Especialista orienta empresários e investidores a evitarem decisões precipitadas enquanto negociações entre os dois países seguem em andamento
A possibilidade de os Estados Unidos ampliarem as tarifas de importação sobre produtos brasileiros mantém em alerta empresários, investidores e o mercado financeiro. A medida, que pode elevar em até 50% as tarifas sobre parte das exportações do Brasil, ainda está em discussão e depende da conclusão das negociações entre os dois países.
O tema ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de impor uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros, alegando desequilíbrios comerciais e questões diplomáticas. O governo brasileiro informou que busca uma solução negociada para evitar a medida, considerada prejudicial a diversos setores da economia.
No Espírito Santo, onde a economia tem forte vocação exportadora, a possibilidade de novas tarifas é acompanhada com atenção. Café, celulose, rochas ornamentais, aço, minério de ferro e produtos industrializados estão entre os principais itens da pauta de exportações capixaba e podem sofrer impactos diretos ou indiretos.
Para o assessor de investimentos da Sicredi Serrana, Torres Mônico, o momento exige prudência.
“Sempre que surgem notícias envolvendo barreiras comerciais entre grandes economias, o mercado reage rapidamente. Isso é natural. Mas ainda existe espaço para negociações e decisões não devem ser tomadas apenas com base nas manchetes”, afirma.
Segundo ele, empresas com atuação no comércio exterior devem aproveitar o cenário para revisar o planejamento financeiro, projetar diferentes cenários e buscar alternativas de diversificação de mercados.
“Um bom planejamento financeiro permite enfrentar períodos de maior volatilidade com muito mais segurança”, destaca.
Os reflexos também podem atingir os investidores, já que tensões comerciais costumam provocar oscilações no câmbio, nas bolsas de valores e no mercado de commodities.
Para Torres Mônico, entretanto, a volatilidade faz parte do ambiente de investimentos e não deve motivar mudanças bruscas na estratégia.
“O mais importante é manter uma carteira diversificada, alinhada aos objetivos e ao perfil de risco. Alterar completamente a estratégia por causa de um único evento tende a aumentar os riscos”, ressalta.
O especialista explica que o Sicredi disponibiliza diferentes alternativas para gestão patrimonial. Entre elas estão aplicações de renda fixa pós-fixada para gestão de caixa, investimentos prefixados para quem busca previsibilidade de rentabilidade, além de fundos atrelados ao IPCA para proteção contra a inflação.
Também fazem parte do portfólio investimentos em infraestrutura, que oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, além de fundos com exposição ao ouro, tradicionalmente utilizados como instrumento de proteção patrimonial em períodos de instabilidade.
Na avaliação do assessor, o Brasil já demonstrou capacidade de adaptação em outros momentos de turbulência no comércio internacional.
“O cenário exige atenção, mas reforça a importância de decisões fundamentadas em informação de qualidade e planejamento. Quem mantém disciplina financeira e visão de longo prazo costuma atravessar esses períodos com mais tranquilidade e aproveitar as oportunidades que surgem quando o mercado volta a ganhar estabilidade”, conclui.
