A evolução da mineração moderna exige cada vez mais integração entre engenharia, tecnologia e gestão. Nesse cenário, a geotecnia ocupa uma posição estratégica. Muito além do tradicional foco em barragens, a disciplina é hoje um dos pilares técnicos mais relevantes para a estabilidade operacional, a segurança física das estruturas e a sustentabilidade de longo prazo das operações. Taludes, pilhas de estéril, cavas, estruturas de disposição de rejeitos e interfaces com recursos hídricos demandam monitoramento constante, análise preditiva e tomada de decisão embasada em dados. Os riscos geotécnicos, quando mal compreendidos ou subestimados, podem comprometer tanto a produtividade quanto a segurança de ativos essenciais. Com a maturidade regulatória alcançada nos últimos anos, o desafio atual não está apenas no atendimento a normas. Está na construção de uma cultura de engenharia preventiva, baseada em instrumentação, modelagem integrada e respostas rápidas a comportamentos anômalos. É nesse ponto que a geotecnia deixa de ser uma função técnica de suporte e passa a ocupar espaço na governança estratégica da mina. A gestão de riscos geotécnicos requer visão sistêmica. Ela conecta áreas como geologia, projetos, meio ambiente, operações e manutenção, demandando uma governança estruturada e fluidez na comunicação entre as disciplinas. Projetos geotécnicos bem conduzidos antecipam falhas, reduzem incertezas e sustentam decisões de alto impacto operacional. Nesse contexto, a engenharia aplicada se apoia cada vez mais em ferramentas digitais: digital twins, sensoriamento remoto, radar interferométrico, modelos de estabilidade em tempo real. Mas a tecnologia, sozinha, não entrega valor. Ela precisa estar inserida em projetos e processos que traduzam dados em inteligência prática, com capacidade de gerar previsibilidade, rastreabilidade e resposta qualificada. A experiência mostra que estruturas críticas não toleram improviso. Por isso, a gestão de projetos geotécnicos, com escopo claro, matriz de riscos ativa e planejamento multidisciplinar, tem se consolidado como um diferencial competitivo para as empresas que buscam operar com segurança, eficiência e legitimidade. A geotecnia é, hoje, uma disciplina de decisão. E como tal, deve ser tratada com protagonismo técnico, apoio executivo e governança integrada. Em um setor cada vez mais exposto a pressões sociais, ambientais e financeiras, é a engenharia crítica, fundamentada em dados, responsabilidade e visão de longo prazo, que sustenta operações mais resilientes e confiáveis. *Sander Rodrigues – Diretor Comercial e Marketing da Timenow, é engenheiro, com mestrado em projetos sustentáveis e 15 anos de experiência em Desenvolvimento de Negócios e Projetos nos setores de Mineração, Papel e Celulose, Infraestrutura, Energia.
IAN 2025: Doze municípios do ES são destaque em ambiente de negócios
Doze municípios capixabas foram homenageados nesta segunda-feira (17) durante o lançamento do Indicador de Ambiente de Negócios (IAN) 2025, produzido pelo Observatório da FINDES. O evento, realizado na sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo, reuniu prefeitos, parlamentares, empresários e autoridades de diversas regiões do Estado. As cidades de Dores do Rio Preto (Cluster 1), Marilândia (Cluster 2), Venda Nova do Imigrante (Cluster 3), Aracruz (Cluster 4), Vitória (Cluster 5) e Domingos Martins (Cluster 6) receberam homenagem por alcançarem o primeiro lugar em seus respectivos clusters no IAN 2025. Já Jaguaré (Cluster 1), Pinheiros (Cluster 2), Santa Teresa (Cluster 3), Jerônimo Monteiro (Cluster 4), Vila Velha (Cluster 5) e Mimoso do Sul (Cluster 6) foram reconhecidos pela melhor evolução do indicador no período de 2019 a 2025. Durante a solenidade, o presidente da FINDES, Paulo Baraona, destacou o esforço conjunto dos municípios na melhoria do ambiente de negócios. “Apresentamos hoje um registro do esforço cotidiano de cada município, do compromisso de cada gestão e da capacidade de transformar organização e foco em resultados concretos. Não se trata de um salto isolado: é uma construção coletiva, sustentada por planejamento, disciplina e compromisso com o cidadão”, afirmou. O presidente da Associação dos Municípios do Estado do Espírito Santo (Amunes) e prefeito de Nova Venécia, Lubiana Barrigueira, ressaltou a importância do indicador para gestores e empreendedores. “O Espírito Santo tem um bom ambiente de negócios. Temos um estado pequeno em extensão, mas forte nas ações. Sabemos que ainda temos grandes desafios, mas os municípios estão bem organizados”, disse. O diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, reforçou o papel estratégico dos indicadores do IAN. “Os dados do IAN são fundamentais para construir um Espírito Santo cada vez melhor. As informações qualificam políticas públicas do nosso Estado e dos nossos municípios. Temos aqui uma ambiência favorável para a atração de negócios e de investimentos”, destacou. O deputado federal e líder da bancada capixaba no Congresso Nacional, Josias Da Vitória, lembrou que a integração entre setores público e privado fortalece a gestão municipal. “A iniciativa privada tem um olhar um pouco mais à frente, ela que dialoga com outros países, que têm maiores informações. Indicadores como o IAN, quando compartilhados com quem está governando os municípios, fazem com que os gestores tenham maior eficácia no trabalho que realizam e na relação que têm com o setor privado”, afirmou. Já o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, ressaltou a relevância do indicador para inspirar outras regiões do país. “O Indicador da FINDES é um farol para a gestão pública dos municípios. O diagnóstico que recebemos em 2021, por exemplo, ajudou a construir políticas públicas municipais que temos hoje em Vitória”, lembrou.
Casa do Governador terá shows gratuitos de Java Roots, Herança Negra e Filhote de Trem
O Parque Cultural Casa do Governador, na Praia da Costa, em Vila Velha, realiza neste sábado (22) e domingo (23) mais uma edição do Parque Aberto, com programação gratuita que inclui música, dança, oficina, visita mediada, feira criativa e praça de alimentação. As atividades reúnem atrações como Java Roots, Herança Negra, o espetáculo “Filhote de Trem – Ópera nos Bairros” e a apresentação “Reverenciando a Dança”. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos na recepção ou antecipadamente pelo link disponibilizado pelo Parque. Sábado (22) A programação de sábado começa às 13h30 com o show da Java Roots, uma das bandas mais representativas do reggae capixaba. Formado em Vila Velha, em 1996, o grupo reúne Anderson Ventura (Chocolate), Júnior Bocca, Anderson Xuxinha, Thiago Andrich e Marcello Lindgren. Ao longo da trajetória, lançou três CDs e se apresentou em palcos dentro e fora do Espírito Santo. Às 15h30, a banda Herança Negra sobe ao palco com um repertório que mistura reggae, rock, soul e MPB, trazendo letras baseadas em vivências das periferias. A formação reúne Jon Santos, Barol Beats, Nelinho P2 e músicos convidados, com um show marcado por ambientação sonora e visual. O setlist inclui músicas consagradas e faixas do novo álbum “Luz Desse Sentimento”. Entre as apresentações musicais, às 14h, o público poderá participar de visita mediada à mostra Moderna para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira, em cartaz na Galeria Gabinete. O percurso apresenta um recorte da Coleção Itaú Cultural, com 43 obras de 14 artistas do Foto Cine Clube Bandeirante. O Parque abre ao público a partir das 8h. Domingo (23) No domingo, às 10h, o Parque Aberto recebe a oficina “Batukerê: despertando memórias sonoras”, conduzida pelos educadores Valentim Faria e Juliana Galvão. A atividade apresenta noções introdutórias de teoria musical e práticas coletivas de ritmo e experimentação. A participação é por ordem de chegada, e menores de 16 anos devem estar acompanhados por um responsável. Também às 10h, haverá visita mediada à mostra Moderna para Sempre. Às 11h, o espetáculo “Filhote de Trem – Ópera nos Bairros” conta a história de Piuí, um trenzinho que deseja trilhar caminhos diferentes daqueles esperados pela sociedade dos trens. A apresentação integra a 13ª edição do Festival de Música Erudita do Espírito Santo e é inspirada na obra de Memélia de Carvalho. Às 13h, o Reverence Studio de Dança celebra seus 10 anos com a apresentação “Reverenciando a Dança”, revisitando momentos marcantes de sua trajetória por meio de coreografias de grupos e solistas. A partir das 13h30, o público pode participar de nova visita mediada à exposição modernista na Galeria Gabinete. Feira Curva e praça de alimentação Durante os dois dias de programação, o Parque recebe a Feira Curva, com empreendedores criativos capixabas, além de uma praça de alimentação com opções variadas em food trucks. Serviço — Parque Aberto 22 e 23 de novembro Local: Parque Cultural Casa do Governador — Rua Santa Luzia, s/n, Praia da Costa, Vila Velha Sábado (22), 13h às 17h — última entrada às 16h (O Parque abre às 8h) • 13h às 17h — Feira Curva • 13h às 17h — Praça de Alimentação • 13h30 — Show de Java Roots • 14h — Visita mediada à mostra Moderna para Sempre • 15h30 — Show de Herança Negra Domingo (23), 8h às 15h — última entrada às 14h • 8h às 15h — Feira Curva • 8h às 15h — Praça de Alimentação • 10h — Oficina Batukerê: despertando memórias sonoras • 10h — Visita mediada à mostra Moderna para Sempre • 11h — Espetáculo Filhote de Trem – Ópera nos Bairros • 13h — Apresentação Reverenciando a Dança • 13h30 — Visita mediada à mostra Moderna para Sempre Ingressos gratuitos: link disponibilizado pelo Parque na plataforma Byinti.
Andréa Vermont dá palestra sobre desenvolvimento humano no Espaço Patrick Ribeiro
A filósofa e psicanalista Andréa Vermont, doutora em Filosofia da Mente com especialização em Neurociências, ministra palestra na segunda-feira (24), às 20 horas, no Espaço Patrick Ribeiro, em Vitória. Com mais de 3 milhões de seguidores nas redes sociais, a psicanalista é uma voz influente em saúde emocional, liderança consciente e cultura organizacional. Andréa Vermont possui formação acadêmica e experiência internacional. Sua atuação junto a organizações no Brasil e exterior promove reflexões que integram saberes clássicos e modernos, com foco em desenvolvimento humano e organizacional. Fundadora do Instituto Andréa Vermont e membro da Academia Europeia de Autogestão, a especialista une filosofia prática, psicanálise, espiritualidade e vivência corporativa em seus conteúdos. Seus programas de formação, cursos e palestras são reconhecidos por promoverem autoconhecimento, inteligência emocional e ética aplicada à vida pessoal e profissional, provocando mudanças reais em quem assiste. Andréa Vermont é referência em eventos que buscam inspiração e profundidade. SERVIÇO: Andréa Vermont – Filosofia, Neurociência e Transformação Humana Data: 24 de novembro (segunda-feira) Abertura: 19 horas Início: 20 horas Local: Espaço Patrick Ribeiro – Novo Aeroporto de Vitória, Av. Roza Helena Schorling Albuquerque, S/N – Goiabeiras, Vitória – ES, 29109-350 Classificação: Livre
Dia da Consciência Negra: A importância da educação como instrumento de liberdade
O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, é uma data que nos convida a refletir sobre o passado, compreender o presente e, principalmente, reafirmar compromissos com um futuro mais justo e igualitário. Mais do que um marco histórico ligado à luta de Zumbi dos Palmares, a data simboliza resistência, identidade, dignidade e o combate ao racismo, que ainda enfrentamos diariamente no país. Um país estruturado a partir de uma forte segregação racial — desde a colonização europeia — revela isso em diversos índices e indicadores sociais. Pretos e pardos, que representam 56% da população brasileira, apresentam os piores resultados de renda, moradia, escolaridade e acesso a serviços, segundo o IBGE (2019). Também estão entre a maior parte das vítimas de violência do Estado e de homicídios, sobretudo mulheres e jovens negros, de acordo com o Atlas da Violência (2020). Como homem negro que vive diariamente os desafios de ocupar espaços que, por muito tempo, não foram pensados para pessoas como eu, este dia não é apenas simbólico — é cotidiano. É sobre memória, luta e responsabilidade. É sobre lembrar de onde eu vim e por que cheguei até aqui. A educação foi a ferramenta que transformou a minha vida. Foi ela que me afastou da violência, das drogas e das estatísticas que marcaram a realidade da periferia onde cresci. Foi ela que me permitiu ajudar minha família em momentos difíceis e acreditar em possibilidades que pareciam distantes. Ainda jovem, tive meu primeiro contato transformador com o universo jurídico. Com uma bolsa de estudos em uma faculdade, comecei minha caminhada no Direito, uma escolha guiada pela certeza de que estudar era o meu caminho de liberdade. Minha própria história me ensinou que defender a educação no Brasil é também defender a dignidade. Não basta construir escolas modernas se as crianças chegam com fome. Acredito profundamente que o desenvolvimento do país passa por políticas de transferência de renda e por investimento consistente em educação pública. Chegar até aqui foi fruto de insistência, oportunidade e, principalmente, educação. O contato com a educação pública definiu minha missão profissional. Quando participei da criação de uma associação de diretores escolares, percebi que faltava assessoria jurídica especializada para o magistério. Passei a estudar profundamente a legislação educacional e, em 2014, fundei o escritório que hoje atua em defesa dos profissionais do magistério. Em 2003, o Dia da Consciência Negra entrou para o calendário escolar com a Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas. Nesta data, reflito sobre a minha trajetória — mas também sobre todas as histórias que nunca tiveram a chance de existir. Refletir sobre consciência é refletir sobre acesso, equidade e oportunidade real. E a educação segue tendo um papel social central até hoje. O meu compromisso é continuar usando o Direito como ferramenta para transformar vidas, combater desigualdades e fortalecer a educação pública, que é, para mim, o maior instrumento de liberdade que existe.
Instituto Capixaba de Direito Tributário é lançado com debate sobre reforma e incentivos fiscais
O Espírito Santo passou a contar, nesta quarta-feira (19), com um novo espaço dedicado à produção técnica e ao debate qualificado sobre tributação. O Instituto Capixaba de Direito Tributário (ICDT) foi oficialmente lançado em evento no Hotel Sheraton Vitória, reunindo alguns dos principais nomes do direito tributário no país. No centro das discussões estiveram os impactos da reforma tributária e as perspectivas para os incentivos fiscais que historicamente sustentam a competitividade capixaba. Instituto é oficializado e apresenta diretoria Durante a solenidade, foi formalizada a fundação do ICDT, que nasce com o propósito de fortalecer a formação profissional, promover eventos especializados e aproximar o Espírito Santo das discussões nacionais sobre o novo sistema tributário. A diretoria é composta por João Paulo Barbosa Lyra (presidente), Alessandro Rostagno (vice-presidente), Priscila Martins Hyppolito dos Santos (diretora administrativa) e Ramon Henrique Santos Fávero (diretor financeiro). Os dirigentes destacaram que a criação do Instituto responde a um cenário de profundas mudanças no modelo tributário brasileiro e reforça a necessidade de qualificação técnica permanente no estado. Primeira mesa discutiu transição dos incentivos fiscais A primeira mesa do evento abordou um dos pontos mais sensíveis da reforma tributária: a extinção gradual de incentivos como o Compete-ES e o Invest-ES. Participaram: Luís Eduardo Schoueri, professor titular da USP e presidente do Instituto Brasileiro de Direito Tributário; Fernanda Schmitt, procuradora da Fazenda Nacional e integrante da Coordenação-Geral de Assuntos Tributários da PGFN; Lana Borges Câmara, mestre em Direito e Políticas Públicas e doutoranda pela UnB; Gustavo Brigagão, advogado, presidente do CESA e ex-presidente da ABDF; Roque Carrazza, professor emérito da PUC-SP. Os debatedores defenderam que a transição dos benefícios fiscais deve ocorrer com critérios claros, transparência e mecanismos que preservem o equilíbrio federativo. Schmitt destacou o impacto financeiro direto dos incentivos para o setor público. Schoueri enfatizou a necessidade de medir resultados com precisão. Brigagão alertou para o risco de perda de competitividade de estados que dependem dos incentivos caso não existam compensações adequadas. Segunda mesa avaliou impactos econômicos da reforma no Espírito Santo A segunda mesa analisou os efeitos institucionais e econômicos da reforma para o Espírito Santo, incluindo arrecadação, investimentos e ambiente de negócios. A condução ficou com Ramon Fávero e Priscila Hyppolito. Participaram: Gustavo Juliano Leitão da Cruz, subgerente de Legislação Tributária da Sefaz; Thiago Venâncio, subsecretário da Receita Estadual; Marcelo Santos, presidente da Assembleia Legislativa; Sidemar Costa, presidente do Sindiex; Mazinho dos Anjos, deputado estadual. O debate tratou de segurança jurídica, previsibilidade regulatória e dos caminhos para adaptar o modelo estadual à nova estrutura tributária. Representantes do setor produtivo ressaltaram a importância de manter a competitividade capixaba. Já o poder público reforçou o compromisso de conduzir a transição sem comprometer a responsabilidade fiscal. ICDT quer ampliar o debate tributário no estado O lançamento marca o início das atividades do Instituto, que pretende reunir academia, advogados, gestores públicos e o setor produtivo para acompanhar, de forma contínua, as mudanças trazidas pela reforma tributária e seus reflexos na economia do Espírito Santo.
10 motivos para fazer dos Passos de Anchieta 2026 a sua caminhada de fé
Por Rachel Martins Como diz a música: “andar com fé eu vou, que fé não costuma falhar”. A caminhada “Os Passos de Anchieta”, criada em 1998, é uma oportunidade única para se conectar às belíssimas paisagens do Espírito Santo, aos monumentos históricos e à cultura capixaba — e, principalmente, para renovar a fé ao longo de um trajeto de aproximadamente 100 quilômetros. A edição de 2026 será realizada entre os dias 4 e 7 de junho. Mas quem já planejou sentir o clima desse projeto tão importante, que tem selo espírito-santense, participa desta quinta-feira até sábado da 5ª edição do “Caminho dos Santuários”, com saída no Santuário Nacional de São José de Anchieta, em Anchieta, passando por Piúma, Itapemirim e Marataízes, até chegar ao Santuário de Nossa Senhora das Neves, em Presidente Kennedy — um percurso de 56 quilômetros. O “Caminho dos Santuários” é uma continuação dos Passos de Anchieta. Trata-se de uma rota belíssima, que margeia o litoral e revela mais histórias sobre a passagem dos jesuítas, especialmente São José de Anchieta, pelas terras capixabas. Pessoas de diferentes regiões do Espírito Santo, além de participantes do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal, já se inscreveram e confirmaram presença. Para Renata Rosa (foto), uma das fundadoras do evento, o projeto representa um caminho de fé e reencontro com Deus. “Fui convidada a fazer parte do grupo fundador de ‘Os Passos de Anchieta’, em 1998, e já são quase 28 anos participando de todas as edições com muito amor e paixão, seguindo esse grande exemplo que é, para mim, São José de Anchieta. Isso me inspira, porque caminhar e peregrinar é metáfora da vida e diz muito ao meu coração. Cada passo vale a pena, mesmo diante das adversidades. É a certeza de que tudo ‘vale a pena se a alma não é pequena’, como já dizia o poeta Fernando Pessoa.” Ela também destaca a gratidão que guarda no coração por fazer parte do projeto. “Os Passos de Anchieta se confundem com a história da minha vida — com o início da minha família, o nascimento das minhas filhas. É um carinho de Deus na minha vida”, ressalta. Confira 10 motivos que mostram por que experiências como essa podem transformar sua vida, aprofundar sua fé, mudar sua visão de mundo e até melhorar sua saúde. 1 – Mergulho na história do Espírito Santo José de Anchieta aportou no Espírito Santo em 1553, aos 19 anos. Chegou primeiro a Salvador (BA) e, em seguida, seguiu para a Capitania de São Vicente, onde fundou o Colégio de Piratininga, embrião da cidade de São Paulo. No território capixaba, foi responsável pela fundação das cidades de Rerigtiba (atual Anchieta), Guarapari e São Mateus. Se vivesse hoje, Anchieta seria considerado um verdadeiro “multitarefas”, disputado pela capacidade de atuar em múltiplos desafios. Além de missionário e educador, escreveu a primeira gramática tupi-guarani para facilitar a evangelização e percorria, a pé, o trecho entre Rerigtiba e o Colégio São Tiago — onde hoje está o Palácio Anchieta. 2 – Uma caminhada de fé Em um tempo em que a fé se torna, cada vez mais, um alicerce espiritual, “Os Passos de Anchieta” representa uma verdadeira peregrinação. Cada passo é uma prece e um convite à renovação da fé e à presença de Deus ao longo do caminho. É uma experiência única, com selo capixaba, que revela força interior e amplia o sentido da jornada espiritual. 3 – Experiência cultural, turística e esportiva Criado em 1998, o evento atrai não apenas capixabas, mas visitantes de todo o Brasil e de outros países. O percurso — cerca de 100 quilômetros pelos municípios de Vitória, Vila Velha e Guarapari até o Santuário Nacional de São José de Anchieta — oferece potencial turístico, belas paisagens naturais, riqueza cultural, prática esportiva e a oportunidade de fortalecer a fé. 4 – Conhecer outros caminhos no Brasil e no mundo A inspiração para “Os Passos de Anchieta” veio do milenar Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Desde então, diversas rotas foram criadas no Brasil, inspiradas em seu sucesso. Entre elas, estão o Caminhos da Sabedoria (Ibiraçu), o Caminho da Luz (entre Tombos e Alto Caparaó, em Minas Gerais) e o próprio Caminho dos Santuários, entre Anchieta e Presidente Kennedy. 5 – Transformação pessoal e autoconhecimento O percurso desafia o corpo e renova o espírito. É uma oportunidade de revisitar a própria história, perdoar, exercitar a empatia e cultivar a gratidão. Um convite à reflexão, à superação de limites e ao reencontro com a serenidade. 6 – Conexão com a natureza O caminho apresenta paisagens deslumbrantes: a vista do Convento da Penha, da Terceira Ponte, praias, rios e monumentos históricos. É um momento para desconectar-se e, ao mesmo tempo, reconectar-se com a vida — um tempo para respirar, sem pressa e sem olhar para o relógio ou para o celular. 7 – Fazer novas amizades Durante a caminhada, peregrinos de todo o país, e até do exterior, compartilham histórias, risadas, orações e momentos de fé. É um tempo de comunhão, em que cada um ajuda o outro a seguir adiante. 8 – Silenciar para ouvir a voz de Deus Longe da rotina acelerada, “Os Passos de Anchieta” oferece tempo e silêncio para rezar, participar de missas e bênçãos, refletir e escutar o que Deus tem a dizer ao coração. Como ensina a espiritualidade inaciana vivida por São José de Anchieta, é a oportunidade de “ver Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus”. 9 – Acolhida capixaba É uma chance única de entrar em contato com comunidades locais que recebem os peregrinos com carinho, partilha e hospitalidade — um testemunho concreto de fé e solidariedade. 10 – Chegada ao Santuário Nacional de Anchieta O momento da chegada é profundamente emocionante. Diante do Santuário, muitos se comovem, rezam, celebram a conquista e agradecem. É o ponto culminante da caminhada e também o início de uma nova etapa interior. Serviço Inscrições e programação: ospassosdeanchieta.com Instagram: @caminhosdossantuarios | @passosdeanchieta
Vitória recebe Instituto Kaimbe com programação dedicada à inclusão e ao brincar
Vitória vai sediar, nos dias 25 e 26 de novembro, o lançamento do Instituto Kaimbe, organização que atua nacionalmente na promoção da inclusão, no apoio a famílias neurodiversas e no desenvolvimento de estratégias acessíveis de participação, cuidado e diversão. A agenda marca a chegada oficial do Instituto ao Espírito Santo e reúne acadêmicos, profissionais de saúde e famílias atendidas pelo ambulatório da Ufes. A abertura acontece no dia 25, às 17h, com uma palestra voltada para as Ligas Acadêmicas da Ufes sobre a importância do brincar no impulso do movimento. A sessão será conduzida pela pesquisadora Dafne Herrero, mestre, doutora e pós-doutora em Ciências da Saúde pela USP e consultora do brincar pela International Play Association Brasil. O encontro será realizado no Auditório Rosa Maria Paranhos, no prédio do Elefante Branco. Dafne destaca que o brincar é uma ferramenta essencial no cuidado e no desenvolvimento infantil. “Quando criamos espaços de brincadeira acessíveis, abrimos caminho para que cada criança participe, explore e se expresse dentro de suas possibilidades. O brincar não é um complemento, é um direito e também uma estratégia clínica poderosa”, afirma. No dia 26, das 8h às 12h, a programação segue com uma oficina prática de confecção de brinquedos e recursos de adequação de baixo custo e alto impacto, criada especialmente para profissionais de Terapia Ocupacional. A atividade traz metodologias já aplicadas pelo Instituto em mutirões pelo país, com foco na intervenção centrada na família. Encerrando o lançamento, das 13h às 17h, ocorre um mutirão de atendimento com dez famílias já acompanhadas pelo ambulatório da Ufes. A ação integra a rede de mutirões do instituto, iniciativa que combina escuta, acolhimento e soluções acessíveis para favorecer autonomia, mobilidade, comunicação e qualidade de vida das crianças atendidas. O lançamento marca o início das atividades da entidade no Espírito Santo, ampliando sua atuação nacional na defesa do brincar como fundamento essencial da infância.
Ales discute orçamento estadual de 2026 em audiência pública nesta segunda (24)
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) realiza nesta segunda-feira (24), às 9 horas, no Plenário Dirceu Cardoso, a audiência pública de apresentação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. O projeto, enviado pelo Governo do Estado, prevê um orçamento de R$ 32 bilhões para o próximo ano. Durante o encontro, serão detalhados os investimentos programados para áreas como Saúde, Educação e Segurança Pública, que concentram a maior parte dos recursos previstos na peça orçamentária. A audiência é um dos principais instrumentos de transparência e participação social no processo de definição das prioridades do Estado. A reunião será presidida pelo deputado Mazinho dos Anjos, presidente da Comissão de Finanças e relator do Orçamento. A participação é aberta ao público e a transmissão será feita pelos canais oficiais da Assembleia.
João Batista Dallapiccola Sampaio – “Tempo como bem jurídico”
Na sociedade contemporânea globalizada, onde a velocidade das informações e dos acontecimentos da vida ganha cada vez mais força, o cidadão que perde horas em filas, agendamentos, deslocamentos e sucessivas tentativas de resolver problemas em repartições, órgãos e locais de atendimento ao público experimenta dores que vão além do aborrecimento e da frustração, as quais o ordenamento jurídico entende progressivamente se tratar de danos passíveis de reparação indenizatória. A teoria do Desvio Produtivo do Consumidor, atualmente aplicada de forma reiterada em nossos tribunais e no STJ, desenvolvida pelo professor Marcos Dessaune, consolida essa mudança: o tempo útil exigido do indivíduo para remediar falhas de serviço pode, em determinadas condições, ser reparado por indenização. Mais recentemente, o debate saiu dos tribunais e entrou no Congresso, comprojetos de lei buscam reconhecer o tempo como bem jurídico e até obrigar o próprio Estado a reparar esse prejuízo. Explicando de forma breve o desvio produtivo,podemos dizer que é o evento danoso que se consuma quando o consumidor, sentindo-se prejudicado em razão de falha em produto ou serviço, gasta o seu tempo de vida e se desvia de suas atividades cotidianas para resolver determinado problema. Ainda segundo o doutrinador, a atitude do fornecedor,ao se esquivar de sua responsabilidade pelo desvio produtivo, gera a relação de causalidade existente entre a prática abusiva e o dano gerado pela perda do tempo útil. Na prática cotidiana, enquadram-se situações como deslocamentos repetidos a agências que não atendem, falhas administrativas que obrigam múltiplas visitas ou protocolos eletrônicos ineficazes que exigem insistência em diversas ocasiões do usuário. Assim, o Superior Tribunal de Justiça passou a aplicar expressamente essa teoria a partir de decisões proferidas desde 2018, ressaltando que a perda injustificada do tempo do consumidor pode ser considerada um dano passível de indenização, sobretudo nas relações amparadas pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). Em seus comunicados e julgados, o STJ destacou que reconhecer esse tipo de dano representa uma forma de proteção efetiva ao tempo do consumidor. Apesar de não ser uma visão unânime, este entendimento veio se espalhando em decisões dos diversos tribunais regionais e estaduais por todo opaís: alguns aplicam o entendimento de forma ampla, capaz de gerar dano e indenização sem a coparticipação de outros elementos agravantes em relação ao cidadão lesado pelo desvio, ao passo que outros aplicam a teoria do desvio quando presentesoutros elementos que agravam e pesam sobre os consumidores atingidos. Esse entendimento doutrinário e judicial traz na prática dois aspectos: 1º) ele oferece instrumento jurídico para punir e desestimular práticas ineficientes de serviços; e 2º) ele pressiona por medidas concretas de melhoria, como agendamento efetivo, filas virtuais, otimização e clareza de informações nosatendimentos, o que diminui o custo social do tempo perdido. Neste contexto, a aplicação ampliada da teoria do desvio passou a ganhar força no Legislativo e no entendimento de responsabilização do Estado pelos danos causados pela falha ou má prestação de serviços ao cidadão. Duas propostas de mudança na legislação merecem ser citadas neste contexto: o PL 2.856/2022 do Senado Federal e o PL 3.496/2024 da Câmara dos Deputados. A PL 2.856/2022 propõe inserir expressamente no CDC a ideia do tempo como bem jurídico, aperfeiçoando critérios de reparação e prevenção do desvio produtivo, medida que tende a uniformizar parâmetros e facilitar a comprovação judicial do dano. Em outra frente, a PL 3.496/2024 pretende responsabilizar por desvio produtivo as pessoas jurídicas de direito público interno, tornando o Estado potencial sujeito de obrigação de reparar o tempo perdido em face de falhas administrativas. Esta mudança na legislação faria com que o usuário de serviços públicos como saúde, trânsito, segurança social, agências federais e municipais tivesse a base legal direta para pleitear indenização pela perda de seu tempo útil. Ocorre que este último projeto da Câmara levanta questões constitucionais e práticas, como a distinção das falhas típicas de serviços públicos daquelas decorrentes de circunstâncias alheias, bem como compatibilizar a responsabilização com regimes administrativos especiais e evitar um aumento desordenado de demandas. Positivar o tempo como bem jurídico tem vantagens óbvias: uniformiza parâmetros, dá previsibilidade aos julgadores e cria incentivo regulatório para investimentos em tecnologia e processos que reduzam a perda de tempo como, por exemplo, agendamento eletrônico, protocolos confiáveis e atendimento multicanal. De outro lado, a positivação com a redação mal calibrada pode gerar demandas massivas, sobrecarregar o Judiciário e criar problemas de quantificação exagerada de danos imateriais. É preciso equilíbrio, ampla discussão e passos firmes para a positivação desse entendimento. Após essa pequena, mas válida reflexão, concluímos que a tutela do tempo como bem jurídico impõe um imperativo de eficiência à administração pública e aos prestadores privados. Ao reconhecer a reparação pelo desvio produtivo, o Judiciário atua como mecanismo corretivo e normativo, internalizando o dever de eficiência e a boa-fé objetiva na prestação de serviços. Essa responsabilização, assentada em prova e em parâmetros jurisprudenciais, estimula a adoção de protocolos, parâmetros objetivos de atendimento, digitalização e outras medidas de governança administrativa que diminuam a perda de tempo do usuário. Do ponto de vista dogmático, protege-se um interesse imaterial que se entrelaça com princípios constitucionais, notadamente a dignidade da pessoa humana e a eficiência administrativa. Em suma: transformar o tempo perdido em direito reclamável não é apenas conceder uma indenização, é redesenhar a prestação de serviços para que o tempo do cidadão deixe de ser mercadoria e passe a ser efetivamente resguardado pelo Direito. *Artigo escrito pelo advogado João Batista Dallapiccola Sampaio em conjunto com o advogado e procurador do Município de Castelo/ES Luiz Antônio Fittipaldi Binda.