Enquanto 60% esperam viver da previdência pública, realidade mostra que 93% dos aposentados dependem dela e apenas 16% começaram a se preparar.
O futuro financeiro de grande parte da população está sob pressão, e o alerta já aparece nos dados. Levantamento com base no ano de 2025 do Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) em parceria com o Datafolha, mostra que 60% das pessoas que ainda estão na ativa esperam depender do INSS para se manter na aposentadoria. O problema é que, na prática, essa dependência tende a ser ainda maior. Entre os aposentados, 93% têm na previdência pública sua principal fonte de renda.
O dado escancara um descompasso entre expectativa e realidade e levanta um ponto crítico: a baixa preparação financeira para o longo prazo. Hoje, apenas 16% da população começou a construir uma reserva para a aposentadoria.
A combinação entre alta expectativa de dependência do INSS e baixo nível de planejamento financeiro de longo prazo indica um risco estrutural. Na prática, isso significa que milhões de pessoas podem enfrentar uma queda significativa de renda no futuro ou precisar adiar a aposentadoria.
“O grande desafio não é só depender do INSS, mas depender exclusivamente dele. Sem uma renda complementar, a tendência é que o padrão de vida caia de forma relevante”, explica Cecília Perini, líder regional da XP no Espírito Santo.
Além disso, o próprio comportamento ajuda a explicar o cenário. Como a aposentadoria ainda parece distante para muitos, o planejamento acaba sendo deixado para depois, e o tempo, que poderia ser um aliado, vira um fator de pressão.
No Espírito Santo, esse alerta ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento acelerado da população e do aumento da longevidade. Entre 2010 e 2022, o número de pessoas com 60 anos ou mais no Estado passou de 364.745 para 631.398, um crescimento de quase 73%. Em 2022, os idosos já representavam 16,4% da população capixaba, percentual que deve chegar a 17,1% em 2025, segundo projeções demográficas.
O cenário é reforçado pela elevada expectativa de vida dos capixabas. Em 2024, o Espírito Santo alcançou 80,2 anos, uma das maiores médias do país. Na prática, isso significa que a população está vivendo mais tempo e precisará de recursos financeiros para sustentar um período maior de aposentadoria.
Outro dado que chama atenção é que cerca de 111 mil idosos vivem sozinhos no Estado, com predominância de mulheres, representando quase 40% dos domicílios unipessoais. Diante dessa realidade, especialistas alertam que o planejamento financeiro de longo prazo se torna cada vez mais importante para garantir autonomia, segurança e qualidade de vida na terceira idade, para além do INSS.
Falta de urgência compromete o futuro
O estudo mostra que a maioria ainda não incorporou o planejamento de longo prazo à rotina financeira. A priorização de demandas imediatas e a dificuldade de criar reservas fazem com que a aposentadoria seja tratada como um objetivo secundário.
“Existe uma sensação de que ainda dá tempo, mas quanto mais se adia o início, maior precisa ser o esforço lá na frente. Começar cedo faz toda a diferença”, reforça Cecília Perini.
Mesmo com renda apertada, especialistas apontam que o planejamento pode e deve começar com pequenos passos. O primeiro deles é organizar as finanças e criar o hábito de investir com regularidade.
Na sequência, é importante buscar alternativas que ajudem a construir uma fonte complementar de renda para o futuro e tragam mais segurança financeira na aposentadoria. Além de investimentos em renda fixa, fundos e outros ativos alinhados ao perfil de cada investidor, a previdência privada aparece como uma das possibilidades para quem deseja planejar o longo prazo de forma mais estruturada.
Entre as modalidades disponíveis, os planos PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) estão entre os mais conhecidos do mercado. O PGBL costuma ser indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda, já que permite dedução das contribuições dentro do limite previsto em lei. Já o VGBL tende a ser mais utilizado por quem declara no modelo simplificado ou busca uma alternativa voltada ao planejamento patrimonial e sucessório.
“A aposentadoria não se constrói de uma vez só. É um processo. O mais importante é começar e manter consistência”, afirma.
O avanço da educação financeira no país ainda não se traduziu em preparação efetiva para o futuro. E, se o cenário atual se mantiver, a tendência é de aumento da dependência da previdência pública justamente em um contexto de maior pressão sobre o sistema.
Mais do que uma escolha, planejar o longo prazo passa a ser uma necessidade. Caso contrário, o futuro financeiro seguirá cada vez mais vulnerável.
Sobre a XP
A XP é uma das principais instituições financeiras do Brasil. Criada em 2001, nasceu com o propósito de transformar o mercado para melhorar a vida das pessoas, promovendo educação financeira e democratizando o acesso a investimentos de qualidade.
Desde então, o Grupo XP lidera uma transformação no setor ao construir um ecossistema completo de serviços financeiros, com soluções que vão de investimentos a crédito, seguros e serviços bancários, no Brasil e no exterior.
Com foco em planejamento financeiro completo para investidores, a companhia investe na excelência no atendimento ao cliente como principal alavanca de crescimento. Esse compromisso já se reflete em reconhecimentos importantes: a XP foi eleita oito vezes consecutivas a Melhor Assessoria de Investimentos de São Paulo pela premiação O Melhor de São Paulo, realizada pela Folha de S.Paulo.
Saiba mais: www.xp.com.br.
