Com mais de 18 milhões de brasileiros vivendo com transtornos de ansiedade, o país enfrenta um cenário de agravamento da saúde mental, especialmente no ambiente de trabalho. O tema ganha destaque em abril, mês marcado pela campanha Abril Verde, que amplia o debate sobre segurança e bem-estar dos trabalhadores. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) colocam o Brasil como o país mais ansioso do mundo. Esse contexto se reflete diretamente nas relações profissionais, onde cobranças constantes, metas elevadas e insegurança financeira contribuem para o aumento de casos de estresse crônico, ansiedade e síndrome de burnout. O impacto já aparece nos números oficiais. Segundo o Ministério da Previdência Social, 546 mil pessoas foram afastadas do trabalho em 2025 por problemas relacionados à saúde mental — um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Em 2024, a ansiedade foi responsável por 166 mil afastamentos, enquanto a depressão levou ao afastamento de 126 mil trabalhadores. Para a psicanalista e neurocientista Joseana Sousa, o trabalho tem papel central na construção da identidade e do senso de pertencimento. “Muitas pessoas permanecem em contextos adoecedores por necessidade ou medo, o que gera um estado de tensão contínua. O inconsciente tenta sustentar, mas o corpo responde”, afirma. Segundo ela, o burnout é um dos principais desdobramentos desse processo e não surge de forma repentina. “Ele é, muitas vezes, o limite de um corpo que não conseguiu parar antes. O cansaço extremo, a irritação constante, dores de cabeça persistentes, mudanças no sono e a perda de sentido no trabalho são sinais de alerta”, explica. Além das pressões profissionais, a questão financeira também pesa. Levantamento da Creditas, em parceria com a Opinion Box, aponta que 66% dos trabalhadores afirmam que problemas financeiros afetam diretamente a saúde mental, ampliando o nível de estresse no dia a dia. No contexto do Abril Verde, a especialista defende uma abordagem mais ampla sobre a saúde do trabalhador. “Não basta falar de segurança física. É preciso criar ambientes emocionalmente seguros, onde as pessoas possam ser ouvidas e respeitadas”, diz. Ela também reforça a importância do autocuidado e da busca por apoio profissional. “Reconhecer o próprio limite não é fraqueza, é consciência. Cuidar da saúde mental é preservar não só a produtividade, mas a própria qualidade de vida”, conclui. A campanha Abril Verde Criada em 2014, a campanha Abril Verde tem como objetivo conscientizar sobre saúde e segurança no trabalho. Nos últimos anos, o movimento ganhou força com o aumento de denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e de ações na Justiça Trabalhista envolvendo assédio moral e sexual, discriminação e doenças ocupacionais — cuja lista foi atualizada pelo Ministério da Saúde em 2023. A iniciativa também busca envolver os próprios trabalhadores, incentivando a conscientização sobre direitos, deveres e a identificação de riscos psicossociais no ambiente profissional. O mês foi escolhido em referência ao dia 28 de abril, data reconhecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, em memória de trabalhadores mortos em um acidente ocorrido nos Estados Unidos, em 1969.
Empresa do ES é destaque nacional em gestão de planos de saúde
Reconhecimento destaca excelência de administradora de benefícios capixaba e a força do estado no setor de saúde suplementar A QualiSaúde, administradora de benefícios 100% capixaba, acaba de conquistar um marco histórico em sua trajetória: o prêmio de melhor Administradora de Benefícios do Grupo Athena Saúde, um dos maiores players de saúde verticalizada do Brasil. O reconhecimento, concedido em premiação nacional, posiciona a empresa como referência de excelência nos mercados onde o grupo atua, abrangendo as regiões Sul, Sudeste e Nordeste do país. Fundada no Espírito Santo, a QualiSaúde é uma administradora de benefícios especializada em gestão de planos de saúde, com foco em eficiência operacional, inovação tecnológica e atendimento humanizado. Com sede em Vitória, a companhia atende mais de 40 mil vidas em todo o Brasil, oferecendo planos coletivo empresarial e coletivo por adesão. Presente em grande parte do país, a empresa se destaca pelo compromisso com a satisfação do cliente, consolidando-se como um pilar do setor de saúde suplementar no Espírito Santo e expandindo sua cultura de gestão para outras praças. “Nossa missão é dar acesso a planos de saúde com excelente custo-benefício, tanto no Espírito Santo quanto em outros estados do Brasil, oferecendo opções acessíveis e de qualidade”, destaca Flávio Cirilo, CEO da QualiSaúde. A Athena Saúde, grupo ao qual a QualiSaúde está integrada, é uma das maiores empresas de saúde verticalizada do país, com operações que englobam operadoras de planos, hospitais, clínicas e serviços de gestão. Presente nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, o grupo atende milhões de vidas e investe em expansão e inovação para ampliar o acesso à saúde de qualidade. Para Flávio Cirilo, a premiação reforça a sinergia entre as empresas, com a QualiSaúde como peça-chave na administração eficiente de benefícios. “Esse prêmio é o resultado do trabalho incansável de toda a nossa equipe, que entendeu o propósito da Quali. Ser reconhecido como o melhor administrador de benefícios do Grupo Athena Saúde nos enche de orgulho e valida nossa estratégia de inovação e proximidade com o cliente”, afirma. A conquista não só eleva o patamar da empresa, mas também projeta o Espírito Santo como referência nacional no setor de saúde suplementar. O estado, com vocação para inovação e gestão eficiente, ganha visibilidade ao demonstrar a força de empresas locais que competem em igualdade com grandes grupos nacionais. Com taxa de cobertura de planos de saúde em torno de 33% (quarta maior do Brasil) e um mercado estimado em 1,3 milhão de beneficiários, o Espírito Santo disputa espaço com centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. “A conquista reflete o DNA capixaba de resiliência e excelência. Ela fortalece nossa presença nacional e inspira o Espírito Santo a liderar o debate sobre saúde suplementar, mostrando que qualidade e eficiência podem vir de qualquer canto do Brasil”, completa Cirilo. SAIBA MAIS A QualiSaúde é uma administradora de benefícios capixaba focada em planos de saúde para entidades de classe e órgãos públicos, com atuação em 21 estados. Destaca-se pela agilidade, tecnologia e preços acessíveis, oferecendo gestão eficiente e suporte completo aos beneficiários. Em 2024, cresceu 200% no número de vidas atendidas e investiu em equipe e inovação para ampliar sua presença nacional. Em 2025, foi reconhecida com o selo RA1000 de qualidade no atendimento e conquistou a terceira posição nacional na categoria Planos de Saúde e Assistência Médica, sendo a única capixaba entre as primeiras colocadas na 15ª edição da premiação.
Startups capixabas revelam caminhos para alcançar o mercado internacional
Estudo de mercado, projeções financeiras, estratégia clara de crescimento e modelos escaláveis estão entre os principais requisitos para que startups estejam mais preparadas para crescer e atrair investimentos. Esse é o cenário apontado por empresas capixabas que começam a ganhar espaço em mercados internacionais e indicam um caminho mais estruturado para novos empreendedores. A nova geração de startups do Espírito Santo já não se apoia apenas no potencial, mas apresenta resultados concretos. Empresas locais têm avançado para mercados globais ao focar na resolução de problemas reais, execução disciplinada e construção de modelos de negócio sustentáveis desde o início. A iTrois Tecnologia e Inovação é um exemplo desse movimento. A empresa desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT) e já atua em hubs internacionais como Dubai e Bruxelas. Entre os produtos criados estão o Sommie, um sommelier virtual, e o Barist.AI, voltado para a experiência em cafeterias e restaurantes, com foco em demandas específicas do mercado. Segundo o CEO, Pablo Oliveira (foto), o crescimento da empresa está diretamente ligado à capacidade de transformar tecnologia em aplicação prática. “Enquanto o hype pode gerar visibilidade momentânea, é a capacidade de entregar soluções robustas e gerar valor real que sustenta o crescimento a longo prazo”, afirma. A trajetória da startup também envolveu desafios, como a validação de tecnologias complexas em setores tradicionais, a exemplo dos mercados de vinhos e cafés especiais. “Ganhar a confiança de produtores, restaurantes e baristas exige demonstrar valor claro e retorno sobre o investimento”, explica. A gestora de startups do Sebrae/ES, Isabella Calmon (foto), destaca que o mercado entrou em uma fase de maior maturidade, na qual investidores valorizam menos promessas e mais resultados. Atualmente, o Sebrae/ES reúne 594 negócios inovadores capixabas cadastrados na plataforma Sebrae Startups, evidenciando o crescimento do ecossistema local. Para empreendedores que desejam atrair investimentos, Pablo Oliveira aponta alguns fatores essenciais: resolver problemas reais, construir uma base tecnológica sólida e desenvolver parcerias estratégicas desde o início. “A tecnologia é um meio, não um fim. O sucesso vem da capacidade de resolver uma dor real do mercado e construir soluções que possam ser escaladas e adaptadas a diferentes contextos”, afirma. Postura estratégica No caso da iTrois, o crescimento foi sustentado por decisões estratégicas, como o foco em nichos específicos, o desenvolvimento de soluções aplicadas e a participação em programas de aceleração e eventos internacionais, que ampliaram a visibilidade da empresa e abriram portas para novos mercados. Dados do relatório Venture Pulse, da KPMG, mostram que o volume de investimentos de venture capital caiu até o final de 2023, com recuperação parcial em 2024 concentrada em empresas com fundamentos mais sólidos. Esse movimento impactou diretamente o perfil das startups que recebem atenção do mercado. No Espírito Santo, empreendedores passaram a adotar uma postura mais estratégica, priorizando consistência e validação. Pesquisas realizadas com investidores convidados para o ESX – Innovation Experience Espírito Santo indicam que fatores como potencial de mercado, qualidade do time fundador, tração do negócio e capacidade de crescimento estão entre os principais critérios de investimento. “Isso mostra que não basta ter uma boa ideia. É preciso demonstrar que existe demanda real, que a solução foi validada e que há um modelo de negócio capaz de crescer”, explica Isabella. Na prática, startups precisam chegar mais preparadas ao mercado. Estudo de mercado, projeções financeiras, estratégia clara de crescimento e modelos escaláveis — muitas vezes baseados em receita recorrente — tornaram-se requisitos básicos. “No Brasil, 39% das startups operam no modelo SaaS (software por assinatura) e metade atua no modelo B2B, vendendo soluções para outras empresas. Esses formatos reforçam a previsibilidade de receita e a escalabilidade”, detalha. Ecossistema favorável Outro exemplo é a Takeat, criada para levar tecnologia ao setor de restaurantes e que hoje se destaca no segmento de foodservice. O fundador e CEO, Miguel Carvalho, afirma que o crescimento da empresa foi impulsionado pelo ambiente de inovação do estado, que reúne editais, hubs e programas de incentivo. A conquista de uma rodada Série A — etapa de investimento em startups que já iniciaram a escalada — com um dos fundos mais bem-sucedidos do país reflete a evolução desse ecossistema. Segundo Carvalho, o crescimento foi baseado em consistência e geração de valor. “Crescimento a qualquer custo nunca fez sentido. É preciso gerar valor para o cliente e, do ponto de vista financeiro, fechar a conta”, afirma. A Takeat estruturou sua evolução em três pilares: proximidade com o cliente, disciplina na gestão e execução consistente da estratégia. A empresa desenvolveu soluções a partir da vivência no dia a dia dos restaurantes, mantendo contato direto com as operações. “Tecnologia é o que vai permitir resolver a dor que você se propõe, e mercado é você de fato resolver essa dor. Os dois precisam andar juntos”, diz. A trajetória também exigiu resiliência diante de desafios como a validação do modelo de negócio, dificuldades no go-to-market e os impactos da pandemia. Ainda assim, a startup manteve foco em eficiência e sustentabilidade financeira. “Não há segredo. É execução inteligente, com estratégia clara e bem definida e fundadores obsessivos”, resume. Para empreendedores, o CEO reforça a importância de entender profundamente o cliente. “Se preocupe menos com sua tecnologia e mais com a dor que busca resolver. É preciso ter uma obsessão pelo cliente”, orienta. Mercado mais seletivo O avanço de startups como iTrois e Takeat reflete uma mudança mais ampla no ecossistema de inovação, que passou a exigir maior preparo, consistência e capacidade de execução. A analista de investimentos da Quartzo Capital, Bruna Dartora, explica que o mercado passou por uma correção após um período de alta liquidez. “Hoje os fundos olham com mais atenção para a geração de valor real, eficiência operacional e capacidade de crescimento sustentável”. Segundo ela, a avaliação de uma startup considera pilares como qualidade da equipe fundadora, tamanho do mercado, viabilidade do modelo de negócio, estágio do produto, diferenciação competitiva e potencial de escala. Nesse cenário, demonstrar maturidade se tornou decisivo. “Indicadores como receita recorrente, crescimento consistente da base de clientes e eficiência na
Inspeção identifica lançamento irregular de efluentes na Curva da Jurema e na Guarderia
Em inspeção para apurar a responsabilidade por indícios de contaminação nas praias da Guarderia e da Curva da Jurema, em Vitória, o Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo emitiu, nesta quarta-feira (8), determinações às Secretarias Municipais de Meio Ambiente e de Obras. A decisão é monocrática do relator, conselheiro Carlos Ranna, e foi publicada no Diário de Contas. A fiscalização identificou duas possíveis irregularidades: o lançamento irregular de efluentes no sistema de drenagem de águas pluviais e falhas na atuação fiscalizatória dos órgãos municipais envolvidos. No mês de fevereiro, auditores do Núcleo de Controle Externo de Meio Ambiente, Saneamento e Mudanças Climáticas realizaram visita técnica ao canteiro de obras da Estação de Bombeamento de Águas Pluviais, na Praça dos Namorados. A equipe analisou o projeto da estação elevatória, vistoriou as intervenções em andamento e acompanhou a etapa de rebaixamento do lençol freático. Durante a inspeção, também foram verificados, in loco, os pontos de saída de água pluvial por onde ocorre o escoamento do efluente proveniente do rebaixamento do lençol freático e da estação elevatória que será substituída após a conclusão das obras. Após a visita, foram solicitados documentos complementares para subsidiar a análise técnica e a decisão do relator. Na decisão desta quarta-feira, o relator determinou à Secretaria Municipal de Meio Ambiente que, em episódios de possível contaminação de recursos hídricos, realize de forma tempestiva a coleta e análise do material, com o objetivo de identificar as origens e eventuais responsabilidades. Já à Secretaria Municipal de Obras foi determinado o controle rigoroso dos efluentes gerados pelo sistema de rebaixamento do lençol freático nas obras da estação, com a exigência de instalação de caixa de decantação ou solução técnica equivalente, para evitar o lançamento de resíduos na rede de drenagem pluvial do município. O Tribunal também determinou que a pasta fiscalize o cumprimento das condicionantes ambientais do contrato e exija do consórcio responsável documentação emitida pela Agência Estadual de Recursos Hídricos, como Portaria de Outorga, Declaração de Uso ou Certidão de Uso Insignificante, relacionada à captação de água nas obras. Ligação à rede de esgoto O relator determinou ainda que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente fiscalize e notifique imóveis em situação irregular nos bairros Praia do Canto, Enseada do Suá e Santa Helena, para que sejam conectados à rede de esgoto onde houver disponibilidade. O prazo estabelecido é de 180 dias. Após esse período, caso ainda existam imóveis sem ligação, a Companhia Espírito-santense de Saneamento deverá realizar a conexão ao sistema, com cobrança ao usuário, conforme previsto no Marco Legal do Saneamento. Os responsáveis pelas secretarias municipais e pelo consórcio executor da obra foram citados para apresentar justificativas e documentos no prazo de 30 dias, em relação aos achados da fiscalização. Obra e monitoramento Na visita técnica realizada em fevereiro, participaram representantes das secretarias municipais, da companhia de saneamento e das empresas envolvidas na execução e no gerenciamento da obra. De acordo com a equipe municipal, a intervenção integra um projeto para ampliar a capacidade das estações de bombeamento e reduzir alagamentos na região, diante do desgaste e da limitação operacional de equipamentos existentes. As estações atuam no controle do nível das águas das chuvas nas galerias de macrodrenagem e evitam a entrada de maré alta no sistema, o que pode causar alagamentos mesmo em períodos sem chuva. O projeto inclui ainda a construção e implantação de um centro de comando de operações, que permitirá o monitoramento integrado de todas as estações do município. Segundo os técnicos municipais, o lançamento de efluentes é monitorado e ocorre em conformidade com as diretrizes técnicas e ambientais do projeto, que possui os licenciamentos necessários. A previsão de conclusão das obras é junho de 2026.
TCE-ES identifica avanços e propõe melhorias para rede de atendimento a pessoas com deficiência
O Espírito Santo tem avançado na ampliação do acesso a serviços especializados de reabilitação voltados a pessoas com deficiência intelectual e transtorno do espectro autista (TEA), por meio do SERDIA — política estadual criada para descentralizar e qualificar esse tipo de atendimento dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). A constatação é resultado de um processo conduzido pelo Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES), que realizou auditoria e avaliação da Política Estadual de Cofinanciamento dos Serviços Especializados em Reabilitação para Pessoas com Deficiência Intelectual e TEA. Apesar dos avanços identificados, o Tribunal também apontou a necessidade de ajustes para superar entraves financeiros, operacionais e de integração entre áreas, de modo a fortalecer a política e consolidá-la como referência na garantia de direitos e no cuidado à saúde dessa população. Em um cenário em que pessoas com deficiência intelectual e autismo ainda enfrentam dificuldades para acessar serviços especializados — principalmente devido à escassez de centros de referência e de profissionais qualificados — a análise do TCE-ES reconheceu conquistas iniciais do SERDIA, coordenado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), mas também destacou desafios que impactam sua efetividade. A partir disso, foram encaminhadas recomendações práticas e multidisciplinares para aprimorar a política. Para a realização da fiscalização, foram coletadas informações junto às Secretarias Municipais de Saúde dos 78 municípios capixabas e à Secretaria de Estado da Saúde. Também foram realizadas visitas presenciais em nove municípios com unidades do SERDIA: Rio Bananal, Linhares, Jaguaré, Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante, Ibiraçu, Anchieta e Piúma. O processo foi julgado pelo Plenário do TCE-ES em fevereiro, conforme voto do relator, conselheiro Sérgio Aboudib, que acompanhou o entendimento da área técnica. Cenário Dados do IBGE de 2022 indicam que cerca de 1,4% da população capixaba apresenta limitações nas funções mentais, enquanto 1,3% possui diagnóstico de TEA — o que representa aproximadamente 50 mil pessoas. Já dados do Censo Escolar (Inep) mostram crescimento de 38,6% nas matrículas de estudantes com autismo na educação especial entre 2023 e 2024, totalizando 26.224 alunos. De acordo com relatório técnico do Tribunal, entre a criação da política, em 2022, e setembro de 2025, 37 dos 78 municípios capixabas aderiram ao programa, enquanto outros sete estavam em fase de formalização — cenário que indica estágio inicial de implementação, mas com potencial de expansão. Um dos pilares da política é o modelo de cofinanciamento estadual. Nos municípios habilitados, o Estado responde por 60% do custeio das ações, enquanto as prefeituras ficam com 40%. A porta de entrada para o SERDIA é a Unidade Básica de Saúde (UBS). Os repasses estaduais variam conforme o tipo de serviço (Tipo I, II ou III), definido de acordo com o porte populacional do município. O atendimento é multiprofissional e interdisciplinar, com foco na elaboração e acompanhamento de Projetos Terapêuticos Singulares (PTS), envolvendo médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais. Resultados Entre os pontos positivos, o TCE-ES destacou o modelo de cofinanciamento voluntário com contrapartida municipal, que incentiva a adesão das prefeituras e promove a corresponsabilização. Por outro lado, a auditoria identificou que a distribuição dos recursos e os valores repassados ainda não estão compatíveis com os custos reais dos serviços. “O Estado visa cofinanciar apenas as despesas com a equipe técnica, sem participação nos custos de implantação (estrutura física, equipamentos e capacitação) e de manutenção, o que pode dificultar novas adesões e comprometer a sustentabilidade dos serviços, sobretudo em municípios com menor capacidade de arrecadação”, aponta o relatório. Diante desse cenário, o Tribunal concluiu ser necessário ampliar a disponibilidade de recursos estaduais, reequilibrando o modelo de financiamento e reduzindo a sobrecarga dos municípios. Na decisão, foi recomendado que o governo estadual, no prazo de seis meses, atualize os valores do SERDIA com base nos custos reais dos serviços, revise a proporção de cofinanciamento com maior participação do Estado e institua repasses específicos para implantação, manutenção das unidades e capacitação contínua das equipes. Integração Outro aspecto positivo apontado foi a integração do SERDIA com a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, facilitando ações como o matriciamento em unidades de saúde e escolas. Além disso, a maioria dos serviços cumpre metas como a elaboração de Projetos Terapêuticos Singulares para todos os pacientes, evidenciando compromisso com o cuidado individualizado. Desafios no monitoramento O relatório também identificou fragilidades que podem comprometer a efetividade da política. Entre elas, estão falhas no fluxo de usuários — com acesso direto aos serviços especializados sem passar pela Atenção Primária — e baixa taxa de alta dos pacientes, o que impacta a rotatividade e amplia filas de espera. Também foi constatado que o monitoramento e a avaliação da política ainda são insuficientes, com ausência de coleta sistemática de indicadores quantitativos e qualitativos em todas as unidades. Entre os pontos críticos estão o acompanhamento de neonatos de risco, a qualificação das equipes e o tempo de resposta no atendimento. Segundo o TCE-ES, a recente implantação da política ainda impede a formação de séries históricas consistentes que permitam avaliar a evolução do tempo de diagnóstico e início do tratamento. Mesmo assim, os dados disponíveis indicam que 72% dos usuários aguardaram até três meses entre a solicitação e o início do atendimento, sendo que 46% começaram o tratamento em menos de um mês. Em seu voto, o relator Sérgio Aboudib destacou o papel estratégico do SERDIA na promoção de direitos fundamentais e no acesso a cuidados especializados para pessoas com deficiência intelectual e TEA. “É indispensável reconhecer os inúmeros desafios impostos às famílias, como filas extensas, insuficiência de serviços qualificados, falta de profissionais capacitados, sobrecarga dos cuidadores, barreiras de acessibilidade e desigualdades socioeconômicas que dificultam o acesso integral”, afirmou. “Esses elementos reforçam a urgência de políticas públicas estruturadas, com governança clara, responsabilidade dos gestores, financiamento adequado e monitoramento contínuo”, concluiu. Com base no diagnóstico, o Tribunal propôs um conjunto de recomendações voltadas ao fortalecimento do SERDIA, com foco em maior equidade no acesso, sustentabilidade financeira e integração entre setores. As medidas envolvem aprimoramentos normativos, operacionais e de gestão, visando
Roberto Carlos celebra aniversário com show especial no dia 19 em Cachoeiro
Um dos artistas mais longevos e influentes da música mundial, Roberto Carlos volta às origens para celebrar mais um ano de vida e carreira com o público que acompanhou seus primeiros passos. No dia 19 de abril, data em que completa aniversário, o cantor se apresenta em sua cidade natal, Cachoeiro de Itapemirim, em um show especial no Parque de Exposição Carlos Caiado Barbosa. O reencontro com o Espírito Santo marca não apenas uma celebração pessoal, mas também a reafirmação de uma trajetória que atravessa gerações. Com mais de 70 álbuns lançados no Brasil e carreira consolidada internacionalmente, Roberto Carlos mantém uma relação única com o público, construída ao longo de décadas de sucessos em português, espanhol e outros idiomas. A apresentação integra a agenda de shows de 2026, após uma turnê pelo México. O espetáculo faz parte da turnê “Eu Ofereço Flores”, mesmo nome do EP lançado em 2024, e traz no repertório clássicos que marcaram a música brasileira, além de canções mais recentes. Entre elas, sucessos que atravessam gerações como “Detalhes”, “Como é grande o meu amor por você”, “Emoções”, “Outra vez”, “Nossa Senhora” e “Amigo”, canções que ajudaram a consolidar seu nome como um dos maiores intérpretes da música romântica no mundo. Em 2025, o artista passou por países como Equador, Colômbia e Peru, além de protagonizar o projeto “Além do Horizonte” a bordo do transatlântico Costa Pacífica, reforçando sua presença global. Ao longo da carreira, Roberto Carlos construiu um estilo próprio ao equilibrar sofisticação musical e comunicação direta com o público. Seja nas baladas românticas que atravessam décadas ou nas apresentações grandiosas, o artista mantém uma capacidade rara de renovação sem romper com sua essência. Não por acaso, segue entre os nomes de maior alcance da música latino-americana, com milhões de discos vendidos e presença constante nos rankings internacionais. Raízes que moldaram um ícone Nascido em Cachoeiro de Itapemirim em 1941, Roberto Carlos iniciou sua trajetória ainda na infância, apresentando-se em rádios locais. A mudança para o Rio de Janeiro e a convivência com nomes como Erasmo Carlos e Tim Maia ajudaram a moldar o artista que, nos anos 1960, se tornaria protagonista da Jovem Guarda. O movimento revolucionou a música e o comportamento no país, consolidando Roberto Carlos como um fenômeno popular. A partir daí, vieram os grandes clássicos, a projeção internacional e uma sequência de conquistas que o colocaram entre os maiores nomes da música mundial. Consagração que atravessa décadas Com mais de 150 milhões de cópias vendidas, centenas de discos de ouro e prêmios como Grammy Latino e homenagens internacionais, Roberto Carlos construiu uma carreira marcada por recordes e reconhecimento. Nos últimos anos, manteve uma média de cerca de 45 shows anuais, sempre com grande público. O show de aniversário em Cachoeiro carrega um simbolismo especial. É o retorno ao ponto de partida de uma história que ganhou o mundo, mas que nunca perdeu a conexão com sua origem. SERVIÇO Show de aniversário de Roberto Carlos 📍 Parque de Exposição Carlos Caiado Barbosa Av. Francisco Mardegan, nº 203 – Bairro Aeroporto – Cachoeiro de Itapemirim (ES) 📅 19 de abril (domingo) 🕗 Show às 20h 🕕 Abertura dos portões: 18h Vendas Abertura: 09 de março, ao meio-dia Online: Eventim Bilheteria oficial: Oriento Jóias – Perim Center Av. Jones dos Santos Neves, 1372 – Caiçara Horário da bilheteria Segunda a sábado, das 10h às 20h Classificação 18 anos (menores apenas acompanhados dos pais ou responsáveis) Estacionamento Pago no local Valores dos ingressos Setor Azul Central Inteira: R$ 900,00 | Meia: R$ 450,00 Setor Azul Lateral Inteira: R$ 760,00 | Meia: R$ 380,00 | PCD: R$ 380,00 Setor Amarelo Central Inteira: R$ 620,00 | Meia: R$ 310,00 Setor Amarelo Lateral Inteira: R$ 540,00 | Meia: R$ 270,00 | PCD: R$ 270,00 Setor Branco Inteira: R$ 360,00 | Meia: R$ 180,00 | PCD: R$ 180,00 Arquibancada Central Inteira: R$ 170,00 | Meia: R$ 85,00 Arquibancada Lateral Inteira: R$ 170,00 | Meia: R$ 85,00 Formas de pagamento Online: PIX, débito ou crédito (até 2x sem juros ou até 10x com juros) Bilheteria: dinheiro e cartões (até 2x sem juros)
Lutador capixaba Esquiva Falcão disputa cinturão do boxe no Canadá em junho
O lutador capixaba Esquiva Falcão vai disputar o título norte-americano de boxe em uma luta no Canadá, no dia 11 de junho. Ele vai enfrentar o canadense Wilkens Mathieu na categoria Super Médio, com peso de até 76kg. Medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, Falcão é um dos maiores nomes do boxe brasileiro da atualidade e vai em busca de mais uma vitória. O adversário de Falcão no Canadá tem 21 anos. O jovem atleta disputou 15 lutas na carreira, tendo vencido todas. Já o experiente lutador capixaba vai subir ao ringue pela 35ª vez. Desde 2014, Falcão acumula 32 vitórias e apenas duas derrotas. Dessa vez, ele tem como objetivo trazer o cinturão mundial para o Brasil. “Agora eu tenho a minha própria academia, então isso me deixa mais feliz ainda. Estou treinando, me preparando na minha academia. Eu estou em casa. Essa é uma grande oportunidade para mim. Aos 36 anos, acredito que eu tenha capacidade de buscar esse cinturão para o boxe capixaba”, afirma Esquiva Falcão. O confronto contra o canadense será no dia 11 de junho, no Capitole de Québec, histórico teatro do Canadá. A luta é realizada pela Federação Norte-Americana de Boxe Super Médio.
Ricardo e Arnaldinho se reúnem no Palácio para tratar de investimentos em Vila Velha
O governador Ricardo Ferraço (MDB) e o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), se reuniram nesta terça-feira (7), no Palácio Anchieta, em uma agenda de trabalho voltada à discussão de investimentos no município. De acordo com as informações divulgadas, o encontro teve como foco obras e ações do Governo do Estado em Vila Velha, com volume estimado em cerca de R$ 1,6 bilhão. A reunião foi registrada em publicação conjunta nas redes sociais dos dois gestores, na qual destacaram o caráter institucional da agenda. “Diálogo e manutenção das boas parcerias com o município para avançar e continuar melhorando o dia a dia e a qualidade de vida das pessoas”, diz o texto publicado. O encontro marca a primeira agenda oficial entre os dois gestores após a mudança recente no comando do Executivo estadual. Segundo interlocutores, não houve abordagem de temas políticos ou eleitorais durante a reunião, que se concentrou exclusivamente em pautas administrativas e na execução de projetos no município. O encontro ocorre em um contexto político marcado por recentes tensões. Durante o período do Carnaval de Vitória, Arnaldinho havia sinalizado uma aproximação com o prefeito da capital, Lorenzo Pazolini (Republicanos), pré-candidato ao Governo estadual e adversário político do grupo que comanda atualmente o Palácio Anchieta.
Findes promove rodada de negócios para conectar fornecedores capixabas às suas demandas
Empresas poderão apresentar produtos e serviços diretamente à Federação das Indústrias A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) está em busca de novos fornecedores capixabas. No dia 29 de abril, a partir das 13h30, será realizada uma Rodada de Negócios na sede da entidade, reunindo empresas interessadas em oferecer produtos e serviços para atender demandas da própria Federação e de instituições que integram o sistema, como SESI, SENAI e IEL. As inscrições foram prorrogadas até o dia 15 de abril. Empresas associadas a sindicatos patronais filiados à Findes ou ao Cindes terão 50% de desconto. “Queremos ampliar nosso banco de fornecedores priorizando as empresas capixabas. A Rodada de Negócios facilita o acesso direto à Findes e permite que o empresário local apresente seus serviços de forma eficiente, gerando negócios dentro do próprio Espírito Santo”, afirmou o presidente da Findes, Paulo Baraona. A iniciativa integra o Programa + Negócios e abre espaço para networking e futuras negociações. O encontro contará com apresentação institucional da Findes, incluindo detalhamento das principais demandas de compra e critérios de seleção. Em seguida, as empresas participantes terão até 10 minutos para apresentar suas soluções em reuniões individuais com as equipes técnicas. As inscrições podem ser feitas pelo link: https://findes.online/rodadadenegociosfindes O que a Findes está buscando: • Metalmecânica e insumos industriais: aços (portas e ferramentas), chapas, tubos, peças fundidas, abrasivos, ferramentas, bombas mecânicas e serviços metalmecânicos/elétricos. • Manutenção, engenharia e facilities: construção civil, reformas, manutenção predial e de máquinas, serviços de refrigeração, marcenaria, limpeza e segurança (patrimonial e eletrônica). • Tecnologia e informática: computação em nuvem (SaaS), redes sem fio, informática e fabricação de peças por impressão 3D. • Embalagens e logística: caixas (papelão e madeira), bobinas plásticas, sacolas, válvulas/sprays, transporte, translado e locação de geradores ou imóveis. • Comunicação, marketing e eventos: marketing digital, divulgação, serviços gráficos, comunicação visual, sinalização, brindes e buffet (alimentos e bebidas). • Suprimentos e materiais diversos: móveis, materiais de escritório, uniformes profissionais, EPIs, produtos plásticos e corretores de pH para tratamento de água.
Livro de autor francês defende o papel da psicanálise no tratamento do autismo
“Escutem os Autistas!”, de Jean-Claude Maleval, que terá lançamento em Vitória (ES) nesta quinta-feira (09), é o 10º livro da Associação PIPA (e rabiola) voltado para a pesquisa sobre o tema do autismo Uma defesa do papel da psicanálise no conjunto das possibilidades de tratamento do autismo: esta é a ideia apresentada pelo autor francês Jean-Claude Maleval no livro “Escutem os Autistas!”, que terá lançamento em Vitória (ES), no dia 09 de abril, às 19h, na Clínica Via Régia. Este é o 10º título publicado no Brasil pela Associação PIPA (e rabiola), entidade sem fins lucrativos, com sede em Vitória, que se dedica a pesquisar o tema do autismo e a formar profissionais interessados na clínica com os autistas e no acolhimento aos seus pais e cuidadores. Com distribuição da Editora Cândida, a obra integra a COLEÇÃO PIPA TRADUZ e demonstra a capilaridade do trabalho desenvolvido pelo PIPA (e rabiola) em nível nacional. Além de Vitória, o PIPA possui núcleos no Rio de Janeiro (RJ), Teresópolis (RJ), Campina Grande (PB), São Paulo (SP) e Teixeira de Freitas (BA), com a participação de cerca de 40 pesquisadores e estudantes ligados institucionalmente à investigação do autismo, com base nas diretrizes da Orientação Lacaniana da Associação Mundial de Psicanálise (AMP). Ideia central Nos livros anteriores da coleção, lançados entre 2017 e 2025, o PIPA (e rabiola) dá voz aos pais de crianças autistas, aos alunos e aos professores. Por sua vez, “Escutem os Autistas!” traz o olhar de um acadêmico respeitado internacionalmente em reação ao que ele considera como um processo de “deslegitimação” do uso da psicanálise para o tratamento do autismo por parte de órgãos públicos em diferentes países. Na França, a Autoridade Superior de Saúde (HAS) desaconselhou a clínica psicanalítica para este fim, suscitando protestos de profissionais e de instituições orientadas pelo discurso analítico em todo o mundo, a exemplo da Federação Latino-Americana de Psicanálise de Orientação Lacaniana (Fapol), que publicou uma nota oficial exigindo “respeito ao autista”. Em contrapartida a esta tendência, Jean-Claude Maleval inicia o livro afirmando que os “autistas são sujeitos que precisam ser levados a sério”. Na visão do escritor, que é psicanalista, membro da École de la Cause Freudienne, em Paris, e da Associação Mundial de Psicanálise, a clínica psicanalítica pode contribuir de forma eficaz para o tratamento do autismo por se basear na escuta do próprio autista, ainda que muitos não falem. “Pensar em proibir legalmente a escuta de um grupo humano revela uma das mais inquietantes ideologias subjacentes”, critica. Método ABA Catedrático de Psicopatologia da Universidade de Rennes, na França, e autor de vasta obra teórico-clínica sobre o autismo, publicada em livros e revistas especializadas, Maleval coloca-se em posição contrária à abordagem do método ABA (Análise do Comportamento Aplicada). A terapia é amplamente utilizada no tratamento do autismo em crianças e se tornou a principal prescrição dos neuropediatras na França e também no Brasil. Para o autor, o método desconsidera a personalidade da criança autista ao recomendar intervenções intensivas, variando de 25 a até 60 horas semanais, baseadas em aplicação de protocolos e procedimentos que se apresentam como clínicos, mas que operam pela via da padronização de comportamentos. “No essencial, pede-se que a criança obedeça. Assim, corre-se o risco de uma aprendizagem da submissão que obstaculiza o acesso à independência. Os resultados obtidos mediante o ABA são, assim como o método, desumanizados”, observa. Linha de Cuidado No anexo do livro, as psicanalistas Renata Wirthmann, Inês Catão e Bartyra Ribeiro de Castro apontam o que consideram como retrocessos incluídos na nova Linha de Cuidado para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), publicada em setembro de 2025, pelo Ministério da Saúde. O documento exclui a psicanálise das possibilidades de tratamento do autismo e propõe a testagem sistemática de todas as crianças até os quatro anos. Na visão das profissionais, a proposta de intervenção antes mesmo do diagnóstico formal pode intensificar processos de medicalização precoce e judicialização do cuidado, especialmente quando não se dispõe de uma clínica sólida, formação especializada e tempo de escuta. “Já vivemos, no Brasil, um aumento exponencial de diagnósticos, muitos deles equivocados, impulsionados por triagens em massa e por uma lógica de acesso a direitos mediada pelo laudo. O efeito paradoxal é a sobrecarga da rede e a exclusão daqueles que realmente necessitam de acompanhamento contínuo, singularizado e de longo prazo”, alegam. Diante de tantos desafios, a presidente da Associação PIPA (e rabiola), Bartyra Ribeiro de Castro, responsável pela tradução de “Escutem os Autistas!”, destaca a contribuição da obra para a orientação do debate público sobre o tratamento do autismo sem considerar a existência de um modelo de terapia único que se sobreponha aos demais. “O livro oferece subsídios preciosos, tanto para o trabalho clínico com autistas de qualquer idade, quanto para a orientação de familiares, para a formação de profissionais da saúde e da educação e, sobretudo, para aqueles que decidiram sustentar uma clínica do autismo orientada pelo discurso psicanalítico”, afirma Bartyra. • PROGRAME-SE: Lançamento do livro “Escutem os Autistas!”, de Jean-Claude Maleval Data: 09 de abril (quinta-feira) Horário: 19h Local: Clínica Via Régia – Rua Engenheiro Fábio Ruschi, 176, Bento Ferreira, Vitória – ES, CEP: 29.050-670 Editora: Cândida Páginas: 77 COLEÇÃO PIPA TRADUZ Idealização e realização: Associação PIPA (e rabiola) Preço: R$ 80,00 Onde adquirir: Pré-venda pelo site https://pipaerabiola.com.br e no dia do lançamento • SOBRE A ASSOCIAÇÃO PIPA (e rabiola): A Associação PIPA (e rabiola) é uma organização da sociedade civil, sem finalidades lucrativas, que tem como principais objetivos investigar e ensinar sobre os autismos, estabelecer relações e manter o intercâmbio de experiências com profissionais de diversos saberes, interessados na pesquisa do autismo. As atividades da Associação tiveram início em outubro de 2023, mas a entidade tem suas raízes no Programa de Pesquisa e Investigação do Autismo – PIPA (e rabiola), desenvolvido no seio do Núcleo de Referência de Saúde, desde 2013. Trata-se de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que acolheu por 10 anos, concomitante a outros de seus Programas e projetos, a pesquisa