Reflexão propõe uma releitura da história capixaba e destaca o orgulho de pertencer a esse território. A ideia central, quando se trata de investigar a identidade regional de um fragmento territorial e cultural da sociedade brasileira, é traçar a trajetória histórica de sua construção imaginária, e construí-la, na maioria das vezes, segundo um olhar determinado. Isso parte do processo de pensar como se articularam ao longo do tempo os elementos históricos. Inclui também, e sobretudo, analisar como eles formam um conjunto e ainda o modo como suas várias faces reunidas em um todo se conectam e se fazem representar uma na outra. Um elemento importante que dá densidade a esse conjunto é a ideia de construção do futuro. Afirmo isso porque, como a identidade está sempre em construção, ou é algo que queremos ser, ela faz parte do que já somos. Quando pensamos a questão da identidade em termos individuais, podemos perceber essa ideia com mais facilidade. Uma pessoa não é apenas um resto do seu passado, um pedaço daquilo que se construiu no tempo. É também o que quer fazer desse passado, como o interpreta e o ressignifica, como se reinventa a partir dele. Quase tudo pode ser considerado aprendizado ou mágoa, depende de como interpretamos os fatos. Assim, o que desejamos como sociedade também é parte da nossa identidade e dá o tom de como sentimos a presença do passado, que é reinterpretado à luz desse desejo. Dizem até que a coisa que mais muda no mundo é o passado – uma brincadeira que não deixa de esconder certa verdade. Para me ater a um exemplo de releitura recente, existem obras no mercado que pintam um Napoleão de direita, forte e autoritário, e outras que o apresentam como de esquerda, produto da revolução que acabou por conduzi-lo ao poder. Quero com isso dizer que identidade também é escolha. É o processo de retirar de todos os elementos que nos compõem aqueles que melhor expressam nosso desejo em certo momento histórico. Identidade tem a ver, então, com nossas escolhas mediante o que nos aconteceu e o que pretendemos fazer com isso. Tais observações me ocorreram quando comecei a pensar naquilo que poderíamos chamar de identidade capixaba ou mesmo de construção do nosso imaginário. Nele existe o mito da muralha verde que nos separou das Minas Gerais durante o período colonial. Primeiramente, é fato que o ouro das Minas despertava a cobiça de piratas e invasores estrangeiros, portanto não se facilitaria o acesso a elas. Mas também é verdade que o período do auge do ouro durou cerca de um século. Criar dificuldade de acesso, portanto, não poderia simplesmente explicar o que aconteceu em terras capixabas durante dessa longa fase. Por outro lado, é comum lermos nos nossos livros de história, bem como em outras narrativas sobre nosso passado, que sofremos um marasmo colonial, que não prosperamos em relação às outras regiões brasileiras. Esse discurso foi muito usado no início da república para explicar uma certa aversão ao período monárquico e, assim, valorizar os ideais de progresso da jovem república. Mas, de fato, nada houve de especial no Espírito Santo em relação ao que acontecia no restante do país. Chamar de marasmo a chegada do café, que mudaria a face do nosso estado; o ingresso massivo de colonos europeus; o fim do regime escravocrata é mesmo muita má vontade com o império. Só isso. Enfim, parece que escolhemos fragmentos bem negativos de nossa história para construir um lugar no Brasil e no mundo. A grande questão, portanto, não é a história em si, mas sim a maneira como nos apropriamos dela. Posso afirmar que somos um estado empreendedor, que no final do século XIX já era um dos grandes produtores nacionais de café; que nossas elites republicanas tinham formação idêntica às de São Paulo, Minas ou Rio de Janeiro – para ficar apenas na região Sudeste; que os imigrantes europeus do século XIX, no Espírito Santo, progrediram tanto quanto os que aportaram em outros estados. Enfim, sob a lente do empreendedorismo, podemos enxergar um estado que esquece e supera as narrativas reducionistas da barreira verde e do marasmo colonial. É uma questão de escolha, de criar uma narrativa que organize e articule os fragmentos que a história nos apresenta. O que precisamos, no Espírito Santo, é focar nos fatos que nos aproximem de um sentimento verdadeiro e forte sobre a nossa história, que nos façam acentuar o pertencimento a este território, ter orgulho dos que nos antecederam e deixaram essas marcas fortes, das quais devemos ter muito orgulho. Acho que já está na hora. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018. *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Meridional Cariacica realiza primeira cirurgia de osteointegração no ES
O Espírito Santo registrou um avanço médico importante neste mês de novembro com a realização da primeira cirurgia de osteointegração no estado, feita no Hospital Meridional Cariacica. A técnica, considerada uma das mais inovadoras na área de próteses para amputados, oferece maior conforto, mobilidade e qualidade de vida para pacientes que encontram dificuldade no uso de próteses tradicionais. O procedimento foi realizado em um paciente de 40 anos, que teve a perna esquerda amputada após um atropelamento. Em razão de complicações de pele, ele não conseguia se adaptar ao encaixe convencional da prótese, o que o tornou candidato indicado para a osteointegração. A técnica consiste na fixação direta da prótese ao osso, eliminando a necessidade de soquetes e permitindo uma integração mais eficiente entre o dispositivo e o corpo. A abordagem reduz dores, feridas e desconfortos comuns nas próteses tradicionais, além de proporcionar maior estabilidade nos movimentos. O ortopedista Diego Faria, responsável pela cirurgia, destaca que o método representa um avanço significativo na reabilitação dos amputados. “O paciente vai encaixar a prótese na endoprótese. Desse modo, a carga será feita diretamente no osso e não nas partes moles, o que diminui problemas de pele como feridas, lesões cutâneas, atrito, assaduras e dores crônicas”, explica. A cirurgia tem duração média de duas horas e meia, e o período completo de integração da prótese ao membro é de aproximadamente seis semanas. “É de fato uma evolução para o tratamento dos amputados, pois a técnica respeita a biomecânica funcional do membro. A osteointegração vem trazer biomecânica e marcha funcional para o paciente próxima ao anatômico. A prótese é removível e de fácil colocação”, afirma o médico. No Brasil, o procedimento ainda é realizado de forma restrita e é mais difundido nos Estados Unidos, o que coloca o Espírito Santo entre os estados pioneiros na adoção da técnica.
Prefeitura de Conceição da Barra anuncia programação do Verão 2026
O município de Conceição da Barra divulgou, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, a programação completa da temporada Verão 2026, que inclui Réveillon, o mês de janeiro e o Carnaval. Sob o conceito “Verão da Família”, a proposta prioriza atrações para todas as idades, segurança para moradores e visitantes e estímulo ao desenvolvimento econômico local. Entre os destaques estão o show da virada com André Lellis, a apresentação de É o Tchan em trio elétrico no circuito Praia do Farol/Praça do Juiz, um show nacional em Itaúnas (ainda em definição) e o Carnaval 2026, que terá o Festival de Botecos, realizado em parceria com o Instituto Panela de Barro, além dos tradicionais desfiles de blocos. A programação também inclui atividades nos distritos de Itaúnas e Braço do Rio, ampliando a distribuição de eventos e reforçando o potencial turístico de cada localidade. A estratégia para o Verão 2026 tem como eixo central a Feira Cores e Sabores de Verão, que será aberta no Réveillon e funcionará durante todo o mês de janeiro na Praça do Farol. O evento conta com apoio do SEBRAE/ADERES e reúne gastronomia, artesanato e empreendedores locais, funcionando como polo de geração de renda e valorização da produção regional. O prefeito Erivan Tavares destacou que a programação foi elaborada considerando segurança e bem-estar como prioridades. “Nosso objetivo é oferecer uma temporada segura e de excelente qualidade a todos os moradores, turistas e visitantes em Conceição da Barra. Queremos fomentar a economia local e promover a geração de emprego e renda sem comprometer o orçamento para as demais atividades previstas para 2026”, afirmou. Ele reiterou que o impacto econômico positivo se dará principalmente por meio das feiras gastronômicas e de artesanato, que fortalecem o turismo e ampliam oportunidades diretas para a população. Programação Réveillon 2026 – 31 de dezembro Evento da Virada: Praia do Farol, com abertura da Feira Cores e Sabores de Verão, praça de alimentação, tenda galpão, banheiros, palco e área kids. Atração principal: Show de André Lellis e Banda no trio elétrico, percorrendo o circuito Praia do Farol – Praça do Juiz. Queima de fogos: Nos três distritos — Barra (sede), Itaúnas e Braço do Rio. Distritos: Itaúnas e Braço do Rio terão queima de fogos e palcos com bandas regionais. Janeiro de 2026 Abertura de Janeiro — Sábado, 03/01: Show de É o Tchan no trio elétrico, no circuito Farol/Juiz. Feira Cores e Sabores: Todos os fins de semana (quinta a domingo), com apoio SEBRAE/ADERES. Show Nacional em Itaúnas — Sábado, 10/01: Atração de destaque nacional (a ser anunciada). Atração no Trio — Sábado, 17/01: Show de Jammil no trio elétrico, na sede. Evento Gospel — Sábado, 23/01. Palcos Regionais: Itaúnas: apresentações às sextas e sábados; Praias: palcos diurnos aos sábados e domingos. Carnaval 2026 – 13 a 17 de fevereiro Festival de Botecos: De 13 a 17/02, em parceria com o Instituto Panela de Barro, com gastronomia, shows regionais, área kids e infraestrutura completa, incluindo banheiros químicos de luxo. Desfile de Blocos: Com trio elétrico de médio porte no circuito Praia do Farol – Praça do Juiz – Praia do Farol. Entre os blocos confirmados estão Laboratório e Pararai. Itaúnas: Realização de desfile de blocos carnavalescos.
Sander Rodrigues – “Geotecnia na mineração: estabilidade, risco e desempenho”
A evolução da mineração moderna exige cada vez mais integração entre engenharia, tecnologia e gestão. Nesse cenário, a geotecnia ocupa uma posição estratégica. Muito além do tradicional foco em barragens, a disciplina é hoje um dos pilares técnicos mais relevantes para a estabilidade operacional, a segurança física das estruturas e a sustentabilidade de longo prazo das operações. Taludes, pilhas de estéril, cavas, estruturas de disposição de rejeitos e interfaces com recursos hídricos demandam monitoramento constante, análise preditiva e tomada de decisão embasada em dados. Os riscos geotécnicos, quando mal compreendidos ou subestimados, podem comprometer tanto a produtividade quanto a segurança de ativos essenciais. Com a maturidade regulatória alcançada nos últimos anos, o desafio atual não está apenas no atendimento a normas. Está na construção de uma cultura de engenharia preventiva, baseada em instrumentação, modelagem integrada e respostas rápidas a comportamentos anômalos. É nesse ponto que a geotecnia deixa de ser uma função técnica de suporte e passa a ocupar espaço na governança estratégica da mina. A gestão de riscos geotécnicos requer visão sistêmica. Ela conecta áreas como geologia, projetos, meio ambiente, operações e manutenção, demandando uma governança estruturada e fluidez na comunicação entre as disciplinas. Projetos geotécnicos bem conduzidos antecipam falhas, reduzem incertezas e sustentam decisões de alto impacto operacional. Nesse contexto, a engenharia aplicada se apoia cada vez mais em ferramentas digitais: digital twins, sensoriamento remoto, radar interferométrico, modelos de estabilidade em tempo real. Mas a tecnologia, sozinha, não entrega valor. Ela precisa estar inserida em projetos e processos que traduzam dados em inteligência prática, com capacidade de gerar previsibilidade, rastreabilidade e resposta qualificada. A experiência mostra que estruturas críticas não toleram improviso. Por isso, a gestão de projetos geotécnicos, com escopo claro, matriz de riscos ativa e planejamento multidisciplinar, tem se consolidado como um diferencial competitivo para as empresas que buscam operar com segurança, eficiência e legitimidade. A geotecnia é, hoje, uma disciplina de decisão. E como tal, deve ser tratada com protagonismo técnico, apoio executivo e governança integrada. Em um setor cada vez mais exposto a pressões sociais, ambientais e financeiras, é a engenharia crítica, fundamentada em dados, responsabilidade e visão de longo prazo, que sustenta operações mais resilientes e confiáveis. *Sander Rodrigues – Diretor Comercial e Marketing da Timenow, é engenheiro, com mestrado em projetos sustentáveis e 15 anos de experiência em Desenvolvimento de Negócios e Projetos nos setores de Mineração, Papel e Celulose, Infraestrutura, Energia.
IAN 2025: Doze municípios do ES são destaque em ambiente de negócios
Doze municípios capixabas foram homenageados nesta segunda-feira (17) durante o lançamento do Indicador de Ambiente de Negócios (IAN) 2025, produzido pelo Observatório da FINDES. O evento, realizado na sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo, reuniu prefeitos, parlamentares, empresários e autoridades de diversas regiões do Estado. As cidades de Dores do Rio Preto (Cluster 1), Marilândia (Cluster 2), Venda Nova do Imigrante (Cluster 3), Aracruz (Cluster 4), Vitória (Cluster 5) e Domingos Martins (Cluster 6) receberam homenagem por alcançarem o primeiro lugar em seus respectivos clusters no IAN 2025. Já Jaguaré (Cluster 1), Pinheiros (Cluster 2), Santa Teresa (Cluster 3), Jerônimo Monteiro (Cluster 4), Vila Velha (Cluster 5) e Mimoso do Sul (Cluster 6) foram reconhecidos pela melhor evolução do indicador no período de 2019 a 2025. Durante a solenidade, o presidente da FINDES, Paulo Baraona, destacou o esforço conjunto dos municípios na melhoria do ambiente de negócios. “Apresentamos hoje um registro do esforço cotidiano de cada município, do compromisso de cada gestão e da capacidade de transformar organização e foco em resultados concretos. Não se trata de um salto isolado: é uma construção coletiva, sustentada por planejamento, disciplina e compromisso com o cidadão”, afirmou. O presidente da Associação dos Municípios do Estado do Espírito Santo (Amunes) e prefeito de Nova Venécia, Lubiana Barrigueira, ressaltou a importância do indicador para gestores e empreendedores. “O Espírito Santo tem um bom ambiente de negócios. Temos um estado pequeno em extensão, mas forte nas ações. Sabemos que ainda temos grandes desafios, mas os municípios estão bem organizados”, disse. O diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, reforçou o papel estratégico dos indicadores do IAN. “Os dados do IAN são fundamentais para construir um Espírito Santo cada vez melhor. As informações qualificam políticas públicas do nosso Estado e dos nossos municípios. Temos aqui uma ambiência favorável para a atração de negócios e de investimentos”, destacou. O deputado federal e líder da bancada capixaba no Congresso Nacional, Josias Da Vitória, lembrou que a integração entre setores público e privado fortalece a gestão municipal. “A iniciativa privada tem um olhar um pouco mais à frente, ela que dialoga com outros países, que têm maiores informações. Indicadores como o IAN, quando compartilhados com quem está governando os municípios, fazem com que os gestores tenham maior eficácia no trabalho que realizam e na relação que têm com o setor privado”, afirmou. Já o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, ressaltou a relevância do indicador para inspirar outras regiões do país. “O Indicador da FINDES é um farol para a gestão pública dos municípios. O diagnóstico que recebemos em 2021, por exemplo, ajudou a construir políticas públicas municipais que temos hoje em Vitória”, lembrou.
Casa do Governador terá shows gratuitos de Java Roots, Herança Negra e Filhote de Trem
O Parque Cultural Casa do Governador, na Praia da Costa, em Vila Velha, realiza neste sábado (22) e domingo (23) mais uma edição do Parque Aberto, com programação gratuita que inclui música, dança, oficina, visita mediada, feira criativa e praça de alimentação. As atividades reúnem atrações como Java Roots, Herança Negra, o espetáculo “Filhote de Trem – Ópera nos Bairros” e a apresentação “Reverenciando a Dança”. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos na recepção ou antecipadamente pelo link disponibilizado pelo Parque. Sábado (22) A programação de sábado começa às 13h30 com o show da Java Roots, uma das bandas mais representativas do reggae capixaba. Formado em Vila Velha, em 1996, o grupo reúne Anderson Ventura (Chocolate), Júnior Bocca, Anderson Xuxinha, Thiago Andrich e Marcello Lindgren. Ao longo da trajetória, lançou três CDs e se apresentou em palcos dentro e fora do Espírito Santo. Às 15h30, a banda Herança Negra sobe ao palco com um repertório que mistura reggae, rock, soul e MPB, trazendo letras baseadas em vivências das periferias. A formação reúne Jon Santos, Barol Beats, Nelinho P2 e músicos convidados, com um show marcado por ambientação sonora e visual. O setlist inclui músicas consagradas e faixas do novo álbum “Luz Desse Sentimento”. Entre as apresentações musicais, às 14h, o público poderá participar de visita mediada à mostra Moderna para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira, em cartaz na Galeria Gabinete. O percurso apresenta um recorte da Coleção Itaú Cultural, com 43 obras de 14 artistas do Foto Cine Clube Bandeirante. O Parque abre ao público a partir das 8h. Domingo (23) No domingo, às 10h, o Parque Aberto recebe a oficina “Batukerê: despertando memórias sonoras”, conduzida pelos educadores Valentim Faria e Juliana Galvão. A atividade apresenta noções introdutórias de teoria musical e práticas coletivas de ritmo e experimentação. A participação é por ordem de chegada, e menores de 16 anos devem estar acompanhados por um responsável. Também às 10h, haverá visita mediada à mostra Moderna para Sempre. Às 11h, o espetáculo “Filhote de Trem – Ópera nos Bairros” conta a história de Piuí, um trenzinho que deseja trilhar caminhos diferentes daqueles esperados pela sociedade dos trens. A apresentação integra a 13ª edição do Festival de Música Erudita do Espírito Santo e é inspirada na obra de Memélia de Carvalho. Às 13h, o Reverence Studio de Dança celebra seus 10 anos com a apresentação “Reverenciando a Dança”, revisitando momentos marcantes de sua trajetória por meio de coreografias de grupos e solistas. A partir das 13h30, o público pode participar de nova visita mediada à exposição modernista na Galeria Gabinete. Feira Curva e praça de alimentação Durante os dois dias de programação, o Parque recebe a Feira Curva, com empreendedores criativos capixabas, além de uma praça de alimentação com opções variadas em food trucks. Serviço — Parque Aberto 22 e 23 de novembro Local: Parque Cultural Casa do Governador — Rua Santa Luzia, s/n, Praia da Costa, Vila Velha Sábado (22), 13h às 17h — última entrada às 16h (O Parque abre às 8h) • 13h às 17h — Feira Curva • 13h às 17h — Praça de Alimentação • 13h30 — Show de Java Roots • 14h — Visita mediada à mostra Moderna para Sempre • 15h30 — Show de Herança Negra Domingo (23), 8h às 15h — última entrada às 14h • 8h às 15h — Feira Curva • 8h às 15h — Praça de Alimentação • 10h — Oficina Batukerê: despertando memórias sonoras • 10h — Visita mediada à mostra Moderna para Sempre • 11h — Espetáculo Filhote de Trem – Ópera nos Bairros • 13h — Apresentação Reverenciando a Dança • 13h30 — Visita mediada à mostra Moderna para Sempre Ingressos gratuitos: link disponibilizado pelo Parque na plataforma Byinti.
Andréa Vermont dá palestra sobre desenvolvimento humano no Espaço Patrick Ribeiro
A filósofa e psicanalista Andréa Vermont, doutora em Filosofia da Mente com especialização em Neurociências, ministra palestra na segunda-feira (24), às 20 horas, no Espaço Patrick Ribeiro, em Vitória. Com mais de 3 milhões de seguidores nas redes sociais, a psicanalista é uma voz influente em saúde emocional, liderança consciente e cultura organizacional. Andréa Vermont possui formação acadêmica e experiência internacional. Sua atuação junto a organizações no Brasil e exterior promove reflexões que integram saberes clássicos e modernos, com foco em desenvolvimento humano e organizacional. Fundadora do Instituto Andréa Vermont e membro da Academia Europeia de Autogestão, a especialista une filosofia prática, psicanálise, espiritualidade e vivência corporativa em seus conteúdos. Seus programas de formação, cursos e palestras são reconhecidos por promoverem autoconhecimento, inteligência emocional e ética aplicada à vida pessoal e profissional, provocando mudanças reais em quem assiste. Andréa Vermont é referência em eventos que buscam inspiração e profundidade. SERVIÇO: Andréa Vermont – Filosofia, Neurociência e Transformação Humana Data: 24 de novembro (segunda-feira) Abertura: 19 horas Início: 20 horas Local: Espaço Patrick Ribeiro – Novo Aeroporto de Vitória, Av. Roza Helena Schorling Albuquerque, S/N – Goiabeiras, Vitória – ES, 29109-350 Classificação: Livre
Dia da Consciência Negra: A importância da educação como instrumento de liberdade
O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, é uma data que nos convida a refletir sobre o passado, compreender o presente e, principalmente, reafirmar compromissos com um futuro mais justo e igualitário. Mais do que um marco histórico ligado à luta de Zumbi dos Palmares, a data simboliza resistência, identidade, dignidade e o combate ao racismo, que ainda enfrentamos diariamente no país. Um país estruturado a partir de uma forte segregação racial — desde a colonização europeia — revela isso em diversos índices e indicadores sociais. Pretos e pardos, que representam 56% da população brasileira, apresentam os piores resultados de renda, moradia, escolaridade e acesso a serviços, segundo o IBGE (2019). Também estão entre a maior parte das vítimas de violência do Estado e de homicídios, sobretudo mulheres e jovens negros, de acordo com o Atlas da Violência (2020). Como homem negro que vive diariamente os desafios de ocupar espaços que, por muito tempo, não foram pensados para pessoas como eu, este dia não é apenas simbólico — é cotidiano. É sobre memória, luta e responsabilidade. É sobre lembrar de onde eu vim e por que cheguei até aqui. A educação foi a ferramenta que transformou a minha vida. Foi ela que me afastou da violência, das drogas e das estatísticas que marcaram a realidade da periferia onde cresci. Foi ela que me permitiu ajudar minha família em momentos difíceis e acreditar em possibilidades que pareciam distantes. Ainda jovem, tive meu primeiro contato transformador com o universo jurídico. Com uma bolsa de estudos em uma faculdade, comecei minha caminhada no Direito, uma escolha guiada pela certeza de que estudar era o meu caminho de liberdade. Minha própria história me ensinou que defender a educação no Brasil é também defender a dignidade. Não basta construir escolas modernas se as crianças chegam com fome. Acredito profundamente que o desenvolvimento do país passa por políticas de transferência de renda e por investimento consistente em educação pública. Chegar até aqui foi fruto de insistência, oportunidade e, principalmente, educação. O contato com a educação pública definiu minha missão profissional. Quando participei da criação de uma associação de diretores escolares, percebi que faltava assessoria jurídica especializada para o magistério. Passei a estudar profundamente a legislação educacional e, em 2014, fundei o escritório que hoje atua em defesa dos profissionais do magistério. Em 2003, o Dia da Consciência Negra entrou para o calendário escolar com a Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas. Nesta data, reflito sobre a minha trajetória — mas também sobre todas as histórias que nunca tiveram a chance de existir. Refletir sobre consciência é refletir sobre acesso, equidade e oportunidade real. E a educação segue tendo um papel social central até hoje. O meu compromisso é continuar usando o Direito como ferramenta para transformar vidas, combater desigualdades e fortalecer a educação pública, que é, para mim, o maior instrumento de liberdade que existe.
Instituto Capixaba de Direito Tributário é lançado com debate sobre reforma e incentivos fiscais
O Espírito Santo passou a contar, nesta quarta-feira (19), com um novo espaço dedicado à produção técnica e ao debate qualificado sobre tributação. O Instituto Capixaba de Direito Tributário (ICDT) foi oficialmente lançado em evento no Hotel Sheraton Vitória, reunindo alguns dos principais nomes do direito tributário no país. No centro das discussões estiveram os impactos da reforma tributária e as perspectivas para os incentivos fiscais que historicamente sustentam a competitividade capixaba. Instituto é oficializado e apresenta diretoria Durante a solenidade, foi formalizada a fundação do ICDT, que nasce com o propósito de fortalecer a formação profissional, promover eventos especializados e aproximar o Espírito Santo das discussões nacionais sobre o novo sistema tributário. A diretoria é composta por João Paulo Barbosa Lyra (presidente), Alessandro Rostagno (vice-presidente), Priscila Martins Hyppolito dos Santos (diretora administrativa) e Ramon Henrique Santos Fávero (diretor financeiro). Os dirigentes destacaram que a criação do Instituto responde a um cenário de profundas mudanças no modelo tributário brasileiro e reforça a necessidade de qualificação técnica permanente no estado. Primeira mesa discutiu transição dos incentivos fiscais A primeira mesa do evento abordou um dos pontos mais sensíveis da reforma tributária: a extinção gradual de incentivos como o Compete-ES e o Invest-ES. Participaram: Luís Eduardo Schoueri, professor titular da USP e presidente do Instituto Brasileiro de Direito Tributário; Fernanda Schmitt, procuradora da Fazenda Nacional e integrante da Coordenação-Geral de Assuntos Tributários da PGFN; Lana Borges Câmara, mestre em Direito e Políticas Públicas e doutoranda pela UnB; Gustavo Brigagão, advogado, presidente do CESA e ex-presidente da ABDF; Roque Carrazza, professor emérito da PUC-SP. Os debatedores defenderam que a transição dos benefícios fiscais deve ocorrer com critérios claros, transparência e mecanismos que preservem o equilíbrio federativo. Schmitt destacou o impacto financeiro direto dos incentivos para o setor público. Schoueri enfatizou a necessidade de medir resultados com precisão. Brigagão alertou para o risco de perda de competitividade de estados que dependem dos incentivos caso não existam compensações adequadas. Segunda mesa avaliou impactos econômicos da reforma no Espírito Santo A segunda mesa analisou os efeitos institucionais e econômicos da reforma para o Espírito Santo, incluindo arrecadação, investimentos e ambiente de negócios. A condução ficou com Ramon Fávero e Priscila Hyppolito. Participaram: Gustavo Juliano Leitão da Cruz, subgerente de Legislação Tributária da Sefaz; Thiago Venâncio, subsecretário da Receita Estadual; Marcelo Santos, presidente da Assembleia Legislativa; Sidemar Costa, presidente do Sindiex; Mazinho dos Anjos, deputado estadual. O debate tratou de segurança jurídica, previsibilidade regulatória e dos caminhos para adaptar o modelo estadual à nova estrutura tributária. Representantes do setor produtivo ressaltaram a importância de manter a competitividade capixaba. Já o poder público reforçou o compromisso de conduzir a transição sem comprometer a responsabilidade fiscal. ICDT quer ampliar o debate tributário no estado O lançamento marca o início das atividades do Instituto, que pretende reunir academia, advogados, gestores públicos e o setor produtivo para acompanhar, de forma contínua, as mudanças trazidas pela reforma tributária e seus reflexos na economia do Espírito Santo.
10 motivos para fazer dos Passos de Anchieta 2026 a sua caminhada de fé
Por Rachel Martins Como diz a música: “andar com fé eu vou, que fé não costuma falhar”. A caminhada “Os Passos de Anchieta”, criada em 1998, é uma oportunidade única para se conectar às belíssimas paisagens do Espírito Santo, aos monumentos históricos e à cultura capixaba — e, principalmente, para renovar a fé ao longo de um trajeto de aproximadamente 100 quilômetros. A edição de 2026 será realizada entre os dias 4 e 7 de junho. Mas quem já planejou sentir o clima desse projeto tão importante, que tem selo espírito-santense, participa desta quinta-feira até sábado da 5ª edição do “Caminho dos Santuários”, com saída no Santuário Nacional de São José de Anchieta, em Anchieta, passando por Piúma, Itapemirim e Marataízes, até chegar ao Santuário de Nossa Senhora das Neves, em Presidente Kennedy — um percurso de 56 quilômetros. O “Caminho dos Santuários” é uma continuação dos Passos de Anchieta. Trata-se de uma rota belíssima, que margeia o litoral e revela mais histórias sobre a passagem dos jesuítas, especialmente São José de Anchieta, pelas terras capixabas. Pessoas de diferentes regiões do Espírito Santo, além de participantes do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal, já se inscreveram e confirmaram presença. Para Renata Rosa (foto), uma das fundadoras do evento, o projeto representa um caminho de fé e reencontro com Deus. “Fui convidada a fazer parte do grupo fundador de ‘Os Passos de Anchieta’, em 1998, e já são quase 28 anos participando de todas as edições com muito amor e paixão, seguindo esse grande exemplo que é, para mim, São José de Anchieta. Isso me inspira, porque caminhar e peregrinar é metáfora da vida e diz muito ao meu coração. Cada passo vale a pena, mesmo diante das adversidades. É a certeza de que tudo ‘vale a pena se a alma não é pequena’, como já dizia o poeta Fernando Pessoa.” Ela também destaca a gratidão que guarda no coração por fazer parte do projeto. “Os Passos de Anchieta se confundem com a história da minha vida — com o início da minha família, o nascimento das minhas filhas. É um carinho de Deus na minha vida”, ressalta. Confira 10 motivos que mostram por que experiências como essa podem transformar sua vida, aprofundar sua fé, mudar sua visão de mundo e até melhorar sua saúde. 1 – Mergulho na história do Espírito Santo José de Anchieta aportou no Espírito Santo em 1553, aos 19 anos. Chegou primeiro a Salvador (BA) e, em seguida, seguiu para a Capitania de São Vicente, onde fundou o Colégio de Piratininga, embrião da cidade de São Paulo. No território capixaba, foi responsável pela fundação das cidades de Rerigtiba (atual Anchieta), Guarapari e São Mateus. Se vivesse hoje, Anchieta seria considerado um verdadeiro “multitarefas”, disputado pela capacidade de atuar em múltiplos desafios. Além de missionário e educador, escreveu a primeira gramática tupi-guarani para facilitar a evangelização e percorria, a pé, o trecho entre Rerigtiba e o Colégio São Tiago — onde hoje está o Palácio Anchieta. 2 – Uma caminhada de fé Em um tempo em que a fé se torna, cada vez mais, um alicerce espiritual, “Os Passos de Anchieta” representa uma verdadeira peregrinação. Cada passo é uma prece e um convite à renovação da fé e à presença de Deus ao longo do caminho. É uma experiência única, com selo capixaba, que revela força interior e amplia o sentido da jornada espiritual. 3 – Experiência cultural, turística e esportiva Criado em 1998, o evento atrai não apenas capixabas, mas visitantes de todo o Brasil e de outros países. O percurso — cerca de 100 quilômetros pelos municípios de Vitória, Vila Velha e Guarapari até o Santuário Nacional de São José de Anchieta — oferece potencial turístico, belas paisagens naturais, riqueza cultural, prática esportiva e a oportunidade de fortalecer a fé. 4 – Conhecer outros caminhos no Brasil e no mundo A inspiração para “Os Passos de Anchieta” veio do milenar Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Desde então, diversas rotas foram criadas no Brasil, inspiradas em seu sucesso. Entre elas, estão o Caminhos da Sabedoria (Ibiraçu), o Caminho da Luz (entre Tombos e Alto Caparaó, em Minas Gerais) e o próprio Caminho dos Santuários, entre Anchieta e Presidente Kennedy. 5 – Transformação pessoal e autoconhecimento O percurso desafia o corpo e renova o espírito. É uma oportunidade de revisitar a própria história, perdoar, exercitar a empatia e cultivar a gratidão. Um convite à reflexão, à superação de limites e ao reencontro com a serenidade. 6 – Conexão com a natureza O caminho apresenta paisagens deslumbrantes: a vista do Convento da Penha, da Terceira Ponte, praias, rios e monumentos históricos. É um momento para desconectar-se e, ao mesmo tempo, reconectar-se com a vida — um tempo para respirar, sem pressa e sem olhar para o relógio ou para o celular. 7 – Fazer novas amizades Durante a caminhada, peregrinos de todo o país, e até do exterior, compartilham histórias, risadas, orações e momentos de fé. É um tempo de comunhão, em que cada um ajuda o outro a seguir adiante. 8 – Silenciar para ouvir a voz de Deus Longe da rotina acelerada, “Os Passos de Anchieta” oferece tempo e silêncio para rezar, participar de missas e bênçãos, refletir e escutar o que Deus tem a dizer ao coração. Como ensina a espiritualidade inaciana vivida por São José de Anchieta, é a oportunidade de “ver Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus”. 9 – Acolhida capixaba É uma chance única de entrar em contato com comunidades locais que recebem os peregrinos com carinho, partilha e hospitalidade — um testemunho concreto de fé e solidariedade. 10 – Chegada ao Santuário Nacional de Anchieta O momento da chegada é profundamente emocionante. Diante do Santuário, muitos se comovem, rezam, celebram a conquista e agradecem. É o ponto culminante da caminhada e também o início de uma nova etapa interior. Serviço Inscrições e programação: ospassosdeanchieta.com Instagram: @caminhosdossantuarios | @passosdeanchieta