Caderneta em dia? Maior falha na vacinação acontece na adolescência, alerta infectologista

HPV, meningite e tétano estão entre as vacinas mais esquecidas; Campanha Nacional de Multivacinação segue até 1º de setembro

Embora muitos pais mantenham rigorosamente em dia a vacinação dos filhos nos primeiros anos de vida, um dos maiores desafios da imunização atualmente está na adolescência. É nessa fase que reforços importantes deixam de ser aplicados, aumentando o risco de doenças que poderiam ser evitadas. A Campanha Nacional de Multivacinação, iniciada nesta semana, busca justamente atualizar as cadernetas de vacinação em todo o país e segue até 1º de setembro.

De acordo com a infectologista Martina Zanotti, do Hospital Vitória Apart, as vacinas mais negligenciadas são justamente as recomendadas para adolescentes. Entre elas estão a vacina contra o HPV, o reforço da meningocócica ACWY e a dupla adulto, que protege contra difteria e tétano. Segundo a médica, a redução das consultas ao pediatra nessa fase faz com que muitas famílias deixem de receber orientações sobre a necessidade de novas doses.

A especialista explica que completar o calendário vacinal é tão importante quanto receber as primeiras vacinas da infância. Com o passar dos anos, a proteção oferecida por alguns imunizantes diminui, tornando os reforços indispensáveis para manter a imunidade. Em outros casos, como na vacina contra a gripe, as atualizações acompanham as mudanças dos vírus em circulação.

Além da proteção individual, manter a vacinação em dia é essencial para evitar o retorno de doenças que já haviam sido controladas no Brasil. O sarampo é um exemplo. “A doença chegou a ser eliminada graças à vacinação, mas pode voltar a circular se a cobertura vacinal cair”, alerta Martina Zanotti.

A infectologista também destaca que ainda circulam muitas informações falsas sobre vacinas. Segundo ela, não há qualquer comprovação científica de que os imunizantes causem autismo, sobrecarreguem o sistema imunológico ou sejam menos seguros do que a infecção natural. “As vacinas continuam sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir doenças graves e salvar vidas”, afirma.

Para verificar se a caderneta está atualizada, a orientação é levá-la às consultas médicas ou apresentá-la em uma unidade de saúde. Na maioria dos casos, quem perdeu alguma dose pode regularizar a situação sem precisar reiniciar todo o esquema vacinal. A maior parte das vacinas do calendário nacional é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto a rede privada disponibiliza imunizantes complementares para ampliar a proteção.

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Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

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