Luiz Paulo Comério venceu a principal premiação do XVI Salão Internacional de Artes Visuais SINAP/AIAP/Unesco, em São Paulo, com instalação formada por centenas de tijolos de cerâmica Durante anos, Luiz Paulo Comério trabalhou com projetos, cálculos e estruturas como arquiteto e urbanista. Foi no barro, no entanto, que encontrou espaço para experimentar com maior liberdade. A mudança de trajetória levou o artista capixaba ao Grande Prêmio do XVI Salão Internacional de Artes Visuais SINAP/AIAP/Unesco, realizado em São Paulo. Comério (foto acima) conquistou a principal premiação do salão com a obra “(Des)construção Coletiva”. A instalação disputou espaço com trabalhos de mais de 60 artistas de diferentes estados brasileiros e foi apresentada na Galeria Olido, em exposição promovida pelo Sindicato Nacional dos Artistas Plásticos (SINAP-ESP). A obra é composta por centenas de tijolos de cerâmica. Em uma das faces aparecem palavras como “empatia”, “gentileza”, “honestidade” e “prudência”; no verso, estão seus respectivos antônimos. Mais do que observar, o visitante era convidado a interferir diretamente na instalação, escolhendo um dos tijolos e levando-o para casa. Com isso, a obra se modificava ao longo da exposição e ganhava novos destinos à medida que as peças deixavam a galeria. “Esse prêmio me encheu de orgulho. Ver as peças sendo levadas pelos visitantes e ouvir suas histórias foi muito gratificante. É um sentimento de continuidade em cada casa”, conta Luiz Paulo. Obras que se transformam com o público A interação entre obra e espectador também está presente em outro trabalho do artista, “Desmanche Programado”, que integra a exposição “Alquimia do Barro – Revolver-se nessa Terra”, em cartaz na Casa Porto das Artes Plásticas, no Centro de Vitória. Na instalação, barcos feitos de barro são colocados sobre a água e, com o passar do tempo, começam a perder sua forma. Para chegar ao resultado, Luiz Paulo realizou diferentes testes até encontrar o tempo necessário para que as peças começassem a se desfazer. A proposta aborda questões relacionadas à memória, ao fazer manual e ao desaparecimento de tradições culturais ligadas às comunidades pesqueiras. Mas o artista prefere não estabelecer uma interpretação única para o trabalho. Durante a exposição, por exemplo, um visitante enxergou na instalação uma representação da perda da beleza. “No início o barco está perfeito e depois vai se desmanchando”, comentou. “Gosto mais de observar como as pessoas interagem com a obra do que explicar o que ela significa. A arte não precisa ficar distante das pessoas. Aproximá-la é o que busco”, afirma Luiz Paulo. Para o ceramista, o trabalho se completa justamente quando deixa de pertencer exclusivamente ao artista e passa a incorporar as interpretações e experiências de quem entra em contato com ele. Da arquitetura para a cerâmica A mudança profissional de Luiz Paulo ocorreu de maneira gradual. Formado em Arquitetura e Urbanismo e acostumado a trabalhar dentro de normas, medidas, cálculos e demandas de clientes, ele encontrou na cerâmica um território para experimentar, errar e criar com maior liberdade. Incentivado por uma amiga, começou a frequentar aulas de cerâmica com Águeda Valentim, fundadora da CERAMES. O que inicialmente era uma atividade paralela ganhou espaço até se transformar em profissão. Há seis anos, Luiz Paulo fez a transição definitiva de carreira. A trajetória também se cruza com a história da CERAMES, associação na qual encontrou ambiente para desenvolver seu trabalho e ganhar confiança para participar de exposições nacionais. CERAMES celebra 25 anos A exposição “Alquimia do Barro – Revolver-se nessa Terra”, da qual Luiz Paulo participa, celebra os 25 anos da CERAMES e apresenta diferentes vertentes da produção contemporânea de cerâmica no Espírito Santo. Criada em 2001, a entidade surgiu da iniciativa de ceramistas interessados em compartilhar conhecimentos e fortalecer uma atividade que, naquele momento, era desenvolvida de maneira mais isolada nos ateliês. Ao longo de 25 anos, a CERAMES ampliou a integração entre artistas e a presença da produção capixaba em exposições e eventos dentro e fora do Estado. Atualmente, reúne 62 integrantes e já teve cerca de 150 associados ao longo de sua trajetória. A conquista de Luiz Paulo em São Paulo também reforça essa presença da cerâmica produzida no Espírito Santo no circuito nacional. Entre tijolos que deixam a exposição nas mãos dos visitantes e barcos que desaparecem lentamente sobre a água, o artista constrói trabalhos nos quais público, memória e transformação tornam-se parte da própria obra. Serviço Exposição: Alquimia do Barro – Revolver-se nessa Terra Local: Casa Porto das Artes Plásticas — Centro de Vitória Visitação: até 16 de agosto de 2026 Entrada: gratuita Realização: CERAMES Curadoria: Lindomberto Ferreira Alves Curadoria adjunta: Amanda Amaral
Convenção Nacional da AsBEA reúne profissionais de 15 estados e consolida Vitória no circuito da arquitetura brasileira
Realizada pela primeira vez no Espírito Santo, 52ª edição registrou 1.265 participações e reuniu o maior número de empresas da construção civil da história do evento Vitória recebeu, pela primeira vez, a Convenção Nacional da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA). Realizada entre os dias 5 e 8 de agosto, a 52ª edição reuniu profissionais de 15 estados, representantes de outros países e registrou 1.265 participações ao longo de quatro dias de programação. São Paulo e Santa Catarina tiveram as maiores comitivas, enquanto profissionais vindos da Espanha e da Bélgica também participaram do encontro. Segundo a organização, a edição capixaba reuniu ainda o maior número de empresas da construção civil já registrado na história das 52 edições da convenção. Com o tema “Criatividade e IA na Arquitetura”, o evento promoveu mais de 20 palestras, workshops, visitas técnicas e encontros voltados ao relacionamento entre arquitetos, escritórios e empresas. A inteligência artificial esteve entre os principais assuntos, com discussões sobre a incorporação das novas ferramentas ao trabalho sem substituir o repertório, a criatividade e a sensibilidade dos profissionais. A transformação dos próprios escritórios também entrou na pauta. Profissionais que acompanharam a passagem dos processos analógicos para a era digital compartilharam experiências sobre as mudanças na forma de projetar, apresentar trabalhos e administrar os negócios. Estratégias para uma gestão mais eficiente dos escritórios estiveram entre os temas abordados. “A convenção deixa muitos legados para nós, da AsBEA/ES, e também para a instituição em nível nacional. Estamos em nosso segundo ano de atuação no Estado e receber um evento deste porte demonstra a confiança que depositam em nós”, afirma Heliomar Venâncio, presidente da AsBEA/ES. Segundo ele, além da troca de conhecimento, a realização do encontro possibilitou ampliar relacionamentos e apresentar o Espírito Santo aos profissionais de diferentes regiões. “Foi uma oportunidade importante para mostrar que temos muito a contribuir para as discussões sobre os novos caminhos da profissão”, acrescenta. Vitória além da programação técnica Com parte da agenda concentrada no Sheraton Hotel, a convenção também buscou apresentar aos visitantes diferentes aspectos da arquitetura, da economia, da cultura e da paisagem capixabas. Entre as atividades foram realizadas visitas técnicas à sede da Petrobras, com a participação dos arquitetos responsáveis pelo projeto, Sidônio Porto e Marcio Porto, além de agendas no Centrorochas e na Brasigran. A programação social levou os participantes a diferentes pontos da Grande Vitória. Houve jantar no restaurante Kairu, reunindo diretores das regionais da AsBEA, e almoço no Barlavento, na Praia de Camburi. Na manhã de sexta-feira (7), um grupo participou de uma atividade de canoa havaiana para acompanhar o nascer do sol no mar de Vitória. À noite, o Cais das Artes recebeu o evento Esquina da Arquitetura, realizado pela Revista Projeto e que marcou o encerramento da programação daquela sexta-feira. O desfecho oficial ocorreu no sábado (8), com um passeio de barco pela Baía de Vitória e vista para alguns dos principais cartões-postais da região, como o Convento da Penha, a Terceira Ponte e a Curva da Jurema. Para a organização, a experiência também reforçou a capacidade de Vitória para receber encontros nacionais de grande porte e mostrou o potencial da capital para associar turismo de eventos, arquitetura, cultura, natureza e qualidade de vida. Ícone da arquitetura brasileira participa da convenção Um dos momentos simbólicos da 52ª edição foi a participação do arquiteto Alberto Rubens Botti, fundador e primeiro presidente da AsBEA Brasil. Aos 95 anos, Botti chegou a Vitória na noite de abertura do evento, justamente no dia de seu aniversário. O arquiteto decidiu permanecer no Espírito Santo até o domingo para conhecer a capital pela primeira vez. Sua presença também simbolizou o encontro entre diferentes gerações da profissão: de profissionais que viveram a arquitetura essencialmente analógica a uma nova geração que debate inteligência artificial, industrialização, sustentabilidade e novas formas de atuação. 52ª Convenção Nacional da AsBEA A 52ª Convenção Nacional da AsBEA contou com o apoio de empresas dos setores de arquitetura, construção civil, tecnologia e indústria. Participaram como patrocinadores e apoiadores Hydro, MMCité, STO, Centrorochas, ArcelorMittal, Portobello, Ceramfix, Saint-Gobain, Villagres, Lemca, Sincol, Perfil Alumínio, Locares, Placas do Brasil, Porcelanosa, Guardian, Sulmetais, Schneider e Perteech.
Cariacica passa Vitória e assume 2º maior índice de participação no ICMS do ES. Serra mantém liderança
Linhares também avança no ranking, supera Vila Velha e chega à quarta posição; Serra mantém a liderança no IPM provisório para 2027 O novo Índice de Participação dos Municípios (IPM) traz mudanças importantes na divisão do ICMS entre as cidades capixabas. Cariacica ultrapassou Vitória e passou a ocupar a segunda posição entre os municípios com maior participação, enquanto Linhares superou Vila Velha e assumiu o quarto lugar. Os dados provisórios para 2027 foram publicados nesta quarta-feira (12) pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz). Serra permanece na liderança, com índice de 14,0372%. Cariacica aparece agora em segundo, com 10,1003%, à frente de Vitória, que ficou com 9,8982%. Na sequência estão Linhares, com 5,5774%, e Vila Velha, com 4,2853%. Viana, com 4,1202%, está logo atrás e se aproxima de Vila Velha. A comparação com o IPM definitivo de 2026 evidencia as mudanças no topo do ranking. No índice atualmente em vigor, Serra também ocupa a primeira posição, com 14,449%, mas Vitória aparece em segundo, com 10,318%, seguida por Cariacica, com 9,940%. Vila Velha ocupa o quarto lugar, com 5,565%, e Linhares, o quinto, com 4,894%. Assim, além da troca de posições entre Cariacica e Vitória, Linhares registra um avanço expressivo, passando de 4,894% para 5,5774% e tomando de Vila Velha a quarta colocação. Vila Velha, por sua vez, cai de 5,565% para 4,2853%. Viana também avança, de 3,873% para 4,1202%, deixando a diferença para Vila Velha em apenas 0,165 ponto percentual. Outros movimentos também aparecem entre municípios com participação relevante. São Mateus chega a 2,6366%, Nova Venécia alcança 1,5994% e Santa Maria de Jetibá aparece com 2,1495%. Aracruz, por outro lado, fica com 3,0675% no índice provisório de 2027. Atividade econômica pesa no cálculo O IPM determina quanto cada uma das 78 cidades capixabas recebe dos 25% da arrecadação estadual do ICMS destinados constitucionalmente aos municípios. Por isso, alterações aparentemente pequenas no índice podem representar diferenças relevantes nas receitas municipais. O principal componente do cálculo é o Valor Adicionado Fiscal (VAF), responsável por 75% do IPM. Para o índice de 2027, são consideradas as atividades econômicas registradas em 2024 e 2025. Os 25% restantes são definidos por outros critérios estabelecidos pela legislação estadual, incluindo qualidade educacional, extensão territorial, propriedades rurais e oferta de serviços de saúde. Os números do VAF ajudam a mostrar as diferenças na evolução das economias municipais. Em Vitória, o valor passou de R$ 31,30 bilhões em 2024 para R$ 26,34 bilhões em 2025. Cariacica também registrou redução, de R$ 30,41 bilhões para R$ 28,19 bilhões. Já Linhares avançou de R$ 13,39 bilhões para R$ 15,71 bilhões. Vila Velha apresenta um movimento particularmente expressivo no VAF: passou de R$ 8,66 bilhões em 2024 para R$ 15,78 bilhões em 2025. Mesmo com o salto no último ano, o cálculo considera o desempenho do biênio e os demais componentes do IPM, e o município aparece atrás de Linhares no índice provisório de 2027. Serra, que continua na liderança estadual, registrou VAF de R$ 39,76 bilhões em 2024 e R$ 42,52 bilhões em 2025. O município permanece com larga vantagem no IPM, apesar de seu índice total provisório cair de 14,449% em 2026 para 14,0372% em 2027. Índices ainda podem mudar Os números publicados nesta quarta-feira são provisórios. As prefeituras têm prazo de 30 dias para apresentar recurso caso identifiquem inconsistências nos valores apurados pela Secretaria da Fazenda. Depois da análise dos questionamentos, o Estado publicará os índices definitivos que serão utilizados para a distribuição da parcela municipal do ICMS em 2027. O Decreto nº 6.491-R estabelece que os novos valores produzirão efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.
Documentário capixaba grava etapa na Europa para alertar sobre impactos da poluição por plástico
Produção “O Plástico Ilhado em Nós” percorre Espanha e França para entrevistar cientistas e conhecer iniciativas de combate à contaminação por plásticos; lançamento está previsto para abril de 2027 A equipe do documentário capixaba “O Plástico Ilhado em Nós” realizou uma nova etapa de gravações na Europa para concluir a produção do filme, que aborda os impactos da poluição causada pelos plásticos e microplásticos no meio ambiente e na saúde humana. A expedição internacional teve início em 27 de junho e reuniu o diretor e produtor Emerson Cabral e o diretor de fotografia Secundo Rezende em uma jornada de 18 dias pela Espanha e França. O roteiro passou por Barcelona, Pamplona e Zaragoza, na Espanha, além de Marselha e Paris, na França. Durante a viagem, a equipe entrevistou cientistas, pesquisadores, biólogos e especialistas reconhecidos internacionalmente e registrou iniciativas voltadas à redução do uso de plástico, à gestão de resíduos e ao incentivo ao consumo sustentável. Zaragoza, com vista para a Catedral del Pilar. Em Barcelona, um dos primeiros locais visitados foi a Gra de Gràcia, loja especializada na venda de produtos a granel e que busca eliminar o uso de embalagens plásticas descartáveis. Os produtos são comercializados em recipientes de vidro, papel e embalagens feitas com fécula de milho, material compostável. A fundadora do estabelecimento, Sara, apresentou ao documentário o modelo de negócio baseado na redução da geração de resíduos. CTRUZ de Zaragoza – Centro de Tratamento de Resíduos Urbanos Ainda na capital catalã, as gravações abordaram diferentes dimensões da poluição por plástico. O pesquisador Nathan Robinson, do Institut de Ciències del Mar (ICM-CSIC), apresentou estudos sobre os impactos da contaminação nas tartarugas marinhas. Biólogo britânico Nathan Robinson, que estuda o comportamento de tartarugas marinhas Já no Mercabarna, um dos maiores mercados atacadistas da Europa, a equipe registrou o descarte de grandes quantidades de caixas de isopor no setor de pescados. Mercabarna, setor de pescados, em Barcelona Damià Barceló, autoridade de reconhecimento mundial em microplásticos Também foram entrevistados em Barcelona o professor e cientista Damià Barceló, referência internacional em pesquisas relacionadas aos microplásticos, e a pesquisadora brasileira Ana Luzia Lacerda, que estuda a poluição plástica no Mar Mediterrâneo e o fenômeno da chamada “plastisfera”, relacionado à presença e ao transporte de micro-organismos em resíduos plásticos. Resíduos e turismo na Espanha Em Pamplona, a produção acompanhou os desafios relacionados à gestão de resíduos durante as tradicionais Festas de San Fermín. O evento reúne milhares de visitantes e gera toneladas de lixo, mesmo com iniciativas como a adoção de copos retornáveis. Pamplona, em uma “peña” que usa copos de reúso Na sequência, em Zaragoza, a equipe teve acesso ao Centro de Tratamento de Resíduos Urbanos de Zaragoza (CTRUZ), onde conheceu ações relacionadas ao Projeto REDOL e às metas locais para eliminar o envio de resíduos a aterros sanitários até 2035. As gravações também passaram por locais históricos, como o Palácio da Aljafería, e por estabelecimentos que adotam modelos de consumo baseados no conceito de desperdício zero. Microplásticos, saúde e poluição do Rio Sena Na França, o documentário aprofundou a discussão sobre os possíveis impactos da poluição plástica na saúde humana e conheceu iniciativas de limpeza urbana. Em Marselha, a equipe entrevistou o cardiologista Pierre Souvet, cofundador da Association Santé Environnement France (ASEF), sobre os efeitos e a toxicidade associados aos polímeros no organismo humano. Em Paris, com apoio da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Paris-Est Créteil e do Porto de Haropa Paris, as gravações foram realizadas também a bordo de um barco 100% elétrico cedido pela prefeitura da capital francesa. A equipe acompanhou o trabalho de retirada de lixo flutuante e resíduos plásticos do Rio Sena. Barreira para conter lixo plástico no rio Sena, Paris. Outra frente registrada em Paris foi a presença de microplásticos na atmosfera. A produção acompanhou o funcionamento de um coletor instalado em um terraço com vista para a Basílica de Sacré-Cœur, utilizado em pesquisas sobre partículas presentes no ar urbano. Segundo a produção, a etapa internacional tem como objetivo apresentar soluções que já vêm sendo adotadas na Europa e reunir evidências científicas sobre a presença de microplásticos no meio ambiente e no organismo humano. O filme contará com depoimentos em português, espanhol, francês e inglês. Terraço com equipamento para coletar microplástico da atmosfera A abordagem também amplia o debate para outras regiões do planeta. O documentário reunirá dados e imagens sobre o descarte de resíduos na costa de Gana, na África Ocidental, e na Malásia, no Sudeste Asiático, com apoio de imagens do Greenpeace. Ana Luzia Lacerda, oceanógrafa brasileira que estuda a contaminação do plástico no Mediterrâneo Da Ilha da Trindade para o mundo O fio condutor de “O Plástico Ilhado em Nós” são três expedições realizadas anteriormente à Ilha da Trindade, território brasileiro localizado no Oceano Atlântico. A produção também realizou gravações no Espírito Santo, em São Paulo e na Bahia. Com a conclusão da etapa europeia, o documentário entra na fase de pós-produção. O lançamento mundial está previsto para abril de 2027. “O Plástico Ilhado em Nós” conta com patrocínio da Cesan e da ArcelorMittal. A produção é da Zoom Filmes e recebe apoio do restaurante Modéstia às Favas, Nina Gym, Anderson Carletti, Monte Líbano e Lucio’s Rolamentos. A proposta do documentário é ampliar a conscientização sobre a contaminação provocada pelos plásticos, reunindo ciência, experiências internacionais e iniciativas de enfrentamento para mostrar os impactos ambientais e os desafios de reduzir esse tipo de poluição em escala global.
Candidato a governador, Helder Salomão apresenta seu plano de governo em Vitória
O documento foi construído com participação popular e tem como sua principal meta não deixar nenhuma família para trás. Nesta quinta-feira, 13, o candidato ao governo do Estado Helder Salomão e a candidata a vice-governadora professora Valdirene Bernardino apresentarão o Plano de Governo da Federação Brasil da Esperança à sociedade capixaba. Mais que um conjunto de compromissos de campanha, o documento é a consolidação de propostas do que se idealiza para o Espírito Santo: que desenvolvimento econômico, social e sustentável caminhem lado a lado. O documento, composto por seis princípios e 11 eixos norteadores, é o resultado de um processo de construção coletiva que começou em 2025. Nele constam sugestões de populares, lideranças políticas, especialistas, integrantes de instituições e entidades da sociedade civil, representantes de movimentos sociais e empresariais. Para Helder Salomão, crescer é importante, mas o crescimento só faz sentido quando melhora a vida das pessoas. Por isso, “o plano coloca as pessoas no centro das políticas públicas. Tem foco no cuidado com as pessoas, com as famílias capixabas, com a redução das desigualdades, com criação de oportunidades e com a perspectiva de que nenhuma família será deixada para trás”. A apresentação do documento marca uma nova etapa da campanha, com a divulgação das diretrizes que vão orientar a nova gestão do Estado. O plano vem para reforçar a consciência de que não se constrói o futuro sozinho. Serviço Apresentação do Plano de Governo da Federação Brasil da Esperança Data: 13/08 Hora: 19h Local: Clube de Pesca (Mar e Terra) Av. Dario Lourenço de Souza, 89, Mário Cypreste, Vitória/ES
Indústria do ES cresce 20,2% e lidera avanço no país no primeiro semestre
Produção industrial capixaba registra o maior crescimento entre os 18 locais pesquisados pelo IBGE, impulsionada pela indústria extrativa, que avançou 32% no período A indústria do Espírito Santo encerrou o primeiro semestre de 2026 com o maior crescimento do país. Entre janeiro e junho, a produção industrial capixaba avançou 20,2% em relação ao mesmo período de 2025, bem acima da média nacional, de 1,5%, e liderou o desempenho entre os 18 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Estado também ficou na liderança em outras bases de comparação. No acumulado dos últimos 12 meses, a indústria capixaba cresceu 20,1%, diante de 0,7% no Brasil. Na comparação entre junho de 2026 e junho de 2025, o avanço foi de 12,2%, contra 1,7% da indústria nacional. Com o resultado, o Espírito Santo completa 14 meses consecutivos de crescimento de dois dígitos na comparação interanual. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada nesta terça-feira (11) pelo IBGE e compilada pelo Observatório Findes. O desempenho no primeiro semestre foi impulsionado principalmente pela indústria extrativa, que cresceu 32% na comparação com igual período do ano passado, favorecida pelo aumento da produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro. Já a indústria de transformação acumulou retração de 2,8%. Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, o resultado demonstra a força do setor extrativo, mas também evidencia a necessidade de ampliar o crescimento em outros segmentos. “Encerramos o primeiro semestre liderando o crescimento industrial do país, impulsionados pela força da indústria extrativa, que tem papel estratégico na nossa economia. É um resultado muito importante para o Espírito Santo. Ao mesmo tempo, precisamos avançar também na indústria de transformação, fundamental para agregar valor à nossa produção, atrair investimentos e gerar mais riqueza e oportunidades para o Estado”, afirma. Petróleo, gás e minério impulsionam resultado Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Espírito Santo produziu, em média, 244,7 mil barris de petróleo por dia no primeiro semestre, volume 46,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A produção offshore cresceu 47,3%, com destaque para o campo de Jubarte, que alcançou média de 179,3 mil barris diários, alta de 41,6%. O desempenho foi favorecido pelo navio-plataforma Maria Quitéria, com média de 69,7 mil barris por dia no semestre, e pelo campo de Wahoo, que produziu, em média, 25,4 mil barris diários entre março e junho. A produção de gás natural também apresentou forte expansão, com crescimento de 69% no primeiro semestre. No ambiente offshore, a alta chegou a 69,8%, puxada principalmente pelo campo de Jubarte, onde o avanço foi de 71,1%. Segundo a economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva, a ampliação da atividade offshore foi determinante para o desempenho do setor. “A produção de petróleo ganhou força neste primeiro semestre com o desempenho do campo de Jubarte, especialmente do FPSO Maria Quitéria, e com a entrada em operação de Wahoo. Esse aumento da atividade offshore ajuda a explicar o avanço expressivo da indústria extrativa e, consequentemente, da produção industrial capixaba no período”, explica. A produção de pelotas de minério de ferro também contribuiu para o resultado. A Vale produziu 10,8 milhões de toneladas no Espírito Santo no primeiro semestre, crescimento de 28% em relação a 2025. Já a produção de pelotas e finos de minério de ferro da Samarco chegou a 7,7 milhões de toneladas, alta de 8%. Indústria de transformação recua no semestre Apesar do crescimento de 3,5% na passagem de maio para junho, a indústria de transformação capixaba acumulou queda de 2,8% no primeiro semestre. Entre os segmentos, a fabricação de produtos alimentícios recuou 9,7%, enquanto celulose, papel e produtos de papel tiveram queda de 6,9%. Em sentido contrário, metalurgia (+0,2%) e produtos de minerais não metálicos (+0,1%) registraram leve crescimento. Em junho, a fabricação de produtos de minerais não metálicos avançou 1,6%, impulsionada pela produção de pedras trabalhadas para construção e produtos cerâmicos. O desempenho ocorre em um cenário de expansão da construção civil capixaba. Segundo o 46º Censo Imobiliário do Sinduscon-ES, o Estado possui 19 mil unidades residenciais e comerciais em construção, crescimento de 10,4% em relação ao levantamento anterior. Para Paulo Baraona, fortalecer a indústria de transformação é fundamental para ampliar a diversificação da economia capixaba. Segundo ele, o segmento tem papel estratégico na agregação de valor, formação de novas cadeias produtivas, atração de investimentos e geração de empregos qualificados.
Corrida da Apae da Serra será realizada no dia 20 de setembro, no Parque da Cidade
Estão abertas as inscrições para a Corrida Apaexonados por Corridas 2026, promovida pela Apae da Serra. O evento será realizado no dia 20 de setembro, no Parque da Cidade, na Serra, reunindo esporte, lazer e ações de conscientização sobre a inclusão das pessoas com deficiência intelectual e múltipla. A programação contará com corridas de 3 km e 5 km, caminhada e Corrida Kids, permitindo a participação de atletas, famílias e pessoas que desejam apoiar o trabalho desenvolvido pela instituição. A iniciativa busca incentivar a prática de atividades físicas e, ao mesmo tempo, mobilizar a comunidade em torno da inclusão. Segundo a presidente da Apae da Serra, Elzimar Maria Pereira de Souza, a corrida também contribui para a manutenção das atividades da entidade. “É muito importante incentivar a prática de esportes. A nossa corrida quer estimular mais pessoas a terem uma vida saudável e também arrecadar recursos para nossa instituição”, afirma. Inscrições e kits As inscrições podem ser feitas pela plataforma oficial da prova ou presencialmente nas lojas Move On Esporte dos shoppings Vitória, Vila Velha, Mestre Álvaro, Montserrat e Praia da Costa. Os participantes podem escolher entre três opções de kit. O Kit Completo, no valor de R$ 99, inclui camisa oficial, número de peito com chip e medalha finisher. O Kit Básico, por R$ 79, oferece número de peito com chip e medalha. Já o Kit Kids custa R$ 89 e inclui camisa oficial, número de peito e medalha. Para atletas das categorias destinadas a pessoas com deficiência, a inscrição deve ser realizada pelo site oficial da prova, com envio obrigatório de laudo médico para validação. Todos os participantes que concluírem seus respectivos percursos receberão medalha. Atualmente, a Apae da Serra atende mais de 1.380 usuários, com serviços nas áreas de assistência social, educação e saúde especializada. A corrida integra as ações de mobilização social da entidade e busca fortalecer a participação da comunidade em seus projetos. Serviço Corrida Apaexonados por Corridas 2026 Data: 20 de setembro de 2026 (domingo) Local: Parque da Cidade – Serra (ES) Modalidades: Corrida de 5 km Corrida de 3 km Caminhada Corrida Kids Programação: 6h – Abertura oficial da arena 6h10 – Concentração dos atletas 6h30 – Largada das provas de 3 km, 5 km e caminhada 8h30 – Cerimônia de premiação 9h – Corrida Kids Inscrições online: plataforma Keep Sporting – Corrida Apaexonados por Corridas 2026 Inscrições presenciais – Move On Esporte: Shopping Vitória – Av. Américo Buaiz, 200, lojas 115 e 132, Enseada do Suá Shopping Vila Velha – Rua Luciano das Neves, 2418, Loja 1002, Divino Espírito Santo Shopping Mestre Álvaro – Av. João Palácio, 300, Loja 208, Eurico Salles Shopping Montserrat – Av. Eldes Scherrer Souza, 2162, Colina de Laranjeiras, Serra Shopping Praia da Costa – Av. Dr. Olívio Lira, 353, Praia da Costa, Vila Velha
Assédio eleitoral no trabalho entra no foco de campanha nacional pelo voto livre
Iniciativa do TST, TSE e Ministério Público do Trabalho alerta empresas e trabalhadores sobre pressões, ameaças ou vantagens para influenciar a escolha política de funcionários À medida que o processo eleitoral avança em todo o país, autoridades ampliam a atenção para uma prática que pode comprometer a liberdade de escolha dos trabalhadores: o assédio eleitoral no ambiente de trabalho. O Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) lançaram nesta semana a “Aliança pelo Voto Livre e Secreto”, mobilização nacional com o slogan “No meu voto mando eu”. A iniciativa busca conscientizar empresas, trabalhadores e instituições sobre a necessidade de preservar o direito ao voto livre e secreto, sem pressões ou interferências decorrentes das relações profissionais. Segundo a advogada trabalhista Paloma Vallory, do escritório Ferreira Borges Advogados, o assédio eleitoral ocorre quando empregadores, gestores ou outras pessoas em posição de autoridade tentam influenciar a decisão política de trabalhadores por meio de intimidação, ameaças ou promessas de vantagens. “O empregador não pode utilizar sua posição hierárquica para constranger empregados a apoiar determinado candidato, partido ou posicionamento político. O voto secreto é um direito constitucional, e qualquer tentativa de interferência representa uma violação das liberdades individuais e dos direitos fundamentais do trabalhador”, explica. Entre as situações que podem caracterizar assédio eleitoral estão ameaças de demissão, redução de benefícios ou prejuízos na carreira, além de promessas de promoções e outras vantagens condicionadas ao apoio político. Também entram nessa lista exigências de participação em atos de campanha, distribuição de material eleitoral durante o expediente e cobranças sobre em quem o funcionário pretende votar. Paloma alerta que até manifestações aparentemente informais podem ultrapassar os limites da legalidade quando envolvem uma relação de subordinação. “Existe uma diferença importante entre uma conversa espontânea sobre política e uma situação em que o empregado se sente coagido por alguém que possui poder para contratar, demitir, promover ou aplicar sanções. Nesses casos, o desequilíbrio da relação de trabalho transforma a manifestação em potencial assédio”, afirma. Além de afrontar direitos constitucionais, o assédio eleitoral pode provocar consequências nas esferas trabalhista, eleitoral e criminal. Empresas e gestores podem responder por danos morais individuais ou coletivos e também ser alvo de investigações dos órgãos competentes. Para a advogada, as próprias empresas têm papel importante na prevenção. A recomendação é reforçar orientações internas, capacitar gestores e lideranças e deixar claro que pressões relacionadas ao voto não são compatíveis com um ambiente profissional ético e respeitoso. Nos casos em que o trabalhador identificar possível assédio eleitoral, a orientação é preservar elementos que possam comprovar os fatos, como mensagens, documentos e testemunhos, e buscar orientação jurídica e os canais oficiais competentes para avaliar a situação e formalizar eventual denúncia.
Rosana Paste celebra 40 anos de produção artística com exposição inédita no MAES
Com curadoria de Agnaldo Farias, mostra reúne trabalhos inéditos da artista e transforma o museu em espaço de reflexão sobre tempo, memória, matéria e território Quatro décadas depois de iniciar sua produção artística, Rosana Paste retorna ao Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) com a exposição Entre Tempo e Coisas, em cartaz de 18 de agosto a 18 de outubro de 2026. Com curadoria de Agnaldo Farias e entrada gratuita, a mostra reúne obras majoritariamente inéditas que sintetizam a pesquisa desenvolvida pela artista desde os anos 1980. A abertura acontece no dia 18 de agosto, com visita mediada pelo curador. A exposição é resultado de uma investigação poética que acompanha Rosana desde o início da carreira, quando ingressou no curso de Artes e participou do 1º Salão Capixaba de Artes Plásticas. Professora do Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) desde 1994, ela define sua atuação como a de uma “artista-professora”, em que criação e docência se alimentam mutuamente. “‘Entre’ é um lugar muito especial. Não é um lugar nem outro; talvez seja um não lugar, ou um lugar tão subjetivo que não se define, apenas se sente. O tempo é inexorável, transmuta, muda, modifica e deixa suas marcas. Já as coisas carregam nossas escolhas, nossas memórias e até traços dos nossos ancestrais. Vivemos, todos nós, entre tempos e coisas na nossa vida cotidiana”, afirma. Escultura, materialidade e projeto educativo Reconhecida como uma das principais escultoras brasileiras, Rosana Paste construiu uma produção marcada pela experimentação e pela liberdade de linguagem. Sua pesquisa passa pelo chumbo, bronze, inox, fotografia, performance e outras materialidades, buscando o suporte mais adequado para cada investigação. Em um campo historicamente associado ao universo masculino, fez da relação com a matéria um dos elementos centrais de sua identidade artística. “O fio condutor sou eu, meus pensamentos e a liberdade de encontrar, em cada trabalho, o material mais conveniente para aquilo que quero fazer. Sou de uma geração formada pelo hibridismo. Fiz performance, teatro, cinema, mosaico, fotografia e vídeo. Desde cedo entendi que a tridimensionalidade seria meu porto seguro. Na minha pesquisa, o maior desafio sempre foi a materialidade. Tudo é pesado, grande, exige força, roupas de proteção e espaço para produzir. Esse universo sempre foi atribuído aos homens. Mas nasci na roça e adorava estar com meu pai nesse ambiente de construir, plantar e transformar. Acho que foi ali que comecei a ser escultora. Gosto do desafio de transformar a matéria”, explica. Na mostra, o Espírito Santo aparece como território simbólico e afetivo. Manguezais, arquitetura, memória, meio ambiente e pertencimento atravessam as obras, convidando o público a construir suas próprias interpretações. Entre as questões propostas pela artista estão reflexões sobre a forma de viver, o legado deixado às próximas gerações, a relação com o corpo, os desejos e a natureza. O projeto educativo, desenvolvido por Adriana Magro, amplia essa experiência com encontros voltados a professores, estudantes e visitantes de diferentes idades, reforçando o museu como espaço de formação e diálogo. “Gostaria que cada pessoa saísse da exposição com uma experiência singular. Que fosse múltipla. Não trabalho com o figurativo justamente porque acredito que as obras precisam permanecer abertas para serem degustadas. Não existe apenas uma interpretação. Existe o encontro entre a obra e quem a vê. E talvez o melhor lugar desse encontro seja justamente a delícia do vazio”, conclui. Serviço Exposição: Entre Tempo e Coisas Artista: Rosana Paste Local: Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) – Av. Jerônimo Monteiro, 631, Centro, Vitória Curadoria: Agnaldo Farias Período: 18 de agosto a 18 de outubro de 2026 Abertura e visita mediada com o curador: 18 de agosto de 2026 Entrada gratuita