Mais do que um canto religioso, o Hino à Nossa Senhora da Penha é um símbolo afetivo que atravessa gerações e ajuda a contar a história da fé do povo capixaba. Composto em 1958, o hino nasceu do mesmo sentimento que, há séculos, move milhares de fiéis a subir os 154 metros de altitude do Convento da Penha: o desejo profundo de louvar a Mãe das Alegrias. Ao longo do tempo, o Convento da Penha ultrapassou os limites da devoção individual e se consolidou como um dos maiores ícones da identidade do Espírito Santo. A Festa da Penha, considerada a terceira maior celebração mariana do Brasil e dedicada à padroeira do estado, reforça essa dimensão coletiva da fé, reunindo milhões de romeiros que expressam sua devoção por meio de missas, romarias, cânticos e gestos de agradecimento. Foi nesse contexto de fé viva e memória coletiva que, em 1958 — ano em que se celebravam os 400 anos da chegada de Frei Pedro Palácios ao Espírito Santo, marco fundamental da história religiosa capixaba —, o então guardião do Convento da Penha, Frei Alfredo W. Setaro, compôs o hino, com a colaboração do padre João Lírio Tagliarico. A composição surgiu como forma de preservar essa memória e intensificar o espírito de júbilo da festa, celebrada de maneira ininterrupta há mais de quatro séculos. Nas nove estrofes, Frei Alfredo traduziu a experiência do povo peregrino: a devoção cultivada ao longo dos anos, a confiança na intercessão de Maria, o carinho filial, o pedido de alívio das dores, o clamor por mais sacerdotes e, por fim, a esperança da eternidade junto à Mãe do Salvador. Para o guardião e reitor do Convento da Penha, Frei Gabriel Dellandrea, o hino permanece atual porque reflete a alma dos fiéis. “O Hino à Nossa Senhora da Penha não é apenas uma música; é uma oração cantada que atravessa gerações. Cada verso carrega a história, a fé e a esperança de um povo que encontra em Maria um refúgio e uma força para seguir. Cantar esse hino é reafirmar nossa confiança na intercessão da Mãe das Alegrias”, afirma. Letra do Hino à Nossa Senhora da Penha Virgem da Penha, minha alegria, Senhora nossa, Ave Maria! Refrão: Ave, Ave, Ave Maria! Deste teu trono tu irradias, paz e esperança, Ave Maria! És meu refúgio, seguro guia, nas tentações, Ave Maria! A dor que oprime tu alivias; dá-me saúde, Ave Maria! Amar-te quero todos os dias, minha doçura, Ave Maria! Mais sacerdotes. Oh! Mãe envia! Sábios e santos, Ave Maria! Nossas famílias protege e guia; és meu amparo, Ave Maria! Virgem da Penha, tão doce e pia, és padroeira, Ave Maria! Contigo espero estar um dia, na eternidade, Ave Maria! Festa da Penha 2026 A Festa da Penha 2026 será realizada de 5 a 13 de abril, com nove dias de oração, devoção, emoção, pedidos e agradecimentos, culminando no tradicional Dia da Padroeira do Espírito Santo. Considerada a terceira maior celebração mariana do país, a festa contará com mais de 40 missas e 14 romarias, expressando a forte dimensão peregrina da devoção capixaba. Neste ano, o tema será “Fazei de nós instrumentos da paz”, inspirado na espiritualidade franciscana e no legado de São Francisco de Assis, cuja Páscoa completa 800 anos. A proposta convida os fiéis a assumirem uma postura ativa de reconciliação, diálogo e serviço, reforçando o papel da fé como caminho de encontro e construção da paz. Programação oficial – Festa da Penha 2026 04 de abril (sábado) 9h – Instalação do Terço Gigante no Campinho do Convento da Penha 05 de abril (domingo) – 1º Dia do Oitavário | Domingo de Páscoa Tema: Onde houver desespero, que eu leve a esperança 5h e 7h – Missas na Capela do Convento 7h30 – Corrida da Penha – Início na Praça do Ciclista x Parque da Prainha 9h e 11h – Missas no Campinho do Convento 14h – Acolhida com os frades franciscanos e oração da Coroa Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora – Campinho do Convento (transmissão ao vivo) 15h – Devocional – Campinho do Convento (transmissão ao vivo) 16h – Missa de abertura da Festa da Penha – Campinho do Convento (transmissão ao vivo) Área pastoral: Vila Velha 17h – Romaria dos Cavaleiros – Concentração na Av. Carlos Lindemberg (viaduto Alfredo Capolilo) 18h – Saída em direção ao Parque da Prainha – Realização: Comitiva Pai & Filho 19h – Acendimento das imagens iluminadas 06 de abril (segunda-feira) – 2º Dia do Oitavário Tema: Onde houver tristeza, que eu leve a alegria 9h – Penha Peregrina: “Com a Virgem da Penha, junto aos irmãos que vivem em situação de rua” – Paróquia Bom Pastor, Campo Grande (Cariacica) 7h, 9h e 11h – Missas na Capela do Convento 14h – Acolhida e oração da Coroa Franciscana – Campinho do Convento (transmissão ao vivo) 15h – Devocional – Campinho do Convento (transmissão ao vivo) 16h – Missa do 2º dia do Oitavário – Campinho do Convento (transmissão ao vivo) Área pastoral: Serrana 07 de abril (terça-feira) – 3º Dia do Oitavário Tema: Onde houver dúvida, que eu leve a fé 9h – Penha Peregrina: “Com a Virgem da Penha, junto aos irmãos que vivem em áreas predominantemente rurais” – Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Alfredo Chaves 7h, 9h e 11h – Missas na Capela do Convento 14h – Acolhida e oração da Coroa Franciscana – Campinho do Convento (transmissão ao vivo) 15h – Devocional – Campinho do Convento (transmissão ao vivo) 16h – Missa do 3º dia do Oitavário – Campinho do Convento (transmissão ao vivo) Área pastoral: Cariacica/Viana 19h – Toda Terça Tem Terço – Campinho do Convento da Penha 08 de abril (quarta-feira) – 4º Dia do Oitavário Tema: Onde houver erro, que eu leve a verdade 11h30 – Penha Peregrina: “Com a Virgem da Penha, junto aos irmãos que cuidam da ordem social e da paz” – Capelania Militar (PM – Quartel) 12h – Missa 7h, 9h e 11h – Missas na Capela do Convento
Mais Astral comemora 25 anos com gravação de audiovisual em Vila Velha
O grupo capixaba Mais Astral, referência do pagode praiano no Espírito Santo, comemora 25 anos de carreira com a gravação de um audiovisual especial no próximo dia 31 de janeiro, no Delírio Tropical, na Praia de Itapuã, em Vila Velha. O projeto marca o reencontro dos integrantes e celebra a trajetória da banda, que se tornou um dos nomes mais populares do gênero no estado. Atualmente formado por Brunão Fernandes (voz), Christian Anderson (banjo), Jean Buquer (pandeiro), Thiago Nideck (cavaco) e Juninho Mariquito (reco), o Mais Astral ganhou projeção nacional em 2004 com a música “Loirinha do Pagode”, escolhida como tema da modelo argentina Antonela no Big Brother Brasil 4. A faixa integrou o álbum “Mais Astral ao Vivo”, gravado na antiga boate Blow-Up, na Praia da Costa, espaço que teve papel decisivo na consolidação da banda. Ao longo da carreira, o grupo lançou os álbuns “O Gosto da Felicidade” (2006), produzido por Torcuato Mariano, e “No Quintal da Gente” (2010), trabalho que levou o Mais Astral ao quadro Garagem do Faustão, no Domingão do Faustão. Na atração, a banda venceu três duelos com a música “Mulher Radar”. Em 2014, lançou “Moqueca Musical”, projeto com participações de músicos capixabas e releituras que ampliaram o repertório sem perder a identidade do pagode. Ao lado de grandes nomes do samba e pagode O Mais Astral também marcou presença em grandes palcos e eventos, como a Festa da Penha, o aniversário de Vitória e festivais de música, além de dividir o palco com artistas consagrados do samba e do pagode, como Exaltasamba, Fundo de Quintal, Alcione e Jorge Aragão. A partir de 2015, os integrantes passaram a se dedicar a projetos paralelos, o que reduziu a agenda de shows do grupo. Ainda assim, o vocalista Bruno Fernandes destaca que o Mais Astral segue ativo e preparado para apresentações pontuais, com a possibilidade de retomar o ritmo original. “Como diz o clássico de Arlindo Cruz, Luiz Carlos da Vila e Sombrinha, o show tem que continuar”, afirma. SERVIÇO Mais Astral – 25 anos | Gravação de Audiovisual Data: 31 de janeiro (sábado) Local: Delírio Tropical – Praia de Itapuã, Vila Velha Horário: 18h Entrada: gratuita
Corrida CRECI/ES reúne esporte, integração e mercado imobiliário em Vitória
A Praia de Camburi, em Vitória, será palco, no próximo domingo (25), da Corrida CRECI/ES 2026. O evento, com largada prevista para as 6h30, é promovido pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 13ª Região (CRECI/ES), em parceria com a empresa Resultado Final, e integra o calendário institucional da autarquia. A programação contempla diferentes modalidades, incluindo corridas de 5 km e 10 km, caminhada de 3 km e a Corridinha Kids, permitindo a participação de públicos diversos e de diferentes faixas etárias. A estrutura contará com sinalização ao longo do percurso, equipe técnica especializada, pontos de hidratação, atendimento médico e apoio operacional durante toda a realização da prova. De acordo com a comissão organizadora, a iniciativa busca fortalecer a aproximação entre o mercado imobiliário e a sociedade por meio do esporte. “A corrida integra o calendário institucional do Conselho e reforça a importância de ações que promovem convivência, saúde e participação coletiva, aproximando o corretor de imóveis da comunidade”, informa a organização. Inscrições, categorias e premiação As inscrições são individuais e foram prorrogadas até o dia 19 de janeiro, às 23h59. Os interessados podem se inscrever pelo site www.corridacreci.com.br ou presencialmente nas lojas Move On Esporte. Atletas com 60 anos ou mais e Pessoas com Deficiência (PCD) têm direito a desconto, mediante comprovação. As inscrições da categoria PCD devem ser realizadas via WhatsApp, pelo número (31) 9 8478-0120. Todos os participantes que concluírem seus percursos receberão medalha finisher. As provas de 5 km e 10 km terão premiação em troféus para os três primeiros colocados nas categorias Geral, PCD, Associado CRECI/ES e por faixa etária, conforme regulamento. As modalidades caminhada e corrida kids não possuem caráter competitivo nem premiação. A entrega dos kits ocorrerá nos dias 23 e 24 de janeiro, nas lojas Move On do Shopping Praia da Costa. Não haverá retirada de kits no dia da prova. A corrida seguirá as regras oficiais da modalidade e terá duração máxima de duas horas. Mais informações estão disponíveis em www.corridacreci.com.br e www.crecies.gov.br. SERVIÇO – CORRIDA CRECI/ES 2026 • Data: 25 de janeiro de 2026 • Local: Praia de Camburi – Vitória (ES) • Largada: 6h30 • Modalidades: Corrida 5 km | Corrida 10 km | Caminhada 3 km | Corrida Kids • Realização: CRECI/ES • Organização técnica: Resultado Final • Inscrições até 19 de janeiro: https://keepsporting.com/cr/67c6371c11ba818c02a47c71/corrida-CRECI/ES-2026
Alta de 36% nas exportações impulsiona comércio exterior do Espírito Santo
Resultado de dezembro foi puxado pela recuperação das vendas de minério de ferro e pelo desempenho de Aracruz, Serra e Anchieta As exportações do Espírito Santo cresceram 36% em dezembro e impulsionaram o desempenho do comércio exterior capixaba no fechamento do último ano. A corrente de comércio do estado somou US$ 2,36 bilhões (R$ 12,7 bilhões) no mês, sendo US$ 1,06 bilhão em exportações e US$ 1,3 bilhão em importações. O resultado representou alta de 22,5% em relação a novembro e de 26% na comparação com dezembro de 2024, refletindo a retomada das vendas externas e o fortalecimento das relações comerciais internacionais. Os dados são do Connect Fecomércio-ES, em parceria com o Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), com base nas informações do Comex Stat, sistema oficial de estatísticas do comércio exterior brasileiro. De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os números indicam uma recuperação relevante do comércio exterior capixaba, com destaque para produtos estratégicos da pauta exportadora. “É um resultado importante que demonstra a capacidade de reação das exportações ao longo do segundo semestre”, avaliou. O minério de ferro e seus concentrados permaneceram como o principal produto exportado em dezembro, totalizando US$ 303 milhões, um crescimento de 21,7% em relação ao mesmo período de 2024. O item respondeu por 28,6% das exportações do estado no mês, reforçando sua relevância para a economia capixaba. Na sequência, destacaram-se os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, que representaram 15,3% da pauta (US$ 162 milhões); o café não torrado, com 12,9% (US$ 136 milhões); bombas, compressores, ventiladores e outros equipamentos mecânicos, com 8,7% (US$ 91,8 milhões); e a celulose, que somou US$ 78,5 milhões em exportações. Entre os municípios, Aracruz, Serra e Anchieta lideraram as exportações do Espírito Santo em dezembro. Juntas, as três cidades responderam por US$ 678 milhões, o equivalente a 59,6% do total exportado pelo estado. Aracruz ocupou a primeira posição, com US$ 231 milhões (20,3%), seguida pela Serra, com US$ 226 milhões (19,9%), e Anchieta, com US$ 220 milhões (19,4%). Exportações alcançam US$ 10,4 bilhões em 2025 O Espírito Santo encerrou 2025 com US$ 10,4 bilhões em exportações, mantendo posição de destaque no cenário regional e nacional. O estado respondeu por 6% das exportações da Região Sudeste e por 3,9% da corrente de comércio brasileira. Segundo André Spalenza, o desempenho ao longo do ano foi equilibrado em termos de volume movimentado, consolidando o Espírito Santo como um importante hub logístico e comercial do país, com forte integração às cadeias globais de comércio. Em relação aos destinos das exportações em 2025, os Estados Unidos se consolidaram como o principal mercado, absorvendo 27% das vendas externas capixabas. Na sequência aparecem Singapura (8%), China (6%), Coreia do Sul (5%), Egito (4%) e Argentina (4%). A categoria “Outros”, com 46%, indica a ampla diversificação da demanda internacional pelos produtos do estado. A pesquisa completa, com dados detalhados, está disponível no portal do comércio exterior do Espírito Santo. Sobre o Sistema Fecomércio-ES A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no Espírito Santo e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades, ações itinerantes e presença em todos os municípios capixabas, de forma física ou on-line, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o estado. A entidade representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico capixaba. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI).
Cursos de Medicina do ES têm desempenho positivo no Enamed e ficam fora de sanções do MEC
Os cursos de Medicina do Espírito Santo avaliados na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizada em 2025, apresentaram desempenho satisfatório e ficaram fora da lista de instituições que sofrerão sanções por parte do Ministério da Educação (MEC). Nenhuma faculdade capixaba obteve conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios pelo exame. Entre as instituições do Estado, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) alcançou o conceito máximo, nota 5, figurando entre os cursos com melhor desempenho do país. Com conceito 4, classificação considerada boa pelo MEC, aparecem a Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam), a Universidade Vila Velha (UVV) e o Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc), de Colatina. Outras duas instituições capixabas avaliadas ficaram com conceito 3, dentro do patamar considerado regular: a Multivix e a Faculdade Brasileira de Cachoeiro. Apesar de não atingirem as faixas mais altas da avaliação, os cursos seguem aptos a manter suas atividades sem restrições, diferentemente das instituições com conceitos inferiores. O Enamed avaliou, ao todo, 351 cursos de Medicina em todo o Brasil. Desse total, 243 cursos foram bem avaliados, com desempenho que garantiu proficiência a, pelo menos, 60% dos estudantes concluintes. Outros 107 cursos ficaram nas faixas 1 e 2, consideradas insatisfatórias, e um curso não foi avaliado devido ao baixo número de concluintes inscritos. De acordo com o Ministério da Educação, participaram do exame 89.024 estudantes e profissionais de Medicina. Entre eles, 39.258 eram concluintes da graduação. A maior parte dos avaliados — mais de 28 mil — é oriunda de instituições privadas, com e sem fins lucrativos, enquanto pouco mais de 9 mil estudantes pertencem a instituições públicas federais, estaduais e municipais. Os melhores desempenhos médios foram registrados entre estudantes de instituições públicas. Os concluintes de universidades federais alcançaram média de 83,1% de proficiência, enquanto os estudantes de instituições estaduais obtiveram média de 86,6%. Já os piores resultados foram observados na rede municipal, com média de 49,7%, e entre instituições privadas com fins lucrativos, que atingiram média de 57,2%, ambas consideradas insuficientes pelo exame. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, os dados reforçam a necessidade de monitoramento contínuo da qualidade dos cursos. Ele destacou que instituições públicas federais, estaduais e privadas sem fins lucrativos apresentaram desempenho positivo, enquanto o foco das ações corretivas estará voltado às redes municipal e privada com fins lucrativos. A partir da divulgação dos resultados, o MEC dará início a processos administrativos de supervisão para os cursos vinculados ao Sistema Federal de Ensino que apresentaram desempenho médio inferior a 60%. Das 304 instituições sob regulação federal, 99 ficaram nas faixas 1 e 2. As medidas cautelares previstas incluem desde a proibição de ampliação de vagas, redução da oferta, suspensão do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) até a suspensão do ingresso de novos estudantes. Criado em abril de 2025, o Enamed é uma adaptação do Enade voltada exclusivamente para estudantes concluintes de Medicina. O exame é obrigatório e seus resultados também podem ser utilizados como critério de acesso aos programas de residência médica unificados pelo Ministério da Educação, organizados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), por meio do Exame Nacional de Residência (Enare).
João Gualberto – “Doutrina do engrossamento”
O título do artigo é o mesmo de um livro muito importante na crítica política brasileira. Publicado originalmente em 1901, a edição que me chegou às mãos – cedida gentilmente pelo escritor Pedro J. Nunes – é de 2016, daEditora do Ifes, organizada por Raoni Huapaya. O autor da obra é Graciano Neves, importante político capixaba do período do início da republica, tendo sido presidente do Espírito Santo eleito em1896, em sucessão à Muniz Freire. Graciano Neves era médico e jornalista, um intelectual de olhar crítico, com raízes no positivismo e leitor atento do marxismo, dizem os seus estudiosos. Foi redator-chefe deO Norte do Espírito Santo, jornal editado, em São Mateus. Pertencia aos quadros do Partido Construtor, que era comandado por Muniz Freire, um grande líder capixaba na primeira república, e foi nosso grande oligarca no seu período inicial. Como editor do Norte do Espírito Santo, foi crítico voraz do despotismo estabelecido pelo Marechal Deodoro da Fonseca – a quem chamava “tirano vulgar” – e o atacou duramente quando dissolveu o Congresso. Na presidência de Floriano Peixoto, contando ainda 23 anos, obteve rápida ascensão política quando foi indicado como parte da Junta Governativa do Estado, do fim de 1891 a 1892. Mais tarde, foi eleito presidente do Estado, tendo sidoempossado em 23 de maio de 1896. Assumindo em meio a grave crise econômica e política, realizou vários cortes orçamentários e interrompeu investimentos iniciados por Muniz Freire, seu antecessor e correligionário, criando sérios problemas no seu grupo político. A instabilidade gerada, levou-o à renúncia em setembro de 1897. Em 1906, foi eleito deputado federal. Foi, portanto, um ator político de primeira linha na política brasileira, conheceu, certamente os bastidores daqueles primeiros tempos. O elitismo da república dos coronéis não permitia forte controle social da governança pública. As grandes ações eram combinadas com antecedência entre os poderosos e os ritos democráticos tinham grande dose teatral. Foi esse o ambiente que ele criticou de forma brilhante em Doutrina do Engrossamento, expressão que ele usa como sinônimo de puxa-saquismo, de uma bajulação subserviente que toma conta do poder no Brasil. Até hoje. São palavras dele no texto: O que há de curioso e digno de sérios estudos nessa transição da rebeldia para a obediência, da guerra para a paz, é o processo infinitamente judicioso dos políticos profissionais para consolidar a Ordem sem prejuízos dos interesses particulares: – partilhar as comodidades oficiais, extorquindo-as com ternuras sábias, já que não é possível alcançá-las por meio da violência, nem tampouco pelos pronunciamentos eleitorais. A essa descoberta feliz e admiravelmente oportuna a voz pública afixou o nome de Engrossamento. Continuo a transcrever: Engrossamento quer dizer na significacão moderna uma delicada e inteligente espécie de adulação, uma fina combinação de servilismo, hipocrisia e egoísmo, alguma coisa enfim de eminentemente salutar para os interesses do indivíduo e da sociedade. Na acepção antiga Engrossamento é aumentação de volume, alargamento de dimensões, o que se pode traduzir em robustecimento … Assim, que os indivíduos perturbadores, os políticos profissionais, compenetraram-se da ineficácia da oposição para ganhar o poder – passaram logo a aderir ao governo, dando-se aliás perfeitamente com essa simpática palinódia, o que decidiu a maioria dos ambiciosos a adotá-la comoprocesso mais fácil de sucessão governamental. O tratado bem-humorado de Graciano Neves não para aí, traça um perfil de como deve-se comportar um jovem que deseja vencer entre a elites brasileiras, tem muita ironia misturada com verdades. A genialidade do texto do nosso ex-presidente Graciano Neves está na sua visão de um estilo de ação que se transformou em elemento da nossa cultura política, que se reproduz até hoje. Quando os militares chegaram ao poder em 1964, vimos esse engrossamento. Também o vemos vastamente quando um novo governador chega ao poder, mesmo aqui no Espírito Santo, seus partidos engordam muito. Para darmos um último exemplo da doutrina do engrossamento, vamos nos lembrar como brotaram no nada direitistas fanáticos quando Jair Bolsonaro chegou ao poder, ou seja, mesmo em processos ditos disruptivos lá está a nossa cultura da acomodação, conciliação e puxa-saquismo. A adesão oportunista ao poder faz parte dos traços políticos da nossa sociedade, o mesmo traço que impede que os partidos ganhem densidade programático, porque quando um deles chega ao poder, esvazia outros discursos e faz da bajulação e das imensas tentativas de agradar os poderosos, elementos marcantes do nosso dia a dia. Acredito que só a maturidade política da nossa sociedade vai nos livrar desses elementos. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018. • A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
De 33°C a alerta de temporal: Grande Vitória terá semana de mudanças bruscas no tempo
A semana na Grande Vitória será marcada por um verdadeiro “choque térmico” e instabilidade atmosférica. Segundo dados cruzados do Inmet e Climatempo, os moradores da região devem se preparar para uma transição rápida entre o calor intenso e o risco de chuvas volumosas em um curto espaço de tempo. A segunda-feira (19) começa sob o domínio de uma massa de ar quente, que elevará as temperaturas aos 33°C nas cidades de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. O sol aparece com força durante todo o dia, mas o aumento da nebulosidade ao entardecer já sinaliza a mudança: pancadas de chuva isoladas com trovoadas são esperadas para o início da noite, trazendo um alívio momentâneo ao calor. A partir de terça-feira (20), o cenário muda drasticamente com o avanço de áreas de instabilidade. A temperatura máxima sofre uma queda de cerca de cinco graus, fixando-se em 28°C. O céu permanecerá predominantemente nublado, com chuvas que podem ocorrer a qualquer hora, ganhando intensidade durante o período da noite. O ponto crítico da semana, no entanto, está previsto para quarta-feira (21). Meteorologistas alertam para a formação de um sistema que pode trazer chuvas severas e acumulados significativos para a região metropolitana. Com os termômetros não passando dos 24°C, a quarta será o dia mais frio e chuvoso, exigindo atenção redobrada da população para possíveis pontos de alagamento e rajadas de vento que podem atingir os 60 km/h. Já na quinta e sexta-feira, o sistema de baixa pressão começa a perder força, mas não se afasta totalmente. O sol volta a aparecer entre muitas nuvens, com temperaturas em gradativa elevação, chegando aos 29°C até o final da semana. Apesar da abertura de sol, a umidade ainda elevada favorece chuvas rápidas e passageiras, principalmente nos períodos da manhã e final da tarde. As autoridades de Defesa Civil recomendam que os moradores evitem transitar em ruas alagadas e não busquem abrigo debaixo de árvores em caso de tempestades com descargas elétricas.
IA se consolida como aliada da estética personalizada e preventiva
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa do futuro e já faz parte da rotina dos consultórios, transformando a forma como diagnósticos são realizados e tratamentos estéticos são planejados. A tecnologia tem se consolidado como uma importante aliada na oferta de avaliações mais precisas da pele, definição de protocolos personalizados e obtenção de resultados cada vez mais naturais e seguros. Com mais de 24 anos de atuação na área, a médica Renata Melo destaca que a IA representa um avanço relevante ao potencializar o olhar clínico do especialista. “A inteligência artificial não substitui o médico, mas amplia nossa capacidade de análise. Ela consegue identificar detalhes que muitas vezes não são perceptíveis a olho nu, como alterações na textura da pele, manchas iniciais e sinais precoces de envelhecimento, além de fios opacos e quebradiços, no caso dos cabelos”, explica. Por meio de sistemas inteligentes de análise de imagem, é possível mapear características como poros, rugas, linhas finas, nível de oleosidade e uniformidade da pele, além de acompanhar com maior precisão a evolução dos tratamentos. “A tecnologia nos permite sair do achismo e trabalhar com dados concretos, o que traz mais segurança tanto para o médico quanto para o paciente”, ressalta a especialista. Entre os recursos utilizados, Renata cita tecnologias como lasers, o Ultraformer, o Mesoject Gun e a videotricoscopia digital — ferramenta de análise avançada de imagens que auxilia na avaliação capilar e cutânea e na definição das melhores estratégias terapêuticas. Segundo a médica, todo esse suporte tecnológico contribui para a construção de protocolos sob medida, respeitando a individualidade de cada paciente. “Hoje, não faz mais sentido falar em tratamentos padronizados. Cada pessoa tem uma rotina e um processo de envelhecimento diferentes. A IA contribui para que o plano de tratamento seja verdadeiramente personalizado”, afirma. A tecnologia também desempenha papel fundamental na prevenção do envelhecimento precoce. “Conseguimos intervir antes que o dano se torne evidente. Isso muda completamente a lógica da estética, que passa a ser cada vez mais preventiva e menos corretiva”, destaca. Para Renata Melo, o uso responsável da inovação é essencial. “A tecnologia deve estar a serviço da saúde e do bem-estar. Quando utilizada com critério, ajuda a indicar apenas o que realmente é necessário, respeitando os limites e a naturalidade de cada paciente”, conclui.
Reforma tributária entra em fase de testes e novas regras de isenção do IR passam a valer
Mudanças começam a impactar empresas e a renda das famílias capixabas O sistema tributário brasileiro inicia uma nova etapa com efeitos concretos já perceptíveis no Espírito Santo. Entram em vigor a fase de testes da reforma tributária sobre o consumo e as novas regras de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física, medidas que afetam diretamente empresas, trabalhadores, famílias e a arrecadação de estados e municípios. A fase experimental marca o início prático da transição para o novo modelo de tributação, que substituirá gradualmente tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins. Nesse período, empresas passam a operar sistemas paralelos, simulando a apuração dos novos impostos, sem recolhimento efetivo, mas com exigências de reporte, adaptação tecnológica e conformidade fiscal. O momento exige atenção e planejamento. A fase de testes é considerada estratégica para evitar distorções futuras, permitindo que empresas e o poder público identifiquem falhas operacionais, ajustem sistemas e compreendam, na prática, o funcionamento do novo modelo. O período de transição está previsto para ocorrer entre 2026 e 2032, quando o sistema atual conviverá com o novo regime tributário. Para o advogado tributarista e empresarial Samir Nemer, a entrada em vigor dessa etapa inaugura um novo ciclo fiscal no país e no Espírito Santo, ainda marcado por ajustes e pela necessidade de regulamentações complementares. “Estamos diante de uma mudança estrutural que será construída na prática. A reforma não é um evento isolado, mas um processo contínuo”, avalia. Segundo ele, empresas, profissionais e cidadãos precisam acompanhar de perto esse movimento. “Quem se preparar desde já estará mais bem posicionado para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades desse novo cenário”, alerta Nemer, que é mestre em Direito Tributário. No Espírito Santo, os impactos tendem a ser relevantes, sobretudo em setores estratégicos da economia capixaba, como indústria, comércio exterior, logística, portos e serviços. Estados com forte perfil exportador historicamente acumulam créditos de ICMS, o que afeta o fluxo de caixa das empresas e gera disputas administrativas e judiciais. “O Espírito Santo é um estado exportador por natureza, com cadeias produtivas ligadas à siderurgia, mineração, petróleo e gás, agronegócio e comércio exterior. A promessa da reforma é reduzir o acúmulo de créditos e tornar a tributação mais neutra, mas o período de transição precisa ser acompanhado de perto para que não haja perda de competitividade”, explica Nemer, sócio do escritório FurtadoNemer Advogados. Empresas instaladas em polos industriais e logísticos da Região Metropolitana da Grande Vitória e do litoral norte e sul do Estado já iniciaram a revisão de seus sistemas de gestão fiscal e contábil para atender às novas exigências, mesmo durante a fase experimental. Embora o debate frequentemente se concentre nas grandes corporações, pequenas e médias empresas capixabas também serão impactadas. Comércio, prestadores de serviços, empresas de transporte, tecnologia e construção civil terão de se adaptar à nova lógica de tributação e às mudanças nas obrigações acessórias. De acordo com Nemer, a preparação antecipada pode evitar custos elevados no futuro. “Mesmo para empresas menores, a reforma exigirá ajustes em sistemas, contratos e precificação. Quem deixar para se adaptar apenas na fase definitiva corre o risco de enfrentar custos mais altos e dificuldades operacionais”, afirma. Isenção do Imposto de Renda Além da reforma sobre o consumo, entram em vigor as novas regras de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física. Contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil passam a ser totalmente isentos, enquanto quem recebe até R$ 7.350 terá descontos progressivos. A medida amplia o número de beneficiados e impacta diretamente o orçamento das famílias capixabas. A avaliação de especialistas é que o efeito imediato tende a ser mais perceptível nos centros urbanos do Estado, onde há maior concentração de trabalhadores assalariados e servidores públicos. O aumento da renda disponível pode estimular a economia regional, com reflexos positivos no varejo, alimentação, transporte e serviços. Por outro lado, a nova sistemática também altera a tributação das altas rendas. Quem recebe mais de R$ 50 mil mensais em dividendos passará a ser tributado à alíquota de 10%, o que exige revisão do planejamento financeiro e societário de empresários e investidores. “Esse público precisará reavaliar estruturas societárias, políticas de distribuição de lucros e estratégias de planejamento tributário, sempre dentro da legalidade, para evitar aumento inesperado da carga fiscal”, observa o advogado. Para Nemer, o principal desafio dos próximos anos será equilibrar justiça social e sustentabilidade fiscal. “Medidas de desoneração precisam caminhar junto com reformas estruturais. Caso contrário, há o risco de gerar benefícios de curto prazo sem enfrentar os problemas históricos do sistema tributário brasileiro”, conclui.
Infectologistas alertam para riscos de intoxicação alimentar no verão
Os casos de intoxicação alimentar tendem a aumentar durante o verão, período marcado por férias, viagens e realização de grandes eventos. Nessa época, cresce o consumo de refeições fora de casa e nem sempre são respeitadas as condições adequadas de preparo e armazenamento dos alimentos. Embora muitos quadros sejam autolimitados, a intoxicação pode evoluir para formas mais graves, sobretudo entre grupos vulneráveis. As altas temperaturas favorecem a multiplicação de microrganismos, enquanto o preparo antecipado das refeições e a manipulação por várias pessoas ampliam as chances de contaminação. “Essas condições criam um ambiente ideal para a proliferação de bactérias e a produção de toxinas, muitas vezes sem que o alimento apresente alterações de cheiro ou aparência”, explica a infectologista Carolina Salume (foto acima), do Hospital Santa Rita. Alguns alimentos estão entre os principais responsáveis pelos registros de intoxicação alimentar nesse período. Carnes, aves, pratos à base de maionese, como salpicão, além de arroz, ovos e sobremesas com creme figuram entre os mais associados aos casos. “São alimentos ricos em proteínas e água, que funcionam como excelente meio para o crescimento de bactérias quando permanecem fora da refrigeração adequada”, destaca a especialista. O risco aumenta quando esses pratos ficam expostos por longos períodos em mesas de festas ou buffets improvisados. A recomendação geral é que alimentos prontos não permaneçam fora da geladeira por mais de duas horas, sendo necessário reduzir ainda mais esse tempo em dias muito quentes. Carolina Salume ressalta que reaquecer a comida nem sempre elimina o risco. “O calor pode destruir algumas bactérias, mas não elimina toxinas já formadas. Por isso, alimentos mal armazenados continuam oferecendo perigo, mesmo após aquecimento”, alerta. De acordo com a infectologista Marina Malacarne (foto), do Hospital São José, em Colatina, os sintomas mais frequentes incluem náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, febre e mal-estar geral. “A intensidade varia de acordo com o agente envolvido e as condições clínicas da pessoa”, explica. O início dos sintomas costuma ser relativamente rápido, surgindo, na maioria dos casos, entre uma e 48 horas após o consumo do alimento contaminado, embora esse intervalo possa variar conforme o microrganismo ou toxina responsável. Apesar de muitos quadros evoluírem bem com medidas simples, alguns sinais indicam gravidade e exigem atendimento médico imediato. “É preocupante quando há desidratação, febre alta persistente, sangue nas fezes, vômitos incessantes ou alterações neurológicas, como confusão mental ou sonolência excessiva”, afirma Marina Malacarne. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas também devem ser avaliados precocemente, devido ao maior risco de complicações. A prevenção segue como a principal estratégia. “Medidas simples reduzem significativamente o risco, como higienizar bem as mãos e os alimentos, manter a refrigeração adequada, evitar carnes, ovos e pescados crus ou mal cozidos e respeitar o tempo máximo que os alimentos podem ficar fora da geladeira”, orienta a infectologista do Hospital São José. A atenção deve ser redobrada em buffets, festas e refeições preparadas com antecedência. Em caso de suspeita de intoxicação alimentar, a orientação inicial é suspender o consumo do alimento suspeito e reforçar a hidratação. “A ingestão adequada de líquidos é fundamental para prevenir a desidratação. O atendimento médico deve ser procurado se os sintomas forem intensos, persistentes ou acompanhados de sinais de gravidade”, recomenda. O tratamento, na maioria das situações, é baseado em suporte clínico. “A abordagem principal envolve hidratação e correção de distúrbios eletrolíticos. O uso de antibióticos não é rotineiro e só é indicado em casos específicos, quando há identificação ou forte suspeita de determinados agentes”, conclui Marina Malacarne, reforçando que informação e cuidados simples são decisivos para evitar complicações.