Tecnologias quânticas ganham força como agenda nacional, afirma Felipe Belluci em evento na Ufes

As tecnologias quânticas foram destacadas como uma das principais fronteiras de inovação e disrupção no cenário global durante o Quanta ES 2026, realizado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória, nos últimos dias 26 e 27. Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o coordenador-geral de Tecnologias Habilitadoras, Felipe Bellucci, reforçou a importância da mobilização dos estados para o avanço dessa agenda no Brasil.

Segundo Bellucci, o MCTI atua como articulador nacional para impulsionar o desenvolvimento científico e tecnológico, tratando as tecnologias quânticas como um eixo estratégico.

“As tecnologias quânticas são uma das fronteiras mais próximas de disrupção. Por isso, é fundamental que os estados compreendam a relevância dessa agenda e comecem a se mobilizar internamente”, afirmou.

Durante a programação, Bellucci participou do painel “Plano de Desenvolvimento de Quântica Brasil e Espírito Santo”, ao lado do diretor-presidente da Fapes, Rodrigo Varejão, com mediação do professor doutor Guilherme Pereira, do Instituto Arandu.

O debate abordou a construção de estratégias integradas entre União e estados para fortalecer o avanço das tecnologias quânticas, considerando as vocações regionais e o papel das instituições locais.

De acordo com o representante do ministério, o impacto dessas tecnologias é transversal, com aplicações em áreas como comunicação, computação e sensoriamento. “Ela funciona como uma camada habilitadora para diversas áreas, porque tudo envolve comunicação, processamento de dados ou captação de informações. Isso mostra o potencial de transformação em grande parte da sociedade”, explicou.

Bellucci também destacou o esforço do governo federal em integrar diferentes ministérios na construção de uma política coordenada para o setor. A proposta é elevar o tema ao nível de política de Estado, com atuação conjunta entre as áreas e incentivo à participação de universidades e institutos de pesquisa.

“A grande força dessa agenda está nos estados, nas universidades e nos centros de pesquisa. Cabe ao Ministério sensibilizar e convidar a comunidade a colaborar, porque é desse ambiente que surgem as principais soluções”, disse.

No caso do Espírito Santo, o coordenador apontou que o estado já possui uma base relevante para avançar no tema, especialmente em áreas como nanotecnologia, fotônica e materiais semicondutores. Para ele, o próximo passo é inserir as tecnologias quânticas na agenda estratégica estadual.

“O Espírito Santo já tem tradição em áreas fundamentais para a tecnologia quântica. Agora, é preciso demonstrar a importância do tema para que ele seja incorporado como prioridade. A partir disso, há uma mobilização natural de esforços para o desenvolvimento dessas tecnologias”, afirmou.

A articulação nacional, segundo Bellucci, também busca respeitar as vocações regionais. A ideia é que cada estado contribua de forma alinhada às suas características e necessidades locais, fortalecendo a construção de uma política nacional integrada para o setor.

A importância da infraestrutura institucional

Durante o painel, o diretor-presidente do Instituto Arandu, Guilherme Pereira, destacou a importância da estrutura institucional para o desenvolvimento científico e tecnológico, apontando que o avanço da inovação depende de três pilares centrais: infraestrutura, capital e organização institucional.

“A gente fala de infraestrutura, inclusive da infraestrutura da pesquisa. A gente fala de capital e de um terceiro eixo importante, que é a questão institucional, a organização institucional”, afirmou.

Segundo ele, políticas públicas consistentes são determinantes para o sucesso de iniciativas tecnológicas no país. Guilherme citou exemplos históricos para ilustrar esse ponto. “Quando se fala da Embraer e da Gurgel, são exemplos clássicos disso, da importância do ambiente institucional e das políticas de apoio ao desenvolvimento”, disse.

O diretor também mencionou avanços no reconhecimento dessa agenda no Brasil, destacando a inclusão do tema na Constituição. “A emenda constitucional de 2015 traz um ponto extremamente importante ao afirmar que o mercado interno é patrimônio nacional. A gente precisa cumprir isso”, ressaltou.

Para Guilherme, o desafio agora é transformar esse entendimento em ações concretas, conectando diretrizes nacionais com iniciativas práticas nos estados e nos ecossistemas locais de inovação.

O avanço do Espírito Santo

Durante o painel, o diretor-presidente da Fapes, Rodrigo Varejão, destacou o avanço do Espírito Santo no financiamento à ciência e inovação, com aumento expressivo dos investimentos nos últimos anos. Segundo ele, o volume executado saltou de R$ 160 milhões, em 2023, para R$ 328 milhões em 2025.

De acordo com Varejão, o Estado se consolida hoje como um dos principais destinos de investimento per capita em ciência e tecnologia no país, com uma das maiores execuções financeiras entre as fundações de amparo à pesquisa.

O dirigente ressaltou que a ampliação de recursos é essencial, mas precisa estar associada a estratégia. “Não basta ter recurso. É preciso direcionar investimentos para áreas que gerem impacto e estejam conectadas com as necessidades do Estado”, afirmou.

Nesse sentido, ele destacou a criação de uma agenda estratégica na Fapes, com foco em áreas como transformação digital, supercomputação e inteligência artificial. A proposta é sair de iniciativas isoladas e promover maior conexão entre projetos, aumentando a capacidade de gerar resultados concretos.

Varejão também enfatizou a importância de aproximar a produção científica da sociedade e do setor produtivo. “Não pode ficar restrito à academia. É fundamental envolver empresas e ampliar o ciclo de maturidade das pesquisas até sua aplicação”, disse.

Outro ponto abordado foi a construção de um planejamento estruturado para o desenvolvimento científico capixaba, com base em diagnóstico realizado em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). A partir disso, foram definidos eixos prioritários, como retenção de talentos, fortalecimento da governança e difusão do conhecimento.

O plano da Fapes está organizado em três vetores principais: interiorização da ciência, internacionalização das iniciativas e aumento da maturidade científica e tecnológica. Segundo Varejão, esses pilares devem orientar os próximos investimentos e consolidar o crescimento do setor no Estado.

O dirigente destacou ainda a necessidade de ampliar a competitividade do Espírito Santo, inclusive com a criação de mecanismos para atrair pesquisadores e fortalecer redes de colaboração. “Esse é um caminho sem volta. Precisamos estruturar o Estado para competir em nível nacional e internacional”, afirmou.

sobre nós

Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

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