Pesquisa utilizou DNA ambiental para revelar a riqueza de espécies presentes nos bancos de rodolitos da costa brasileira, considerados ecossistemas fundamentais para a saúde dos oceanos
Uma pesquisa com participação do biólogo capixaba Guilherme H. Pereira Filho ganhou destaque na revista Science, uma das publicações científicas mais prestigiadas do mundo. O estudo revelou uma biodiversidade muito maior do que a conhecida anteriormente nos bancos de rodolitos da costa brasileira, ecossistemas marinhos que desempenham papel fundamental na conservação da vida oceânica.
A reportagem publicada pela Science mostra como análises de DNA ambiental estão permitindo aos cientistas descobrir espécies que passavam despercebidas pelos métodos tradicionais de monitoramento. A técnica identificou uma impressionante diversidade biológica associada aos bancos de rodolitos, ampliando significativamente o conhecimento sobre esses ambientes marinhos.
Os rodolitos são estruturas formadas por algas calcárias que crescem lentamente no fundo do mar e criam habitats capazes de abrigar inúmeras formas de vida. Frequentemente comparados a recifes de coral, esses ecossistemas funcionam como verdadeiros berçários da biodiversidade marinha.
De acordo com a reportagem, os bancos de rodolitos brasileiros estão entre os maiores do planeta e ocupam extensas áreas da costa nacional. Apesar de sua importância ecológica, ainda são pouco estudados quando comparados a outros ambientes marinhos.
A pesquisa revelou que a biodiversidade presente nesses ecossistemas é muito maior do que se imaginava, incluindo organismos que até então não haviam sido identificados pelos levantamentos convencionais. A descoberta reforça a importância da preservação dessas áreas diante de ameaças como mudanças climáticas, exploração de petróleo, pesca de arrasto e outras atividades que impactam o ambiente marinho.
Além de servirem como abrigo para uma enorme variedade de espécies, os rodolitos desempenham papel relevante no armazenamento de carbono e no equilíbrio ecológico dos oceanos, contribuindo para a manutenção da saúde dos ecossistemas costeiros.
Para os pesquisadores, os resultados demonstram que a biodiversidade marinha brasileira ainda reserva importantes descobertas científicas e reforçam a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa e conservação.
Outro estudo do mesmo pesquisador também ganhou repercussão internacional
Esta não é a primeira vez que uma pesquisa com participação de Guilherme Pereira Filho alcança projeção internacional nos últimos meses.
Recentemente, o cientista integrou uma equipe que desenvolveu uma técnica inovadora para combater o coral-sol, espécie invasora que ameaça a biodiversidade marinha brasileira.
O estudo apresentou uma alternativa ao método tradicional de remoção, utilizando uma pistola de ar comprimido subaquática para destruir os tecidos das colônias invasoras e impedir sua regeneração.
A pesquisa foi publicada na revista científica Ecological Solutions and Evidence, da British Ecological Society, e ganhou repercussão internacional ao ser destaque na Science News, tradicional publicação norte-americana especializada em divulgação científica. No Brasil, o estudo também foi repercutido pela revista Náutica.
Os testes demonstraram elevada eficácia da técnica, eliminando praticamente todas as colônias tratadas e impedindo o crescimento dos fragmentos remanescentes. Os pesquisadores acreditam que a solução poderá ser utilizada futuramente em áreas marinhas protegidas, estruturas portuárias e cascos de embarcações, principais vetores de dispersão do coral-sol.
A presença de Guilherme Pereira Filho em pesquisas que vêm atraindo a atenção de veículos científicos internacionais reforça a relevância da produção científica brasileira e evidencia a contribuição de pesquisadores ligados ao Espírito Santo para a busca de soluções inovadoras voltadas à conservação dos oceanos.
Foto: reprodução da revista Science
