Calvície tem idade para ser tratada? Especialista explica quando ainda é possível combater a queda de cabelo

Afinamento dos fios pode fazer parte do envelhecimento, mas queda progressiva merece investigação; diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de preservar os folículos

Cabelos mais finos e com menor volume costumam ser associados ao avanço da idade, mas envelhecer não significa necessariamente ficar careca. A queda de cabelo pode ser investigada e tratada em diferentes fases da vida, e não existe uma idade limite para procurar ajuda médica.

Segundo a médica Renata Melo, membro da Sociedade Brasileira de Tricologia, o passar dos anos provoca mudanças naturais nos cabelos, como redução da velocidade de crescimento e alterações na espessura e na qualidade dos fios. Isso, porém, não significa que todas as pessoas desenvolverão calvície com o envelhecimento.

“Não existe uma idade limite para cuidar da saúde dos cabelos. O que precisamos entender é que o envelhecimento promove mudanças naturais nos fios, como redução da velocidade de crescimento, alteração da espessura e da qualidade da fibra. Isso não significa, porém, que toda pessoa idosa necessariamente ficará calva”, explica.

Uma das questões importantes é diferenciar o afinamento natural dos fios da alopecia androgenética, popularmente conhecida como calvície. A condição possui forte componente genético e pode surgir em diferentes momentos da vida. Por isso, queda progressiva, diminuição da densidade e fios cada vez mais finos não devem ser atribuídos automaticamente à idade.

“A calvície tem um componente genético importante e pode se manifestar em diferentes fases da vida. Ela não deve ser simplesmente atribuída à idade. Quando existe uma queda progressiva, afinamento dos fios ou redução perceptível da densidade, é importante investigar a causa”, afirma Renata.

Mesmo para quem procura tratamento depois que a perda de cabelo já avançou, ainda pode haver possibilidades de intervenção. A avaliação médica permite verificar as condições do couro cabeludo e dos folículos, identificar fatores que estejam provocando ou agravando a queda e estabelecer uma estratégia adequada para cada paciente.

“Mesmo quando o paciente procura ajuda mais tarde, podemos avaliar a saúde do couro cabeludo, identificar o que está causando ou agravando a queda e definir um tratamento individualizado. O objetivo pode ser controlar a progressão, preservar os fios que ainda existem e, em alguns casos, estimular o crescimento”, destaca.

Diagnóstico precoce faz diferença

Apesar de não haver uma idade limite para buscar tratamento, procurar atendimento nos primeiros sinais pode ampliar as possibilidades de resposta. Segundo a especialista, quando a alopecia provoca uma miniaturização importante dos folículos, recuperar a densidade dos cabelos pode se tornar mais difícil.

“Quanto antes identificamos uma alopecia, maiores são as possibilidades de preservar os folículos e obter uma resposta satisfatória ao tratamento. Esperar a perda ficar muito evidente pode tornar o processo mais difícil, principalmente quando o folículo já sofreu uma miniaturização importante”, alerta.

Nos pacientes mais velhos, a idade também precisa ser considerada na definição da estratégia terapêutica. Além das condições dos cabelos e do couro cabeludo, devem ser avaliados o estado geral de saúde, doenças associadas e medicamentos utilizados pelo paciente.

“Não podemos olhar apenas para o cabelo. É necessário considerar a saúde geral do paciente, os medicamentos que ele utiliza, doenças associadas e quais tratamentos são seguros para aquele momento da vida. A idade não impede o tratamento, mas exige uma avaliação ainda mais individualizada”, explica Renata.

Quando procurar avaliação médica

Alguns sinais merecem atenção, como aumento persistente da queda, fios progressivamente mais finos, maior exposição do couro cabeludo, mudanças na linha frontal e abertura crescente da risca dos cabelos. A percepção de uma quantidade maior de fios no banho, na escova ou nas roupas também pode justificar uma investigação.

A orientação é evitar a automedicação, já que diferentes problemas podem provocar queda de cabelo e cada situação exige uma abordagem específica. Para Renata, a ideia de que ficar careca é uma consequência obrigatória da idade não corresponde à realidade.

“Envelhecer não significa necessariamente perder os cabelos. O cabelo também envelhece, assim como todo o organismo, mas uma queda importante ou progressiva merece investigação. Calvície não é simplesmente sinônimo de idade e não deve ser encarada como algo que a pessoa precisa obrigatoriamente aceitar.”

sobre nós

Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

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