Há algo de particular na maneira como aprendemos a observar nossas cidades. Edifícios surgem, bairros se verticalizam, antigas casas desaparecem, avenidas são transformadas, terrenos tornam-se condomínios e determinadas regiões passam a concentrar investimentos. Diante dessas transformações, é comum ouvirmos que determinada região “cresceu”, que um bairro “se desenvolveu”, que uma área “descobriu sua vocação” ou que uma nova centralidade simplesmente “surgiu”. São expressões tão incorporadas ao vocabulário cotidiano que raramente percebemos aquilo que elas ocultam: descrevemos com facilidade aquilo que aconteceu com a cidade, mas nem sempre reconhecemos os processos e os sujeitos que tornaram essas transformações possíveis. Existe nessa linguagem uma representação quase biológica do fenômeno urbano. Crescer, nascer, amadurecer e desenvolver-se são processos que associamos aos organismos vivos e que, quando utilizados para explicar transformações urbanas, atribuem à cidade uma espécie de autonomia. Ela cresce porque precisa crescer, verticaliza-se porque chegou o momento de verticalizar-se e expande-se porque seu desenvolvimento aparentemente exige expansão. Aos poucos, aquilo que é resultado de uma sucessão de escolhas passa a ser percebido como consequência natural de uma dinâmica própria da cidade. Entretanto, cidades não constroem edifícios, não alteram índices urbanísticos, não modificam gabaritos e não escolhem quais regiões receberão infraestrutura ou investimentos. Essas decisões são tomadas por pessoas, governos, empresas e instituições, dentro de estruturas nas quais diferentes agentes possuem capacidades distintas de intervenção. Um edifício que modifica a paisagem de um bairro depende de uma sequência de condições anteriores à sua construção: existe uma propriedade, uma legislação que determina o que pode ser construído, agentes dispostos a realizar o investimento, pessoas interessadas naquele produto e, frequentemente, infraestruturas que tornam aquela localização atrativa. O edifício é apenas a manifestação mais visível de uma cadeia muito maior de decisões. Talvez seja justamente essa distância entre aquilo que vemos e os processos que tornaram aquilo possível que mereça maior atenção. Podemos conhecer profundamente nossos bairros, acompanhar suas transformações, reclamar do trânsito, celebrar novos equipamentos urbanos e perceber a valorização ou degradação de determinadas regiões. Ainda assim, existe uma diferença importante entre reconhecer que uma transformação aconteceu e compreender as condições que permitiram que ela acontecesse. Quanto mais natural nos parece uma transformação, menos sentimos a necessidade de perguntar como ela foi produzida. Vemos o edifício, mas não necessariamente a legislação que tornou aquele edifício possível. Percebemos a valorização de um bairro, mas raramente relacionamos essa valorização à infraestrutura, aos investimentos e às decisões que a antecederam. Observamos uma região mudar de perfil e tendemos a compreender essa transformação como manifestação de uma nova “vocação”, sem necessariamente perguntar como essa vocação foi construída. O resultado permanece diante de nossos olhos, enquanto seus mecanismos de produção se tornam menos evidentes. É nesse contexto que expressões aparentemente banais como “crescimento”, “desenvolvimento”, “modernização” e até mesmo “mercado” começam a adquirir uma autonomia curiosa. Dizemos que a cidade precisava crescer naquela direção, que determinada região naturalmente caminhava para a verticalização ou que o mercado demandava um novo tipo de ocupação. Nenhuma dessas afirmações é necessariamente falsa. O problema aparece quando elas encerram a discussão em vez de iniciá-la. Uma demanda pode existir, uma região pode apresentar condições favoráveis à verticalização e uma cidade pode precisar acomodar novas formas de ocupação; ainda assim, permanecem abertas as perguntas sobre como, onde e em quais condições essas transformações devem acontecer. Reconhecer a cidade como resultado dessas escolhas não significa negar sua transformação, muito menos supor que cada mudança urbana seja consequência da vontade isolada de algum agente. Significa apenas compreender que nenhuma delas acontece fora das condições que as tornam possíveis. Cada edifício, infraestrutura, alteração de uso ou transformação da paisagem possui uma história composta por legislação, investimento, propriedade, decisões públicas, interesses privados e diferentes formas de participação. Algumas dessas forças são facilmente identificáveis; outras permanecem quase invisíveis para quem experimenta apenas o resultado final. Talvez seja necessário, então, inverter a maneira como formulamos algumas perguntas sobre nossas cidades. Em vez de perguntar apenas por que determinado bairro cresceu, podemos perguntar quais condições permitiram seu crescimento. Em vez de aceitar que uma região descobriu determinada vocação, podemos investigar como essa vocação foi construída. A cidade continuará crescendo, se transformando e encontrando novas formas de ocupação. A questão é lembrar que ela não faz nada disso sozinha. E, a partir daí, talvez possamos começar por uma pergunta mais interessante: quem participa das decisões que determinam como a cidade pode crescer? *João Machado é arquiteto e urbanista formado pela UFES. Passou os últimos 14 anos entre projetos de grande porte e empreendimentos de alto padrão no Rio de Janeiro. De volta ao Espírito Santo, traz na bagagem essa experiência e um olhar atento às relações entre arquitetura, mercado imobiliário e as transformações que constroem nossas cidades.
Dor no joelho e no ombro atinge um em cada quatro brasileiros e avança entre os mais jovens
Estudo com quase 88 mil pessoas mostra que 26,1% dos adultos convivem com doenças musculoesqueléticas crônicas Dor no joelho ao subir uma escada, incômodo no ombro ao levantar o braço ou desconforto depois da academia e de horas diante do computador. Problemas muitas vezes associados ao envelhecimento estão aparecendo com frequência também entre jovens e adultos em plena idade produtiva. Um estudo publicado em 2025, com base em dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 87.648 brasileiros, apontou que 26,1% dos adultos convivem com doenças musculoesqueléticas crônicas. O grupo inclui problemas que atingem articulações, músculos, tendões e ligamentos. Entre pessoas de 35 a 49 anos, a prevalência é quase duas vezes maior do que entre os adultos mais jovens. Às vésperas do Dia do Ortopedista, celebrado em 19 de setembro, especialistas chamam a atenção para uma mudança no perfil de quem chega aos consultórios. Sedentarismo, excesso de exercícios sem preparação adequada, movimentos repetitivos e longos períodos diante do computador estão entre os fatores relacionados às queixas. “Hoje recebemos muitos pacientes entre 30 e 45 anos com dores no joelho, no ombro e em outras articulações”, afirma o ortopedista Ricardo Luiz Gave Lima, do Instituto Santa Mônica de Ortopedia e Traumatologia (ISMOT). Segundo ele, a dor musculoesquelética deixou de ser uma questão concentrada no envelhecimento e passou a atingir também pessoas mais jovens. Joelho e ombro entre as principais queixas A popularização das atividades físicas também traz um desafio: praticar exercícios sem respeitar os limites do corpo. Estudos sobre lesões relacionadas à corrida apontam o joelho como a articulação mais afetada, respondendo por aproximadamente um terço das lesões registradas entre praticantes da modalidade. O ortopedista Dhyego Bonelle de Sousa ressalta que a atividade física continua sendo fundamental para a saúde. O sinal de alerta aparece quando a dor se torna persistente durante ou depois dos exercícios. “Muitas pessoas continuam treinando mesmo com sintomas e acabam agravando lesões que poderiam ser tratadas de forma mais simples”, explica. Dor que permanece por dias ou semanas, perda de força, limitação dos movimentos, inchaço, desconforto que interrompe o sono e dificuldade para realizar tarefas comuns são alguns dos sinais que merecem avaliação médica. O diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento e evitar o agravamento do quadro. Dependendo da causa e das condições do paciente, as alternativas podem envolver fisioterapia, programas de reabilitação e outros procedimentos específicos indicados pelo especialista. Para Ricardo Luiz Gave Lima, a principal orientação é não incorporar a dor à rotina como se fosse algo inevitável. “Quanto mais cedo identificamos a causa do problema, maiores são as chances de realizar um tratamento menos invasivo, recuperar a função, evitar a progressão da lesão e preservar a qualidade de vida”, conclui.
Cine.Ema leva saberes indígenas, ciência e vivências na Mata Atlântica a Vargem Alta
Programação gratuita será realizada na Reserva Ambiental Águia Branca e reúne lideranças indígenas, cineasta e especialista em biodiversidade Uma sala de aula sem paredes, em plena Mata Atlântica, onde ciência, ancestralidade e conhecimento tradicional se encontram. Essa é a proposta do 12º Festival Nacional de Cinema Ambiental do Espírito Santo, o Cine.Ema, que realiza no dia 18 de setembro uma programação especial na Reserva Ambiental Águia Branca, em Vargem Alta. Das 9h às 17h, o público poderá participar gratuitamente de rodas de conversa e experiências na floresta que abordam educação ambiental, cultura indígena, biodiversidade, memória e os desafios para a conservação da Mata Atlântica. As atividades fazem parte do conceito “Ancestralizar”, tema que orienta a edição deste ano do festival. Um dos destaques será o encontro “Ancestralidade, Território e Oralidade – O olhar que vem do território”, das 10h às 11h, com o educador e líder indígena Jocelino Tupinikim e a cineasta Beka Mundukuru. A conversa vai abordar a relação dos povos originários com a floresta, a memória, a identidade e o território, além do papel do cinema na preservação e produção de narrativas indígenas. Na sequência, das 11h30 às 13h, os participantes deixam a condição de espectadores para entrar na mata. A programação prevê banho de floresta, caminhada contemplativa, exercícios de escuta e silêncio e atividades voltadas à percepção dos elementos e ciclos da natureza. Às 13h30, será servido um almoço inspirado nos sabores da Mata Atlântica. A programação da tarde começa às 15h com a roda de conversa “A volta à casa”, conduzida pelo professor Fábio Scarano. Titular de Ecologia da UFRJ, curador do Museu do Amanhã e titular da Cátedra Unesco de Alfabetização em Futuros, Scarano discutirá como a recuperação e a conservação da Mata Atlântica podem transformar um dos biomas tropicais mais ameaçados do planeta em um ponto de esperança diante das mudanças climáticas. Às 16h, Scarano se junta a Jocelino Tupinikim e Beka Mundukuru para o encontro “Ancestralizar a Floresta – compromissos para o futuro”. A proposta é aproximar conhecimento científico e saberes tradicionais e discutir caminhos concretos para a conservação da Mata Atlântica. A escolha de uma reserva ambiental como cenário faz parte da proposta do Cine.Ema de aproximar as discussões ambientais da experiência cotidiana. Em Vargem Alta, floresta, educação, cultura e ciência passam a dividir o mesmo espaço, permitindo que questões como conservação e mudanças climáticas sejam vivenciadas para além das salas de aula e dos debates teóricos. A programação do festival na Reserva Ambiental Águia Branca continua no dia 19 de setembro, com o projeto “Orquestra na Floresta”. A partir das 15h, o espaço recebe apresentação da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo e uma sessão de cinema ao ar livre. O 12º Festival Cine.Ema tem patrocínio do Grupo Águia Branca e apoio da Reserva Águia Branca, Sapucaia da Mata, Natureza Eco Lodge, TVE e Unimed Sul Capixaba. A realização é da Caju Produções e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet. Serviço 12º Festival Cine.Ema – Ancestralizar Data: 18 de setembro de 2026 Horário: das 9h às 17h Local: Reserva Ambiental Águia Branca, Vargem Alta (ES) Entrada: gratuita, mediante inscrição antecipada Vagas: limitadas
ES lidera crescimento industrial do país com alta de 12,8% em julho
Indústria extrativa puxou resultado, com avanço na produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro O Espírito Santo registrou o maior crescimento da produção industrial do Brasil em julho. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a indústria capixaba avançou 12,8%, enquanto a produção nacional recuou 0,5%. Dos 18 locais pesquisados pelo IBGE, 11 apresentaram queda no período. Os números são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada pelo IBGE e compilada pelo Observatório Findes. O desempenho capixaba foi impulsionado pelas indústrias extrativa e de transformação, com destaque para petróleo, gás natural, pelotas de minério de ferro e metalurgia. O resultado também manteve uma sequência expressiva: julho marcou o 15º mês consecutivo em que a produção industrial do Espírito Santo apresentou crescimento de dois dígitos na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A indústria extrativa foi o principal motor desse desempenho, com expansão de 17,1% em relação a julho de 2025. Segundo o IBGE, o resultado está relacionado principalmente ao aumento da produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção capixaba de petróleo chegou a 275,9 mil barris por dia em julho, crescimento de 30,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Desde fevereiro, o Espírito Santo mantém produção superior a 200 mil barris diários. O campo de Jubarte, no Litoral Sul do Estado, respondeu por uma média de 189,2 mil barris por dia, alta de 14,4%. O desempenho teve contribuição do FPSO Maria Quitéria, que produziu, em média, 66,3 mil barris diários, equivalente a 66,3% de sua capacidade de 100 mil barris por dia. Já o campo de Wahoo alcançou média de 38,4 mil barris diários, aproximando-se da meta de 40 mil barris por dia estabelecida após a abertura dos quatro poços do campo. Em Golfinho, a produção cresceu 6,4% no período. Na comparação entre junho e julho deste ano, a indústria extrativa capixaba avançou 0,7%, enquanto a indústria de transformação cresceu 2,7%. Entre os quatro segmentos da transformação pesquisados, produtos de minerais não metálicos tiveram alta de 6,5% e a metalurgia avançou 2,6%. A produção de alimentos caiu 4,4% e a de celulose, papel e produtos de papel recuou 0,9%. Metalurgia avança e amplia exportações Na comparação com julho de 2025, a indústria de transformação cresceu 2,8%. A metalurgia apresentou o melhor resultado entre os segmentos pesquisados, com avanço de 7,8%, puxado pelo aumento da produção de bobinas de aço a quente. A fabricação de produtos de minerais não metálicos cresceu 6,1%, favorecida pela maior produção de granito talhado ou serrado. O bom momento da metalurgia também aparece no comércio exterior. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações do setor no Espírito Santo cresceram 23,8% ao longo de 2026, com aumento das vendas para países europeus como França, Alemanha, Polônia, Espanha, Holanda e Itália. Os Estados Unidos, porém, continuam como o principal mercado dos produtos metalúrgicos capixabas, respondendo por 48,1% do valor exportado. Entre janeiro e julho, as vendas de metais básicos do Espírito Santo para o mercado norte-americano somaram US$ 466,9 milhões, queda de 15,4% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva, a retração das vendas aos Estados Unidos está relacionada, em parte, ao aumento das barreiras tarifárias sobre o aço e outros produtos siderúrgicos brasileiros, movimento que estimulou a busca por mercados alternativos. Para o presidente da Findes, Paulo Baraona, o crescimento industrial também pode gerar efeitos em outros setores da economia. “Quando a indústria se instala ou cresce, ela movimenta logística, serviços, tecnologia, manutenção, engenharia, educação, comércio exterior e fornecedores”, afirma.
João Gualberto – O peso do corpo”
“Viveu a vida toda sem barulho, sem alarde, mas com a sutil alegria nos olhos e a certeza de que o justo é o certo e é o que deve ser feito. Morreu como viveu. Como um pé de fruta-pão cujas raízes fraquejam, seus galhos definharam, a seiva vital raleou, suas folhas caíram, secas, opacas. Ela tombou. Fechando bem os olhos e abrindo uma fresta do coração, ainda dá para ouvir o barulho da água correndo na bica, o girar úmido das pás de moinho e as pancadas ritmadas do pilão ecoando na memória do tempo, esse fio invisível que liga e desliga tudo e todos”. Esses são os dois parágrafos finais do texto O Peso do Tempo, dedicado, sem maiores explicações, porque prescinde delas, a Josefina. Ele faz parte de uma coletânea de vinte contos escritos pelo sensível Carlos Fonseca, jovem autor, membro da Academia Espírito-Santense de Letras e, para pagar os pesados encargos das nossas vidas, juiz do trabalho. Nas orelhas do livro, Pedro J. Nunes — escritor que tem a mesma origem geográfica que Carlos Fonseca, ambos nascidos em São José do Calçado, terra que nos deu escritores de grande porte como Geir Campos ou José Carlos da Fonseca — registra que são vinte contos, nos quais vinte vezes se repete a palavra “peso” nos títulos, mas que, em nenhum deles, se encontra a justa medida. E completa: “E vinte vezes, não menos, se fala de mulheres, da desconhecida do primeiro conto passando por Ayana, Marina, Josefina, e se delas não se fala, falam elas próprias, mulheres que num conto ou outro emprestam a voz do narrador falando de si pela voz do poeta”. Como disse o Pedro, é um livro que desassossega, coloca o dedo na ferida. O texto é forte em muitos lugares, mas é de uma suavidade encantadora. Os contos não são datados, mas se passam todos em um lugar encantado, quase todos naquilo que poderíamos chamar de sertão, longe da vida atribulada dos grandes centros, perto do encantamento das flores, dos jardins, do pôr do sol, dos ventos e despenhadeiros. Nesses lugares mágicos, a magia está à solta em personagens femininos. São mulheres fortes, mesmo que incorram em fraquezas, e terminam por mostrar a sua força. Carlos Fonseca faz uma verdadeira ode ao universo feminino, cheia de luz, de mistério, mas também de dor e desamparo. Um livro que lembra as raízes da nossa existência, sem data e sem lugar definido, sem histórias obvias com fins românticos ou felizes, como gosta a literatura fácil e de grande consumo. Seguramente, não é um livro destinado a um leitor de obras comuns; exige sintonia com uma esfera cósmica que o Carlos frequentou em seus textos. No mundo imaginário que a sociedade brasileira criou, o papel da mulher é muito inferiorizado. As personagens sentem esse peso; não é gratuita a menção tão forte a ele. A resposta a esse imaginário, que coloca as mulheres em posição muito fragilizada, é mostrada ao longo dos vinte contos, dos vinte pesos, de forma muito sutil. Em algumas delas, são simplesmente envolvidas pela loucura e se voltam contra os agressores ou contra si mesmas. Em outras passagens, a personagem embarca numa magia inesperada e mergulha nela. Interessante é que o único personagem central masculino também entra no mundo das mulheres e se transforma em uma pessoa melhor e mais feliz. Inesperadamente. A ideia do narrador é trazer essa magia das respostas pouco esperadas. O inesperado nos assalta a todo momento, ao longo dos vinte curtos contos, todos de sublime leitura, todos escritos de uma forma tão bela, tão doce e envolvente que nem mesmo as tragédias nos deixam tristes. Elas são a resposta natural nesse universo de forças que saem da natureza e retornam a ela de forma excepcional. A sociedade brasileira tem uma reparação a fazer com as mulheres, que sofreram agressões, humilhações e inferiorização ao longo dos séculos. O machismo é, para mim, o principal traço da sociedade brasileira, patriarcal e hierarquizada. Temos não apenas que reelaborar um novo lugar para o feminino em nossas vidas, como também resgatar o papel de nossas heroínas. Por tudo o que representam esses lindos textos de Carlos Fonseca, ele é um marco na exploração do universo feminino, com um olhar profundo e sensível. Aconselho fortemente a leitura.
Setembro Amarelo: plataforma reúne serviços de saúde física e emocional para trabalhadores
Novo canal concentra orientações e benefícios relacionados à saúde mental, prevenção, atividade física, alimentação, assistência médica e outros cuidados Em meio às ações do Setembro Amarelo, uma nova plataforma pretende facilitar o acesso de trabalhadores a serviços de saúde física e emocional e estimular a prevenção. Batizado de Espaço Bem-estar, o canal lançado pela Aegea reúne, em um único ambiente online, informações, programas e benefícios oferecidos aos colaboradores. A plataforma concentra recursos relacionados à saúde mental, atividade física, alimentação, assistência médica e odontológica, telemedicina, exames periódicos e acompanhamento de internações, além de outros programas preventivos. Dependendo dos critérios de elegibilidade de cada serviço, alguns benefícios também podem ser utilizados pelos dependentes dos funcionários. A proposta é tornar mais simples a busca por orientação e incentivar os colaboradores a cuidarem da saúde antes do surgimento de situações mais graves. O canal foi estruturado para funcionar de forma permanente, indo além das ações realizadas durante o Setembro Amarelo. Entre os serviços reunidos está o AE Orienta, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. O atendimento oferece assistência profissional especializada para questões psicológicas, sociais e familiares, além de orientações financeiras e jurídicas. Segundo Bruna Buldrini, diretora-presidente das unidades da Aegea no Espírito Santo, a intenção é aproximar os trabalhadores dos recursos já disponíveis. Cuidar da saúde também está nas escolhas do dia a dia, na prevenção, no equilíbrio e em saber que existe uma rede de apoio disponível quando necessário”, afirma. A escolha do Setembro Amarelo para o lançamento reforça a atenção à saúde mental e à valorização da vida, mas a iniciativa pretende estabelecer uma rede de cuidado ao longo de todo o ano. A plataforma também reúne informações sobre nutrição, exercícios físicos, assistência odontológica e programas de prevenção, ampliando o foco para diferentes aspectos relacionados à qualidade de vida dos colaboradores e de suas famílias.
Bikes elétricas: prefeitura de Vila Velha promove ação sobre segurança no trânsito
Projeto terá aulas teóricas e práticas no dia 19 de setembro, em Coqueiral de Itaparica, com participação da Guarda Municipal e da LAF Brasil As bicicletas elétricas estão cada vez mais presentes nas ruas e ciclovias, mas o avanço dessa nova forma de mobilidade também exige atenção às regras de circulação e à segurança. Em Vila Velha, uma ação vai reunir usuários desses veículos para orientar sobre prevenção de acidentes, direção defensiva e convivência com pedestres e motoristas. O projeto Mobilidade Segura será realizado no próximo sábado (19), das 8h às 10h, em Coqueiral de Itaparica. A iniciativa da Prefeitura de Vila Velha e da Guarda Municipal terá parceria da LAF Brasil e será destinada a cerca de 30 participantes com mais de 15 anos, mediante inscrição pelo site da prefeitura. Durante a programação, os participantes terão orientações teóricas e atividades práticas sobre circulação e uso responsável de veículos elétricos. A LAF Brasil disponibilizará bicicletas elétricas e capacetes para as aulas e manterá um profissional de manutenção no local para orientar sobre cuidados e ajustes básicos nos equipamentos. Segundo a subinspetora de Educação para o Trânsito da Guarda Municipal de Vila Velha, Clarisse Senatore, conhecer as regras e saber identificar situações de risco são pontos fundamentais para reduzir acidentes. Ela chama a atenção especialmente para práticas como circular de bicicleta na contramão ou sobre calçadas, além da necessidade de observar pontos cegos de veículos maiores e controlar a velocidade em curvas. “É preciso prever o risco e praticar a direção defensiva. Muitas pessoas ainda usam a bicicleta na contramão ou na calçada e acham que não há problema. Também é importante entender os pontos cegos dos veículos maiores e ter atenção à velocidade, principalmente nas curvas”, afirma Clarisse. O diretor de Marketing da LAF Brasil, Daniel Fitaroni, destaca que a expansão da mobilidade elétrica precisa ser acompanhada de informação. “Quanto mais as pessoas conhecem as regras, os equipamentos de segurança e os riscos do trânsito, maior a possibilidade de uma convivência segura entre ciclistas, condutores, pedestres e motoristas”, afirma. Regras diferentes para cada veículo A ação também vai abordar as diferenças previstas na legislação entre bicicletas elétricas, equipamentos autopropelidos e ciclomotores. As categorias possuem características e exigências próprias, inclusive em relação aos locais permitidos para circulação, velocidade, emplacamento e habilitação. Clarisse explica que alterações nas características do veículo podem mudar seu enquadramento. “Um autopropelido desbloqueado, por exemplo, que passa de 32 km/h, vira um ciclomotor e a habilitação é obrigatória. Onde não houver estrutura cicloviária, a orientação é circular pelo lado direito da via, junto ao fluxo dos demais veículos”, explica. Em áreas compartilhadas com pedestres, os usuários devem respeitar os limites de velocidade estabelecidos para esses espaços. O treinamento também vai tratar do uso de equipamentos de segurança e da manutenção das bicicletas, incluindo a regulagem correta do farol e outros itens importantes para aumentar a visibilidade no trânsito. A participação da LAF Brasil no projeto busca ampliar a orientação aos usuários em um momento de crescimento do mercado de mobilidade elétrica. A empresa, especializada na importação e comercialização de bicicletas elétricas, scooters, ciclomotores e outros veículos elétricos, atua com parceiros e revendedores em diferentes regiões do país. Serviço Projeto Mobilidade Segura Data: 19 de setembro de 2026 Horário: das 8h às 10h Local: Coqueiral de Itaparica, Vila Velha Público: maiores de 15 anos Inscrições: pelo site da Prefeitura de Vila Velha
Elas transformaram ideias em negócios e conquistaram prêmio do Sebrae no ES
Cinco empreendedoras venceram as principais categorias do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026; Espírito Santo teve cerca de 650 inscritas De doces e cosméticos à tecnologia, turismo e criação de abelhas nativas. Cinco trajetórias diferentes de empreendedorismo feminino foram reconhecidas no Espírito Santo pelo Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026. As vencedoras estaduais foram anunciadas na noite desta quinta-feira (10). A edição deste ano registrou cerca de 650 inscrições no Estado, número três vezes maior que o da edição anterior. Ao todo, 22 empreendedoras chegaram à final, distribuídas pelas categorias Microempreendedora Individual (MEI), Pequenos Negócios, Produtora Rural ou Artesã, Ciência e Tecnologia e Negócios Internacionais. As três primeiras colocadas de cada categoria receberam R$ 5 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente, além de troféus e participação gratuita no Empretec, programa de formação empreendedora. As campeãs estaduais avançam agora para a etapa regional e, se classificadas, seguem para a disputa nacional, que prevê prêmios de até R$ 50 mil. “É o momento para celebrarmos o empoderamento feminino e o sucesso destas mulheres capixabas. A história de cada uma delas é um marco de coragem, inovação e superação, pois empreender é assim. Nesta edição, o Espírito Santo triplicou o número de inscritas e isto é uma demonstração do crescimento do empreendedorismo feminino em nosso estado, algo que nos enche de orgulho e alegria”, declarou Alline Zanoni. Na categoria MEI, a vencedora foi Ana Paula Carvalho, da Conectar Sistêmico, de Vila Velha. A empresa trabalha com pesquisa histórica, preservação de memórias familiares e institucionais e abordagens sistêmicas. Ao receber o prêmio, Ana Paula destacou histórias de clientes que conseguiram reconstruir trajetórias pessoais e familiares a partir do trabalho desenvolvido pela empresa. Também de Vila Velha saiu a campeã de Pequenos Negócios. Virginia Endlich Fiorese, da Levei um Bolo, conquistou o primeiro lugar com uma empresa que começou a partir da produção de bolos, doces e salgados e hoje possui quatro lojas físicas em Vitória e Vila Velha. Na categoria Produtora Rural ou Artesã, o primeiro lugar ficou com Thaiz Romão, da Jardim de Mel Brasil, de Colatina. Bióloga, ela trabalha com a criação de abelhas nativas e ações relacionadas à sustentabilidade, conservação ambiental e fortalecimento da meliponicultura. A vencedora em Ciência e Tecnologia foi Rayssa Pereira do Nascimento Mendes, da Manacá Tecnologias Sociais, de Vitória. Rayssa destacou os obstáculos enfrentados ao longo de sua trajetória, desde a formação em escola pública até a entrada no universo da ciência, tecnologia e inovação e a atuação em um mercado ainda predominantemente masculino. Já Micheli Sossai Spadeto, fundadora da Transcapixaba Hike and Fly, de Venda Nova do Imigrante, venceu a categoria Negócios Internacionais e recebeu ainda menção honrosa como Destaque em Turismo. O empreendimento combina esporte e turismo e organiza uma competição de hike and fly, modalidade que reúne caminhada em trilhas e voo de parapente, atraindo atletas e visitantes de outros países para o Espírito Santo. Segundo a superintendente interina do Sebrae/ES, Alline Zanoni, o crescimento das inscrições demonstra o avanço da participação feminina no empreendedorismo capixaba. “A história de cada uma delas é um marco de coragem, inovação e superação”, afirmou. Confira as premiadas Microempreendedora Individual (MEI) 1º Ana Paula Carvalho – Conectar Sistêmico (Vila Velha) 2º Pâmela Zandonade Zanon Rosetti – Pamelita Doces (Vila Velha) 3º Franthiesca Rodrigues Pegoretti – Sonho de Mel (Vila Velha) Pequenos Negócios 1º Virginia Endlich Fiorese – Levei um Bolo (Vila Velha) 2º Flora Gomes Machado – DIV Cosmetics (Vitória) 3º Margaret Siqueira – Instituto Capilari (Vitória) Produtora Rural ou Artesã 1º Thaiz Romão – Jardim de Mel Brasil (Colatina) 2º Carolini Freitas Menegardo – Bela Vista Café Especial (Rio Novo do Sul) 3º Jurema Conceição Gonçalves – Coletivo de Artesãs Mulheres de Fibras (Conceição da Barra) Ciência e Tecnologia 1º Rayssa Pereira do Nascimento Mendes – Manacá Tecnologias Sociais (Vitória) 2º Anna Paula de Souza Rampazzo – Hélli Skin (Vila Velha) 3º Karla Santos Feu – Muzie Essence (Vargem Alta) Negócios Internacionais 1º Micheli Sossai Spadeto – Transcapixaba Hike and Fly (Venda Nova do Imigrante) 2º Mirella Ribeiro Alves de Souza – IaJob (Linhares) Destaque em Turismo Micheli Sossai Spadeto – Transcapixaba Hike and Fly (Venda Nova do Imigrante)
Casagrande e Ricardo Ferraço fazem caminhada em Cachoeiro e destacam investimentos
Candidatos percorreram ruas do município nesta sexta-feira (11) e citaram pacote de mais de 260 ações realizadas pelo Governo do Estado O candidato ao Senado Renato Casagrande (PSB) e o governador Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição, participaram de uma caminhada em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, na tarde desta sexta-feira (11). A agenda reuniu apoiadores e lideranças políticas locais. Durante a passagem pelo município, Casagrande e Ferraço destacaram investimentos realizados pelo Governo do Estado em Cachoeiro nos últimos anos. Segundo dados divulgados pela campanha, o volume se aproxima de R$ 1 bilhão, distribuído em mais de 260 ações. Entre as principais intervenções citadas estão a macrodrenagem e reabilitação da Linha Vermelha, com investimento de R$ 61,8 milhões, e a reabilitação e duplicação da ES-488, no trecho até o Frade, com R$ 183,6 milhões. Também foram mencionados R$ 76,5 milhões destinados à ampliação do Aeroporto de Cachoeiro, além de investimentos na área da saúde, como a construção do Hospital do Câncer e de novas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Na área cultural, o conjunto de intervenções inclui o restauro do Palácio Bernardino Monteiro e do Teatro Rubem Braga. Durante a caminhada, Casagrande afirmou que a agenda também teve como objetivo apresentar à população os investimentos realizados no município. “A região Sul precisa de atenção do poder público e nós mostramos que a região é prioridade”, declarou. Cachoeiro de Itapemirim é a cidade natal de Ricardo Ferraço e um dos principais centros econômicos e políticos da Região Sul do Espírito Santo.
Arnaldinho reforça apoio a Emanuela Pedroso e destaca parceria com o Estado
Prefeito de Vila Velha ressalta atuação da ex-secretária na articulação de investimentos estaduais destinados ao município O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, reforçou o apoio à candidatura da ex-secretária de Estado Emanuela Pedroso (Manu) a deputada federal. A relação política entre os dois foi fortalecida durante a passagem de Emanuela pelo Governo do Espírito Santo, quando ela participou da articulação entre o Executivo estadual e os municípios. Emanuela foi secretária de Estado de Economia e Planejamento e, posteriormente, secretária de Estado do Governo. Também atuou como professora, advogada, vereadora e prefeita de Alto Rio Novo, secretária municipal em Viana e secretária-executiva da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes). Emanuela, Casagrande, Arnaldinho e Ricardo: sintonia Em Vila Velha, os investimentos estaduais realizados desde 2019 superam R$ 2,28 bilhões, segundo dados apresentados pela campanha. Os recursos abrangem diferentes áreas e incluem projetos executados em parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura. Entre abril de 2022 e março de 2026, Emanuela também participou da coordenação do Fundo Cidades, mecanismo de transferência de recursos estaduais diretamente às prefeituras. Em Vila Velha, o programa financiou intervenções de infraestrutura urbana, drenagem e pavimentação. Entre as obras estão a macrodrenagem do Canal do Congo, construção de pontes e melhorias em ruas e avenidas da Região 5. De acordo com as informações divulgadas, as intervenções beneficiam cerca de 70 mil moradores de 13 bairros. Na Praia da Costa, estão em execução a macrodrenagem do Canal da Costa e a implantação de um parque linear. O conjunto de investimentos também inclui o Parque da Prainha e obras de contenção e estabilização de encostas. Outros projetos realizados no município incluem a urbanização da orla, construção e reforma de unidades de saúde e praças públicas, além de intervenções na infraestrutura do Morro do Moreno. Ao reforçar o apoio a Emanuela, Arnaldinho destacou a parceria construída durante a atuação dela no Governo do Estado. A ex-secretária deixou o Executivo em março para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.