O fundador das Óticas Paris, Getulio Gomes de Azevedo, lança no dia 10 de dezembro, às 18 horas, o livro “Foco no Propósito”, que revisita sua trajetória empresarial e reúne aprendizados de quase cinco décadas dedicadas ao varejo. A obra também traz orientações práticas para atendimento de excelência — tanto nas lojas físicas quanto no ambiente digital — e celebra os 46 anos da rede capixaba, hoje referência nacional no setor. A noite de autógrafos será realizada na loja da Aleixo Netto, na Praia do Canto, em Vitória. Getulio chegou à capital capixaba no fim dos anos 1970 e testemunhou de perto a transformação urbana e econômica de Vitória. Foi no Centro — então polo comercial da cidade — que ele abriu a primeira unidade da Paris, em uma pequena garagem. De lá para cá, vieram os movimentos que acompanharam a evolução do varejo: a migração para a Praia do Canto, a expansão para os shoppings e, já nos anos 2000, a entrada definitiva no e-commerce, que hoje atende clientes em todo o Brasil. Ao longo do livro, Getulio compartilha princípios que nortearam seu caminho no empreendedorismo. “Empreender é negociar com a vida, mas nunca negociar os valores que sustentam nossos sonhos”, afirma. Fluminense de Campos dos Goytacazes, ele destaca que a coragem sempre esteve no centro de suas decisões: “A vida anda na proporção da nossa coragem”. A obra reúne também um capítulo com depoimentos de empresários, parceiros, colaboradores, amigos e familiares que fizeram parte da história da Paris. Entre os temas abordados está a sucessão familiar, com a atuação da filha Ana Luiza Azevedo, que lidera a estratégia digital da rede, que hoje conta com 11 lojas físicas na Grande Vitória e forte presença online. Há ainda um conjunto de orientações práticas para vendedores e gestores do varejo contemporâneo, com foco no encantamento do consumidor. Para Getulio, o diferencial está na escuta ativa: “Ouça o cliente e identifique a consciência dele sobre a marca; quebre o padrão de venda mecânica e automática. Cada cliente é único e o atendimento precisa ser adaptado às particularidades de cada um”. Com mais de 15 anos de atuação como conselheiro da Abióptica (Associação Brasileira das Indústrias Ópticas), o empresário reforça que disciplina, inovação e aprendizado contínuo são essenciais para quem deseja longevidade no varejo — seja em Vitória, seja no mundo digital.
Prêmio Mérito Empresarial reconhece líderes que impulsionam o desenvolvimento da Serra
A Associação dos Empresários da Serra (ASES) realiza no dia 11 de dezembro a 19ª edição do Prêmio Mérito Empresarial, considerada a maior premiação do setor produtivo do município. Neste ano, o evento terá como ponto alto a homenagem a Nailson Dalla Bernardina, presidente emérito do Espírito Santo em Ação, reconhecido por seu papel estratégico no fortalecimento do ambiente de negócios capixaba e na articulação entre iniciativa privada, poder público e sociedade civil. Com trajetória marcada pelo diálogo institucional e pela defesa de políticas de gestão moderna e desenvolvimento sustentável, Nailson se tornou uma das personalidades mais influentes na transformação econômica do Espírito Santo, contribuindo para avanços na competitividade estadual e para a consolidação de projetos estruturantes. “A homenagem a Nailson Dalla Bernardina é um reconhecimento ao seu legado e ao impacto positivo de sua liderança para o Espírito Santo. Seu trabalho ajudou a consolidar o Estado como referência nacional em planejamento, governança e cooperação entre setores”, afirma o presidente emérito da ASES, Fábio Junger. Além da homenagem especial, o XIX Mérito Empresarial premiará empresas que se destacaram em 2025 pela inovação, qualidade de gestão, crescimento e contribuição ao desenvolvimento econômico da Serra — município que abriga o maior parque industrial do Espírito Santo e figura entre os principais polos de geração de empregos e investimentos do Estado. Empresas vencedoras do XIX Mérito Empresarial da ASES • Comércio: Raphael Ramalho Energia Solar • Micro e Pequenas Empresas: Madalena Rodrigues Fraga Lorenção Arquitetura • Indústria: Maifredo Soluções em Embalagens • Serviços: Provider Saúde e Segurança do Trabalho • Mulheres de Negócios: Priscila Lopes Peisino – Andrade Energia Solar Posse da nova diretoria A solenidade também marcará a posse da diretoria eleita para o biênio 2025–2027, reforçando o compromisso da ASES com um ambiente empresarial competitivo, inovador e preparado para novos ciclos de crescimento. Com 47 anos de atuação, a Associação segue como uma das entidades empresariais mais representativas do Espírito Santo, fomentando parcerias estratégicas, fortalecendo cadeias produtivas e ampliando oportunidades para o desenvolvimento sustentável. Serviço – XIX Prêmio Mérito Empresarial da ASES 📍 Local: Steffen Centro de Eventos – Rodovia ES-010, Km 4, Jardim Limoeiro, Serra/ES 📆 Data: 11 de dezembro de 2025 (quinta-feira) ⏰ Horário: 20h ℹ Informações e aquisição de mesas: https://forms.gle/kZXu1NDZXXTVoBUM9
Duas cidades do ES terão Pontos de Parada e Descanso para caminhoneiros na BR-101
Os municípios de Linhares e Atílio Vivácqua foram escolhidos para receber os novos Pontos de Parada e Descanso (PPDs) da BR-101. O anúncio foi feito pelo diretor-superintendente da Ecovias Capixaba, Roberto Amorim Jr., durante reunião da Comissão Especial de Fiscalização da BR-101, BR-262 e Rodovias, realizada na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) sob a presidência do deputado estadual Fabrício Gandini (PSD). As duas estruturas, também chamadas de “superparadas”, farão parte do contrato de concessão da rodovia e serão destinadas exclusivamente a caminhoneiros e motoristas do transporte rodoviário de passageiros, com funcionamento 24 horas por dia. O tempo de permanência gratuito será de até 12 horas contínuas, garantindo condições dignas de descanso ao longo da estrada. Os PPDs vão oferecer banheiros, refeitório, estacionamento dedicado, lavanderia, iluminação e segurança, atendendo à legislação de descanso obrigatório dos profissionais. Também poderão receber restaurantes e lanchonetes, com pagamento apenas pelos serviços adicionais. Cada ponto contará com 70 a 90 vagas para veículos pesados e edificações de apoio. A previsão é de que as obras sejam concluídas até agosto de 2027. Atualmente, ao cruzarem os 478 quilômetros da BR-101 sob concessão da Ecovias Capixaba entre o Espírito Santo e a Bahia, caminhoneiros enfrentam paradas improvisadas, banheiros pagos e falta de segurança. Muitos recorrem a postos de combustíveis para descanso, sem infraestrutura adequada. Os PPDs chegam como resposta a essa demanda histórica do transporte rodoviário. Amorim explicou que a infraestrutura será dedicada ao atendimento dos profissionais da estrada. Já os condutores de veículos leves continuarão com o suporte das 12 bases do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), distribuídas a cada 40 quilômetros, onde há banheiros, bebedouro, fraldários, wi-fi e carregadores para carros elétricos. Fiscalização e garantias O deputado Fabrício Gandini destacou que a escolha das cidades e a confirmação da gratuidade refletem o trabalho contínuo da Comissão Especial de Fiscalização. “A fiscalização permanente é o que faz a diferença. Agora temos prazos e metas definidos. Vamos acompanhar de perto cada etapa para que as obras avancem e os caminhoneiros tenham condições mais dignas e seguras de trabalho”, afirmou. Os novos PPDs integram o contrato de concessão com 24 anos de vigência e previsão de R$ 10 bilhões em investimentos, incluindo: • 172 km de duplicações • 41 km de faixas adicionais • 51 km de contornos • Melhorias de pavimento e sinalização Ao todo, a concessão beneficia 25 municípios capixabas e um baiano, no corredor que conecta Mimoso do Sul a Mucuri (BA).
Mais de 100 idosos de Alto Rio Novo visitam a secretária do Governo do ES
O tradicional passeio anual do Projeto de Convivência de Idosos de Alto Rio Novo teve um momento especial nesta quinta-feira (04), em Vitória: a visita à secretária de Estado do Governo, Emanuela Pedroso, que já foi vereadora e prefeita do município localizado no Centro-Oeste capixaba. Ao todo, cerca de 130 idosos atendidos pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras) participaram da viagem, organizada pela secretária municipal de Assistência Social, Tatiane Eler. A programação incluiu ainda visitas ao Convento da Penha, ao Palácio Anchieta, a um shopping da Capital e à Igreja dos Reis Magos, na Serra. Entre os participantes mais experientes estavam Maria Augusta Amaral, de 88 anos, e o ex-presidente da Câmara Municipal, José Pinto da Silva, de 86 anos. “Emanuela foi minha colega na Câmara”, lembrou José Pinto, que soma sete mandatos como vereador — quatro por Pancas e três por Alto Rio Novo. Recebida com abraços e palavras de carinho, Emanuela foi homenageada pelos visitantes, que a chamavam afetuosamente de “Manu” e destacavam seu legado. “Mulher determinada, inteligente e atenciosa, que construiu uma linda história em nossa cidade”, afirmou José Pinto. A aposentada Leidemar Andrade Silva também fez questão de relembrar a relação com a secretária: “Desde novinha, sempre soube o que queria. Era muito objetiva”. Já Nilda Eler da Silva, nascida em 1950, quando Alto Rio Novo ainda era distrito de Colatina, reforçou: “Ela é um orgulho para nós e para a nossa cidade”. Para Emanuela Pedroso, o encontro teve significado especial. “A visita alegrou meu dia e funciona como estímulo para o meu trabalho em favor dos capixabas. Mesmo antes de ter sido vereadora, entre 2009 e 2012, e prefeita, de 2013 a 2016, sempre tive uma relação muito próxima com as pessoas da minha cidade. É em Alto Rio Novo que estão minhas raízes, e o carinho que recebo de lá só me fortalece”, declarou.
Assembleia recebe Selo Diamante de Transparência pelo segundo ano seguido
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) recebeu, pelo segundo ano consecutivo, o Selo Diamante de Transparência, nível máximo de reconhecimento concedido pelo Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP). A certificação é uma iniciativa da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e confirma que a Casa atingiu os parâmetros mais elevados avaliados pelo programa. A premiação ocorreu durante o 4º Congresso Internacional dos Tribunais de Contas, em Florianópolis (SC), e foi recebida pelo presidente da Casa, deputado Marcelo Santos (União). “Somos bicampeões nacionais de transparência e agradeço à Atricon pela premiação pela segunda vez. Esse Selo Diamante é fruto do trabalho de muitos servidores e dos colegas deputados. Vencemos mais uma vez, e esse resultado reforça que estamos no caminho certo. Gestão moderna e eficiente gera transparência”, afirmou Marcelo Santos. Também participaram da cerimônia o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES), conselheiro Domingos Taufner, e o procurador-geral de Justiça, Francisco Berdeal. Gestão e modernização Marcelo Santos destaca que o reconhecimento consolida um modelo de gestão focado em ampliar o acesso às informações públicas e fortalecer a segurança jurídica. Ele lembra que, ao longo deste ciclo, a Ales implementou mudanças estruturais. “Modernizamos a Casa e fizemos da transparência uma marca desta gestão. Hoje, qualquer cidadão pode acompanhar cada voto, despesa, discurso e projeto apresentado. Também revisamos o arcabouço legal e revogamos mais de oito mil normas e leis defasadas que geravam insegurança jurídica, especialmente para quem investe e produz”, afirmou. O presidente da Casa reforçou ainda iniciativas como a Escola de Formação Política e o projeto Arranjos Produtivos, que ganhou caráter de política pública voltada à agricultura familiar — responsável por 75% das propriedades rurais do Estado. O Radar Nacional da Transparência Pública avalia critérios como acessibilidade, contratos, despesas, diárias e informações institucionais. Entre os pontos analisados estão a navegabilidade do Portal da Transparência, a publicação de atos normativos e o detalhamento de receitas e gastos públicos. O Selo Diamante é concedido a instituições que cumprem entre 95% e 100% dos critérios. Em 2024, a Ales também recebeu a certificação e foi a única Assembleia Legislativa do país — e a primeira — a alcançar 100% do índice.
Anderson Azevedo Fraga – “Marco Legal do Setor Elétrico: inovações importantes”
Recentemente, o Congresso, a partir da Medida Provisória 1.304, aprovou mudanças significativas no marco legal do setor elétrico. Este importante segmento da economia é um dos mais complexos e, por isso, requer ampla regulamentação para funcionar da forma mais equilibrada possível — algo necessário, pois a energia é o insumo que impacta a vida de todos, empresas e consumidores residenciais. Os agentes econômicos desse setor — geradores de energia, transmissores, distribuidores e consumidores — atualmente interagem em dois ambientes de compra e venda de energia: o regulado e o livre. O Ambiente de Contratação Regulada (ACR) é conhecido de todos, pois é visível por meio da concessionária de energia da nossa região, que opera com tarifas definidas pela ANEEL e, de forma aproximada, atende os consumidores de menor porte. Já no Ambiente de Contratação Livre (ACL), os contratos são negociados livremente, tendo como órgão apoiador a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) — que terá nova configuração para abranger energias como um todo e não apenas a elétrica. As mudanças se tornaram necessárias para ajustar o setor, uma vez que sua infraestrutura passou a sofrer forte impacto com o crescimento da geração de energia solar — valendo citar os mais de 3 milhões de imóveis que instalaram placas solares — e eólica. Além disso, a abertura do ACL para todos os consumidores era uma meta em pauta. E quais foram as principais mudanças que afetarão a grande maioria dos consumidores? Vamos nos concentrar nesta resposta, deixando para outra oportunidade comentar as demais alterações relevantes. A mudança mais emblemática refere-se à extinção dos descontos de 50% nas tarifas de uso do sistema de distribuição e transmissão (TUSD e TUST), aplicados para compradores do Ambiente de Contratação Livre. Na prática, funcionou como um incentivo fiscal que será extinto para novos contratos registrados após 31 de dezembro de 2025. A partir dessa data, apenas contratos formalizados e validados junto à CCEE até o fim de 2025 continuarão usufruindo do desconto de 50% durante a vigência do instrumento contratual original. Esse incentivo fiscal para a produção da chamada energia incentivada — eólica, solar, biomassa — era compensado por recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), financiada por adicionais incluídos na nossa conta de energia. O incentivo, de fato, promoveu um crescimento expressivo dos geradores de energia limpa (inclusive residenciais). Contudo, trouxe consequências: essas fontes de energia são intermitentes, o que gera risco de desequilíbrio para o sistema; para mitigar esse risco, a geração hidráulica precisava ser reduzida nos períodos de maior entrega de energia incentivada, levando o grande grupo de geradoras hidráulicas a pressionar por compensação financeira devido às reduções eventuais em seus faturamentos; os acréscimos nas contas de energia, destinados a compensar o incentivo fiscal, alcançaram um nível muito oneroso para o consumidor. O mercado de gás natural também sofreu reformas importantes ao estabelecer as condições para comercialização do gás da União e ampliar as possibilidades de transferência de titularidade à iniciativa privada, especialmente nos contratos conduzidos pela Petrobras e pela PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.). O critério de acesso à infraestrutura de processamento e transporte passa a ser baseado em parâmetros técnicos e econômicos submetidos ao Conselho Nacional de Política Energética. A proposta incentiva a competitividade e deve beneficiar indústrias intensivas nesse insumo, como fertilizantes e petroquímica. A reforma contempla ainda a universalização do Ambiente de Contratação Livre, por meio de uma abertura gradual em que todos os consumidores de energia de média e alta tensão poderão migrar do mercado regulado para o ACL em até 24 meses após a sanção da lei; consumidores residenciais e de baixa tensão terão essa possibilidade em 36 meses. Encargos como o Supridor de Última Instância (SUI), a CDE para Geração Distribuída (CDE-GD) e o Encargo de Sobrecontratação passam a ser compartilhados entre consumidores livres e regulados. Implicações setoriais, críticas e perspectivas O conjunto de alterações promovidas pelo novo marco legal define o início de um novo momento no setor elétrico brasileiro ao retirar os descontos tarifários para novos contratos no mercado livre. O governo promove modificações com a intenção de aumentar a competitividade e reduzir distorções que oneravam os consumidores do mercado regulado — isto é, todos que compram energia da concessionária regional. Entretanto, mudanças dessa magnitude sempre geram críticas, e neste caso não é diferente. Há preocupação entre os atores do setor de que essas alterações venham acompanhadas de risco de aumento de custos ao consumidor, insegurança jurídica, possibilidade de judicialização, riscos ambientais, retrocessos na transição energética e, com o novo desenho da CDE, potencial distorção de incentivos, além da ausência de solução estrutural para problemas antigos. Ao mesmo tempo, a medida exige reorganização dos modelos de negócio de comercializadores, consumidores corporativos e pequenos produtores — o que pode gerar aumento temporário nos custos para novos entrantes no ACL após 2025. A fixação de um teto para a CDE e a introdução de instrumentos de rateio apontam para o fortalecimento da sustentabilidade do setor, com proteção a segmentos mais vulneráveis, como os consumidores de baixa renda. As novas regras para contratação de PCHs, o incentivo ao armazenamento de energia e a abertura do mercado de gás natural tendem a dinamizar investimentos e ampliar a segurança energética de longo prazo. Apesar das incertezas deste processo de transição, o novo marco representa um passo importante rumo à maturidade do setor elétrico, à modernização regulatória, à equidade tarifária e à sustentabilidade do desenvolvimento energético brasileiro. Anderson Azevedo Fraga é Master em Arquitetura e Urbanismo e especialista em Eficiência Energética das Edificações; Pesquisador Associado ao Instituto Arandu.
Gustavo Varella – “Contribuições para o debate – achismos, rancores e miséria intelectual”
Já há muito — desde que processos e outros temas jurídicos de repercussão ganharam espaço nos debates populares — lemos e ouvimos comentários absolutamente impróprios e insustentáveis (do ponto de vista da ciência jurídica) feitos em debates e discussões, a maior parte delas travadas por pessoas despidas de conhecimentos básicos sobre os temas tratados. Ainda que isso seja visto como normal (e até tolerado, a pretexto de garantir a liberdade de opinião do cidadão), muitas vezes esses assuntos (e seus reflexos) tomam rumos perigosos, a depender da situação e dos personagens envolvidos. A prudência manda que identifiquemos, sempre, as circunstâncias e ambientes nos quais expressamos nossas opiniões, os possíveis efeitos delas e, acima de tudo, o que de útil podemos colher (ou produzir) para as nossas vidas e para a comunidade, já que existimos em sociedade e nossa evolução está ligada ao todo. Fazendo um paralelo bem ordinário com tema mais ameno (ainda que igualmente apaixonante), um torcedor de futebol pode pensar e falar o que quiser sobre seu time e o adversário, mas é razoável que o faça num local que garanta alguma segurança quando suas expressões e falas fugirem do natural exagero “clubista”, descambando para ofensas pessoais. Dizer que o time tal tem uma torcida integrada apenas por delinquentes e outros impropérios e atributos ofensivos pode render ao apaixonado torcedor apenas respostas igualmente ofensivas quando a resenha se dá entre amigos, numa mesa de bar. Porém, podem-lhe custar a vida se feitas no meio da arquibancada adversária, num jogo de final de campeonato. Num patamar maior (mas continuando nesse exemplo), caso essa discussão se dê num programa desses de “comentários”, povoado de especialistas de todas as ordens e origens, e caso um desses comentaristas decida usar seu espaço de fala apenas para ofender e expressar seu ódio, sem atentar para questões que impõem um mínimo de conhecimento ou de informações verazes, terá sua credibilidade afetada — às vezes irremediavelmente. Não será novamente convidado a participar (ou será demitido pelo dono do programa) ou, caso esteja ele utilizando-se do próprio canal de comunicação, reduzirá sua audiência aos chamados “convertidos”, pessoas que pensam igual ou que têm idêntica paixão ou ímpeto. Quando a gente “retorna” para o “campo” do direito, essas práticas e situações impõem um cuidado ainda maior, visto que as consequências de uma opinião virulenta, de um assaque moral ou da subversão de conceitos feita a propósito de defender uma opinião apaixonada, porém despida de fundamentos, podem comprometer todo um sistema, arruinando vidas e vulnerando instituições. Debates acalorados são próprios das sociedades humanas, visto que não se concebe como razoável imaginar-se uma “treta” numa colmeia ou num rebanho sobre a melhor flor ou o capim mais gostoso. Porém, mesmo nessas refregas cotidianas há de se observar limites ao menos entre fatos e suposições, já que os primeiros até podem ser interpretados de maneira distinta conforme a ótica de cada um, mas as segundas, essas surgem de impressões subjetivas, de comentários alheios igualmente fruto de convicções pessoais de seus protagonistas ou, pior, de notícias falsas habilmente criadas e difundidas para confundir e aumentar o “calor” do problema, não para explicá-lo e resolvê-lo. Não raramente nos deparamos com brigas e discussões envolvendo notícias associadas a pessoas notórias vinculadas a processos de grande repercussão. Um processo judicial, tenha ele como objeto a singela cobrança de um boleto não pago ou um crime grave, deve observar um sem-número de comandos legais, fases, expedientes e mecanismos próprios desde seu surgimento até que se alcance uma decisão final e irrecorrível. Esses elementos, digamos, “litúrgicos”, são concebidos para permitir o desenvolvimento da causa até que alguém investido do poder de decidi-la possa formular, com segurança e autoridade, a solução adequada para o litígio que, repita-se, pode ter como essência o crédito de alguém que vendeu algo e não recebeu, ou a segurança de uma comunidade violentada pelo assassinato de um de seus integrantes. Vivemos tempos singulares, registro, nos quais, muitas vezes, “likes” e postagens de apoio feitas em favor das mais insanas e delinquentes afirmações valem mais do que a verdade ou a justiça na solução de controvérsias. Decisões judiciais e, mesmo, a pura expressão literal de uma regra impositiva são cada vez mais tratadas como resultado de esquemas ou projetos criminosos de alguns inapelavelmente rotulados de bandidos, ou como fruto de combinações espúrias visando algum tipo de recompensa ou gozo desses, em detrimento de outros já “canonizados” no imaginário de seus simpatizantes. É evidente que homens e mulheres que integram uma instituição humana — o Judiciário (e aqui agrego a esse universo juízes, advogados, promotores, policiais, serventuários etc.) — são todos passíveis de cometer erros ou de praticar atos às vezes criminosos, impondo-se o conserto daqueles e a apuração e punição dos responsáveis por esses. Mas é intolerável (além de inservível, indigno e até estúpido) que manifestações judiciais, independentemente da instância ocupada pelo processo, da identidade de seu responsável, da qualidade ou da condição das partes ou, por fim, do assunto tratado nos autos, sejam tratadas como o são episódios havidos em partidas de futebol, conversas de botequim ou brigas de comadres, quando preponderam os achismos, raivas e amores sobre rigores científicos, provas, documentos e regras positivadas. Mais que isso: raia à desonestidade intelectual profissionais versados na ciência do direito — ainda que não cotidianos aplicadores ou operadores — verterem todo tipo de aleivosias, opiniões sabidamente imprestáveis ou conceitos tortos e inapropriados, para sustentar motivações reprováveis ou ilícitas de seus prolatores porque, pela ótica de quem assim procede, pouco importa como se alcança o resultado pretendido, mesmo pisado sobre pescoços alheios ou enlameando imagens e carreiras. Como acima citado, esses que assim agem, mais hora, menos hora, acabam como aqueles comentaristas que se alimentam do ódio na exata medida de sua mediocridade e de suas frustrações: não contribuem com absolutamente nada, não produzem nada de útil, não ajudam a consertar ou concertar problemas. Desacreditados, desrespeitados, legados a um “depósito existencial” e, na melhor das hipóteses, rotulados na testa como caricatos, desequilibrados, vazios e
Ação pela Cidadania leva mais de 100 serviços gratuitos à Serra neste sábado
Moradores terão consultas, emissão de documentos, atividades culturais e área infantil A Serra recebe neste sábado (06) o Circuito Cultural e Turístico Ação pela Cidadania – Estado Presente em Defesa da Vida. O evento acontece das 8h às 17h, na área ao lado do Parque da Cidade, em Laranjeiras, e vai oferecer mais de 100 serviços gratuitos para todas as idades. A iniciativa é realizada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Casa Civil, em parceria com o ES Convention & Visitors Bureau e apoio da Prefeitura da Serra. A ação já passou por Cariacica neste mês, reunindo mais de 10,6 mil pessoas e garantindo mais de 6 mil atendimentos. Saúde e bem-estar Entre os atendimentos disponíveis estão aferição de glicemia e pressão arterial, vacinação (influenza, covid-19, dengue, sarampo, hepatites, entre outras), testagens rápidas para HIV, sífilis e hepatites, além de atendimento veterinário com vacinação antirrábica e castração de cães e gatos. O público também terá acesso a consultas e exames oftalmológicos, com possibilidade de encaminhamento para fornecimento de óculos e próteses oculares. Haverá ainda orientação sobre amamentação, cuidados odontológicos, fisioterapia, massagem e acupuntura. Documentos, cidadania e emprego A população poderá emitir a Carteira de Identidade Nacional, certidões de Nascimento, Casamento e Óbito, além de obter orientações sobre direitos do consumidor, guarda e adoção. Será possível agendar ações judiciais na área cível e buscar recolocação no mercado, com emissão da Carteira de Trabalho, cadastro para vagas de emprego e seguro-desemprego. Para quem busca qualificação, haverá inscrições abertas para o Qualificar ES. Outros atendimentos O público poderá ainda renegociar dívidas com a companhia de água, cortar o cabelo gratuitamente e fazer a substituição de lâmpadas antigas por modelos LED. Bancos participantes oferecerão serviços como microcrédito e cartão de crédito. O ônibus da Delegacia Móvel estará no local para atendimento de mulheres em situação de violência, registro de Boletim de Ocorrência e orientações sobre medidas protetivas. A programação inclui também demonstração de viaturas da Polícia Militar, Polícia Penal e Bombeiros. O evento é acessível e contará com intérpretes de Libras. Transporte gratuito A-ES disponibilizará três linhas especiais do sistema Transcol, saindo dos terminais de Jacaraípe, Laranjeiras e Carapina. Os coletivos estarão identificados e irão operar sem cobrança de passagem. Lazer e diversão O público poderá curtir apresentações culturais e área de lazer. As crianças terão Área Kids com brinquedos infláveis, piscina de bolinhas, pula-pula e distribuição de pipoca e algodão-doce. Serviço Ação pela Cidadania – Estado Presente 📅 06 de dezembro (sábado) ⏰ 8h às 17h 📍 Área ao lado do Parque da Cidade – Avenida Norte Sul, Laranjeiras (Serra)
Hospital Vitória Apart inaugura nova unidade em Vila Velha em março de 2026
A Athena Saúde avança em sua expansão no Espírito Santo com a abertura da nova unidade do Hospital Vitória Apart, prevista para março de 2026, em Vila Velha. O investimento amplia a oferta hospitalar na Grande Vitória e marca um novo capítulo na assistência privada da região, com atendimento emergencial especializado, suporte intensivo e procedimentos cirúrgicos. Na primeira fase, o hospital contará com 30 leitos de enfermaria, 10 leitos de UTI adulto, Pronto-Socorro adulto e pediátrico, além de centro cirúrgico. A capacidade poderá ser ampliada gradualmente até 190 leitos. “O Hospital Vitória Apart Vila Velha foi projetado para redefinir o cuidado em saúde na nossa região. Unimos tecnologia, assistência qualificada e conforto para oferecer uma experiência humanizada, segura e eficiente”, afirma a responsável técnica, Brunela Croce. A nova unidade nasce para atender à crescente demanda por serviços hospitalares em Vila Velha e será referência para beneficiários da São Bernardo Samp, além de atender clientes de outras operadoras. Segundo o diretor regional da Athena Saúde, Diego Viana, o cronograma das obras será concluído ainda este ano. “Percebemos um forte movimento do mercado em busca de credenciamento, o que demonstra a expectativa por um hospital com o padrão do Vitória Apart”, destaca. Fundado em 2001, o Vitória Apart, na Serra, tornou-se referência em medicina de alta complexidade no estado, com serviços como UTI cardiológica, cirúrgica, neonatal e pediátrica, hemodinâmica, pronto-socorro completo e o único Centro de Tratamento de Queimados privado do Espírito Santo. O hospital foi eleito, por seis anos consecutivos, o melhor do Estado no ranking da revista americana Newsweek, além de ser o único do ES a receber o selo de qualidade do Cofen. A Athena Saúde também administra o Hospital São Bernardo Apart, em Colatina, quatro unidades de Pronto Atendimento em municípios da Grande Vitória e a operadora São Bernardo Samp, que já ultrapassa 800 mil vidas atendidas nos segmentos de saúde e odontologia. Hospital Vitória Apart – Unidade Vila Velha Rodovia do Sol, Km 01 – Praia de Itaparica, Vila Velha
Câncer colorretal ainda é descoberto tarde demais no Brasil, alerta especialista
Mesmo com os avanços na oncologia, o câncer colorretal segue sendo frequentemente descoberto em fases avançadas no Brasil. Segundo estudo da Fundação do Câncer, cerca de 60% dos casos são diagnosticados tardiamente — cenário que reduz as chances de cura e exige tratamentos mais complexos. A oncologista Virgínia Altoé Sessa, do Hospital Santa Rita, reforça que muitos desses tumores poderiam ser identificados precocemente com maior adesão às estratégias de rastreamento. “O câncer colorretal é prevenível e tem maiores chances de cura quando descoberto no início. O problema é que muitas pessoas ignoram sinais de alerta e só buscam ajuda quando os sintomas já são intensos”, explica. Entre os fatores que levam ao atraso no diagnóstico estão o desconhecimento sobre os sintomas, o constrangimento em relação à colonoscopia e a dificuldade de acesso ao exame. “Essa combinação faz com que muitos pacientes cheguem ao consultório com tumores já avançados. A informação é fundamental para mudar esse cenário”, afirma. A especialista destaca que a colonoscopia é o principal exame para rastreamento e prevenção. “Ela consegue detectar alterações antes mesmo de se tornarem malignas. O rastreamento deve começar por volta dos 45 anos na população geral, e quem tem histórico familiar precisa iniciar antes, conforme orientação médica”, orienta. A atenção aos sinais também é fundamental. De acordo com Virgínia, sangue nas fezes, alterações persistentes no hábito intestinal, sensação de evacuação incompleta e perda de peso inexplicada devem ser motivo de investigação. “Esses sintomas podem ter outras causas, mas não devem ser ignorados”, alerta.