Transição para IBS e CBS exige revisão de cadastros, atualização de sistemas e maior controle de dados para evitar impactos no faturamento
A reforma tributária começa a provocar mudanças que vão muito além do cálculo de novos impostos. Para as empresas, a transição envolve uma revisão ampla da estrutura tecnológica, dos cadastros e dos processos internos. Com a chegada do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), sistemas de gestão terão de estar preparados para lidar com novas informações sem comprometer a emissão de notas fiscais e o faturamento.
As informações relacionadas aos novos tributos já chegam aos documentos fiscais das empresas do regime regular. Embora fornecedores de sistemas ERP sejam responsáveis por parte das atualizações tecnológicas, há uma etapa que depende diretamente das companhias: garantir a qualidade e a correta classificação dos dados utilizados pelos sistemas.
Segundo Thiago Molino, CEO da Globalsys, esse é um dos pontos mais delicados da adaptação. Produtos e serviços precisam ser enquadrados corretamente nos novos códigos tributários. Uma inconsistência pode impedir a emissão de uma nota fiscal e transformar um problema cadastral em uma interrupção da operação comercial.
A complexidade aumenta porque a transição não acontecerá de uma só vez. Até 2032, as empresas terão de conviver com informações e cálculos relacionados ao sistema tributário atual e ao novo modelo. Na prática, isso significa maior volume de dados e mais processamento, especialmente para negócios que já operam seus sistemas próximos do limite de capacidade.
A circulação dessas informações entre sistemas internos, ambientes do Fisco e parceiros comerciais também amplia a preocupação com segurança e rastreabilidade. “Com mais dado fiscal circulando entre ERP, ambientes do Fisco e parceiros, controle de acesso e trilha de auditoria viram requisito básico da operação”, afirma Molino.
O período de transição, porém, também pode servir para corrigir problemas antigos. A implantação das novas regras abre espaço para revisar cadastros, processos de formação de preços e procedimentos relacionados ao aproveitamento de créditos tributários, áreas nas quais falhas podem representar custos que passam despercebidos no dia a dia.
Para Molino, empresas que utilizarem a reforma como oportunidade para reorganizar esses processos poderão encontrar ganhos além da simples adequação à legislação. “A minha leitura é que a empresa que aproveitar o projeto para arrumar isso vai descobrir quanto pagava a mais sem perceber, e o resultado aparece direto na margem”, afirma.
