Uma técnica inovadora para combater corais invasores tem apresentado resultados promissores no Brasil – e conta com a participação de um pesquisador capixaba à frente dos estudos. O biólogo Guilherme H. Pereira Filho (Universidade Federal de São Paulo) integra a equipe que testou o uso de ar comprimido subaquático para eliminar colônias de corais-sol, espécies invasoras que ameaçam a biodiversidade marinha.
O estudo foi publicado na Ecological Solutions and Evidences – revista cientifica publicada pela British Ecological Society e ganhou repercussão internacional ao ser destaque em reportagem da Science News, tradicional publicação norte-americana de jornalismo científico, que amplia o alcance de pesquisas ao conectá-las ao público geral. No Brasil, o estudo também foi repercutido pela revista Náutica, publicação especializada no setor marítimo.

Na publicação, o estudo brasileiro é apresentado como uma alternativa promissora no combate aos corais invasores, destacando a eficácia do uso de ar comprimido para destruir os tecidos das colônias e impedir sua regeneração.
Enquanto corais ao redor do mundo enfrentam declínio causado por fatores como mudanças climáticas, acidificação dos oceanos, sobrepesca e doenças, os corais-sol (do gênero Tubastraea) avançam rapidamente sobre áreas ricas em biodiversidade. Segundo o pesquisador, essas espécies são altamente agressivas e capazes de se espalhar com facilidade: pequenos fragmentos podem dar origem a novas colônias, substituindo corais nativos e alterando o equilíbrio dos ecossistemas.
“Desenhamos nossos experimentos em busca de soluções para Áreas Marinhas Protegidas onde já investigamos processos ecológicos há mais de uma década. No entanto, esse novo método de jateamento pode ser ainda mais estratégico para eliminar o coral-sol de cascos de navios e estruturas portuárias.”
Tradicionalmente, a remoção desses corais é feita com martelos pneumáticos, um método que, além de trabalhoso, pode acabar agravando o problema ao liberar fragmentos que voltam a se fixar no ambiente.
Buscando uma alternativa mais eficiente, a equipe desenvolveu um sistema que utiliza uma pistola de ar conectada a um regulador de mergulho. A técnica foi testada no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, onde mergulhadores aplicaram jatos de ar comprimido em 48 colônias, comparadas a outras 14 não tratadas. O resultado foi significativo: a maior parte das colônias atingidas foi praticamente eliminada.

Os pesquisadores acompanharam os efeitos da intervenção ao longo do tempo e também analisaram amostras em laboratório para verificar a possibilidade de regeneração. Nenhum dos fragmentos coletados voltou a crescer, indicando que o método pode ser eficaz não apenas na remoção, mas também na prevenção do reaparecimento dos corais.
“Como essas embarcações são os principais vetores de dispersão, atuar nesses locais é preventivo. A grande vantagem é ser um método eficiente e de baixo custo frente ao enorme prejuízo ambiental que a espécie invasora gera”, explicou o pesquisador.
Para especialistas da área, o estudo representa um avanço importante no manejo ambiental. A expectativa agora é ampliar a aplicação da técnica para áreas maiores e desenvolver equipamentos mais robustos, capazes de atuar também em estruturas artificiais, como cascos de navios – um dos principais vetores de disseminação de espécies invasoras.
A participação de um pesquisador capixaba em um estudo com impacto internacional, agora repercutido por publicações de referência, reforça a relevância da produção científica ligada ao Espírito Santo e sua contribuição para soluções ambientais inovadoras.
Fotos: Léo Francini
