A poluição do ar é um problema que, muitas vezes, passa despercebido na rotina cotidiana, mas que provoca impactos profundos e silenciosos na saúde da população. Quando se fala em poluição atmosférica — especialmente nas partículas finas suspensas no ar — estamos diante de uma das maiores ameaças à saúde pública nas áreas urbanas, tanto em escala global quanto aqui, no Espírito Santo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstram de forma consistente que a exposição a partículas inaláveis está associada ao aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares, ao câncer de pulmão e à elevação do risco de mortalidade prematura. Esses números evidenciam que a poluição do ar não é apenas um incômodo ambiental, mas um fator que compromete diretamente a qualidade e a expectativa de vida da população. No Espírito Santo, esse debate é ainda mais próximo da realidade dos moradores. O convívio com o chamado pó de minério é antigo e segue sendo alvo de fiscalizações por órgãos públicos e de discussões recorrentes na sociedade. Neste início de ano, moradores de diferentes municípios voltaram a relatar os impactos do problema. Em Vitória, especialmente na região da Enseada do Suá, houve aumento das reclamações sobre a presença do pó preto dentro das residências. Em Cariacica, moradores do bairro Porto de Santana chegaram a se mobilizar publicamente, denunciando transtornos causados por uma empresa instalada na região, que há anos afeta a qualidade do ar local. Os riscos da poluição atmosférica vão muito além do desconforto visual ou da sujeira aparente. As partículas poluentes são pequenas o suficiente para penetrar profundamente nos pulmões e, em alguns casos, alcançar a corrente sanguínea. Esse processo desencadeia inflamações no organismo e contribui para o surgimento ou agravamento de doenças como asma, bronquite e enfisema, além de piorar quadros em pacientes com doenças cardiovasculares. A exposição prolongada também está associada ao aumento do risco de câncer de pulmão e a outras complicações sistêmicas. Os efeitos tendem a ser ainda mais intensos em pessoas que já convivem com doenças respiratórias crônicas. Nesses casos, a poluição do ar agrava os sintomas, elevando a demanda por atendimentos de emergência e internações hospitalares. Crianças, idosos e indivíduos com condições de saúde pré-existentes formam o grupo mais vulnerável, sofrendo de maneira mais significativa os impactos dessas partículas nocivas. Diante desse cenário, a qualidade do ar precisa ser tratada como uma prioridade de saúde pública. Monitoramento ambiental eficiente, fiscalização rigorosa e políticas públicas efetivas são medidas indispensáveis para reduzir os danos causados pela poluição atmosférica. Da mesma forma, é fundamental ampliar a conscientização da população sobre os riscos invisíveis presentes no ar que respiramos diariamente. Cuidar do ar é, acima de tudo, cuidar da saúde coletiva. Ignorar esse problema significa aceitar que seus efeitos silenciosos continuem adoecendo pessoas e sobrecarregando o sistema de saúde. Jessica Polese é pneumologista e especialista em Medicina do Sono e vice-presidente da Associação Brasileira do Sono – Regional ES
ES lança plano estratégico de marketing e mira crescimento do turismo até 2030
O governo do Espírito Santo anunciou um novo Plano Estratégico de Marketing Turístico 2026–2030, com o objetivo de consolidar o Estado como um destino competitivo no cenário nacional e internacional e atrair cada vez mais visitantes para destinos capixabas. A iniciativa, considerada um marco para o setor, prevê um investimento anual de R$ 26 milhões em ações de promoção turística a partir deste ano, com execução progressiva ao longo dos próximos anos. O plano foi apresentado durante reunião extraordinária do Conselho Estadual de Turismo do Espírito Santo (Contures), em Vitória, e envolve uma série de instituições parceiras, incluindo a Setur-ES (Secretaria de Estado do Turismo), Fecomércio-ES, Sebrae-ES e a Câmara Empresarial de Turismo. A intenção é unir esforços públicos e privados para colocar o Espírito Santo em destaque no mapa de viagens do Brasil e do exterior. Diretrizes e segmentação do plano O novo plano define seis segmentos estratégicos para orientar ações de promoção e desenvolvimento turístico: • Praia e Mar • Natureza e Ecoturismo • Agroturismo e Turismo Rural • Cultura e Patrimônio • Gastronomia • Eventos e Negócios Segundo o documento, essa divisão considera a diversidade territorial e cultural do Estado, buscando valorizar experiências autênticas e produtos turísticos que dialoguem com as tendências de mercado e os diferentes perfis de visitantes. Está previsto no plano um reposicionamento do turismo capixaba, com foco em experiências autênticas, identidade territorial, sustentabilidade e valorização da diversidade cultural do Estado. A nova marca do turismo capixaba integra uma estratégia mais ampla de posicionamento e comunicação e será utilizada como base para campanhas nacionais e internacionais de promoção do destino. O trabalho também prevê o uso de inteligência de dados e monitoramento contínuo, com indicadores para acompanhar desempenho das campanhas, comportamento do visitante, impacto econômico do turismo e retorno das ações de mercado. Investimento, infraestrutura e metas de longo prazo O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (foto), destacou que esse é o primeiro plano formal e de longo prazo dedicado ao marketing turístico do Estado, com diretrizes claras para orientar investimentos e ações coordenadas. Segundo Casagrande, o Espírito Santo, por muitas vezes considerado “o segredo mais bem guardado do Brasil”, agora busca ampliar sua visibilidade para diferentes públicos e mercados. Para sustentar essa ambição, o Estado destinará R$ 26 milhões por ano ao plano, com parte dos recursos já incluída na lei orçamentária de 2026 e o restante a ser incorporado por meio de ações articuladas entre Setur e a Secretaria de Comunicação. O incremento dos investimentos em infraestrutura, como melhorias em aeroportos regionais e a continuidade de projetos que favorecem o fluxo de visitantes, também foi citado como um pilar para apoiar os resultados esperados. A gente tratou do fortalecimento da atividade do turismo por parte da administração pública e também do setor privado, porque o turismo é um trabalho conjunto. Não é só o governo fazer. Tem que ter o governo, mas tem que ter os empreendedores”, afirmou. Segundo o governador, o envolvimento do setor produtivo e o apoio institucional têm sido determinantes. “O Sebrae tem ajudado muito nesse trabalho. Para nós, isso se consolidou como uma ação estratégica. Neste verão, nós já estamos vendo o resultado, com um fluxo maior de pessoas no Espírito Santo.” Direcionamento estratégico e posicionamento do destino Para o superintendente do Sebrae-ES, Pedro Rigo, o plano representa um avanço histórico para o turismo capixaba, ao preencher uma lacuna estratégica que existia até então. “É a primeira vez que o Estado tem um plano de marketing. Como é que a gente quer avançar enquanto destino turístico do Brasil, como referência, se não existe um direcionamento estratégico? Se a gente não sabe, de fato, qual é o nosso posicionamento, o que nós temos e qual o tipo de turista que queremos receber para desfrutar o melhor do Espírito Santo?”, afirmou. Segundo Rigo, o plano cumpre justamente esse papel de organização e clareza estratégica. “O plano vem dando esse direcionamento, vem posicionando o Espírito Santo no turismo. Agora, de fato, nós temos um instrumento importante para avançar e nos tornarmos um dos destinos mais importantes deste país. Faltava o plano de marketing, e agora nós temos.” União entre poder público e empresariado fortalece o setor Para o presidente do Contures, Valdeir Nunes, o principal diferencial do novo momento do turismo capixaba é a união entre governo e iniciativa privada, algo que, segundo ele, não existia de forma estruturada no passado. “O que nós estamos fazendo é essa união. No passado, não muito distante, o empresariado não se envolvia de forma efetiva. Sempre se disse que o turismo é feito por nós, é feito pelo empresário, e hoje o empresário está junto nesse negócio”, afirmou. Segundo Valdeir, essa articulação envolve diferentes instituições. “Hoje estamos juntos: Sebrae, Fecomércio, governo do Estado, através da Setur, o Contures e o empresariado. Essa união já está tendo resultados extraordinários.
Ricardo Ferraço assina na China termo de compromisso para instalação de fábrica da GWM no ES
O vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, assinou na China um termo de compromisso com a Great Wall Motors (GWM) que formaliza o interesse da montadora chinesa em implantar uma indústria de produção de veículos no Estado. O anúncio foi feito por meio de uma videochamada com o governador Renato Casagrande, ao lado do fundador da empresa, Jack Wey e divulgado na manhã desta quarta-feira (14) nas redes sociais do governador e do vice-governador. A assinatura do termo marca um passo considerado histórico para o Espírito Santo. Apenas em 2025, a GWM importou mais de 45 mil veículos pelos portos capixabas, o que já coloca o Estado em posição estratégica na logística da montadora no Brasil. Com o novo compromisso, o governo estadual avança nas tratativas para que o Espírito Santo passe também a sediar uma unidade industrial da fabricante. Confira o vídeo divulgado nas redes Durante a videochamada, o governador Renato Casagrande destacou a relevância do acordo e o simbolismo da possível implantação de uma indústria automobilística no Estado. Segundo ele, trata-se de um projeto almejado há décadas e que se tornou viável a partir da organização institucional, do ambiente de negócios e do trabalho de articulação realizado pelo governo capixaba. “Acabamos de assinar um termo de compromisso pelo qual a Great Wall Motors manifesta o interesse de implantar uma indústria para a produção de veículos no Espírito Santo. É uma excelente notícia, uma notícia histórica para nós, porque damos um passo na direção de ter uma indústria de automóveis, um sonho antigo do povo capixaba”, afirmou Casagrande. O governador também ressaltou os impactos econômicos do investimento, como o fortalecimento da economia local, a atração de novos negócios e a geração de oportunidades para a população. Casagrande parabenizou Ricardo Ferraço pela condução das negociações e lembrou que o vice-governador mantém diálogo com a empresa desde uma missão internacional realizada há cerca de dois anos. Ao final da conversa, Casagrande reforçou a disposição do Estado em receber a montadora. “Pode dizer mais uma vez à empresa que estamos de braços abertos para construir uma excelente relação e para que a GWM possa prosperar no Espírito Santo”, declarou. A assinatura do termo de compromisso não representa ainda a instalação definitiva da fábrica, mas formaliza a intenção da Great Wall Motors e abre caminho para o avanço das etapas técnicas, institucionais e legais necessárias para a implantação do empreendimento no Estado.
BYD Vitória Motors inicia 2026 com ações voltadas à tecnologia e eficiência
A BYD Vitória Motors, marca da Divisão Comércio do Grupo Águia Branca, inicia o calendário de ações de 2026 com uma programação voltada a produtores rurais, pessoas jurídicas e consumidores interessados em veículos com maior autonomia, tecnologia e eficiência energética. A primeira iniciativa está marcada para o dia 17 de janeiro e será direcionada a produtores rurais e clientes com CNPJ. A ação tem como objetivo apresentar soluções de mobilidade que atendem às necessidades específicas desses públicos, reunindo tecnologia embarcada, eficiência, conforto e desempenho. Durante o evento, os visitantes poderão conhecer os modelos da montadora, obter informações sobre condições comerciais especiais e entender como os veículos se adaptam tanto ao uso profissional quanto ao cotidiano. Na sequência, entre os dias 19 e 25 de janeiro, a concessionária promove a Semana BYD King, com foco em um dos sedãs híbridos mais completos do portfólio da marca. O modelo estará em destaque por seus diferenciais em design, eficiência energética, tecnologia embarcada e economia. Ao longo do período, o público poderá acessar informações técnicas detalhadas sobre o veículo e conferir condições comerciais exclusivas, válidas apenas durante a campanha. A BYD Vitória Motors é concessionária especializada em veículos elétricos e híbridos da fabricante chinesa BYD, uma das líderes globais em mobilidade sustentável. Integrante do Grupo Águia Branca, a marca atua no mercado brasileiro com um portfólio voltado à inovação, eficiência energética e redução do impacto ambiental.
ES chega à marca de 600 prisões com uso de tecnologia de reconhecimento facial
O Espírito Santo alcançou, nesta terça-feira (13), a marca de 600 pessoas presas com o auxílio da tecnologia de reconhecimento facial. O recurso é utilizado em câmeras de videomonitoramento integradas às forças de segurança pública e faz parte da estratégia de fortalecimento da inteligência policial no Estado. A tecnologia permite a identificação de pessoas com mandados de prisão em aberto a partir do cruzamento de imagens captadas em tempo real com bancos de dados oficiais. As prisões são efetuadas após a confirmação da identidade pelos agentes de segurança, seguindo os protocolos operacionais definidos pelos órgãos responsáveis. O resultado é atribuído aos investimentos realizados no âmbito do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, que reúne ações de prevenção, repressão qualificada e integração entre diferentes instituições da área de segurança pública. O uso de ferramentas tecnológicas tem sido ampliado como apoio às atividades de policiamento ostensivo e investigativo. De acordo com o Governo do Estado, o sistema de reconhecimento facial segue sendo expandido para novos pontos estratégicos, com o objetivo de aumentar a capacidade de resposta das forças de segurança e contribuir para a redução da criminalidade no Espírito Santo. foto: Governo ES
Efigênia Brasilino – “Afinal, o que é a Saída Fiscal e por que o Paraguai virou destino estratégico?”
O tema do momento é a reforma tributária — e prepare-se, porque vamos falar muito disso por aqui. Mas, nos bastidores, a pergunta que realmente não quer calar é outra: ainda vale a pena ficar no Brasil? Com a inflação em 4,05%, segundo o Boletim Focus, a taxa Selic na casa dos 15% e a discussão sobre a tributação de dividendos, o imaginário de quem tem patrimônio começa a voar mais longe. Afinal, sair do Brasil para pagar menos imposto é uma decisão estratégica ou uma armadilha bem disfarçada? Além de tratar das regras de saída fiscal da pessoa física, vou apresentar uma alternativa frequentemente debatida entre empresários: a estruturação fiscal da pessoa jurídica no Paraguai. É com essa provocação que inauguro nossos artigos semanais da Estratégia Tributária. Vamos direto ao ponto. Onde você mora e paga imposto (para o Leão) No Brasil, a residência fiscal não é definida apenas pela presença física, mas por um marco jurídico rigoroso. Compreender essa distinção é fundamental para evitar que um brasileiro, mesmo morando no exterior, continue sob o radar do fisco nacional. O residente fiscal brasileiro é tributado sobre a renda mundial, ou seja, tanto sobre os rendimentos auferidos no Brasil quanto no exterior. A legislação prevê dois cenários distintos de saída do país: 1. Saída em caráter permanente A condição de não residente nasce na data da saída física, desde que formalizada por meio da Comunicação de Saída Definitiva do País (CSDP). O efeito é imediato: encerra-se a tributação sobre a renda mundial, e o Brasil passa a tributar apenas os rendimentos produzidos em território nacional. Nessa hipótese, os valores recebidos no Brasil sofrem retenção do Imposto de Renda na Fonte (IRRF) antes do envio ao exterior. Trata-se de uma tributação definitiva, sem possibilidade de restituição. 2. Saída em caráter temporário Quando não há declaração inicial de intenção definitiva, a lei presume a manutenção da residência fiscal no Brasil por até 12 meses consecutivos fora do país. A condição de não residente somente se consolida a partir do 13º mês. O ponto de atenção é claro: estar fisicamente fora do Brasil não significa estar fora do sistema tributário. Sem a formalização adequada, o vínculo jurídico permanece, e o custo dessa omissão pode ser a tributação da renda brasileira e estrangeira à alíquota de até 27,5%. Prazos e obrigações relacionados à saída fiscal Independentemente da forma de saída, a legislação exige dois atos formais essenciais para garantir regularidade e segurança jurídica: 1. Comunicação de Saída Definitiva (CSDP): deve ser entregue até o último dia de fevereiro do ano seguinte ao da saída. É o aviso oficial ao fisco sobre a mudança de status fiscal. 2. Declaração de Saída Definitiva (DSDP): deve ser apresentada até o último dia de abril. Trata-se do balanço final como residente fiscal, consolidando rendimentos e patrimônio até a data da partida. O cumprimento desses marcos gera efeitos objetivos: cessação da tributação sobre rendimentos auferidos no exterior, tributação exclusiva na fonte dos rendimentos de origem brasileira e extinção da obrigação de entrega da declaração anual de ajuste como residente. O risco de “fingir” que saiu A ausência da CSDP e da DSDP mantém o contribuinte na condição de residente presumido. A Receita Federal atua com base na realidade econômica, e não apenas em documentos formais. A manutenção de imóveis disponíveis, contas bancárias ativas, gestão de empresas ou vínculos familiares relevantes no Brasil pode levar à desconsideração da suposta saída. O resultado prático é a exigência de imposto sobre a renda mundial, aplicação de multas elevadas — que podem chegar a 20% por não entrega da declaração e até 150% por não pagamento do imposto — além de uma insegurança patrimonial prolongada. O risco não está na legislação estrangeira, mas na forma como a desvinculação fiscal foi conduzida ou negligenciada no Brasil. Por que todo mundo fala do Paraguai? É fundamental destacar que somente após o correto encerramento da residência fiscal brasileira faz sentido analisar alternativas em outras jurisdições. Nesse contexto, o Paraguai se destaca por razões objetivas. A Lei nº 6.380/2019 consolidou no país o regime de tributação territorial da renda. Diferentemente do Brasil, o Paraguai tributa apenas rendimentos de fonte local. Ganhos produzidos fora do território paraguaio não integram automaticamente a base tributável, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. O sistema é direto, previsível e com baixa margem para interpretações expansivas por parte do fisco. A tributação da renda é simples e eficiente. O Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) incide sobre rendas locais à alíquota única de 10%, sem tabelas progressivas complexas. Para as pessoas jurídicas, a lógica é a mesma: tributação geral também de 10%. Esse desenho privilegia a previsibilidade e reduz significativamente o custo de conformidade. Para usufruir desses benefícios, é essencial compreender o processo de obtenção da residência paraguaia, regido pela Lei nº 6.984/2022. Inicialmente, é emitido o carnet de residente temporário, cujo processo leva entre 90 e 120 dias úteis. Somente após 21 meses de vigência dessa residência temporária é possível solicitar a residência permanente. No campo empresarial, além da alíquota reduzida, o Paraguai oferece um ambiente corporativo atrativo: menor burocracia para abertura e manutenção de empresas e encargos trabalhistas significativamente inferiores aos brasileiros. Isso cria um ecossistema de alta competitividade e baixo custo operacional. Para o empresário que busca uma base para atuação no mercado global, o Paraguai pode funcionar como um hub logístico e financeiro eficiente, permitindo maior acumulação de capital para reinvestimento no próprio negócio. Contudo, a estratégia precisa ser bem avaliada. Se a empresa paraguaia vender produtos ou serviços para o Brasil, a operação será caracterizada como exportação, sujeita à tributação na importação brasileira e, possivelmente, às regras de preços de transferência. Assim, a economia obtida na origem deve ser confrontada com os custos tributários e burocráticos na entrada no mercado brasileiro. Essa dinâmica reforça que a internacionalização exige cálculo técnico e análise de viabilidade. O benefício real surge quando a operação é desenhada para aproveitar a territorialidade paraguaia sem ignorar as barreiras fiscais brasileiras. Avaliar o
Comércio e serviços puxam retomada de crescimento do emprego formal no Espírito Santo
Setores criaram mais de 2,3 mil vagas com carteira assinada em novembro, impulsionados pela Black Friday. Número reflete o saldo entre admissões e demissões no mês O ritmo intenso das promoções e o aumento do consumo típicos da Black Friday voltaram a aquecer o mercado de trabalho capixaba no penúltimo mês do ano. Em novembro, o Espírito Santo registrou a criação de 1.009 empregos formais com carteira assinada, indicador do saldo entre admissões e demissões. O resultado reverteu o dado negativo observado em outubro (-183) e indica a retomada do crescimento do emprego no estado, puxada principalmente pelos setores de comércio e serviços. O comércio gerou 1.579 empregos formais em novembro, enquanto os serviços contribuíram com a criação de 732 novas vagas. Juntos, responderam por 2.311 postos de trabalho no mês, o que mostra o papel central dos setores na sustentação do dinamismo do mercado de trabalho capixaba. Apesar disso, três grandes setores da economia apresentaram mais desligamentos do que contratações. A indústria teve o pior resultado, com o encerramento de 800 postos de trabalho, seguida pela construção civil, que fechou 489 vagas, e pela agropecuária, com saldo negativo de 13 empregos. As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). “A Black Friday funciona como um gatilho importante para a retomada das contratações no fim do ano. O aumento do fluxo de consumidores exige reforço nos quadros das empresas, especialmente no comércio e nos serviços ligados à logística e ao atendimento”, avaliou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES. Na comparação interanual, o resultado capixaba também foi expressivo. Em novembro de 2024, o Espírito Santo havia criado apenas 155 vagas formais. Em 2025, o saldo do mês foi 854 empregos a mais. No acumulado de janeiro a novembro, o estado contabilizou a criação de 23.683 empregos formais, mantendo trajetória positiva ao longo do ano. Com o desempenho, o Espírito Santo passou a contabilizar 933.062 vínculos formais de trabalho, o que representa um crescimento de 1,8% em relação ao mesmo mês de 2024. No período, os maiores avanços proporcionais foram registrados no comércio, com expansão de 2,5%, e nos serviços, com crescimento de 2,2%. Em termos absolutos, o setor de serviços liderou a criação de vagas entre novembro de 2024 e o mesmo mês de 2025, com 9.397 novos postos de trabalho. O comércio aparece na sequência, com 5.874 empregos criados no mesmo intervalo. Em novembro, das 1.579 vagas geradas pelo comércio, 1.444 foram concentradas no segmento varejista, o que representa mais de 90% do total. “O comportamento do comércio em novembro reflete uma sazonalidade típica do último trimestre do ano, quando as empresas ampliam suas equipes para atender ao aumento das vendas provocado pelas promoções e pelas festas de fim de ano”, explicou Spalenza. O setor de serviços também apresentou desempenho consistente em novembro, com a criação de 732 empregos formais. O principal destaque foi o segmento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, responsável por 391 novas vagas. Outro fator relevante foi o avanço das atividades ligadas à logística e ao transporte. O segmento de transporte, armazenagem e correio registrou a criação de 318 postos de trabalho. Regionalmente, a geração de empregos em novembro concentrou-se na Região Metropolitana da Grande Vitória. Vila Velha liderou o saldo positivo, com 402 postos de trabalho, seguida por Guarapari, com 365 vagas, Vitória, com 193, Viana, com 135, e Cariacica, com 113 empregos. Juntos, os municípios da Grande Vitória responderam pela criação de 1.252 postos no mês. No interior do estado, os principais destaques foram Cachoeiro de Itapemirim, com 177 empregos gerados, Anchieta, com 85, Venda Nova do Imigrante, com 64, e Pinheiros, com 60 vagas. A pesquisa completa pode ser acessada no site www.portaldocomercio-es.com.br. Sobre o Sistema Fecomércio-ES A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no estado e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades, tendo ações itinerantes e presente em todos os municípios capixabas – seja de forma física ou on-line –, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o Espírito Santo. A entidade representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI).
Comissões da Assembleia apresentam balanço de 2025. Confira como foi o trabalho
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) encerrou 2025 com uma atuação intensa e diversificada de seus colegiados, que somaram centenas de reuniões, audiências públicas, visitas técnicas e ações institucionais ao longo do ano. O trabalho envolveu as 18 comissões permanentes, quatro comissões especiais em funcionamento, duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e 40 frentes parlamentares ativas, das quais nove foram instaladas no ano passado. Dados consolidados pela Secretaria-Geral da Mesa (SGM) e pela Coordenação Especial das Comissões Temporárias e Órgãos Especiais apontam que, somente as comissões permanentes, realizaram 205 reuniões em 2025 — sendo 142 ordinárias e 63 extraordinárias. Como resultado dos trabalhos, foram emitidos 1.012 pareceres sobre matérias em tramitação na Casa. A Comissão de Justiça concentrou o maior volume de atividades, com 33 reuniões e 753 pareceres emitidos. Além da análise técnica das proposições legislativas, os colegiados também se destacaram pelo debate de temas de interesse da sociedade capixaba. Ao longo do ano, foram promovidas 25 audiências públicas, realizadas tanto na sede da Ales quanto em municípios do interior do Estado, abordando pautas como saúde, segurança pública, educação e acesso a direitos. A Comissão de Direitos Humanos liderou esse quesito, com a realização de 13 audiências. Os números divulgados no site da Ales. A atuação fiscalizatória também foi reforçada em 2025. As comissões permanentes realizaram 28 visitas técnicas para acompanhar obras e o funcionamento de serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde e educação. A Comissão de Infraestrutura foi responsável por quase metade dessas agendas, com 13 visitas técnicas ao longo do ano. Os colegiados ainda promoveram 17 campanhas institucionais e sete sessões solenes. No campo dos colegiados temporários, as comissões especiais e frentes parlamentares registraram 15 reuniões deliberativas, além de 250 reuniões administrativas e 125 movimentações e outros atos oficiais. A Frente Parlamentar do Desenvolvimento Econômico e Inovação foi a que mais realizou reuniões deliberativas, com quatro encontros. Entre as frentes parlamentares, destacaram-se pelo volume de reuniões administrativas aquelas voltadas à defesa da liberdade econômica, do agronegócio, da valorização de categorias profissionais e de políticas públicas setoriais. Cada uma das frentes mais ativas somou dez reuniões administrativas em 2025. Já no quesito movimentações e atos oficiais, lideraram as Frentes da Micro e Pequena Empresa e do Empreendedorismo Capixaba e do Agronegócio e Desenvolvimento Ambiental, com oito registros cada. No âmbito das CPIs e comissões especiais, foram realizadas 33 reuniões extraordinárias ao longo do ano, além de duas ordinárias. A CPI dos Maus-tratos contra os Animais concentrou a maior parte dessas atividades, com 13 reuniões extraordinárias, reforçando o papel investigativo do Legislativo estadual em temas sensíveis à sociedade.
Arena de Verão 2026: Espaço Sabores Capixabas passa a ter atrações também às quartas
O Espaço Sabores Capixabas, integrado à Arena de Verão 2026, na praia de Camburi, amplia a programação e passa a contar com atrações musicais também às quartas-feiras a partir desta semana. A estreia da nova data acontece no dia 14 e marca o início da etapa temática dedicada aos frutos do mar, reforçando a proposta de valorizar a gastronomia e a cultura capixaba durante a temporada de verão. Com funcionamento a partir das 17 horas, o espaço reúne restaurantes e empreendedores locais que apresentam pratos típicos e releituras da culinária do Espírito Santo, sempre com foco em ingredientes regionais. A programação musical segue gratuita e aberta ao público, ampliando as opções de lazer para moradores e turistas que frequentam a orla de Vitória. Ao longo do mês de janeiro, o Espaço Sabores Capixabas recebe etapas temáticas gastronômicas. Nos dois primeiros fins de semana, o destaque ficou por conta dos botecos de Vitória, reunindo estabelecimentos tradicionais da capital. Agora, o protagonismo passa a ser dos frutos do mar, com receitas que celebram peixes, camarões e outros sabores característicos do litoral capixaba. Entre os dias 22 e 25 de janeiro, o espaço entra na etapa Cultura Capixaba, com pratos que refletem as diversas influências culturais do Estado. A programação contará com participantes de Vitória, da Grande Vitória e de municípios do litoral, reforçando a diversidade gastronômica e cultural do Espírito Santo. Para o secretário municipal de Turismo de Vitória, Luciano Forrechi, a ampliação da programação atende a uma demanda do público e fortalece ainda mais a Arena de Verão como um espaço ativo ao longo de toda a semana. Segundo ele, o Sabores Capixabas funciona como uma vitrine da gastronomia, da música e da hospitalidade capixaba, além de contribuir para o fortalecimento do turismo e da economia local. A Arena de Verão 2026 segue até o fim de janeiro com uma agenda diversificada, que inclui atividades esportivas, ações de lazer, eventos culturais e grandes shows nacionais no palco principal. Dentro desse contexto, o Espaço Sabores Capixabas se consolida como um ambiente de convivência, valorização cultural e estímulo ao empreendedorismo local. Programação musical – Espaço Sabores Capixabas Quarta-feira (14) • 19h – Banda 522 Quinta-feira (15) • 18h – Aulão de forró com o professor Wagner Lima • 19h – Mafuá Palco Arena 16/01 – Gabriel Sabadin e Thiago Aquino 17/01 – O Giro e Psirico 18/01 – Herança Negra e Lenine 23/01 – Picnic Dogs e Paralamas do Sucesso 24/01 – Ubando e Latino 25/01 – Banda Agitu’s (Conceição da Barra) e Banda Eva Serviço Espaço Sabores Capixabas – Arena de Verão 2026 Local: Praia de Camburi, Vitória Período: até 25 de janeiro Abertura dos restaurantes: 17h Atrações musicais gratuitas
Brasil bate recorde nas exportações de rochas em 2025, com o ES na liderança
Maior exportador do país, Espírito Santo responde por quase 80% das vendas externas e ajuda a consolidar 2025 como o melhor ano da história do setor de rochas naturais brasileiro Vitória (ES), 12 de janeiro de 2026 – O setor brasileiro de rochas naturais encerrou 2025 com o melhor desempenho de sua história, alcançando US$ 1,48 bilhão em exportações, crescimento de 17,5% em faturamento em relação a 2024. O resultado supera o recorde anterior, registrado em 2021, e consolida um novo patamar para a indústria nacional. Maior exportador do país, o Espírito Santo respondeu por 78,5% das exportações brasileiras do setor, segundo dados da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas). A atuação conjunta com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por meio do projeto setorial It’s Natural – Brazilian Natural Stone, tem contribuído de forma consistente para esse desempenho. As ações envolvem inteligência comercial, promoção da imagem do produto brasileiro, aproximação com compradores internacionais e abertura de canais em mercados estratégicos de alto consumo. Além do crescimento em faturamento, o setor também avançou em volume físico exportado. Em 2025, as vendas externas totalizaram 2,11 milhões de toneladas, alta de 2,9% em relação ao ano anterior. O resultado reforça um movimento consistente de valorização das rochas naturais brasileiras, impulsionado principalmente pela elevação do preço médio de exportação, que ficou 14,2% acima do registrado em 2024. “Os números impressionam, especialmente por terem sido alcançados em um ano desafiador, marcado pelo tarifaço, que provocou quedas relevantes nas exportações de granitos, mármores e ardósia. Se esses materiais tivessem mantido o ritmo de vendas do primeiro semestre, o setor poderia ter alcançado um faturamento próximo de US$ 1,6 bilhão em 2025”, avalia Tales Machado, presidente da Centrorochas. Na análise do dirigente, pesam a queda de 8,7% no volume de granitos exportados em 2025 e a retração de 7,5% nas vendas de mármores no mesmo período. “Para as empresas focadas exclusivamente na extração de mármore e granito, o ano foi marcado por retração. Esse movimento, no entanto, acabou sendo compensado pelo avanço de outros materiais, como os quartzitos, que tiveram desempenho bastante positivo e ajudaram a sustentar o resultado geral do setor, nos surpreendendo com esse recorde histórico”, explica. Estados Unidos, China e Itália lideram compras Os Estados Unidos mantiveram-se como o principal destino das rochas naturais brasileiras em 2025, respondendo por 53,6% das exportações, com faturamento de US$ 795 milhões, crescimento de 11,8% em relação ao ano anterior. Na sequência aparecem China, com 17,5% de participação (US$ 260,1 milhões; +19,0%), e Itália, que alcançou US$ 117,7 milhões, registrando crescimento expressivo de 42,2%. México, Reino Unido e Espanha completam o ranking dos seis principais mercados, todos com desempenho positivo. O resultado reforça a diversificação geográfica das exportações brasileiras e a ampliação da presença do setor em mercados estratégicos. Estados que impulsionam o resultado nacional No recorte estadual, Espírito Santo, Minas Gerais e Ceará concentraram a maior contribuição para as exportações brasileiras de rochas naturais em 2025. O Espírito Santo manteve ampla liderança, respondendo por 78,5% das exportações nacionais e registrando crescimento de 12,2% em valor, reafirmando sua posição como principal polo exportador do país. Minas Gerais participou com 9,1% das exportações, enquanto o Ceará, com 7,4%, apresentou o crescimento mais acelerado entre os principais estados exportadores, com alta de 141,3% no ano. O avanço cearense está diretamente associado à consolidação do estado como importante polo produtor de quartzitos, material cuja demanda foi ampliada após o tarifaço, por estar enquadrado em código incluído na lista de exceções às tarifas adicionais, elevando a participação do estado no cenário nacional. Sobre o It’s Natural – Brazilian Natural Stone O It’s Natural – Brazilian Natural Stone é um programa de incentivo às exportações desenvolvido pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O projeto tem como objetivo estimular e ampliar as exportações brasileiras de rochas naturais por meio de ações estratégicas de internacionalização, promoção comercial, fortalecimento da imagem do setor e desenvolvimento da indústria no mercado global. Sobre a Centrorochas A Associação Brasileira de Rochas Naturais atua de forma institucional para ampliar a competitividade do setor de rochas ornamentais. A entidade oferece suporte às empresas brasileiras em ações comerciais, operacionais e estratégicas, especialmente nos trâmites relacionados à presença no mercado internacional e à ampliação das exportações. Sobre a ApexBrasil A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua na promoção de produtos e serviços brasileiros no exterior e na atração de investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia nacional. A instituição desenvolve ações de promoção comercial, como missões empresariais, rodadas de negócios, apoio à participação em feiras internacionais e articulação com atores públicos e privados para fortalecer a marca Brasil e ampliar a competitividade das empresas brasileiras no mercado global.