A Apex Partners, plataforma de investimentos com forte atuação no Espírito Santo, utilizou suas redes sociais para se posicionar sobre a situação de seu portfólio de empreendimentos imobiliários. Em nota oficial, a companhia assegurou que todos os projetos em seu portfólio mantêm sua gestão financeira e operacional sob a responsabilidade das construtoras e incorporadoras parceiras. Segundo a empresa, a estrutura dos empreendimentos é organizada por meio de Sociedades de Propósito Específico (SPE), o que garante que o patrimônio de cada projeto seja segregado e vinculado exclusivamente ao seu desenvolvimento. A Apex reforçou que, apesar do momento conturbado da companhia, as obras — que incluem projetos em andamento em bairros de destaque na Grande Vitória, como na Praia da Costa, em Vila Velha, além de Jardim Camburi, na Enseada do Suá, em Vitória, e polos logísticos no município da Serra — seguem em ritmo normal de execução e algumas delas já se encontram concluídas. A empresa destacou que foi a própria organização quem identificou as “inconsistências financeiras” internamente. Como medida corretiva, a companhia informou ter afastado o então presidente, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, e que uma auditoria externa está em fase final de contratação para dimensionar os impactos, aprofundar as apurações e fornecer segurança aos clientes, investidores e parceiros. O caso: Entenda a crise e o cenário jurídico A crise na Apex Partners teve como estopim uma investigação interna que apontou graves inconsistências financeiras. A situação culminou no afastamento do fundador e então presidente, Fernando Cinelli, e do diretor financeiro, Eduardo Siqueira. Relatos apontam que o ponto de virada para a descoberta dessas irregularidades teria sido um prejuízo expressivo envolvendo investimentos em ações da CVC através de um fundo da casa. O cenário é complexo e envolve passivos preliminares que, segundo documentos apresentados ao Judiciário, giram em torno de R$ 985,6 milhões. Na esfera judicial, a empresa obteve recentemente uma proteção cautelar junto à Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, que suspende execuções contra o patrimônio de 178 empresas ligadas ao grupo, concedendo um prazo de 30 dias para um eventual pedido de recuperação judicial. Paralelamente, o ex-presidente Fernando Cinelli também acionou a Justiça para exigir acesso a documentos internos, como atas e contratos, argumentando que deseja provar que as decisões financeiras não eram tomadas de forma isolada, mas sim compartilhadas em comitês da empresa. O que fazia a Apex Partners? Para quem não é do mercado financeiro, a melhor forma de entender a Apex Partners é imaginá-la como uma grande ponte de investimentos e negócios. Fundada em Vitória (ES), a empresa funcionava essencialmente como uma central financeira voltada para conectar pessoas que têm dinheiro (investidores) a empresas, indústrias e projetos que precisam desse capital para crescer. Na prática, as atividades da empresa dividiam-se em quatro grandes frentes: Gestão de Fundos e Investimentos (Asset Management): A Apex criava e administrava fundos. Ela convencia investidores a colocarem seu dinheiro ali com a promessa de rentabilidade, aplicando esses recursos em diferentes frentes, como ações de grandes empresas ou participações em negócios promissores. Mercado Imobiliário (Real Estate): A empresa estruturava negócios do setor de construção civil. Ela desenhava operações para viabilizar a construção de prédios e empreendimentos, unindo construtoras a investidores por meio de estruturas jurídicas específicas (como as SPEs, que isolam o risco de cada obra). Banco de Investimento e Finanças Corporativas: A Apex assessorava empresas em momentos cruciais, como na compra de outras empresas, renegociação de dívidas ou na captação de recursos no mercado de capitais (emitindo títulos de crédito para financiar indústrias e o agronegócio). Planejamento Patrimonial (Advisory e Wealth Management): Prestava consultoria financeira de alta complexidade para famílias ricas, empresários e clientes de grande porte, cuidando de estratégias de câmbio, seguros, planejamento de sucessão familiar e proteção de patrimônio. Em suma, a Apex funcionava como um motor financeiro regional de grande porte – atuando muito além de um banco tradicional – estruturando desde investimentos imobiliários locais até apostas arrojadas em grandes companhias de capital aberto. O que fazia a Apex Partners? (Em termos simples) Para quem não é do mercado financeiro, a melhor forma de entender a Apex Partners é imaginá-la como uma grande ponte de investimentos e negócios. Fundada em Vitória (ES), a empresa funcionava essencialmente como uma central financeira voltada para conectar pessoas que têm dinheiro (investidores) a empresas, indústrias e projetos que precisam desse capital para crescer. Na prática, as atividades da empresa dividiam-se em quatro grandes frentes: Gestão de Fundos e Investimentos (Asset Management): A Apex criava e administrava fundos. Ela convencia investidores a colocarem seu dinheiro ali com a promessa de rentabilidade, aplicando esses recursos em diferentes frentes, como ações de grandes empresas ou participações em negócios promissores. Mercado Imobiliário (Real Estate): A empresa estruturava negócios do setor de construção civil. Ela desenhava operações para viabilizar a construção de prédios e empreendimentos, unindo construtoras a investidores por meio de estruturas jurídicas específicas (como as SPEs, que isolam o risco de cada obra). Banco de Investimento e Finanças Corporativas: A Apex assessorava empresas em momentos cruciais, como na compra de outras empresas, renegociação de dívidas ou na captação de recursos no mercado de capitais (emitindo títulos de crédito para financiar indústrias e o agronegócio). Planejamento Patrimonial (Advisory e Wealth Management): Prestava consultoria financeira de alta complexidade para famílias ricas, empresários e clientes de grande porte, cuidando de estratégias de câmbio, seguros, planejamento de sucessão familiar e proteção de patrimônio. Em suma, a Apex funcionava como um motor financeiro regional de grande porte — atuando muito além de um banco tradicional —, estruturando desde investimentos imobiliários locais até apostas arrojadas em grandes companhias de capital aberto.
Vale abre mais de 450 vagas para estágio técnico; Espírito Santo está entre os estados contemplados
Programa oferece bolsa de R$ 1,4 mil e benefícios para estudantes de cursos técnicos; inscrições seguem até 10 de setembro A Vale abriu nesta quinta-feira (13) as inscrições para o Programa de Estágio Técnico 2026, com mais de 450 vagas distribuídas pelo Espírito Santo, Maranhão, Pará, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os interessados podem se candidatar até 10 de setembro, e a previsão é que os selecionados comecem a atuar a partir de novembro. O programa é direcionado a estudantes de cursos técnicos e busca formar profissionais para áreas consideradas essenciais às operações da companhia. Durante o estágio, os participantes terão contato com atividades relacionadas à automação, digitalização, análise de dados e outras tecnologias que vêm transformando a indústria e a mineração. Podem participar candidatos com 18 anos ou mais que estejam, no mínimo, a partir do sexto mês de um curso técnico e tenham disponibilidade para estagiar por pelo menos um ano. Também é necessário residir em uma localidade onde a Vale atua e ter previsão de conclusão do curso até junho de 2028. Entre as formações aceitas estão Mecânica, Eletromecânica, Eletrotécnica, Automação Industrial, Soldagem, Mecatrônica, Metalurgia, Manutenção Industrial, Desenvolvimento de Sistemas, Mineração, Meio Ambiente, Logística, Transporte Ferroviário, Portos, Segurança do Trabalho, Redes de Computadores, Automação e TI Industrial, entre outras. “A mineração está se transformando, e as pessoas têm um papel fundamental nessa evolução. Preparar novos profissionais, conectando formação técnica, aprendizado e experiência prática, é parte importante da construção do futuro do setor e da Vale”, afirma Bruna Maffra, diretora de RH da companhia. Os selecionados receberão bolsa de R$ 1.400, além de assistência médica, seguro de vida, vale-refeição ou acesso a refeitório, vale-transporte ou transporte no local de atuação, incentivo à atividade física e cesta de Natal. O programa também oferece assistência psicológica e orientações financeira e nutricional. O processo seletivo será composto por inscrições e testes on-line, entrevistas com profissionais de Recursos Humanos e gestores, teste psicológico e etapa de admissão. A entrada dos novos estagiários está prevista a partir de novembro. Serviço Programa de Estágio Técnico Vale 2026 Inscrições: até 10 de setembro Vagas: mais de 450 em cinco estados, incluindo o Espírito Santo Bolsa: R$ 1.400 + benefícios Previsão de início: a partir de novembro Inscrições: site da Vale
Jantar reúne rótulos da vinícola espanhola Vega Sicilia na Gran Cave, em Vitória
Experiência para 16 participantes apresentou seis vinhos selecionados de uma das mais prestigiadas casas vitivinícolas da Espanha A Gran Cave recebeu, nesta terça-feira (12), um jantar harmonizado dedicado aos vinhos da Vega Sicilia, uma das mais reconhecidas casas vitivinícolas da Espanha. Realizado em parceria com a Mistral, o encontro reuniu 16 participantes para uma experiência que combinou gastronomia e diferentes rótulos do grupo espanhol. Servido em etapas, o jantar contou com harmonizações elaboradas para acompanhar seis vinhos: Valbuena 5º Año 2019, Vega Sicilia Único 2012, Pintia 2019, Alión 2020, Macán Clásico 2021 e Tokaji Oremus Aszú 3 Puttonyos 2016. A seleção permitiu aos participantes conhecer diferentes estilos e características dos vinhos ligados ao grupo Vega Sicilia, tendo a gastronomia como parte da experiência de degustação. Os convidados foram recebidos pela empresária e sommelier da casa, Francielly Ramos O encontro integra a programação de experiências enogastronômicas promovidas pela Gran Cave, com grupos reduzidos, curadoria de rótulos e harmonizações desenvolvidas para cada ocasião.
Festival COFFEES chega à 4ª edição com cafés premiados, chocolate e competições em Vitória
Evento será realizado de 20 a 22 de agosto, no estacionamento do Shopping Vitória, com entrada gratuita; programação inclui degustações, workshops, Campeonato Brasileiro de Aeropress e Salão do Chocolate Artesanal Capixaba O Espírito Santo, segundo maior produtor de café do Brasil, recebe entre os dias 20 e 22 de agosto a quarta edição do Festival COFFEES. Considerado o maior evento do setor no Estado, o festival será realizado no estacionamento do Shopping Vitória, com entrada gratuita, reunindo produtores, especialistas, baristas, empreendedores e consumidores em torno dos cafés capixabas. Durante os três dias, o público poderá participar de degustações gratuitas, acompanhar experiências de torra e provas profissionais de café, conhecer diferentes métodos de preparo e participar de workshops e aulas-shows. A programação também terá competições de baristas, o Salão do Chocolate Artesanal Capixaba e espaços voltados às regiões turísticas, à agroindústria e ao artesanato do Espírito Santo. A proposta é aproximar o consumidor da diversidade e da qualidade dos cafés produzidos no Estado. “Nossa proposta é fazer com que o capixaba conheça o café de qualidade excepcional que é produzido aqui na região, com toda sua peculiaridade”, afirma Eduardo Destefani, diretor do Instituto Panela de Barro. Segundo ele, o festival pretende mostrar as diferentes opções de cafés e suas características sensoriais. O presidente do Instituto Panela de Barro, Alessandro Eller, destaca também a relação do café com a gastronomia. “O Festival COFFEES é mais do que café: é gastronomia, cultura e identidade capixaba. Como chef, vejo no café um ingrediente que vai muito além da xícara, capaz de transformar receitas e experiências à mesa”, afirma. Cafés, workshops e experiências Mais de 40 empreendedores participarão do festival, que também funcionará como plataforma de negócios para o setor. Entre os convidados estão especialistas, baristas, mestres de torra e provadores que comandarão workshops, cursos, mesas-redondas e experiências para o público. A programação terá nomes como Andrea Menocci, do Cafeística Lab; Mayonn Del Sant, da Del Sant Coffee; K.J. Yeung, classificador e provador profissional Q-Grader; Regina Machado, da Tear Cafés; Eliana Relvas, barista, Q-Grader e consultora da Abics; Lucas Eibs, da Cafeteria Porto Farrô, de Porto Alegre; e Eduardo Olímpio, tricampeão brasileiro de Latte Art. Também participam Mulheres do Canaã, Vinícola Tabocas, Família Braun, Laticínios Giacomin, Café Zanotti e ACAU. Outro destaque é o Espaço Regiões Turísticas, que dará visibilidade ao Caparaó Capixaba, às Montanhas Capixabas e à Região dos Imigrantes. Pelo segundo ano consecutivo, o festival terá o Salão do Chocolate Artesanal Capixaba, dedicado ao cacau produzido no Espírito Santo e às possibilidades de harmonização entre cafés e chocolates artesanais. Campeonato de Aeropress e Latte Art Vitória também será palco de uma etapa regional do Campeonato Brasileiro de Aeropress. A competição, realizada em mais de 70 países, reúne baristas de diferentes regiões do Brasil. Depois das seletivas em Andradas (MG), Porto Alegre (RS) e Santos (SP), a capital capixaba recebe a disputa nos dias 21 e 22 de agosto. A semifinal e a final da etapa Vitória acontecem no sábado (22). Os classificados seguem para a final nacional, em São Paulo, e o campeão brasileiro representará o país no Mundial de Aeropress, no México, em dezembro. Já no dia 20, o COFFEES e a Terrafé Cafeteria promovem o TNT Latte Art. A sigla significa Thursday Night Throwdown e identifica uma competição descontraída entre baristas. No festival, o desafio será produzir desenhos no café utilizando leite vegetal. Torra e prova profissional de café Outra experiência permitirá ao visitante acompanhar ao vivo o processo de torra do café. A atividade será realizada em parceria com a Ruralmac, e o público poderá levar para casa os grãos torrados durante a programação. Também haverá sessões de cupping, a prova profissional utilizada para avaliar cafés. Conduzidas por especialistas, as degustações guiadas vão apresentar ao público técnicas para reconhecer aromas, sabores e diferentes notas sensoriais presentes na bebida. A curadoria do Festival COFFEES é assinada pela jornalista Mariana Proença, especialista em conteúdo e estratégia no setor cafeeiro e com experiência em projetos como Revista Espresso, Guia de Cafeterias do Brasil, Semana Internacional do Café e IWCA Brasil. “É uma grande alegria acompanhar o crescimento dos cafés do Espírito Santo e o interesse do público em provar esses produtos”, destaca. Coffee Week movimenta cafeterias de Vitória e Vila Velha A programação começa antes mesmo da abertura oficial do festival. Entre 14 e 22 de agosto, Vitória e Vila Velha recebem a Coffee Week 2026, circuito que reúne cafeterias das duas cidades e apresenta diferentes métodos de preparo acompanhados de opções gastronômicas criadas para a ocasião. A experiência funciona com o Passaporte COFFEES. Ao consumir o Combo COFFEES em um dos estabelecimentos participantes, o cliente recebe um carimbo e pode continuar o circuito pelas demais cafeterias. Participam da Coffee Week o Caffè Lorenzon e a Cafeteria Colher de Pau, em Vila Velha; e Make a Coffee, Mangalô Café, Padaria Odara, Simpático Café Bistrô e Terrafé, em Vitória. Os combos custam entre R$ 25 e R$ 95 e incluem preparos em métodos como V60, Chemex e AeroPress, além de Cold Brew. Programação do Festival COFFEES Quinta-feira (20) O festival começa às 13h. Às 15h, Andrea Menocci, Mayonn Del Sant, Lucas Eibs e Eduardo Olímpio participam do bate-papo “Como iniciar na profissão de barista?”. Às 17h30, haverá palestra sobre aromas e sabores dos cafés do Espírito Santo, seguida da abertura oficial, às 18h30. Às 19h30, acontece o TNT Latte Art. Os workshops incluem harmonização de biscoitos e cafés especiais, influência da água no preparo da bebida, degustação de vinhos premiados, harmonização com cafés especiais e uma aula sobre o método AeroPress. As experiências de torra acontecem das 15h às 20h, com sessões de cupping às 16h, 18h e 19h. Sexta-feira (21) A programação começa às 13h. Entre os destaques estão as atividades “Café não é tudo igual”, com Andrea Menocci; “Café e Saúde”; um debate sobre mulheres no café; e uma apresentação de Eduardo Olímpio sobre desenhos no café com leite. Às 18h30 será exibido o documentário Terrafé – Cafés Especiais do Espírito
Gustavo Varella – “O sorriso que nunca diz não”
ou: como o brasileiro usa a cordialidade para fugir do único conflito que poderia salvá-lo O brasileiro não briga. Contorna. Não recusa. Enrola. Não discorda. Sorri, concorda, acena — e faz o que queria fazer desde o início, ou simplesmente não faz nada, que é mais frequente. Chama isso de “jeitinho”. A sociologia chama de cordialidade. O nome bonito não muda o que é: uma forma altamente refinada de fugir do conflito necessário. E conflito necessário é o que constrói democracia. Sérgio Buarque de Holanda diagnosticou o homem cordial em 1936 e o Brasil passou os noventa anos seguintes confirmando o diagnóstico sem lê-lo. Mas há algo que Buarque descreveu como traço cultural e que merece ser chamado pelo nome mais preciso: covardia institucionalizada. Não a covardia individual, que é humana e universal — mas a covardia elevada à categoria de virtude social, celebrada como flexibilidade, inteligência relacional, habilidade de navegação. O “jeitinho” não é esperteza. É a recusa de dizer não com todas as letras e assumir as consequências disso. O problema não é o sorriso. É o que ele esconde. Esconde a opinião que não foi dita na reunião e foi dita no corredor depois. Esconde o voto que contraria a conversa da mesa. Esconde a discordância que virou fofoca em vez de argumento. Esconde o “não” que se transformou em “vou ver”, que virou “tô tentando”, que sumiu sem explicação. No Brasil, evitar o conflito direto não é educação — é protocolo. E protocolo, quando universal, vira cultura. E cultura, quando não examinada, vira destino. A democracia exige o contrário disso tudo. Exige que se diga não em público. Que se sustente uma posição quando ela é impopular. Que se entre em conflito com quem tem mais poder, mais dinheiro, mais trânsito — e se sustente esse conflito até o fim, sem acordo de bastidor, sem sorriso conciliatório, sem “vamos deixar pra lá”. Exige que a discordância seja verbalizada, argumentada, defendida — não gerenciada até desaparecer. Exige, em uma palavra, confronto. E confronto é exatamente o que a cordialidade brasileira foi construída, ao longo de séculos, para evitar. Não é coincidência histórica. Um país formado sobre hierarquias rígidas — senhor e escravo, coronel e agregado, patrão e cliente — desenvolveu a cordialidade como tecnologia de sobrevivência. Discordar abertamente custava caro. O sorriso era proteção. O “jeitinho” era escudo. Faz sentido como estratégia de quem não tem poder. O problema é que a estratégia do impotente foi herdada pelo cidadão — que tem, em tese, poder — e virou reflexo, hábito, identidade. O brasileiro de 2026 sorri e contorna não porque precisa, mas porque não sabe mais fazer diferente. Porque nunca treinou o músculo do conflito direto. Porque aprendeu, desde criança, que quem briga perde e quem sorri passa. E essa é a armadilha: passar não é o mesmo que avançar. O país que não briga em público briga em privado — nas redes, nos grupos de WhatsApp, nas conversas de corredor onde tudo é dito com virulência porque não há consequência. A agressividade que não encontra canal institucional não desaparece. Ferve. E quando explode, explode sem forma, sem argumento, sem propósito — puro ressentimento acumulado de quem passou anos sorrindo quando deveria ter discordado. O Brasil não tem déficit de opinião. Tem déficit de coragem para sustentá-la onde ela importa. O sorriso que nunca diz não não é gentileza. É o rosto mais educado da rendição. * *Gustavo Varella é advogado, jornalista, professor e mestre em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV