No artigo anterior, partimos de uma constatação aparentemente simples: a cidade não cresce sozinha. Por trás de cada edifício, infraestrutura ou transformação da paisagem existe uma combinação de decisões públicas e privadas que determina onde, quanto e de que maneira podemos construir. Se aceitarmos essa premissa, surge uma segunda pergunta: onde essas possibilidades são definidas e quem participa de sua construção? No Brasil, uma parte importante dessa resposta passa pelo Estatuto da Cidade, promulgado em 2001 para regulamentar os artigos 182 e 183 da Constituição Federal. A legislação consolidou princípios e instrumentos fundamentais da política urbana brasileira e reforçou a centralidade dos Planos Diretores na organização do desenvolvimento e da expansão das cidades. Existe nesse sistema um reconhecimento importante: embora grande parte do território urbano seja constituída por propriedades privadas, as possibilidades de transformação dessas propriedades possuem uma dimensão coletiva. Aquilo que pode ser construído em um lote interfere na rua, no bairro, na infraestrutura e, em última instância, na própria cidade. O Estatuto, entretanto, não determina diretamente a forma das cidades brasileiras. Não estabelece nacionalmente quantos pavimentos um edifício poderá ter, quanto poderá ser construído em determinado terreno ou quais regiões deverão receber usos residenciais, comerciais ou mistos. Nem faria sentido estabelecer uma única resposta para realidades urbanas tão diferentes. Grande parte dessas decisões ocorre na escala municipal, através dos Planos Diretores, das leis de uso e ocupação do solo, dos códigos urbanísticos e de outras legislações que traduzem princípios gerais em possibilidades concretas de ocupação. É nesse momento que uma discussão aparentemente técnica passa a ter efeitos bastante concretos sobre a cidade. Coeficiente de aproveitamento, gabarito, afastamentos, taxa de ocupação e usos permitidos podem parecer assuntos restritos a arquitetos, urbanistas, incorporadores e gestores públicos, mas esses parâmetros ajudam a determinar aquilo que será economicamente e espacialmente possível realizar em cada território. Quando uma legislação aumenta o potencial construtivo de determinada área, por exemplo, ela não altera fisicamente o terreno, mas transforma aquilo que pode ser produzido sobre ele. Imagine um lote no qual a legislação permita construir dois mil metros quadrados. Se uma revisão do Plano Diretor passar a permitir quatro mil, nenhuma característica física daquele terreno necessariamente mudou: sua localização continua a mesma, assim como suas dimensões. O que mudou foi uma regra coletiva sobre sua possibilidade de utilização. Essa alteração pode tornar viável um empreendimento antes inviável, atrair novos investimentos e influenciar o valor daquele imóvel e de seu entorno. Uma decisão expressa através de números e parâmetros urbanísticos pode, portanto, produzir consequências econômicas muito concretas. Isso não significa que ampliar o potencial construtivo seja necessariamente positivo ou negativo. Em determinadas situações, aumentar densidades pode aproveitar melhor uma infraestrutura existente, aproximar moradores de empregos e serviços ou responder a uma demanda real por novas unidades. Em outras, a mesma decisão pode pressionar uma infraestrutura insuficiente ou produzir transformações incompatíveis com objetivos estabelecidos para determinada região. A questão relevante não está em assumir previamente uma posição contra ou a favor da transformação, mas em reconhecer que diferentes alternativas existem e que escolher entre elas é também decidir qual cidade pretendemos produzir. Por isso, a legislação urbanística não apenas regula edifícios; ela também distribui possibilidades. Proprietários, incorporadores e construtores evidentemente observam essas possibilidades porque delas depende a viabilidade de seus investimentos. O poder público precisa conciliá-las com infraestrutura, mobilidade, habitação e estratégias de desenvolvimento. Moradores percebem seus efeitos na paisagem e na vida cotidiana. Arquitetos, urbanistas e outros técnicos participam traduzindo parte dessas demandas em propostas espaciais. Todos esses agentes possuem razões legítimas para participar da discussão, mas não necessariamente chegam a ela com o mesmo conhecimento, os mesmos recursos ou a mesma capacidade de transformar seus interesses em propostas. Talvez seja justamente aí que esteja uma das questões mais importantes do planejamento urbano. Os números presentes em um Plano Diretor não são apenas números. Por trás de um coeficiente, de um gabarito ou de uma mudança de uso existem possibilidades distintas de cidade e consequências que ultrapassam os limites de cada propriedade. Compreender isso não exige transformar cada decisão urbanística em um conflito entre vencedores e perdedores, mas reconhecer que planejar significa fazer escolhas entre futuros possíveis. Se a cidade não cresce sozinha, sua forma também não surge espontaneamente. Antes que o edifício apareça na paisagem, já existiu uma decisão sobre a possibilidade de construí-lo. Talvez a pergunta seguinte seja, então, ainda mais importante: quando essas escolhas são apresentadas como necessidades naturais da cidade, conseguimos perceber que outras escolhas também poderiam ter sido feitas? PARTE 2 | SÉRIE: A CIDADE NÃO CRESCE SOZINHA
Festival Turmalina abre inscrições para mostra de fotógrafas negras no MUCANE
Chamada nacional vai selecionar até 20 profissionais para exposição em Vitória; programação também terá oficinas gratuitas de fotografia e literatura Fotógrafas negras de todo o Brasil podem se inscrever para participar da Mostra Turmalina de Mulheres Negras na Fotografia, que será realizada no MUCANE – Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas”, em Vitória. A exposição tem abertura prevista para 20 de outubro e integra uma nova etapa do Festival Turmalina, que também promoverá oficinas gratuitas de fotografia e literatura. A chamada é destinada a fotógrafas negras brasileiras maiores de 18 anos e prevê a seleção de até 20 profissionais e 60 fotografias. As participantes selecionadas receberão bolsas, enquanto os custos de impressão, molduraria e montagem das obras ficarão a cargo do projeto. As inscrições são gratuitas e seguem até 22 de setembro. O edital, o formulário e as informações sobre as atividades estão disponíveis no site do Festival Turmalina. Segundo a curadora da exposição, Taynara Barreto, a proposta é reunir diferentes perspectivas sobre pessoas, territórios, memórias e experiências da população negra. “A exposição nasce do desejo de olhar para os corpos negros a partir de perspectivas mais amplas, ricas e complexas. Somos mais que um folhetim de notícias em que o corpo preto está sempre sofrendo”, afirma. Além da exposição, o festival terá uma programação formativa no MUCANE. No dia 24 de outubro, Taynara Barreto conduz a oficina Fotografia Extramuros, que começa no museu e inclui um passeio fotográfico por locais relacionados à história negra no Espírito Santo. A atividade busca relacionar fotografia, território e memória. Outra oficina será realizada em 19 de novembro e terá como tema a trajetória e a obra de Carolina Maria de Jesus. A atividade será conduzida pela mestranda em Relações Étnico-Raciais Maria Gabriela Verediano e integra a programação voltada à literatura e à história negra. O Festival Turmalina realizou sua primeira etapa em julho, no Cais das Artes, em Vitória, com apresentações de Ebony, Afronta, Caju, Mestra Maria Laurinda Adão e DJ Davs Carter, além de atividades de formação. Na ocasião, uma ação de entrada solidária arrecadou cerca de 4,5 mil pacotes de absorventes, equivalentes a mais de 50 mil unidades, destinados a instituições que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social no Espírito Santo. O Festival Turmalina é uma produção da JUPTER – Entretenimento, Comunicação e Cultura, com apoio institucional do MUCANE. O projeto conta com patrocínio master da Vale, por meio da Lei Rouanet e do Ministério da Cultura. Foto: Leonardo Silveira
Aplicativo desenvolvido pela Globalsys recebe prêmio latino-americano de inovação
Sá App, criado para o Grupo Sá Cavalcante, conquistou bronze na categoria Tecnologia e Inovação do Prêmios CLICC 2026 Um aplicativo desenvolvido pela Globalsys para o Grupo Sá Cavalcante conquistou o bronze na categoria Tecnologia e Inovação do Prêmios CLICC 2026, reconhecimento voltado a projetos do setor de shopping centers na América Latina. O Sá App reúne serviços e ferramentas de relacionamento com consumidores dos empreendimentos administrados pelo grupo. A premiação foi promovida pela Cámara Latinoamericana de la Industria de Centros Comerciales (CLICC), durante o 4º Congresso da entidade, realizado em Quito, no Equador. Os projetos inscritos são avaliados a partir de critérios como inovação, alcance, sustentabilidade, execução, originalidade e investimento. Desenvolvido pela Globalsys, o Sá App foi criado para integrar serviços dos shoppings e ampliar o relacionamento com os clientes por meio de uma única plataforma. O projeto foi desenvolvido em três meses, incluindo etapas de prototipação, testes com usuários e homologação técnica. Entre as funcionalidades disponíveis estão o pagamento do estacionamento por leitura do QR Code do ticket, consulta a promoções e eventos, resgate de brindes e benefícios e cadastro de notas fiscais. As compras cadastradas permitem acumular pontos que podem ser convertidos em descontos e outras recompensas oferecidas pelo programa de relacionamento. Segundo os dados divulgados pelas empresas, o aplicativo ultrapassou 100 mil downloads em menos de um ano. Nos shoppings do Grupo Sá Cavalcante localizados no Espírito Santo, foram registrados mais de 15 mil usuários ativos em pouco mais de um mês de operação, além de 20 mil transações envolvendo pagamentos, resgates de benefícios e geração de cupons. “O reconhecimento do CLICC reforça algo em que acreditamos desde o primeiro dia do projeto: dado bem utilizado é relacionamento, não vigilância. O Sá App nasceu para aproximar o Grupo Sá Cavalcante dos seus consumidores de forma útil e imediata, e os números de uso mostram que a proposta fez sentido para quem frequenta os shoppings”, afirma Rhaiany Lovato, diretora de Negócios da Globalsys. Além dos serviços oferecidos diretamente aos clientes, o aplicativo permite ao Grupo Sá Cavalcante reunir informações sobre hábitos de consumo e interesses dos usuários. Esses dados podem ser utilizados na segmentação de públicos e no planejamento de campanhas, benefícios e ações de relacionamento nos empreendimentos.
Turismo que transforma cidades e conecta pessoas: evento debate futuro do turismo no ES
Rachel Martins Em celebração ao Dia Mundial do Turismo e ao Dia do Turismólogo, encontro no Hub ES+, no Centro de Vitória, promove reflexões sobre inovação, cultura, acessibilidade, inteligência de dados e desenvolvimento dos territórios, reforçando o papel estratégico do turismo para o futuro do Estado. O turismo vive uma transformação profunda. Mais do que visitar destinos, as pessoas buscam experiências autênticas que promovam aproximação com as comunidades, identidade cultural, patrimônio preservado, contato com a natureza, acessibilidade e cidades capazes de acolher moradores e visitantes com a mesma qualidade. Esse novo olhar coloca o Espírito Santo diante de uma grande oportunidade: fortalecer seus territórios por meio de um turismo mais inteligente, sustentável e conectado com as pessoas. É justamente para discutir esse cenário que será realizado, no dia 24 de setembro, das 9h às 17h, no Auditório do Hub ES+, no Centro de Vitória, o evento “O Turismo no Centro: Transformando Espaços e Conectando Pessoas”, promovido pela Rede Colaborativa Turismólogos Capixabas em Ação, em comemoração ao Dia Mundial do Turismo e ao Dia do Turismólogo. O encontro reúne profissionais, pesquisadores, gestores públicos, estudantes e empreendedores para refletir sobre os desafios e as oportunidades do setor. Ao longo do dia, especialistas apresentarão experiências que demonstram como inovação, planejamento, inteligência de dados, valorização da cultura, gastronomia, conservação ambiental e acessibilidade podem impulsionar destinos mais competitivos e, ao mesmo tempo, mais humanos. Segundo a turismóloga e uma das criadoras da Rede Colaborativa Turismólogos Capixabas em Ação, Amália Queiroz (foto), o encontro também representa um momento de valorização da profissão e de conscientização sobre sua importância para o desenvolvimento dos destinos. “Quando falamos em turismo, muitas pessoas pensam apenas na viagem, mas existe um profissional que estuda, planeja e ajuda a transformar esse potencial em desenvolvimento para as cidades. O turismólogo participa da construção de políticas públicas, da preservação do patrimônio, da valorização da cultura, da organização dos destinos e da criação de experiências que geram emprego, renda e qualidade de vida. Ainda buscamos maior reconhecimento para a profissão, e eventos como este ajudam a mostrar à sociedade que o turismo não acontece por acaso. Ele é resultado de planejamento, conhecimento técnico e do trabalho de profissionais preparados para pensar o presente e o futuro dos nossos territórios”, explica Amália. A programação contará com palestras do turismólogo Márcio Ribeiro, gerente de Inovação Turística da Belotur, que abordará inovação, gestão e políticas públicas para destinos; de Rafael Granvilla, representante do Observatório do Turismo da Setur ES, que discutirá o uso estratégico de dados para a tomada de decisões; da professora e pesquisadora da Ufes Danielle Cabrini, que tratará da cultura alimentar como patrimônio e experiência turística; da turismóloga Paula Montenegro, especialista em turismo de observação da vida silvestre; e da museóloga Flávia Fernandes Torres, que apresentará reflexões sobre acessibilidade em espaços culturais. À tarde, todos os palestrantes participam da mesa redonda “Turismo que Conecta: Território, Inovação, Cultura e Experiências para um Espírito Santo mais competitivo”, mediada pelo historiador Wallace Bonicenha, presidente da Associação de Moradores do Centro de Vitória – AMACentro. O encerramento acontece de forma prática, permitindo que os participantes vivenciem o próprio território discutido ao longo do evento. Um walking tour pelo Centro Histórico de Vitória percorrerá locais emblemáticos como a Praça Costa Pereira, a Escadaria São Diogo, o Teatro Carlos Gomes e outros atrativos da região, reforçando a importância dos espaços urbanos como lugares de memória, cultura e convivência. A programação termina com um encontro de integração na Casa de Bamba. Rede fortalece a atuação dos turismólogos capixabas O evento também marca o fortalecimento da Rede Colaborativa Turismólogos Capixabas em Ação, movimento que surgiu de forma espontânea com o objetivo de aproximar profissionais, mapear sua atuação e ampliar o reconhecimento da profissão no Espírito Santo. A iniciativa busca dar visibilidade ao papel estratégico do turismólogo na construção de políticas públicas, no planejamento de destinos, na valorização do patrimônio cultural e natural e na geração de desenvolvimento econômico e social. Ao reunir diferentes experiências e áreas de atuação, a Rede demonstra que o turismo é resultado do trabalho integrado entre profissionais, comunidades, poder público, instituições de ensino e iniciativa privada. Mais do que celebrar uma data, o encontro propõe um debate sobre o futuro das cidades. Um turismo capaz de fortalecer identidades, movimentar a economia, preservar a cultura e fazer com que moradores e visitantes compartilhem espaços mais vivos, acessíveis e acolhedores. Confira a programação 09h15 – Solenidade de Abertura e Boas-Vindas. 09h30 – Turismo que transforma: Inovação, Políticas Públicas e Gestão para Destino, palestra de Márcio Ribeiro, Turismólogo e Gerente de Inovação Turística da BELOTUR (Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte/MG). 10h30 – Turismo Orientado por Inteligência: Dados, Inovação e Decisões que Transformam Destinos, palestra de Rafael Granvilla, Turismólogo, Gerente de Marketing e representante do Observatório do Turismo do Espírito Santo (SETUR-ES). 11h20 – Comida é Território: Cultura Alimentar, Identidade e Novas Experiências para o Turismo Capixaba, palestra de Danielle Cabrini – Professora e Pesquisadora na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Líder do LabCult, Nutricionista e Mestre em Ciência da Nutrição pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Doutora em Saúde Coletiva pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). 12h – Almoço. 13h30 – Tema: Turismo de observação da vida silvestre – Conservação da natureza e desenvolvimento local, palestra de Paula Montenegro, Turismóloga, Especialista em Ecoturismo e interpretação da natureza pelo programa internacional Natour/UFRRJ, coordenadora de educação ambiental e gestora do Espaço Baleia Jubarte, Vitória. Representante estadual da Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS). 14h20 – Acessibilidade em Espaços e Equipamentos Culturais, palestra de Flávia Fernandes Torres – Museóloga responsável pelo Museu Homero Massena, Vila Velha/ES. 15h – Mesa-Redonda: Turismo que Conecta: Território, Inovação, Cultura e Experiências para um Espírito Santo mais competitivo. Mediador: Wallace Bonicenha – Historiador e Presidente da Associação de Moradores do Centro (AMACentro). Participantes: Márcio Ribeiro (BELOTUR-MG), Rafael Granvilla (SETUR-ES), Danielle Cabrini (LabCult UFES), Paula Montenegro (Projeto Baleia Jubarte, Vitória-ES) e Flávia Torres (Museu Homero Massena, Vila Velha-ES). 16h – Walking tour e
Saúde mental materna exige atenção no pós-parto e fortalecimento da rede de apoio
Especialista chama atenção para sinais de sofrimento emocional durante o puerpério e destaca que cuidado com a mãe deve envolver família, profissionais e serviços de saúde As transformações que acompanham a chegada de um bebê vão muito além da nova rotina familiar. Alterações físicas e hormonais, privação de sono, insegurança, sobrecarga e dificuldades com a amamentação podem afetar a saúde emocional das mulheres no período pós-parto e exigem atenção também de quem está ao redor da mãe. O alerta é da enfermeira Sandra Cavati Ribeiro Santos, especialista em Enfermagem Neonatal, Saúde da Mulher e Neurociência. Durante o Setembro Amarelo, campanha dedicada à prevenção do suicídio e à valorização da vida, ela chama atenção para a importância de ampliar o olhar sobre a saúde mental das mulheres durante o ciclo gravídico-puerperal. Segundo Sandra, dificuldades persistentes na amamentação, dor, expectativas não correspondidas, falta de sono, excesso de responsabilidades e ausência de apoio podem contribuir para o sofrimento emocional. Por isso, o acompanhamento da mulher não deve se restringir aos aspectos físicos do pós-parto ou aos cuidados com o recém-nascido. “A amamentação pode ser uma experiência de vínculo e satisfação, mas também pode se tornar fonte de sofrimento quando a mulher sente dor, insegurança, culpa, solidão ou sobrecarga. Por isso, cuidar da amamentação é também olhar para quem amamenta. A mãe precisa ser ouvida, acolhida e apoiada, sem julgamentos e sem transformar a amamentação em mais uma cobrança”, afirma. Sinais de alerta Mudanças emocionais e comportamentais persistentes ou intensas merecem atenção durante o puerpério. Entre os sinais estão tristeza prolongada, perda de interesse ou prazer, sentimentos intensos de culpa ou incapacidade, ansiedade acentuada, isolamento e alterações significativas no sono ou no apetite que não estejam relacionadas apenas à rotina de cuidados com o bebê. Dificuldade de estabelecer vínculo com o recém-nascido e, especialmente, pensamentos relacionados à morte, autoagressão ou suicídio também exigem avaliação profissional. A presença desses sinais, no entanto, não deve servir para que familiares façam diagnósticos ou rotulem a mulher. A orientação é acolher, ouvir e facilitar o acesso aos serviços de saúde. Sandra destaca ainda que uma rede de apoio efetiva precisa ir além de perguntar se a mãe necessita de ajuda. Compartilhar os cuidados com o bebê, permitir períodos de descanso, auxiliar na alimentação e no autocuidado e acompanhar a mulher em atendimentos de saúde são algumas das formas de oferecer suporte concreto. “Muitas vezes todos perguntam sobre o bebê e poucas pessoas perguntam verdadeiramente como está a mãe, a mulher. Precisamos cuidar de quem cuida. Escutar sem julgamento, perceber mudanças e oferecer apoio concreto pode fazer diferença na experiência do puerpério e na proteção da saúde materna”, ressalta. Em situações de sofrimento intenso, pensamentos de autoagressão ou suicídio ou risco imediato, a recomendação é procurar atendimento profissional ou os serviços de urgência e emergência da rede de saúde. Orientação durante a maternidade Sandra Cavati é CEO da Cavati Consultoria em Enfermagem, criada em 2020 e voltada à educação e consultoria em saúde, principalmente na área materno-infantil. Entre os projetos desenvolvidos está o Programa Educativo Maternidade Plena, direcionado à preparação de gestantes e acompanhantes para a gestação, parto, nascimento, puerpério, amamentação e primeiros cuidados com o recém-nascido. O programa aborda temas como pré-natal, plano de parto, preparação para o trabalho de parto, aleitamento materno, cuidados com o bebê e identificação de sinais de alerta. A iniciativa também está relacionada ao projeto desenvolvido por Sandra em seu mestrado em Enfermagem, na área de Gestão Sanitária, que investiga a educação em saúde como estratégia para preparar gestantes e acompanhantes para o parto e o nascimento. Graduada em Enfermagem em 1987, Sandra possui especializações em Enfermagem Neonatal, Saúde da Mulher e Gestão Hospitalar e pós-graduação em Neurociência. É também docente de pós-graduação, consultora, palestrante e mestranda em Enfermagem. Sua trajetória profissional reúne experiências nas áreas assistencial, de gestão, ensino e educação em saúde. Serviço Cavati Consultoria e Gestão em Saúde Sandra Cavati Ribeiro Santos – enfermeira, mentora e consultora Instagram: @cavati.consultoria e @sandra_cavati E-mail: cavati67@gmail.com WhatsApp: (27) 99850-9292 / (27) 99884-9349
Vitória vacina mais de 8,7 mil cães e gatos contra a raiva em um dia
Campanha continua no próximo sábado (26), com postos nas regiões do Forte São João e do Centro Mais de 8,7 mil cães e gatos foram vacinados contra a raiva em Vitória no último sábado (19), durante o segundo dia da Campanha de Vacinação Antirrábica. Ao todo, 8.734 animais receberam a dose, sendo 6.299 cães e 2.435 gatos. A vacinação foi realizada em 47 pontos distribuídos pelas regiões Continental e de Maruípe. A campanha é coordenada pelo Centro de Vigilância em Saúde Ambiental (CVSA) e tem como meta imunizar 23 mil cães e gatos até o encerramento das atividades. Podem receber a vacina cães e gatos a partir dos três meses de idade. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, não há contraindicação para fêmeas no cio, prenhas ou em período de amamentação. Animais em tratamento com antibióticos ou anti-inflamatórios não devem ser vacinados durante o período indicado. “A raiva é uma doença grave e fatal que pode ser transmitida para seres humanos, e a vacinação é a forma mais eficaz de prevenir essa doença tanto entre os animais quanto entre as pessoas”, afirmou a diretora do CVSA, Wanessa Andrade. A terceira etapa da campanha acontece no próximo sábado (26), das 8h às 16h30. Desta vez, serão atendidos bairros das regiões do Forte São João e do Centro de Vitória. Na região do Forte São João, a vacinação passará por bairros como Praia do Canto, Enseada do Suá, Bento Ferreira, Jucutuquara, Ilha do Boi, Ilha do Frade, Santa Lúcia e Barro Vermelho, entre outros. Na região central, estarão contemplados Centro, Parque Moscoso, Ilha do Príncipe, Fonte Grande, Santa Tereza, Piedade e outros bairros.
Vila Velha tem 11 projetos semifinalistas no Prêmio Inoves 2026
Iniciativas desenvolvidas por servidores municipais concorrem em três categorias; vencedores serão anunciados em novembro Onze projetos desenvolvidos por servidores da Prefeitura de Vila Velha estão entre os semifinalistas do Prêmio Inoves 2026, iniciativa do Governo do Espírito Santo voltada à inovação no serviço público. Os trabalhos envolvem áreas como saúde, educação, meio ambiente, planejamento, assistência social, administração e trânsito. Dos projetos classificados, dois concorrem na categoria Ideia, seis em Desenvolvimento e três em Resultados. Segundo o regulamento, avançam à semifinal as iniciativas que alcançam nota final superior a 70% da maior pontuação registrada em cada categoria. Na categoria Ideia estão o Banco de Ideias – Inovação Colaborativa no Serviço Público, da Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla), e o Painel de Inteligência em Monitoramento Ambiental, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). Entre os projetos em Desenvolvimento estão iniciativas relacionadas à captação de recursos, valorização dos servidores, assistência social, gestão ambiental, alimentação escolar e geração de energia. São eles: Banco Municipal de Projetos Estratégicos e Captação Inteligente de Recursos; Cuidar de quem serve; Entre Nós: Diálogos sobre Ser, Existir e Pertencer; Georreferenciamento de Licenças Ambientais; NutriRede; e Programa Vila Velha Energia Inteligente. Na categoria Resultados, Vila Velha tem três semifinalistas: Regulação Inteligente de Exames Laboratoriais, da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa); Sistema de Reporte de Ocorrências Semafóricas e Participação Cidadã no Tráfego, da Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito (Semdest); e Solidariedade Custa Pouco: Economia Solidária como Tecnologia Social na Saúde Mental, também da Semsa. A edição de 2026 recebeu 295 projetos, maior número desde a reformulação do prêmio, em 2018. O recorde anterior era de 288 inscrições, registrado em 2020. Em sua 17ª edição, o Inoves reúne iniciativas de servidores dos poderes públicos estadual e municipal. Para o secretário municipal de Planejamento, Antônio Francisco de Abreu, os projetos surgem de demandas da própria administração e buscam melhorar processos e serviços. “Quando o servidor participa da construção dessas soluções, a Prefeitura amplia sua capacidade de responder aos desafios da cidade com planejamento, dados e integração entre as áreas”, afirmou. Os vencedores do Prêmio Inoves 2026 serão divulgados no dia 26 de novembro.
Fabrício Augusto de Oliveira – “O aperto monetário no mundo”
Uma nova rodada de aperto monetário aconteceu no mundo econômico na última semana. Nos Estados Unidos, o Banco Central (o FED) elevou os juros do país, pela primeira vez desde 2023, em 0,25 ponto percentual (pp.), para a faixa de 3,75% a 4%. Na União Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) aumentou-os também em 0,25 pp., passando-os para 2,5%, dando prosseguimento à política de sua elevação nos últimos três meses. E, até o Japão, também subiu essa taxa para 1,25%, o maior nível em três décadas. Por trás deste movimento, encontram-se as pressões inflacionárias provocadas pelas incertezas da economia mundial, pelos impactos das guerras dos Estados Unidos-Israel contra o Irã e da Rússia contra a Ucrânia e, como consequência, a elevação dos preços das commodities no mercado internacional, notadamente do petróleo que atingiu US$ 110 o barril. Nos Estados Unidos, a inflação até recuou de 4,2%, em maio, para 3,4% em julho, mas se encontra bem acima da meta estabelecida de 2%. Na União Europeia, ela vem se mantendo resistente no patamar acima de 3% desde o mês de abril, também acima da meta. E, no Japão, apesar da inflação de 1,7% de agosto de 2026 ainda se manter abaixo da meta de 2%, o país está procurando evitar queisso ocorra, diante da desvalorização de sua moeda (o iene), dos custos mais elevados da eletricidade, do gás e do petróleo, como consequência dos conflitos globais. Na contramão deste movimento, o Banco Central no Brasil, reduziu, no dia 17 de setembro, a taxa de juros (a Selic) de 14% para 13,75%, mas sem nenhuma garantia de que essa política terá continuidade. Esse pequeno alívio da política monetária pode levar certos analistas a acreditar que, finalmente, o Banco Central tenha acordado da letargia em que se encontrava e voltado a implementar uma política mais realista de acordo com as condições da economia brasileira. Não é bem assim. A verdade é que, apesar das incertezas presentes no cenário internacional, as condições internas no Brasil têm melhorado significativamente, pelo menos no que diz respeito à inflação e ao comportamento do PIB. Em relação à inflação, essa vem perdendo força, tendo registrado, em julho, um aumento pouco significativo de 0,07%, e conhecido, em agosto, uma deflação de 0,32%. Como resultado, enquanto a inflação, no ano de 2026, caiu para 3,11%, próxima da meta de 3%, a acumulada em 12 meses, está em 4,22%, dentro da meta do intervalo previsto. Tal situação se explica principalmente pelo comportamento do PIB, que ingressou num processo de desaceleração. Com projeções anteriores de crescimento de mais de 2%, atualmente as previsões são bem inferiores: algumas mais pessimistas indicam não se poder esperar mais que uma expansão de 1,5% no ano, enquanto o mercado projeta um aumento de 1,88%, de acordo com o Boletim Focus de 21 de setembro. Mas, o mais importante é que, enquanto aqueles países e o bloco europeu inicialmente mencionados (Estados Unidos, Japão e União Europeia), mantêm uma taxa de juros real muito baixa (Estados Unidos) ou mesmo negativa (caso do Japão e da União Europeia), no Brasil essa registra um nível altamente proibitivo tanto para o consumo como para o investimento, estando, atualmente, em 9,89%. São condições muito diferentes para a atividade econômica, revelando a pouca importância dada pelo Banco Central à mesma. É bem verdade que o risco fiscal continua assombrando os investidores, mas se o Banco Central permanecer com essa política restritiva e mantiver a economia numa trajetória rumo à recessão, com certeza essa tendência tenderá a se agravar ainda mais, não somente pelo aumento dos encargos da dívida, mas também pela queda da arrecadação. *Fabrício Augusto de Oliveira é doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e do Grupo de Estudos de Conjuntura do Departamento de Economia da UFES, articulista do Debates em Rede, e autor, entre outros, do livro “A revolução marginalista neoclássica: o agente racional na história do pensamento econômico” publicado, em 2026, pela Editora Contracorrente
Festival Colibri chega à 39ª edição com dois dias de programação em Vitória
Evento reúne palestras e premiações nesta quarta (23) e quinta-feira (24), com 159 trabalhos selecionados e 46 indicações de profissionais O Festival Colibri realiza nesta quarta (23) e quinta-feira (24), em Vitória, a programação final de sua 39ª edição. Promovido pelo Sistema Nacional das Agências de Propaganda do Espírito Santo (Sinapro-ES), o evento terá palestras, premiações e encontros voltados a profissionais, estudantes, agências e outros integrantes do mercado de comunicação. A programação começa nesta quarta-feira (23), no Brizz, a partir das 13 horas, com palestras e atividades relacionadas ao setor. No mesmo dia serão premiados estudantes e profissionais que se destacaram nesta edição. O primeiro dia, com participação gratuita, termina com um happy hour. Na quinta-feira (24), a programação será realizada no Na Vista, a partir das 18 horas. A noite será dedicada à premiação de agências e fornecedores, seguida da festa de encerramento. Os ingressos para esta etapa são vendidos pela Blueticket e incluem buffet e open bar. Nesta edição, o shortlist do Colibri reúne 159 trabalhos distribuídos por 21 categorias e subcategorias, incluindo TV e Cinema, Rádio, Impressos, OOH, Ambient, Promoção e Ativação, Design, Digital, Case de Sucesso, Campanhas e Colibri Social. Outros 46 nomes foram indicados para o reconhecimento individual de profissionais, totalizando 203 indicações entre trabalhos e profissionais. A avaliação ficou a cargo de um júri formado por 25 profissionais de diferentes áreas da comunicação. Segundo o presidente do Sinapro-ES, Alexandre Pedroni, a composição buscou incorporar diferentes experiências e perspectivas na análise dos trabalhos. “A comunicação mudou, ganhou novas plataformas, novas linguagens e novas especialidades. O Festival precisa acompanhar esse movimento”, afirmou. Criado há quase quatro décadas, o Festival Colibri acompanha a produção publicitária do Espírito Santo e é uma das principais premiações do setor no Estado. A edição de 2026 foi lançada em junho, no Cinemark do Shopping Vitória, com o conceito “Absolute Cinema”, desenvolvido pela MP Publicidade. “Queremos reunir agências, profissionais, anunciantes, veículos, fornecedores, estudantes e todos que fazem parte desse mercado. É o momento de celebrar juntos tudo o que foi construído ao longo desta edição”, disse Pedroni. SERVIÇO 39º Festival Colibri 2026 – Absolute Cinema 23 de setembro – Brizz, Vitória A partir das 13 horas Palestras, premiação de estudantes e profissionais e happy hour Participação gratuita 24 de setembro – Na Vista, Vitória A partir das 18 horas Premiação de agências e fornecedores e festa de encerramento Ingressos à venda pela Blueticket Buffet e open bar incluídos Realização: Sinapro-ES – Sistema Nacional das Agências de Propaganda do Espírito Santo
Brasil conquista ouro inédito no Mundial de Poomsae com capixaba na comissão técnica
Manuela Feliz tornou-se a primeira mulher do Espírito Santo a integrar a comissão técnica brasileira em um Mundial da modalidade O Brasil conquistou pela primeira vez uma medalha de ouro no Campeonato Mundial de Poomsae de Taekwondo. A competição, realizada entre os dias 16 e 20 de setembro, em Chuncheon, na Coreia do Sul, terminou com duas medalhas para a delegação brasileira: ouro com Raimundo Renato Ribeiro e bronze com a dupla Marcelo Alves e Cátia Rita Esteves. Raimundo Renato Ribeiro ficou com o título na categoria Individual Masculino até 65 anos. Na decisão, o brasileiro enfrentou o sul-coreano Hakgyu Kim e garantiu a primeira medalha de ouro do país em 20 edições do Mundial de Poomsae. Marcelo Alves e Cátia Rita Esteves completaram a participação brasileira no pódio com o bronze na categoria Duplas Sub-60. A competição também marcou uma participação inédita do Espírito Santo. A mestra Manuela Feliz tornou-se a primeira mulher capixaba a integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira de Taekwondo em um Campeonato Mundial. Ela acompanhou a delegação na Coreia do Sul e participou da preparação e orientação dos atletas. Com mais de quatro décadas de atuação no taekwondo, Manuela iniciou a trajetória como atleta e posteriormente passou a trabalhar como técnica e na formação de atletas. Em 2026, ela também integrou a comissão técnica brasileira nos Jogos Sul-Americanos da Juventude, antes da participação no Mundial. “Eu sempre acreditei que o taekwondo pode transformar vidas e que o trabalho feito todos os dias, muitas vezes longe dos grandes holofotes, uma hora chega aos maiores palcos. Estar na Seleção Brasileira, em um Mundial na Coreia, representando o Espírito Santo e acompanhando uma conquista histórica como essa é uma emoção difícil de colocar em palavras. Esse ouro mostra que o Brasil tem talento, tem atletas preparados e tem um caminho muito bonito pela frente”, afirmou Manuela. O poomsae é uma modalidade do taekwondo baseada na execução de sequências técnicas de movimentos. Os competidores são avaliados por critérios como precisão, equilíbrio, força, ritmo e controle. O Mundial deste ano foi realizado na Coreia do Sul, país onde o taekwondo surgiu e uma das principais referências internacionais da modalidade.