Uma feira inédita voltada exclusivamente à geração de negócios turísticos promete colocar o Espírito Santo no centro das atenções do setor no Brasil. A ESTour — organizada pela COOPTURES (Cooperativa de Eventos e Turismo do Espírito Santo) — será realizada entre os dias 25 e 28 de abril, na área do Aeroporto de Vitória, reunindo operadores, agentes de viagens, influenciadores e especialistas do mercado. A proposta é apresentar, de forma estruturada e orientada para vendas, os destinos capixabas e suas potencialidades comerciais. O evento nasce com a missão de consolidar o Estado como um destino completo e competitivo, capaz de oferecer, em uma mesma viagem, experiências que vão do litoral às montanhas, passando por patrimônio histórico, gastronomia e natureza. A expectativa é de que as rodadas de negócios e o contato direto com compradores estratégicos gerem resultados que ultrapassem os dias da feira, fortalecendo toda a cadeia turística capixaba ao longo dos meses seguintes. Alinhada ao Plano de Marketing do Turismo do Espírito Santo (2026–2030), a ESTour aposta em um reposicionamento da imagem do Estado, buscando deixá-lo de lado da percepção de destino complementar para ocupar um espaço de desejo no mercado nacional e internacional. A apresentação estruturada a grandes players do setor deve ampliar a visibilidade dos atrativos capixabas e impulsionar o fluxo de visitantes para todas as regiões. Segundo Alfonso Silva, presidente da Cooptures, a proposta é valorizar um turismo autêntico, baseado na identidade local. “Da moqueca capixaba aos cafés especiais, do artesanato à cultura vibrante, cada experiência revela a identidade do Espírito Santo, apresentando um turismo menos massificado e mais conectado às histórias, ao território e às pessoas do Estado”, destaca. Mais do que uma feira tradicional, a ESTour será organizada em eixos temáticos que representam as principais vocações turísticas capixabas: Sol e Mar; Agroturismo e Turismo Rural; Cultura e Patrimônio; e Montanhas e Natureza. Em cada espaço, os participantes terão acesso direto a produtos turísticos, rede hoteleira, atrativos e condições comerciais das cidades participantes. Regiões como Caparaó e Guarapari aparecem entre os destaques, evidenciando tanto o potencial do turismo de natureza quanto do litoral. A programação inclui ainda mostra de destinos, área dedicada às operadoras, espaço cultural e gastronômico com valorização da culinária regional, rodadas de negócios e um conjunto de capacitações para agentes de viagem, em parceria com o Sebrae-ES. Também estão previstos famtours — viagens de familiarização que permitem aos profissionais conhecer, na prática, os roteiros turísticos do Estado — com itinerários de pelo menos dois dias em regiões como o Caparaó capixaba e Itaúnas, incluindo hospedagem local. Com participação do Governo do Estado e de entidades do setor, a expectativa é que a ESTour se consolide como um marco na promoção turística capixaba, ampliando o posicionamento do Espírito Santo no cenário nacional e internacional e estimulando novos investimentos e parcerias para o desenvolvimento do turismo.
Instituto Cultural das Montanhas inicia 2026 com aulas gratuitas de música em Afonso Cláudio
O Instituto Cultural das Montanhas dará início às atividades de 2026 ampliando suas ações de formação musical em Afonso Cláudio, na Região Serrana do Espírito Santo. A aula inaugural será realizada no dia 23 de fevereiro, a partir das 8 horas, na sede da instituição, reunindo 360 alunos inscritos nos projetos Musicalização Agrícola, Corais das Montanhas e Orquestra Jônice Tristão. Os projetos Musicalização Agrícola e Corais das Montanhas contam com patrocínio da EDP, por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), enquanto a Orquestra Jônice Tristão — primeiro grupo de cordas friccionadas da cidade e da região — é mantida com patrocínio direto do Grupo Tristão. Todas as atividades são gratuitas e abertas a participantes a partir dos seis anos, sem limite de idade, incluindo crianças, adolescentes, adultos, idosos e pessoas com deficiência. Ao longo do ano, o Instituto prevê uma programação diversificada, com concertos, aulas abertas para as famílias, apresentações ao ar livre em diferentes pontos da cidade, intercâmbio do Coro Jovem com outros grupos do Estado, masterclasses com profissionais convidados e um recital de encerramento aberto ao público. Na área social, a instituição passa a oferecer também o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, em parceria com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Afonso Cláudio. O Instituto está com edital aberto para 50 alunos contemplados com bolsa-auxílio de R$ 185 e disponibiliza ainda seis vagas de monitoria para jovens a partir de 16 anos, com bolsas entre R$ 400 e R$ 810. Além da formação musical, a entidade mantém ações de assistência social, como a distribuição de cestas básicas para famílias inscritas no CadÚnico. Entre 2023 e 2025, foram entregues cerca de cinco toneladas de alimentos, e a previsão para 2026 é de 270 cestas destinadas a mais de 60 famílias. As aulas de musicalização incluem desde instrumentos de iniciação até formação técnica em flauta transversal, clarinete, saxofone, trompete, trombone, percussão, violão e instrumentos de cordas. O projeto Corais das Montanhas oferece cerca de 150 vagas para oficinas de canto coral, enquanto a Orquestra Jônice Tristão reúne atualmente 60 integrantes. Embora a maior parte das vagas já esteja preenchida, moradores de Afonso Cláudio ainda podem cadastrar crianças e adolescentes em lista de espera por meio do WhatsApp (27) 99699-6584. A prioridade é para famílias em situação de vulnerabilidade social, mas as atividades também são abertas à comunidade em geral. Fundado em 2022, o Instituto Cultural das Montanhas é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos dedicada ao atendimento de pessoas em situação de risco e vulnerabilidade social por meio de ações culturais, educativas e assistenciais. Nos anos de 2023 e 2024, a instituição foi finalista do Prêmio da Música Capixaba na categoria Impacto Social Através da Música.
Morar perto do mar se fortalece como escolha ligada ao bem-estar e à qualidade de vida
Viver próximo ao mar deixou de ser uma decisão associada apenas ao lazer ou ao status e passou a representar uma escolha conectada à saúde mental, ao equilíbrio emocional e à qualidade de vida. Estudos sobre os chamados blue spaces — ambientes naturais próximos à água — apontam que a convivência cotidiana com o oceano pode contribuir para a redução do estresse, a melhora do humor e a adoção de hábitos mais saudáveis, como a prática de atividades ao ar livre. Esse novo olhar tem influenciado o mercado imobiliário, que passa a incorporar conceitos de bem-estar, conexão com a natureza e desaceleração do cotidiano aos projetos residenciais, especialmente em cidades litorâneas. No Espírito Santo, Guarapari é um dos destaques nesse cenário, impulsionada pela valorização de regiões como a Enseada Azul, onde empreendimentos recentes vêm adotando esse conceito de moradia. Nesses projetos, o mar deixa de ser apenas um elemento de paisagem e passa a integrar a rotina dos moradores, seja pela valorização das vistas permanentes, seja pela criação de espaços voltados ao descanso, à contemplação e ao contato sensorial com o ambiente natural. Varandas amplas, áreas comuns voltadas para o oceano e soluções que permitem o uso dos espaços ao longo de todo o ano refletem essa mudança de abordagem. Para Lucas Peixoto, diretor da Invite Inc., os novos projetos surgem alinhados a uma transformação no comportamento das pessoas. “Hoje, morar bem vai muito além da estética ou da localização. Existe uma busca real por espaços que favoreçam o equilíbrio emocional, o bem-estar e uma relação mais saudável com o tempo. Pensar cada detalhe para que o morador tenha, todos os dias, a sensação de pausa, de respiro e de conexão com o mar”, afirma. Um exemplo desse conceito é o Manami Ocean Living (fotos), na Enseada Azul, empreendimento que adota o mar como elemento central do projeto, com soluções arquitetônicas voltadas à integração entre ambientes internos e externos e ao estímulo de experiências sensoriais ligadas à paisagem natural. Nesse conceito, a arquitetura assume papel estratégico ao priorizar ventilação natural, iluminação abundante e materiais que dialogam com o entorno, criando ambientes que estimulam a contemplação e favorecem o bem-estar. Atividades simples do cotidiano, como observar o horizonte ou ouvir o som das ondas, passam a integrar uma rotina mais equilibrada. Especialistas do setor avaliam que essa tendência reflete uma mudança estrutural no mercado imobiliário contemporâneo. Saúde mental, qualidade de vida e bem-estar deixaram de ser diferenciais e passaram a ocupar posição central na decisão de compra, redefinindo o papel da moradia como espaço de cuidado contínuo com o corpo e a mente.
Fabrício Augusto de Oliveira – “Banco Master: há algo de podre no reino da Dinamarca?”
Andei acompanhando o caso do Banco Master, mas cansei-me. Uma novela interminável de fraudes bancárias, que as autoridades públicas do país parecem tentar acobertar e ainda a dar algum motivo para que seu proprietário, Daniel Vorcaro, consiga, mais à frente, alguma indenização do governo, por uma suposta precipitação do Banco Central, ao decretar sua liquidação. Daniel Vorcaro deve entrar para a história do país como referência e exemplo pela forma como tornou possível estender seus tentáculos para uma rede de órgãos estatais, do judiciário e do Congresso para defender seus interesses. Patrocinando festas de milhões com convites para seus membros, oferecendo carona em seus jatinhos para autoridades públicas, contratando, a preço de ouro, membros das famílias de próceres do judiciário como advogados, e financiando com polpudas doações campanhas eleitorais de figurões da República, conseguiu que muitos deles saíssem em seu socorro com a liquidação do banco, culpando a autoridade monetária por sua precipitação. Entre os figurões da República que estranhamente passaram a defender o Banco Master, merecem destaque o ministro do Tribunal de Contas da União, Jonathan Jesus, de Roraima, e o ministro do STF, Dias Toffoli, que passaram por cima das regras institucionais desses órgãos, os quais delimitam seus campos de competência para, aparentemente, salvarem o banco da liquidação. Jonathan Jesus, ministro do Tribunal de Contas de União (TCU), abriu o caminho para o questionamento da decisão do Banco Central de liquidar o banco, trazendo para este órgão o exame deste caso, ao determinar uma inspeção no Banco Central sob a suspeita de ter sido uma decisão precipitada do mesmo, ameaçando revertê-la. Com isso, extrapolou o campo de competência do TCU, que tem como papel principal o de fiscalizar as contas do governo e não a de se intrometer em decisões técnicas tomadas pela autoridade monetária. Já o ministro Dias Toffoli avocou, para o STF, em dezembro de 2025, por decisão monocrática, sem se dispor a submetê-la à apreciação do colegiado da Corte, o inquérito que foi aberto para investigar as fraudes bilionárias do banco, estimadas em mais de R$ 50 bilhões, além de colocar todo o processo em sigilo, sem que nenhum dos atores que dela participou tenha foro privilegiado, o que não justifica essa decisão. Mas não ficou nisso em termos de medidas atípicas tomadas sobre o caso. Toffoli sentou no processo e passou a tomar outras medidas que surpreenderam até mesmo os seus pares da Corte, entre as quais cabe citar: a retirada de provas da Polícia Federal, determinando que as mesmas fossem enviadas para a guarda direta do STF, medida considerada como interferência indevida na investigação; determinação de uma acareação dos agentes envolvidos no processo (Banco Central e representantes dos bancos envolvidos na fraude) antes mesmo de serem tomados seus depoimentos; nomeação de 4 peritos da Polícia Federal para integrar a investigação, quebrando o protocolo da instituição; determinação da coleta de informações e diligências em casos extremamente exíguos para a Polícia Federal. Ou seja, as medidas adotadas por Toffoli revelavam claramente que pretendia ter controle pleno e direto sobre as investigações do caso, extrapolando o campo de competência do STF e de seus ministros. Suspeitas de que Toffoli poderia ter interesse direto no caso vieram à tona depois que se descobriu que, além de ter pegado carona no jatinho de um empresário para a cidade de Lima, no Peru, em companhia de um advogado dos executivos do Banco Master para assistir à final da Taça Libertadores entre Palmeiras e Flamengo, dois de seus irmãos haviam vendido sua participação num resort de luxo, chamado Tayayá, localizado em Ribeirão Preto, para Fabiano Zettel, empresário que administra um conjunto de fundos geridos pela Reag. A Reag é uma empresa gestora desses fundos, investigada por fraudes envolvendo o Banco Master, e que acabou também sendo liquidada pelo Banco Central. Com o negócio realizado, a empresa dos irmãos de Toffoli, a Maridt, de acordo com notícias da imprensa, passou, como resultado, a ter um fundo ligado a Zettel como principal sócio. Embora Toffoli, como se acreditava por falta de informações e por ele nada ter declarado a respeito, não tivesse participação direta no empreendimento, era considerado um assíduo frequentador do resort, bem como sua família, o que, segundo a opinião de vários juristas, já seria motivo suficiente para se declarar impedido pelas relações que lá cultiva. Apesar do desconforto causado com suas decisões no próprio STF, Toffoli tem se especializado em tomar medidas monocráticas de alta relevância e repercussão, sem submetê-las à apreciação do colegiado, como ocorreu com a anulação das provas da Lava Jato para suspender as penas de réus confessos, bem como das multas bilionárias impostas às empresas envolvidas no caso, o que a Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou, entrando com recursos contra essas medidas, assim como está acontecendo no caso Master. Diante das críticas recebidas do meio jurídico, da imprensa e, mesmo que reservadamente, de alguns ministros do Supremo, Toffoli acabou recuando em alguns pontos, mas continuou sentado no inquérito, mostrando-se pouco disposto a transferi-lo para a primeira instância, onde deveria estar. Somente quando a descoberta feita pela Polícia Federal (PF) de que o ministro era sócio oculto da Maridt e que também recebera dinheiro pela sua venda — o que também ele não revelara —, ao mesmo tempo que pediu ao STF e à PGR sua suspeição para continuar à frente do processo, enfraquecendo, mas embora sem conseguir demover sua teimosia em dele não abrir mão, foi que o STF, em reunião dos 10 ministros, decidiu, em comum acordo, retirá-lo de sua relatoria e transferi-la para o ministro André Mendonça. Pode ser que agora saibamos se “há [ou não] algo de podre no reino da Dinamarca”. *Fabricio Augusto de Oliveira é doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e do Grupo de Estudos de Conjuntura do Departamento de Economia da UFES, articulista do Debates em Rede, e autor, entre outros, do livro “Karl Marx: a luta pela emancipação humana e a crítica da Economia Política”, publicado, em 2025, pela Editora Contracorrente.
Produções capixabas integram seleção de filmes brasileiros disponíveis gratuitamente
O cinema capixaba também marca presença no catálogo gratuito do Itaú Cultural Play, que reúne 18 filmes nacionais de diferentes regiões do país. Entre os títulos disponíveis na plataforma estão os curtas Depois Deste Desterro, de Renan Amaral, e Canto das Areias, de Maíra Tristão, de Maíra Tristão, produções do Espírito Santo que dialogam com memória, território e identidade cultural, conectando o público a histórias que nascem no próprio Estado e ecoam em diferentes contextos do audiovisual brasileiro. Entre as opções disponíveis na plataforma está a comédia Recife Frio, curta-metragem dirigido por Kleber Mendonça Filho, que retrata a cidade pernambucana sob uma drástica mudança climática. Com linguagem de documentário, a ficção mostra a capital em um cenário inesperadamente frio e aborda temas como especulação imobiliária, desigualdade social e impacto do turismo. Outro destaque é o documentário Brasiliana: o musical negro que apresentou o Brasil ao mundo, de Joel Zito Araújo, que conta a história da companhia de teatro, dança e música fundada em 1949, no Rio de Janeiro, por artistas negros que excursionou por 90 países. Já o documentário Empate, de Sergio de Carvalho, resgata o movimento seringueiro das décadas de 1970 e 1980 no Acre, marcado por estratégias pacíficas de resistência contra o desmatamento da Amazônia. Também da região Norte, o curta Dasilva Daselva, de Anderson Mendes, apresenta a vida e a obra do artista e ecologista Sebastião Corrêa da Silva, autor de mais de 600 trabalhos sobre a fauna e a flora amazônicas. No Nordeste, o documentário Serão, de Caio Bernardo, traz o Cariri paraibano como cenário para retratar a extração manual de cal e o trabalho na indústria têxtil a partir do cotidiano de uma família. Representando o Espírito Santo, Depois Deste Desterro acompanha uma personagem que retorna à terra natal em 1968, durante a ditadura militar, enquanto Canto das Areias resgata a memória de uma vila soterrada pelas dunas, conectando paisagem, história e identidade cultural. Além dos documentários e curtas-metragens, a plataforma disponibiliza a coleção Cine Curtinhas, com oito filmes voltados ao público infantil. Entre eles estão PiOinc, que mostra a amizade entre um porco e um passarinho; a animação Abraços, sobre uma filha que cria aventuras imaginárias para animar a mãe; O Jardim Mágico, inspirado em fábulas; e Eu e o boi, o boi e eu, que dialoga com a cultura popular da lenda do Boi da Manta. Os filmes podem ser assistidos gratuitamente pelo site itauculturalplay.com.br. Fonte: ABr
Municípios atingidos pelo desastre do Rio Doce receberão R$ 260 milhões no ES
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinaram nesta quinta-feira (12) a aprovação do Plano Estadual do Programa Especial de Saúde do Rio Doce. O documento define as diretrizes para aplicação de parte dos recursos provenientes do Novo Acordo do Rio Doce. Somente nesta etapa, serão investidos R$ 132 milhões em ações voltadas à ampliação do acesso à saúde nos 11 municípios capixabas mais impactados pelo desastre ambiental de Mariana. O Anexo 8 do acordo judicial prevê o repasse total de R$ 260 milhões ao Governo do Estado para execução de ações estruturantes no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco na mitigação de danos, prevenção do agravamento de doenças e atendimento das demandas sociais de saúde das cidades contempladas: Baixo Guandu, Colatina, Aracruz, Linhares, Marilândia, São Mateus, Sooretama, Fundão, Serra, Conceição da Barra e Anchieta. “Esses recursos serão aplicados em diversas ações nos 11 municípios contemplados, dentro de um planejamento construído pelo Governo do Estado em diálogo com o Conselho Estadual e as secretarias municipais de Saúde. Parte do investimento será destinada à construção do Complexo Hospitalar de Colatina, além da implantação e do fortalecimento de serviços como CAPS, Centros de Especialidades Odontológicas, ampliação de cirurgias eletivas e modernização do Lacen. São iniciativas que fortalecem a rede pública de saúde, ampliam o acesso aos serviços e ajudam a responder às necessidades das populações impactadas pelo desastre do Rio Doce”, afirmou o governador Renato Casagrande. O plano organiza a aplicação dos recursos em ações de custeio e investimento, incluindo o financiamento parcial do novo Complexo Hospitalar de Colatina — que reunirá o novo Hospital Silvio Ávidos, a Superintendência Regional de Saúde e o Centro Regional de Especialidades (Policlínica) — além de investimentos na modernização do Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen), construção de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) e ampliação da oferta de serviços assistenciais e de vigilância em saúde. Com previsão de 340 leitos de alta resolutividade, o Complexo Hospitalar de Colatina será referência para a Região Central de Saúde, integrando a Rede de Urgência e Emergência e ampliando a oferta de atendimentos de média e alta complexidade, incluindo cirurgias eletivas. “Além dos R$ 260 milhões destinados ao Estado, a Secretaria de Recuperação do Rio Doce e a Secretaria da Saúde estão atuando em parceria com as prefeituras capixabas na orientação dos Planos Municipais de Saúde. Dessa forma, os 11 municípios também vão receber diretamente cerca de R$ 700 milhões para custear políticas e ações na área da saúde pelos próximos dois anos. Isso demonstra a efetividade da participação do Governo do Estado no acordo de repactuação do desastre ambiental de Mariana”, destacou o secretário de Estado de Recuperação do Rio Doce, Guerino Balestrassi. O documento apresenta ainda um diagnóstico situacional dos municípios atingidos, considerando aspectos demográficos, epidemiológicos, socioeconômicos e assistenciais. O estudo se baseia nos Planos de Ação Municipais aprovados no Comitê Especial Tripartite (CET) em 2025 e está estruturado em quatro eixos analíticos: perfil demográfico e socioeconômico, perfil epidemiológico, rede assistencial e principais desafios. “A integração entre as secretarias do Governo no acordo de repactuação do desastre ambiental de Mariana está garantindo recursos fundamentais para a área da saúde. Esses recursos não são apenas valores financeiros. Eles representam a oportunidade concreta de reparar danos, reduzir vulnerabilidades e fortalecer a rede pública de saúde nesses territórios que convivem, há quase uma década, com os efeitos sociais, ambientais e sanitários do desastre. Nosso foco é fortalecer o SUS nos municípios atingidos, ampliar o acesso, qualificar os serviços e garantir que a população tenha atendimento mais resolutivo, mais humanizado e mais próximo de sua realidade. Estamos falando de transformar recursos de reparação em melhorias concretas na vida das pessoas”, disse o secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann. Foto: Governo ES
Teatro Carnavalesco: Bloco Surpresa encena “guerra” pelo Palácio Anchieta
Com Cavalo de Tróia e duelo entre Medusas e Guerreiras, bloco da Barra do Jucu completa 40 anos revelando sátira sobre a sucessão estadual de 2026 A surpresa foi revelada, mas o desfecho ainda é mistério. O tradicional Bloco Surpresa, que em 2026 celebra quatro décadas de irreverência, transformou as ruas da Barra do Jucu num palco a céu aberto sobre a corrida eleitoral ao Governo do Espírito Santo em 2026, disputa que promete ser uma das mais emblemáticas em cerca de 30 anos. O enredo “No Reino Barrense, a Coroa é do Povo” trouxe, nesse domingo (15) para a avenida um imponente Cavalo de Tróia – “presente de grego” para o governador Renato Casagrande – e um castelo cenográfico que representa a sede do governo capixaba. Nesse castelo, os soldados Arnaldinho Borgo, Lorenzo Pazolini, Ricardo Ferraço e Helder Salomão estão prontos para tentar tomar o posto do rei (Casagrande). A encenação, que faz parte do DNA de sátira do bloco, responsável por ironizar figuras como FHC e Bill Clinton no passado, dividiu o desfile em duas alas estratégicas. De um lado, as Medusas, postadas à frente do castelo com a missão de petrificar os invasores e defender o Reino. Do outro, as Guerreiras, que desembarcaram do Cavalo de Tróia para surrupiar o palácio. Um dos momentos mais emblemáticos foi a participação de Mauro do Castelo, figura folclórica e proprietário do castelo que é ponto turístico da Barra do Jucu. Mauro desfilou sobre o Cavalo de Tróia, unindo a realidade do balneário à ficção política do enredo. O veredito final sobre quem ficará com a coroa – se o Rei manterá ou perderá o Reino – será conhecido no desfile de terça-feira (17). Coordenador-geral do Bloco Surpresa, Carlos Magno Receputi reforça o propósito da festa como um projeto comunitário que preserva raízes e exalta a cultura de Vila Velha e do Espírito Santo. “E nós sempre tivemos a característica de alfinetar a política com irreverência, humor e perspicácia”, registra. O CarnaBarra 2026 envolve 400 profissionais diretos, entre produtores, artesãos, artistas e comunicadores. Com investimento de R$ 500 mil – patrocínio da Kurumá Toyota por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC) -, a folia apresenta estrutura de primeira: posto médico, banheiro químico, área kids, feira gastronômica e muito mais. O Carnaval da Barra conta ainda com o apoio da Prefeitura de Vila Velha, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES) e do Governo do ES. Quatro décadas de história e irreverência A história do Bloco Surpresa começou em 1986, quando um grupo de amigos decidiu resgatar a tradição dos antigos mascarados. Naquela época, os foliões se escondiam na restinga de Jacarenema para se fantasiar longe de olhares curiosos, surgindo de surpresa na avenida. O que começou como uma brincadeira comunitária logo se transformou em um teatro carnavalesco de peso. Ao longo de 40 anos, o bloco imortalizou episódios folclóricos da Barra do Jucu, como o “Ônibus do Desarranjo”, inspirado em uma excursão acidentada, e o “Monstro Marinho”, baseado em relatos de pescadores locais de que uma criatura teria invadido o balneário. A criatividade do grupo não conheceu fronteiras: o Surpresa já satirizou desde figuras locais até FHC o ex-presidente americano Bill Clinton, desfile que rendeu ao bloco uma transmissão ao vivo no programa Fantástico, da Rede Globo. Na verdade, ninguém escapou das marchinhas coletivas do Bloco Surpresa. Um dos casos mais emblemáticos foi o enredo inspirado no então governador Max Mauro: “Tartaru Max”. A sátira foi tão bem recebida que o próprio governador entrou na brincadeira, chegando a confeccionar um broche com o tema para usar em sua camisa. Outro alvo frequente e folclórico era o ex-prefeito Vasco Alves, cujas ambições políticas e trejeitos eram transformados em versos cantados por toda a comunidade. A engenhosidade das alegorias sempre foi um marco. Foliões ainda lembram da famosa vaca voadora, que sobrevoou o público de forma surpreendentemente realista. A audácia técnica também brilhou no enredo “Tanque U”, que recriou uma espécie de “guerra fictícia” dentro da Barra do Jucu, utilizando efeitos cenográficos que simulavam disparos e explosões. Programação – Segunda e terça 16/02 – SEGUNDA-FEIRA Praça Pedro Valadares: 10h (Feira Gastronômica e Área Kids), 11h (DJ XL), 13h (Batucada Surpresa) e 18h (Banda Barratuque). Canto do Barrão: 09h (Bloco dos Arteiros) e 16h (Bloco das Mascaradas). Kintal (Av. Anderssem Pereira Fidalgo, 24, no final da Praia do Barrão): 15h (Banda de Congo Mestre Alcides) e 15h30 (Trio com a Banda Siri de Tamanco). Final da Praia do Barrão: 16h (Bloco da Vaquinha, Mulinha e Mascarados). 17/02 – TERÇA-FEIRA Praça Pedro Valadares: 10h (Feira Gastronomica e artesanato + Área Kids), 11h (DJ XL), 13h (Bloco Casa da Égua) e 18h (Banda Casaca). Kintal: 14h30 (Banda de Congo Mestre Honório), 15h (Bloco Surpresa + Teatro Carnavalesco com alegoria e Bonecos Gigantes). Rua Vasco Coutinho: 15h (Bloco da Comunidade).
Domingo de Carnaval leva mais de 200 mil foliões ao Centro de Vitória
Blocos tradicionais, estrutura reforçada e empreendedorismo marcaram o segundo dia da folia na capital O segundo dia do Carnaval oficial de Vitória 2026 transformou o Centro da capital em um grande espaço de celebração coletiva neste domingo (15). Mais de 200 mil foliões participaram da programação, ocupando as ruas com música, fantasia e animação. A manhã começou com o desfile do tradicional Regional da Nair, na Avenida Beira-Mar, embalado por marchinhas e clássicos do Carnaval. Ao mesmo tempo, o Bloco Maluco Beleza animou o público na Rua Sete de Setembro. À tarde, o Puta Bloco comandou a festa entre 14h e 19h, mantendo o ritmo da folia. Para muitos foliões, o domingo representou um reencontro com o Carnaval de rua da cidade. Moradora de Jardim Camburi, Mara Silva voltou a participar dos blocos após alguns anos afastada e destacou a organização da festa e a facilidade de deslocamento. Visitantes de cidades vizinhas também marcaram presença, como Pedro Henrique, da Serra, que ressaltou a estrutura e a tradição da programação no Centro de Vitória. O Carnaval também movimentou o empreendedorismo. Júlia, comerciante de Laranjeiras, na Serra, aproveitou a festa para vender chup-chups e reforçar a renda. Ela faz parte do grupo de mais de 280 ambulantes capacitados pelo curso Qualifica Verão 2026, iniciativa voltada à melhoria do atendimento e dos serviços oferecidos durante a temporada. Entre os foliões, Caio César escolheu uma alternativa sustentável para chegar à festa: utilizou o sistema Bike Vitória, unindo mobilidade e lazer. Para Ana Laura, moradora de Cariacica, o Carnaval de Vitória representa um momento de pertencimento e celebração coletiva. A Prefeitura reforçou a estrutura do evento com ações voltadas ao conforto, à segurança e à sustentabilidade. Doze caminhões-pipa circularam pela região ao longo do dia, proporcionando o tradicional “banho coletivo”. Bebedouros foram instalados em pontos estratégicos, como a Praça Getúlio Vargas, a FAFI, o Mucane, a Praça Ubaldo Ramalhete, o Tancredão e o Sambão do Povo. A limpeza urbana também recebeu atenção especial, com mais de 150 contentores e mil papeleiras distribuídos ao longo da Beira-Mar e do Circuito da Folia. Pontos de coleta seletiva, em parceria com catadores e recicladores, contribuíram para a destinação correta dos resíduos e geração de renda. A programação do Carnaval de Vitória segue até terça-feira, com blocos e apresentações musicais no Centro da capital. Segunda-feira — 16 de fevereiro 9h — Bloco Prog Folia — Avenida Beira-Mar (Centro) 14h — Bloco Coisas de Negres — Avenida Beira-Mar (Centro) 14h30 — Bloco Oitentação — Viaduto Caramuru (Centro) 19h — Circuito da Folia com Dalzy Sales (Avenida Beira-Mar até o Sambão do Povo) 20h30 — Sambão do Povo com Frazão e Tiee Terça-feira — 17 de fevereiro 9h — Bloco Amigos da Onça — Bica Capixaba (entrada do Parque da Gruta da Onça) 14h — Bloco Galinha Preta — Rua Maria Saraiva (Centro) 19h — Circuito da Folia com Viviane Miranda (Praça Costa Pereira — Jerônimo Monteiro — Sambão do Povo) 20h30 — Sambão do Povo com Alan Venturin e Leandro Sapucahy Foto: PMV
IEL-ES reúne 29 oportunidades de estágio e emprego formal no Espírito Santo
Seleção contempla diferentes áreas de formação, com salários que podem chegar a R$ 5 mil O Instituto Euvaldo Lodi do Espírito Santo (IEL-ES) está com 29 oportunidades abertas para estudantes e profissionais que buscam inserção ou recolocação no mercado de trabalho. As vagas incluem estágios e postos de trabalho em regime formal, distribuídos em diferentes áreas de atuação e níveis de formação. Do total de oportunidades, 13 são destinadas a estudantes do ensino superior, nove a cursos técnicos e tecnólogos e sete correspondem a vagas profissionais em regime CLT. As oportunidades abrangem áreas como Pedagogia, Administração, Logística, Análise de Sistemas, Sistemas de Informação, Enfermagem, Segurança do Trabalho, Mecânica, Elétrica, Eletromecânica, Eletrotécnica, Mecatrônica, Automação, Manutenção Automotiva, Elétrica Automotiva, Engenharia Elétrica, Engenharia de Controle e Automação, Engenharia de Produção, Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Marketing, Design Gráfico, Arquitetura e Urbanismo e Engenharia de Minas. As vagas estão distribuídas nos municípios de Vitória, Cariacica, Vila Velha, Serra, Viana, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares e Colatina. As bolsas de estágio variam entre R$ 750 e R$ 1.800, podendo incluir benefícios adicionais conforme a empresa contratante. Já as oportunidades de emprego formal apresentam salários entre R$ 2.107 e R$ 5.000, também com possibilidade de benefícios como ticket alimentação, auxílio alimentação e plano de saúde. Os interessados podem conferir os requisitos e realizar a inscrição no site carreiras.iel.org.br/ES.
João Gualberto – “Trilhos do progresso”
Nós que vivemos imersos em um imenso laboratório em que tudo muda a toda hora, que é mundo contemporâneo, muitas vezes não temos uma noção exata do significava o progresso para as gerações anteriores às nossas. Vamos para um exemplo concreto daquilo que quero dizer, no caso do Espírito Santo. O ideal de progresso que tanto animou os republicanos no fim do século XIX e início do século XX estava alicerçado em alguns elementos que a tecnologia da época permitia. Vamos lá, o café chegou ao nosso estado na primeira metade do século XIX, e a partir de sua segunda metade transformou-se no setor econômico mais dinâmico da nossa economia regional, com também na brasileira. A força do café como elemento propulsor da prosperidade era, sobretudo, o fato dele ser um produto de consumo internacional em larga escala. Entretanto, isso também significava que ele deveria ser transportado até os seus consumidores localizados em outros países do mundo, ou mesmo em outras regiões brasileiras. Para os milhares de imigrantes europeus que aqui chegaram em busca de prosperidade, somente os cafezais poderiam responder a expectativa de pessoas e famílias que arriscaram suas vidas em uma aventura transatlântica de alto custo pessoal. As terras haviam, a imensa maioria ainda coberta pelas matas tropicais, o primeiro trabalho foi derrubar as matas, limpar o terreno e plantar o café. A mão de obra vinha, inicialmente, do terrível regime da escravidão, e não haveria o vertiginoso crescimento econômico que tivemos no século XIX, não fosse o abjeto uso do trabalho cativo. Quando a produção cafeeira capixaba, e também a brasileira, já estava muito bem implantada, as condições da manutenção do tráfico internacional de seres humanos foi chegando ao fim. A questão foi resolvida com a atração de mão de obra em países como a Itália, a Polônia e a Alemanha, onde as condições de manutenção de um claro excedente populacional não era fácil. Terras pequenas e pouco produtivas, facilidade de transporte ferroviário e marítimo, e a oferta de oportunidades no Novo Mundo atraíram os que para cá vieram. Terra tínhamos, a questão do trabalho foi sendo resolvida ao longo do tempo de várias maneiras, do trabalho cativo a imigração internacional, e, finalmente a migração interna, sobretudo aquela feita pelos nordestinos vindos para a região Sudeste. Para alcançar o mercado, quando chegamos ao patamar de grandes produtores, precisamos de uma infraestrutura logística que não tínhamos. Era esse o grande drama das primeiras gerações republicanas no Espírito Santo. O nosso café era transportado em lombo de burro, pelos rios ate os cais onde eram embarcados para o Rio de Janeiro, de onde eram exportados. A grande tarefa de nossos líderes, dos coronéis dos primeiros tempos da república era a construção dessa logística para a exportação do café. O Porto de Vitória já era pensado na assembleia provincial por um movimento estudado pelo brilhante historiador Leandro Quintão, assim como as linhas férreas necessários ao transporte do café até porto. Era preciso materializar as ideias republicanas de progresso através da criação das condições para o escoamento do café capixaba. É aí que surge a importância das estradas de ferro. Deparai-me com a dissertação de mestrado em arquitetura na Ufes de Tamara Lopes, estudando os impactos da construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas no Norte do Espírito Santo, que não havia como território produtivo até então. Estava nas mesmas condições encontradas pelos portugueses em sua chegada ao Brasil. As matas foram derrubadas para a construção de ferrovia, depois para a instalação de toda uma rede urbana que dava suporte ao embarque do café nas inúmeras estações que foram sendo criadas. Lendo os trabalhos desses dois jovens talentos capixabas, Tamara e Leandro, enxergamos com clareza que a nossa rede de cidades surgiu com as ferrovias, cidades como Colatina só existem porque um dia ali foi construída uma estação de trem. O município até então era Linhares, que perdeu a sede para Colatina, exatamente como aconteceu com São Pedro de Itabapoana em relação a Mimoso do Sul. A nossa malha urbana tradicional surgiu assim. Portos e ferrovias eram os significados de nosso progresso. Sem eles não haveria escoamento da nossa produção. Por isso, as primeiras elites republicanas focaram nisso, por isso Muniz Freire atingiu grandespatamares de liderança, e Jerônimo Monteiro e Florentino Avidos foram seus grandes sucessores, décadas depois. Se nos anos 1930 como disse o último de nossos governantes da primeira república, governar era construir estradas, no inicio da república no Espírito Santo os trilhos eram a marca do progresso. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018.