Confiança do consumidor e melhora na percepção da renda sustentam expectativas para as compras de fim de ano O Espírito Santo encerra o ano com um cenário mais favorável ao consumo em comparação ao restante do país. Em novembro, a intenção de consumo das famílias capixabas permaneceu acima da média nacional e do Sudeste, indicando um nível de confiança que sustenta o planejamento das compras típicas do período de fim de ano, mesmo em um contexto de maior cautela econômica em outras regiões. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) do Espírito Santo atingiu 104,4 pontos em novembro — patamar considerado satisfatório, já que valores acima de 100 indicam confiança do consumidor. O resultado apresentou leve estabilidade em relação a outubro, com variação negativa de 0,2%. No mesmo período, o índice nacional ficou em 102,4 pontos, após avanço mensal de 1,2%, enquanto o Sudeste registrou 102,8 pontos, reforçando o desempenho superior do estado. As análises são do Connect Fecomércio-ES, com base nos dados do ICF divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o resultado ganha relevância por ocorrer em um período tradicionalmente marcado pelo aumento do consumo. “As famílias capixabas ainda demonstram uma percepção relativamente positiva sobre suas condições econômicas, o que sustenta a intenção de consumo acima da média nacional, mesmo diante de ajustes e maior cautela”, afirmou. Na análise histórica, os dados de novembro mostram que os últimos três anos registraram os maiores patamares do índice desde 2015. Na comparação anual, porém, houve recuo em relação a novembro de 2024. Ainda assim, o indicador permanece acima da zona de satisfação. “O movimento indica ajustes em curso, mas não uma quebra de confiança. O consumidor está mais criterioso, porém segue confiante em relação à renda e ao emprego”, explicou Spalenza. O levantamento também aponta avanço na satisfação com a renda atual das famílias capixabas. O subíndice registrou alta de 2,6% em novembro, alcançando 124,3 pontos. Além disso, a perspectiva de melhoria profissional cresceu 2,7% no mesmo período, sinalizando uma percepção mais positiva do poder de compra no curto prazo. De acordo com André Spalenza, esse conjunto de fatores contribui para manter o índice geral em nível confortável e reforça um ambiente favorável ao comércio capixaba, especialmente nos segmentos ligados às compras de Natal e de fim de ano. A pesquisa completa está disponível no site portaldocomercio-es.com.br.
Anderson Goggi faz balanço de 2025, destaca foco no cidadão e aponta os desafios de Vitória
Ao completar um ano à frente da presidência da Câmara Municipal de Vitória, o vereador Anderson Goggi (Republicanos) avalia que o período foi marcado por desafios estruturais, ampliação da representatividade política e avanços na transparência e na relação do Legislativo com a população. Em entrevista ao News Espírito Santo, o presidente detalha as principais ações da Casa, os entraves enfrentados, as pautas prioritárias e os caminhos para a cidade para os próximos anos. Goggi lembra que assumiu a presidência em um cenário atípico: a Câmara passou de 15 para 21 vereadores, sem que houvesse estrutura física suficiente para acomodar servidores e parlamentares. Além disso, contratos vencidos e limitações administrativas exigiram ações imediatas. “Assumimos a Câmara em um cenário de muitos desafios, mas terminamos o primeiro ano com a sensação de dever cumprido, porque hoje a Casa começa a se estruturar.” Segundo ele, o primeiro ano terminou com a sensação de dever cumprido. A Câmara iniciou um processo de reorganização interna, acolhimento dos servidores e planejamento estrutural, com foco na modernização da Casa e no cumprimento de seu papel institucional. Projeto de transferência para o Centro e entraves com a Caixa Econômica Um dos principais projetos da gestão foi a tentativa de levar a sede da Câmara para o Centro de Vitória, como estratégia de revitalização econômica e social da região. A proposta previa a ocupação de um prédio público da Caixa Econômica Federal, em parceria com o Executivo municipal, levando cerca de mil colaboradores e serviços públicos para o local. “A Câmara de Vitória hoje é a mais transparente do Espírito Santo, e a população acompanha cada vez mais o dia a dia das sessões. O plano, no entanto, foi interrompido após a invasão do imóvel dias antes da assinatura do contrato. Goggi relata que, posteriormente, a Caixa condicionou a cessão do prédio à entrega de moradia a famílias que ocuparam o espaço, o que, segundo ele, não se alinhava à política habitacional do município. “O município não pode premiar invasões em detrimento de famílias que estão há anos na fila da habitação”, afirmou. Diante do impasse, o projeto foi interrompido, e a Câmara optou por permanecer na atual sede. Reformas, acessibilidade e economia de recursos públicos Com a decisão de permanecer no prédio atual, a gestão iniciou reformas administrativas e estruturais, com destaque para a adequação do plenário à acessibilidade. Goggi ressaltou que não é possível cobrar acessibilidade da cidade se a própria Casa de Leis não dá o exemplo. O presidente também destacou cortes de gastos e medidas de economia interna, que permitiram equilibrar um orçamento herdado com déficit de cerca de R$ 3 milhões. Mesmo assim, a expectativa é de devolução de recursos à Prefeitura de Vitória. Câmara mais produtiva da história recente Goggi enfatizou o aumento expressivo da produtividade legislativa. A Câmara de Vitória realiza três sessões ordinárias semanais, sendo uma das que mais se reúne no país. Ao longo do período, foram mais de 130 sessões ordinárias, além de mais de 25 mil indicações ao Executivo e cerca de 600 projetos de lei apresentados – número considerado histórico. “Vitória se tornou uma referência, um espelho para o Espírito Santo, e muitas pautas acabam sendo ditadas daqui.” Segundo ele, esse volume reflete o aumento da representatividade e o contato direto dos vereadores com as demandas da população. Aliado do prefeito, Goggi atua para garantir a governabilidade, mas afirma não abrir mão da independência Polarização política e respeito aos mandatos Ao comentar o ambiente político, o presidente avaliou que a polarização, embora intensa, faz parte do processo democrático. Ele afirmou que sua postura tem sido a de garantir governabilidade ao Executivo, sem abrir mão da independência do Legislativo. “A polarização existe, mas o meu compromisso como presidente é garantir respeito, governabilidade e condições de trabalho para todos os vereadores.” Ele destacou que foi eleito presidente com votos de vereadores de diferentes campos ideológicos e que seu compromisso é respeitar todos os mandatos, assegurando condições de trabalho iguais para todos. Transparência, comunicação e criação da TV Câmara Entre as inovações, Goggi destacou a criação da TV Câmara, que produz resumos das sessões e dá espaço para que vereadores expliquem projetos aprovados. A iniciativa, segundo ele, ampliou o alcance do trabalho legislativo e aproximou a população das decisões da Casa. Para o presidente, a comunicação é hoje a principal ferramenta da política, permitindo que o cidadão compreenda o papel do vereador mesmo sem acompanhar as sessões ao vivo. Pautas prioritárias: educação, acessibilidade e inclusão social No campo legislativo, Goggi destacou projetos voltados à inclusão de pessoas com deficiência, especialmente no espectro autista, além de ações ligadas à infância. A educação também foi apontada como eixo central, com destaque para a expansão das escolas em tempo integral, que passaram de poucas unidades para mais de 40 na capital. A valorização dos servidores públicos e investimentos em áreas de maior vulnerabilidade social também figuram entre as prioridades da gestão. Segurança pública, tecnologia e resultados sociais Goggi associou os avanços na segurança pública ao uso da tecnologia e à valorização da Guarda Municipal. Ele citou o cerco inteligente como ferramenta fundamental para a redução de crimes, além de resultados sociais expressivos, como a redução feminicídio no município. Para ele, políticas públicas voltadas às áreas mais vulneráveis impactam positivamente toda a cidade. Reforma tributária e desafios econômicos de Vitória O presidente alertou para os impactos da reforma tributária sobre Vitória e o Espírito Santo. Segundo ele, duas estratégias são fundamentais para mitigar os efeitos: incentivo à moradia e fortalecimento do turismo, da cultura e do entretenimento. Como Vitória é uma ilha, com limitações territoriais, o crescimento exige planejamento integrado, especialmente em áreas como mobilidade, saúde e educação. Vitória voltada para o mar e fortalecimento do turismo Goggi destacou projetos voltados à reaproximação da cidade com o mar, valorizando a orla, a gastronomia e os atrativos naturais. Ele citou iniciativas como a Arena Verão, o turismo de negócios, a observação de baleias jubarte e a promoção da chamada “economia do mar azul”. Segundo
João Batista Dallapiccola Sampaio | “Consumação mínima: uma análise jurídica sobre a prática abusiva”
A exigência de consumação mínima em estabelecimentos como bares, boates e restaurantes é uma prática comercial que, embora comum, suscita intensos debates jurídicos e representa uma clara violação aos direitos do consumidor. Trata-se da imposição de um valor pré-fixado que o cliente é obrigado a gastar para frequentar o local, uma condição que limita a liberdade de escolha e configura uma prática abusiva vedada pela legislação brasileira. A caracterização da consumação mínima é simples: ocorre sempre que um estabelecimento condiciona a entrada ou a permanência de um cliente ao consumo de um valor mínimo estipulado. Essa prática é intrinsecamente abusiva porque se enquadra na definição de venda casada, expressamente proibida pelo artigo 39, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor (CDC). A venda casada acontece quando o fornecedor condiciona a aquisição de um produto ou serviço à compra de outro. No contexto da consumação mínima, o serviço de acesso e permanência no ambiente é atrelado à obrigação de adquirir outros produtos, como bebidas e alimentos, em uma quantidade financeira pré-determinada. É fundamental distinguir o que pode e o que não pode ser cobrado. O estabelecimento tem o direito de cobrar uma taxa de entrada ou um couvert artístico, desde que essa informação seja prestada de forma clara e prévia ao consumidor, como determina o princípio da informação (art. 6º, III, do CDC). O que é ilegal é a imposição de um gasto mínimo. O cliente deve ter a liberdade de pagar pela entrada e optar por não consumir nada, ou consumir um valor inferior ao estipulado arbitrariamente pelo local. A cobrança deve se restringir ao que foi efetivamente consumido por livre escolha do cliente. A abusividade da cobrança de consumação mínima é, portanto, inerente à própria prática. Ela viola a boa-fé objetiva e coloca o consumidor em uma posição de desvantagem manifestamente excessiva, o que é vedado pelo CDC. A jurisprudência fundamenta a ilegalidade na proteção da liberdade de escolha do consumidor, sendo a venda casada uma prática repudiada pelo sistema de proteção ao consumidor, impondo a nulidade de tal exigência. Diante dessa prática ilegal, o consumidor é amparado por uma série de direitos. Primeiramente, ele pode recusar-se a pagar a taxa de consumação mínima, devendo arcar apenas com o valor dos produtos que efetivamente consumiu e, se for o caso, da taxa de entrada ou couvert artístico previamente informados. Caso seja coagido a pagar o valor indevido, o consumidor tem o direito à restituição em dobro da quantia paga, acrescida de correção monetária e juros, conforme o parágrafo único do artigo 42 do CDC. Além disso, é um direito do consumidor denunciar o estabelecimento aos órgãos de proteção, como o PROCON, para que as devidas sanções administrativas sejam aplicadas. Se a situação gerar constrangimento, humilhação ou qualquer tipo de dano que ultrapasse o mero aborrecimento, é cabível a busca por reparação por danos morais na esfera judicial. Para tanto, é recomendável que o consumidor reúna provas, como a nota fiscal detalhada, fotos do aviso da cobrança e, se necessário, registre um boletim de ocorrência. Em suma, a cobrança de consumação mínima é uma prática ilegal e abusiva que atenta contra os pilares do Código de Defesa do Consumidor. A legislação e a jurisprudência asseguram ao consumidor as ferramentas necessárias para se opor a essa exigência, garantindo que a relação de consumo seja pautada pelo equilíbrio, transparência e, acima de tudo, pela liberdade de escolha. Escrito por João Batista Dallapiccola Sampaio.
Sheraton Vitória anuncia ceia especial de Réveillon com música ao vivo
Hotel prepara experiência gastronômica para a noite de 31 de dezembro, com buffet exclusivo, bebidas inclusas e apresentação de Graciella D’Ferraz e banda Para quem deseja celebrar a chegada de 2026 com conforto, sofisticação e boa gastronomia, o Hotel Sheraton Vitória anunciou uma ceia especial de Réveillon. O evento acontece no dia 31 de dezembro, das 20h à meia-noite, e foi planejado para oferecer uma experiência completa a hóspedes e convidados. A programação inclui buffet exclusivo, elaborado especialmente para a data, além de bebidas inclusas, como água, refrigerante, sucos, espumante e vinhos tinto e branco. A proposta é proporcionar uma virada de ano tranquila, elegante e memorável. A noite será embalada por música ao vivo de Graciella D’Ferraz e banda, garantindo um clima animado e acolhedor para a celebração. O valor da ceia é de R$ 680 por pessoa. Crianças de até 6 anos têm cortesia, enquanto aquelas entre 7 e 12 anos pagam 50% do valor. As reservas e mais informações podem ser obtidas pelo e-mail reservas@sheratonvitoria.com.br ou pelos telefones (27) 2125-8000 e (27) 98121-0806.
Aplicativo capixaba moderniza formaturas e muda a experiência dos estudantes
Filas longas, espera cansativa e tempo perdido em uma das noites mais marcantes da vida acadêmica. Esse cenário começou a mudar no Espírito Santo com o desenvolvimento de um aplicativo capixaba que vem transformando a experiência das festas de formatura no estado. Criada pela empresa Na Beca, a ferramenta informa com precisão o momento em que o formando deve se dirigir ao estúdio fotográfico, substituindo o antigo sistema manual e eliminando filas. A proposta é simples: garantir mais tempo para a celebração e menos burocracia durante o evento. “A ideia nasceu da necessidade de romper com um padrão ultrapassado. Queríamos que o formando fosse protagonista da própria celebração, sem perder tempo em filas”, explica a CEO da Na Beca, Mayara Mello. Com mais de cinco mil usuários ativos, o aplicativo reúne em um único ambiente digital diferentes funcionalidades, como controle de pagamentos, compra de ingressos, aquisição de álbuns, acesso às fotos e participação em um clube de descontos exclusivo. A tecnologia também substituiu processos tradicionais, como contratos físicos e ingressos impressos, trazendo mais agilidade, transparência e redução de custos. “Hoje, tudo acontece em poucos cliques. É uma experiência mais moderna, prática e alinhada ao que essa geração espera”, reforça Mayara. Além dos benefícios para os formandos, a inovação trouxe ganhos operacionais para a empresa, como aumento da eficiência, redução de custos e maior escalabilidade do modelo de negócio, ampliando a autonomia dos clientes na gestão dos próprios recursos. Com resultados positivos, a Na Beca já projeta expansão gradual da solução. “Vamos crescer de forma estruturada: primeiro na Grande Vitória, depois em todo o Espírito Santo e, na sequência, em nível nacional. O mercado de eventos nunca mais será o mesmo”, afirma a CEO.
João Gualberto – “Florentino Avidos”
Leandro Quintão é um produtivo historiador capixaba. Mestre e doutor em história por nossa Universidade Federal, tem se dedicado de forma consiste a estudar a primeira república no Espírito Santo. Sua análise sobre a importância política de Muniz Freire, que foi presidente do estado por duas vezes (1892-1896 e 1900-1904) é primorosa e está presente em vários artigos de sua produção científica. Reunir dados e informações, construir análises e interpretações, já o fariam, só por essa razão, um dos nossos maiores estudiosos no campo da política. Ele tem nos brindado, em seus estudos mais recentes, com novas compreensões do passado recente, com um importante olhar sobre as ideias de construção do progresso em nossas terras, desde do “alevantamento provincial”, discutido na Assembleia no final do império, até o fim da primeira república. Não foi pouco o que fez Muniz Freire, o nosso primeiro grande líder republicano, e também não foi pequena a sua importância como chefe político de uma importante oligarquia regional, reunida no Partido Republicano Construtor. Esse partido só perdeu seu protagonismo na cena política capixaba com a ascensão do Partido Republicano Espírito-santense, criado pela oligarquia Monteiro, que viria a substituir a força de Muniz. Tudo isso fica mais fácil de entender lendo a obra de Leandro Quintão. Ele acaba de contribuir com a profundidade de sempre em uma publicação chamada O Espírito Santo no Novecentos (1889-1930), junto a outros importantes intelectuais ligados à área de história na Ufes, com o artigo intitulado Um estranho no ninho? Oligarquia e economia no governo: Florentino Avidos (1924-1928). Nele explora a discussão sobre os três principais governantes, aqueles que tiveram maior notoriedade no período, respectivamente Muniz Freire, Jerônimo Monteiro e Florentino Avidos. A notoriedade a eles atribuída por nossos estudiosos leva em conta as realizações que conduziram à frente do Governo Estadual, tais como estrada de ferro, indústrias, planejamento urbano – sobretudo da capital – e modernização portuária. Para além de meros ícones daquele período, essa tríade de personagens foi interpretada como pertencente a um grupo de governantes responsáveis por alavancar o progresso do Espírito Santo no século XX; Florentino, inclusive. As principais realizações da administração do Presidente Avidos, especialmente no campo econômico, segundo o autor, foram: melhoramentos urbanos, tendo como marco a construção da Avenida Central, hoje chamada de Jerônimo Monteiro, procurando seguir os padrões da avenida com o mesmo nome no Rio de Janeiro, inaugurada décadas antes; continuação das obras de aparelhamento do Porto de Vitória, interrompidas em 1914 e retomadas no governo anterior; planejamento e construção de estradas e pontes, facilitando a comunicação; planejamento de novas vias férreas; apoio à diversificação agrícola; estímulo ao povoamento e colonização de novas terras; e a proteção à produção cafeeira, via criação de um serviço de defesa do café estadual, de suma importância naquele momento. As realizações do Governo Avidos foram responsáveis, em grande parte, pela popularidade alcançada por Florentino ao término de seu mandato, em 1928, reforçando de forma clara o modelo de desenvolvimento capixaba, inteiramente baseado na produção do café. A sua gestão estava comprometida em reforçar a centralização das exportações pelo Porto de Vitória. O aparelhamento do porto era uma de suas maiores aspirações, pois tinha como objetivo garantir que tal centralização fosse assegurada. Para receber o café que chegaria em maior quantidade pela ferrovia, era preciso um porto moderno, com grandes armazéns e guindastes e com capacidade de receber navios de maior calado. Não é difícil supor que o protagonismo das estradas de ferro, no antigo plano de “alevantamento provincial”, era bem compreendido por Florentino Avidos. Dessa forma, a centralidade portuária da capital deveria ser combinada com a centralidade ferroviária, o que, em termos, já era realidade. Os principais troncos ferroviários que atravessavam o estado – a Estrada de Ferro Vitória a Minas e a Leopoldina Railway – iniciavam seu percurso ao lado da capital, mas, a seu ver, esse projeto precisava ser reforçado, o que foi objeto de seus planos. Em suma, Florentino Avidos deu continuidade ao antigo plano de centralização comercial em Vitória, estruturado em ferrovias, portos, economia cafeeira e estreitamento das comunicações com o Sul capixaba e com o Leste de Minas Gerais, fortalecendo o modelo econômico do café. Florentino, portanto, está entre os três grandes personagens da nossa história durante a primeira república, que era a dos coronéis, apoiada no cultivo do café. Mais do que isso, o Espírito Santo teve notáveis governantes que se ombreavam aos grandes políticos brasileiros no século XX. Há um outro presidente muito importante nesse mesmo período, espero a publicação de obra em fase de conclusão do notável biografo Romulo Felipe para voltar ao assunto. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018. *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Estado define Índice de Participação dos Municípios para 2026; maior fatia é da Serra
O Governo do Espírito Santo definiu o Índice de Participação dos Municípios (IPM) que será utilizado para o repasse do ICMS aos municípios capixabas em 2026. O decreto com os percentuais finais foi publicado nesta segunda-feira (22) no Diário Oficial do Estado pela Secretaria da Fazenda (Sefaz). A Serra lidera o ranking estadual, com IPM de 14,449%, seguida por Vitória (10,318%), Cariacica (9,940%), Vila Velha (5,565%) e Linhares (4,894%). Os índices divulgados já consideram o encerramento dos prazos para recursos e a conclusão das análises técnicas. De acordo com a Sefaz, 25% de toda a arrecadação do ICMS no Estado é destinada aos municípios, conforme o IPM. O principal critério de cálculo é o Valor Adicionado Fiscal (VAF), que representa 75% da composição do índice e reflete a atividade econômica local, considerando indústria, comércio e serviços. Além do VAF, o IPM também incorpora indicadores como qualidade da educação, serviços de saúde, área territorial, número de propriedades rurais e produção agrícola. CLIQUE AQUI para conferir o IPM de cada município.
Polícia Militar inicia Operação Verão 2025/2026 no Espírito Santo
Teve início nesta sexta-feira (26) a Operação Verão 2025/2026, que mobiliza as Forças de Segurança em 27 municípios do Espírito Santo. As ações seguem até o dia 22 de fevereiro e têm como foco garantir a ordem pública e a segurança da população durante o período de alta temporada. A Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) atuará de forma intensificada por meio de operações de saturação, pontos de bloqueio, abordagens a pessoas e veículos, além de fiscalização de trânsito. As ações são concentradas em balneários, locais com grande circulação de pessoas, regiões com lagoas, rios e cachoeiras, além dos principais pontos turísticos do estado. Outras instituições de segurança também participam da operação de forma integrada. O reforço do policiamento ostensivo será realizado em diferentes modalidades, incluindo patrulhamento a pé, motorizado, montado, ciclístico e tático motorizado, ampliando a presença policial em áreas estratégicas ao longo do verão. A operação também contempla reforços específicos para grandes eventos do período, como as festas de Réveillon, o Carnaval de Vitória, o Carnaval oficial, os blocos carnavalescos e festas municipais, com adequação dos recursos às particularidades de cada demanda. Para a Operação Verão 2025/2026, a PMES estruturou sua estratégia operacional com base em três pilares. O primeiro prevê a mobilidade estratégica do efetivo, por meio do pagamento de diárias para o deslocamento de policiais militares às áreas litorâneas, garantindo flexibilidade para a redistribuição rápida de recursos conforme a necessidade de cada região. O segundo pilar estabelece incentivos operacionais às unidades do litoral, com o aumento da Indenização Suplementar de Escala Operacional (ISEO), reconhecendo o esforço adicional exigido durante a alta temporada. Já o terceiro pilar fortalece os comandos do interior, com aporte de ISEO aos Comandos de Policiamento Ostensivo Regionais, assegurando o atendimento das demandas de segurança em regiões montanhosas e turísticas do interior do estado. Foto: PMES
Inmet mantém alerta vermelho de onda de calor até dia 29 e inclui Sul do ES
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém até a próxima segunda-feira (29) o alerta vermelho — nível máximo de risco — para a onda de calor que atinge áreas do Sudeste, Sul e Centro-Oeste do país. As temperaturas estão cerca de 5°C acima da média histórica desde o dia 23. No Espírito Santo, o alerta inclui o Sul do Estado, com destaque para a região de Cachoeiro de Itapemirim. Rio de Janeiro e São Paulo estão totalmente sob alerta vermelho, assim como áreas do Norte do Paraná, Sul de Minas Gerais e Leste do Mato Grosso do Sul. Segundo o Ministério da Saúde, o risco é maior em áreas urbanas por causa do efeito de ilha de calor. Os grupos mais vulneráveis são idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas e a população em situação de rua. Sinais de alerta incluem transpiração excessiva, fraqueza, tontura, náuseas, dor de cabeça, cãibras e diarreia. A orientação é buscar atendimento de saúde diante de sintomas e adotar medidas preventivas, como hidratação constante, roupas leves, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes e priorizar refeições leves.
Com o novo ano chegando, especialista explica como escolher o investimento certo
O calendário se aproxima do fim de 2025 e 2026 já entra no radar de muitos brasileiros. Para quem conseguiu manter as contas em dia, o novo ano pode representar um passo importante: começar a investir. No entanto, a principal dúvida ainda é saber por onde iniciar e qual aplicação escolher. De acordo com Ludmilla Franca, gerente de investimentos da Sicredi Serrana, não existe uma fórmula única que funcione para todos. “O investimento depende do perfil de cada pessoa e do objetivo que ela pretende alcançar. Antes de decidir, é fundamental entender para que esse dinheiro será utilizado e em quanto tempo”, afirma. Segundo a especialista, a organização financeira é um ponto-chave nesse processo. Quando as despesas estão controladas, fica mais fácil planejar e avaliar as alternativas disponíveis. “Com as finanças organizadas, o investidor consegue começar por opções mais seguras e compatíveis com a sua realidade”, explica. Por onde começar a investir Para quem está dando os primeiros passos, o mercado oferece aplicações acessíveis e com baixo risco. A poupança segue como uma das portas de entrada mais conhecidas. Apesar da rentabilidade reduzida, permite resgates a qualquer momento e não exige valor mínimo, sendo indicada para quem ainda está formando uma reserva de emergência. Outra alternativa bastante procurada é o Tesouro Direto. Com investimentos a partir de valores baixos, o investidor adquire títulos públicos e empresta recursos ao governo. A aplicação é considerada de baixo risco e oferece diferentes prazos e tipos de rendimento, de acordo com o objetivo de cada pessoa. Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) também figuram entre as opções iniciais. Nesse modelo, o dinheiro é emprestado às instituições financeiras, com rentabilidade definida no momento da aplicação. Os CDBs contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), dentro dos limites estabelecidos por lei. Diversificação e visão de longo prazo Para quem deseja diversificar sem acompanhar o mercado diariamente, os fundos de investimento são uma alternativa. Eles reúnem diferentes ativos e contam com gestão profissional, com opções que vão do perfil conservador ao mais arrojado. As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs) também atraem investidores por serem isentas de imposto de renda para pessoas físicas. Assim como os CDBs, possuem garantia do FGC e costumam ser indicadas para quem pode manter o dinheiro aplicado por prazos maiores. Já o investimento em ações exige mais conhecimento e tolerância ao risco. Ao adquirir ações, o investidor se torna sócio de empresas e pode obter ganhos maiores no longo prazo, mas está sujeito às oscilações do mercado. É uma opção voltada a quem aceita volatilidade e tem objetivos de longo prazo. A previdência privada completa o conjunto de alternativas, especialmente para quem pensa em aposentadoria e planejamento sucessório. Existem diferentes tipos de planos, com benefícios fiscais que variam conforme o modelo de declaração do imposto de renda. “Não é preciso começar com valores altos. O mais importante é investir de forma consciente, entendendo os riscos, os prazos e os objetivos”, reforça Ludmilla Franca. 13º salário e decisões imediatas Enquanto alguns já planejam 2026, muitos brasileiros ainda aguardam a segunda parcela do décimo terceiro salário, que deve ser paga até sábado (20). Para quem não conseguiu organizar as finanças ao longo do ano, esse recurso pode ser decisivo. A orientação é priorizar o uso do valor para quitar dívidas, pagar despesas acumuladas e organizar o orçamento. “O décimo terceiro pode ser fundamental para colocar as contas em ordem. A partir disso, o planejamento financeiro fica mais claro e o investimento passa a ser uma possibilidade real”, explica a gerente da Sicredi Serrana. Com informação, planejamento e escolhas alinhadas ao perfil de cada investidor, o início de 2026 pode representar também uma mudança na forma de lidar com o dinheiro.