O título dos Jogos Escolares do Espírito Santo (JEES) no voleibol feminino, categoria Infantil (12 a 14 anos), garantiu à Escola Americana de Vitória (EAV) uma vaga nos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), que serão realizados em setembro, em Brasília. A conquista foi confirmada com a vitória por 2 sets a 0 sobre a Escola Municipal de Ensino Fundamental Ana Araújo, de Alfredo Chaves, na final disputada no Sesc de Guarapari. A etapa estadual reuniu escolas de diferentes regiões do Espírito Santo ao longo da última semana. A equipe da EAV encerrou a competição de forma invicta, sem perder um único set, repetindo o desempenho consistente das fases municipal (JOEVI) e regional dos Jogos Escolares. Com o resultado, o time representará o Estado na principal competição nacional do esporte escolar. “Foi uma campanha irretocável. As meninas evoluíram tecnicamente, mas principalmente como equipe. Elas compreenderam a importância da colaboração em uma modalidade tão coletiva como o voleibol e demonstraram maturidade e comprometimento durante toda a competição. Ver esse resultado acontecer logo no primeiro ano do nosso projeto esportivo competitivo é motivo de muita felicidade”, destaca o técnico da equipe e professor de Educação Física da EAV, Rodrigo Regattieri. Segundo o coordenador de esportes da EAV, Adriano Fonseca, a conquista representa o resultado de um trabalho construído diariamente e reforça o compromisso da instituição com o desenvolvimento dos estudantes por meio do esporte. “Essa conquista é o resultado de um trabalho construído dia após dia, com dedicação nos treinos e muita disciplina e empenho por parte da Comissão Técnica. O desafio agora é ainda maior, e por isso a preparação continua firme. Estamos muito felizes com essa vitória, mas com os pés no chão e os olhos na próxima etapa. As meninas merecem viver esse momento, e a escola estará ao lado delas em cada passo dessa caminhada”, completa. A equipe campeã da EAV no torneio é formada pelas atletas: Guilhermina Bragatto, Maria Eduarda Reche, Stella Camargo, Laura Porto, Anna Luiza Bernardina, Maria Eduarda Arimatéa, Luiza Lorenzoni, Laila Vello, Maria Claudia Marques e Amanda Sartório. Foto: photoalexesporte
Anderson Goggi – “Câmara de Vitória fortalece políticas de inclusão e acessibilidade”
Construir uma cidade mais justa exige compromisso constante com a inclusão e a acessibilidade, para que todas as pessoas possam participar da vida em comunidade com autonomia e dignidade. A Câmara Municipal de Vitória tem levado essa pauta para sua atuação, por meio de leis, projetos e iniciativas voltadas às pessoas com deficiência, neurodivergências, doenças raras e outros grupos em situação de vulnerabilidade. Como presidente da Câmara Municipal de Vitória, defendo a inclusão como uma responsabilidade permanente do poder público e um compromisso de toda a sociedade. Uma cidade acessível amplia a cidadania, fortalece a convivência e garante melhores condições de vida para todos. Desde 2025, a Câmara de Vitória vem ampliando sua atuação na área da inclusão, com 13 leis aprovadas e 38 projetos de lei apresentados até o momento. As iniciativas respondem a demandas concretas da população e ajudam a ampliar o acesso aos serviços públicos, aos espaços urbanos e às oportunidades oferecidas pela cidade. Um dos principais avanços foi a criação, em 2025, da Frente Parlamentar da Pessoa com Deficiência e Doenças Raras, iniciativa inédita no Legislativo municipal. A Frente ampliou o diálogo com famílias, entidades, especialistas e cidadãos e criou um espaço permanente para a elaboração de propostas e o acompanhamento de políticas públicas voltadas às pessoas que enfrentam barreiras no dia a dia. Na Câmara de Vitória, a pauta da inclusão alcança diferentes dimensões da vida na cidade, com propostas voltadas à educação, à saúde, à mobilidade urbana, à moradia, ao trabalho, ao esporte, ao lazer, à comunicação, ao direito ao brincar e à proteção social. Na educação, estão em debate medidas como a criação de planos educacionais individualizados e o apoio a estudantes com Transtorno do Espectro Autista, TDAH, dislexia, altas habilidades ou superdotação. Também há propostas destinadas ao acolhimento das famílias e dos cuidadores, além da implantação de espaços de regulação sensorial nas escolas, conhecidos como “Salas do Silêncio”. Ao acolher diferentes formas de aprender, a escola fortalece a convivência e ajuda a construir uma sociedade mais respeitosa. Na área da acessibilidade, leis e projetos tratam da presença de intérpretes de Libras, da instalação de brinquedos adaptados em praças e parques, da criação de espaços acessíveis em eventos e do reconhecimento de animais de apoio emocional, terapêutico ou de assistência em ambientes públicos e privados de uso coletivo. A saúde também ocupa posição central nessa agenda. Entre as medidas aprovadas estão a garantia de acompanhante durante o tratamento do câncer de mama, a criação da Carteira de Identificação da Pessoa com Epilepsia, a presença de intérprete de Libras em unidades hospitalares e a validade indeterminada para laudos que atestem deficiência permanente. A atuação da Câmara alcança ainda a mobilidade, a moradia e o mercado de trabalho. Há iniciativas voltadas à prioridade de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida nos processos de regularização fundiária, à fiscalização das vagas de estacionamento e ao incentivo à contratação inclusiva, por meio do Selo Empresa Inclusiva de Vitória. Também estão em discussão políticas específicas para pessoas com nanismo e albinismo. Cada proposta surge de uma necessidade real. A escuta de famílias, movimentos sociais, profissionais e cidadãos orienta o trabalho legislativo e ajuda a transformar experiências individuais em políticas de alcance coletivo. Vitória avança quando reconhece as diferenças, remove barreiras e assegura a cada pessoa o direito de viver a cidade com dignidade, segurança, autonomia e respeito. Esse é o caminho que o Legislativo municipal vem construindo, com diálogo, responsabilidade e ação. *Anderson Goggi é Presidente da Câmara Municipal de Vitória
Torcedor “veste” Kombi com uniforme do Brancão Polenteiro para embalar o time na final da Copa ES
A cidade de Venda Nova do Imigrante respira o clima de decisão e, pelas ruas, a paixão pelo Rio Branco Futebol Clube ganhou um novo e imponente símbolo. O veículo, por si só, já chamava a atenção. Uma Kombi modelo Clipper, ano 1994, que está na família Sgaria, em Venda Nova do Imigrante, há pouco mais de três anos, ganhou roupa nova e estilizada. O automóvel foi totalmente envelopado com as tradicionais listras tricolores em verde, vermelho e branco, ostentando nas portas o gigante e orgulhoso escudo do Brancão Polenteiro, time da cidade. “Eu vi na internet algumas kombis personalizadas com as cores de times de São Paulo, daí imaginei uma com o uniforme do nosso querido Rio Branco de Venda Nova. Como faço coleção de kombis, hoje tenho dez, peguei uma e corri atrás!”, explica, animado, o corretor de café Márcio Sgaria, de 52 anos, proprietário da obra de arte automotiva. O apaixonado torcedor do Brancão Polenteiro conta ainda que a Kombi estilizada com o uniforme do time tem chamado muita atenção por onde passa. Para ele, a customização do xodó da família foi a forma encontrada de blindar o elenco com energias positivas. A homenagem motorizada surge em um momento de pura superação e redenção para o clube. Após o doloroso rebaixamento no Campeonato Capixaba no início deste ano, o Rio Branco de Venda Nova juntou os cacos, mostrou a força de suas raízes e deu uma verdadeira volta por cima. O resultado? O time é finalista da Copa Espírito Santo. “O rebaixamento no Capixabão doeu em todos nós, mas o verdadeiro torcedor não abandona o time na dificuldade. A ideia de vestir a Kombi com o nosso uniforme foi justamente para mostrar aos jogadores que Venda Nova está com eles para o que der e vier! Nós caímos, mas levantamos muito mais fortes. A final da Copa ES é o nosso renascimento, e a Kombi já está com o tanque cheio para liderar a carreata do título na quarta-feira, aqui em Venda Nova!”, conta Márcio, esbanjando otimismo. A injeção de ânimo vinda das arquibancadas, e agora também do trânsito, tem sido o combustível principal do elenco nesta reta final. Para o presidente do Rio Branco, Breno Caliman, atitudes como a de Márcio provam por que o clube é diferenciado. “Ver a Kombi do Márcio rodando pela nossa cidade com essas cores é de arrepiar. Isso resume a alma do Brancão Polenteiro. Tivemos um primeiro semestre duríssimo, de muita cobrança e tristeza, mas o nosso torcedor é a nossa maior riqueza. Eles nos pegaram pela mão e nos empurraram até a final da Copa ES. Na quarta-feira, quando o time entrar em campo, vai carregar não apenas o escudo na camisa, mas a paixão incondicional de uma torcida verdadeiramente apaixonada”, destaca o presidente. A grande final da Copa Espírito Santo acontece nesta quarta-feira (1º), às 19h30, no estádio Kléber Andrade, em Cariacica. A expectativa dos torcedores do Rio Branco de Venda Nova é de festa nas arquibancadas e, claro, um buzinaço tricolor puxado pela Kombi mais famosa e bem trajada do Estado.
Falta de planejamento coloca futuro financeiro em risco e amplia dependência do INSS
Enquanto 60% esperam viver da previdência pública, realidade mostra que 93% dos aposentados dependem dela e apenas 16% começaram a se preparar. O futuro financeiro de grande parte da população está sob pressão, e o alerta já aparece nos dados. Levantamento com base no ano de 2025 do Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) em parceria com o Datafolha, mostra que 60% das pessoas que ainda estão na ativa esperam depender do INSS para se manter na aposentadoria. O problema é que, na prática, essa dependência tende a ser ainda maior. Entre os aposentados, 93% têm na previdência pública sua principal fonte de renda. O dado escancara um descompasso entre expectativa e realidade e levanta um ponto crítico: a baixa preparação financeira para o longo prazo. Hoje, apenas 16% da população começou a construir uma reserva para a aposentadoria. A combinação entre alta expectativa de dependência do INSS e baixo nível de planejamento financeiro de longo prazo indica um risco estrutural. Na prática, isso significa que milhões de pessoas podem enfrentar uma queda significativa de renda no futuro ou precisar adiar a aposentadoria. “O grande desafio não é só depender do INSS, mas depender exclusivamente dele. Sem uma renda complementar, a tendência é que o padrão de vida caia de forma relevante”, explica Cecília Perini, líder regional da XP no Espírito Santo. Além disso, o próprio comportamento ajuda a explicar o cenário. Como a aposentadoria ainda parece distante para muitos, o planejamento acaba sendo deixado para depois, e o tempo, que poderia ser um aliado, vira um fator de pressão. No Espírito Santo, esse alerta ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento acelerado da população e do aumento da longevidade. Entre 2010 e 2022, o número de pessoas com 60 anos ou mais no Estado passou de 364.745 para 631.398, um crescimento de quase 73%. Em 2022, os idosos já representavam 16,4% da população capixaba, percentual que deve chegar a 17,1% em 2025, segundo projeções demográficas. O cenário é reforçado pela elevada expectativa de vida dos capixabas. Em 2024, o Espírito Santo alcançou 80,2 anos, uma das maiores médias do país. Na prática, isso significa que a população está vivendo mais tempo e precisará de recursos financeiros para sustentar um período maior de aposentadoria. Outro dado que chama atenção é que cerca de 111 mil idosos vivem sozinhos no Estado, com predominância de mulheres, representando quase 40% dos domicílios unipessoais. Diante dessa realidade, especialistas alertam que o planejamento financeiro de longo prazo se torna cada vez mais importante para garantir autonomia, segurança e qualidade de vida na terceira idade, para além do INSS. Falta de urgência compromete o futuro O estudo mostra que a maioria ainda não incorporou o planejamento de longo prazo à rotina financeira. A priorização de demandas imediatas e a dificuldade de criar reservas fazem com que a aposentadoria seja tratada como um objetivo secundário. “Existe uma sensação de que ainda dá tempo, mas quanto mais se adia o início, maior precisa ser o esforço lá na frente. Começar cedo faz toda a diferença”, reforça Cecília Perini. Mesmo com renda apertada, especialistas apontam que o planejamento pode e deve começar com pequenos passos. O primeiro deles é organizar as finanças e criar o hábito de investir com regularidade. Na sequência, é importante buscar alternativas que ajudem a construir uma fonte complementar de renda para o futuro e tragam mais segurança financeira na aposentadoria. Além de investimentos em renda fixa, fundos e outros ativos alinhados ao perfil de cada investidor, a previdência privada aparece como uma das possibilidades para quem deseja planejar o longo prazo de forma mais estruturada. Entre as modalidades disponíveis, os planos PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) estão entre os mais conhecidos do mercado. O PGBL costuma ser indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda, já que permite dedução das contribuições dentro do limite previsto em lei. Já o VGBL tende a ser mais utilizado por quem declara no modelo simplificado ou busca uma alternativa voltada ao planejamento patrimonial e sucessório. “A aposentadoria não se constrói de uma vez só. É um processo. O mais importante é começar e manter consistência”, afirma. O avanço da educação financeira no país ainda não se traduziu em preparação efetiva para o futuro. E, se o cenário atual se mantiver, a tendência é de aumento da dependência da previdência pública justamente em um contexto de maior pressão sobre o sistema. Mais do que uma escolha, planejar o longo prazo passa a ser uma necessidade. Caso contrário, o futuro financeiro seguirá cada vez mais vulnerável. Sobre a XP A XP é uma das principais instituições financeiras do Brasil. Criada em 2001, nasceu com o propósito de transformar o mercado para melhorar a vida das pessoas, promovendo educação financeira e democratizando o acesso a investimentos de qualidade. Desde então, o Grupo XP lidera uma transformação no setor ao construir um ecossistema completo de serviços financeiros, com soluções que vão de investimentos a crédito, seguros e serviços bancários, no Brasil e no exterior. Com foco em planejamento financeiro completo para investidores, a companhia investe na excelência no atendimento ao cliente como principal alavanca de crescimento. Esse compromisso já se reflete em reconhecimentos importantes: a XP foi eleita oito vezes consecutivas a Melhor Assessoria de Investimentos de São Paulo pela premiação O Melhor de São Paulo, realizada pela Folha de S.Paulo. Saiba mais: www.xp.com.br.
João Batista Dallapiccola Sampaio – “O aniversário de uma moeda que deu certo”
A criação de Fernando Henrique Cardoso que acabou com a hiperinflação da moeda brasileira Hoje, 1º de julho, o Plano Real completa mais um aniversário de sua real implantação, embora criado em 27 de fevereiro de 1994, existiu tipo um vacatio legis. Para quem viveu os anos 1980 e o início dos 1990, a data carrega um peso especial: a de ter finalmente visto o fim de um pesadelo que consumiu quatro moedas, seis planos econômicos e a paciência de toda uma geração. Entre 1986 e 1994, o Brasil trocou de moeda cinco vezes, passando por cruzado, cruzado novo, cruzeiro, cruzeiro real e, por fim, o real. Cada uma dessas trocas veio embrulhada em um “plano de estabilização” que prometia acabar com a inflação e, invariavelmente, fracassava poucos meses depois. O primeiro grande susto foi o Plano Cruzado, lançado por José Sarney em fevereiro de 1986. O congelamento geral de preços gerou euforia popular momentânea, mas também um fenômeno que marcou época: os chamados fiscais do Sarney, cidadãos comuns que se voluntariavam para fiscalizar se comerciantes respeitavam a tabela oficial de preços. Quem trabalhava na área jurídica sabe bem o tamanho da confusão que aquilo gerou. Foi exatamente nesse período, entre 1987 e 1989, que eu, João Batista, atuei como chefe do jurídico do PROCON Estadual, e pude testemunhar de perto o frenesi que tomou conta da população. Enquanto eu, Aloísio Lira, era Chefe da Assessoria Planejamento e Orçamento da Fundação Legião Brasileira de Assistência, extinta LBA, presenciei as reações da população frente aos congelamentos de preço que vieram e, posteriormente, o aumento de impostos. Na tentativa de consertar o plano anterior, em novembro de 1986, o Plano Cruzado 2 surgiu logo após as eleições, aumentando impostos e preços públicos, como energia e combustíveis, que também falhou, causando o aumento da inflação ao invés de contê-la. Víamos, na prática, aqueles fiscais voluntários circulando pelo comércio, e uma avalanche de reclamações chegava ao órgão, muitas delas envolvendo alegações de desconto indevido, já que o congelamento, ao impedir reajustes, na prática empurrava para baixo o poder de compra do consumidor em determinados setores. Os contratos de aluguel também viraram um capítulo à parte: com os índices de correção suspensos ou distorcidos, proprietários e inquilinos entravam em conflito constante sobre reajustes, gerando um volume expressivo de demandas que iam parar em nossa mesa. E, com isso, o Plano Cruzado, assim como os planos seguintes, não resistiu à realidade da economia e a inflação voltou, ainda mais forte, pouco tempo depois. Se o Plano Cruzado ficou marcado pelos fiscais do Sarney, o Plano Collor, lançado em março de 1990 por Fernando Collor de Mello, ficou marcado por algo bem mais traumático: o bloqueio das cadernetas de poupança e de outros ativos financeiros dos brasileiros, que tiveram parte de seus recursos retidos pelo governo por até 18 meses. Famílias inteiras ficaram sem acesso ao próprio dinheiro, comerciantes viram o consumo despencar da noite para o dia, e a confiança da população nas instituições financeiras e no próprio governo foi abalada de forma profunda. O choque foi tamanho que o episódio até hoje é lembrado como um dos momentos mais duros da história econômica recente do país. Foi nesse cenário de descrença que, em 1994, o então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, durante o governo de Itamar Franco, apresentou um plano diferente dos anteriores: em vez de um congelamento abrupto, uma transição gradual por meio da URV (Unidade Real de Valor), que reajustava preços e salários diariamente até que, em 1º de julho de 1994, a nova moeda, o real, entrasse efetivamente em circulação, com paridade próxima à do dólar. Muita gente que viveu aquele período, anterior ao Plano Real, se lembra de uma curiosidade reveladora do momento: em diversos estabelecimentos comerciais, era comum encontrar tabelas de preço diferentes conforme a forma de pagamento, um valor para pagamento à vista em dinheiro, outro (mais alto) para pagamento em cheque, e ainda outro para quem comprava fiado, anotado na caderneta do estabelecimento. Essa cultura das cadernetas de fiado ainda é vista em bairros e cidades menores onde a população tem a cultura de se conhecer, as vizinhanças amigas, as crianças brincando na rua, mantendo a história brasileira ainda viva nos dias atuais. O dólar, símbolo de estabilidade em meio a tanta incerteza, muitas vezes saía mais barato do que pagar em cruzeiros reais ou nos primeiros reais em circulação, refletindo a desconfiança residual da população em relação à nova moeda. Essa desconfiança, no entanto, foi sendo dissolvida ao longo dos anos seguintes. O Plano Real não apenas conteve a inflação de forma duradoura, como se tornou a base para um novo ciclo de estabilidade econômica no Brasil, algo que nenhum dos planos anteriores havia conseguido sustentar. Hoje, ao completar mais um aniversário, o real segue sendo a moeda mais duradoura da história republicana brasileira. Para quem viveu de perto o caos dos anos anteriores, os fiscais, os aluguéis reajustados a cada mês, as poupanças bloqueadas, as cadernetas de fiado, a data de hoje é motivo de comemoração e também de memória: um lembrete de que a estabilidade que muitas vezes tomamos como certa foi, para uma geração inteira, uma conquista longa e duramente aprendida. Ao nosso sentir, o azeitamento da economia passa pela diminuição da carga tributária e também pela diminuição do tamanho do Estado, diminuindo a máquina pública e restringindo-a às suas funções básicas, como segurança, saúde, educação, previdência, assistência social e demais funções essenciais do Estado. Por menos Estado e por mais economia: quanto mais o dinheiro circula, mais a sociedade agradece. *Texto escrito em conjunto pelo advogado João Batista Dallapiccola Sampaio e pelo advogado Aloísio Lira, especializado pela UNB em planejamento social e econômico.