O setor elétrico brasileiro até os anos noventa era controlado integralmente pelo setor público – pincipalmente federal e estadual – Neste modeloinstitucional, via de regra, as empresas de energia atuavam de forma verticalizada, produzindo, transportando e distribuindo. Com a privatização de grande parte das empresas públicas, o modelo institucional foi redefinido e reajustado para dar conta da complexidade dessa indústria que precisa buscar sempre operar o mais próximo possível do ótimo, já que deve entregar um insumo que se tornou essencial para a vida moderna. Assim, os objetivos básicos da mudança foram: garantir a segurança no suprimento, apostando em expansão dos investimentos privados; promover a modicidade tarifaria; e promover a inserção social, em particular pelos programas de universalização (como o Luz para Todos). A operação foi segmentada com empresas atuando na geração, outras na transmissão e, por último, as distribuidoras. Essas últimas, são as mais visíveis para o público porque são as responsáveis pela entrega da energia em cada ponto de consumo e são regionalizadas, isto é, responsável pela rede de distribuição em cada região. Neste modelo, fica evidente a necessidade decisiva de um sistema de regulação e fiscalização daí a instituição da ANEEL; introduziu dois mercados, um operando em ambiente de comercialização regulada e outro como ambiente de contração livre, tendo a Câmara de Comercialização de Energia como organizadora; também foi instalado o Operador Nacional do Sistema (ONS , com a responsabilidade do planejamento e gestão diária do despacho de energia pelas geradores. No plano da geração da energia observou-se, talvez, as mais significativas inovações, desde o estabelecimento de leilão para a concessão da fonte potencial de geração, passando pelo desenvolvimento tecnológico que levou acrescente adoção de novas alternativas de fontes geradoras, valendo relembrar: a solar, a eólica, biomassa, etc. dentre outras, além da energia hidráulica. O importante crescimento destas fontes alternativas é muito bem-vindo, dada a necessidade de substituir fontes com maior emissão de gazes, como é o caso das usinas á base de óleo ou gás (térmicas) e carvão. Recorrendo ao estudo da Consultoria Iventta – Macromovimentos e Tendências do Setor – do qual obtemos algumas informações estatísticas fundamentais para o conhecimento do tamanho da economia brasileira da energia: – 189,6 mil km de linhas de transmissão, extensãoequivalente a 4,7 voltas a terra; – A matriz elétrica brasileira atingiu 88,2% de fontes renováveis em 2024, uma situação privilegiada no contexto mundial; – Em abril de 2025, o Brasil ultrapassou 210 Gigawatts (GW) de potência fiscalizada, colocando o sistema Elétrico brasileiro entre os maiores do mundo. – Capacidade instalada maior que a de países como Itália, França ou Reino Unido. – Em 2024, cada brasileiro emitiu, em média, 2,0 toneladas de CO2 equivalente (t CO2eq) com produção e consumo de energia. É uma emissão sete vezes menor que a de um cidadão dos Estados Unidos (13,8 t CO2eq) e 2,7 vezes menor que a média de um europeu (5,4 t CO2eq); – Segundo a ANEEL, o Brasil contava, até 31 de julho de 2025, com 3,77 milhões de sistemas conectados – solar em residências na maior parte – à rede de distribuição de energia elétrica, reunindo potência instalada próxima de 42,28 GW que é 50% maior que a potência da usina de Itaipu (14 GW), a segunda maior do mundo; – A energia solar apresentou um crescimento na participação na geração de 2,2% em 2020 para 13% em 2025, enquanto a energia eólica passou de 15% para 21% nos últimos 5 anos. Ainda segundo o estudo citado, há muitos desafios diante do setor elétrico brasileiro, porém, os que mais se destacam no presente são: 1) O crescimento acelerado da energia solar e eólica, com suas marcantes intermitências de injeção de energia na rede, gerou desafios envolvendo inseguranças por falta de controle de energia no sistema elétrico. Assim, o risco de sobrecargas, apagõeslocalizados e cortes de energia aumentam; 2) a previsão de crescimento explosivo da demanda por energia, puxada de maneira destacada pelo crescimento do parque de data centers. *Guilherme Henrique Pereira é doutor em Ciências Econômicas, autor do livro Economia, Governos e Suas Políticas e diretor executivo do Instituto Gestão e Desenvolvimento Sustentável – IGEDS ARANDU.
Conselho de Segurança da ONU realiza reunião de emergência sobre Venezuela
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realiza nesta segunda-feira (5) uma reunião de emergência para discutir a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura e deposição do presidente Nicolás Maduro. O encontro foi solicitado formalmente pelo governo venezuelano, que classificou a ação norte-americana como uma “agressão criminosa”, com apoio de países como Irã e Colômbia. A reunião ocorre no mesmo dia em que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, devem comparecer a um tribunal federal em Manhattan, em Nova York. O ex-presidente venezuelano é acusado de crimes de narcoterrorismo e posse de armas, e a audiência está marcada para as 12h no horário local. A ofensiva dos EUA dividiu a comunidade internacional entre críticas e manifestações de apoio à queda de Maduro. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para possíveis “implicações preocupantes” da ação militar para a estabilidade regional. Após a operação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país assumirá o controle do governo venezuelano durante o período de transição e não descartou novas ações militares. No domingo, Delcy Rodríguez foi anunciada como presidente interina e, em seguida, alvo de novas ameaças do governo norte-americano.
Festival Delírio Tropical agita o verão de Vila Velha com mais de 80 atrações musicais
Sétima edição do Festival de Música Regional do Espírito Santo acontece de 21 de janeiro a 1º de fevereiro, na orla de Itapuã, com mais de 100 horas de shows gratuitos e atrações do Brasil e do exterior O ano de 2026 começa com frescor criativo para a cena cultural capixaba. De 21 de janeiro a 1º de fevereiro, a sétima edição do Festival Delírio Tropical vai movimentar o verão de Vila Velha com um amplo panorama da produção musical autoral do Espírito Santo, do Brasil e do exterior. A programação é gratuita e reúne mais de 80 atrações, somando mais de 100 horas de shows ao longo de dez dias. As apresentações acontecem na Arena de Verão da Prefeitura de Vila Velha, montada na orla de Itapuã, e incluem, além dos shows musicais, Vila Gastronômica, feira criativa e atividades voltadas ao público infantil. O espaço será totalmente acessível, com equipe especializada disponível durante todo o evento. A expectativa da organização é de que cerca de 200 mil pessoas acompanhem a programação. O festival tem patrocínio da Aegea Saneamento, Supermercados Carone, Vports, Vale e Ourocard, com apoio da ES Gás, Farmácia Mônica, RHI e Arte Institute de Portugal, além do apoio institucional da Prefeitura de Vila Velha. A realização é da Puri Produções, gzz.art e do Ministério da Cultura – Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Voz de Portugal Entre os destaques da programação está a cantora portuguesa Marisa Liz, que se apresenta no dia 25 de janeiro. Natural de Lisboa, a artista ganhou projeção internacional como mentora do programa The Voice Portugal, entre 2014 e 2023. No pop-rock e na música eletrônica, destacou-se como vocalista da banda Amor Electro, com a qual lançou três álbuns antes de seguir carreira solo. A apresentação de Marisa Liz marca o início da parceria do Delírio Tropical com a RHI – Arte Institute de Portugal, que passa a atuar como embaixadora do festival na Europa e nos Estados Unidos, abrindo caminhos para o intercâmbio de músicos capixabas com esses mercados. Programação infantil A abertura do festival, no dia 21 de janeiro, contará com o espetáculo do Gato Galáctico, personagem criado pelo youtuber gaúcho Ronaldo Souza, fenômeno nas redes sociais com mais de 20 milhões de seguidores. O show reúne música, dança, fantasia e mensagens sobre amizade e sonhos, voltadas ao público infantil. MPB e diversidade musical capixaba Os artistas do Espírito Santo terão papel central na programação, apresentando a diversidade da música produzida no estado. O público poderá conferir ritmos como samba, rock, hardcore, reggae, country, axé, blues, funk, música eletrônica e a moderna MPB, além da valorização do folclore capixaba, com as bandas de congo Beatos de São Benedito, Tambor Jacaranema e Mestre Honório. Encontros inéditos Mantendo a tradição das edições anteriores, o festival promove encontros inéditos entre artistas de diferentes estilos e gerações. Estão previstos, entre outros, os shows de Luiza Pastore (foto acima) convida Gastação Infinita, Bruno Caliman convida Nano Vianna, Saulo Simonassi convida Dona Fran, Fábio Carvalho convida Caju e Manfredo convida Sandrera. O rock será representado por bandas como Nave, Rastaclone, Pé do Lixo, Estado de Sítio, Muddy Brothers, Metteoro (especial Mangue Beat) e pelo hardcore do Mukeka di Rato, que apresenta o show do novo álbum “Generais de Fralda”. A programação também contempla nomes consagrados da música capixaba, como André Prando e Casaca, além das estrelas do axé Andrea Nery e Beto Kauê. No samba, o público poderá curtir a bateria da Mocidade Unida da Glória (MUG), Bloco Regional da Nair, Bloco Balança Penha, Clube do Samba, Mais Astral, Samba Crioulo e a Mega Roda de Samba, reunindo os grupos Samba Sim, Explosão do Pagode, Chope Samba e Opção. O reggae terá nomes como Java Roots e Macucos, enquanto a música country marca presença com o Dallas Country, embalado pelo sucesso “Clima de Rodeio”. Do Espírito Santo para o mundo Para o diretor do festival, Sullivan Silva, o Delírio Tropical se consolida como um dos principais eventos culturais do calendário capixaba. “O Delírio Tropical é um festival que exalta o orgulho do território e dialoga com públicos diversos. É um palco do Espírito Santo para o mundo, que une o novo e o tradicional, o vintage e o contemporâneo, conectando cultura capixaba, economia criativa e turismo internacional”, afirma. SERVIÇO Festival Delírio Tropical – 7ª edição 📅 Data: 21 de janeiro a 1º de fevereiro de 2026 📍 Local: Arena de Verão da Prefeitura de Vila Velha – Praia de Itapuã (altura da Rua Jair de Andrade) 🎟 Entrada: Gratuita Patrocínio: Aegea Saneamento, Supermercados Carone, Vports, Vale e Ourocard Apoio: ES Gás, Farmácia Mônica, RHI e Arte Institute de Portugal Apoio institucional: Prefeitura de Vila Velha Realização: Puri Produções, gzz.art e Ministério da Cultura (MinC), via Lei Federal de Incentivo à Cultura PROGRAMAÇÃO COMPLETA ( Programação por dia 21/01 (quarta-feira) 16h – Música mecânica 18h – Tina Show 19h30 – Música mecânica 20h – Gato Galáctico 21h30 – Música mecânica 22/01 (quinta-feira) 16h – DJ Leandro Bonfim (Fusion Dub) 17h – Banda de Congo Mestre Honório 17h45 – Manfredo convida Sandrera 18h45 – DJ Leandro Bonfim (Fusion Dub) 19h15 – Nave S.A 20h15 – DJ Leandro Bonfim (Fusion Dub) 20h45 – Rastaclone 22h15 – DJ Leandro Bonfim (Fusion Dub) 22h45 – Casaca 23/01 (sexta-feira) 16h – DJ Renato Costa 17h – Luiza Pastore convida Gastação Infinita 18h – DJ Renato Costa 18h15 – Melton Sello 19h15 – DJ Renato Costa 19h30 – André Prando 20h45 – DJ Renato Costa 21h – Java Roots 22h30 – DJ Renato Costa 22h50 – Pé do Lixo 24/01 (sábado) 9h – DJ Sista Ilu 10h – Banda de Congo Tambor Jacaranema 11h – Já Gamei convida SambAdm 13h – Bloco Balança Penha 14h – Lambuza convida Pedro Perez 15h30 – DJ Sista Ilu 16h – Sheep Parafina convida Intóxicos 17h30 – DJ Sista Ilu 18h – Kanabaus convida Dub’s Ruy 19h30 – DJ Sista Ilu 20h – Luau do Abreu (convida Isa Cruz, Saulin e Mariana
Grupo 3 Corações inclui café do Espírito Santo na linha gourmet 100% arábica
O Grupo 3 corações, uma das maiores e mais influentes empresas de venda de café no Brasil, expandiu a sua Linha Gourmet, no 2º semestre de 2025, com um produto que celebra a excelência da cafeicultura capixaba. O café Montanhas do Espírito Santo chegou ao mercado como uma homenagem a uma das regiões mais tradicionais do país, oferecendo uma experiência sensorial de altíssima qualidade com grãos 100% arábica. Origem com Selo de Qualidade O grande diferencial desta linha é a sua procedência. O café é cultivado na região das Montanhas do Espírito Santo, área que detém o selo de Indicação Geográfica (IG) na categoria de Denominação de Origem (DO). Este reconhecimento certifica que o café possui características únicas que só podem ser encontradas naquele território específico, fruto da combinação entre o saber-fazer local e as condições naturais da região. Cultivado em altitudes que atingem até 1.400 metros e sob temperaturas médias que variam entre 18 e 22°C, o café carrega a herança do trabalho artesanal e da agricultura familiar capixaba. O Espírito Santo é consolidado como o segundo maior estado produtor de café do Brasil. Portfólio de Origens Premiadas Com a chegada do novo rótulo, a 3 Corações reafirma o sucesso de sua linha de cafés de origem. O Espírito Santo Gourmet passa a integrar o portfólio que já conta com outras regiões icônicas da cafeicultura brasileira, como: • Cerrado Mineiro: Conhecido por seu corpo marcante e notas achocolatadas. • Mogiana Paulista: Tradicional região paulista que entrega cafés equilibrados e com doçura característica. Essa diversidade permite ao consumidor explorar diferentes terroirs brasileiros sem sair de casa, todos mantendo o padrão de grãos 100% arábica. Perfil Sensorial Detalhado Para os apreciadores de cafés especiais, o rótulo da 3 Corações revela um perfil de bebida complexo e equilibrado para a edição capixaba, resultado de uma torra clara: • Aroma: Intenso e floral. • Sabor: Notas de frutas amarelas, caramelo e mel. • Acidez: Média e frutada. • Doçura: Intensa. • Corpo: Médio. Compromisso com a Origem A linha 3 Corações Gourmet tem como objetivo proporcionar ao consumidor uma “viagem” pelas principais regiões cafeeiras do Brasil. Com a inclusão das Montanhas do Espírito Santo ao lado dos cafés do Cerrado Mineiro e da Mogiana Paulista, a marca reforça o seu compromisso em valorizar a diversidade do solo brasileiro, garantindo rastreabilidade e qualidade desde a lavoura até a xícara do consumidor.
Sebrae/ES supera 1 milhão de atendimentos em 2025 e ultrapassa resultado de 2024
O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES) encerrou 2025 com mais de 1 milhão de atendimentos realizados a empreendedores capixabas, superando novamente o desempenho registrado no ano anterior. Até o dia 12 de dezembro, a instituição contabilizou 1.054.399 atendimentos, número superior aos 1.039.000 atendimentos registrados em 2024, quando o marco já havia sido alcançado. O volume inclui atendimentos presenciais, on-line, por telefone e também aqueles realizados nas Salas do Empreendedor, espaços mantidos pelas prefeituras municipais em parceria com o Sebrae. Essa atuação conjunta garante a presença da instituição nos 78 municípios do Espírito Santo, ampliando o acesso aos serviços mesmo em localidades que não contam com unidades físicas do Sebrae. Para o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, o resultado reflete o esforço da instituição em manter proximidade com os empreendedores e ampliar o alcance das ações. “Ultrapassar 1 milhão de atendimentos pelo segundo ano consecutivo mostra que o Sebrae está cumprindo seu papel de apoiar o empreendedor em todas as fases do negócio. Nossa presença nos municípios, especialmente por meio das Salas do Empreendedor, é fundamental para garantir orientação, informação e apoio a quem quer empreender ou a quem necessita de ajuda”, afirma. Além da atuação nos municípios, o Sebrae/ES também oferece atendimento gratuito por meio da Central de Relacionamento Sebrae, pelo telefone 0800 570 0800, que conecta empreendedores a soluções de gestão, consultorias e orientações especializadas. As iniciativas têm como foco contribuir para a melhoria da gestão dos pequenos negócios, oferecendo suporte tanto por meio de atendimentos presenciais quanto a distância, de acordo com a necessidade de cada empreendedor.
João Gualberto – “O tráfico de drogas no Brasil”
Acredito que a sociedade brasileira esteja banalizando muito a discussão sobre a questão das drogas, sobretudo o combate ao seu comércio, obviamente ilegal. Há alguns anos chegou a ser discutida a possibilidade da legalização das chamadas drogas leves, mas com o crescimento da extrema direita o que temos visto é a perda de densidade desse tipo de pauta, com o surgimento de uma perspectiva quase que exclusivamente policial ao seu combate. Aliás, temos assistindo a um recuo perigoso das nossas pautas de inclusão social, de uma forma geral, nos últimos anos. A luta agora é para não deixar essas questões regredirem demais no tempo, já que a pauta reacionária voltou com toda força. A matança realizada recentemente pela polícia militar do Rio de Janeiro e o apoio manifestado por grande parte da opinião pública brasileira mostra esse olhar policialesco do qual estou falando. Parece mesmo que ações desse calibre são esperadas pela maioria, diante da gravidade do que vem acontecendo, sobretudo entre os jovens mais pobres. Lembro-me sempre das reflexões fortes e bem construídas do sociólogo Michel Misse, capixaba de Cachoeiro recentemente falecido, acerca da territorialidade do combate ao comércio das drogas. Nessa guerra só morrem jovens pobres, em grande parte pretos, de bairros periféricos, como se os consumidores não estivessem na classe média alta, onde a polícia não está presente de forma ostensiva. A hipocrisia brasileira determina que esse mercado só tem vendedores — todos imersos na pobreza — mas não tem compradores, até porque não se organiza a busca de drogas onde muitos sabem que estão sendo consumidas. No Brasil só os pobres pagam a conta, e mais cedo ou mais tarde ela vem em forma de tiros, dos rivais ou da própria polícia. Muita coisa não chega claramente para essa discussão, hoje restrita ao tráfico, que alimenta fortemente a economia da miséria no Brasil, de forma perversa e preconceituosa. Os príncipes das famílias ricas, consumidores de todo tipo de drogas, parece que nada têm a ver com tudo isso. São parte da bolha inatingível da sociedade. Para trazer um novo elemento à nossa análise, o conceituado jornalista Elio Gaspari, em sua coluna nos jornais O Globo e Folha de São Paulo do último dia 7 de dezembro, informa que o mercado americano lucra vendendo armas ao crime e ajudando muito na lavagem de dinheiro, e que, apesar de toda a ação espetacular de seu governo, Trump não quer se meter nisso. Só por esse relato dá para notar que não é matando pessoas na periferia que se vai acabar com o tráfico. Ele tem enraizamentos muito mais densos no nosso tecido social, envolve mesmo dimensões do mercado internacional de armas. Estimulado por meu amigo, o jornalista José Caldas, li uma pesquisa do instituto Data Favela, chamada Raio X da Vida Real, em que foram entrevistados 4.000 traficantes em favelas e comunidades de 23 estados brasileiros. O estudo apontou que 6 a cada 10 deles dizem que sairiam do crime se tivessem uma oportunidade, sendo que abrir o próprio negócio foi a opção mais citada de alternativa ao crime. Metade afirma ser a questão financeira o principal impedimento para deixar a atividade criminal. Entretanto, o que mais chamou a minha atenção foi o fato de que 42% têm outra atividade profissional, sobretudo os chamados bicos. Isso me leva afirma que é excessivo o tratamento como bandidos simplesmente a esses trabalhadores do tráfico, como o discurso conservador gosta de afirmar. Não quero com isso afirmar dizer que não devemos ter repressão policial, o que não podemos é imaginar que esse é o caminho, no fundo, ele é muito mais complexo. Como eles exercem outras profissões, nos cruzamos com eles em nosso cotidiano, convivemos cordialmente com boa parte deles, portanto, não são pessoas perigosas a ponto de não poder circular, elas estão envolvidas no ilícito. Outro elemento importante é que o tráfico é fonte importante de renda nas favelas e periferias brasileiras. É um meio para enfrentar a fome e a miséria, que poderiam ser bem maiores sem ele. Portanto, não se trata de uma questão simples de ser combatida. O tráfico de drogas é uma fonte de fatos horrorosos, mas temos de reconhecer que ao mesmo tempo é uma alternativa de sobrevivência que faz parte do cotidiano deste país desigual chamado Brasil. A importância social do consumo de drogas – no alto e na base da pirâmide – é muito grande. Combater tudo isso exige muito mais do que ações teatrais de quem quer fazer populismo policial às custas dos que menos podem fazer para se defender. Exige que discutamos a abrangência desse fenômeno de sociedade, sem uma lenda de culpa e penalização. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018. *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Semana começa com tempo fechado e chuva frequente na Grande Vitória
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) renovou nesta semana alertas de tempo instável para grande parte do Espírito Santo, indicando que a população deve permanecer atenta às condições do clima, com chuvas frequentes, nebulosidade persistente e possibilidade de temporais localizados. Os boletins do Inmet colocam o Espírito Santo em situação de atenção para risco de chuvas intensas e instabilidade atmosférica, com destaque para: Alerta de acumulado de chuva com nível de perigo e perigo potencial para diversas regiões do estado, incluindo trechos do litoral e da Grande Vitória, conforme divulgado em boletins meteorológicos oficiais estaduais que registram avisos do órgão meteorológico. Esses alertas indicam possibilidade de chuvas significativas, tempestades e ventos mais fortes em áreas específicas até períodos determinados pelos avisos. Em algumas datas recentes, o Inmet registrou risco de chuvas intensas, ventos e instabilidade generalizada, com avisos classificando as condições como perigo ou perigo potencial, especialmente entre manhã e tarde de determinados dias, o que reforça o padrão de tempo mais fechado e chuvoso observado. O que isso significa para a Grande Vitória Segundo os alertas meteorológicos, a Grande Vitória — que inclui municípios como Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra — está em uma área com probabilidade de chuva e nebulosidade persistente nos próximos dias. Isso se alinha com o que os moradores já vêm percebendo no aplicativo de clima: céu encoberto, garoa e pancadas de chuva intermitentes. Os avisos do Inmet apontam que a instabilidade é causada por sistemas meteorológicos que mantêm umidade elevada e favorecem a formação de nuvens carregadas, o que explica os episódios de chuva que podem ocorrer tanto de manhã quanto à tarde ou à noite. Panorama geral do tempo Embora o alerta não seja necessariamente de condição extrema em todos os dias, o padrão climático desta semana indica que a população deve se preparar para: Céu predominantemente encoberto e tempo fechado na maior parte da semana. Chuvas frequentes, com possibilidade de pancadas moderadas a fortes em vários momentos do dia. Períodos em que o sol pode aparecer de forma esparsa, mas com nebulosidade ainda presente. Os prognósticos de chuva constantes observados nos aplicativos de tempo e a manutenção dos alertas do Inmet confirmam que a semana será típica de tempo úmido e instável na região metropolitana da Grande Vitória.
Salário mínimo de R$ 1.621 já começou a valer em todo o país
O novo salário mínimo, no valor de R$ 1.621, passou a valer nesta quinta-feira (1º). O reajuste, de 6,79% ou R$ 103, foi confirmado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento no último dia 10. O salário mínimo anterior era de R$ 1.518. O novo valor foi informado após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado no cálculo do reajuste anual do salário mínimo. O indicador registrou 0,03% em novembro e acumula 4,18% em 12 meses. Pela estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o novo salário mínimo injetará R$ 81,7 bilhões na economia. O cálculo considera os efeitos sobre a renda, o consumo e a arrecadação, ainda que em um cenário de restrições fiscais mais rígidas. Entenda A regra do reajuste do salário mínimo determina que o valor tenha duas correções: uma pelo INPC de 12 meses acumulado até novembro do ano anterior, ou seja, 4,18%, e outra pelo crescimento da economia de dois anos. No dia 4 de dezembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou os dados do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) de 2024, confirmando expansão em 3,4%. No entanto, o arcabouço fiscal, mecanismo que controla a evolução dos gastos públicos, determina que o ganho acima da inflação seja limitado a um intervalo de 0,6% a 2,5%. Pela regra, o salário mínimo de 2026 seria R$ 1.620,99 e, com o arredondamento previsto em lei, passa para R$ 1.621, reajuste de 6,79%. Fonte: ABr
Entenda mudanças na aposentadoria que entram em vigor em 2026
Reforma da Previdência estabelece regras automáticas de transição Quem está prestes a se aposentar precisa estar atento. A reforma da Previdência, promulgada em 2019, estabeleceu regras automáticas de transição, que mudam a concessão de benefícios a cada ano. A pontuação para a aposentadoria por tempo de contribuição e por idade sofreu alterações. Confira abaixo as mudanças que começam a vigorar neste ano. Aposentadoria por tempo de contribuição A reforma da Previdência estabeleceu quatro regras de transição, das quais duas previram modificações na virada de 2025 para 2026. Na primeira regra, que estabelece um cronograma de transição para a regra 86/96, a pontuação composta pela soma da idade e dos anos de contribuição subiu em janeiro: para 93 pontos (mulheres) e 103 pontos (homens). Os servidores públicos estão submetidos à mesma regra de pontuação, com a diferença de que é necessário ter 62 anos de idade e 35 anos de contribuição (homens), 57 anos de idade e 30 anos (mulheres). Para ambos os sexos, é necessário ter 20 anos no serviço público e cinco anos no cargo. Na segunda regra, que prevê idade mínima mais baixa para quem tem longo tempo de contribuição, a idade mínima para requerer o benefício passou para 59 anos e meio (mulheres) e 64 anos e meio (homens). A reforma da Previdência acrescenta seis meses às idades mínimas a cada ano até atingirem 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens) em 2031. Nos dois casos, o tempo mínimo de contribuição exigido é de 30 anos para as mulheres e 35 anos para homens. Professores Em relação aos professores, que obedecem a uma regra de transição com base no tempo de contribuição na função de magistério combinada com a idade mínima, as mulheres passam a se aposentar aos 54 anos e meio, e os homens, aos 59 anos e meio. A idade é acrescida seis meses a cada ano até atingir o limite de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, em 2031. O tempo de contribuição mínimo para obter a aposentadoria como professor corresponde a 25 anos para as mulheres e a 30 anos para os homens. A regra vale para os professores da iniciativa privada, das instituições federais de ensino e de pequenos municípios. Os professores estaduais e de grandes municípios obedecem às regras dos regimes próprios de previdência. Aposentadoria por idade Desde 2023, está plenamente em vigor a regra para a aposentadoria por idade, destinada a trabalhadores de baixa renda que contribuíram pouco para a Previdência Social e se aposentariam por idade na regra antiga. Para homens, a idade mínima está fixada em 65 anos desde 2019. Para as mulheres, a idade de transição está em 62 anos desde 2023. Para ambos os sexos, o tempo mínimo de contribuição exigido para se aposentar por idade está em 15 anos. Na promulgação da reforma da Previdência, em novembro de 2019, a idade mínima para as mulheres estava em 60 anos, passando a aumentar seis meses por ano nos quatro anos seguintes. Subiu para 60 anos e meio em janeiro de 2020, para 61 anos em janeiro de 2021, 61 anos e meio em 2022 e 62 anos em 2023. Simulações O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) permite simulações da aposentadoria no computador e no celular. Simulação no computador Entre no site meu.inss.gov.br e digite seu CPF e senha. Caso não tenha senha, cadastre uma; Vá em “Serviços” e clique em “Simular Aposentadoria”; Confira as informações que aparecerão na tela. O site vai mostrar sua idade, sexo e tempo de contribuição, além de quanto tempo falta para aposentadoria, segundo cada uma das regras em vigor. Simulação no celular Baixe o aplicativo Meu INSS (disponível para Android e iOS); Se necessário, clique no botão “Entrar com gov.br” e digite seu CPF e senha. Caso não tenha senha, cadastre uma; Abra o menu lateral (na parte superior esquerda) e clique em “Simular Aposentadoria”; Cheque as informações que aparecerão na tela. O site vai mostrar sua idade, sexo e tempo de contribuição, além de quanto tempo falta para a aposentadoria, conforme as regras em vigor; Caso precise corrigir algum dado pessoal basta clicar no ícone de lápis (à direita). O segurado pode salvar o documento com todos os dados das simulações. Basta clicar em “Baixar PDF”. Regras de transição já cumpridas Por já ter sido cumprida, a regra do pedágio de 100% sobre o tempo de contribuição não mudará no setor privado. Quem tem mais de 57 anos de idade e 30 anos de contribuição (mulheres) ou 60 anos de idade e 35 anos de contribuição (homens) pode se aposentar. A regra estabelecia que o segurado tinha de cumprir o dobro do período que faltava para se aposentar na promulgação da reforma, em 2019. No serviço público, o pedágio também foi cumprido. Além da idade e do tempo de contribuição mínimos exigidos dos trabalhadores da iniciativa privada, é necessário ter 20 anos de serviço público e cinco anos no cargo. A reforma tinha outra regra de pedágio, desta vez para o setor privado. Quem estava a até dois anos da aposentadoria em 2019 tinha de cumprir 50% a mais em relação ao tempo que faltava para se aposentar. No entanto, essa regra de transição foi integralmente cumprida e não beneficiará mais ninguém em 2026. No cenário mais abrangente, quem trabalharia por mais dois anos em 2019 teve de trabalhar um ano extra, totalizando três anos. No fim de 2022, todos os que estavam enquadrados na regra do pedágio de 50% já se aposentaram. Fonte: ABr
Médica orienta sobre cuidados com a saúde durante o verão
Com a chegada do verão e das altas temperaturas, alguns cuidados se tornam essenciais para manter a saúde em dia. A médica Carla Puppim Mello, da Unidade de Saúde do Ibes, alerta que o período, apesar de propício ao lazer e às atividades ao ar livre, exige atenção redobrada para evitar problemas como desidratação, queimaduras solares e mal-estar provocado pelo calor. A hidratação é um dos principais pontos de atenção, especialmente entre os idosos, que costumam sentir menos sede. Segundo a médica, o consumo regular de água ao longo do dia é fundamental para a regulação da temperatura corporal, o bom funcionamento do organismo e a saúde da pele. A alimentação também deve ser mais leve durante o verão. Frutas ricas em água, como melancia, melão e abacaxi, além de saladas, sucos naturais e carnes magras, como peixe, ajudam a manter o corpo hidratado e favorecem a sensação de bem-estar. A prática de atividades físicas continua recomendada, desde que alguns cuidados sejam adotados. Roupas leves, hidratação constante e a escolha de horários com menor incidência solar — no início da manhã ou no fim da tarde — contribuem para evitar o superaquecimento do corpo. Sobre a exposição ao sol, a médica reforça a importância do uso de protetor solar com FPS 30 ou superior, aplicado 30 minutos antes da exposição e reaplicado a cada duas horas. A orientação é evitar o sol entre 10h e 16h e utilizar acessórios como chapéus, óculos escuros e roupas adequadas para ampliar a proteção. Informações e foto: PMVV