O dia em que o céu voltou a falar em Fátima Há uma data que se repete todos os anos no calendário, mas que carrega dentro de si a memória de um instante único, ocorrido há mais de um século numa pequena aldeia portuguesa. Hoje, 13 de julho, é o dia em que a Igreja e milhões de fiéis ao redor do mundo recordam a terceira aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos de Fátima, um episódio que se tornou um dos capítulos mais marcantes da devoção mariana em todo o planeta. Tudo começou em 1917, num tempo de guerra e incertezas na Europa. Numa região agrícola e simples de Portugal, chamada Fátima, viviam três crianças que pastoreavam ovelhas nos campos da família: Lúcia dos Santos, de dez anos, e seus primos Francisco e Jacinta, de nove e sete anos. Nenhum deles imaginava que aquele ano transformaria suas vidas para sempre e faria daquele pedaço de terra, conhecido como Cova da Iria, um dos lugares mais visitados e reverenciados do mundo cristão. Foi em 13 de maio daquele ano que os pastorinhos relataram, pela primeira vez, ter visto uma senhora envolta em luz, mais brilhante que o sol, que lhes pedia oração e penitência pela conversão dos pecadores. A aparição prometeu retornar no mesmo dia dos meses seguintes, e assim aconteceu, atraindo cada vez mais atenção e multidões curiosas, céticas ou fervorosas, que acompanhavam as crianças até o local indicado. A terceira aparição, exatamente neste dia, 13 de julho de 1917, ficou marcada como um dos momentos mais intensos de toda a série de encontros. Segundo o relato posterior de Lúcia, já adulta e religiosa, foi nessa ocasião que a Senhora confiou às crianças aquilo que ficaria conhecido como o Segredo de Fátima, um conjunto de revelações divididas em três partes, que incluíam uma visão impactante do inferno, um pedido de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria e o anúncio de sofrimentos futuros para o mundo e para a própria Igreja. A primeira parte revela aos pastorinhos a visão do inferno, um alerta espiritual que Nossa Senhora não se limita a descrever, mas mostra diretamente às crianças, para que compreendessem com clareza o destino reservado às almas que partem desta vida em pecado e sem arrependimento. Já a segunda parte surge como um desdobramento natural da primeira. Depois de expor a realidade das almas perdidas, Nossa Senhora aponta o remédio para essa condição. A mensagem deixa de ser apenas advertência e passa a ser também caminho, mostrando que há uma saída possível diante do que fora revelado. Esse caminho se apoia em dois pilares que caminham juntos. O primeiro é a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, ato que caberia ao Papa realizar em comunhão com os bispos, entregando aquela nação a Deus. É um gesto que reconhece que também o destino dos povos se constrói, ou se perde, conforme sua relação com o divino. O segundo pilar é a prática da comunhão reparadora dos primeiros sábados, que chama os fiéis à participação direta. Ela reúne confissão, comunhão, recitação do Rosário e um momento de meditação, tudo oferecido como reparação às ofensas contra o Imaculado Coração de Maria. Dessa forma, a resposta ao pedido celestial não fica restrita às autoridades da Igreja, mas alcança a vida cotidiana de cada cristão. Por fim, a terceira parte do segredo se expressa por meio de imagens simbólicas e só veio a público muito depois das duas primeiras. Se a primeira parte trata do destino das almas e a segunda aponta os meios de salvação, esta última volta o olhar para a trajetória da Igreja através dos séculos, sobretudo nos momentos de dor e perseguição que marcaram sua história. Ao mesmo tempo em que revelava conteúdos tão graves, a mensagem trazia também uma promessa de esperança. A Virgem garantiu às crianças que, ao final, o seu Imaculado Coração triunfaria, e que um tempo de paz seria concedido à humanidade. Foi também nesse encontro que ficou marcada a frase que resumiria toda a espiritualidade de Fátima nos anos seguintes, o convite constante à oração do terço, repetido em quase todas as aparições, como forma simples e acessível de buscar a paz para o mundo. Os relatos das crianças, feitos num tempo em que a comunicação era lenta e a desconfiança das autoridades locais era grande, foram inicialmente recebidos com ironia e até perseguição. Francisco e Jacinta chegaram a ser ameaçados e interrogados por autoridades civis que suspeitavam de manipulação religiosa. Ainda assim, mantiveram-se firmes naquilo que haviam visto e ouvido, uma coerência que impressionou até os mais céticos e que, décadas depois, seria um dos elementos considerados pela Igreja Católica ao reconhecer oficialmente as aparições, em 1930. Francisco e Jacinta não viveriam para ver esse reconhecimento. Ambos morreram ainda crianças, vítimas da gripe espanhola que assolava a Europa naquele período, e foram canonizados por São João Paulo II em 2000, tornando-se os santos mais jovens da história a serem canonizados sem o título de mártires. Lúcia, por sua vez, viveu quase um século, tornou-se religiosa carmelita e dedicou o restante da vida a relatar, preservar e explicar os detalhes daquilo que havia testemunhado quando ainda era uma menina simples do campo português. Mais de um século depois, o Santuário de Fátima continua recebendo peregrinos de todos os continentes, e o dia 13 de cada mês, de maio a outubro, mantém viva a tradição de vigílias, procissões e momentos de oração que recordam aquele ano extraordinário. O 13 de julho, em particular, carrega o peso simbólico de ser o dia em que o mistério de Fátima se aprofundou, revelando que aquelas aparições não eram apenas um fenômeno local, mas traziam uma mensagem dirigida ao mundo inteiro. Para além da fé de cada pessoa, a história de Fátima permanece como um retrato comovente de simplicidade e coragem, a de três crianças que, em meio a um mundo em guerra, tornaram-se protagonistas de um dos episódios espirituais mais estudados e comentados do século
Circuito da Moqueca Capixaba leva pratos exclusivos e programação cultural a Manguinhos
Evento acontece em dois finais de semana de julho com receitas inéditas a preços fixos, atrações para toda a família e valorização da gastronomia capixaba A moqueca capixaba, um dos maiores símbolos da culinária do Espírito Santo, será a grande estrela da 5ª edição do Circuito da Moqueca Capixaba de Manguinhos, na Serra. O evento será realizado nos dias 17, 18 e 19, e 24, 25 e 26 de julho, sempre das 12h às 17h, reunindo restaurantes, docerias, atrações culturais e opções de hospedagem no balneário. Promovido pela Associação Comercial do Balneário de Manguinhos (ACBM), o circuito reúne receitas criadas especialmente para o festival. Os restaurantes participantes servirão porções individuais de moqueca por R$ 40, enquanto as docerias oferecerão sobremesas exclusivas por R$ 25. Além da gastronomia, a programação inclui atrações para toda a família. A tradicional Jardineira Gourmet fará passeios gratuitos pelos estabelecimentos participantes nos dias 18, 19, 25 e 26 de julho, a partir do meio-dia. No Restaurante Quinta da Praia, aos sábados (18 e 25), haverá teatro infantil e atividades recreativas gratuitas para crianças, das 13h às 14h, além de feira de artesanato local, das 11h às 16h. O circuito também contará com exposições de arte e espaços dedicados ao artesanato em restaurantes e pousadas do balneário. Entre os destaques do cardápio estão a Moqueca de Fogo, preparada com peixe na brasa; a Moqueca Mar & Bacon, que combina cação, camarão e bacon crocante; a Tábua de Moqueca, com quatro versões do prato capixaba; e a Sinfonia das Estrelas, que une peixe e lagosta em uma receita especial. Ao todo, participam do circuito os restaurantes Espaço Maresia’s, Quinta da Praia, Enseada de Manguinhos, Recanto das Estrelas e Espaço Chico Bento, além das docerias Carmen Carloni Confeitaria e Mavi Sucreé Doceria. O balneário também contará com pousadas preparadas para receber turistas durante os dois finais de semana do evento. O 5º Circuito da Moqueca Capixaba é uma realização da Associação Comercial do Balneário de Manguinhos (ACBM), em parceria com a Associação dos Moradores de Manguinhos (AMMAN), Prefeitura da Serra, Sebrae-ES e Sindibares/Abrasel. Serviço 5º Circuito da Moqueca Capixaba de Manguinhos Quando: 17, 18 e 19; e 24, 25 e 26 de julho. Horário: das 12h às 17h. Onde: Balneário de Manguinhos, Serra. Valores: moquecas individuais por R$ 40 e sobremesas por R$ 25. Fotos: Marcio Scheppa
Capixabas antecipam doação de imóveis diante de possível aumento do imposto sobre heranças
Número de escrituras de doação bate recorde no Espírito Santo enquanto mudanças da Reforma Tributária podem elevar a tributação a partir de 2027 A possibilidade de mudanças nas regras do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) tem levado famílias capixabas a anteciparem a transferência de imóveis para filhos e herdeiros. Com a Reforma Tributária prevendo alterações na cobrança do tributo e a possibilidade de aumento da alíquota dos atuais 4% para até 8% nos próximos anos, os Cartórios de Notas do Espírito Santo registraram, em 2025, o maior número de escrituras públicas de doação de imóveis da série histórica. Foram 2.064 escrituras lavradas no ano passado, um crescimento de 53% em relação a 2020, quando o Estado registrou 1.346 atos. O aumento reflete a busca pelo planejamento sucessório antes da entrada em vigor das novas regras tributárias, prevista para ocorrer a partir de 2027, caso a legislação estadual seja aprovada ainda neste ano. Além do aumento nas doações, a arrecadação do ITCMD também avançou no Espírito Santo. Segundo dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), a receita com o imposto passou de aproximadamente R$ 105 milhões, em 2020, para R$ 246 milhões em 2025, crescimento de 134% em cinco anos. Atualmente, o Estado adota uma alíquota única de 4% para heranças e doações, independentemente do valor do patrimônio. Com a Lei Complementar nº 227/2026, os estados que utilizam esse modelo deverão adotar alíquotas progressivas, nas quais a tributação aumenta conforme o valor dos bens transmitidos. A legislação também estabelece diretrizes para que a cobrança considere o valor de mercado dos imóveis. Como qualquer alteração aprovada em 2026 precisará respeitar os princípios constitucionais da anterioridade anual e da noventena, especialistas avaliam que este pode ser o último ano para realizar doações seguindo as regras atuais. Entre as alternativas mais utilizadas está a doação com reserva de usufruto. Nesse modelo, os pais transferem a propriedade do imóvel aos filhos, mas permanecem com o direito de utilizar, administrar e até receber rendimentos do bem durante toda a vida. Segundo o presidente do Sindicato dos Notários e Registradores do Estado do Espírito Santo (Sinoreg-ES), Marcio Romaguera, a procura por soluções de planejamento sucessório aumentou significativamente nos últimos meses. “A Reforma Tributária trouxe urgência a uma discussão que muitas famílias vinham adiando. Diante da possibilidade de mudanças na tributação, cresce a busca por mecanismos que permitam organizar a sucessão patrimonial de forma segura, transparente e dentro da legislação”, afirma. Os dados confirmam essa tendência. Depois de registrar 1.693 escrituras de doação de imóveis em 2023 e 1.982 em 2024, o Espírito Santo atingiu o recorde de 2.064 atos em 2025, movimento que pode ganhar ainda mais força ao longo deste ano. Para Romaguera, a combinação entre alíquotas progressivas e a utilização do valor de mercado dos imóveis como base de cálculo tende a elevar o custo da transmissão patrimonial, tornando 2026 um período estratégico para quem pretende organizar a sucessão familiar com maior previsibilidade e menor impacto tributário.
Possível tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros exige cautela de empresas
Especialista orienta empresários e investidores a evitarem decisões precipitadas enquanto negociações entre os dois países seguem em andamento A possibilidade de os Estados Unidos ampliarem as tarifas de importação sobre produtos brasileiros mantém em alerta empresários, investidores e o mercado financeiro. A medida, que pode elevar em até 50% as tarifas sobre parte das exportações do Brasil, ainda está em discussão e depende da conclusão das negociações entre os dois países. O tema ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de impor uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros, alegando desequilíbrios comerciais e questões diplomáticas. O governo brasileiro informou que busca uma solução negociada para evitar a medida, considerada prejudicial a diversos setores da economia. No Espírito Santo, onde a economia tem forte vocação exportadora, a possibilidade de novas tarifas é acompanhada com atenção. Café, celulose, rochas ornamentais, aço, minério de ferro e produtos industrializados estão entre os principais itens da pauta de exportações capixaba e podem sofrer impactos diretos ou indiretos. Para o assessor de investimentos da Sicredi Serrana, Torres Mônico, o momento exige prudência. “Sempre que surgem notícias envolvendo barreiras comerciais entre grandes economias, o mercado reage rapidamente. Isso é natural. Mas ainda existe espaço para negociações e decisões não devem ser tomadas apenas com base nas manchetes”, afirma. Segundo ele, empresas com atuação no comércio exterior devem aproveitar o cenário para revisar o planejamento financeiro, projetar diferentes cenários e buscar alternativas de diversificação de mercados. “Um bom planejamento financeiro permite enfrentar períodos de maior volatilidade com muito mais segurança”, destaca. Os reflexos também podem atingir os investidores, já que tensões comerciais costumam provocar oscilações no câmbio, nas bolsas de valores e no mercado de commodities. Para Torres Mônico, entretanto, a volatilidade faz parte do ambiente de investimentos e não deve motivar mudanças bruscas na estratégia. “O mais importante é manter uma carteira diversificada, alinhada aos objetivos e ao perfil de risco. Alterar completamente a estratégia por causa de um único evento tende a aumentar os riscos”, ressalta. O especialista explica que o Sicredi disponibiliza diferentes alternativas para gestão patrimonial. Entre elas estão aplicações de renda fixa pós-fixada para gestão de caixa, investimentos prefixados para quem busca previsibilidade de rentabilidade, além de fundos atrelados ao IPCA para proteção contra a inflação. Também fazem parte do portfólio investimentos em infraestrutura, que oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, além de fundos com exposição ao ouro, tradicionalmente utilizados como instrumento de proteção patrimonial em períodos de instabilidade. Na avaliação do assessor, o Brasil já demonstrou capacidade de adaptação em outros momentos de turbulência no comércio internacional. “O cenário exige atenção, mas reforça a importância de decisões fundamentadas em informação de qualidade e planejamento. Quem mantém disciplina financeira e visão de longo prazo costuma atravessar esses períodos com mais tranquilidade e aproveitar as oportunidades que surgem quando o mercado volta a ganhar estabilidade”, conclui.
João Gualberto – Michelle Bolsonaro e a fragmentação da direita
Há alguns meses, os eleitores brasileiros acreditavam que, nas eleições presidenciais de 2026, haveria duas candidaturas, representando cada um dos lados da polarização eleitoral. O lado da esquerda, o de Lula, candidato à reeleição, e o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, representando a direita. Falava-se, no caso dessa construção da direita, que a candidata a vice-presidente poderia ser a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Esse edifício político, construído cuidadosamente ao longo dos últimos anos, ruiu de um só golpe quando o ex-presidente Jair Bolsonaro sacou da algibeira o nome de seu filho, Flávio Bolsonaro, como o representante do clã no processo eleitoral. Em um mesmo movimento, foi retirado do páreo aquele que era considerado o mais competitivo quadro da direita brasileira e colocado em risco o seu êxito em competição apertada. Mas houve um outro movimento. Inicialmente, o nome do senador Flávio Bolsonaro só foi bem recebido pelo PT, já que Lula nunca acreditou que ele pudesse ter a mesma força que Tarcísio e que seria um candidato mais frágil. Foi quando Flávio começou a crescer. Nos levantamentos estatísticos feitos por pesquisas de opinião a partir do mês de março, o novo candidato do PL começou a crescer, ameaçando seriamente a imaginada facilidade de Lula. Os números foram ficando cada vez mais favoráveis ao jovem senador. Foi quando surgiu a questão da presença financeira do enroladíssimo ex-banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento de um filme sobre a vida do ex-presidente Bolsonaro, com óbvias intenções eleitorais. As cifras do financiamento do filme são pornográficas, de tão alto valor, o que leva todos a pensar que o dinheiro teria outra finalidade dentro do clã. O trajeto tortuoso dos recursos, passando pelos EUA, em um percurso no mínimo inusitado, fez com que a candidatura de Flávio Bolsonaro sofresse o primeiro abalo. Desde então, eu tenho chamado a atenção para o fato de que a candidatura de Flávio vai derreter. Isso porque a gestão inesperada de um desembargador presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro começou a levantar muitos problemas na política daquele Estado. Toda a malha que vinha caindo nas apurações no Rio de Janeiro era de aliados do senador pelo Rio. Sempre imaginei que chegaria nele, por todas as evidências. As milícias cariocas tinham representação, através do Capitão Adriano da Nóbrega, dentro do seu gabinete da Alerj, por exemplo. Diante da desconstrução de uma narrativa potente e dos erros de condução política de Eduardo Bolsonaro, que insiste em construir potência em um acordo com o instável presidente Donald Trump, foi ficando claro para os que acompanham o quadro eleitoral que estavam surgindo muitos problemas para um candidato imposto pelo líder máximo da direita brasileira. As candidaturas de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos foram começando a minar, ainda que timidamente, o maior candidato das direitas. Todo esse enfraquecimento gradual talvez precisasse de um empurrão definitivo para o vácuo; esse é o papel a que se destina Michelle Bolsonaro nesse momento. Ela tem uma liderança construída em cima de seu perfil de mulher evangélica conservadora, com ideias próprias desse contexto social, mas com inegável apelo eleitoral. O jovem senador parece mesmo ser um homem arrogante, afinal, faz parte do perfil familiar a misoginia, tanto é que o pai sempre precisou da intervenção da esposa para trazer mulheres para o seu eleitorado. Com a passagem dada pelo marido e com sua habilidade e esperteza, foi crescendo dentro do quadro de uma nascente direita brasileira, muito ligada a valores da família tradicional. Foi assim que ela chegou à presidência do PL Mulher e passou a fazer longas viagens por todo o Brasil para trazer essa importante fração dos eleitores para a liderança de um machista tóxico. Deu certo. Ela, uma vez que o marido está em prisão domiciliar, sonhou ser a “assinatura Bolsonaro” da campanha de Tarcísio de Freitas. Isso trouxe a público desavenças familiares há muito levantadas pelas mídias. Entretanto, ninguém esperava a hostilidade explícita dos seus últimos movimentos. Michelle visivelmente aposta na desintegração da candidatura de Flávio Bolsonaro. Mais do que isso, quer trazer para a sua galeria de troféus esse grande feito: ter sido ela a responsável pelos tiros de misericórdia nas pretensões do enteado. Parece que está dando certo, e ela vai se preservando para a continuidade do jogo político, mostrando que tem dedo para mexer no tabuleiro e expertise para pretensões mais altas.