Experiência para 16 participantes apresentou seis vinhos selecionados de uma das mais prestigiadas casas vitivinícolas da Espanha A Gran Cave recebeu, nesta terça-feira (12), um jantar harmonizado dedicado aos vinhos da Vega Sicilia, uma das mais reconhecidas casas vitivinícolas da Espanha. Realizado em parceria com a Mistral, o encontro reuniu 16 participantes para uma experiência que combinou gastronomia e diferentes rótulos do grupo espanhol. Servido em etapas, o jantar contou com harmonizações elaboradas para acompanhar seis vinhos: Valbuena 5º Año 2019, Vega Sicilia Único 2012, Pintia 2019, Alión 2020, Macán Clásico 2021 e Tokaji Oremus Aszú 3 Puttonyos 2016. A seleção permitiu aos participantes conhecer diferentes estilos e características dos vinhos ligados ao grupo Vega Sicilia, tendo a gastronomia como parte da experiência de degustação. Os convidados foram recebidos pela empresária e sommelier da casa, Francielly Ramos O encontro integra a programação de experiências enogastronômicas promovidas pela Gran Cave, com grupos reduzidos, curadoria de rótulos e harmonizações desenvolvidas para cada ocasião.
Festival COFFEES chega à 4ª edição com cafés premiados, chocolate e competições em Vitória
Evento será realizado de 20 a 22 de agosto, no estacionamento do Shopping Vitória, com entrada gratuita; programação inclui degustações, workshops, Campeonato Brasileiro de Aeropress e Salão do Chocolate Artesanal Capixaba O Espírito Santo, segundo maior produtor de café do Brasil, recebe entre os dias 20 e 22 de agosto a quarta edição do Festival COFFEES. Considerado o maior evento do setor no Estado, o festival será realizado no estacionamento do Shopping Vitória, com entrada gratuita, reunindo produtores, especialistas, baristas, empreendedores e consumidores em torno dos cafés capixabas. Durante os três dias, o público poderá participar de degustações gratuitas, acompanhar experiências de torra e provas profissionais de café, conhecer diferentes métodos de preparo e participar de workshops e aulas-shows. A programação também terá competições de baristas, o Salão do Chocolate Artesanal Capixaba e espaços voltados às regiões turísticas, à agroindústria e ao artesanato do Espírito Santo. A proposta é aproximar o consumidor da diversidade e da qualidade dos cafés produzidos no Estado. “Nossa proposta é fazer com que o capixaba conheça o café de qualidade excepcional que é produzido aqui na região, com toda sua peculiaridade”, afirma Eduardo Destefani, diretor do Instituto Panela de Barro. Segundo ele, o festival pretende mostrar as diferentes opções de cafés e suas características sensoriais. O presidente do Instituto Panela de Barro, Alessandro Eller, destaca também a relação do café com a gastronomia. “O Festival COFFEES é mais do que café: é gastronomia, cultura e identidade capixaba. Como chef, vejo no café um ingrediente que vai muito além da xícara, capaz de transformar receitas e experiências à mesa”, afirma. Cafés, workshops e experiências Mais de 40 empreendedores participarão do festival, que também funcionará como plataforma de negócios para o setor. Entre os convidados estão especialistas, baristas, mestres de torra e provadores que comandarão workshops, cursos, mesas-redondas e experiências para o público. A programação terá nomes como Andrea Menocci, do Cafeística Lab; Mayonn Del Sant, da Del Sant Coffee; K.J. Yeung, classificador e provador profissional Q-Grader; Regina Machado, da Tear Cafés; Eliana Relvas, barista, Q-Grader e consultora da Abics; Lucas Eibs, da Cafeteria Porto Farrô, de Porto Alegre; e Eduardo Olímpio, tricampeão brasileiro de Latte Art. Também participam Mulheres do Canaã, Vinícola Tabocas, Família Braun, Laticínios Giacomin, Café Zanotti e ACAU. Outro destaque é o Espaço Regiões Turísticas, que dará visibilidade ao Caparaó Capixaba, às Montanhas Capixabas e à Região dos Imigrantes. Pelo segundo ano consecutivo, o festival terá o Salão do Chocolate Artesanal Capixaba, dedicado ao cacau produzido no Espírito Santo e às possibilidades de harmonização entre cafés e chocolates artesanais. Campeonato de Aeropress e Latte Art Vitória também será palco de uma etapa regional do Campeonato Brasileiro de Aeropress. A competição, realizada em mais de 70 países, reúne baristas de diferentes regiões do Brasil. Depois das seletivas em Andradas (MG), Porto Alegre (RS) e Santos (SP), a capital capixaba recebe a disputa nos dias 21 e 22 de agosto. A semifinal e a final da etapa Vitória acontecem no sábado (22). Os classificados seguem para a final nacional, em São Paulo, e o campeão brasileiro representará o país no Mundial de Aeropress, no México, em dezembro. Já no dia 20, o COFFEES e a Terrafé Cafeteria promovem o TNT Latte Art. A sigla significa Thursday Night Throwdown e identifica uma competição descontraída entre baristas. No festival, o desafio será produzir desenhos no café utilizando leite vegetal. Torra e prova profissional de café Outra experiência permitirá ao visitante acompanhar ao vivo o processo de torra do café. A atividade será realizada em parceria com a Ruralmac, e o público poderá levar para casa os grãos torrados durante a programação. Também haverá sessões de cupping, a prova profissional utilizada para avaliar cafés. Conduzidas por especialistas, as degustações guiadas vão apresentar ao público técnicas para reconhecer aromas, sabores e diferentes notas sensoriais presentes na bebida. A curadoria do Festival COFFEES é assinada pela jornalista Mariana Proença, especialista em conteúdo e estratégia no setor cafeeiro e com experiência em projetos como Revista Espresso, Guia de Cafeterias do Brasil, Semana Internacional do Café e IWCA Brasil. “É uma grande alegria acompanhar o crescimento dos cafés do Espírito Santo e o interesse do público em provar esses produtos”, destaca. Coffee Week movimenta cafeterias de Vitória e Vila Velha A programação começa antes mesmo da abertura oficial do festival. Entre 14 e 22 de agosto, Vitória e Vila Velha recebem a Coffee Week 2026, circuito que reúne cafeterias das duas cidades e apresenta diferentes métodos de preparo acompanhados de opções gastronômicas criadas para a ocasião. A experiência funciona com o Passaporte COFFEES. Ao consumir o Combo COFFEES em um dos estabelecimentos participantes, o cliente recebe um carimbo e pode continuar o circuito pelas demais cafeterias. Participam da Coffee Week o Caffè Lorenzon e a Cafeteria Colher de Pau, em Vila Velha; e Make a Coffee, Mangalô Café, Padaria Odara, Simpático Café Bistrô e Terrafé, em Vitória. Os combos custam entre R$ 25 e R$ 95 e incluem preparos em métodos como V60, Chemex e AeroPress, além de Cold Brew. Programação do Festival COFFEES Quinta-feira (20) O festival começa às 13h. Às 15h, Andrea Menocci, Mayonn Del Sant, Lucas Eibs e Eduardo Olímpio participam do bate-papo “Como iniciar na profissão de barista?”. Às 17h30, haverá palestra sobre aromas e sabores dos cafés do Espírito Santo, seguida da abertura oficial, às 18h30. Às 19h30, acontece o TNT Latte Art. Os workshops incluem harmonização de biscoitos e cafés especiais, influência da água no preparo da bebida, degustação de vinhos premiados, harmonização com cafés especiais e uma aula sobre o método AeroPress. As experiências de torra acontecem das 15h às 20h, com sessões de cupping às 16h, 18h e 19h. Sexta-feira (21) A programação começa às 13h. Entre os destaques estão as atividades “Café não é tudo igual”, com Andrea Menocci; “Café e Saúde”; um debate sobre mulheres no café; e uma apresentação de Eduardo Olímpio sobre desenhos no café com leite. Às 18h30 será exibido o documentário Terrafé – Cafés Especiais do Espírito
Gustavo Varella – “O sorriso que nunca diz não”
ou: como o brasileiro usa a cordialidade para fugir do único conflito que poderia salvá-lo O brasileiro não briga. Contorna. Não recusa. Enrola. Não discorda. Sorri, concorda, acena — e faz o que queria fazer desde o início, ou simplesmente não faz nada, que é mais frequente. Chama isso de “jeitinho”. A sociologia chama de cordialidade. O nome bonito não muda o que é: uma forma altamente refinada de fugir do conflito necessário. E conflito necessário é o que constrói democracia. Sérgio Buarque de Holanda diagnosticou o homem cordial em 1936 e o Brasil passou os noventa anos seguintes confirmando o diagnóstico sem lê-lo. Mas há algo que Buarque descreveu como traço cultural e que merece ser chamado pelo nome mais preciso: covardia institucionalizada. Não a covardia individual, que é humana e universal — mas a covardia elevada à categoria de virtude social, celebrada como flexibilidade, inteligência relacional, habilidade de navegação. O “jeitinho” não é esperteza. É a recusa de dizer não com todas as letras e assumir as consequências disso. O problema não é o sorriso. É o que ele esconde. Esconde a opinião que não foi dita na reunião e foi dita no corredor depois. Esconde o voto que contraria a conversa da mesa. Esconde a discordância que virou fofoca em vez de argumento. Esconde o “não” que se transformou em “vou ver”, que virou “tô tentando”, que sumiu sem explicação. No Brasil, evitar o conflito direto não é educação — é protocolo. E protocolo, quando universal, vira cultura. E cultura, quando não examinada, vira destino. A democracia exige o contrário disso tudo. Exige que se diga não em público. Que se sustente uma posição quando ela é impopular. Que se entre em conflito com quem tem mais poder, mais dinheiro, mais trânsito — e se sustente esse conflito até o fim, sem acordo de bastidor, sem sorriso conciliatório, sem “vamos deixar pra lá”. Exige que a discordância seja verbalizada, argumentada, defendida — não gerenciada até desaparecer. Exige, em uma palavra, confronto. E confronto é exatamente o que a cordialidade brasileira foi construída, ao longo de séculos, para evitar. Não é coincidência histórica. Um país formado sobre hierarquias rígidas — senhor e escravo, coronel e agregado, patrão e cliente — desenvolveu a cordialidade como tecnologia de sobrevivência. Discordar abertamente custava caro. O sorriso era proteção. O “jeitinho” era escudo. Faz sentido como estratégia de quem não tem poder. O problema é que a estratégia do impotente foi herdada pelo cidadão — que tem, em tese, poder — e virou reflexo, hábito, identidade. O brasileiro de 2026 sorri e contorna não porque precisa, mas porque não sabe mais fazer diferente. Porque nunca treinou o músculo do conflito direto. Porque aprendeu, desde criança, que quem briga perde e quem sorri passa. E essa é a armadilha: passar não é o mesmo que avançar. O país que não briga em público briga em privado — nas redes, nos grupos de WhatsApp, nas conversas de corredor onde tudo é dito com virulência porque não há consequência. A agressividade que não encontra canal institucional não desaparece. Ferve. E quando explode, explode sem forma, sem argumento, sem propósito — puro ressentimento acumulado de quem passou anos sorrindo quando deveria ter discordado. O Brasil não tem déficit de opinião. Tem déficit de coragem para sustentá-la onde ela importa. O sorriso que nunca diz não não é gentileza. É o rosto mais educado da rendição. * *Gustavo Varella é advogado, jornalista, professor e mestre em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV