Especialista em Direito da Família explica como a rotina de cuidados pode representar uma contribuição econômica Quem leva o filho à escola, acompanha consultas médicas, prepara refeições, organiza a rotina, ajuda nas tarefas, cuida da higiene e oferece suporte emocional, está trabalhando. A diferença é que esse trabalho, realizado diariamente dentro de casa, normalmente não aparece no contracheque, e durante muito tempo também ficou praticamente invisível nas discussões jurídicas sobre pensão alimentícia. A discussão sobre o valor econômico do trabalho de cuidado vem ganhando espaço no Direito das Famílias e pode trazer uma nova perspectiva para a forma como são divididas as responsabilidades entre pais e mães após uma separação. Embora o cuidado possa ser exercido por qualquer um dos genitores, na prática ele ainda recai majoritariamente sobre as mulheres. Dados da PNAD Contínua de 2022 mostram que as mulheres dedicavam, em média, 9,6 horas a mais por semana do que os homens aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. A consequência vai além da sobrecarga dentro de casa. Quando a mulher assume grande parte da rotina dos filhos, pode ter menos disponibilidade para trabalhar, estudar, fazer cursos, buscar uma promoção ou desenvolver sua carreira. Esse chamado ‘custo de oportunidade’ pode repercutir diretamente em sua autonomia financeira e em sua renda ao longo da vida. De acordo com a advogada Rafaella Litke Vimercati, especialista em Direito da Família – do escritório Alexandre Dalla Bernardina & Associados – quando falamos em contribuição para o sustento dos filhos, é muito comum pensar apenas no dinheiro que cada genitor coloca. “Mas existe uma outra contribuição que acontece todos os dias: o tempo, o trabalho e a disponibilidade dedicados ao cuidado. Esse esforço também tem valor e precisa ser considerado quando se busca uma divisão equilibrada das responsabilidades parentais”, explica. Cuidado também é uma forma de contribuição Na fixação da pensão alimentícia, a análise da capacidade financeira de cada genitor não deve se limitar à renda formal ou aos valores que aparecem em contracheques e declarações. Quando um dos responsáveis assume de forma predominante os cuidados cotidianos dos filhos, é necessário considerar também o impacto econômico desse trabalho não remunerado. A pensão alimentícia tem como finalidade garantir as condições necessárias ao desenvolvimento da criança ou do adolescente e não se restringe à alimentação. Ela envolve despesas com moradia, educação, saúde, transporte, vestuário, lazer e outros custos relacionados à vida do filho. Entretanto, enquanto as contribuições financeiras podem ser identificadas por meio de salários, recibos e comprovantes, o trabalho de cuidado – como acompanhar consultas médicas, reuniões escolares, organizar a rotina, preparar refeições, administrar atividades e permanecer disponível para atender às necessidades dos filhos – não possui um valor econômico tangível. “O cuidado não gera remuneração formal, mas produz impacto econômico. Uma mãe que reduz sua jornada de trabalho, recusa uma promoção, deixa de aceitar determinadas oportunidades profissionais ou até se afasta do mercado para atender às necessidades dos filhos sofre uma perda financeira concreta. Essa realidade deve ser considerada tanto na divisão dos encargos parentais quanto na análise de sua efetiva capacidade contributiva”, afirma a especialista. Isso significa que, ao avaliar a possibilidade financeira da genitora para fins de fixação dos alimentos, não é suficiente observar apenas quanto ela recebe mensalmente. Também devem ser consideradas as limitações profissionais e econômicas decorrentes do tempo destinado ao cuidado dos filhos, inclusive a chamada perda de oportunidade, que pode se refletir em redução de renda, menor progressão na carreira e menor disponibilidade para o trabalho remunerado. Segundo a advogada, “é preciso reconhecer que a contribuição para a criação dos filhos pode ocorrer tanto por meio de recursos financeiros quanto pelo trabalho de cuidado. Se um dos genitores assume a maior parte dessa carga e, em razão disso, tem sua capacidade de geração de renda afetada, essa circunstância precisa ser considerada para que a divisão das responsabilidades seja verdadeiramente proporcional”. Justiça começa a reconhecer o chamado trabalho invisível da mulher Esse entendimento já aparece em decisões judiciais. Em 2023, a 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná adotou o protocolo de julgamento com perspectiva de gênero do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para majorar o valor de alimentos, considerando no cálculo da proporcionalidade dos alimentos o trabalho doméstico de cuidado diário e não remunerado da mulher. Apesar desses avanços na jurisprudência, o entendimento ainda não é uniforme nos tribunais brasileiros. “A jurisprudência está começando a perceber que olhar apenas para a renda formal pode não retratar a verdadeira divisão equilibrada de responsabilidades dentro de uma família. O Direito precisa acompanhar essa realidade e enxergar aquilo que durante muito tempo foi considerado obrigação natural da mulher: o trabalho de cuidar”, avalia Rafaella Vimercati. O impacto para mulheres e crianças Para a especialista, reconhecer o trabalho de cuidado também está relacionado à proteção da criança. Isso porque uma divisão mais equilibrada dos encargos entre os genitores pode garantir melhores condições para que o cuidador principal mantenha sua autonomia financeira e, ao mesmo tempo, assegure que ambos os pais participem efetivamente da criação dos filhos. O Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do CNJ é apontado como uma ferramenta importante nesse processo, ao orientar o Judiciário a identificar estereótipos e considerar os impactos econômicos e sociais da divisão desigual do trabalho doméstico e de cuidado. “Reconhecer o valor do cuidado é reforçar a ideia de parentalidade responsável. Criar um filho envolve dinheiro, mas envolve também tempo, presença, dedicação e trabalho. Todos esses elementos precisam fazer parte da conta quando se busca justiça na divisão das responsabilidades”, conclui a advogada.
Crítico da atuação do STF, Conrado Hübner Mendes debate direito no ES
Professor de Direito Constitucional e colunista da Folha de S.Paulo participa da Aula Inaugural da FDV na próxima quarta-feira (26), em Vitória Conhecido por suas análises críticas sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições do sistema de Justiça, o jurista Conrado Hübner Mendes estará em Vitória na próxima quarta-feira (26). Professor de Direito Constitucional, ele participa da Aula Inaugural do semestre 2026.2 da Faculdade de Direito de Vitória (FDV), às 9h30, no Auditório Alexandre Martins. Com o tema “O que é ser jurista na democracia?”, a palestra vai discutir o papel dos profissionais do Direito diante dos desafios contemporâneos do Estado Democrático de Direito. A proposta é refletir sobre as responsabilidades dos juristas, sua relação com as instituições e a Constituição e os limites da atuação jurídica em uma democracia. Colunista da Folha de S.Paulo e pesquisador de temas relacionados ao STF, à separação de Poderes, democracia e autoritarismo, Mendes tem presença frequente no debate público brasileiro. Em artigos, livros e trabalhos acadêmicos, analisa o funcionamento das instituições, o exercício do poder e os mecanismos necessários à preservação dos princípios democráticos. Trajetória acadêmica Conrado Hübner Mendes é doutor em Direito pela Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, e mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). É pesquisador do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (LAUT) e acumula passagens por instituições internacionais como as universidades de Oxford, Humboldt e Nova York, além do Instituto Max Planck de Heidelberg. Entre suas obras está “O Discreto Charme da Magistocracia”, lançado em 2023 e finalista do Prêmio Jabuti. Também é autor de “Constitutional Courts and Deliberative Democracy”, trabalho que recebeu o Prêmio Victor Nunes Leal, concedido pela Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP). A participação do jurista abre a programação acadêmica do semestre 2026.2 da FDV e oferece aos estudantes a oportunidade de discutir questões que estão no centro do debate jurídico e institucional brasileiro. A Aula Inaugural será realizada às 9h30 e é exclusiva para alunos da FDV.
Especialistas debatem limites da recuperação judicial em congresso no ES
Evento em Pedra Azul reúne ministros do STJ e especialistas em Direito Empresarial para discutir recuperação judicial, devedores contumazes e preservação da atividade econômica Os limites da recuperação judicial e os impactos das novas regras para empresas classificadas como devedoras contumazes estarão entre os temas em debate no III Congresso Brasileiro e Capixaba de Direito da Empresa, que será realizado nos dias 27 e 28 de agosto, em Pedra Azul, no Espírito Santo. O encontro reunirá especialistas de diferentes regiões do país e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entre os palestrantes está o advogado Bruno Finamore Simoni, sócio do escritório Finamore Simoni Advogados e diretor do Instituto Brasileiro de Direito da Empresa (IBDE). Na quinta-feira (27), às 11h20, ele apresenta a palestra “O devedor contumaz e a recuperação judicial”. A discussão ocorre em um momento de crescimento das recuperações judiciais no Brasil. Em 2025, os pedidos aumentaram 13%, em um cenário marcado por juros elevados, restrição ao crédito, inflação e aumento dos custos de produção. Durante a palestra, Bruno Finamore Simoni vai analisar os impactos da Lei Complementar nº 225, que estabelece restrições à recuperação judicial de empresas classificadas como devedoras contumazes. Também serão discutidos os possíveis efeitos da possibilidade de pedido de falência pelo Fisco. Para o advogado, o cenário reforça a necessidade de ampliar o debate sobre os instrumentos destinados à preservação das empresas e da atividade econômica. “A reestruturação empresarial deixou de ser um tema restrito ao meio jurídico e passou a fazer parte da realidade econômica do país. O congresso será um espaço para discutir soluções que contribuam para preservar empresas, empregos e a atividade econômica”, afirma. Promovido pelo IBDE, o congresso terá ainda a participação dos ministros do STJ Afrânio Vilela, Teodoro Santos e Sebastião Reis Júnior, além de especialistas reconhecidos nacionalmente na área do Direito Empresarial. O evento conta com o apoio da OAB-ES, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) e da Escola da Magistratura do Estado do Espírito Santo (Emes). Segundo o presidente do IBDE, Gustavo Nobre, a proposta é combinar atualização técnica, discussão sobre a evolução da jurisprudência e integração entre profissionais e acadêmicos. “Reunir profissionais e acadêmicos para debater temas atuais e a evolução da jurisprudência no STJ sobre questões sensíveis possibilita aprimorar o nível de conhecimento dos congressistas, além de criar um ótimo ambiente de networking com profissionais do Brasil inteiro”, destaca. Para ele, a realização do encontro em Pedra Azul torna a experiência ainda mais atrativa aos participantes. Sem vinculação político-partidária, o Instituto Brasileiro de Direito da Empresa atua na promoção do estudo e do aperfeiçoamento do Direito Empresarial, incentivando a preservação da atividade econômica, a produção científica e a qualificação dos profissionais que atuam no setor.
Gustavo Varella – “Ah, tragédias: grandes professoras!”
Conta-se de um homem que comprou um cavalo branco pintado de listras negras, e o detalhe que torna a história digna de registro é que ele sabia — sabia da tinta, sabia do pincel, sabia até o nome do pintor —, mas pagou o preço de zebra assim mesmo, posto que não estava comprando um animal, estava comprando o olhar dos vizinhos, o cochicho na esquina, a inveja alheia enfeitada de admiração, essa moeda que não circula em banco algum, mas que move mais gente do que o dinheiro propriamente dito. Ninguém compra zebra para montar. Compra-se zebra para ser visto montando. E é aqui que o cavalo pintado encontra a manada, porque o sujeito que se traveste de diferente e o sujeito que corre atrás dos iguais são, convenhamos, o mesmo sujeito: um quer parecer especial, o outro tem pavor de ficar de fora, e ambos deixaram de perguntar a coisa mais elementar que se pergunta diante de qualquer negócio — o que é isto, afinal? —, porque a pergunta elementar é humilde, e a vaidade não se dá com a humildade nem em dia de festa. É assim que se formam as filas na beira dos buracos: um desceu e voltou com pepita, ou disse que voltou, e os demais descem em cardume, não porque tenham visto o ouro, mas porque viram o vizinho descer, e a ideia de assistir da superfície ao enriquecimento alheio dói mais do que o risco do soterramento, que é, veja-se, exatamente o mecanismo pelo qual os soterramentos acontecem. Às vezes casos rumorosos apelidados de “pirâmides” ou outros sinônimos eufemísticos para “golpe”, “fraude”, “esquema criminoso” ou qualquer outro título mais comum quando seus envolvidos não frequentam ambientes mais nobres vêm à tona para que muita gente boa redescubra essa aritmética antiga. O que se vendia como sofisticação — o clube seleto, o gestor de fala mansa ou de hábitos estudadamente estravagantes, a rentabilidade que os comuns não alcançavam — vai se revelando, à medida que o rombo cresce a cada edição dos jornais, algo mais próximo de um bingo elegante entre pessoas autoproclamadas elegantes, e não falta quem lembre o último baile da Ilha Fiscal, aquele de novembro de 1889, em que a corte dançou faustosamente seis dias antes de descobrir que o Império havia acabado: dança-se sempre melhor quando não se sabe que a música está no fim. Nas guerras, há quem chore os mortos e há quem lucre vendendo caixões. E é por isso que, mal a poeira sobe, chegam eles, pontualíssimos, os primeiros a pisar em qualquer terreno conflagrado: os videntes que sempre souberam, embora só contem depois, as carpideiras profissionais que choram mais alto que a viúva, os camelôs de milagre oferecendo o antídoto, a aplicação nova, segura, garantida, diferenciada — o mesmo embrulho, note-se, apenas com outro laço —, e as autoridades instantâneas, especialistas em assuntos de que jamais tinham ouvido falar até meia hora antes do desastre, agora distribuindo diagnósticos com a segurança de quem esqueceu que também estava na fila do buraco. Esses vendedores de espuma não distinguem freguês: engambelam o miserável e o engalanado com idêntico sucesso, porque não vendem investimento, vendem pertencimento, e dessa fome padecem igualmente o barraco e a cobertura. Compreende-se, claro, o desejo de multiplicar o que se juntou com trabalho e bons negócios passados — ninguém aqui prega o dinheiro no colchão, que aliás já fez as suas viúvas. O que se estranha é outra coisa: é que gente capaz de pesquisar três semanas o preço de uma geladeira entregue as economias de uma vida a quem promete o dobro em metade do tempo, sem fazer a pergunta da geladeira, e a resposta para o estranhamento já foi dada lá atrás, no cavalo pintado — não se estava comprando aplicação, estava-se comprando o direito de dizer que se tinha. Curiosas também, nesses episódios, três indagações “metafóricas” (que quase nunca são feitas). A primeira: se água ao nível do mar ferve-se a 100 graus Celcius, numa caneca simples sobre as chamas de um prosaico fogão, qual a utilidade prática de uma geringonça tecnológica caríssima, que entrega o mesmo resultado? A segunda: se determinado líquido de cor caramelo, gaseificado, saborizado como “Cola”, adocicado e engarrafado pode ser produzido, engarrafado e distribuído por um décimo do custo unitário dos tradicionais, vendidos pelas grandes marcas mundiais, não seriam essas as primeiras a fabricar e comercializar essas maravilhas, aumentando, exponencialmente, suas margens de lucro? Finalmente a terceira: se determinado segredo ou método inovador e infalível, guardado no recôndito mais escuro possível, sucumbe diante de um simples acender de lâmpada, não seria ele, o segredo, apenas uma construção mental de seus detentores e o tal método tão somente um bicho peludo que mia e anda pelos telhados e becos caçando ratos, com um crachá pendurado no pescoço escrito “elefante”? Outrossim, como ensina a “psicologia da criança arteira”, aos amados pestinhas menos importam as consequências de seus atos, a bronca dos pais desgostosos com a obediência ou as reprimendas escolares decorrentes de sua ação, do que serem flagrado nelas, ruindo, em público, a aura de inteligência e bom comportamento, que era “vendida” como sinal de genialidade ou habilidades incomuns. Aos soterrados de agora, e aos que ainda contemplam a beira do buraco, valem os conselhos que ouvíamos dos avós, que não conheciam derivativos mas conheciam gente: no escuro, não se dá passo à frente sem antes saber onde se está e o tamanho das próprias pernas; quando tudo desaba, a primeira melhor reação é, muitas vezes, não reagir, porque quem cava desesperado atrás do prejuízo costuma apenas aprofundar o buraco, acreditando que a solução está sempre a mais umas cavadas de distância; e que prudência, caldo de galinha e uma noite dormida entre dois dias ruins evitaram mais tragédias do que muita consultoria cara. Do avião que caiu, ainda não se conhece a extensão dos destroços, nem a lista completa de passageiros, nem quem pilotava, nem — o que talvez seja o mais doloroso — quem
Prefeitura de Vila Velha cria novo 0800 para serviços de iluminação pública
Canal gratuito funciona 24 horas por dia e recebe solicitações sobre lâmpadas apagadas, acesas durante o dia ou com oscilação Os moradores de Vila Velha contam com um novo canal para solicitar manutenção e comunicar problemas relacionados à iluminação pública. O atendimento agora pode ser feito gratuitamente pelo telefone 0800 620 0000, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo sábados, domingos e feriados. Pelo novo número, a população pode informar ocorrências como lâmpadas apagadas, acesas durante o dia ou apresentando oscilação. Durante a ligação, o morador deve fornecer as informações necessárias para que a equipe consiga identificar e localizar o ponto de iluminação. Para agilizar o atendimento, a orientação é informar o número do poste, identificado pela sigla IPVV. “Para facilitar a identificação, a orientação é ter em mãos o número do poste, identificado pela sigla IPVV. A numeração permite localizar o equipamento indicado no chamado. Caso o morador tenha dificuldade para encontrar o código, o atendimento também pode registrar a solicitação a partir do endereço e de um ponto de referência próximo”, explica o secretário de Serviços Urbanos, San Clever Coutinho. Depois que a solicitação é registrada, a empresa responsável pela iluminação pública é acionada para verificar a ocorrência e realizar o serviço necessário. A orientação é que o morador solicite o número do protocolo ao final do atendimento e guarde a informação para acompanhar o andamento do chamado. Serviço Iluminação pública de Vila Velha Telefone: 0800 620 0000 Atendimento: 24 horas por dia, todos os dias Ligação: gratuita Identificação: se possível, informe o número IPVV do poste Sem o número IPVV: informe o endereço e um ponto de referência Protocolo: solicite e guarde o número para acompanhar o chamado
Vitória recebe III Simpósio da Neurodiversidade em setembro
Evento promovido pela Amaes reunirá especialistas, pesquisadores, educadores, familiares e estudantes para discutir autismo, inclusão e inovação Vitória recebe, no dia 12 de setembro, o III Simpósio Amaes da Neurodiversidade. Promovido pela Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes), em conjunto com o Instituto de Capacitação Extensão e Gestão de Neurodiversidade (CEG), o evento será realizado das 8h às 18h, no Vitória Grand Hall. Em sua terceira edição, o simpósio reunirá profissionais da saúde, pesquisadores, educadores, familiares e estudantes para um dia de debates sobre neurodiversidade, inclusão e inovação. A proposta é fortalecer o diálogo entre ciência, saúde e educação em torno do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de outras condições neurodivergentes. A programação contará com profissionais de referência nas áreas de neurologia, psiquiatria, direito e neuroeducação. O encontro também abrirá espaço para um relato em primeira pessoa sobre trajetória de vida, desenvolvimento e inclusão. “Cada edição do simpósio reforça o compromisso da Amaes em aproximar ciência e sociedade. Neste terceiro ano, ampliamos o debate para além do diagnóstico, trazendo também a perspectiva de quem vive a neurodivergência no dia a dia, e isso torna o encontro ainda mais completo”, destaca Pollyana Paraguassú, presidente da Amaes. Palestrantes confirmados Entre os nomes já confirmados está o neuropediatra Dr. Raphael Rangel, especialista em neurologia infantil, epilepsia e neurofisiologia clínica. A programação terá ainda Natasha Ganem, médica psiquiatra e referência nacional em Mutismo Seletivo e Transtorno do Espectro Autista; e Carla Bertin, advogada especialista em direitos da pessoa autista e idealizadora do projeto Autismo Legal. Também participa Gabriel Bertin (Gabs), jovem autista que compartilhará sua trajetória de desenvolvimento e inclusão. Completam a relação de palestrantes já anunciados Cláudia Pelegrini, neuropsicopedagoga, pesquisadora e referência em funções executivas, aprendizagem e neuroeducação; e Dr. Bruno Jacobsen, especialista em desenvolvimento humano e TEA, com atuação baseada em evidências científicas. Outros nomes ainda serão divulgados nas próximas semanas. Evento terá caráter solidário Assim como nas edições anteriores, o III Simpósio Amaes da Neurodiversidade terá caráter solidário. A renda arrecadada será destinada à manutenção dos projetos e atendimentos desenvolvidos pela Amaes. A instituição atua desde 2001 na defesa dos direitos das pessoas autistas e na promoção da inclusão social no Espírito Santo. Em 2025, foram realizados 92.664 atendimentos. Atualmente, a Amaes atende diretamente 1.481 pessoas e possui uma lista de espera de 2.348 pessoas. Serviço III Simpósio Amaes da Neurodiversidade Data: 12 de setembro de 2026 Horário: das 8h às 18h Local: Vitória Grand Hall — Rua Doutor João Carlos de Souza, 55, Santa Luíza, Vitória (ES) Inscrições: pelas redes sociais da Amaes e pelo Sympla 2º lote: R$ 199,90 Meia-entrada: R$ 99,95 Grupos acima de cinco pessoas: R$ 99,95 Inscrições: página do III Simpósio da Neurodiversidade no Sympla
Prêmio Sebrae Mulher de Negócios anuncia 22 finalistas no Espírito Santo
Empreendedoras disputam cinco categorias; vencedoras da etapa estadual serão conhecidas no dia 10 de setembro, em Vitória O Sebrae/ES divulgou as 22 finalistas da etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026. As empreendedoras estão distribuídas em cinco categorias: Ciência e Tecnologia; Microempreendedora Individual (MEI); Negócios Internacionais; Produtora Rural ou Artesã; e Pequenos Negócios. O prazo para apresentação da documentação exigida pelas finalistas se encerrou nesta quinta-feira (20). Agora, as participantes aguardam a Cerimônia Estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, marcada para o dia 10 de setembro, no Cerimonial Ferrari Eventos, em Vitória, quando serão conhecidas as vencedoras de cada categoria. “Fazer a gestão do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios no Espírito Santo é uma responsabilidade muito grande e, ao mesmo tempo, muito especial. A gente sabe que, por trás de cada inscrição, não existe apenas uma candidata, mas uma mulher que confiou ao Sebrae a sua história, sua trajetória e tudo o que construiu por meio do seu negócio. Por isso, conduzir cada etapa exige muito cuidado, seriedade e respeito, para garantir um processo criterioso e justo. Para mim, é um privilégio acompanhar de perto tantas histórias potentes e contribuir para que o trabalho e o protagonismo dessas mulheres sejam reconhecidos”, afirma Lisandra Carneiro, gestora do Sebrae Delas e de Afroempreendedorismo do Sebrae/ES. Caminho até a premiação nacional A cerimônia estadual é uma das etapas do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. Após a definição das vencedoras em cada estado e no Distrito Federal, as empreendedoras seguem para a Etapa Regional. Nessa fase, um júri avaliará as candidatas e selecionará uma vencedora de cada categoria para avançar à disputa nacional. Ao todo, 35 vencedoras regionais participarão da Etapa Nacional. Entre os dias 28 de setembro e 28 de outubro, uma comissão nacional fará a avaliação das empreendedoras classificadas. A participação das vencedoras regionais no evento de Premiação Nacional está prevista para o dia 17 de novembro de 2026, no Espírito Santo. Ao final de todo o processo, serão escolhidas 15 vencedoras nacionais, com premiações de Ouro, Prata e Bronze nas cinco categorias da competição. Na etapa estadual, as vencedoras receberão prêmios em dinheiro: Ouro: R$ 5 mil Prata: R$ 3 mil Bronze: R$ 2 mil Já na etapa nacional, as representantes concorrerão aos seguintes valores: Ouro: R$ 50 mil Prata: R$ 30 mil Bronze: R$ 20 mil Conheça as 22 finalistas Ciência e Tecnologia Anna Paula de Souza Rampazzo Karla Santos Feu Marina Cricco Rafaela Morra Marques Rayssa Pereira do Nascimento Mendes Microempreendedora Individual (MEI) Ana Paula Carvalho Fernanda Giori Smarcaro Franthiesca Rodrigues Pegoretti Pâmela Z Z Rosetti Stael Magesck Serra Negócios Internacionais Micheli Sossai Mirella Ribeiro Alves de Souza Produtora Rural ou Artesã Alcione Patrícia Diirr Bertoli Angelina Balarine Carolini Freitas Menegardo Jurema Conceição Gonçalves Thaiz Romão Pequenos Negócios Flora Gomes Machado Geuziana Araújo Guizzardi Juliana Nepomuceno da Silveira Margaret Siqueira Virginia Endlich Fiorese Os nomes das finalistas são apresentados exclusivamente em ordem alfabética. A posição na lista não representa classificação, pontuação ou ranking. As premiadas de cada categoria serão conhecidas somente durante a cerimônia estadual, no dia 10 de setembro. Serviço Cerimônia Estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026 Data: 10 de setembro de 2026 Horário: 17h Local: Cerimonial Ferrari Eventos – Rua Constante Sodré, 540, Santa Lúcia, Vitória (ES) Próximas etapas Etapa Regional – análise e seleção das vencedoras regionais: 1º a 25 de setembro de 2026 Etapa Nacional – análise e seleção das vencedoras nacionais: 28 de setembro a 28 de outubro de 2026 Evento de Premiação Nacional: 17 de novembro de 2026, no Espírito Santo
McDia Feliz acontece neste sábado e renda dos Big Macs no ES será destinada à Acacci
Campanha será realizada neste sábado (22) em todos os restaurantes da rede no Espírito Santo; recursos vão apoiar projetos de atendimento a crianças e adolescentes com câncer Quem comprar um Big Mac neste sábado (22) no Espírito Santo também estará contribuindo com o atendimento a crianças e adolescentes com câncer. Mais uma edição do McDia Feliz será realizada em todo o país e, no Estado, a renda obtida com as vendas do sanduíche, descontados os impostos, será destinada à Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil (Acacci). A instituição oferece assistência integral a crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer, além de suporte socioemocional aos pacientes e familiares. A Acacci também oferece hospedagem para famílias que vêm do interior do Espírito Santo para realizar tratamento na Grande Vitória. Segundo Patrícia Correia, diretora do Grupo Correia, responsável pelas lojas do McDonald’s no Espírito Santo, desde 2017 mais de R$ 1 milhão já foi destinado à Acacci por meio do McDia Feliz. “Os valores arrecadados desde então serviram para viabilizar uma série de projetos. Entre eles, a compra do micro-ônibus que transporta crianças e adolescentes do interior do Estado em tratamento no Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória e hospedados na Acacci”, afirma Patrícia. Os recursos da campanha também contribuíram para melhorias na estrutura da instituição. Entre elas estão a construção do prédio Bem-Me-Quer, que integra a sede da Acacci em Jardim Camburi, Vitória, e a cobertura do pátio. Também foram adquiridos equipamentos destinados a terapias complementares, como fisioterapia, além de mobiliário para a instituição. Parte dos recursos foi aplicada ainda em melhorias no Núcleo Onco-Hematológico do Hospital Infantil. Outra frente beneficiada é o trabalho de diagnóstico precoce do câncer infantil. As ações incluem capacitação e treinamento de equipes de universidades e unidades de saúde e de profissionais da área, com orientações para identificação de sinais e sintomas que podem, inicialmente, ser confundidos com problemas mais comuns, como gripes, resfriados e infecções. McDia Feliz Realizado no Brasil desde 1988, o McDia Feliz é a principal campanha beneficente do McDonald’s e se tornou uma das maiores mobilizações do país voltadas a crianças e adolescentes. A iniciativa gera recursos para instituições apoiadas pela Casa Ronald McDonald Brasil, que desenvolvem ações para crianças e adolescentes com câncer e suas famílias. Desde 2018, a campanha também passou a apoiar projetos na área de educação, por meio do Instituto Ayrton Senna. Desde a primeira edição, mais de R$ 426 milhões já foram arrecadados pela campanha no Brasil. McDia Feliz 2026 Quando: sábado, 22 de agosto No Espírito Santo: renda das vendas de Big Mac, descontados os impostos, destinada à Acacci Mais informações: McDia Feliz
ArteSanto vai premiar releituras do Boi Pintadinho; veja como participar
Concurso vai reunir criações de artesãos de municípios capixabas e terá premiação técnica e por voto popular durante a feira, em Vitória A cultura popular capixaba e a tradição dos bois serão protagonistas da 14ª edição da ArteSanto – Feira Nacional do Artesanato, que será realizada de 5 a 13 de setembro, na Praça do Papa, em Vitória. Neste ano, o evento terá como tema o Boi Pintadinho e suas diferentes interpretações artísticas e vai promover um concurso estadual para estimular novas releituras dessa manifestação cultural. As inscrições já estão abertas. O Concurso Estadual dos Bois Artesanais do Espírito Santo é destinado exclusivamente a municípios capixabas que preservam manifestações tradicionais como Boi Pintadinho, Boi de Reis, Boi de Máscaras e outras expressões folclóricas que tenham o boi como elemento central. Cada município participante poderá indicar um único artesão. O escolhido ficará responsável pela criação de uma vestimenta de boi artesanal inédita, inspirada nas tradições de sua região e produzida com técnicas características do artesanato capixaba. As peças selecionadas vão integrar a Exposição Estadual dos Bois Artesanais, aberta à visitação durante a ArteSanto. A premiação será dividida em duas modalidades: uma avaliação técnica, realizada por uma Comissão Julgadora de acordo com os critérios estabelecidos no regulamento, e o Voto Popular, com participação dos visitantes da feira. Os vencedores serão conhecidos no encerramento da ArteSanto, no dia 13 de setembro. Os municípios premiados receberão troféus e os artesãos, medalhas. O vencedor da categoria definida pela avaliação técnica também receberá uma Smart TV de 40 polegadas. As inscrições podem ser realizadas até o dia 28 de agosto de 2026, por meio do formulário disponível no site oficial da ArteSanto, onde também pode ser consultado o regulamento do concurso. Cerca de 500 expositores Considerada o maior evento de artesanato do Espírito Santo, a ArteSanto reunirá cerca de 500 expositores em uma área superior a cinco mil metros quadrados. A programação contará com trabalhos de diferentes estados brasileiros, além de forte participação dos artesãos capixabas. Entre os produtos que poderão ser encontrados estão peças de cerâmica, tecidos, fibras naturais e couro, além da tradicional panela de barro, artesanato indígena, joias, roupas, bolsas, móveis e objetos de decoração. A cultura dos bois terá espaço especial nesta edição. Além do concurso, o público poderá conferir uma exposição imersiva dedicada às manifestações da cultura popular capixaba, com curadoria de conteúdo da historiadora Patrícia Merlo. A programação terá ainda atrações musicais, apresentações culturais e opções gastronômicas. A entrada será gratuita. A ArteSanto é uma realização do Instituto Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (INDES), com organização da Iamonde Design de Eventos e apoio do Sebrae, da Aderes e do Governo do Estado do Espírito Santo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento. Serviço ArteSanto 2026 Data: 5 a 13 de setembro de 2026 Local: Praça do Papa, Vitória (ES) Entrada: gratuita Inscrições e regulamento: ArteSanto Fotos: Eliel Ximenes | Filmm Content
Igor Nelo – “Reforma Tributária: quanto custará a simplificação?”
A Reforma Tributária nasceu com uma promessa difícil de contestar: tornar mais simples, transparente e racional um sistema historicamente marcado pela complexidade. Mas, à medida que a regulamentação avança, surge uma pergunta importante para quem produz e investe no Brasil: qual será o preço dessa simplificação? O Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) publicou, em 29/07/2026, a Resolução nº 14, que trabalha com uma projeção de alíquota-padrão conjunta de IBS e CBS de 27,91% ao final da transição, em 2033. É preciso cautela: não se trata de alíquota definitiva. A estimativa possui finalidade essencialmente metodológica, relacionada à previsão da arrecadação do IBS em 2027 e ao financiamento do Comitê Gestor, instituição central na administração do novo imposto. Ainda assim, o número acende um alerta. Segundo a OCDE, a alíquota-padrão média do IVA entre os países da organização é de 19,3%. A maior é a da Hungria, de 27%, seguida por Dinamarca, Noruega e Suécia, com 25%. Se a projeção brasileira se confirmar, nossa alíquota-padrão nominal superará a de todos os países da OCDE considerados no levantamento. A comparação exige cautela. Os países adotam diferentes combinações entre tributação da renda, patrimônio, trabalho e consumo. Não existe um único modelo tributário ideal. Existe uma escolha sobre quem financia o Estado, em que medida e sobre quais bases econômicas. E parte da pressão sobre a alíquota brasileira nasce das escolhas feitas durante a própria reforma. Se é necessário preservar a arrecadação enquanto se concedem alíquota zero, reduções e regimes diferenciados, a parcela restante da economia tende a suportar uma alíquota maior. Em matéria tributária, benefícios não eliminam a conta; apenas redistribuem quem irá pagá-la. Para o empresário, essa discussão é vivenciada nas decisões diárias. Uma alíquota próxima de 28% interfere na formação de preços, pressiona margens e capital de giro, altera contratos e influencia decisões de contratar, investir ou expandir. Seus efeitos serão distintos conforme o setor e a capacidade de aproveitamento de créditos. A Reforma Tributária continua sendo uma oportunidade histórica. Simplificação, transparência e não cumulatividade são avanços reais. Mas um sistema tributário não pode ser avaliado apenas por quanto arrecada ou pela facilidade de cumprir suas regras. Deve também permitir que a economia que o financia continue capaz de produzir riqueza. Não é por acaso que, em pleno ano eleitoral, a tributação volta ao centro do debate econômico. Reformas tributárias não terminam quando aprovadas pelo Congresso. Elas são testadas quando encontram a economia real — nas decisões de investir, contratar, produzir e consumir. E esse debate certamente continuará na agenda dos próximos governos. Em 2033, portanto, o verdadeiro teste não será apenas saber se simplificamos os tributos. Será saber quanto essa simplificação custou à competitividade e à economia do Brasil. Igor Nelo é advogado especialista em Direito Tributário