A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES) iniciou uma avaliação dos cursos de Direito em funcionamento no Estado. A iniciativa tem como foco o fortalecimento da qualidade do ensino jurídico, a partir da escuta das instituições, da identificação de desafios e da construção de contribuições que serão encaminhadas ao Conselho Federal da OAB (CFOAB), com reflexos na formação dos futuros profissionais da advocacia. As instituições participantes foram selecionadas com base em critérios técnicos, como o desempenho no Exame de Ordem Unificado de 2025 e dados públicos relacionados ao selo “OAB Recomenda”. A OAB-ES esclarece que os relatórios finais resultantes do processo serão encaminhados exclusivamente ao Conselho Federal da OAB, responsável pela interlocução institucional junto ao Ministério da Educação (MEC). O trabalho será desenvolvido em três etapas. Na primeira fase, as instituições serão convidadas a encaminhar informações e documentos relacionados a diferentes eixos de avaliação, como corpo docente, infraestrutura, Núcleos de Prática Jurídica e outros aspectos considerados fundamentais para a formação acadêmica dos estudantes de Direito. Na segunda etapa, o material será analisado pela Comissão de Ensino Jurídico, em conjunto com a diretoria da OAB-ES. Nessa fase, poderão ocorrer reuniões técnicas e visitas às instituições, previamente dialogadas, sempre com caráter institucional, técnico e colaborativo. A etapa final prevê a elaboração de um relatório individualizado para cada instituição avaliada. As faculdades terão a oportunidade de se manifestar sobre os apontamentos apresentados. As conclusões serão encaminhadas ao Conselho Federal da OAB, contribuindo para o debate nacional sobre o ensino jurídico em articulação com o Ministério da Educação e servindo como parâmetro para a reavaliação do selo OAB Recomenda. O presidente em exercício da OAB-ES e professor universitário, José Antônio Neffa Junior, destaca o caráter construtivo da iniciativa. “Vivemos diariamente a realidade das salas de aula e sabemos dos desafios enfrentados pelas instituições. Essa ação nasce com o propósito de somar, de contribuir com soluções e de fortalecer o ensino jurídico no Espírito Santo”, afirma. Para a presidente da OAB-ES, Érica Neves, a proposta reafirma o compromisso institucional da Ordem com a qualidade da formação acadêmica e com o futuro da advocacia. “A OAB tem o dever institucional de contribuir para o aprimoramento do ensino jurídico. Nosso objetivo é caminhar junto às faculdades, oferecendo apoio, escuta qualificada e colaboração, sempre pensando na formação ética e técnica dos futuros profissionais e no interesse da sociedade”, destaca. A presidente da Comissão de Ensino Jurídico da OAB-ES, Alessandra Lignani de Miranda Starling e Albuquerque, ressalta que a iniciativa surge como resposta ao crescimento acelerado dos cursos de Direito e à necessidade de fortalecer o ensino de qualidade no Estado. Segundo ela, a ação busca respeitar o trabalho desenvolvido pelas instituições capixabas e, ao mesmo tempo, apresentar à sociedade a realidade do ensino jurídico. “Essa iniciativa nasce com o propósito de somar, ouvir as instituições e contribuir para o fortalecimento do ensino jurídico no Espírito Santo, sempre em diálogo e cooperação, no intuito de melhorar cada vez mais a qualidade do ensino. A OAB-ES quer caminhar junto às faculdades contribuindo com soluções e melhorias para a formação dos futuros profissionais do Direito”, reforça.
Vila Velha define regras e prazos para autorização de blocos de carnaval
A Prefeitura de Vila Velha publicou no Diário Oficial do Município, na última terça-feira (6), a portaria que estabelece as regras para a realização de blocos de carnaval durante o período de pré-carnaval e o carnaval oficial de 2026. A normativa define prazos, critérios de funcionamento e procedimentos para solicitação de autorização, com o objetivo de organizar as atividades carnavalescas em espaços públicos da cidade. De acordo com a Portaria Conjunta nº 001/2026, o período de pré-carnaval está programado para ocorrer entre os dias 31 de janeiro e 13 de fevereiro. Já o carnaval oficial será realizado de 14 a 17 de fevereiro. Para atuar nesses períodos, os blocos interessados devem solicitar autorização com antecedência mínima de 30 dias em relação à data prevista para o desfile. O pedido deve ser feito junto à Comissão Municipal de Eventos (Comune), por meio do site oficial da Prefeitura de Vila Velha. A autorização está condicionada ao cumprimento de todos os critérios previstos na portaria, que também podem ser consultados no Diário Oficial do Município. Cada bloco está autorizado a desfilar por até um dia no período de pré-carnaval e por até dois dias durante o carnaval oficial. O tempo máximo permitido para cada saída é de seis horas, com encerramento das atividades até as 19 horas do mesmo dia. Após esse horário, os organizadores devem desligar a sonorização e promover a dispersão do público. A norma também estabelece limites territoriais para os desfiles. Blocos vinculados às regiões administrativas 1 e 2 ficam impedidos de realizar percursos com destino à avenida da orla. Além disso, o município autoriza a realização de até dois blocos por região, por dia, levando em consideração o porte do evento e o trajeto proposto. Os organizadores são responsáveis pela contratação de segurança privada e pela assinatura de um Termo de Compromisso com a Prefeitura, no qual assumem a responsabilidade pelo cumprimento de todas as condicionantes previstas. O uso de trio elétrico depende da apresentação da documentação de regularidade do veículo e da realização de vistoria técnica pelo setor competente do município. A Guarda Municipal participa da análise e aprovação dos percursos, especialmente nos casos de circuitos realizados em vias urbanas. A fiscalização dos eventos será feita por agentes das secretarias municipais, em conjunto com a Guarda Municipal e outros órgãos de segurança pública. A portaria também proíbe a realização de shows pirotécnicos com fogos de artifício em áreas públicas durante o período carnavalesco. Blocos que utilizarem equipamentos de som devem observar rigorosamente as normas ambientais e urbanas vigentes no município. Para o secretário municipal de Cultura, Roberto José Patrício Júnior, a definição prévia das regras contribui para equilibrar a valorização das manifestações culturais com a organização da cidade. Segundo ele, “o carnaval de rua integra práticas culturais que fortalecem a identidade local e ampliam a ocupação simbólica dos espaços urbanos. A regulamentação cria condições para que essas expressões aconteçam de forma estruturada, com impacto social positivo e valorização da cultura do município”. Foto: PMVV
Ações de modernização portuária colocam Vila Velha no centro logístico do país
Nos últimos anos, o Espírito Santo vem se consolidando como um dos principais corredores logísticos do Brasil, especialmente no escoamento de commodities. Nesse contexto, Vila Velha assume papel estratégico ao concentrar um complexo portuário multipropósito que ganha protagonismo à medida que o mapa da logística nacional redesenha suas rotas. O Complexo Portuário de Vila Velha tornou-se uma peça-chave na movimentação de cargas pesadas, reunindo operações com grãos, contêineres, combustíveis, aço e outras mercadorias em um ambiente que combina eficiência operacional, tecnologia e infraestrutura preparada para receber navios de grande porte. Administrado pela Vports, primeira e única autoridade portuária privada do país, o porto canela-verde passou por um processo contínuo de modernização, com impactos diretos na competitividade logística da região. Entre as principais intervenções realizadas estão a dragagem, a ampliação dos acessos marítimos, a modernização de armazéns, a expansão de retroáreas, a melhoria das conexões ferroviárias e a revisão de normas operacionais. Essas ações viabilizaram a operação de navios da classe Panamax, com até 245 metros de comprimento e 32,5 metros de largura, ampliando significativamente a capacidade do terminal. Como resultado desse conjunto de investimentos, o número de embarcações aptas a operar no complexo mais que dobrou, passando de 504 para 1.089 navios. O aumento da capacidade operacional contribui para a redução de custos logísticos e fortalece a posição de Vila Velha no cenário portuário nacional. Novo ciclo econômico Para o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, o Terminal Portuário de Vila Velha (TVV) ultrapassa a função de infraestrutura pesada e se consolida como um ativo estratégico para o futuro do município. Segundo ele, o investimento em logística está diretamente associado à geração de competitividade, empregos e desenvolvimento sustentável. “Vila Velha está preparada para o novo ciclo da economia brasileira. Investir em logística é garantir competitividade, empregos e desenvolvimento sustentável. O terminal portuário é um ativo decisivo para posicionar a cidade no centro das grandes rotas do comércio exterior”, afirma. Diante desse cenário, o desafio do porto de Vila Velha passa a ser não apenas a ampliação da integração com a malha ferroviária, mas também o aumento da capacidade para receber navios de maior porte, que operam no transporte de longo curso, sem necessidade de transbordo, diferentemente da navegação de cabotagem. Os investimentos em logística também ganham relevância no contexto da implantação da Reforma Tributária, que altera o modelo de arrecadação ao priorizar o consumo em detrimento da produção. Nesse novo ambiente, a ampliação da capacidade do TVV ao longo dos últimos anos foi determinante para preparar o porto para atender às demandas atuais e futuras do mercado. Capacidade de armazenagem Sob gestão da Vports, o Complexo Portuário de Vila Velha registrou um crescimento expressivo em sua capacidade estática de armazenagem de granéis sólidos. Desde o início da concessão, o volume aumentou 270%, alcançando 191 mil toneladas. De acordo com a empresa, a dragagem e a melhoria dos acessos marítimos estão entre as principais prioridades. Recentemente, a Vports investiu mais de R$ 30 milhões em melhorias nos Portos de Vila Velha e Barra do Riacho, com foco na ampliação da capacidade operacional e na oferta de serviços com padrão elevado de qualidade. O porto de Vila Velha opera de forma multipropósito, movimentando contêineres, combustíveis, soda cáustica, gás liquefeito de petróleo (GLP), granéis sólidos minerais e vegetais, veículos, cargas gerais e atendendo também ao setor offshore. A diversidade de cargas reforça a relevância estratégica do terminal nos âmbitos estadual e nacional. Avanços em tecnologia A modernização do TVV também é sustentada por investimentos robustos em tecnologia. Um dos principais marcos desse avanço é a implantação do VTMIS (Vessel Traffic Management Information System), sistema pioneiro no Brasil que funciona como uma torre de controle marítimo, operando 24 horas por dia no monitoramento das manobras, entradas e saídas de embarcações. Outras melhorias incluem a balança ferroviária de Capuaba, o uso de balanças rodoviárias automatizadas, novos softwares de modelagem matemática e a incorporação de equipamentos de grande porte. Também foi ampliada a retroárea do porto, com mais de 70 mil metros quadrados, além da previsão de investimentos de R$ 35 milhões destinados à movimentação de contêineres, granito, fertilizantes e produtos siderúrgicos. Infraestrutura e visão estratégica Para o secretário de Desenvolvimento Econômico de Vila Velha (em exercício), Luiz Eduardo Dalfior, o momento atual reflete um alinhamento entre infraestrutura e visão estratégica de desenvolvimento. “A reforma tributária muda a lógica do desenvolvimento, que passa a ser orientado pelo consumo. Ter um porto moderno, conectado por ferrovia e rodovias, coloca Vila Velha em vantagem competitiva real para atrair investimentos e consolidar novas rotas logísticas”, avalia. A retomada das operações ferroviárias, integrando Vila Velha à Estrada de Ferro Vitória a Minas e à Ferrovia Centro-Atlântica, completa esse arranjo logístico. A combinação entre trilhos, cais e tecnologia reforça a posição do município dentro do sistema logístico nacional, ampliando sua capacidade de atendimento às demandas do comércio exterior e da economia brasileira.
Semana começa com sol e calor, mas há chance de chuva isolada na Grande Vitória
A semana na Grande Vitória começa com tempo firme, sol e temperaturas elevadas típicas do verão. Segundo as previsões meteorológicas atualizadas por serviços como Climatempo e bases de meteorologia consultadas, a tendência é de variação entre dias ensolarados e possibilidade de chuva isolada ao longo dos próximos dias, reflexo da atuação de um sistema de alta pressão e umidade relativa do ar típica da estação. Segunda-feira (12/01) O dia amanhece com céu com poucas nuvens na Grande Vitória, sem previsão de chuva significativa, de acordo com dados meteorológicos regionais. As temperaturas variam entre 22 °C e 34 °C, com vento fraco a moderado soprando do litoral. Terça-feira (13/01) A terça-feira segue com sol e aumento de nuvens ao longo do dia. As máximas devem se manter elevadas, na casa dos 30 °C, e há previsão de possíveis pancadas de chuva fraca no fim da tarde. Quarta-feira (14/01) Na metade da semana, a tendência é de tempo parcialmente nublado, com chance fraca de chuvas isoladas e temperaturas entre 29 °C e 30 °C. O clima segue típico de verão, com sensação de calor em grande parte do dia. Quinta-feira (15/01) A quinta deve apresentar nuvens dispersas e tempo firme. A probabilidade de chuva diminui e as temperaturas máximas ficam próximas a 29 °C a 30 °C. Sexta-feira (16/01) As condições permanecem estáveis com céu parcialmente nublado e calor diário. Não há previsão de chuva expressiva para a região metropolitana. Sábado (17/01) No sábado, a previsão indica sol com algumas nuvens e possibilidade de chuva fraca isolada, sem registro de eventos significativos. As máximas devem ficar por volta dos 28 °C a 30 °C. Domingo (18/01) No fim de semana, há maior chance de chuvas isoladas no período da tarde ou noite, com termômetros marcando cerca de 31 °C de máxima.
Dois hospitais do ES estão entre os 100 melhores hospitais públicos do Brasil
O Espírito Santo conquistou um reconhecimento de grande relevância nacional ao ter dois hospitais públicos incluídos na lista dos 100 melhores hospitais públicos do Brasil. O levantamento inédito reforça o protagonismo da rede pública capixaba na oferta de uma assistência em saúde de qualidade, integral e resolutiva. As unidades contempladas são o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, localizado na Serra, e o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), em Vitória. A presença dessas duas instituições ao lado de hospitais de referência de outros 19 estados evidencia a força, a maturidade e a capacidade de entrega do Sistema Único de Saúde (SUS) no Espírito Santo. De acordo com o diretor-geral do Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, Joubert Andrade da Silva, a inclusão das unidades capixabas no ranking nacional demonstra o impacto positivo dos investimentos contínuos em gestão, estrutura e qualidade assistencial. Segundo ele, o reconhecimento consolida o papel estratégico dos hospitais públicos do Estado no atendimento de média e alta complexidade. Para a definição dos 100 hospitais selecionados, foram considerados critérios rigorosos, como nível de acreditação hospitalar, taxas de ocupação e de mortalidade, disponibilidade de leitos de terapia intensiva, tempo médio de permanência dos pacientes internados, além de indicadores de eficiência e qualidade assistencial. A análise também levou em conta dados de produção hospitalar registrados no Sistema de Informações Hospitalares (SIH), do Ministério da Saúde, referentes ao período entre agosto de 2024 e julho de 2025. A seleção foi realizada pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e outras entidades, com o objetivo de destacar experiências de excelência no âmbito do Sistema Único de Saúde. A partir dessa lista inicial, serão definidos os dez melhores hospitais públicos do país, que serão anunciados em maio, durante o Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil. Segundo a diretora de Cuidados Integrais do Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, Alessandra Bernardino, outro diferencial do levantamento foi a avaliação de aspectos como compliance institucional, eficiência na utilização dos recursos financeiros e, em etapas posteriores, a satisfação dos pacientes atendidos. Ela ressaltou ainda que a lista contempla exclusivamente hospitais com atendimento 100% SUS, sem qualquer vínculo com operadoras de planos de saúde, reforçando o compromisso com a saúde pública universal e gratuita.
João Gualberto – “A Capitoa”
A Capitoa é um romance escrito por Bernadette Lyra, autora de prestígio nacional, dona de uma vasta obra. Nascida em Conceição da Barra, ela dedica um outro livro, chamado Água Salobra, às memórias de sua infância e juventude naquela pequena cidade, vividas antes que as rodovias a ligassem ao resto do Espírito Santo e do Brasil. Chegava-se ali no lombo dos burros e cavalos ou através das embarcações que levavam gente e mercadorias, ansiosamente esperadas pela cidade toda. São de uma enorme delicadeza as memórias narradas em Água Salobra. Elas contam sua relação com o seu meio social e com a prodigiosa natureza que a cercava: o mar, os pássaros, o rio Cricaré. Mostram também como se organizava sua família, aliás, a maioria das famílias daqueles tempos, que eram mais lentos, mais restritos em termos de possibilidades sociais, portanto mais simples, em todos os sentidos. No texto de Bernadette tudo se revela menos estressante. Quando criança, os adultos que a cercavam viviam em um universo mais mágico, perfumado a sal e povoado de beijus, de peixes, de sargaços, de estrelas celestes e de algas marinhas, como ela registra na crônica As Damas, que faz parte do livro. Entretanto, o livro que dá título a esta coluna, A Capitoa, nada tem a ver com esse universo infantil mais romantizado; ele expressa um outro olhar da autora. Trata das histórias de vida de três mulheres que deixam seu país, no continente europeu, para virem morar na Capitania do Espírito Santo, no alvorecer da conquista da terra e dos povos pelos lusitanos. São elas Ana, Luíza e Antônia, que cruzam o oceano para participarem dessa enorme aventura junto a fidalgos, degredados, piratas, frades, noviços, bastardos, desorelhados, prostitutas e órfãs enviadas pelo reino. As três são respectivamente a mãe, a mulher e a amante do Capitão-Mor Vasco Coutinho, filho do nosso primeiro donatário. Com a morte do segundo donatário, sua esposa, Luíza Grinalda, a Capitoa, passou a governar a capitania, em 1589, por ser sua viúva e o casal não ter gerado filhos. Ela governou durante quatro anos, apesar da legislação não permitir uma mulher no poder naquela época. Aliás, essa é a força da ficção de Bernadette. A verdadeira viagem que o livro permite ao seu leitor, pelo menos na minha visão, é justamente a da vida das mulheres naquela época. As teorias vigentes davam a ideia de que mulheres eram seres de segunda categoria. Todo um imaginário ainda imerso no mundo medieval português permitia essa visão, de modo incrivelmente perverso para o universo feminino. A começar pelo desprezo que se tinha pela Capitoa, pelo fato de ela nunca haver engravidado. Não havia a noção de amor, de romance ou mesmo de respeito como motor principal do casamento. Ele era movido sobretudo pela geração de filhos. Consequentemente, a mulher que não podia conceber, a “mulher seca” — como é dito no texto — não cumpria seu papel no mundo. A incapacidade de ser mãe era vista como obra satânica, como a possessão por um espírito maldito. Assim, a cada mês, a chegada da menstruação era o tormento de Luíza, que acabou se livrando das obrigações do casamento quando Vasco Coutinho encontrou Antônia, que se tornou sua amante, e teve com ela três filhos. Foi um alívio à alma atormentada de Luíza. Tudo em torno do mundo feminino na colônia compunha-se de solidão, desrespeito, violência e obrigações. Isso era muito acentuado pelo fato de as elites lusitanas enviarem para a colônia prostitutas, prisioneiras e outras pessoas tidas como pervertidas pela moral tacanha da época. Ser mulher significava ter o desprezo do mundo masculino, que era cercado de teorias propagadas pelo catolicismo popular português, as quais alimentavam essa ideia da inferioridade feminina, tão presente na obra. Luíza, vitimada por esse preconceito, foi afastada da gestão da capitania. Mesmo enquanto governou, foi secundada por um fidalgo que dividia com ela o poder e legitimava sua governança. As indígenas eram tratadas ainda com mais desprezo e falta de respeito, condições que eram agudizadas por suas origens e seu sangue. Tidas como selvagens, eram usadas como objetos sexuais pelos invasores, que, além de brutos e violentos, julgavam-se duplamente superiores. Não era fácil para elas a vida aqui naqueles tempos, situação que só fez piorar com a chegada da Inquisição do Santo Ofício na colônia. Aí as penas tornaram-se mais duras e o preconceito só fez enraizar-se cada vez mais. A ficção a partir da história, que nos faz a grande escritora capixaba, é de muita utilidade para entendermos o presente, afinal essa chaga histórica precisa ser superada. Temos todos uma dívida social com as mulheres que vivem e viveram no Brasil desde os tempos coloniais. A Capitoa é uma obra genial que trata desse aspecto fundamental da origem do imaginário social capixaba, além de estabelecer um diálogo interessante com Vilão Farto, de Renato Pacheco, e Capitão do Fim, de Luiz Guilherme Santos Neves. Ambos também tratam da vida do nosso primeiro donatário, de suas aventuras e desventuras em solo capixaba. Trata-se, portanto, de história e literatura andando de mãos dadas para nos ensinarem um pouco mais sobre nossas raízes imaginárias. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018. • A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Lojas do Boulevard Shopping Vila Velha lançam promoções de até 70% em produtos
Quem gosta de aproveitar boas oportunidades encontra motivos de sobra para visitar o Boulevard Shopping Vila Velha, em Itaparica, neste fim de semana. Lojas do centro de compras estão com descontos de até 70% em diversos segmentos, que vão do vestuário à perfumaria, passando por calçados, acessórios e eletroeletrônicos. Entre as ofertas em destaque, a Óticas Diniz apresenta óculos de sol da grife Carolina Herrera com redução significativa, passando de R$ 1.325 para R$ 530. Há ainda modelos da Max & Co, de R$ 610 por R$ 367, e óculos de grau da Prada, que saíram de R$ 2.098 para R$ 1.259. No setor de calçados e moda esportiva, os consumidores encontram opções como o Nike SB Chron 2, com preço reduzido de R$ 329,99 para R$ 230,99, e o adidas Ultraboost, que caiu de R$ 1.199,99 para R$ 799,99. Já na área de vestuário, camisetas das marcas Mormaii e Reef estão sendo vendidas por R$ 69,99, enquanto a Riachuelo oferece regatas a partir de R$ 39,90. As promoções também alcançam o segmento de eletroeletrônicos. Na Casas Bahia, televisores de 32 polegadas podem ser encontrados a partir de R$ 999. Para quem busca opções de presentes e itens de alimentação, a Cacau Show participa da ação com a Lata Carrossel de 135g, que passou de R$ 96,99 para R$ 59,99, além da promoção de trufas: na compra de cinco unidades, o cliente paga quatro; levando oito, paga seis. As ofertas são válidas enquanto durarem os estoques, com condições que podem variar de acordo com cada loja participante. Confira algumas ofertas: Óticas Diniz Óculos Carolina Herrera: de R$ 1.325 por R$ 530 Max & Co (rosa): de R$ 610 por R$ 367 Óculos de grau Prada: de R$ 2.098 por R$ 1.259 Calçados e vestuário Nike SB Chron 2: de R$ 329,99 por R$ 230,99 adidas Ultraboost: de R$ 1.199,99 por R$ 799,99 Camisetas Mormaii e Reef: R$ 69,99 Regatas Riachuelo: a partir de R$ 39,90 Eletroeletrônicos TVs 32”: a partir de R$ 999 Alimentos – Cacau Show Lata Carrossel 135g: de R$ 96,99 por R$ 59,99 Trufas 8,5g: leve 5, pague 4 | leve 8, pague 6
IEL abre mais de 15 oportunidades de estágio no ES com bolsas de até R$ 1,8 mil
Vagas contemplam estudantes do ensino médio, técnico e superior em municípios da Grande Vitória e do interior O Instituto Euvaldo Lodi do Espírito Santo (IEL-ES) está com 19 vagas de estágio abertas para estudantes de diferentes níveis de ensino em várias regiões do Estado. As oportunidades atendem alunos do ensino médio, técnico, tecnólogo e superior, com bolsas que chegam a R$ 1.800, além de benefícios como auxílio-alimentação ou vale-transporte, conforme a vaga. Do total de vagas, 16 são destinadas a estudantes do ensino superior, duas para nível técnico ou tecnólogo e uma para nível médio. Entre os cursos com maior número de oportunidades no Espírito Santo estão Pedagogia, Administração, Engenharia de Produção, Economia, Ciências Contábeis, Biblioteconomia, Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, Psicologia, Nutrição, Gestão Financeira, Marketing, Design, Design de Modas, Engenharia Elétrica, Engenharia de Controle e Automação, Jornalismo, Design Gráfico e Engenharia de Minas. Para o ensino médio, há uma vaga disponível no município da Serra, destinada exclusivamente a mulheres. Já as oportunidades estão distribuídas por cidades estratégicas do Espírito Santo, incluindo Vitória, Vila Velha, Serra, Viana, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares e Colatina, ampliando o acesso de estudantes da Grande Vitória e do interior ao mercado de trabalho. As bolsas variam de R$ 759 a R$ 1.800, de acordo com o perfil da vaga e a carga horária, reforçando o papel do IEL-ES na formação profissional e na conexão entre estudantes capixabas e empresas. Os interessados devem realizar o cadastro e consultar os detalhes das oportunidades diretamente no site carreiras.iel.org.br/ES.
Entre Vila Velha e Guarapari, Passeio da Lua pode se tornar nova rota turística do ES
Projeto de lei reconhece tradição do motociclismo capixaba e destaca impactos positivos para o turismo e a economia Uma tradição que nasceu entre amigos apaixonados por motocicletas e pela paisagem capixaba iluminada pela lua cheia pode ganhar reconhecimento oficial no Espírito Santo. Tramita na Assembleia Legislativa (Ales) o Projeto de Lei (PL) 773/2025, de autoria da deputada estadual Janete de Sá (PSB), que propõe a criação da Rota Turística do Passeio da Lua, interligando os municípios de Vila Velha e Guarapari pela Rodovia do Sol (ES-060). A proposta tem como base um movimento que surgiu na noite de 28 de setembro de 2015, quando um grupo de motociclistas, liderado por André Luiz Xavier Goulart, conhecido como Corujão, realizou o primeiro passeio noturno entre Vila Velha e Guarapari sob a luz da lua cheia. Desde então, o evento se consolidou como uma tradição do motociclismo capixaba, atraindo participantes de diversas regiões do Estado. Segundo a deputada Janete de Sá, ao longo de quase uma década o Passeio da Lua se transformou em um símbolo de união e convivência, reunindo centenas de motociclistas em cada edição e incorporando momentos marcantes da vida dos participantes. “O evento passou a representar celebrações familiares e encontros especiais, fortalecendo laços e criando memórias que fazem parte da história do motociclismo no Espírito Santo”, destacou a parlamentar. Além do caráter cultural, o passeio também passou a ser utilizado para batizados de motoclubes, comemorações de aniversário, chás revelação e até pedidos de casamento, ampliando seu significado social. A iniciativa ganhou visibilidade estadual, com reportagens especiais em programas de televisão que ressaltam sua importância para o cenário cultural e turístico capixaba. Com comboios que chegam a reunir cerca de 300 motocicletas, o Passeio da Lua tem registrado crescimento contínuo a cada edição. Para Janete de Sá, o movimento contribui diretamente para o fortalecimento do turismo e da economia local, ao movimentar o comércio, serviços e promover a integração entre Vila Velha e Guarapari, dois dos principais destinos turísticos do Espírito Santo. O projeto de lei ainda será analisado pelas comissões de Justiça, Cultura, Turismo e Finanças da Assembleia Legislativa antes de seguir para votação em plenário.
EDP reforça investimentos no ES e anuncia apoio a projetos incentivados em 8 estados
Iniciativas no ES ganham destaque em pacote de mais de R$ 6 milhões destinados a projetos sociais, esportivos, culturais e de saúde Vitória, 8 de janeiro de 2026 – O Espírito Santo está entre os principais estados contemplados pela EDP no anúncio das 19 iniciativas que receberão apoio da companhia em 2026 por meio da Chamada Pública de Projetos Incentivados. Ao todo, a empresa vai destinar cerca de R$ 6,2 milhões a projetos sociais, esportivos, culturais e de saúde, selecionados entre mais de 160 propostas inscritas em todo o país. As iniciativas apoiadas pela EDP serão executadas em oito estados — Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba, Piauí, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins — com destaque para o ES, onde a companhia mantém forte presença nas áreas de geração de energia renovável, transmissão e distribuição. Os projetos reforçam o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento das comunidades capixabas. Durante o processo de seleção, os projetos passaram pela avaliação de um comitê técnico, que considerou critérios como impacto social, capacidade de transformação local, geração de emprego e renda, contribuição para uma transição energética justa e alinhamento aos pilares estratégicos da companhia: Educação para o Futuro e Energia do Amanhã. A Chamada Pública de Projetos Incentivados integra a estratégia de investimento social da EDP, voltada à geração de impacto positivo de longo prazo. Além das iniciativas selecionadas, a empresa também vai direcionar mais de R$ 3 milhões, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, a outros seis projetos culturais que serão realizados em 2026, incluindo ações relevantes no Espírito Santo. No território capixaba, os recursos beneficiarão projetos voltados à infância, juventude, esporte, cultura, cidadania e valorização da identidade local, ampliando o alcance de políticas sociais e culturais em diferentes regiões do estado e fortalecendo iniciativas comunitárias com reconhecido impacto social.