As novas revelações sobre as estripulias do Banco Master e de seu presidente, Daniel Vorcaro, demonstram a podridão que grassa no Estado brasileiro. Seus tentáculos se estenderam por todas as esferas do poder público, incluindo o Judiciário, o Legislativo e o Executivo. Nenhum parece ter resistido aos seus encantos: Supremo Tribunal Federal (STF), Tribunal de Contas da União (TCU), Banco Central (BC), instituição supostamente técnica responsável por zelar e manter saudável o sistema financeiro e bancário, políticos para os quais emprestava jatinhos e concedia alguns agrados, e até mesmo a Procuradoria-Geral da República (PGR), que não viu nenhum mal nas revelações feitas pela Polícia Federal (PF) sobre suas ações criminosas, que finalmente começam a ser desvendadas com a relatoria do ministro André Mendonça, do STF. É muito provável que, com o andamento das investigações, apareçam bem mais podres. Mas, por enquanto, é necessário destrinchar os motivos que permitiram a um pequeno banco, apoiado num esquema de fraudes contra o sistema financeiro e poupadores, envolver figurões da República em suas trapaças e como estes procuraram, pelo menos diante das suspeitas levantadas pela Polícia Federal, fartamente divulgadas na imprensa, blindá-lo. A tentativa de blindagem começou no Tribunal de Contas da União logo após a liquidação do Master pelo Banco Central, quando o ministro desse tribunal, Jonathan Jesus, colocou em dúvida a decisão da autoridade monetária e trouxe, para esse órgão, o exame desse caso, determinando uma inspeção no BC para avaliar a medida, considerando-a precipitada e ameaçando revertê-la. É bom que se diga que, ao tomar essa decisão, o ministro extrapolou o campo de competência do tribunal, cujo papel é o de fiscalizar as contas do governo e não o de se meter em decisões estritamente técnicas do BC. Mas não paramos por aí. Essa tentativa de blindagem parece ter prosseguido no Supremo Tribunal Federal, quando o ministro Dias Toffoli avocou, em decisão monocrática, para a instituição, a responsabilidade pelo inquérito, tornando-se seu relator. Estranhamente, deu continuidade às dúvidas levantadas pelo ministro do TCU sobre o fato de o BC ter se precipitado na liquidação do banco, exigindo uma acareação entre os proprietários e dirigentes do Banco Master e do Banco de Brasília (BRB) e um diretor do Banco Central, antes mesmo de colher seus depoimentos individualmente. Colocou em sigilo o inquérito e dificultou as ações de investigação da Polícia Federal, determinando a transferência das provas colhidas primeiramente para o STF e, posteriormente, para a PGR. Ou seja, com essas medidas procurou garantir ter pleno controle dessas investigações. Só mais tarde se descobriu que Toffoli era sócio das empresas de seus irmãos, a Maridt, que havia vendido sua participação num resort de luxo, o Tayayá, para uma empresa vinculada a Vorcaro, e que havia recebido pagamentos pela venda. Apesar do evidente conflito de interesses desse caso, em nenhum momento Toffoli se dispôs a se declarar impedido para julgá-lo, mantendo-se sentado no inquérito. Só tendo dele sido demovido por uma ação dos ministros do próprio STF, em resposta a um relatório da Polícia Federal entregue ao seu presidente, Edson Fachin, no qual se explicitavam suas ligações com Vorcaro e as atividades criminosas deste, bem como os conflitos de interesses do caso. Como resultado de um acordo feito com Toffoli, este, meio que a contragosto, abriu mão do inquérito, cuja relatoria foi transferida para o ministro André Mendonça, que deu outro rumo às investigações que estavam praticamente paralisadas, abrindo novos caminhos para desvelar as falcatruas do Master, bem como as ações das figuras que se empenhavam em sua blindagem. Depois disso descobriu-se, também, o envolvimento de altos funcionários do Banco Central na teia de relações promíscuas com Daniel Vorcaro. Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária, atuavam como consultores informais de Vorcaro, informando-o da situação do banco no BC e orientando-o sobre os procedimentos que deveria adotar para desfazer a desconfiança que sobre ele pairava. Os dois terminaram premiados com o uso de tornozeleira eletrônica. Para complicar ainda mais a situação, o ministro Gilmar Mendes, do STF, suspendeu, no dia 27 de fevereiro, a quebra de sigilo da empresa Maridt, da família Toffoli, que havia sido pedida pela CPI do Crime Organizado, determinando a inutilização e destruição das informações encaminhadas a ela por órgãos como o Banco Central e o Coaf. O pedido, feito diretamente pela família a Gilmar Mendes, e não a André Mendonça, novo relator do caso, foi resultado de uma manobra processual, vinculando-o a um caso semelhante de 2023, do qual o ministro fora relator. Para os juristas em geral e para a opinião pública, a decisão do ministro teve como claro objetivo barrar o aprofundamento das investigações sobre o caso Toffoli. Como se não bastasse, novas desconfianças sobre esse caso surgiram com as revelações divulgadas pela Polícia Federal sobre conversas gravadas no telefone de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, e também com outros figurões do mundo político, incluindo no dia de sua prisão. Embora o ministro tenha negado veementemente que isso tenha acontecido, a situação chegou a tal ponto que ninguém acredita mais em ninguém. Enquanto essas dúvidas persistirem e o mistério continuar, certo é que essas instituições continuarão desacreditadas, e o Brasil, onde predomina uma democracia imperfeita, poderá ver-se arrastado para uma posição ainda pior por não ter conseguido barrar a ação de uma única pessoa na desmoralização de suas instituições supostamente democráticas. *Fabricio Augusto de Oliveira é doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e do Grupo de Estudos de Conjuntura do Departamento de Economia da UFES, articulista do Debates em Rede, e autor, entre outros, do livro “Karl Marx: a luta pela emancipação humana e a crítica da Economia Política”, publicado, em 2025, pela Editora Contracorrente. *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Andropausa ou síndrome MOSH? Erro no diagnóstico leva jovens à reposição precoce de testosterona
O médico Paulo Mansur explica sobre os distúrbios, que apresentam sintomas semelhantes, mas exigem abordagens distintas. Erro na avaliação pode gerar dependência hormonal desnecessária Cansaço persistente, perda de massa muscular, queda da libido, aumento de gordura abdominal e alterações de humor são sintomas frequentemente associados à chamada “andropausa”, termo popular para a Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM). No entanto, esses mesmos sinais podem indicar outra condição endocrinológica cada vez mais comum entre homens jovens: a síndrome MOSH (Hipogonadismo Masculino Secundário Associado à Obesidade). Diferenciar os dois quadros é fundamental para evitar tratamentos inadequados, especialmente a reposição precoce de testosterona. Hoje especialista em longevidade, qualidade de vida e bem-estar, além de uma das maiores autoridades do país quando o assunto é Síndrome Mosh, o médico Paulo Mansur, conhece essa confusão não apenas na prática clínica, mas na própria história pessoal. Aos 41 anos, época em que ainda não atuava na área da nutrologia, ele recebeu o diagnóstico de deficiência androgênica do envelhecimento masculino. “Eu apresentava sintomas clássicos: fadiga, queda de rendimento, alterações na composição corporal. O diagnóstico foi fechado como DAEM e iniciei reposição de testosterona”, relata. Com o tempo, porém, ficou claro que o quadro era outro: Mansur tinha síndrome MOSH. “O que precisava ser feito, antes de qualquer reposição, era mudança de hábitos, redução de gordura corporal, melhora do sono e do estilo de vida. O sobrepeso estava convertendo testosterona em estradiol e gerando o desequilíbrio hormonal”, explica. *DAEM x Síndrome Mosh* A Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM) é uma condição relacionada ao declínio progressivo da testosterona com o avanço da idade, geralmente a partir dos 45, 55 ou 60 anos, variando conforme fatores genéticos e metabólicos. Estudos indicam que cerca de 20% a 30% dos homens acima dos 60 anos apresentam níveis de testosterona abaixo do considerado ideal, mas apenas parte deles manifesta sintomas clínicos relevantes. Já a síndrome MOSH pode surgir muito antes, já a partir dos 25 anos, e está diretamente associada ao excesso de gordura corporal. Em suma, o tecido adiposo converte testosterona em estradiol. O resultado é um ciclo de piora metabólica: mais gordura, menos testosterona, mais sintomas. Pesquisas apontam que a prevalência de hipogonadismo secundário em homens com obesidade moderada a grave gira em torno de 45%. Outras análises indicam que o hipogonadismo atinge 56% dos homens com obesidade classe II (IMC entre 35 e 39.9) e 61% na classe III (IMC maior que 40). “A DAEM é uma condição primariamente ligada ao envelhecimento fisiológico dos testículos. Já a MOSH é um distúrbio funcional e potencialmente reversível, ligado ao estilo de vida e ao excesso de gordura corporal”, explica Paulo Mansur. *Tratamentos: reposição ou reversão?* A diferença diagnóstica impacta diretamente o tratamento. Na Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino, por exemplo, quando há confirmação laboratorial e sintomas persistentes, a reposicão de testosterona pode ser indicada, sempre com acompanhamento médico e monitoramento periódico. O objetivo é restaurar níveis fisiológicos e melhorar qualidade de vida. Na síndrome MOSH, por sua vez, a abordagem prioritária é outra. “O primeiro tratamento é emagrecimento, atividade física estratégica, melhora do sono e da atividade intestinal, além de ajuste metabólico. Em muitos casos, ao reduzir gordura corporal, o próprio organismo volta a produzir testosterona adequadamente”, explica o médico. No caso de Mansur, a reposição iniciada precocemente teve consequências. “Ao começar a repor testosterona antes de tentar reverter a causa metabólica, meu corpo reduziu a produção natural. Hoje, preciso manter a reposição porque houve supressão do eixo hormonal”, afirma. Segundo ele, esse é um risco real quando a terapia é iniciada sem critério e sem um olhar individualizado. *Um alerta para homens jovens* Enquanto a deficiência androgênica relacionada ao envelhecimento tende a aumentar com a idade, a síndrome MOSH cresce paralelamente à epidemia global de obesidade. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a obesidade masculina aumentou significativamente nas últimas décadas, ampliando o número de homens jovens com alterações hormonais secundárias ao excesso de gordura. Para Mansur, a principal mensagem é clara: “Testosterona não é vilã nem solução mágica. É preciso entender a causa da queda hormonal. O tratamento correto depende do diagnóstico correto. Mas, acima de tudo, é fundamental criar para si uma rotina que priorize hábitos saudáveis de vida, mantendo o equilíbrio corporal, mental e espiritual diariamente”, destaca.
EDP inaugura na Serra centro de operação para monitorar sistema elétrico do ES
A EDP, distribuidora de energia elétrica responsável pelo atendimento em 70 municípios do Espírito Santo, inaugurou nesta terça-feira (10) o novo Centro de Operação Integrado (COI), localizado em Carapina, na Serra. Com investimento de R$ 72 milhões e área construída de 2.190,6 m², a estrutura amplia a capacidade de monitoramento, em tempo real, de todo o sistema elétrico da companhia no Estado. O novo centro reúne uma das estruturas tecnológicas mais modernas do país e integra dados, sensores e sistemas inteligentes que permitem manobras à distância, redistribuição automática de cargas e isolamento de falhas em poucos segundos. A consolidação das informações reduz o tempo de restabelecimento do fornecimento, minimiza impactos para os clientes e fortalece a resiliência da rede elétrica, especialmente diante de eventos climáticos severos. A partir do COI, será possível ampliar a supervisão de 4.698 MVA de potência instalada e acompanhar de forma integrada o trabalho das equipes de campo. A conexão direta entre tecnologia e operação permite decisões mais rápidas e maior agilidade na recomposição do fornecimento sempre que necessário. Para garantir melhores condições de trabalho às equipes, o espaço também foi projetado com soluções de conforto e isolamento acústico, incluindo vidros duplos e forro antirruído, evitando interferências externas nas comunicações e na concentração dos profissionais que atuam no monitoramento do sistema. Segundo o CEO da EDP na América do Sul, João Brito Martins, a inauguração do novo centro reforça o compromisso da companhia com a qualidade do serviço prestado no Estado. “No ano passado, renovamos nossa concessão no Espírito Santo, garantindo presença na vida dos capixabas até 2055. Assumimos o compromisso de seguir elevando a qualidade do fornecimento, com índices recordes e uma rede cada vez mais digital e robusta. A inauguração do novo Centro de Operação Integrado do Espírito Santo, um dos mais modernos do Brasil, reforça essa trajetória em um ano emblemático para a EDP, que celebra 50 anos no mundo e 30 anos de presença no Brasil”, afirmou. Operando 24 horas por dia, o COI centraliza o monitoramento dos 69,3 mil quilômetros de redes elétricas da EDP que atendem todo o território capixaba, além das 117 subestações que dão suporte à distribuição de energia no Estado. Inteligência integrada em um único complexo O novo complexo também passa a abrigar o Centro Integrado de Medição (CIM) e o Centro Integrado de Segurança (CIS), reunindo em um único ambiente as operações de monitoramento da rede, controle de consumo e segurança patrimonial. No CIM, é realizado o acompanhamento remoto e em tempo real de clientes conectados em alta, média e baixa tensão. A tecnologia permite identificar rapidamente anormalidades no padrão de consumo, inclusive tentativas de fraude ou ligações irregulares. Somente em janeiro de 2026, o CIM monitorou 311 mil clientes nos 70 municípios atendidos pela companhia, volume que representou 638 GWh de energia consumida no período. Já o Centro Integrado de Segurança é responsável pela vigilância remota das subestações, prédios administrativos e bases operacionais da empresa em toda a área de concessão, utilizando recursos como radares, câmeras com detecção de intrusão e sistemas de alerta sonoro. Ao reunir operação, medição e segurança em um mesmo ambiente, a EDP consolida um modelo operacional baseado em tecnologia, integração e inteligência de dados, fortalecendo a eficiência e a confiabilidade do sistema elétrico capixaba.
“Espírito Santo tem hoje a maior poupança públicado país”, diz Casagrande em café da ASES
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, participou nesta terça-feira (10) da 231ª edição do Café de Negócios da Associação dos Empresários da Serra (ASES), realizada no Steffen Centro de Eventos, em Jardim Limoeiro. O encontro abriu a agenda de eventos da entidade em 2026 e reuniu empresários, lideranças e representantes de diversos setores produtivos para discutir o cenário econômico do Estado. Durante a palestra principal do evento, Casagrande apresentou um panorama da economia capixaba e destacou os resultados recentes da gestão estadual. Segundo ele, o Espírito Santo encerrou 2025 com cerca de R$ 4,8 bilhões em investimentos, aplicados em infraestrutura, obras e equipamentos públicos. “O Espírito Santo tem hoje uma equação rara no Brasil: somos o estado com maior percentual de investimento, a maior poupança pública e a menor dívida do país. Isso demonstra a solidez e a responsabilidade da gestão”, afirmou o governador. A presidente da ASES, Leonelle Lamas, destacou a trajetória da entidade e o papel do Café de Negócios como espaço de diálogo entre empresários, instituições e poder público. Segundo ela, a associação, que completa 48 anos de atuação, tem contribuído historicamente para debates estratégicos sobre infraestrutura, mobilidade, planejamento urbano e desenvolvimento econômico da Serra e do Espírito Santo. A vice-prefeita da Serra, Gracimeri Gaviorno, também participou do encontro e ressaltou o papel do empreendedorismo na construção da força econômica do município. “A Serra é gigante, mas não nasceu gigante. Ela se fez gigante pelo trabalho de cada empreendedor e trabalhador que acreditou nesta cidade”, afirmou. A programação também contou com a apresentação de novos associados e mantenedores da ASES e a assinatura de um termo de parceria para o programa Tampinha do Bem, iniciativa de reciclagem realizada em parceria com o Sindiplastes. Com mais uma edição de grande participação, o Café de Negócios reafirmou seu papel como um dos principais espaços de diálogo entre o setor produtivo e o poder público no Espírito Santo. Novos associados contribuintes da ASES Safety; Distribuidora FX; Nutrilife; Motta Leal & Advogados Associados; Negrini Paisagismo; Mega Pneus; Pimk BPO; Destinos Prime; Emprafil; Diferente Uniformes; Ativo Consultoria; Instituto Elo; Casmy; Oxivit. Categoria MEI Viota Representações; Qualy Inovações; Mônica Leite Rigo Advogada; Delmonte Automações de Atendimento. Categoria Startup Destine Já; Geo Recicla; Autvix Code. Novos mantenedores Petisco das Meninas; Arbor Vitae Corretora de Seguros; Farloc Locações; Upmont Incorporadora; Rede Tribuna; ITA – Instituto de Treinamentos Ágeis; Fundação Carmélia; Bbuton Ventures; JC Consultoria.
Mês da Mulher: direitos na saúde que muitas brasileiras ainda desconhecem
No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher (8 de março), conhecer os próprios direitos na área da saúde é uma forma de fortalecer a autonomia feminina. Embora muitas garantias estejam previstas em lei há anos, muitas mulheres ainda desconhecem proteções importantes asseguradas durante atendimentos, exames e procedimentos médicos. Para a advogada especialista em Direito Médico e da Saúde, Fernanda Andreão Ronchi, a informação é essencial. “Quando a mulher sabe quais são seus direitos, ela participa de forma mais ativa das decisões sobre seu corpo e seu tratamento. Isso é cidadania e é dignidade”, afirma. Entre as garantias legais está o direito à presença de acompanhante no trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, previsto na Lei nº 11.108/2005. A norma assegura que a gestante escolha uma pessoa de sua confiança para acompanhá-la nas unidades do SUS e também na rede própria ou conveniada. “Não é uma autorização do hospital, é um direito da mulher”, reforça a advogada. Outro ponto fundamental é o direito à informação clara e ao consentimento antes de qualquer procedimento, conforme determinam a legislação brasileira e as normas do Conselho Federal de Medicina. Isso inclui decisões sobre métodos contraceptivos, cirurgias e tratamentos. “Nenhum procedimento deve ser realizado sem que a paciente compreenda riscos, benefícios e alternativas”, destaca Fernanda. A autonomia feminina também é protegida pela Lei nº 9.263/1996, que garante o direito ao planejamento familiar e ao acesso a métodos contraceptivos. Principais direitos da mulher na saúde: • Presença de acompanhante no trabalho de parto, parto e pós-parto imediato (Lei nº 11.108/2005); • Direito à informação clara e ao consentimento antes de procedimentos médicos; • Direito ao planejamento familiar e acesso a métodos contraceptivos (Lei nº 9.263/1996); • Respeito à autonomia da mulher nas decisões sobre seu próprio corpo e tratamento. Fonte: Fernanda Andreão Ronchi, especialista em Direito Médico e da Saúde.
Pesquisa alerta para diagnóstico tardio e tratamento inadequado do lipedema no Brasil
Um estudo recente publicado em um periódico científico do grupo Nature aponta dificuldades enfrentadas por pacientes com lipedema para obter diagnóstico correto e tratamento adequado no Brasil. O lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo, principalmente nas pernas, coxas e quadris e, em alguns casos, também nos braços. A doença afeta predominantemente mulheres e, com frequência, é confundida com obesidade, o que contribui para atrasos no diagnóstico. Segundo a médica cirurgiã plástica Patricia Lyra, referência no tratamento da doença, o diagnóstico incorreto pode comprometer a evolução clínica das pacientes. “O diagnóstico inadequado é muito prejudicial, pois contribui para um tratamento tardio, favorecendo a progressão da doença, o aumento dos sintomas e o impacto na qualidade de vida das pacientes. O tratamento da obesidade não é o mesmo utilizado no manejo do lipedema”, explica. O estudo também chama atenção para a dificuldade de reconhecimento da condição e para a adoção de terapias que nem sempre são eficazes. Medicamentos como diuréticos, por exemplo, frequentemente utilizados em quadros de edema, apresentam benefício limitado no caso do lipedema. Para Patricia Lyra, os resultados da pesquisa confirmam observações já registradas na prática clínica. “Este estudo é importante porque sistematiza conhecimentos que antes estavam dispersos e reforça que o lipedema é uma condição distinta, que não deve ser confundida com obesidade comum”, afirma. A pesquisa destaca que estratégias como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, fisioterapia e terapias compressivas podem ajudar na melhora dos sintomas e da qualidade de vida, embora não eliminem a doença. “O tratamento precisa ser individualizado e integrado porque cada paciente apresenta um quadro clínico próprio, com diferentes graus de sintomas e limitações”, ressalta a cirurgiã plástica. Apesar de o reconhecimento do lipedema ter avançado nos últimos anos, especialistas apontam que muitas pacientes ainda enfrentam dificuldades para obter diagnóstico e acompanhamento adequados, especialmente na rede pública de saúde. “Há uma carência clara de capacitação dos profissionais da atenção básica para reconhecer e encaminhar corretamente os casos”, afirma Patricia Lyra. O estudo também aponta que intervenções cirúrgicas específicas, como a lipoaspiração adaptada para lipedema, podem trazer benefícios em casos selecionados, principalmente quando o tratamento conservador não apresenta os resultados esperados. “A intervenção cirúrgica pode contribuir para redução da dor, melhora da mobilidade e da qualidade de vida das pacientes. No entanto, a indicação deve ser criteriosa, baseada em avaliação individualizada e no estágio da doença”, conclui a médica.
Sobe para 140 número de casos confirmados de Mpox no país, em 2026
Estado que mais registrou casos da doença foi São Paulo, com 93 O número de casos confirmados de Mpox no país subiu para 140 desde o início de 2026. Não houve registro de mortes decorrentes da doença no período. Os casos suspeitos somam 539; além de 9 prováveis. Os dados são do Ministério da Saúde e foram atualizados nesta segunda-feira (9). Em janeiro, o número de casos confirmados e prováveis totalizou 68; em fevereiro, 70; e em março, 11. No ano, o estado que mais registrou casos da doença foi São Paulo (93), seguido pelo Rio de Janeiro (18) e Rondônia (11). Mpox A Mpox é uma doença do mesmo gênero da varíola humana, mas geralmente menos letal. Trata-se de uma doença zoonótica viral em que a transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com pessoas infectadas pelo Mpox vírus, materiais contaminados com o vírus, ou animais silvestres infectados. Os sinais e sintomas, em geral, incluem erupção cutânea ou lesões de pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrio, e fraqueza. Pessoas com sintomas compatíveis devem procurar uma unidade de saúde para avaliação. Recomenda-se evitar o contato próximo com outras pessoas. Informações e foto: ABr
Envio de declaração do IR começa na próxima semana; veja regras
Nova isenção de até R$ 5 mil não afeta declaração deste ano A Receita Federal divulgará na próxima segunda-feira (16) as regras da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026. Embora o calendário oficial ainda não tenha sido anunciado, a expectativa é que o prazo de entrega da declaração comece no dia 16 e se estenda até 29 de maio, último dia útil do mês, seguindo o padrão dos anos anteriores. Uma das principais dúvidas entre os contribuintes neste ano envolve a nova faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Apesar de a medida ter entrado em vigor em 1º de janeiro e ter começado a aliviar o bolso de parte dos trabalhadores desde fevereiro, a mudança não terá impacto na declaração entregue em 2026. Isso ocorre porque a declaração deste ano se refere aos rendimentos obtidos em 2025. Assim, a nova faixa de isenção só terá efeito prático na declaração a ser apresentada em 2027. A confusão entre isenção do imposto e obrigatoriedade de entregar a declaração é comum entre os contribuintes. Especialistas alertam que estar isento do pagamento mensal não significa automaticamente estar dispensado de prestar contas ao Fisco, já que a obrigação de declarar depende também de outros critérios, como patrimônio, investimentos e operações financeiras. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Quem deve declarar o Imposto de Renda em 2026? Com base nas regras aplicadas no último exercício fiscal, que não sofreram alteração neste ano, devem apresentar a declaração os contribuintes que, em 2025: Receberam rendimentos tributáveis, como salários, aposentadorias ou aluguéis, acima de R$ 33.888; Obtiveram rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte superiores a R$ 200 mil; Tiveram receita bruta de atividade rural acima de R$ 169.440; Obtiveram ganho de capital na venda de bens ou direitos; Fizeram operações em bolsas de valores, mercadorias ou futuros com soma superior a R$ 40 mil; Fizeram operações de day trade (compra e venda na bolsa no mesmo dia) com lucro; Venderam ações com lucro em meses com volume superior a R$ 20 mil; Possuíam bens ou direitos acima de R$ 800 mil em 31 de dezembro; Tornaram-se residentes no Brasil ao longo de 2025; Declararam bens ou participações em entidades no exterior; Foram titulares de trusts (empresas de investimento) no exterior; Atualizaram bens no exterior a valor de mercado ou receberam rendimentos financeiros de entidades estrangeiras; Optaram por isenção de ganho de capital na venda de imóvel residencial, desde que tenham reinvestido o valor em outro imóvel em 180 dias. Quem fica isento do imposto? A nova tabela do Imposto de Renda ampliou a faixa de isenção para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, mas a regra só valerá para rendimentos recebidos a partir de 2026. Por isso, o efeito prático aparecerá apenas na declaração entregue em 2027. Atualmente, o limite oficial de isenção do imposto é de R$ 2.428,80 por mês. Com os ajustes aplicados na tabela, que criou deduções adicionais, a isenção efetiva alcança rendimentos mensais de até R$ 3.036, valor equivalente a dois salários mínimos em 2025. Documentos necessários para declarar Para preencher a declaração, o contribuinte deve reunir documentos pessoais e comprovantes de renda e patrimônio. Documentos de identificação: Documento oficial com CPF (RG ou CNH); Comprovante de endereço atualizado; CPF do cônjuge; Número do título de eleitor; Recibo da declaração do ano anterior; Número do PIS, NIT ou inscrição no INSS; Dados de dependentes e alimentandos. Comprovantes de renda: Informes de rendimentos do titular e dependentes; Extratos bancários e de aplicações financeiras; Relatórios de aluguéis recebidos; Informes de previdência privada; Rendimentos de programas de incentivo à nota fiscal. Comprovantes de renda variável: Notas de corretagem; DARFs pagos; Informes de rendimentos de investimentos. Restituições Seguindo o padrão dos últimos anos, o pagamento das restituições deve começar no fim de maio. A expectativa é que o primeiro lote seja liberado em 29 de maio, enquanto o quinto e último lote tende a ser pago em 30 de setembro. Informe de rendimentos Documento essencial para preencher a declaração, o informe de rendimentos foi repassado por empregadores e pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) até 27 de fevereiro, último dia útil do mês passado. O mesmo vale para as instituições financeiras, que eram obrigadas a enviar os rendimentos de aplicações e o saldo em contas até a mesma data. Caso não tenha recebido o documento, o contribuinte deve pedi-lo diretamente à empresa ou utilizar a declaração pré-preenchida disponível no sistema da Receita Federal a partir do primeiro dia de declaração. Outros comprovantes Os comprovantes usados para deduções no Imposto de Renda também foram enviados até 27 de fevereiro. Os informes de pagamentos a planos de saúde individuais e recolhimentos a fundos de pensão serão usados pelo contribuinte para deduzir os valores cobrados no Imposto de Renda e aumentar a restituição. Informações e fotos: ABr
Encontro ES 500 Anos apresenta avanços do plano e debate qualificação profissional
A segunda edição do Encontro ES 500 Anos reuniu cerca de 450 participantes nesta segunda-feira (9), no Palácio Anchieta, em Vitória, para apresentar os avanços do planejamento estratégico desde julho de 2025, quando o Plano ES 500 Anos foi entregue à sociedade. O documento estabelece 31 metas com foco em resultados até 2035, organizadas em cinco missões estratégicas voltadas ao desenvolvimento do Espírito Santo. O plano é conduzido por uma governança compartilhada que envolve poder público, setor produtivo, sociedade civil e academia. Segundo a secretária-geral do ES 500 Anos, Débora Macedo, e a economista Silvia Varejão, as equipes responsáveis pelas missões trabalham atualmente na estruturação de cerca de 400 iniciativas, reunidas no Observatório ES 500 Anos, plataforma pública lançada em dezembro de 2025. Durante o encontro, lideranças de diferentes setores destacaram a importância do planejamento de longo prazo. O secretário de Estado de Economia e Planejamento, Álvaro Duboc, afirmou que o ES 500 Anos foi concebido como um projeto de Estado. “O ES 500 Anos é um projeto de Estado, não de governo. E ele só faz sentido com participação, transparência e corresponsabilidade.” Representando o setor produtivo, o diretor-presidente do ES em Ação, Fernando Saliba, ressaltou que o plano estabelece um caminho de desenvolvimento para o estado até 2035 e precisa ser continuamente construído pela sociedade. Já Vanderson Pedruzzi, da Federação das Apaes, destacou a importância de transformar metas em impacto real na vida da população. O governador Renato Casagrande reforçou que o planejamento é fundamental para sustentar o desenvolvimento do Espírito Santo. “Temos um Estado organizado, e isso só é possível com planejamento. Hoje, quem olha para o Espírito Santo percebe confiança no que estamos fazendo.” O evento também incluiu um painel sobre formação de capital humano e desenvolvimento de competências para o futuro, reunindo especialistas para discutir educação, empregabilidade e adaptação às transformações tecnológicas. O debate destacou a qualificação profissional como eixo central para alcançar as metas do Plano ES 500 Anos até 2035.
Consumo das famílias capixabas atinge maior nível em nove anos e supera média nacional
O nível de consumo atual das famílias capixabas registrou crescimento de 5,3% em fevereiro na comparação com janeiro, alcançando 107 pontos — o maior resultado para o mês nos últimos nove anos. O indicador permanece acima da linha dos 100 pontos, patamar que sinaliza satisfação e maior predisposição ao consumo, e também supera a média nacional, que ficou em 94,2 pontos. Os dados fazem parte do relatório mensal do Connect/Fecomércio-ES, elaborado a partir do Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No resultado geral do ICF, o Espírito Santo alcançou 109,9 pontos em fevereiro, com crescimento de 1,2% em relação a janeiro, quando o índice havia registrado 108,6 pontos. Com esse desempenho, o estado se mantém acima da média brasileira, que ficou em 106 pontos, e também supera o resultado da região Sudeste, de 107,7 pontos. De acordo com o coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, a evolução dos dados mostra uma tendência de crescimento nos últimos anos. Considerando os resultados de fevereiro desde 2016, quando o índice estava em 70,3 pontos, a intenção de consumo das famílias capixabas passou a registrar os maiores patamares a partir de 2024, alcançando 110,7, 112,6 e 109,9 pontos. “O resultado indica consolidação de um cenário mais estável para o consumo no estado e propício para o planejamento financeiro. O crescimento do Nível de Consumo Atual, subíndice do ICF, aponta para uma confiança maior por parte das famílias capixabas na manutenção ou ampliação das compras. Mesmo com sinais de cautela em relação ao emprego e à renda, o ambiente segue favorável, com perspectivas mais positivas do que no restante da região e do país”, avaliou Spalenza. Entre os demais componentes do índice, o subíndice “Acesso ao Crédito (compras a prazo)” registrou crescimento de 2,7%, passando de 104,8 para 107,6 pontos em fevereiro. Já os indicadores “Segurança em relação ao Emprego Atual” (-1,4%) e “Satisfação com a Renda Atual” (-1,8%) apresentaram pequenas retrações, embora a maioria dos subíndices permaneça acima da zona considerada de satisfação. A pesquisa completa está disponível no portal da Fecomércio-ES.