As tecnologias quânticas foram destacadas como uma das principais fronteiras de inovação e disrupção no cenário global durante o Quanta ES 2026, realizado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória, nos últimos dias 26 e 27. Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o coordenador-geral de Tecnologias Habilitadoras, Felipe Bellucci, reforçou a importância da mobilização dos estados para o avanço dessa agenda no Brasil. Segundo Bellucci, o MCTI atua como articulador nacional para impulsionar o desenvolvimento científico e tecnológico, tratando as tecnologias quânticas como um eixo estratégico. “As tecnologias quânticas são uma das fronteiras mais próximas de disrupção. Por isso, é fundamental que os estados compreendam a relevância dessa agenda e comecem a se mobilizar internamente”, afirmou. Durante a programação, Bellucci participou do painel “Plano de Desenvolvimento de Quântica Brasil e Espírito Santo”, ao lado do diretor-presidente da Fapes, Rodrigo Varejão, com mediação do professor doutor Guilherme Pereira, do Instituto Arandu. O debate abordou a construção de estratégias integradas entre União e estados para fortalecer o avanço das tecnologias quânticas, considerando as vocações regionais e o papel das instituições locais. De acordo com o representante do ministério, o impacto dessas tecnologias é transversal, com aplicações em áreas como comunicação, computação e sensoriamento. “Ela funciona como uma camada habilitadora para diversas áreas, porque tudo envolve comunicação, processamento de dados ou captação de informações. Isso mostra o potencial de transformação em grande parte da sociedade”, explicou. Bellucci também destacou o esforço do governo federal em integrar diferentes ministérios na construção de uma política coordenada para o setor. A proposta é elevar o tema ao nível de política de Estado, com atuação conjunta entre as áreas e incentivo à participação de universidades e institutos de pesquisa. “A grande força dessa agenda está nos estados, nas universidades e nos centros de pesquisa. Cabe ao Ministério sensibilizar e convidar a comunidade a colaborar, porque é desse ambiente que surgem as principais soluções”, disse. No caso do Espírito Santo, o coordenador apontou que o estado já possui uma base relevante para avançar no tema, especialmente em áreas como nanotecnologia, fotônica e materiais semicondutores. Para ele, o próximo passo é inserir as tecnologias quânticas na agenda estratégica estadual. “O Espírito Santo já tem tradição em áreas fundamentais para a tecnologia quântica. Agora, é preciso demonstrar a importância do tema para que ele seja incorporado como prioridade. A partir disso, há uma mobilização natural de esforços para o desenvolvimento dessas tecnologias”, afirmou. A articulação nacional, segundo Bellucci, também busca respeitar as vocações regionais. A ideia é que cada estado contribua de forma alinhada às suas características e necessidades locais, fortalecendo a construção de uma política nacional integrada para o setor. A importância da infraestrutura institucional Durante o painel, o diretor-presidente do Instituto Arandu, Guilherme Pereira, destacou a importância da estrutura institucional para o desenvolvimento científico e tecnológico, apontando que o avanço da inovação depende de três pilares centrais: infraestrutura, capital e organização institucional. “A gente fala de infraestrutura, inclusive da infraestrutura da pesquisa. A gente fala de capital e de um terceiro eixo importante, que é a questão institucional, a organização institucional”, afirmou. Segundo ele, políticas públicas consistentes são determinantes para o sucesso de iniciativas tecnológicas no país. Guilherme citou exemplos históricos para ilustrar esse ponto. “Quando se fala da Embraer e da Gurgel, são exemplos clássicos disso, da importância do ambiente institucional e das políticas de apoio ao desenvolvimento”, disse. O diretor também mencionou avanços no reconhecimento dessa agenda no Brasil, destacando a inclusão do tema na Constituição. “A emenda constitucional de 2015 traz um ponto extremamente importante ao afirmar que o mercado interno é patrimônio nacional. A gente precisa cumprir isso”, ressaltou. Para Guilherme, o desafio agora é transformar esse entendimento em ações concretas, conectando diretrizes nacionais com iniciativas práticas nos estados e nos ecossistemas locais de inovação. O avanço do Espírito Santo Durante o painel, o diretor-presidente da Fapes, Rodrigo Varejão, destacou o avanço do Espírito Santo no financiamento à ciência e inovação, com aumento expressivo dos investimentos nos últimos anos. Segundo ele, o volume executado saltou de R$ 160 milhões, em 2023, para R$ 328 milhões em 2025. De acordo com Varejão, o Estado se consolida hoje como um dos principais destinos de investimento per capita em ciência e tecnologia no país, com uma das maiores execuções financeiras entre as fundações de amparo à pesquisa. O dirigente ressaltou que a ampliação de recursos é essencial, mas precisa estar associada a estratégia. “Não basta ter recurso. É preciso direcionar investimentos para áreas que gerem impacto e estejam conectadas com as necessidades do Estado”, afirmou. Nesse sentido, ele destacou a criação de uma agenda estratégica na Fapes, com foco em áreas como transformação digital, supercomputação e inteligência artificial. A proposta é sair de iniciativas isoladas e promover maior conexão entre projetos, aumentando a capacidade de gerar resultados concretos. Varejão também enfatizou a importância de aproximar a produção científica da sociedade e do setor produtivo. “Não pode ficar restrito à academia. É fundamental envolver empresas e ampliar o ciclo de maturidade das pesquisas até sua aplicação”, disse. Outro ponto abordado foi a construção de um planejamento estruturado para o desenvolvimento científico capixaba, com base em diagnóstico realizado em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). A partir disso, foram definidos eixos prioritários, como retenção de talentos, fortalecimento da governança e difusão do conhecimento. O plano da Fapes está organizado em três vetores principais: interiorização da ciência, internacionalização das iniciativas e aumento da maturidade científica e tecnológica. Segundo Varejão, esses pilares devem orientar os próximos investimentos e consolidar o crescimento do setor no Estado. O dirigente destacou ainda a necessidade de ampliar a competitividade do Espírito Santo, inclusive com a criação de mecanismos para atrair pesquisadores e fortalecer redes de colaboração. “Esse é um caminho sem volta. Precisamos estruturar o Estado para competir em nível nacional e internacional”, afirmou.
Nova versão do Mounjaro reforça tendência de tratamento individualizado
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou neste mês a chegada ao Brasil de uma nova versão das canetas do medicamento Mounjaro, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly. O novo dispositivo permite o ajuste de diferentes doses em uma única caneta, ampliando a flexibilidade no tratamento de pacientes com diabetes mellitus tipo 2, obesidade e síndrome da apneia do sono. Segundo a endocrinologista Gisele Lorenzoni (foto), a aprovação acompanha uma tendência crescente de personalização das terapias no cuidado metabólico. A especialista destaca que a possibilidade de ajuste de dose em um único dispositivo representa um avanço na prática clínica, aproximando o Mounjaro de medicamentos já consolidados no mercado, como Ozempic e Wegovy, que utilizam sistemas semelhantes. “A possibilidade de ajustar a dose em uma mesma caneta torna o uso mais prático e seguro, permitindo uma progressão mais gradual conforme a resposta do paciente e reduzindo efeitos colaterais”, explica. A principal mudança está na concentração de múltiplas doses em um único dispositivo. Apesar da inovação, a administração do medicamento permanece semanal. O Mounjaro tem como princípio ativo a tirzepatida, um co-agonista dos hormônios intestinais GLP-1 e GIP. Essa combinação atua diretamente no controle da glicemia, na redução do apetite e na regulação do metabolismo energético. Até então, o medicamento era disponibilizado no país em canetas de doses fixas, como 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg e 10 mg, com novas concentrações em expansão. De acordo com a especialista, a tirzepatida se destaca pela ação dupla. “Ao atuar simultaneamente nos receptores de GLP-1 e GIP, o medicamento potencializa os resultados tanto no controle do diabetes quanto na perda de peso, com evidências de maior eficácia em comparação a outras terapias já disponíveis”, afirma. Entre os benefícios associados estão a melhora significativa dos níveis de glicose, maior perda de peso sustentada e possível impacto positivo em comorbidades, como a apneia do sono. “É uma medicação que amplia o arsenal terapêutico e oferece novas perspectivas para pacientes que não tiveram resposta adequada a outros tratamentos”, completa Gisele Lorenzoni.
Turismo capixaba avança, bate recorde e já soma mais de 74 mil empresas no setor
O Espírito Santo vem consolidando um novo momento no turismo nacional. Dados do Sebrae/ES indicam um ciclo de expansão impulsionado por investimentos de R$ 52,6 milhões entre 2024 e 2025, realizados em parceria com diversas instituições. Nesse período, o número de empresas ligadas ao setor saltou de 59 mil para mais de 74 mil, um crescimento de 25,77%. O panorama foi apresentado durante a coletiva “Comunicar para Transformar”, que destacou a articulação entre Governo do Estado, Sebrae/ES, Conselho Estadual de Turismo (Contures), CET/Fecomércio-ES e o trade turístico na conversão do potencial capixaba em resultados concretos. Segundo o Relatório do Turismo no Espírito Santo Connect/Fecomércio-ES, com base em dados do IBGE, janeiro de 2026 foi o melhor desempenho do setor para o mês desde 2014. Durante o evento, o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, ressaltou a importância da análise de dados para compreender o novo cenário e identificar oportunidades para empreendedores. “O turismo movimenta uma ampla cadeia de pequenos negócios e tem enorme potencial de geração de renda e desenvolvimento para o estado. Apresentamos números inéditos, que mostram como esse crescimento vem impactando diretamente empreendedores capixabas”. A estratégia de regionalização aparece como um dos principais fatores desse avanço. Em 2025, o Sebrae/ES realizou mais de 87,5 mil atendimentos a pequenos negócios do setor, com destaque para a região do Caparaó, que registrou aumento de 37,4% na demanda por suporte técnico e consultorias. “O que vemos hoje é resultado de planejamento e presença contínua nas regiões turísticas. Além de estimular a abertura de empresas, garantimos acesso ao crédito. Mais de R$ 11 milhões foram viabilizados por meio do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe)”, afirmou Rigo. Em relação ao crédito, o Sebrae/ES mais que dobrou o número de operações com o Fampe em 2025, ampliando o acesso de empresas ao sistema financeiro. O total de operações cresceu 142%, passando de 47 em 2024 para 114 no ano passado. O volume liberado para o setor turístico chegou a R$ 11.173.884,75, com ticket médio de R$ 360.480,31 por empresa. Os segmentos que mais acessaram os recursos foram os de restaurantes e serviços de alimentação e bebidas, com R$ 6.788.721,00, seguidos por serviços de catering e bufê, que somaram R$ 826 mil. A promoção do destino também avançou com a marca “Espírito Santo: Encontre-se”, que reforça o posicionamento do estado como um destino de experiências autênticas. O portfólio de produtos turísticos catalogados cresceu de 78 para 208 opções. A visibilidade nacional foi ampliada com a capacitação de 15 mil agentes de viagens em mercados emissores estratégicos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O reconhecimento já começa a se refletir no mercado, com operadoras como CVC Corp e Azul Viagens classificando o Espírito Santo como um destino de “Série A”. “Nosso papel é contribuir para um ambiente de negócios favorável ao desenvolvimento do turismo e de toda a sua cadeia produtiva. Ao mesmo tempo, capacitamos empreendedores para atender essa nova demanda, de forma consciente e sustentável”, destacou Pedro Rigo.
Governo do ES lança Rede Abraço Mulher com foco em acolhimento para mulheres
O Governo do Espírito Santo lança, na próxima segunda-feira (30), às 9h30, a Rede Abraço Mulher, nova estratégia de atenção e acolhimento voltada a mulheres e meninas a partir de 14 anos em situação de vulnerabilidade relacionada ao uso problemático de álcool, outras drogas e comportamentos aditivos, como jogos e apostas. O evento será realizado no Palácio Anchieta, em Vitória, com entrada gratuita. A iniciativa, coordenada pela Rede Abraço, foi estruturada com base na perspectiva de gênero e no conceito de vulnerabilidade multidimensional. A proposta considera que o sofrimento feminino pode ser agravado por fatores como violência de gênero, racismo, dependência econômica e maternidade sem rede de apoio, o que impacta diretamente o acesso aos serviços públicos. A advogada e comunicadora Gabriela Prioli será a palestrante principal do evento de lançamento. Ela vai abordar o tema “Cuidando de quem cuida: acolhimento, propósito e protagonismo feminino”. De acordo com o coordenador do Programa Rede Abraço, Carlos Lopes, a iniciativa amplia o alcance das políticas públicas voltadas ao público feminino. “A Rede Abraço Mulher não é apenas uma expansão de serviços, mas um compromisso institucional com o acolhimento digno e com a proteção das mulheres. Queremos que cada mulher saiba que existe um lugar onde sua voz é ouvida, sua dor é cuidada e sua vida é protegida”, afirmou. A estratégia está organizada em quatro eixos: prevenção, cuidado, proteção e autonomia. O atendimento especializado será realizado, preferencialmente, por profissionais mulheres, com foco em escuta qualificada e ambiente seguro. O programa prevê atendimento ambulatorial, grupos terapêuticos com plano de cuidado individual e espaços de acolhimento exclusivos para mulheres. Também haverá suporte específico para familiares afetados pelo uso de substâncias por terceiros, como mães, esposas, filhas e irmãs. Na área de proteção, a Rede Abraço Mulher terá integração com os Centros Margaridas, além de articulação com a rede pública de saúde (SUS), assistência social (SUAS) e o sistema de justiça. Já na frente de autonomia, estão previstos cursos de qualificação profissional por meio do Qualificar ES, apoio a projetos de vida e incentivo à independência econômica e emocional. As unidades contarão ainda com Espaço Kids, ações de dignidade menstrual e concessão de Vale Social, com o objetivo de reduzir barreiras de acesso e ampliar a adesão ao tratamento. Criada em 2013 e reformulada em 2019, a Rede Abraço é uma política pública estadual voltada ao atendimento de pessoas e famílias com problemas relacionados ao uso abusivo de álcool e outras drogas, com foco em prevenção, cuidado, tratamento e reinserção social. Serviço Lançamento da Rede Abraço Mulher Data: 30 de março de 2026 (segunda-feira) Horário: 9h30 Local: Palácio Anchieta, Centro, Vitória (ES) Entrada gratuita, sem necessidade de inscrição prévia
João Gualberto – “Eleição nas redes sociais”
Desde 2011, quando as manifestações políticas na chamada Primavera Árabe tomaram conta do debate político em todo o mundo, vimos que havia uma nova força em ação nas sociedades: as redes sociais. O mesmo se deu em 2013, aqui no Brasil, com as Jornadas de Junho, que tiveram forte impacto no impeachment da presidente Dilma Rousseff. Houve também eventos importantes na Espanha que levaram o sociólogo Manuel Castells a fazer reflexões, em encontros públicos também em 2011, que considero pioneiras quanto ao fato de as redes sociais despertarem novos modos de vida e sentido nos novos sistemas de comunicação. Castells, com sua influência internacional, nos ajudou a entender que as redes facilitam a conexão e o compartilhamento de ideias, mas também nos alertou que elas criam bolhas de filtro, nas quais as pessoas só veem informações que confirmam suas crenças. As redes sociais impactaram fortemente a noção de liderança, até então centrada em instituições como partidos políticos, sindicatos, imprensa e igreja, dentre outras. Elas ficaram mais difusas e fragmentadas, dando origem a um sem-número de influenciadores sociais, que são, de fato, os novos formadores de opinião. Isso democratizou tanto a produção quanto o consumo de notícias, informações e opiniões. Não foi só isso, entretanto, o que ocorreu com o sucesso das redes sociais e das novas tecnologias de informação. Foi muito mais. Vamos pensar em um bom exemplo: o caso brasileiro nas eleições de 2026. Como muito bem sabem os meus leitores, teremos eleições este ano. Serão, certamente, muito disputadas, tanto regional quanto nacionalmente. A polarização existente desde 2018 tende a continuar, e a continuar através das redes sociais, já que a política migrou para elas. Eu acredito que teremos em 2026 uma disputa muito intensa centralizada justamente nas redes, e a formação de opinião, antes centrada nos grandes veículos da imprensa diária, mudou de lugar. As esquerdas, que sempre dominaram as redações dos maiores veículos, perderam a sua hegemonia para essa democratização, às vezes muito perigosa, hoje existente. São centenas de influenciadores que marcam as sociedades no mundo todo. Mais do que isso, as pessoas imaginam que são muito bem informadas, que estudam os grandes problemas, têm opinião formada sobre tudo. Uma multidão de operadores das informações que chegam ao cidadão comum, o fluxo e a forma das informações dão às pessoas a impressão de controle do processo, embora os algoritmos controlem tudo. Esses sentimentos de ser bem informado e não ser manipulado pela grande mídia são alimentados pelos bastidores dessas centrais de informação, em boa parte falsas, em um nível que a maioria não entende. Tanto é assim que os brasileiros costumam negar as notícias dos grandes veículos. Os gigantes das novas mídias manipulam tanto quanto a mídia que os antecedeu, ou mais. Mas a forma como o fluxo chega ao cidadão comum os deixa confusos, ou enganados. É essa massa de cidadãos ligados ao WhatsApp e a toda a cadeia de construtores de notícias que existe por trás dele que vai decidir o futuro da nossa sociedade. É uma oportunidade e um risco. E vamos então à pergunta que creio que deva conduzir as nossas ações nesse campo: o que instituições de representação da sociedade, de uma forma geral, devem fazer para ter influência nesse contexto e como evitar uma produção em série de mentiras e manipulações? A primeira coisa é entender que a construção da política mudou de lugar. Ela se dá nas redes sociais. Portanto, é fundamental modernizar os canais de comunicação com o grande público. Participar das novas mídias de forma contundente. A segunda é entender que a geração de lideranças passa por outros meios. A Virginia Fonseca sabe disso. Nossas plataformas programáticas e a profundidade de nossas propostas devem passar por um filtro de atualização, e as propostas devem ser simples e objetivas. A lógica que tudo preside é a da economia da atenção: em poucos segundos, uma pessoa abandona uma mensagem que não lhe interessa. Querer dialogar com o conjunto dos empreendedores, por exemplo, ou com outro setor da opinião de brasileiros e capixabas exige esse esforço. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018.
Caminhada da Amaes reúne mais de 3 mil participantes na Orla de Camburi
Evento mobiliza sociedade em torno da inclusão e dos direitos das pessoas com autismo A Associação de Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes) realizou, neste domingo 29/03, a Caminhada da Inclusão na Orla de Camburi, em Vitória. Com o tema “Inclusão não abro mão”, o evento reuniu mais de 3 mil pessoas, segundo a Guarda Municipal de Vitória, entre famílias, apoiadores e representantes da sociedade civil em um momento de conscientização sobre os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A mobilização teve concentração próximo ao Quiosque 1 e percorreu a orla com participantes vestindo camisetas azuis e levando mensagens de inclusão e respeito às diferenças. Durante o trajeto, o público reforçou a importância de ampliar o debate sobre acesso a serviços, visibilidade e garantia de direitos para pessoas com autismo. A presidente da Amaes, Pollyana Paraguassu, destacou o significado da participação coletiva. Segundo ela, a caminhada mostra o engajamento da sociedade com a causa e evidencia que a inclusão deve estar presente em todos os espaços. “Cada pessoa presente contribui para fortalecer a luta por mais respeito, oportunidades e qualidade de vida para pessoas com autismo e suas famílias”, disse. O evento também contou com a presença do governador do Estado, Renato Casagrande; do vice-governador, Ricardo Ferraço; do senador Fabiano Contarato; do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini; da presidente da OAB-ES, Erica Neves; da primeira-dama do Estado Virgínia Casagrande; da primeira-dama, da Capital, Paula Pazolini; do presidente da Comissão de Defesa dos direitos da Pessoa Autista da OAB-ES, Denys Moraes; da secretária de Estado das Mulheres, Jaqueline Moraes; do secretário de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade de Vila Velha, Joel Rangel; do secretário de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho de Vitória, Luciano Forrechi; e de deputados e vereadores, que se uniram à iniciativa e acompanharam a caminhada ao lado das famílias atendidas pela associação. A participação de lideranças e apoiadores amplia a visibilidade da causa e contribui para o avanço das discussões sobre inclusão. Com seis unidades no Espírito Santo, a Amaes acompanha cerca de 1.500 pessoas com autismo e suas famílias. A instituição oferece atendimentos especializados, apoio educacional e ações voltadas à inclusão social, além de atuar de forma permanente na conscientização da sociedade e na defesa de políticas públicas voltadas ao tema.
Evento reúne 500 agentes de turismo e reforça o ES como destino nacional
O Espírito Santo deve ganhar protagonismo no cenário turístico nacional com a realização do ESTour – Salão Capixaba do Turismo, que acontece entre os dias 25 e 28 de abril, no Aeroporto de Vitória. O evento já tem confirmada a participação de 542 agentes de viagens de todos os estados do Brasil, consolidando a iniciativa como uma das mais estratégicas já realizadas para promover o Estado no país. Apresentado oficialmente nesta quinta-feira (26), no Salão Nobre da Casa do Turismo (Setur), o ESTour é considerado um evento inédito no Brasil e marca uma mudança de posicionamento do turismo capixaba, que busca deixar de disputar atenção para ocupar espaço de protagonismo no mercado nacional. Idealizado pela Cooperativa de Eventos e Turismo do Espírito Santo (Cooptures) e alinhado ao Plano de Marketing do Governo do Estado (2026–2030), o evento terá foco na geração de negócios e na promoção de experiências imersivas. A proposta é que os agentes saiam do Espírito Santo com conhecimento prático e argumentos concretos para comercializar o destino em seus mercados. Dentro do espaço do evento, serão montadas réplicas de pontos turísticos icônicos, como o Convento da Penha e o Buda Gigante, além de experiências interativas ligadas ao agroturismo e à cultura capixaba. Entre as vivências previstas estão colheita de morangos, preparo da moqueca capixaba, apresentação do tombo da polenta e atividades inspiradas no litoral, como a Praia de Camburi. Organizado em eixos como Sol e Mar, Agroturismo e Turismo Rural, Cultura e Patrimônio, Montanhas e Natureza, o ESTour reunirá 20 operadoras de turismo e 45 guias, que irão percorrer 12 roteiros estruturados, contemplando as 10 regiões turísticas capixabas. A programação inclui ainda rodadas de negócios, capacitações em parceria com o Sebrae-ES e famtours para destinos como Caparaó, Guarapari e Itaúnas. “O evento aposta em um modelo que não termina quando as luzes se apagam no salão. Ele se desdobra em vendas, roteiros comercializados e no aumento do fluxo turístico ao longo dos meses seguintes”, destaca Alfonso Silva, presidente da Cooptures. Com formato voltado exclusivamente para profissionais do setor, o evento não será aberto ao público geral, com acesso restrito a participantes credenciados. “O ESTour é um espaço estratégico para integrar, promover e fortalecer o turismo do Espírito Santo, valorizando a diversidade de seus destinos e consolidando o estado como referência nacional”, afirma o secretário de Estado do Turismo, Victor Coelho. A iniciativa também contará com a participação de operadoras nacionais, além de famtours e press trips com jornalistas e influenciadores. “O turismo capixaba está vivendo um momento inédito em sua história, e o ESTour se apresenta como uma estratégia para acelerar essa convergência entre o destino e o trade”, afirma Pedro Rigo, superintendente do Sebrae/ES. Realizado pela Cooptures, em correalização com o Sebrae/ES e a Secretaria de Estado do Turismo, o evento conta ainda com apoio do Contures e da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio-ES. Serviço ESTour – Salão Capixaba do Turismo Data: 25 a 28 de abril Local: Aeroporto de Vitória Mais informações: https://estour.com.br/ Instagram: @estourcapixaba
Por que a dengue pode se agravar justamente quando o paciente acha que está melhor?
Infectologista explica como a dengue evolui no organismo e alerta para sintomas que exigem atendimento médico imediato A dengue não tem hora para aparecer. A doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti pode surgir em qualquer época do ano e variar de quadros leves até formas graves que, se não tratadas corretamente, podem levar ao óbito. Por isso, conhecer a evolução da doença e saber identificar os sinais de alerta é fundamental para evitar complicações. De acordo com a infectologista Martina Zanotti, do Hospital Vitória Apart, a dengue costuma evoluir em três fases: febril, crítica e de recuperação. Entender cada etapa ajuda a identificar quando o quadro exige maior atenção. Fase febril: início da doença A primeira etapa da dengue é conhecida como fase febril e costuma durar entre dois e sete dias. “É a fase inicial, marcada por febre alta, dor de cabeça, dor muscular, dor atrás dos olhos, náuseas, vômitos, diarréia e manchas vermelhas na pele. A maioria dos pacientes se recupera neste estágio, sem maiores complicações”, explica Martina. Fase crítica: quando o risco aumenta Em alguns pacientes, a doença evolui para a chamada fase crítica, período em que o risco de agravamento é maior. “Esse é o momento de maior atenção, pois ocorre justamente quando a febre começa a melhorar, entre o quarto e o sétimo dia. É nessa etapa que a doença pode se agravar e precisamos estar atentos aos sinais de alarme: dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura ou desmaios, redução da urina, sonolência excessiva, confusão mental ou sangramentos. Esses sintomas exigem atendimento médico imediato”, alerta a especialista. Fase de recuperação Nos pacientes que passaram pela fase crítica, a recuperação geralmente começa a partir do sétimo dia do início dos sintomas. “Há melhora progressiva do quadro, embora alguns sintomas, como fraqueza, possam permanecer por mais tempo. Em casos com complicações, como hepatite pelo vírus da dengue, a recuperação pode ser mais lenta”, explica a infectologista. Segunda infecção pode ser mais grave A infectologista também alerta que uma segunda infecção por dengue pode ser mais grave. Isso ocorre porque existem quatro sorotipos do vírus, e novas infecções tendem a provocar quadros mais severos. “O maior perigo da dengue é uma segunda ou terceira infecção, que pode evoluir de forma mais grave”, afirma. Para reduzir riscos, a hidratação é essencial durante a doença. “O vírus provoca uma distribuição inadequada dos líquidos no corpo, favorecendo a desidratação, que pode agravar o quadro”, explica. A médica do Hospital Vitória Apart também reforça a importância da vacinação. “A vacina é extremamente segura e eficaz contra a doença. A maior vantagem é a prevenção das formas graves, hospitalização e morte por dengue. A pessoa vacinada pode pegar a doença, mas terá uma probabilidade muito menor de adoecer gravemente”, conclui.
Festa da Penha 2026 terá shows nacionais de Eliana Ribeiro e Thiago Brado. Veja a programação completa
Pré-estreia do filme “Maria, esta fé que me leva” integra a agenda cultural Entre acordes, vozes e manifestações de fé, a Festa da Penha 2026 convida o público a viver uma experiência que vai além das celebrações religiosas. Ao longo dos dias, entre 5 e 13 de abril, em Vila Velha, a programação reúne shows, concertos, exibições e apresentações especiais que transformam os espaços da festa em verdadeiros palcos de encontro entre cultura e espiritualidade. Considerada a terceira maior celebração mariana do Brasil e dedicada a Nossa Senhora da Penha, padroeira do Espírito Santo, a festa integra fé e cultura em uma agenda diversa, gratuita e aberta ao público. Com atividades distribuídas entre o palco do Parque da Prainha, o Campinho do Convento da Penha e a Praça da Igreja do Rosário, a programação cultural e religiosa se estende por tardes e noites. A agenda musical começa no dia 9 de abril, com o concerto da orquestra do Projeto Casa Verde — instituição sem fins lucrativos que, desde 2005, atua na construção da dignidade por meio da música —, às 19h, no Campinho do Convento. No dia 10, às 20h30, o Parque da Prainha recebe a apresentação da Orquestra de Violões Cordas & Acordes, um grupo capixaba criado em há quase duas décadas que mistura violões com flauta, gaita, acordeon, percussão e vocal, apresentando repertório nacional e internacional. No dia 11, a partir das 18h, o Parque da Prainha recebe a apresentação do Coral ArcelorMittal, acompanhado de convidados, em um momento que une música e espiritualidade na programação da festa. No fim de semana, a programação ganha ainda mais força. No domingo (12), o público acompanha a apresentação da Orquestra Jovem Vale Música, às 18h15, na Praça da Igreja do Rosário. Em seguida, às 19h, no Parque da Prainha, a cantora Eliana Ribeiro, conhecida por sucessos como “Força e Vitória”, “Oração de São Francisco”, “Tudo É do Pai” “Saudade de Ti” e “Enlace do Amor”, sobe ao palco ao lado de Amo Vox e Ângela Abdo. Reconhecida como uma das principais vozes da música católica no Brasil, a capixaba Eliana Ribeiro atua há mais de duas décadas na evangelização, levando através da música mensagens de fé, esperança e espiritualidade para públicos em todo o país e também no exterior. No encerramento, no dia 13 de abril, às 18h, a Orquestra Jovem Vale Música, marcará presença novamente na Praça da Igreja do Rosário. Já às 18h30, no Parque da Prainha, o cantor Thiago Brado se apresenta no show final da festa, logo após a missa solene. Com carreira iniciada ainda na adolescência, o artista paranaense se consolidou como um dos nomes de destaque da música católica contemporânea. Entre seus sucessos, as canções “Minha Essência”, “Deus Está Aqui”, “Verdade do Tempo” e “Diante do Rei” acumulam milhões de visualizações nas plataformas digitais. Outro momento que amplia a experiência cultural é a pré-estreia do filme “Maria, esta fé que me leva”, exibido no dia 8 de abril, às 19h, na Praça da Igreja do Rosário, além das apresentações musicais que acompanham romarias e celebrações ao longo de toda a programação. “Mais do que uma programação, queremos proporcionar uma experiência que toque as pessoas por inteiro. A música, a arte e as expressões culturais ajudam a criar um ambiente de encontro, onde cada um pode se reconhecer, rezar e também se abrir ao outro. A Festa da Penha tem essa força de reunir diferentes formas de expressão em torno de um mesmo sentido”, explica o guardião do Convento da Penha, Frei Gabriel Dellandrea. Festa da Penha 2026 A Festa da Penha 2026, terceira maior celebração mariana do Brasil e dedicada a Nossa Senhora da Penha, padroeira do Espírito Santo, conta com nove dias de oração, devoção, emoção, pedidos e agradecimentos, encerrados no tradicional Dia da Padroeira. Os festejos são marcados por romarias, missas, apresentações religiosas, momentos de fé e atividades culturais que reúnem fiéis de todo o Estado e de diversas regiões do país. A programação inclui mais de 40 missas, além de 14 romarias, que expressam a forte dimensão peregrina da celebração. Neste ano, o tema será “Fazei de nós instrumentos da paz”, inspirado diretamente na espiritualidade franciscana e no legado de São Francisco de Assis, cuja Páscoa completa 800 anos. A proposta convida os devotos a assumirem uma postura ativa de reconciliação, diálogo e serviço, em um tempo marcado por divisões e violências, reforçando o papel da fé como caminho de encontro, escuta e construção da paz. A Festa da Penha 2026 é promovida pela Mitra Arquidiocesana de Vitória, Convento da Penha e Associação dos Amigos das Obras Franciscanas. A Festa é realizada com recursos da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), por meio da Secretaria da Cultura (Secult), e do Governo do Espírito Santo, através do Patrocinio da ES Gás. A correalização é do Espírito Santo Convention Bureau e da Prefeitura Municipal de Vila Velha. O evento conta com o patrocínio da ArcelorMittal, Banestes, Cesan, Extrabom, Javé Construtora, LeCard e Vale. Também tem o copatrocínio da Unimed Vitória. O apoio é da TVE, TV Gazeta, A Gazeta e Café 3 Corações. O apoio Cultural é do Grupo Energisa Confira a programação completa. 04 DE ABRIL (SÁBADO) 9h – Instalação do terço gigante no Campinho do Convento da Penha 05 DE ABRIL (DOMINGO DE PÁSCOA) – 1º DIA DO OITAVÁRIO TEMA DO DIA: “Onde houver desespero, que eu leve a esperança” 5h e 7h – Missas na Capela do Convento 7h30 – Corrida da Penha – Início na Praça do Ciclista x Parque da Prainha 9h e 11h – Missas no Campinho do Convento 14h – Acolhida com os frades franciscanos e oração da Coroa Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora – Campinho do Convento – transmissão ao vivo (tvs, rádios, internet) 15h – Devocional – Campinho do Convento – transmissão ao vivo (tvs, rádios, internet) 16h – Missa de abertura da Festa da Penha no Campinho do Convento – transmissão ao vivo (tvs, rádios, internet). Área pastoral: Vila Velha 17h –
Estado distribui vacinas contra a gripe e campanha será iniciada pelos municípios
O Governo do Espírito Santo iniciou nesta segunda-feira (23) o envio das doses da vacina contra a gripe aos municípios capixabas. A distribuição é coordenada pela Secretaria da Saúde (Sesa) e marca a preparação para a Campanha de Vacinação contra a Influenza, que começa oficialmente neste sábado (28), mas pode ser antecipada pelas prefeituras assim que receberem os imunizantes. Nesta primeira remessa, o Estado recebeu 116 mil doses. Novos lotes devem ser encaminhados ao longo da campanha. As vacinas chegaram ao Espírito Santo na última sexta-feira (20) e foram distribuídas às regionais Norte, Sul e Central para retirada pelos municípios. Já as cidades da Região Metropolitana devem buscar as doses diretamente na Rede Estadual de Frio da Sesa. A expectativa é imunizar 1.678.279 pessoas pertencentes aos grupos prioritários. Entre eles estão idosos com 60 anos ou mais, crianças de seis meses a menores de seis anos e gestantes, além de públicos como profissionais da saúde, pessoas com deficiência permanente, professores, caminhoneiros, forças de segurança, população privada de liberdade, entre outros. Neste ano, o Ministério da Saúde retomou a definição de um período oficial para a campanha, que vai de 28 de março a 30 de maio. A vacina disponibilizada é do tipo trivalente, atualizada anualmente para proteção contra os principais vírus em circulação no país. Desafio da cobertura vacinal Um dos principais desafios da campanha segue sendo o alcance das metas de vacinação, especialmente entre os grupos prioritários. Em 2025, apenas as gestantes superaram a meta de 90% de cobertura vacinal, com índice de 98,69%. Entre as crianças, a cobertura foi de 74,35%, enquanto entre os idosos ficou em 56,45%. A Secretaria da Saúde orientou os 78 municípios capixabas a ampliarem estratégias de vacinação fora das unidades de saúde, com foco especialmente nos idosos. Esse grupo concentrou 70,5% das mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Influenza no Estado no último ano. “Nos reunimos quinzenalmente para discutir estratégias e o cenário da imunização com as referências municipais. Para Influenza, reforçamos a importância de ações que alcancem especialmente os idosos, como vacinação em igrejas e centros de convivência, indo até onde eles estão”, explicou a referência técnica do Programa Estadual de Imunizações (PEI), Danielle Grillo. Em 2025, foram registrados 393 casos de SRAG por Influenza no Espírito Santo, com 85 óbitos. Desse total, 206 casos ocorreram entre idosos, com 60 mortes. Já em 2026, até a semana epidemiológica 10 (até 14 de março), foram notificados 24 casos, com quatro óbitos confirmados. Entre idosos, foram sete casos e dois óbitos. População estimada por grupo prioritário Crianças de 6 meses a menores de 6 anos: 285.464 Pessoas com 60 anos ou mais: 705.832 Gestantes: 37.463 Puérperas: 6.153 Indígenas fora de terras indígenas: 9.747 Indígenas em terras indígenas: 5.287 Quilombolas: 15.659 Trabalhadores da saúde: 124.416 Pessoas com deficiência permanente: 158.863 Adolescentes em medidas socioeducativas: 530 População privada de liberdade: 22.871 Funcionários do sistema prisional: 5.082 Pessoas com comorbidades: 153.205 Professores: 57.311 Forças Armadas: 1.361 Pessoas em situação de rua: 1.519 Forças de segurança e salvamento: 12.209 Caminhoneiros: 40.463 Trabalhadores do transporte coletivo: 14.364 Trabalhadores portuários: 18.834 Trabalhadores dos Correios: 1.646