Programa já conectou 718 jovens à educação de qualidade e viabilizou 963 bolsas de estudo, com investimento estimado em R$ 53 milhões
Educação como caminho para mudar não apenas uma vida, mas a realidade de uma família. Ao completar 12 anos de atuação, o Instituto Ponte apresenta resultados que mostram o impacto do acesso ao ensino de qualidade na ascensão social de jovens em situação de vulnerabilidade.
Entre os estudantes atendidos que concluíram a graduação, 94% estão inseridos no mercado de trabalho. Outro indicador chama atenção: depois de formado, o jovem passa a receber, em média, sete vezes mais do que a renda per capita de sua família no momento em que ingressou no programa.
Desde sua criação, o Instituto Ponte já conectou 718 alunos à educação de qualidade. Atualmente, 166 jovens apoiados pela organização estão cursando o ensino superior. A atuação alcança 19 estados brasileiros.
Um dos principais instrumentos do projeto é o Pro Bono Escolar, por meio do qual instituições privadas disponibilizam vagas para estudantes de alto desempenho acadêmico que não possuem condições financeiras de pagar as mensalidades. Em 12 anos, 132 instituições parceiras viabilizaram 963 bolsas, sendo 427 para os ensinos fundamental e médio, 436 para cursos de idiomas e 100 para pré-vestibulares. O investimento é estimado em R$ 53 milhões.
Além das bolsas, os estudantes recebem acompanhamento ao longo da trajetória acadêmica. O suporte inclui reforço pedagógico, atendimento psicológico, material didático, uniforme, alimentação e auxílio-transporte. O trabalho conta com equipe própria e já mobilizou 596 voluntários. A taxa de permanência dos jovens selecionados no programa chega a 81%.
Para a presidente do Instituto Ponte, Bartira Almeida, a redução das desigualdades depende da participação conjunta da iniciativa privada e da sociedade civil. Segundo ela, a parceria contribui para o crescimento econômico e, principalmente, amplia o acesso à educação de qualidade e as possibilidades de ascensão social.
Da venda de doces à Engenharia de Software
Uma das trajetórias que simbolizam esse trabalho é a de Wagner Estevam Barcelos da Silva, integrante do Instituto Ponte desde 2016. Antes mesmo de chegar à universidade, ele vendia doces, bolos de pote e tortas holandesas, experiência que ajudou a desenvolver habilidades de comunicação, relacionamento e negociação.
O interesse pela tecnologia o levou à graduação em Engenharia de Software no Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli). Durante a formação, Wagner participou de programas de estágio e acumulou experiências no Banco PAN, BTG e Uber. Posteriormente, trabalhou como analista de negócios no iFood.
Wagner atribui parte importante de sua trajetória ao incentivo recebido da mãe e às experiências adquiridas ainda na adolescência. A história é uma das que representam a proposta do Instituto Ponte de identificar jovens com alto potencial acadêmico e oferecer condições para que avancem na formação e na vida profissional.
Reconhecimento nacional
Ao longo de sua trajetória, o Instituto Ponte também foi reconhecido sete vezes entre as 100 Melhores ONGs do Brasil, nos anos de 2018, 2019, 2020, 2021, 2022, 2024 e 2025.
Em 2023, a organização foi eleita a melhor ONG do Espírito Santo. Os reconhecimentos consideram critérios relacionados à gestão, governança, transparência e capacidade das organizações de transformar recursos em resultados.
Aos 12 anos, o Instituto mantém como foco a ampliação das oportunidades educacionais para jovens em situação de vulnerabilidade, combinando bolsas de estudo, acompanhamento individualizado e desenvolvimento humano como instrumentos de transformação social.
