Candidatos ao Governo apresentam propostas a empresários de Vila Velha

Helder Salomão, Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço participaram do Café Empresarial da Assevila e apresentaram diferentes visões sobre os próximos anos do Espírito Santo

Três candidatos ao Governo do Espírito Santo apresentaram suas propostas e visões sobre o futuro do Estado durante o 30º Café Empresarial da Associação dos Empresários de Vila Velha (Assevila), realizado na manhã desta quarta-feira (26), em Vila Velha. Helder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) participaram separadamente do encontro, que reuniu empresários e lideranças do setor produtivo.

O evento integrou o Diretrizes 2026 e teve como foco o desenvolvimento de Vila Velha e os desafios para ampliar a competitividade do Espírito Santo. O diálogo foi mediado pelo conselheiro da Assevila Renzo Colnago, e os candidatos falaram por ordem alfabética, seguindo regras previamente estabelecidas pela entidade. Além da apresentação inicial, eles responderam a perguntas sobre temas como desenvolvimento econômico, infraestrutura, educação, saúde e segurança pública.

Na abertura, o presidente da Assevila, Éder Lemke (foto), destacou o caráter independente da entidade e afirmou que a iniciativa busca permitir que o empresariado conheça as propostas de quem pretende governar o Estado. O presidente do ES em Ação, Fernando Saliba, também ressaltou a importância da participação do setor produtivo na discussão das prioridades para os próximos anos.

Para o encontro, a Assevila convidou os três candidatos ao Governo do Espírito Santo mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais: Hélder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB). A disputa pelo Palácio Anchieta tem cinco candidaturas registradas. Também concorrem ao Governo do Estado Breno Barcelos (Missão) e Rafael Demuner (UP).

Helder Salomão aposta no diálogo e na construção coletiva

Primeiro candidato a participar do encontro, Helder Salomão afirmou que decidiu disputar o Governo por considerar que o Espírito Santo atravessa um momento de transição política após 24 anos marcados pelas administrações de Paulo Hartung e Renato Casagrande. O petista reconheceu a contribuição dos dois governadores e defendeu a preservação das políticas que apresentaram bons resultados.

Helder relembrou a crise institucional e financeira enfrentada pelo Estado no início dos anos 2000 e o processo de reconstrução iniciado naquele período. Para ele, a experiência mostrou a importância da participação conjunta do poder público, setor produtivo, municípios e sociedade. “A minha grande marca é a construção coletiva”, afirmou.

O candidato disse que, se eleito, pretende manter tudo aquilo que considera que esteja funcionando, mas defendeu mudanças em áreas nas quais avalia que os resultados ainda são insuficientes. Citou especialmente a mobilidade, os desafios logísticos e portuários e a necessidade de preparar a economia capixaba para um cenário de redução da produção de petróleo.

Helder também defendeu a interiorização do desenvolvimento e a criação de espaços permanentes de diálogo com municípios e entidades para elaborar planos regionais que aproveitem as vocações de cada território. “A nossa missão não é ficar brigando entre nós. A nossa missão é dialogar com o povo do nosso Estado para que a gente consiga construir as melhores soluções”, disse.

Pazolini defende renovação e modelo adotado em Vitória

Na sequência, Lorenzo Pazolini defendeu a abertura de um novo ciclo político e administrativo no Espírito Santo. Assim como Salomão, reconheceu os avanços obtidos nas últimas duas décadas e a importância dos governos que comandaram o Estado nesse período, mas argumentou que a administração pública precisa de renovação para enfrentar novos desafios.

Segundo Pazolini, a permanência prolongada de um mesmo modelo pode provocar desgaste e perda de capacidade de inovação. O candidato afirmou que pretende respeitar o que foi construído, mas oferecer uma nova visão para o Estado. “Nós queremos construir um futuro de paz e prosperidade, mas queremos avançar, queremos ir além, queremos encarar novos desafios”, declarou.

O republicano apresentou como referência sua experiência à frente da Prefeitura de Vitória. Ele lembrou que assumiu a Capital em 2021, ainda durante os efeitos da pandemia, e afirmou que buscou aproximar a gestão municipal do setor produtivo. Entre as iniciativas citadas estão a modernização do ambiente regulatório, a aproximação com o ecossistema de negócios e inovação e a participação de entidades empresariais nas discussões da administração.

Pazolini atribuiu a esse modelo avanços obtidos por Vitória em áreas como educação, saúde, assistência social, segurança e proteção às mulheres. Para o candidato, o setor produtivo deve ocupar espaço maior na construção das políticas públicas estaduais. “Vocês fazem o Espírito Santo andar e se destacar, mas nunca foram protagonistas”, afirmou aos empresários.

Ferraço aposta em planejamento e continuidade dos investimentos

Último candidato a participar do encontro, Ricardo Ferraço defendeu a continuidade do processo de desenvolvimento do Espírito Santo e destacou a parceria entre o Governo do Estado e os municípios. O emedebista, que chegou ao encontro acompanhando dos preceitos de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, e de Viana, Wanderson Bueno, ressaltou especialmente a cooperação com as prefeituras da Região Metropolitana para enfrentar problemas que ultrapassam os limites de cada cidade.

Ferraço citou Vila Velha como exemplo dessa parceria e destacou os investimentos realizados nos últimos anos no município. Segundo ele, a cidade ocupa posição estratégica na economia capixaba, inclusive por sua participação na rota logística do comércio exterior, e deve receber novos investimentos em infraestrutura e mobilidade.

O candidato colocou o planejamento no centro de sua apresentação. “Quem planeja tem futuro. Quem não planeja tem destino”, afirmou. Para Ferraço, o Espírito Santo construiu uma base sólida que permite avançar para uma nova etapa. Diferentemente de Pazolini, que falou em encerramento de ciclo, o candidato do MDB sustentou que o Estado não está concluindo um período, mas abrindo uma nova fase de desenvolvimento.

Ferraço também destacou o desempenho recente da economia e da indústria capixabas e afirmou que o Espírito Santo encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego de sua história. Segundo ele, o objetivo é combinar desenvolvimento econômico, investimentos e políticas públicas voltadas à população, dentro de uma proposta de Estado que “cuida, prospera e protege” os capixabas.

Ao tratar especificamente de Vila Velha, o candidato mencionou investimentos na região sul, a construção de uma nova ponte sobre o Rio Jucu e projetos para mobilidade e desenvolvimento do litoral. Também destacou a proposta de implantação de uma extensa ciclovia ligando a Praia da Costa à Ponta da Fruta.

As apresentações mostraram pontos de convergência entre os três candidatos, como o reconhecimento dos avanços conquistados pelo Espírito Santo nas últimas décadas e a defesa do diálogo com o setor produtivo. As diferenças apareceram principalmente na forma como cada um projeta os próximos anos: Salomão defendeu preservar avanços e corrigir áreas que considera problemáticas; Pazolini apresentou a renovação do modelo de gestão como necessária; e Ferraço apostou na continuidade da atual trajetória, com novos investimentos e planejamento para ampliar o desenvolvimento do Estado.

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Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

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