Inscrições terminam nesta sexta-feira (19) e vencedoras receberão premiações em dinheiro nas etapas estadual e nacional As empreendedoras capixabas têm até esta sexta-feira (19) para garantir participação no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026. A iniciativa reconhece histórias inspiradoras de mulheres que transformaram ideias em negócios de sucesso e contribuem para o desenvolvimento econômico e social do país. ➡️ Clique aqui para se inscrever Uma das principais novidades desta edição é a premiação em dinheiro para as vencedoras. Na etapa estadual, serão concedidos R$ 5 mil para a medalha de ouro, R$ 3 mil para a prata e R$ 2 mil para o bronze. As vencedoras seguem para a fase nacional, onde disputarão prêmios de R$ 50 mil, R$ 30 mil e R$ 20 mil, respectivamente. Além da premiação financeira, as participantes terão acesso a oportunidades de capacitação, networking, visibilidade, missões técnicas e outras ações de desenvolvimento promovidas pelo Sebrae. O objetivo é fortalecer o empreendedorismo feminino e ampliar o reconhecimento das empresárias em diferentes segmentos. No Espírito Santo, a edição deste ano ganha um significado especial. O Estado será sede da etapa nacional da premiação, marcada para o dia 17 de novembro, reunindo finalistas de todo o Brasil. A expectativa é ampliar a participação das empreendedoras capixabas e fortalecer a representatividade local na competição. Segundo a gestora do Sebrae Delas e de Afroempreendedorismo no Sebrae/ES, Lisandra Carneiro, a inclusão da premiação em dinheiro representa mais um incentivo para que as participantes invistam em seus negócios. Ela destaca que a realização da etapa nacional no Espírito Santo cria uma oportunidade única para evidenciar a força do empreendedorismo feminino capixaba. O prêmio é dividido em várias etapas, desde a inscrição e validação das candidaturas até a seleção das vencedoras nacionais. Após o cadastro, são avaliados critérios como regularidade da empresa e envio completo das informações exigidas. As participantes concorrem em cinco categorias: Microempreendedora Individual (MEI), Pequenos Negócios (Microempresa e Empresa de Pequeno Porte), Produtora Rural e Artesanato, Ciência e Tecnologia e Negócios Internacionais. Podem participar mulheres empreendedoras cis ou trans, com mais de 18 anos, proprietárias de pequenos negócios, artesãs ou produtoras rurais que possuam CNPJ ativo e empresa aberta há pelo menos um ano, com data de constituição igual ou anterior a 1º de janeiro de 2025. Serviço Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026 Inscrições: até sexta-feira, 19 de junho Quem pode participar: mulheres empreendedoras cis ou trans, maiores de 18 anos, com CNPJ ativo e pelo menos um ano de atividade empresarial Categorias: MEI, Pequenos Negócios, Produtora Rural e Artesanato, Ciência e Tecnologia e Negócios Internacionais Inscrições e regulamento: site oficial do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios.
Novo aplicativo permite aos capixabas acessar histórico de consultas e exames do SUS
Ferramenta do Governo do Estado está disponível gratuitamente para Android e iOS e reunirá informações do SUS em um único ambiente digital O governador do Estado, Ricardo Ferraço, anunciou nesta quarta-feira (17) o lançamento do aplicativo Minha Saúde ES, nova plataforma digital desenvolvida pela Secretaria da Saúde (Sesa) para ampliar o acesso da população aos serviços e informações de saúde. O aplicativo estará disponível gratuitamente a partir desta quinta-feira (18) para dispositivos Android e iOS. O anúncio foi realizado durante coletiva de imprensa no Palácio Anchieta, em Vitória. A iniciativa integra o processo de transformação digital da saúde pública capixaba e busca facilitar o acesso dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) aos seus dados de saúde. Por meio do aplicativo, os cidadãos poderão consultar informações como agendamentos de consultas e exames, histórico de vacinação, solicitações de medicamentos da Farmácia Cidadã e resultados de exames, incluindo laudos emitidos pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen/ES). A plataforma também disponibilizará os comprovantes de agendamento de consultas e exames da rede estadual, documento necessário para a realização dos procedimentos. O objetivo é oferecer mais praticidade, transparência e segurança aos usuários. “Estamos colocando a saúde na palma da mão dos capixabas. Esse aplicativo representa um passo importante na transformação digital do serviço público, aproximando o cidadão da rede de saúde e oferecendo mais praticidade, transparência e eficiência”, afirmou o governador Ricardo Ferraço. Outro recurso disponível será o envio de alertas e lembretes sobre consultas e exames agendados, medida que busca reduzir o número de faltas e melhorar o aproveitamento das vagas ofertadas pelo SUS. O aplicativo também reunirá informações sobre doação de sangue, cadastro de doadores de medula óssea, orientações sobre intoxicações e outros serviços de interesse da população. Usuários de dispositivos inteligentes, como relógios conectados (smartwatches), poderão integrar os equipamentos ao aplicativo para acompanhamento de dados relacionados à atividade física e hábitos de saúde. O acesso ao Minha Saúde ES será realizado por meio da conta Gov.br, garantindo maior segurança e proteção dos dados pessoais dos usuários. Segundo o secretário de Estado da Saúde, Kim Barbosa, o aplicativo amplia uma estratégia de digitalização já em andamento no sistema estadual de saúde. “Já realizamos o envio de lembretes de consultas e exames pelo WhatsApp e também disponibilizamos o cancelamento desses procedimentos pela mesma ferramenta, permitindo o reaproveitamento das vagas. Agora damos mais um passo importante ao reunir essas informações em um ambiente único, moderno e de fácil acesso”, destacou. A Sesa informou ainda que a plataforma deverá incorporar gradualmente dados da saúde suplementar. De acordo com o secretário, o Espírito Santo já recebe informações de atendimentos e exames realizados na rede privada por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde e já processou mais de 66 milhões de documentos. A expectativa é que, futuramente, usuários de planos de saúde também possam consultar seu histórico de atendimento pelo aplicativo, ampliando a integração das informações de saúde no Estado. “Com essa ferramenta digital, as pessoas poderão acessar suas informações pessoais de saúde em qualquer lugar, com mais transparência, autonomia e agilidade. Nosso objetivo é ampliar continuamente a oferta de serviços digitais para facilitar o dia a dia da população”, afirmou o gerente de Tecnologia da Informação da Sesa, Marcio Merçon.
Congresso inédito reúne 220 mulheres da Segurança Pública no ES
Evento realizado em Vitória debate equidade de gênero, saúde mental e o papel feminino nas forças de segurança A presença feminina nas forças de segurança pública do Espírito Santo tem crescido nos últimos anos e ganhado cada vez mais espaço em áreas estratégicas e cargos de liderança. Como reflexo desse avanço, o Estado realiza, nesta quinta e sexta-feira (18 e 19), o 1º Congresso Estadual de Mulheres na Segurança Pública, reunindo 220 participantes no auditório do Sebrae, em Vitória. Na foto acima: Capitã Andresa (Corpo de Bombeiros), Delegada Cláudia Dematté (Polícia Civil) e Graciele Sonegheti (Polícia Penal) O evento inédito promoverá debates sobre temas relacionados à atuação profissional e aos desafios enfrentados pelas mulheres no setor. A programação inclui painéis sobre equidade de gênero, capacitação profissional, participação feminina em forças especializadas, socioeducação, saúde mental, violência doméstica e familiar, tráfico internacional de mulheres e a importância da atuação feminina no movimento sindical. Participam do congresso representantes da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES), Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES), Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases) e guardas municipais de Cariacica, Serra, Vila Velha, Vitória e Viana. A iniciativa é resultado de uma parceria entre as secretarias estaduais da Justiça (Sejus), da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e das Mulheres (SESM). O congresso foi idealizado e é coordenado pela policial penal Graciele Sonegheti. “A presença feminina é cada vez maior em nossas forças de segurança pública, inclusive em cargos de gestão. A programação do nosso Congresso é ampla e abrange diferentes dimensões do nosso trabalho, da qualificação profissional à saúde mental, passando também por questões como a violência doméstica, que atinge inclusive agentes do Estado”, destaca Graciele. Formada também em Psicologia, a policial penal ressalta que o debate sobre proteção às mulheres precisa estar presente dentro das próprias instituições de segurança. Ela cita como exemplo o feminicídio da ex-comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Matos, ocorrido em março deste ano, caso que reforçou a necessidade de ampliar ações de prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência contra a mulher.
Igor Nelo – “Reforma tributária já impacta distribuição de lucros e amplia disputas judiciais”
Quando se fala em reforma tributária, a maioria das empresas pensa imediatamente no IBS, na CBS e nas mudanças relacionadas à tributação do consumo. No entanto, algumas das discussões mais relevantes do momento envolvem outro tema: a tributação da renda. A recente decisão da Justiça Federal de São Paulo que afastou a retenção de 10% de Imposto de Renda sobre dividendos distribuídos por uma empresa reacendeu um debate que já alcançou os tribunais e deverá ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. A controvérsia decorre da Lei nº 15.270/2025, que instituiu a retenção de 10% sobre lucros e dividendos pagos por uma mesma pessoa jurídica a uma mesma pessoa física residente no Brasil, quando o montante ultrapassar R$ 50 mil no mesmo mês. A medida integra o conjunto de regras que criou a tributação mínima para pessoas físicas com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil, concebida para compensar a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para contribuintes com rendimentos mensais de até R$ 5 mil. A mudança produziu efeitos imediatos no ambiente empresarial. Muitas empresas anteciparam, ainda em 2025, deliberações sobre a distribuição de lucros para evitar a incidência da nova regra. Outras não tiveram a mesma oportunidade ou discordam da sistemática adotada e passaram a questioná-la judicialmente. Foi nesse contexto que surgiu uma das primeiras decisões favoráveis a uma empresa submetida ao regime do lucro real. Ao suspender a retenção, a magistrada destacou que esse regime possui características próprias, pois exige a apuração do resultado efetivo da atividade empresarial, diferentemente do lucro presumido, que se baseia em presunções legais sobre a receita. Segundo o entendimento adotado, a aplicação de uma alíquota fixa de 10% pode desconsiderar a realidade econômica do contribuinte e gerar incompatibilidades com princípios constitucionais como a capacidade contributiva, a progressividade, a isonomia e a vedação ao confisco. O tema está longe de ser pacífico. A Fazenda Nacional sustenta a constitucionalidade da medida, e a discussão já chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde tramitam ações que questionam dispositivos da nova legislação. Mais do que uma disputa sobre dividendos, o episódio revela que a reforma tributária já começou a gerar contencioso relevante antes mesmo de sua implementação completa. Para empresas e investidores, a mensagem é clara: a reforma deixou de ser apenas uma mudança legislativa. Ela já impacta decisões de caixa, políticas de distribuição de resultados, planejamento societário, estrutura patrimonial e gestão de riscos fiscais. *Igor Nelo é advogado especialista em Direito Tributário
Postos de guarda-vidas de Vila Velha agora podem ser localizados pelo Google Maps
Os frequentadores das praias de Vila Velha passam a contar com um novo recurso para reforçar a segurança no litoral. Os 25 postos elevados de guarda-vidas instalados ao longo da orla do município foram cadastrados oficialmente no Google Maps, permitindo localização rápida por moradores e turistas. A iniciativa da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil de Vila Velha busca facilitar o acesso às bases de apoio em situações de emergência e também auxiliar banhistas que precisem de orientações durante a permanência nas praias. Com a novidade, quem estiver nas praias da Costa, Itapuã, Itaparica, Barra do Jucu ou Ponta da Fruta poderá visualizar diretamente pelo celular qual é o posto de guarda-vidas mais próximo. Segundo o secretário municipal de Proteção e Defesa Civil, coronel Marcelo D’Isep, o georreferenciamento representa um avanço na modernização dos serviços oferecidos na orla do município. “O georreferenciamento dos postos é uma inovação, pois agora o turista e o munícipe vão saber a localização exata da base. A digitalização dos pontos complementa o investimento da Prefeitura de Vila Velha na modernização das estruturas físicas da orla”, afirmou. Além de traçar rotas até os postos, a plataforma também disponibiliza informações sobre o funcionamento das equipes do Salvamar, que atuam diariamente, das 8h às 18h, em toda a orla de Vila Velha.
“Infraestrutura mais importante do país é a menos debatida”, alerta especialista em Saneamento
Com 90 milhões de brasileiros sem acesso à coleta de esgoto, especialistas defendem que o saneamento básico precisa ocupar espaço central no debate público Saúde, educação, economia e meio ambiente. Poucos temas impactam tantas áreas da vida quanto o saneamento básico. Apesar disso, o assunto ainda permanece restrito a especialistas e gestores públicos. É justamente essa lacuna que a plataforma Saneamento Salva, criada pelo Instituto Aegea, pretende reduzir. O tema foi debatido nesta terça-feira (16), no Centro de Convenções de Vitória, durante o seminário “Saneamento e Saúde”, que marcou o lançamento da iniciativa no Espírito Santo. O evento reuniu representantes do Ministério Público do Espírito Santo, da Cesan, da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP), além de gestores das prefeituras de Cariacica, Serra e Vila Velha, agentes comunitários de saúde e lideranças locais. O principal palestrante foi Edison Carlos (foto acima), presidente do Instituto Aegea e uma das principais referências nacionais em saneamento. Segundo ele, o setor ainda recebe menos atenção do que deveria, apesar de seu impacto direto na qualidade de vida da população. “O saneamento é a infraestrutura mais importante na proteção da saúde e da vida das pessoas. Não existe nada mais importante para aumentar a expectativa de vida do que água tratada e sistema de esgoto. O básico está no nome”, afirmou. De acordo com Edison Carlos, cerca de 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à coleta de esgoto e aproximadamente 30 milhões vivem sem água tratada. Para ampliar o alcance dessas informações, o Instituto Aegea criou a plataforma Saneamento Salva, com linguagem acessível e conteúdo voltado à conscientização da população. Os impactos da falta de saneamento são amplos. Segundo o especialista, ao menos 25 doenças estão associadas à ausência de água tratada e esgotamento sanitário adequado, entre elas diarreia, hepatite, leptospirose, verminoses, esquistossomose e dengue. Problemas respiratórios também podem ser agravados em ambientes sem condições adequadas de higiene. Espírito Santo como referenciado O Espírito Santo foi escolhido para o lançamento estadual da plataforma por ser considerado referência nacional na área. Segundo os organizadores, o estado manteve políticas públicas voltadas ao saneamento independentemente das mudanças de governo. Na Serra, a cobertura de esgotamento sanitário passou de 58% para mais de 90% desde o início da parceria entre Cesan e Aegea. Em Cariacica, a meta é atingir 95% de cobertura até 2033. Para Bruna Buldrini, presidente das unidades da Aegea no Espírito Santo, o avanço do saneamento depende também do engajamento da sociedade. “É um convite para que cada capixaba se torne multiplicador dessa causa. Cada nova ligação de esgoto representa uma família com mais dignidade, saúde e qualidade de vida. O saneamento só se completa quando a sociedade entende seu valor e cobra avanços”, destacou. A plataforma Saneamento Salva é gratuita e reúne informações sobre os impactos do saneamento na saúde, na economia e no desenvolvimento social.
Gustavo Varella – “O outro que nós somos”
Imigração, pertencimento e a memória curta de quem também já foi de outro lugar A festa e o que ela não diz. Entre os dias 5 e 28 de junho de 2026, Santa Teresa — aquela cidade serrana do Espírito Santo que o tempo tratou de fazer italiana sem pedir permissão à geografia — celebra mais uma edição da sua Festa do Imigrante. Haverá polenta, vinho colonial, bandeiras tricolores, músicas em dialeto vêneto que os bisnetos cantam sem entender a letra e com uma emoção que dispensa tradução. Haverá orgulho — e o orgulho é legítimo, é merecido, é bonito de se ver. Há muito a comemorar. Há muito a agradecer. Há, sobretudo, muito a reconhecer naquilo que esses homens e mulheres e crianças que chegaram ao Espírito Santo entre o final do século XIX e o início do XX construíram com as mãos, a teimosia e uma fé que devia ser grande para sobreviver à travessia. Mas existe, a par das festas maravilhosas e da memória afetiva dessa população espetacular e dos filhos que gerou em terras capixabas, uma questão de fundo que comumente fica obliterada — ora pelos que fazem vistas grossas a ela por conveniência ideológica, ora pelos que se acham e continuam se achando credores permanentes desse acolhimento, ora pelos que enxergam o mundo apenas até o muro dos próprios quintais. É uma questão que afeta o planeta inteiro, que sempre afetou, e que hoje mostra traços de uma crueldade sem precedentes na visibilidade — não porque seja mais cruel do que foi no passado, mas porque os meios de comunicação não existiam com essa imediatez quando os bisavós de Santa Teresa embarcavam em Gênova sem saber se voltariam. Hoje, a travessia se faz ao vivo. O afogamento também. A dívida que virou identidade Há uma dívida que o Espírito Santo raramente admite — não porque a negue, mas porque a incorporou tão profundamente à própria pele que deixou de enxergá-la como dívida e passou a chamá-la de identidade. As colônias italianas da Serra, de Venda Nova do Imigrante, de Domingos Martins e da própria Santa Teresa; os descendentes de pomeranos que ainda hoje falam uma língua que a Alemanha quase esqueceu; os sírio-libaneses que construíram o comércio de Vitória com as mãos e o crédito na palavra; os japoneses que transformaram a cafeicultura do estado; os alemães que plantaram no sul do Espírito Santo uma outra Europa possível — todos chegaram carregando muito pouco nas malas e muito mais do que isso na obstinação. Deles herdamos a gastronomia, o traço arquitetônico das cidades do interior, os sobrenomes que tropicalizamos sem cerimônia, a fé que se misturou com outras fés e produziu algo que não é bem de nenhum lugar e por isso mesmo é completamente nosso. A própria língua que falamos no estado — esse português capixaba com suas entonações que os mineiros acham italianas e os cariocas acham alemãs — é resultado disso. O Espírito Santo que existe hoje é, em sentido bastante literal, uma obra coletiva de pessoas que vieram de fora e encontraram aqui não apenas terra para plantar, mas chão para se tornar outra coisa. O Brasil, visto de fora, sempre foi essa promessa — o país que absorve, que mistura, que não pergunta de onde você veio antes de lhe oferecer um prato de comida. Há generosidade real nessa imagem, e não é inteiramente mito. A miscigenação brasileira, com todas as suas violências históricas e contradições não resolvidas, produziu também uma capacidade singular de reinvenção cultural, uma porosidade entre tradições que países mais homogêneos simplesmente não têm. A culinária, a música, a língua que falamos — esse português que engoliu o tupi, o iorubá, o italiano, o árabe e os devolveu transformados — são evidências de que algo extraordinário aconteceu aqui. E os imigrantes estão no centro disso. Ninguém deixa a própria terra por vontade Mas há uma conversa que a narrativa celebratória da imigração costuma adiar com elegância: ninguém deixa a própria terra por vontade. Não da forma como a imigração em massa se dá, não na escala em que ela ocorre. O italiano que embarcou em Gênova para o Brasil no final do século XIX não estava em busca de aventura — estava fugindo da fome, da miséria, da servidão disfarçada de arrendamento rural, de um norte da Itália recém-unificado que prometeu muito e entregou pouco aos camponeses do Vêneto. O sírio que desembarcou em Santos no início do século XX não veio por curiosidade exótica pelo trópico — veio porque a Síria sob o jugo otomano oferecia apenas pobreza e recrutamento forçado. O venezuelano que hoje atravessa a fronteira brasileira com uma mochila e uma criança no colo não escolheu ser imigrante — foi empurrado por um regime que sequestrou um país inteiro e o transformou em armadilha. A imigração, na sua forma predominante e histórica, é uma derrota antes de ser uma aventura. É o reconhecimento, doloroso e muitas vezes irreversível, de que o lugar onde se nasceu não tem mais nada a oferecer além da possibilidade de continuar sofrendo. Isso não diminui em nada a coragem dos que partiram — ao contrário, torna essa coragem ainda mais impressionante, porque não é a coragem do herói que escolhe o risco, mas a do ser humano comum que não tem outra saída. Confundir essas duas coisas é, além de erro histórico, uma forma de desumanizar quem partiu: romantizar a travessia é uma maneira confortável de não olhar para o que a causou. Os fluxos mais recentes repetem a mesma lógica com outras geografias: os haitianos que chegaram após o terremoto de 2010 e hoje compõem a força produtiva de frigoríficos e obras no Sul do país; os venezuelanos que cruzaram Roraima a pé durante anos, num êxodo que o Brasil demorou a nomear com a seriedade que merecia; os bolivianos que costuram em São Paulo a madrugada inteira para que o brasileiro de classe média compre roupas baratas sem perguntar quem as fez; os africanos que
Motoristas de aplicativo e taxistas do ES terão isenção de ICMS na compra de veículos elétricos ou híbridos
O governador do Estado, Ricardo Ferraço, assinou nesta terça-feira (16) dois decretos que ampliam o acesso à isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a aquisição de veículos destinados ao transporte individual de passageiros. As medidas beneficiam taxistas e motoristas de aplicativo, estimulam a renovação da frota e incentivam o uso de veículos com menor impacto ambiental. Com a iniciativa, o Espírito Santo passa a ser o primeiro estado brasileiro a conceder isenção de ICMS para motoristas de aplicativo na compra de veículos utilizados na atividade profissional. “Estamos dando um passo importante para valorizar profissionais que prestam um serviço essencial à população capixaba. Graças à organização das contas públicas e à responsabilidade fiscal, conseguimos avançar em medidas que geram oportunidades, estimulam a renovação da frota e permitem o acesso a veículos mais modernos, seguros, econômicos e sustentáveis”, afirmou o governador Ricardo Ferraço. O primeiro decreto atualiza a legislação estadual para permitir que taxistas adquiram veículos híbridos ou 100% elétricos com isenção de ICMS. O benefício já existia para veículos convencionais e passa agora a abranger modelos eletrificados, alinhando a legislação capixaba ao Convênio ICMS 38/01. Atualmente, a alíquota do imposto para veículos novos no Estado é de 12%. A medida atende a demandas da categoria e busca incentivar a modernização da frota, reduzindo a emissão de poluentes e ampliando o uso de tecnologias mais eficientes no transporte urbano. Em 2025, foram concedidas 719 isenções para taxistas e, neste ano, já são 380 solicitações contempladas. O segundo decreto regulamenta a concessão da isenção de ICMS para motoristas de aplicativo na compra de veículos, tanto a combustão quanto eletrificados. O benefício já estava previsto na Lei nº 11.044/2019, mas passa a contar agora com regras específicas para sua utilização, garantindo segurança jurídica aos beneficiários e maior controle por parte da administração tributária. Poderão acessar o benefício condutores de automóveis e motocicletas que exerçam de forma habitual a atividade de transporte privado remunerado individual de passageiros por meio de aplicativos, desde que atendam aos requisitos estabelecidos na regulamentação. Atualmente, o Espírito Santo possui cerca de 7 mil taxistas e mais de 51 mil motoristas de aplicativo, público potencialmente beneficiado pelas novas medidas. Para o secretário de Estado da Fazenda, Benicio Costa, os decretos representam um avanço na modernização da mobilidade urbana capixaba. “Estamos ampliando o acesso a veículos mais eficientes e menos poluentes, ao mesmo tempo em que apoiamos profissionais que exercem papel fundamental no transporte urbano. É uma iniciativa que alia sustentabilidade, estímulo à atividade econômica e responsabilidade fiscal”, destacou. Além do impacto econômico para os profissionais do setor, as medidas incentivam a renovação da frota circulante, promovem a adoção de tecnologias mais limpas e fortalecem um ambiente favorável à inovação e ao desenvolvimento sustentável no Espírito Santo. Principais requisitos para obtenção do benefício Para taxistas e motoristas de aplicativo: Exercer há pelo menos um ano a atividade de transporte individual de passageiros; Adquirir veículo zero quilômetro; Limite de um veículo por beneficiário; Não ter adquirido, nos últimos dois anos, veículo com isenção ou redução da base de cálculo do ICMS. Regras específicas para motoristas de aplicativo: Comprovar média mínima de 250 viagens mensais nos quatro meses anteriores ao pedido; Apresentar declaração emitida pela plataforma de transporte; Manter, após a aquisição do veículo, a média mínima de 250 viagens em quatro meses; Vincular o veículo adquirido à atividade de transporte por aplicativo. Regras específicas para taxistas: Apresentar declaração da prefeitura ou de entidade representativa da categoria comprovando o exercício da atividade há pelo menos um ano em veículo próprio. Como solicitar O pedido deve ser realizado exclusivamente pela internet, por meio do Sistema E-Docs do Governo do Estado. O requerente deve preencher formulário eletrônico específico e anexar documentos como CNH, comprovante de residência e documentos que comprovem a atividade profissional exercida. Em caso de dúvidas, os interessados podem consultar o serviço Receita Orienta.
Ginasta de Vila Velha conquista 3 ouros no Pan-Americano de Ginástica
A ginasta vilavelhense Geovanna Santos, conhecida como Jojô, foi um dos grandes destaques do Campeonato Pan-Americano de Ginástica Rítmica, realizado no Rio de Janeiro. Beneficiária da categoria Internacional do Programa Bolsa Atleta da Prefeitura de Vila Velha, a atleta brilhou representando o Brasil e encerrou a competição com três medalhas de ouro. Duas das conquistas vieram nas disputas individuais. Nas finais por aparelhos, Geovanna demonstrou técnica e precisão para subir ao lugar mais alto do pódio. Ela conquistou o ouro no arco e voltou a se destacar na apresentação da fita, garantindo mais um título continental para o Brasil. A terceira medalha de ouro foi conquistada na competição por equipes, ao lado das ginastas Bárbara Domingos e Maria Eduarda Alexandre. O resultado reforçou a força da seleção brasileira na modalidade e confirmou o domínio do país no torneio. No arco, o Brasil ainda fez dobradinha, com Geovanna levando o ouro e Bárbara Domingos ficando com a prata. Com mais esse desempenho de destaque, Geovanna Santos consolida seu nome entre as principais atletas da ginástica rítmica do país e amplia sua trajetória de conquistas no cenário internacional. “A conquista da Geovanna é motivo de grande orgulho para Vila Velha e demonstra a importância de investir no esporte de alto rendimento. O Programa Bolsa Atleta foi criado justamente para oferecer suporte aos nossos talentos, permitindo que eles se dediquem aos treinamentos e representem nossa cidade e o Brasil em competições de alto nível”, afirmou o secretário municipal de Esporte, George Alves. Bolsa Atleta impulsiona talentos do município O Programa Bolsa Atleta da Prefeitura de Vila Velha apoia atletas e paratletas de alto rendimento, contribuindo com despesas relacionadas a treinamentos, alimentação, viagens e participação em competições. A iniciativa busca criar condições para que os esportistas representem o município em eventos estaduais, nacionais e internacionais. No ciclo 2026/2027, o programa beneficia 66 atletas e paratletas. São 35 contemplados na categoria Estadual, com bolsa mensal de R$ 500; 21 na categoria Nacional, com auxílio de R$ 1 mil por mês; e 10 na categoria Internacional, que recebem R$ 1,5 mil mensais. O investimento mensal da Prefeitura é de R$ 53,5 mil. Ao longo dos 12 meses de vigência do benefício, entre junho de 2026 e junho de 2027, o aporte total do município chegará a R$ 642 mil, reforçando o compromisso da administração municipal com o desenvolvimento do esporte e a valorização dos talentos locais. Foto: PMVV
Telões da Copa reúnem torcedores e movimentam bairros de Vitória
Os telões instalados pela Prefeitura de Vitória para a transmissão dos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 atraíram grande público no último sábado (13), durante a estreia do Brasil contra Marrocos. Os espaços montados em cinco regiões da capital transformaram praças e áreas públicas em verdadeiras arquibancadas a céu aberto. Os equipamentos foram instalados no Centro, Goiabeiras, Itararé, Orla de São Pedro e Jardim Camburi, reunindo famílias, grupos de amigos e torcedores de diferentes idades em um ambiente de lazer e convivência. Vestidos com camisas da Seleção e adereços verde-amarelos, muitos aproveitaram a oportunidade para acompanhar a partida em clima de festa. Além de proporcionar entretenimento gratuito, a iniciativa também impulsionou a economia local. Comerciantes de alimentos, bebidas, vestuário e acessórios registraram aumento no movimento nos arredores dos pontos de transmissão, beneficiados pela grande circulação de pessoas. Telão instalado no Mercado da Capixaba Lideranças comunitárias destacaram o impacto positivo da ação. Representantes de bairros como Goiabeiras, Ilha das Caieiras, Itararé e Centro ressaltaram que os telões fortalecem o sentimento de pertencimento, incentivam a convivência entre moradores e ampliam o acesso ao lazer com segurança e estrutura. Desde as primeiras horas antes da partida, os espaços já estavam tomados por bandeiras, cadeiras de praia, coolers, apitos e vuvuzelas. Crianças, jovens e idosos compartilharam a mesma expectativa: torcer juntos pela Seleção Brasileira e viver a emoção da Copa em comunidade. Os telões permanecerão instalados nos mesmos locais para os próximos jogos da primeira fase. O Brasil enfrenta o Haiti no dia 19 de junho, às 21h30, e a Escócia no dia 24 de junho, às 19h, mantendo vivo o clima de Copa nos bairros da capital capixaba. Fotos: PMV