolescentes a riscos como assédio, golpes e o contato com pessoas desconhecidas”, diz. Bruna Aquino ressalta ainda que o debate sobre segurança digital de menores tem ganhado força no Brasil, especialmente com a discussão de novas normas voltadas à proteção no ambiente online e propostas mais recentes relacionadas à responsabilidade das plataformas digitais. “O acompanhamento dos pais no ambiente digital é uma extensão do dever de cuidado previsto no próprio Estatuto da Criança e do Adolescente. Mais do que controlar, trata-se de orientar e proteger, garantindo que crianças e adolescentes possam utilizar a tecnologia de forma segura e adequada à sua fase de desenvolvimento”, pontua. ECA Digital O país proibiu o uso de celulares nas escolas públicas e privadas, nos ensinos fundamental e médio. Também está em processo de implementação a Lei do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (15.211/2025), que deve entrar em vigor em 18 de março e obriga as plataformas digitais a tomarem medidas razoáveis para prevenir riscos de crianças e adolescentes acessarem conteúdos ilegais ou considerados impróprios para essas faixas etárias, como exploração e abuso sexual, violência física, intimidação, assédio, promoção e comercialização de jogos de azar, práticas publicitárias predatórias e enganosas, entre outros crimes. A lei ainda prevê regras para supervisão dos pais e responsáveis e exige mecanismos mais confiáveis para a verificação da idade dos usuários de redes sociais, o que atualmente é feito basicamente por autodeclaração.
Importação de morango do Egito preocupa produtores do ES e mobiliza debate na Ales
A Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) debateu, nesta terça-feira (17), os impactos da importação de morango do Egito sobre a produção capixaba. A reunião, realizada no Plenário Dirceu Cardoso, reuniu parlamentares, representantes do governo, produtores rurais, secretários municipais e vereadores, que relataram prejuízos, perda de mercado e riscos à subsistência de milhares de famílias. O presidente da comissão, deputado Adilson Espindula (PSD), destacou a gravidade do cenário e os reflexos diretos no campo. “O Espírito Santo possui uma agricultura forte, e na Região Serrana a produção de morango é mais do que uma atividade econômica, é uma tradição familiar. Mas temos observado um aumento preocupante das importações, especialmente do Egito, que gera uma concorrência desigual e coloca em risco a sustentabilidade do setor”, afirmou. Dados apresentados durante o encontro mostram que o Brasil passou de pouco mais de 4 mil toneladas importadas em 2022 para cerca de 42 mil toneladas no último ano. Além disso, o custo do produto estrangeiro chega a cerca de R$ 8 por quilo, enquanto o morango capixaba é produzido entre R$ 15 e R$ 16. Nos últimos 12 meses, os custos de produção local aumentaram cerca de 15%. Segundo Espindula, o Espírito Santo é o quarto maior produtor nacional, com mais de mil propriedades envolvidas na cultura, produção anual de cerca de 33 mil toneladas e geração de aproximadamente R$ 400 milhões em renda. “Não somos contra o comércio internacional, mas precisamos garantir relações justas. O produtor capixaba segue regras rigorosas, investe em qualidade e sustentabilidade. Não podemos permitir concorrência desleal”, disse. O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, confirmou o avanço das importações, que chegaram a cerca de 44 mil toneladas em 2025, sendo aproximadamente 40 mil provenientes do Egito. Segundo ele, a redução das tarifas de importação, hoje em torno de 4%, favorece a entrada do produto estrangeiro. “O morango egípcio chega com boa aparência, congelado individualmente e com custo mais baixo, o que o torna competitivo principalmente para a indústria”, explicou. Representando produtores de São João do Garrafão, o empresário Adair José Graciano relatou queda de até 50% no mercado de morango congelado em um ano. “Hoje não temos comércio, não temos venda. O preço oferecido está abaixo do custo de produção. Muitas famílias dependem exclusivamente dessa atividade para sobreviver”, afirmou. O impacto social também foi destacado durante a reunião. Em municípios como Santa Maria de Jetibá, cerca de 800 famílias dependem diretamente da cultura do morango. O secretário de Desenvolvimento Rural de Domingos Martins, Washington Henrique Machado, alertou que a principal fonte de renda local está ameaçada, enquanto o secretário de Agropecuária de Santa Maria de Jetibá, Vanderlei Marquez, afirmou que a situação pode levar comunidades à crise econômica. “Se continuar assim, regiões como Garrafão podem entrar em calamidade pública”, disse. Ao final do encontro, foram definidos encaminhamentos para enfrentar o problema, como a solicitação de apoio do governo estadual aos produtores, a elaboração de documento para o governo federal, a mobilização da bancada capixaba em Brasília e a defesa de medidas como aumento de tarifas, criação de cotas e revisão de acordos comerciais, além da ampliação da assistência técnica para reduzir custos de produção. Representantes do Ministério da Agricultura informaram que eventuais mudanças nas regras de importação dependem do Ministério da Indústria e Comércio, mas se colocaram à disposição para colaborar. O tema deve seguir como prioridade no Legislativo estadual. “A produção de morango representa a história e o sustento de muitas famílias capixabas. Vamos continuar dialogando com todos os setores para garantir equilíbrio no mercado”, concluiu Adilson Espindula.
Prefeitura de Vitória retira mais de 800 kg de cabos em nova ação na Praia do Canto
A Prefeitura de Vitória realizou, neste domingo (15), mais uma ação de retirada de fios e cabos instalados em postes da capital. Desta vez, o trabalho ocorreu na rua Aleixo Neto, na Praia do Canto, com a remoção de mais de 800 quilos de cabos inutilizados. A iniciativa é realizada em parceria com a EDP e empresas de telecomunicações, responsáveis pela adequação das redes de internet e telefonia, além da retirada de materiais obsoletos ou instalados de forma irregular. A ação busca reduzir a poluição visual e melhorar a organização da infraestrutura urbana. Esta é a segunda etapa da força-tarefa iniciada pelo município para reorganizar a rede de cabeamento. No último domingo (8), o serviço foi executado no cruzamento das avenidas Rio Branco e Nossa Senhora da Penha, também na Praia do Canto. O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, destacou a importância da iniciativa. “Estamos retirando fios e cabos inutilizados, contribuindo para que a cidade fique mais bonita, mais organizada e mais acolhedora para moradores e visitantes. A expectativa é ampliar esse trabalho ao longo do ano”, afirmou. Segundo o secretário de Trânsito e Infraestrutura Urbana, Alex Mariano, a ação seguirá um cronograma para alcançar outras regiões da cidade. “Já realizamos esse trabalho no Centro, avançamos para a Praia do Canto e a intenção é seguir para locais como Avenida Maruípe, Serafim Derenzi e Dante Michelini. O objetivo é retirar cabos obsoletos, melhorar a organização da rede e reduzir riscos, especialmente para motociclistas”, explicou. Além da retirada dos fios sem uso, as operadoras são orientadas a identificar suas redes e realizar adequações conforme as normas técnicas vigentes. A Prefeitura informou que novos pontos da cidade estão em estudo e que uma reunião com a EDP e empresas de telecomunicações será realizada nesta semana para definir os próximos locais atendidos pela operação.
Espírito Santo registra avanço no mercado pet e lidera crescimento no Sudeste
Um levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados da Receita Federal, aponta que o número de negócios ligados ao mercado pet no Brasil cresceu 15,2% entre 2023 e 2025. No Espírito Santo, o avanço foi de 7% no total de pequenos negócios ativos no segmento no mesmo período, com destaque para as micro e pequenas empresas, que registraram crescimento expressivo de 55,7%. A abertura de novos pequenos negócios no setor também ganhou força no estado, com alta de 28,1% em relação a 2023 — o maior percentual entre os estados do Sudeste, superando as médias regional (20,6%) e nacional (21,7%). Apesar de ainda ter um volume menor de empresas em comparação a estados maiores, o resultado indica um mercado em expansão. Somente no último ano, foram criados 246 novos negócios do segmento pet no Espírito Santo, sendo 94% deles formados por microempreendedores individuais (MEIs). O crescimento do setor está diretamente ligado a mudanças no comportamento da população, como o aumento da humanização dos pets. “O mercado pet está em expansão no Espírito Santo e em todo o Brasil, impulsionado por esse movimento”, explica a analista de Relacionamento do Sebrae/ES, Andréa Gama. Segundo ela, o país ocupa a terceira posição entre os maiores mercados pet do mundo, e o estado acompanha essa tendência. A diversificação de serviços também tem impulsionado o segmento, com a ampliação de ofertas como creches, hotéis, spas, alimentação natural, tecnologias pet e estabelecimentos pet friendly, além dos serviços tradicionais, como banho e tosa. Outro fator relevante é o aumento do gasto médio com os animais, especialmente em famílias sem filhos e entre a população idosa, que encontra nos pets uma importante companhia. Apesar do crescimento, mensurar o faturamento médio das empresas do setor ainda é um desafio, devido à diversidade de modelos de negócio. Ainda assim, há concentração de receita nos pequenos e médios pet shops, que respondem por quase metade do faturamento total do segmento. Para quem deseja empreender na área, o mercado apresenta oportunidades em nichos mais especializados, como bem-estar animal, academias para pets, alimentação natural e experiências personalizadas. A recomendação é investir no atendimento individualizado, conhecer o perfil dos clientes e acompanhar as tendências de consumo. O uso de ferramentas digitais também é apontado como essencial para facilitar agendamentos, vendas e relacionamento com os clientes. Além disso, empreendimentos ligados ao turismo podem se destacar ao oferecer experiências pet friendly, agregando valor ao serviço. O Sebrae/ES disponibiliza conteúdos e orientações para quem deseja iniciar no setor, incluindo materiais como o Radar Sebrae, além de publicações específicas sobre planejamento, estrutura e gestão de pet shops. Informações e foto: Sebrae-ES
Começa retirada do canteiro central na Rodovia do Sol após implantação de binário
As obras de retirada do canteiro central da Rodovia do Sol, em Itaparica, começaram na tarde desta segunda-feira (16), após a implantação do novo sistema binário com a Avenida Saturnino Rangel Mauro. Pela manhã, às 10h15, a Avenida Saturnino Rangel Mauro passou a operar no sentido Guarapari, com quatro faixas — sendo três de rolamento e uma destinada ao estacionamento. O acesso a moradores e estabelecimentos foi mantido, com apoio da Guarda Municipal na organização do trânsito. Com a mudança, a Rodovia do Sol passou a funcionar no sentido Terceira Ponte, com duas faixas de rolamento. O acesso no sentido Guarapari está restrito a moradores e comerciantes, caracterizando trânsito local durante o período de obras. A intervenção teve início nas proximidades do antigo Hospital Santa Mônica e segue em direção ao Boulevard Shopping. Durante os trabalhos, haverá bloqueios parciais ao longo do canteiro, conforme o avanço das equipes. Ao final, a Rodovia do Sol terá quatro faixas no sentido Terceira Ponte, ampliando a capacidade e melhorando a fluidez do tráfego. A previsão é de que as obras sejam concluídas em cerca de 60 dias.
Lei entra em vigor e busca proteger crianças e adolescentes no ambiente de jogos online
No Brasil, 59% das crianças entre 9 e 10 anos estão conectadas à internet, 42% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos participam de jogos na internet conectados a outros jogadores todos os dias ou quase todos os dias. Dos 15 aos 17 anos, esse percentual chega a 55%. Os dados do estudo “TIC Kids Online, de 2022” apontam a gravidade da exposição de crianças e adolescentes no ambiente dos jogos online. Por esse motivo, diversos países vêm propondo leis e métodos para fiscalizar e proteger as crianças neste universo. Em agosto de 2025, o Senado brasileiro aprovou uma nova lei federal autônoma (LEI Nº 15.211), que complementa o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tratando especificamente das relações e riscos presentes no ambiente online. O chamado “ECA Digital” entra em vigor a partir desta terça-feira, 17 de março de 2026. ECA Digital A nova lei regulariza o processo de verificação de idade, deixando-o mais robusto e completo. A partir do dia 17/03, a autodeclaração de maioridade não será mais aceita. As plataformas digitais serão obrigadas a utilizar mecanismos de validação mais precisos, como biometria, validação documental e estimativa de idade por inteligência artificial, para a criação de novos perfis. Crianças e adolescentes de até 16 anos só poderão acessar redes sociais se vinculadas a um responsável. Além disso, empresas que oferecem serviços on-line para crianças e adolescentes devem ter regras claras e medidas eficazes para evitar a exploração e o abuso sexual, o incentivo à violência física e ao assédio, o cyberbullying, a indução a práticas que levem danos às crianças, a promoção a jogos de azar e produtos tóxicos, a publicidade predatória e a pornografia. A lei abrange também a necessidade de canais de apoio às vítimas e de promover programas educativos para orientar crianças, pais, educadores e equipes de trabalho sobre os riscos do ambiente digital. A remoção do conteúdo pode ser solicitada pelas vítimas, por seus responsáveis, pelo Ministério Público ou por entidades de proteção. No âmbito comercial, será proibida a utilização de dados ou perfis de crianças para fins publicitários. Também são proibidas as “lootboxes”, caixas-surpresa que exigem pagamento sem que o usuário saiba previamente o que vai receber. Parecer do MPES A exigência de mecanismos confiáveis de verificação etária facilita fiscalização institucional e favorece maior rastreabilidade das providências adotadas pelos provedores, elemento essencial para a atuação articulada dos órgãos de proteção. Para o Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude (CAIJ), a nova legislação amplia as possibilidades de atuação preventiva e pedagógica, sem afastar a necessidade de acompanhamento contínuo de sua implementação prática. “Mais do que um novo marco regulatório, o ECA Digital consolida a compreensão de que o ambiente online integra os espaços de desenvolvimento infantojuvenil e, por isso, deve observar os mesmos parâmetros de proteção, dignidade e prioridade absoluta já assegurados no plano físico”, afirma a Dirigente em exercício do CAIJ, Renata Colnago. Sob a perspectiva institucional, o ECA Digital reafirma que a proteção integral no ambiente virtual exige atuação compartilhada entre Estado, família e sociedade, incluindo empresas de tecnologia. Fonte: MPES Mais informações em: 🔗https://mpes.mp.br/noticias/2026/03/17/eca-digital-entra-em-vigor-e-busca-garantir-protecao-de-criancas-e-adolescentes-no-ambiente-de-jogos-online/
Fabrício Augusto de Oliveira – “O PIB em 2026: as pedras no caminho”
O crescimento de 2,3% do PIB brasileiro em 2025 veio em linha com as previsões do mercado, do governo e das instituições de pesquisa. Não atingiu os níveis de crescimento dos anos anteriores, que foram de 2,9% em 2022, 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024. Mas, considerando as turbulências no mercado mundial provocadas pela política econômica do governo Trump a partir de 2024, pode ser considerado um sucesso. Mais importante, diante disso, é avaliar o que se pode esperar em 2026 num cenário em que as políticas trumpistas continuam imprevisíveis, com as guerras no mundo se acentuando, enquanto, no Brasil, o país continua enfrentando graves problemas, caso da elevada taxa de juros e do crescente risco fiscal. Para início de conversa, é preciso considerar o processo de desaceleração por que vem passando a economia brasileira. No último trimestre do ano, o PIB cresceu minguados 0,1%, a mesma taxa registrada no trimestre anterior, contra 0,4% no segundo trimestre e 1,4% no primeiro, sempre em relação aos trimestres anteriores. Não existem maiores evidências do que essas sobre a força dessa desaceleração, mas é importante conhecer os setores que têm se enfraquecido nesse processo. Sob a ótica da oferta, o que tem garantido maior crescimento da economia nos últimos anos são, principalmente, o setor de serviços, que tem participação expressiva no PIB, e, mais episodicamente, a agropecuária, já que a indústria vem apresentando desempenho modesto, quando não negativo. Em 2025, enquanto a agropecuária cresceu, no ano, 11,7%, o crescimento do setor de serviços foi de 1,8% e o da indústria, 1,4%. Mas houve acentuada perda de força desses setores no último trimestre do ano frente ao trimestre anterior: a agropecuária cresceu apenas 0,5%, os serviços, 0,8%, e a indústria recuou 0,7%. Pela ótica das despesas, o consumo das famílias teve um crescimento de apenas 1,3% em relação a 2024, contra um crescimento de 4,8% neste último ano, e o consumo do governo, de 2,1%, enquanto em 2024 este foi de 1,9%. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF) avançou 2,9%, puxada pelo aumento da importação de bens de capital e pelo desenvolvimento de softwares, além da alta na indústria da construção, mas ante uma expansão de 7,3% em 2024. Em decorrência desse pior desempenho, a taxa de investimento caiu de 17% em 2024 para 16,8% em 2025, um nível muito baixo que vem se arrastando há anos. O cenário do último trimestre do ano foi, no entanto, desolador: enquanto o consumo das famílias, carro-chefe do crescimento, manteve-se estável (crescimento de 0%), a Formação Bruta de Capital recuou 3,5%, mantendo-se positivo apenas o consumo do governo, com expansão de 1%. Não se pode dizer ser um cenário animador. Pelo contrário. Mesmo que o Banco Central dê início à redução da taxa de juros, essa deverá continuar, em termos reais, muito elevada, em torno de 10%, inibindo o consumo e o investimento. O consumo do governo, por outro lado, que tem ajudado a incrementar o consumo das famílias com as políticas de transferências de renda, vem encontrando dificuldades para se manter diante do crescimento da dívida bruta do governo geral (DBGG), que atingiu 78,7% em dezembro de 2025, e pela necessidade de cumprir as metas do arcabouço fiscal, se se pretende evitar o descrédito desse instrumento. Externamente, a insegurança é total com a guerra Estados Unidos/Israel contra o Irã. Os preços do petróleo dispararam e seus efeitos inflacionários no mundo são inevitáveis, o que pode conduzir à reversão da queda de juros no planeta ou a novos apertos monetários, enquanto a política tarifária de Trump, tornada um fetiche, dificulta qualquer previsão sobre essa questão. Por se tratar de um ano de eleições, o governo pode até relaxar a política fiscal para tentar garantir sua reeleição, mas a sociedade poderá pagar um preço muito alto pelos ajustes que terão de ser feitos em 2027. Como se costuma dizer nessa situação: “o mar não está para peixe”. *Fabricio Augusto de Oliveira é doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e do Grupo de Estudos de Conjuntura do Departamento de Economia da UFES, articulista do Debates em Rede, e autor, entre outros, do livro “Karl Marx: a luta pela emancipação humana e a crítica da Economia Política”, publicado, em 2025, pela Editora Contracorrente. *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
PMES recebe novos fuzis e viaturas semiblindadas com investimento de R$ 21,5 milhões
A Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) recebeu, nesta segunda-feira (16), novos fuzis e viaturas semiblindadas para reforçar o policiamento ostensivo em diferentes regiões do Estado. A entrega foi realizada pelo vice-governador Ricardo Ferraço, no Quartel do Comando-Geral (QCG), em Maruípe, Vitória. O investimento total supera R$ 21,5 milhões. Ao todo, foram adquiridos 1.039 fuzis calibre 7,62, modelo Arad 7, com parte dos recursos oriunda de emenda parlamentar. Desse total, 170 armamentos contam com luneta para uso de atirador designado, com alcance de até 1.000 metros, enquanto os demais são voltados ao patrulhamento, com alcance de até 500 metros. Durante a solenidade, também foram entregues 39 viaturas semiblindadas modelo Renault Duster, equipadas com motor turbo, câmbio automático e tecnologias que ampliam o desempenho nas operações policiais. Os veículos serão distribuídos para municípios da Grande Vitória e do interior. Segundo o Governo do Estado, a iniciativa faz parte de uma estratégia contínua de fortalecimento da segurança pública, com ampliação de efetivo, modernização de equipamentos e incorporação de tecnologia. As 39 viaturas entregues integram um total de 151 veículos adquiridos, cuja distribuição ocorrerá de forma gradual até meados deste ano.
João Gualberto – “A reinvenção aristocrática brasileira”
Estamos todos acompanhando, já há algum tempo, o desenrolar do intrincado caso do Banco Master, misto de fraude, corrupção e toda uma sorte de privilégios. Nas apurações, podemos ver de forma clara o envolvimento de vários personagens da cúpula da república. Os três poderes estão presentes nas denúncias apuradas, o legislativo, o executivo e o judiciário aparecem inclusive nas gravações retiradas do telefone do principal envolvido nas inúmeras falcatruas. As evidências são as de que foram montadas operações para lesar instituições, com a participação de agentes públicos que deveriam controlar a legalidade ehonestidade no funcionamento dos bancos. O que chama a atenção hoje, é a frequência como que casos tão escabrosos veem à tona, se repetem de forma sistemática. Somos um país extremamente burocratizado, os controles atazanam nossa vida, e quem opera com o setor público sabe das dificuldades para estabelecer contratos e receber valores. Eles, entretanto, não evitam as grandes fraudes. Para a minha geração, houve um tempo em que sonhamos que o Brasil iria avançar na construção de uma sociedade mais justa, e com mais controle desses e de outros eventos desastrosos. Nos anos 1980, com o fim da ditadura e a nova constituição a esperança foi nossa marca, e não foi sem motivo. As eleições começaram a renovação dos quadros da política, o fim da censura liberou a produção artística de um controle asfixiante. Filmes com Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto mostram isso com clareza a situação para os que não viveram aqueles pesadelos. O que a vida tem nos demonstrado, entretanto, é que os mecanismos constitucionais e dispositivos legais não são suficientes para vencer os padrões culturais que apoiam a corrupção e a apropriação do estado por parte do estamento burocrático. Fizemos muitos progressos nesses anos de construção democrática, para ficar alguns exemplos do que o exercício da liberdade nos fez, temos uma produção cinematográfica muito premiada internacionalmente, a cultura popular vem alcançando espaços onde não era reconhecida antes, com por exemplo a divulgação de festejos populares e a valorização da religiosidade afro-brasileira, o respeito pela diversidade aumentou muito. Entretanto, o coração da nossa desigualdade continua batendo com a mesma intensidade, e a cultura que dá ao doutor o privilégio de sentir-se superior aos brasileiros comuns não diminuiu com os avanços no campo da democracia, antes pelo contrário. Aliás, a maior autonomia orçamentária que os poderes adquiriram em relação ao executivo não tornou o legislativo e o judiciário mais ágeis ou bem equipados, apenas mais centrados no bem-estar de alguns poucos. O que temos visto é um crescimento dos ganhos salariais dos grandes burocratas encastelados nos três poderes. Adesigualdade se aprofundou no Brasil. O fosso salarial entre os trabalhadores comuns e as cúpulas do setor público é um dos maiores do mundo. O país tem gerado mais negócios, mais impostos, mais riqueza, e ela tem ficado concentrada nas cúpulas empresariais e do setor público, ou é desperdiçado pela corrupção. É uma espécie de reinvenção aristocrática brasileira, enquanto o grosso da população se embola em um sistema de transporte coletivo medíocre nas grandes cidades, se amontoa em filas intermináveis nos locais onde se presta serviços públicos, os magnatas do poder público desfilam em carros blindados, os prédios públicos que os abriga substituíram os velhos palácios dos tempos imperiais. O coração do problema não foi tocado, que é a cultura da desigualdade e o sentimento das elites que elas tudo podem. Nós temos que começar uma desconstrução desse elemento imaginário o mais rápido possível. Os poderosos das instituições públicas não podem multiplicar seus salários por expedientes baseados na cultura do jeitinho brasileiro, em uma legislação que permite interpretações ao gosto dos julgadores. Creio ser essa a verdadeira revolução brasileira, punir os corruptos e controlar os altos salários do poder público. Tirar os poderes de quem pode se aproveitar deles, nossa construção democrática tem que acabar com esses privilégios todos, senão seremos para sempre um país injusto em nome da justiça.
Comércio entre Espírito Santo e União Europeia movimenta US$ 3,2 bilhões
A aprovação, pelo Senado, do acordo entre a União Europeia e o Mercosul — que pode formar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo — recoloca em evidência as relações comerciais entre o Brasil e o bloco europeu. O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas que hoje incidem sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos. Nesse contexto, o Espírito Santo pode ampliar sua participação nesse mercado. Em 2025, a corrente de comércio entre o estado e a União Europeia alcançou US$ 3,2 bilhões. Desse total, US$ 1,40 bilhão correspondeu às exportações capixabas, com destaque para café e minério, enquanto as importações somaram US$ 1,79 bilhão, impulsionadas principalmente pela compra de veículos. No cenário nacional, a União Europeia também ocupa posição relevante. Em 2025, o bloco foi o segundo maior parceiro comercial do Brasil, responsável por 14,3% das exportações brasileiras e 17,9% das importações, totalizando uma corrente de comércio de US$ 99,8 bilhões. As informações são do Connect Fecomércio-ES, com base em dados do Comex Stat, sistema oficial do governo federal para estatísticas de comércio exterior. O levantamento mostra que a União Europeia figura como o terceiro principal destino e origem das trocas internacionais do Espírito Santo. Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o resultado reflete o perfil produtivo capixaba e a importância do mercado europeu para setores estratégicos da economia estadual. “A relação comercial com a União Europeia mostra uma complementaridade clara. O Espírito Santo exporta principalmente commodities e insumos industriais, como café e minério, enquanto importa produtos de maior valor tecnológico, como veículos e aeronaves”, afirmou. Entre os produtos exportados pelo estado para a União Europeia, o café não torrado liderou a pauta em 2025, respondendo por cerca de 35% das vendas externas e movimentando aproximadamente US$ 490 milhões. Em seguida aparecem o minério de ferro e seus concentrados, com cerca de 30% das exportações, além de semimanufaturados de ferro e aço, que representaram 14%. “Esses dados evidenciam a força das cadeias agroindustrial e mineral do Espírito Santo no comércio internacional. Café e minério seguem como produtos estruturais da pauta exportadora capixaba”, destacou Spalenza. No caso das importações, predominam bens industriais de maior complexidade tecnológica. Veículos automóveis e suas peças representaram cerca de 42% das compras realizadas pelo estado junto ao bloco europeu, somando aproximadamente US$ 752 milhões. Também se destacaram aeronaves e suas partes, produtos de perfumaria e cosméticos e gorduras e óleos vegetais e animais. De acordo com Spalenza, esse perfil reforça a complementaridade entre as economias. “Enquanto o Espírito Santo fornece insumos e produtos agrícolas, a União Europeia se destaca como fornecedora de bens industriais e tecnológicos, o que também contribui para modernizar cadeias produtivas locais”. Para o especialista, o acordo entre União Europeia e Mercosul pode ampliar ainda mais essa dinâmica comercial. “A redução de tarifas tende a ampliar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu e, ao mesmo tempo, baratear a importação de equipamentos e insumos tecnológicos. Isso aumenta a competitividade das empresas e cria oportunidades para diferentes setores da economia capixaba, como agropecuária, mineração e indústria”, explicou. Segundo ele, a maior integração comercial também pode fortalecer o papel logístico e industrial do Espírito Santo no comércio exterior brasileiro, ampliando a participação do estado em cadeias globais de valor. Análise por município A distribuição das exportações dentro do estado também revela concentração em alguns municípios. Serra, Nova Venécia e Vitória responderam juntas por cerca de US$ 744 milhões em vendas para a União Europeia. Serra liderou com US$ 267 milhões, impulsionada pela cadeia siderúrgica. Nova Venécia aparece na sequência, com US$ 247 milhões em exportações concentradas em café, seguida por Vitória, com US$ 230 milhões. Nas importações, Cariacica, Vitória e Serra concentraram aproximadamente US$ 1,52 bilhão das compras capixabas provenientes da União Europeia. Cariacica liderou com US$ 868 milhões, com predominância de veículos automotores, consolidando o município como uma das principais portas de entrada desse tipo de produto no estado. A pesquisa completa está disponível em: https://portaldocomercio-es.com.br. Sobre o Sistema Fecomércio-ES A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 431.803 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no estado e pelo emprego de 1,4 milhão de pessoas. Com mais de 30 unidades, ações itinerantes e presença em todos os municípios capixabas — de forma física ou on-line —, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o Espírito Santo. A entidade representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI).