“Nós fazemos política respeitando as pessoas, respeitando as famílias e com muito diálogo.” A declaração foi feita pelo governador Ricardo Ferraço durante um encontro político realizado na noite desta segunda-feira (1º), em Jardim Camburi, em Vitória. Segundo os organizadores, cerca de 600 pessoas participaram da mobilização. O evento contou também com a presença do ex-governador Renato Casagrande, do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, além de vereadores, deputados estaduais e federais, lideranças comunitárias e moradores da região. Durante o encontro, foram discutidos temas relacionados ao desenvolvimento de Vitória e do Espírito Santo, incluindo áreas como infraestrutura, segurança pública, educação, geração de empregos e serviços públicos. O governador também destacou avanços registrados pelo Estado nos últimos anos e afirmou que o objetivo é manter o diálogo com a população na construção das políticas públicas. “O Espírito Santo vive um momento de confiança, equilíbrio e crescimento. Esses resultados são fruto de muito trabalho, planejamento e responsabilidade. Nosso compromisso é continuar avançando, ouvindo a população e construindo um futuro cada vez melhor para todos”, afirmou Ricardo Ferraço. Entre as autoridades presentes estavam os vereadores Bruno Malias, Maurício Leite, Aylton Dadalto, Pedro Trés, Aloísio Varejão e Camilo Neves; os deputados estaduais Fabrício Gandini, Denninho Silva, Janete de Sá, Dary Pagung e Mazinho dos Anjos; e o deputado federal Paulo Foletto. Durante o encontro, Renato Casagrande destacou a importância da aproximação com a população e da discussão sobre os rumos do Estado. “O que estamos fazendo aqui é consolidando um importante espaço de diálogo sobre as perspectivas para o futuro de Vitória e do Espírito Santo. De manter uma gestão próxima das pessoas, ouvindo as demandas da sociedade e construindo soluções de forma coletiva”, disse. O encontro integra uma série de mobilizações que vêm sendo realizadas em diferentes regiões da Capital. A primeira edição ocorreu na região de São Pedro. De acordo com os organizadores, a proposta é ampliar o diálogo com lideranças comunitárias e moradores sobre demandas locais e perspectivas para o futuro do Estado.
Estudo com participação de pesquisador capixaba ganha destaque na revista Science
Pesquisa utilizou DNA ambiental para revelar a riqueza de espécies presentes nos bancos de rodolitos da costa brasileira, considerados ecossistemas fundamentais para a saúde dos oceanos Uma pesquisa com participação do biólogo capixaba Guilherme H. Pereira Filho ganhou destaque na revista Science, uma das publicações científicas mais prestigiadas do mundo. O estudo revelou uma biodiversidade muito maior do que a conhecida anteriormente nos bancos de rodolitos da costa brasileira, ecossistemas marinhos que desempenham papel fundamental na conservação da vida oceânica. A reportagem publicada pela Science mostra como análises de DNA ambiental estão permitindo aos cientistas descobrir espécies que passavam despercebidas pelos métodos tradicionais de monitoramento. A técnica identificou uma impressionante diversidade biológica associada aos bancos de rodolitos, ampliando significativamente o conhecimento sobre esses ambientes marinhos. Os rodolitos são estruturas formadas por algas calcárias que crescem lentamente no fundo do mar e criam habitats capazes de abrigar inúmeras formas de vida. Frequentemente comparados a recifes de coral, esses ecossistemas funcionam como verdadeiros berçários da biodiversidade marinha. De acordo com a reportagem, os bancos de rodolitos brasileiros estão entre os maiores do planeta e ocupam extensas áreas da costa nacional. Apesar de sua importância ecológica, ainda são pouco estudados quando comparados a outros ambientes marinhos. A pesquisa revelou que a biodiversidade presente nesses ecossistemas é muito maior do que se imaginava, incluindo organismos que até então não haviam sido identificados pelos levantamentos convencionais. A descoberta reforça a importância da preservação dessas áreas diante de ameaças como mudanças climáticas, exploração de petróleo, pesca de arrasto e outras atividades que impactam o ambiente marinho. Além de servirem como abrigo para uma enorme variedade de espécies, os rodolitos desempenham papel relevante no armazenamento de carbono e no equilíbrio ecológico dos oceanos, contribuindo para a manutenção da saúde dos ecossistemas costeiros. Para os pesquisadores, os resultados demonstram que a biodiversidade marinha brasileira ainda reserva importantes descobertas científicas e reforçam a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa e conservação. Outro estudo do mesmo pesquisador também ganhou repercussão internacional Esta não é a primeira vez que uma pesquisa com participação de Guilherme Pereira Filho alcança projeção internacional nos últimos meses. Recentemente, o cientista integrou uma equipe que desenvolveu uma técnica inovadora para combater o coral-sol, espécie invasora que ameaça a biodiversidade marinha brasileira. O estudo apresentou uma alternativa ao método tradicional de remoção, utilizando uma pistola de ar comprimido subaquática para destruir os tecidos das colônias invasoras e impedir sua regeneração. A pesquisa foi publicada na revista científica Ecological Solutions and Evidence, da British Ecological Society, e ganhou repercussão internacional ao ser destaque na Science News, tradicional publicação norte-americana especializada em divulgação científica. No Brasil, o estudo também foi repercutido pela revista Náutica. Os testes demonstraram elevada eficácia da técnica, eliminando praticamente todas as colônias tratadas e impedindo o crescimento dos fragmentos remanescentes. Os pesquisadores acreditam que a solução poderá ser utilizada futuramente em áreas marinhas protegidas, estruturas portuárias e cascos de embarcações, principais vetores de dispersão do coral-sol. A presença de Guilherme Pereira Filho em pesquisas que vêm atraindo a atenção de veículos científicos internacionais reforça a relevância da produção científica brasileira e evidencia a contribuição de pesquisadores ligados ao Espírito Santo para a busca de soluções inovadoras voltadas à conservação dos oceanos. Foto: reprodução da revista Science
Domingos Martins recebe primeira “patarela” do ES em ação pelo Dia Mundial do Meio Ambiente
Iniciativa inédita busca alertar motoristas sobre a presença de animais nas vias e promover a proteção da fauna por meio da educação ambiental Domingos Martins será palco de uma iniciativa inédita no Espírito Santo no próximo dia 5 de junho, quando o município receberá a primeira “patarela” do Estado. A ação será realizada pelo Programa Reluz na Estrada, desenvolvido pelo Instituto Ambiental Reluz, em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Mas afinal, o que é uma “patarela”? Também conhecida como “patadestre”, a estrutura consiste em uma faixa de travessia sinalizada com pegadas de animais, criada para alertar motoristas sobre áreas de circulação de animais domésticos e silvestres. A proposta é incentivar a redução da velocidade e aumentar a segurança da fauna nas vias urbanas. Além da instalação da sinalização, o Programa Reluz na Estrada promoverá uma ação educativa a partir das 9 horas, na Praça Arthur Gerhardt, no Centro de Domingos Martins. A programação inclui adesivaço, panfletagem e distribuição de um mini-guia com orientações sobre boas práticas no trânsito para motoristas. O evento é aberto ao público e convida moradores a participarem acompanhados de seus animais de estimação, reforçando a proposta de conscientização e proteção da vida animal. A escolha de Domingos Martins para receber o lançamento da campanha está relacionada à importância ambiental do município, que abriga relevantes áreas remanescentes de Mata Atlântica no Espírito Santo. A intervenção foi autorizada pela Prefeitura Municipal e busca ampliar a discussão sobre a convivência entre mobilidade urbana, preservação ambiental e segurança viária. A ação integra as atividades de educação ambiental desenvolvidas pelo Programa Reluz na Estrada, que desde 2019 promove iniciativas voltadas à conscientização sobre os impactos dos atropelamentos de animais na biodiversidade da Mata Atlântica. Segundo dados do Sistema Urubu, divulgados em 2021, o Brasil registra cerca de 17 atropelamentos de animais por segundo, o que representa aproximadamente 475 milhões de ocorrências por ano. Os números reforçam a necessidade de ações voltadas à proteção da fauna e à sensibilização da população. De acordo com a presidente do Instituto Reluz Ambiental, Renata Bomfim, a proposta das “patarelas” é transformar os deslocamentos cotidianos em oportunidades de atenção à vida animal e de fortalecimento da cultura de proteção à fauna. SERVIÇO Inauguração da primeira “patarela” do Espírito Santo Data: 5 de junho Horário: 9h Local: Praça Arthur Gerhardt – Avenida Presidente Vargas, Centro, Domingos Martins Programação: adesivaço, panfletagem e distribuição de material educativo Evento aberto ao público
Treinos personalizados ajudam mulheres com lipedema a melhorar qualidade de vida
Especialista explica que a combinação de exercícios aeróbicos e de força, adaptados às necessidades individuais, pode trazer ganhos funcionais, mais bem-estar e autoestima para quem convive com a condição O lipedema, condição que afeta milhões de mulheres e ainda é frequentemente confundida com obesidade ou retenção de líquidos, exige cuidados específicos para garantir qualidade de vida e controle dos sintomas. Caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente em pernas e braços, o problema pode provocar dores, sensação de peso, inchaço, hematomas frequentes e limitações funcionais. Estima-se que entre 10% e 18% das mulheres no mundo convivam com o lipedema. No Brasil, aproximadamente 13 milhões de mulheres são afetadas pela condição, muitas delas sem diagnóstico ou sem compreender a origem dos sintomas que persistem mesmo após mudanças na alimentação e na prática de exercícios físicos. Embora não tenha cura, especialistas apontam que a atividade física adequada desempenha papel fundamental no controle da doença. Estudos recentes indicam que mulheres com lipedema costumam apresentar menor capacidade funcional, redução da força muscular e dificuldades para atividades do dia a dia, mas podem alcançar avanços significativos quando inseridas em programas de exercícios estruturados. Segundo a profissional de educação física Thayane Banhos, especialista em saúde, morfologia e fisiologia feminina, uma das estratégias mais eficazes é a adoção dos chamados treinos híbridos, que combinam exercícios aeróbicos e musculação de forma personalizada. “Não é apenas cardio ou apenas musculação. O melhor resultado acontece quando conseguimos integrar essas modalidades respeitando o tipo de corpo, as limitações físicas, os ciclos hormonais e a individualidade de cada mulher. O treino precisa ser personalizado e adaptado, fazendo uso não só de equipamentos como também do próprio peso corporal”, explica. A especialista ressalta que o processo deve ser gradual, respeitando os limites de cada paciente. De acordo com ela, exercícios de alto impacto costumam ser evitados nas fases iniciais, dando espaço para uma progressão segura à medida que a mulher ganha condicionamento físico e confiança. Diagnóstico vai além da balança Um dos equívocos mais comuns sobre o lipedema é associar a condição exclusivamente ao excesso de peso. De acordo com Thayane Banhos, mulheres com peso considerado adequado também podem desenvolver a doença. “Existe um mito muito forte de que lipedema só acomete mulheres acima do peso, e isso não é verdade. Hoje vemos mulheres magras ou com composição corporal equilibrada que sofrem com dores, inchaço, sensibilidade, hematomas frequentes e acúmulo desproporcional de gordura em determinadas regiões do corpo. O peso, sozinho, não define a condição”, afirma. A falta de informação faz com que muitas mulheres passem anos atribuindo os sintomas à genética, retenção de líquidos ou dificuldade para emagrecer. Segundo a profissional, a gordura associada ao lipedema apresenta comportamento diferente da gordura corporal comum, sendo mais resistente a dietas e exercícios tradicionais. “É muito comum ouvirmos relatos de mulheres que mudaram a alimentação, treinaram por anos e continuavam frustradas porque as pernas e braços não mudavam ou as dores permaneciam. Muitas vezes, existe uma condição por trás disso que precisa ser olhada com mais atenção. Porque, enquanto o sobrepeso ou a obesidade causam um aumento sistêmico e generalizado de gordura e costumam responder de forma positiva a dietas e exercícios, a gordura do lipedema é altamente resistente a essas mudanças”, destaca. Por isso, o tratamento costuma envolver uma abordagem multidisciplinar, com acompanhamento de profissionais como endocrinologistas, nutricionistas, cirurgiões vasculares, fisioterapeutas e educadores físicos. Mudanças que vão além da estética A empresária Flávia Thomazi descobriu o lipedema durante uma consulta com uma endocrinologista. Até receber o diagnóstico, convivia com dores nas pernas, inchaço e celulite acentuada sem compreender exatamente a causa dos sintomas. A partir do início dos treinos personalizados, Flávia relata que começou a perceber os primeiros resultados já nos primeiros meses, especialmente quando a atividade física passou a ser combinada com hábitos alimentares mais equilibrados. “O treino focado e personalizado, atendendo às necessidades individuais, traz um resultado mais rápido e eficaz. A Thay me ajudou a entender a progressão de cada exercício e a ter consciência corporal”, relata. Atualmente, ela mantém uma rotina de treinos cinco vezes por semana, além de caminhadas regulares. Segundo Flávia, a constância foi um dos maiores desafios superados ao longo do processo. “O treino para mim sempre foi o mais difícil. Eu não conseguia dar continuidade, desanimava. Depois que comecei a treinar com a Thay, passei a gostar mais dos treinos. Ver os resultados faz com que você fique cada vez mais motivada”, afirma. Para Thayane Banhos, os benefícios de um programa de exercícios adequado vão muito além da estética. “Muitas chegam acreditando que não conseguem treinar, que o corpo não responde ou que precisam sofrer para ter resultado. Mas quando existe um treino respeitoso, estruturado e adaptado à realidade daquela mulher, a mudança acontece. Não estamos falando apenas de estética, mas de funcionalidade, autoestima, menos dor e mais qualidade de vida”, conclui.