No início do último ano à frente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo na atual legislatura, o presidente Marcelo Santos recebeu o News ES em seu gabinete, na sede do Poder Legislativo, para uma entrevista especial. Nesta segunda parte da conversa, o deputado fez um balanço da gestão e projetou os desafios de 2026. Em um ano marcado pelo calendário eleitoral, o deputado afirmou que o funcionamento da Casa, as votações e as entregas à sociedade capixaba não serão comprometidos pelo acirramento natural do debate político. Ao longo da entrevista, Marcelo Santos destacou que o respeito institucional tem sido o eixo central de sua condução à frente da Assembleia, orientando tanto as relações internas entre os parlamentares quanto o diálogo com os demais Poderes e órgãos de controle. Segundo ele, esse ambiente de equilíbrio, autonomia e harmonia permitiu à Casa retomar protagonismo, cumprir prazos constitucionais e atuar de forma decisiva em pautas estratégicas para o Espírito Santo. O presidente também apontou os principais desafios que devem ganhar centralidade em 2026, como os impactos da reforma tributária no Estado, a preservação da segurança jurídica e a responsabilidade do Legislativo em um ano decisivo para o país. Para Marcelo Santos, manter a estabilidade política e o diálogo institucional será fundamental para que a Assembleia continue funcionando plenamente e atendendo às expectativas da população capixaba. NEWS ES: A Assembleia está entrando no último ano da sua gestão à frente da Casa. Gostaríamos de começar perguntando: qual entrega o senhor considera mais importante para a sociedade capixaba nesta legislatura? MARCELO SANTOS: Primeiro, quero agradecer pela presença do News Espírito Santo. A imprensa tem um papel muito importante, porque leva informação, ainda mais quando faz isso de forma clara e com imparcialidade, seja para o leitor, seja para o seguidor nas redes sociais. O principal legado que vou deixar aqui na Assembleia se resume a uma única palavra: respeito. Esse respeito norteou as nossas relações internas — entre eu, enquanto presidente, e meus colegas deputados e deputadas — e também as relações institucionais entre o Executivo, o Judiciário, a Assembleia Legislativa e o Ministério Público. Mas a principal relação respeitosa que precisamos ter, e que é o verdadeiro resultado do nosso trabalho, é com a população do Espírito Santo. Esse respeito fez com que, por exemplo, conseguíssemos entregar o orçamento estadual dentro do prazo estabelecido pela Constituição e pelo Regimento Interno da Casa, garantindo que o Governo do Estado pudesse iniciar o ano de 2026 já devolvendo à sociedade ações importantes. Porque ter uma relação respeitosa não significa submissão, nem que um poder tenha protagonismo maior do que o outro. Significa respeitar o cidadão e cumprir o nosso papel. Acho que o principal legado é termos uma Casa formada por representantes de diversas regiões, colorações partidárias e ideologias diferentes, mas que se respeitam e, acima de tudo, respeitam a população. O respeito resume tudo isso. Esse é o grande legado que deixo na Assembleia Legislativa. A Assembleia Legislativa passou por grandes mudanças nas últimas décadas. Uma Casa que já esteve envolvida, no passado, em situações polêmicas, inclusive com deputados presos, hoje vive um período de maior estabilidade, sem aquelas notícias do passado. A que o senhor atribui essa mudança no perfil e nos trabalhos da Casa? Eu atribuo, novamente, a essa palavra curta, simples e extremamente importante: respeito. Mas, além disso, também houve um amadurecimento das instituições e dos poderes constituídos. Num passado não tão distante, a desorganização e a falta de respeito entre os pares dentro da Assembleia e da Assembleia com outros poderes e instituições geraram uma crise institucional enorme. Quando o Poder Legislativo não mantém uma relação adequada com os demais poderes, isso gera um problema muito grande. O Espírito Santo, inclusive, teve seu crescimento impedido por conta dessa desorganização. Hoje, temos uma Casa organizada, com diferenças — e isso é natural —, mas que se respeita. Ao mesmo tempo, mantemos a régua da independência e da autonomia, porque somos um poder autônomo. Assim como o Executivo tem sua autonomia, o Judiciário tem a dele, e os órgãos de controle, como o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Defensoria Pública, também têm a sua. Mas, ao lado da independência, existe a harmonia, e essa harmonia é o diferencial do Estado brasileiro. Mesmo quando não concordamos com matérias do Executivo, do Judiciário ou de qualquer outra instituição, nós respeitamos, dialogamos e conseguimos atravessar e superar várias questões. A Assembleia que antes produzia pouco ou quase nada e que, em determinado momento, impediu o desenvolvimento do Espírito Santo, não é a Assembleia de hoje. A Assembleia de hoje está antenada, fortaleceu o trabalho parlamentar, fortaleceu as comissões e retomou um protagonismo que jamais deveria ter perdido. Não é um protagonismo maior nem menor que qualquer outro poder, mas o protagonismo próprio da Assembleia Legislativa. Essa retomada fez com que o Estado pudesse crescer, se desenvolver e gerar muitas ações positivas para a população capixaba. Deputado, o que os capixabas podem esperar da Assembleia em 2026, um ano eleitoral em que o segundo semestre deve ser bastante influenciado pela pauta das eleições? O capixaba pode esperar tudo aquilo que sonhou ver se tornar realidade, no que depender da Assembleia Legislativa. Seja no calçamento rural, no recapeamento de trechos da malha rodoviária estadual – que é competência do Estado –, ou na transferência de recursos para os municípios, para que, somados aos recursos próprios das prefeituras, possam melhorar a vida dos cidadãos. Tudo aquilo que depender da Assembleia para ajudar o Espírito Santo a crescer, se desenvolver e gerar oportunidades, podem contar com total dedicação. Enquanto presidente da Assembleia Legislativa, não vai faltar esforço para ajudar o Estado e o Executivo. Não existe uma obra financiada com dinheiro público estadual que não tenha passado, primeiramente, pela Assembleia Legislativa, que eu lidero ao lado dos meus colegas deputados, autorizando o governador a realizar esse conjunto de obras que vem sendo executado nas 78 cidades capixabas. Mas 2026 é um ano importantíssimo para o Espírito
Estado lança Fundo de Descarbonização que pode superar R$ 1 bi em investimentos
O Espírito Santo deu início a uma nova etapa de sua política ambiental e energética com o lançamento do Fundo de Descarbonização do Espírito Santo, iniciativa voltada ao financiamento da transição para uma economia de baixo carbono. O fundo foi apresentado nesta terça-feira (27), em cerimônia realizada no Palácio Anchieta, em Vitória, e será supervisionado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), com gestão da BTG Pactual Asset Management. A estrutura do fundo prevê um modelo de blended finance, que combina recursos públicos e privados. O aporte inicial é de R$ 500 milhões, oriundos do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), formado com receitas de royalties de petróleo e gás. A expectativa é que, com a atração de novos investidores, o volume total de recursos ultrapasse R$ 1 bilhão nos próximos anos. Alinhado ao Plano Estadual de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa, o fundo tem como metas reduzir em 27% as emissões até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Os investimentos serão direcionados a projetos que contribuam para a mitigação, compensação, remoção e captura de gases de efeito estufa. Durante o lançamento, o governador Renato Casagrande destacou que o Estado vem adotando, há mais de uma década, políticas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas, como o Programa Reflorestar e o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas. Segundo ele, o fundo representa um avanço ao transformar receitas provenientes de combustíveis fósseis em investimentos para financiar a transição energética. O vice-governador Ricardo Ferraço avaliou que a iniciativa coloca o Espírito Santo na vanguarda nacional ao estruturar um dos maiores fundos subnacionais de descarbonização do país, utilizando royalties do petróleo para impulsionar investimentos verdes em larga escala. De acordo com o diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, o fundo consolida a atuação do banco em agendas estratégicas e estabelece uma política de investimentos com critérios técnicos e governança voltados à redução de emissões e à geração de impacto socioeconômico positivo. O fundo foi estruturado como um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e poderá financiar projetos nos setores de energia renovável, eficiência energética, indústria limpa, transportes de baixa emissão, reflorestamento, agricultura sustentável, biocombustíveis e gestão de resíduos, entre outros. Os recursos serão destinados a empresas e projetos com sede ou atuação no Espírito Santo, sem concentração em um único setor. A estruturação contou com apoio técnico do Instituto Clima e Sociedade (iCS), que colaborou no desenho do instrumento financeiro e na identificação de demandas de investimento em descarbonização no Estado. Segundo a gestão do fundo, os critérios de enquadramento e os procedimentos para acesso aos recursos serão divulgados em breve. Empresas interessadas e investidores podem obter mais informações junto à BTG Pactual Asset Management
O ano da virada fiscal: como 2026 muda as regras e exige planejamento
Mudanças começam a ser implementadas a partir deste ano e seguem até 2033; entender a reforma é essencial para evitar prejuízos Anunciada em dezembro, a reforma tributária já começou a redefinir como impostos serão cobrados e administrados. Novas regras de crédito e critérios de local de tributação afetarão contratos, políticas, investimentos, estruturas societárias e, principalmente, decisões. Para empresas, famílias e consumidores finais, as medidas significam mudanças e adaptações imediatas. Ainda que a reforma sinalize um sistema prestes a atualizar, muitos brasileiros têm dificuldades em entender o que muda, quando muda e para quem. A advogada Maria Luiza Fontenelle, especialista em Direito Empresarial e Sucessório, explica que o novo modelo fiscal prevê um longo período de transição até 2033 para evitar rupturas bruscas – mas quem a ignora agora corre o risco de ficar para trás. “O sistema antigo e o novo coexistirão, com alíquotas sendo gradualmente ajustadas e mecanismos de compensação sendo aplicados. Estados e Municípios terão um período para adaptação à nova forma de arrecadação e distribuição das receitas. Mesmo com todos esses anos de preparação, o período de transição será complexo e exigirá acompanhamento técnico constante para evitar erros e perdas financeiras. Em outras palavras, a reforma tributária exige mudança de postura e planejamento.” O que muda A principal alteração prevista é a substituição de diversos impostos sobre o consumo. Fontenelle explica que cobranças como PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI serão unificadas em dois tributos centrais: a CBS, de competência federal, e o IBS, compartilhado entre Estados e Municípios. “O novo sistema adota crédito financeiro amplo, reduzindo a cumulatividade, e passa a tributar no destino, onde ocorre o consumo, e não mais onde está o produtor ou prestador”, esclarece. Para quem muda Os novos tributos impactarão diretamente empresas — especialmente aquelas com cadeias longas de produção ou atuação nacional —, profissionais liberais, prestadores de serviços e consumidores finais, que poderão perceber mudanças nos preços e na transparência dos impostos embutidos. Famílias também devem se atentar ao consumo, ao patrimônio e ao planejamento sucessório. A advogada destaca que o redesenho tributário pode afetar preços de bens e serviços, contratos de longo prazo, imóveis e estruturas patrimoniais. O cidadão comum também será afetado, ainda que indiretamente, já que ajustes na arrecadação podem refletir em aumentos ou reduções de preços, alterações na composição de custos de serviços essenciais e até adaptações em contratos de consumo, como planos, mensalidades e serviços continuados. O que fazer Diante do novo cenário, a mudança exige postura ativa e organização por parte de todos. Para empresários, a orientação é iniciar imediatamente a revisão de preços, contratos e modelos de crédito tributário, já que a lógica de custo e margem passa a operar sob novas bases. “Também será necessário reavaliar cadeias de fornecimento, localização das operações e formatos de prestação de serviços, considerando que a tributação migrará para o destino do consumo”, completou Fontenelle. Famílias devem voltar a atenção ao planejamento financeiro e patrimonial, revisando bens, contratos e eventuais estratégias sucessórias para minimizar incertezas ao longo da transição. O consumidor, por sua vez, deve acompanhar as mudanças. Organizar informações e planejar com antecedência é a melhor forma de atravessar a transição sem prejuízos. Maria Luiza aconselha: “Dê atenção extra ao orçamento doméstico e aos contratos em vigor. Visto que a mudança ocorrerá de forma gradual, precauções são recomendadas.” Por que parece tão complicado? Apesar de o novo sistema já estar em vigor, grande parte da população ainda não conseguiu acompanhar o que efetivamente muda no dia a dia. Para a advogada, o tema segue distante porque “a reforma tem sido comunicada predominantemente em linguagem técnica, voltada a especialistas”, o que impede que cidadãos visualizem seus efeitos práticos. Nesse contexto, iniciativas que simplificam a informação e aproximam as pessoas das decisões ganham força — como o +Jus, idealizado por Maria Luiza, sistema digital que atua como tradutor de informações relacionadas a processos judiciais, simplificando o “juridiquês” em linguagem clara e acessível. “Em um contexto de mudanças normativas complexas, que podem gerar litígios justamente pela falta de clareza na informação, a proposta é aproximar as partes do que está acontecendo no processo, reduzindo ruídos e facilitando a compreensão das etapas e decisões judiciais”, ressaltou. Em um cenário em transformação, compreender o que vem pela frente deixa de ser vantagem e torna-se necessidade para empresas, famílias e consumidores que querem atravessar essa nova era com segurança e planejamento. Foto: Débora Ulich
Guias do IPTU 2026 de Vila Velha já podem ser retiradas de forma online
Os contribuintes de Vila Velha já podem acessar as guias de pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e da Taxa de Coleta de Lixo referentes ao exercício de 2026. Os documentos estão disponíveis no site oficial da Prefeitura, nos totens de autoatendimento e no atendimento presencial da Secretaria de Finanças, que funciona na Sede da PMVV, na Avenida Santa Leopoldina, nº 840, em Coqueiral de Itaparica, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. As guias já estão liberadas para retirada de forma digital e presencial. Os boletos físicos começarão a ser entregues diretamente nos imóveis a partir da segunda quinzena de fevereiro, com previsão de conclusão antes do vencimento da primeira parcela e da cota única, marcados para o dia 10 de abril de 2026. As guias estão disponíveis no seguinte endereço: https://tributacao.vilavelha.es.gov.br/tbw/loginWeb.jsp?execobj=ServicosWebSite&tab=tabCarneReemissao ou Clicando Aqui. Segundo a secretária municipal de Finanças, Adinalva Prates, a liberação antecipada facilita a vida do contribuinte e evita filas. “O pagamento online permite que o cidadão quite seus tributos sem sair de casa, com segurança, praticidade e rapidez”, destacou. Formas de pagamento O pagamento pode ser realizado via PIX ou nos bancos conveniados: Banestes, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Sicoob, Santander e Itaú. A chave PIX está disponível nas próprias guias, boletos e carnês. Quem optar pelo pagamento em cota única até o dia 10 de abril de 2026 terá desconto de 8% sobre o valor do imposto. Já o parcelamento pode ser feito em até seis vezes, sem desconto. Vencimento 1ª parcela/cota única – Vencimento em 10/04/2026 2ª parcela – Vencimento em 11/05/2026 3ª parcela – Vencimento em 10/06/2026 4ª parcela – Vencimento em 10/07/2026 5ª parcela – Vencimento em 10/08/2026 6ª parcela – Vencimento em 10/09/2026 De acordo com a Secretaria de Finanças, manter o IPTU e a Taxa de Coleta de Lixo em dia contribui diretamente para a execução de serviços públicos essenciais, como limpeza urbana, pavimentação, drenagem, obras de infraestrutura, além de investimentos em saúde, educação e melhorias nos bairros de Vila Velha. Texto e foto: PMVV
TJES agradece empenho de 300 colaboradores com deficiência na digitalização de processos
Mais de um milhão de processos já foram digitalizados no Tribunal de Justiça com o trabalho de equipes formadas majoritariamente por pessoas com deficiência auditiva Uma visita especial movimentou o Setor de Digitalização do Tribunal de Justiça do ES (TJES) nesta quinta-feira, 22/1. A presidente do TJES, desembargadora Janete Vargas Simões, foi ao encontro dos 300 colaboradores que possuem diversos tipos de deficiência, sendo, em sua maioria, 187 deficientes auditivos. A presidente estava acompanhada do desembargador Jorge Henrique Valle dos Santos, presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do TJES, e do secretário-geral do TJES, juiz Anselmo Laranja. O coordenador de Gestão da Informação Documental, Fábio Buaiz de Lima, apresentou a presidente aos colaboradores, e a conversa foi iniciada com uma fala de agradecimento. “Estamos aqui para agradecer a todos pela dedicação neste trabalho minucioso que é a digitalização dos processos. Mais de um milhão de processos já foram digitalizados. Vocês estão fazendo a diferença na vida de muitas pessoas. Sem vocês, esse resultado não seria possível. Muito obrigada”, afirmou a presidente, desembargadora Janete Vargas Simões. “Fico feliz em ver o quanto essa oportunidade faz com que vocês se sintam felizes, mais capazes e importantes. Nossa missão é garantir que essa experiência de inclusão seja transformadora. É gratificante observar o crescimento de vocês não apenas nas competências técnicas, mas na autoconfiança e na construção de laços com o trabalho em equipe”, afirmou o desembargador Jorge Henrique Valle dos Santos. “Investir na inclusão social e na inovação dos serviços prestados faz parte dos objetivos do Tribunal de Justiça do ES. Por isso, fortalecemos a parceria com a Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe) para contratar pessoas com deficiência para a digitalização de processos”, comentou o coordenador de Gestão da Informação Documental, Fábio Buaiz de Lima.
Festival Batidas do Mundo leva grandes nomes da percussão ao Cais das Artes, em Vitória
Marcos Suzano Trio, Barbatuques e Negadeza estão entre as atrações do festival, que acontece nos dias 30 e 31 de janeiro, com entrada gratuita Vitória recebe, nos dias 30 e 31 de janeiro, a primeira edição do Festival Batidas do Mundo, que reunirá grandes nomes da percussão brasileira no palco do Cais das Artes. A programação conta com apresentações de Marcos Suzano Trio, Barbatuques e Negadeza, além de uma homenagem especial ao mestre Naná Vasconcelos (1944–2016) e shows de percussionistas capixabas de destaque, como Edu Szajnbrum, Luccas Martins e Léo de Paula. A curadoria do festival é assinada pelo músico e percussionista Marcos Suzano, diretor artístico do Percpan – Festival Panorama Percussivo Mundial, um dos principais eventos de percussão do país, realizado anualmente na Bahia. Com entrada gratuita, os ingressos podem ser retirados pelo site www.batidasdomundo.com.br. O Festival Batidas do Mundo é uma realização da Caju Produções, viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), do Governo do Estado do Espírito Santo, via Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES). O evento conta com patrocínio do Grupo Águia Branca e da Decolores, além do apoio cultural da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e da VAM Instrumentos Musicais. Além dos shows no Cais das Artes, o festival promove um ciclo de oficinas gratuitas de percussão, iniciado no dia 14 de janeiro, com atividades em Cachoeiro de Itapemirim, Serra e Vitória. As oficinas são coordenadas por Edu Szajnbrum, Mestre Léo, da Banda de Congo Carapebus, Wander Sagrilo e Gabriel Policarpo, ampliando o alcance formativo e educativo da iniciativa. Segundo a diretora da Caju Produções, Tânia Caju, a concepção do festival nasceu durante uma visita a Trinidad e Tobago, onde ela teve contato com a diversidade rítmica da percussão de diferentes continentes. “A partir dessa experiência, surgiu a ideia de criar um festival em Vitória que promovesse o diálogo entre percussionistas capixabas e músicos de outras regiões do país, numa verdadeira celebração de ritmos e culturas”, afirma. Primeira noite: homenagem e tradição A abertura do festival acontece na sexta-feira (30), às 19h30, com uma homenagem a Naná Vasconcelos, considerado um dos maiores percussionistas da história. O músico pernambucano foi eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista Down Beat e conquistou oito prêmios Grammy, revolucionando a percussão ao transformar o berimbau em instrumento solista em contextos que vão do jazz à música erudita. A celebração será conduzida por percussionistas capixabas em uma apresentação coletiva especial. Na sequência, Luccas Martins apresenta um espetáculo que une a sonoridade do handpan às cordas do Quarteto Zuri, em uma experiência que dialoga com as raízes afro-brasileiras por meio da música de câmara contemporânea. Um dos músicos mais requisitados do país, Marcos Suzano sobe ao palco com seu trio, apresentando um estilo que combina pesquisa eletrônica e profundo conhecimento da música afro-brasileira. Reconhecido por colaborações com artistas como Lenine, Naná Vasconcelos e Vitor Ramil, Suzano é referência internacional na renovação da percussão brasileira. Encerrando a primeira noite, Negadeza e o grupo Rala Coco celebram a tradição do coco de roda, ritmo de origem nordestina marcado pela influência africana e indígena. Negadeza é neta de Selma do Coco e filha de Aurinha do Coco, referências da cultura popular pernambucana, e divide o palco com um grupo familiar que preserva e renova essa herança musical. Segunda noite: percussão corporal e identidade capixaba A programação de sábado (31) começa às 18h30 com o concerto Camerata Jovem Rochativa convida Edu Szajnbrum. Multi-instrumentista e referência no ensino do pandeiro brasileiro, Szajnbrum já colaborou com nomes como Marisa Monte, Gilberto Gil e Ney Matogrosso. Em seguida, o percussionista e compositor capixaba Léo de Paula apresenta seu trabalho voltado à música contemporânea de concerto para percussão, acompanhado por seu septeto. Professor do Projeto Vale Música e integrante da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo, o músico acumula prêmios e apresentações internacionais. Fundado em São Paulo, em 1997, o grupo Barbatuques leva ao festival sua consagrada percussão corporal, utilizando o próprio corpo como instrumento musical. Com reconhecimento internacional, o grupo já se apresentou em mais de 20 países, explorando ritmos que vão do samba ao rap. O encerramento do festival fica por conta do Bloco Balança Penha, criado em 2021, na Prainha, em Vila Velha. Com repertório que transita por grooves de Tim Maia, axé e congo capixaba, o grupo imprime identidade local e celebra a diversidade rítmica do Espírito Santo.
Vitória Sports anuncia sociedade com o CTRC e recebe Renato Cariani e Júlio Balestrin em Vitória
A manhã da última quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, marcou um novo capítulo para o mercado fitness capixaba. O empresário Otaviano Duarte, proprietário da Vitória Sports e da Academia Ponto 1, anunciou oficialmente a formação de uma sociedade com Renato Cariani e Júlio Balestrin, fundadores do CTRC – Centro de Treinamento Renato Cariani. Com a parceria, a Vitória Sports passa a operar sob a bandeira CTRC, tornando-se a primeira academia premium do Espírito Santo a integrar o ecossistema criado por Cariani e Balestrin, referência nacional no segmento de alta performance e treinamento de excelência. Durante a coletiva de anúncio, Renato Cariani destacou um investimento superior a R$ 6 milhões em tecnologia e equipamentos de última geração, importados da Europa. Segundo ele, a proposta é oferecer aos alunos uma estrutura comparável às academias ultra premium internacionais. “O aluno vai treinar em máquinas entre as melhores do mundo, com mais conforto, melhores resultados e uma experiência diferenciada”, afirmou. Além da modernização da estrutura física, a parceria prevê a capacitação contínua dos professores, que passarão por treinamentos conduzidos por Júlio Balestrin. A iniciativa busca elevar o padrão de atendimento e fortalecer a interação entre profissionais e alunos. “Nosso objetivo é proporcionar a melhor experiência possível em cada treino”, reforçou Cariani. Otaviano Duarte ressaltou que a iniciativa não se trata de uma aquisição, mas de uma sociedade estratégica, com gestão compartilhada e foco em resultados, inovação e transformação na vida dos alunos. Redes sociais: @renato_cariani | @ctrc_oficial | @vitoriasports | @ponto1vix
João Gualberto – Uma história de amor”
Há tradição na historiografia francesa de estudar aquilo que podemos aqui chamar – sem muitas preocupações em discutir de forma mais rigorosa classificações – de história do cotidiano. Nela, ao contrário de grandes narrativas épicas, cheias de heroísmo e valentia, estuda-se o dia a dia das sociedades, suas manifestações mais corriqueiras e, através delas, como se forjaram hábitos e costumes na construção de seu imaginário social. Também podemos chamar essa corrente de micro-história, embora eu não goste muito do termo, seguindo a mesma lógica de estudar eventos, indivíduos ou comunidades em pequena escala para entender fenômenos sociais mais amplos, focando em detalhes, subjetividades e práticas cotidianas, em contraste com as narrativas grandiosas da história tradicional, que a maioria de nós certamente estudou nas escolas. A Escola dos Annales, uma corrente presente na academia na França, prestou grandes contribuições a esses estudos, assim como o historiador italiano Carlo Ginzburg com o seu clássico O Queijo e os Vermes. Para citar um outro exemplo dessa produção historiográfica que me parece importante, lembro o excelente O Limpo e o Sujo: uma história da higiene corporal, de Georges Vigarello, publicado originalmente em francês com o título de Le Prope et le Sale, em 1985. Nele, é bem explorada a história dos banhos no mundo ocidental, e particularmente na França, sobre a higiene e os hábitos em torno desse fenômeno desde o tempo em que se tomava apenas um banho por ano, na Idade Média. Muito pode ser desvendado de uma sociedade ao se debruçar sobre temas simples como a cama onde se dorme, as vestimentas ou a alimentação, embora a maioria de nós dê pouca atenção a tudo isso. Lembrei-me desses temas quando reli recentemente um clássico da literatura brasileira: O Cortiço, de Aluísio Azevedo, uma grande expressão do chamado naturalismo brasileiro, publicado originalmente em 1890, portanto no alvorecer da nossa República. Segundo a própria apresentação da edição que li da obra, trata-se de um romance que denuncia as mazelas sociais enfrentadas pelos moradores de um cortiço e pelas pessoas ligadas a ele no Rio de Janeiro durante o século XIX. João Romão, Bertoleza, Pombinha, Rita Baiana, Piedade e Jerônimo são os principais personagens, cujos cotidianos são descritos, cujas vidas são mostradas de forma dura, cruel. Nada escapou à percepção crítica do autor. Esses cortiços eram habitações populares onde se amontoavam as famílias de pequeno poder aquisitivo, em condições higiênicas precárias, sem privacidade alguma e vivendo em constantes conflitos derivados dessas mesmas condições. O objetivo desse gênero literário, na esteira do sucesso europeu, sobretudo de Émile Zola, era justamente denunciar a nossa dura realidade, contribuindo para criar a consciência da necessidade de superá-la. Entretanto, a leitura nos permite outras interpretações da vida cotidiana brasileira há mais de um século. Chama a atenção como em um espaço de habitação popular os casais são apresentados, mostrando uma espécie de história das relações entre casais no Brasil. Há duas moradias de membros das elites: a do dono do cortiço e a de seu vizinho, dono de uma casa tipicamente burguesa. Nessa habitam a mulher do proprietário, que o trai constantemente, e também sua filha, Zulmira. Apesar das traições, existem interesses no casamento no plano financeiro, pois ela é que vem de uma família afortunada. Se o casamento se rompesse, ele tudo perderia. Quanto à filha, ela acaba sendo cobiçada pelo dono do cortiço, como forma de ascensão social, de melhorar a sua imagem na sociedade. A fortuna, assim, compromete os laços afetivos, que ficam sujeitos a interesses, enquanto o verdadeiro jogo de sedução está entre os moradores do cortiço. Lá impera uma sexualidade mais livre, menos sujeita a outros interesses. A mulher pobre e proletária, entretanto, é muito prisioneira de um modelo de amor mais submisso, onde o seu homem pode mais do que ela, onde as traições femininas são tratadas com brutalidade e também submissão. Comparando o cotidiano dos relacionamentos urbanos entre o Brasil contemporâneo e aquele do final do século XIX, vemos como a noção de amor cresceu na direção da autonomia, da mais ampla liberdade de escolha a cada um de nós. É interessante pensar como há uma trajetória histórica do amor no Brasil, fortemente impactada pelo movimento de construção das mulheres em busca de liberdade e felicidade, mesmo que não inteiramente compreendido por todos os homens. A luta cotidiana das mulheres por liberdade, afinal, é uma das grandes conquistas do século XX. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018.
Lucas Nogueira conquista o 12º título estadual de bodyboarding no ES
Vila Velha foi palco de um encerramento marcante para o Circuito Estadual de Bodyboarding 2025. A 4ª e decisiva etapa da temporada foi realizada no último fim de semana nas ondas da Pompéia, na Praia de Itapoã, um dos picos mais tradicionais da modalidade no Espírito Santo. Mesmo com ondas pequenas, o cenário reuniu grande público e proporcionou disputas equilibradas até as baterias finais. Após três etapas anteriores — duas em Guarapari e uma em Vila Velha — o circuito chegou à final reunindo 114 atletas de sete cidades capixabas, além de competidores do Rio de Janeiro, consolidando o caráter interestadual da competição e o alto nível técnico apresentado ao longo da temporada. Na categoria Profissional Masculina, Lucas Nogueira garantiu de forma antecipada o seu 12º título estadual de bodyboarding. Bastou avançar uma bateria no domingo para confirmar a conquista, que foi coroada com a vitória na grande final diante de Gabriel Castelan, principal rival na temporada. O resultado reforça a trajetória do atleta como um dos maiores nomes da história do bodyboarding capixaba. Bianca manobrando no pico do Pompeia A disputa pelo título na Profissional Feminino foi decidida apenas na etapa final. Maylla Venturin liderava o ranking e precisava chegar à final para confirmar o campeonato, mas foi eliminada na semifinal por Bianca Simões. Com isso, Maíra Viana (foto) entrou na decisão com chances de título e venceu a etapa, somando 10,25 pontos na final e superando Bianca Simões. O resultado garantiu a Maíra Viana o hexacampeonato estadual, ampliando sua trajetória de destaque no esporte. As categorias de base também tiveram protagonismo no encerramento do circuito. Guilherme Montenegro venceu as categorias Sub-18 e Sub-16, assegurando o bicampeonato estadual na Sub-18 e o tricampeonato na Sub-16. Outro destaque foi Melissa Souza, de 16 anos, atleta de Rio das Ostras (RJ), que venceu todas as etapas da categoria Iniciante Feminino e também conquistou o título estadual da Open Feminino ao superar Elizangela Fragozo. No Iniciante Masculino, o atleta local Salomão Mota fechou o circuito com campanha consistente, chegando a todas as finais e garantindo o primeiro título estadual da carreira, com a conquista na etapa disputada em Vila Velha. O circuito também reafirmou o caráter inclusivo da modalidade. Nas categorias Master (35+) e Legend (45+), Alex Kundera venceu a etapa final e garantiu os títulos estaduais. Na categoria PCD, Guilherme Mathias conquistou o título ao vencer a final contra Moises Serafim, com Mariano Areas na terceira colocação. Mais uma vez, Vila Velha se consolidou como um dos principais polos do bodyboarding no Espírito Santo, reunindo estrutura, público e condições técnicas para a realização de grandes eventos esportivos. O Circuito Estadual de Bodyboarding 2025 foi realizado pela FEBBEES em parceria com instituições públicas e privadas, integrando ações voltadas à inclusão, sustentabilidade e valorização do esporte como ferramenta de desenvolvimento social. Confira os resultados: Profissional Feminino 1ª Maíra Viana (Vila Velha) 2ª Bianca Simões (Vila Velha) 3ª Maylla Venturin (Serra) 3ª Elizangela Fragozo (Serra) Campeã Estadual: Maíra Viana (hexacampeã) Profissional Masculino 1º Lucas Nogueira (Vila Velha) 2º Gabriel Castelan (Vila Velha) 3º Ronieris Viana (Vila Velha) 4º Nicollas Raich (Aracruz) Campeão Estadual: Lucas Nogueira (12º título) Open Masculino 1º Iago Meira (Vila Velha) 2º André Lopes (São João da Barra – RJ) 3º Luiz Monjardim (Guarapari) 4º Henry Cogo (Guarapari) Campeão Estadual: Henry Cogo Open Feminino 1ª Melissa Souza (Rio das Ostras – RJ) 2ª Gabriela Penha (Vila Velha) 3ª Luiza Majevski (Vila Velha) 4ª Monica Morgado (Vila Velha) Campeã Estadual: Melissa Souza Sub-18 1º Iago Meira (Vila Velha) 2º Miguel Bedran (Vila Velha) 3º Guilherme Montenegro (Vila Velha) 4º Daniel Turial (Vila Velha) Campeão Estadual: Guilherme Montenegro (bicampeão) Sub-16 1º Guilherme Montenegro (Vila Velha) 2º Iago Meira (Vila Velha) 3º Nicollas Raich (Aracruz) 4º Salomão Mota (Vila Velha) Campeão Estadual: Guilherme Montenegro (tricampeão) Master (35+) 1º Alex Kundera (Vila Velha) 2º Gleicione Costa (Vila Velha) 3º Marcelo Miranda (Vila Velha) 4º Pablo Canal (Guarapari) Campeão Estadual: Alex Kundera Legend (45+) 1º Alex Kundera (Vila Velha) 2º Gugu Barcelos (Niterói – RJ) 3º Christian Rosa (Vila Velha) 4º Marcelo Miranda (Vila Velha) Campeão Estadual: Alex Kundera Iniciante Feminino 1ª Melissa Souza (Rio das Ostras – RJ) 2ª Gabriela Penha (Vila Velha) 3ª Keilyane Penha (Vila Velha) 4ª Lalesca Oliveira (Vitória) Campeã Estadual: Melissa Souza Iniciante Masculino 1º Salomão Mota (Vila Velha) 2º Igor Polli (Vila Velha) 3º João Guilherme (Vila Velha) 4º Pedro Vitorino (Vila Velha) Campeão Estadual: Salomão Mota PCD 1º Guilherme Mathias (Vila Velha) 2º Moises Serafim (Vila Velha) 3º Mariano Areas (São João da Barra – RJ) Campeão Estadual: Guilherme Mathias Desafio de Casais 1º Bella Nunes e Gabriel Castelan 2º Gabriela Penha e Luiz Gustavo 3º Natalia Villar e Diego Estevão 3º Maria Silva e Daniel Turial
Marcelo Santos: “A eleição de 2026 será o maior evento político do ES em 40 anos”
O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, deputado Marcelo Santos, recebeu o News ES em seu gabinete, na Ales, para uma entrevista em que analisa o cenário político que se desenha para a eleição de 2026 e defende de forma clara a continuidade do atual projeto de governo. Na conversa, o parlamentar classifica como histórico o processo que levará à renúncia do governador Renato Casagrande para disputar o Senado e à consequente posse do vice-governador Ricardo Ferraço. Para Marcelo Santos, a transição representa o maior evento político vivido pelo Espírito Santo nas últimas quatro décadas e abre espaço para a ascensão de uma liderança que, segundo ele, reúne preparo técnico, experiência política e capacidade de articulação institucional. Ao longo da entrevista, o presidente da Ales destaca o papel de Ricardo Ferraço na condução da política de desenvolvimento econômico do Estado e afirma que o vice-governador está pronto para assumir o comando do Executivo capixaba. Sem desconsiderar a legitimidade de outras pré-candidaturas, Marcelo Santos afirma acreditar que, neste momento, Ferraço é o nome mais preparado para liderar o Espírito Santo em um cenário de desafios econômicos, sociais e institucionais, especialmente diante dos impactos da reforma tributária. Esta é a primeira parte da entrevista concedida ao diretor de conteúdo do News ES, Eduardo Caliman, no gabinete da Presidência da Assembleia Legislativa. Confira como foi a entrevista; NEWS ES – Deputado, como o senhor vê a disputa que está se desenhando para o Governo do Estado e como avalia as pré-candidaturas já colocadas? MARCELO SANTOS – Bom, primeiro vai ser uma eleição atípica. Há 40 anos isso aconteceu: em abril, um governador renunciou ao mandato para que o vice pudesse assumir. Foi no governo de Gerson Camata. Quarenta anos depois, um governador vai renunciar o mandato, que é o governador Renato Casagrande, para que o vice, Ricardo Ferraço, assuma o Governo do Estado do Espírito Santo. Esse vai ser, talvez, o maior evento político dos últimos 40 anos. Porque, na época em que Camata renunciou, não existia nenhuma ferramenta tecnológica, como redes sociais ou celulares, que dessem amplitude a esse fato. Diferente de agora. O maior evento político será a renúncia do governador Renato Casagrande, que foi deputado estadual, deputado federal, senador da República e governador por três mandatos, e que renuncia ao cargo. É um grande evento político. O segundo maior evento político, depois da renúncia, é Ricardo Ferraço, vice-governador, assumindo o Governo do Estado. Por quê? Porque Renato vai disputar o Senado da República, e para disputar o Senado ele tem que renunciar. Muita gente acha que a renúncia é lá na frente e que ele volta, mas não: ele renuncia e perde o mandato. Aí o Ricardo assume. Os demais atores estão colocando seus nomes. Por exemplo, na disputa no campo majoritário principal, que é a disputa pelo Governo do Estado, nós temos o mês de abril como decisivo, porque existem duas figuras que são prefeitos de cidades importantíssimas da Região Metropolitana da Grande Vitória e do Estado: o prefeito de Vitória e o prefeito de Vila Velha. Eles têm que renunciar. Só saberemos se eles serão candidatos ou não se renunciarem aos mandatos. Ao renunciarem, naturalmente, não serão mais prefeitos, perderão o mandato e buscarão o caminho que planejaram. Só a partir daí nós saberemos quem serão, de fato, os atores que vão disputar o Governo do Estado. Enquanto isso, o vice-governador vai assumir o mandato de governador e está no direito da reeleição, porque, ao assumir, pode disputar a reeleição. Já os prefeitos, ao renunciarem, disputam como qualquer cidadão, não mais como prefeitos. Então, a expectativa é saber como vão se comportar esses nomes a partir de abril, renunciando ou não. A partir disso, saberemos qual será a configuração. Vai ser uma eleição interessante. Como eu disse, há 40 anos um governador renunciou. Depois disso, ninguém mais fez esse ato. Agora será feito por Renato Casagrande, que renuncia para disputar o Senado, e Ricardo Ferraço assume o Governo do Estado, com direito à reeleição. Eu acredito muito no potencial do Ricardo Ferraço. Conheço o Ricardo desde deputado federal. Não o conheci vereador. Eu também fui vereador, ele também foi, pelo município de Cachoeiro. Conheci Ricardo deputado federal, presidente da Assembleia, senador da República, secretário de Estado, duas vezes vice-governador e agora governador do Espírito Santo, a partir do mês de abril. Ele está preparado para liderar um estado como o nosso, pequeno, que precisa se preparar para os efeitos colaterais da reforma tributária. Um estado que há pouco tempo estava quebrado e que, a várias mãos, foi reconstruído. Um estado que é o maior importador de aeronaves executivas do Brasil, o maior importador de veículos elétricos, que está entre os primeiros colocados na produção de ovos, café, abriga a maior fábrica de café solúvel do mundo, em Linhares. Nada disso aconteceu por toque de mágica. Tudo isso tem participação muito efetiva do vice-governador Ricardo Ferraço, especialmente em uma das áreas mais sensíveis e vitais do Estado: o desenvolvimento econômico. Na gestão de Ricardo Ferraço como secretário de Estado, foi gerado o maior programa social do Espírito Santo, que é a geração de emprego e renda. Quando ele atrai empresas, incentiva as que já estão a permanecer, ampliar e atrair novas, ele gera oportunidades. Ele conhece a parte econômica, a parte social, tem relação com os poderes, instituições e com a classe política, especialmente a Assembleia Legislativa. Sem desmerecer qualquer outro pretenso candidato, todos têm legitimidade e eu respeito todos, mas acredito que, neste momento, o mais preparado é Ricardo Ferraço. Até abril, porém, não saberemos quem serão os jogadores desse campo eleitoral. E a construção da candidatura a deputado federal, como está? Nós temos uma missão muito grande aqui na Assembleia, que é liderar o Poder Legislativo, a Casa representativa da sociedade, ao lado dos meus colegas deputados. Eu faço uma gestão compartilhada. A eleição ainda está mais adiante. Temos muito trabalho pela frente, muita coisa para debater e entregar ao povo do Espírito Santo. No